A Barbárie e Covardia diária – Crônica de Marcelo Guido

Crônica de Marcelo Guido

Marcelo Arruda, comemorava com seus entes queridos seu aniversário de 50 anos no último domingo, meio século de uma vida aparentemente feliz, quando teve o local da festa invadido pelo policial penal federal Jorge José Rocha Guaranho, resultado a maioria de vocês já sabem, tragédia, um covarde ato insano promovido por um agente público do estado.

Os disparos fulminaram a vida de Marcelo, que tinha escolhido como tema da comemoração o PT. Sim o Partido dos Trabalhadores.

Mas o que nos trás para reflexão? Atos insanos desses tornam-se comuns, e não podem. A discordância política não pode nos levar a ter esse sentimento de ódio, promovido e amplamente divulgado nas redes sociais.

Uma das bandeiras levantadas pelo discurso de quem hoje comanda o poder executivo do Brasil, foi a liberação ou flexibilização do porte de armas para o cidadão comum, bom pergunto a vocês, se um profissional treinado pelas forças federais de segurança pública chega a tal ponto, imagina um cidadão comum que com o poder do dinheiro teria maior facilidade ao acesso a uma arma de fogo.

Digo poder do dinheiro, por que primeiro,  não seria barata as armas e claro, apenas uma pequena parcela da população teria o acesso a elas, a grande maioria encontraria se a mercê de gente tresloucada e armada, que com o apoio do discurso que vem do alto escalão governamental se acharia no direito de tirar vidas de forma covarde como o acontecido no caso de Arruda.

Lembro-me que a uns dois ou três anos atrás dos estabelecimentos que dispunham do serviço de agenciadores para a facilitação do porte de arma, e os clubes de tiro terem pipocado pela cidade, tal quais os Sushis Bar ou as Barbearias em outras épocas, realmente era um mercado promissor, ainda bem não foi pra frente, tive medo de ter mais clube de tiro do que óticas em Macapá.

Imagine isso, o risco que seria. Mas não as armas garantiriam a segurança do cidadão de bem, aquele que paga seus impostos, que se dedica a família e a igreja, era isso que era clamado por eles. Armas nunca garantiram a segurança de ninguém, assim como a pena de morte não resolveu o problema da violência em canto nenhum do mundo.

Nos EUA, o país exemplo para a maioria dessa turma os casos de violência urbana ou melhor massacres contra minorias cresceram em décadas e detalhe a pouco tempo também tinha um governo que apoiava discretamente esse tipo de ação. Pelas bandas de lá se apegam a tal primeira emenda, aqui tentaram também, “tenho direito de me armar para defender minha família”, já escutei, mas até parece que vai deixar sua amada e cara arma em casa quando for sair?

São essas as saídas e desculpas hipócritas que os apoiadores desses tipos de atos nos dão, já escutei que os dois estavam errados, que não deveria comemorar o aniversário com tal temática,  que já havia passado da hora, que aconteceu uma discussão , mas ninguém culpa o fato de o provocador estar armado. E com a mais duras das certezas que tenho é que só entrou em contato com os presentes na festa por estar armado.

As eleições estão chegando, falta menos de seis meses para que seja realizada a “festa da democracia”, e já vejo um movimento de descrédito nas urnas eletrônicas, no processo eleitoral, detalhe importante que quem levanta tais teses toscas não apresenta provas, não se surpreendam se acontecer a convocação dos “cidadãos de bem” com suas camisas da CBF e suas pistolas e revólveres para defender a “democracia” contra o fantasma do “Comunismo”, caso o resultado não seja o esperado por eles.

Que as imagens  da invasão ao Capitólio nos EUA não se repitam por aqui, e que essa turma realmente se coloque no seu lugar.

Toda a justiça para Marcelo Arruda, que sua imagem não seja esquecida, e que esses tempos de profunda insanidade passem logo.

Falta Pouco.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia, além de antifascista. 

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