2020 – Pequena crônica de Ronaldo Rodrigues

Pequena crônica de Ronaldo Rodrigues

Estive pensando sobre este ano que, em vez de passar, está a nos atravessar. Antes de 2019 chegar ao fim (lembram dele? Inocentes, nem desconfiávamos do que viria), comentei com um amigo designer gráfico que o número 2020 é legal de trabalhar. Dá pra fazer um selo ou uma vinheta com esse número redondo. E redondo duas vezes: 20 e 20.

Outra coisa que sempre falo a cada ano que chega, com uma certa carga de tédio, é que lá vamos nós repetir tudo. E lá vem Carnaval, Páscoa, São João… Para tudo se repetir no próximo ano e no próximo e no próximo. Aí chega 2020, só deixando o Carnaval e cancelando ou adiando todo o nosso calendário. O restante a gente foi e está levando do jeito que dá, né? Houve uma interrupção que foi muito além do meu desejo de que as coisas não se repetissem.

Ironia do destino: o que eu achei que seria um número redondo, bom para virar uma peça gráfica, me enganou redondamente. E agora virou um ano já marcado pelo coronavírus, alimentado por outros vírus tão letais quanto, como a sabotagem às medidas de segurança, o negacionismo da pandemia, a minimização da importância do combate ao coronavírus, o aproveitamento da situação para desvio de dinheiro público etc. Ainda bem que, para contrabalançar, tem gente empenhada em diminuir o impacto, fazendo trabalhos voluntários em que a solidariedade se faz presente num mundo em que o amor pelo próximo está tão ausente.

Tomara que a gente aprenda alguma coisa. Por exemplo: que os pais e mães, que entenderam que a rotina dos professores não é moleza, passem a respeitar e valorizar esses profissionais quando a vida retomar seu curso (quase) normal. Eu mantenho minha esperança no ser humano, mesmo sabendo que a maioria das pessoas não vai aprender nem a lavar a mão.

É, 2020! Não leva a mal, creio que não tenhas culpa. Digamos que seja apenas uma coincidência nefasta. Tá vendo só? Nem consegui fazer uma crônica legal. Mas para não terminar de baixo astral, ainda aguardo uma virada de mesa, lá pelo apagar das luzes, na dobrada para o próximo ano. Já vejo até as felicitações para 2021:

– Feliz Ano Novo! Feliz mesmo, hein!

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