50 anos, nem é tanto tempo assim – Por @gilvana_ap

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50 anos. Não, não foi de repente, mas foi vivido intensamente e nem quero pensar como o escritor que descobriu ter menos tempo para viver daqui para frente do que o já vivido até agora, pois prefiro pensar no tempo presente. Mas, em um ponto eu concordo com Rubem Alves, quando no mesmo poema diz: “(…) Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram. Cobiçando seus lugares, talento e sorte. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas (…)”.

Sim, essa é uma verdade da maturidade. Não ter mais “saco” para aturar determinados comportamentos, posicionamentos e falta de caráter, principalmente dos invejosos. A convivência com pessoas positivas e firmes na sua postura perante esse tipo de gente, muitas vezes criticadas e incompreendidas, como minha irmã Girlei Batista e meu amigo Elton Tavares, me fez aprender que nem sempre a gente precisa “engolir sapo” nesta vida. Isso eu aprendi, e posso afirmar que faz muito bem dar um basta aos medíocres, ou simplesmente, ignorá-los. Em tempos de redes sociais, bloquear ou desfazer a amizade hahaha.

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Ao completar 50 anos é inevitável olhar para trás e fazer um “balanço” de como eu era. As datas mais significativas para mim foram os 15 anos, depois 20, e ao completar 30 anos foi mais que especial, porque estava grávida e cinco dias depois nascia meu filho André Luis, em 1996.

Quanta mudança na minha personalidade (risos), quase uma mutante. Até meus 18 anos, extremamente conservadora e “cdf” nos estudos. Na juventude, irreverência, inconsequência e rebeldia dos anos 80, no auge do rock brasileiro e do surgimento de grandes ídolos da música internacional como Madonna e Michael Jackson. Foi a fase mais intensa da minha vida, ao som de bandas que eu amava, como Titãs (preferida), Legião Urbana e Barão Vermelho, depois veio o maravilhoso Cazuza, em carreira solo, assim como Freddie Mercury, que deixou o Queen, além de grupos como Pink Floyd. Ah! Nesse período também foi intenso meu amor pelas músicas do Pará e Amapá frequentando os bares com música ao vivo, em Belém e depois Macapá, para onde retornei depois de morar em Belém, Vitória e Vila Velha no Espírito Santo.

Drummond escreveu: “São mitos de calendário tanto o ontem como o agora, e o teu aniversário é um nascer toda hora”. É isso, “nascer toda hora”, mudar sempre, procurando melhorar como ser humano, superar os defeitos e aperfeiçoar as qualidades. Mas, ninguém se iluda de que esse renascimento seja perceptível, pois é gradativo e constante, que só o tempo nos faz enxergar. Também não é nada fácil!

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Posso dizer convicta que estou na melhor fase da minha vida. Vivi meio século com a graça de Deus e, hoje, aos 50 anos, sou mãe, tenho uma formação profissional, trabalho no que gosto, em uma instituição que tem uma nobre missão, tenho independência financeira, uma família linda que eu amo, apesar da falta e saudade do meu pai, e tenho amigos verdadeiros que eu também amo e que me fazem muito feliz. Família e amigos que estão comigo na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, com quem eu posso contar sempre, e que fazem a vida valer a pena. Obrigada por existirem na minha vida. Obrigada “Friends Forever” e “boçais e fuleiras” (Grupos do WathsApp) pela festa surpresa. Amo vocês!

São 50 anos bem vividos e, ainda assim, como disse Renato Russo: “(…) Não tenho mais o tempo que passou. Mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo (…)”.

Gilvana Santos – Jornalista

  • Na segunda metade do século é que, efetivamente, começa a fase sã da vida, nomeadamente, quando se semeou as tantas sementes que se deveria. É quando aprendemos a importância de viver o presente, pois, o passado ficou para trás e não podemos modifica-lo, o futuro está por vir e não sabemos o que ele nos reserva, então o presente é o aqui e agora é esse é o momento de ser feliz. Do após os 50 é que percebemos isso é tomamos essa consciência.

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