A Generosidade musical de Nonato Leal – Por Fernando Canto (em homenagem aos 92 anos do mestre das cordas)

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Foto: Portal Amazônia

O Amapá precisa preservar, reconhecer e homenagear seus grandes nomes em todas as áreas de atuação. Como sou fã de escritores, compositores, músicos, poetas e artistas, deixo aqui meus parabéns ao mestre das cordas Nonato Leal na crônica lindona do amigo Fernando Canto. O reconhecimento é justo, diante do legado artístico do lendário violonista. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Hoje Nonato Leal faz 92 anos. Repito aqui minha pequena homenagem a esse grande músico que por décadas ensinou, influenciou e participou ativamente das atividades musicais do Amapá. Este texto foi publicado no Jornal do Dia, em 12 de julho de 2007″ – Fernando Canto

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Foto: Márcia do Carmo

A Generosidade musical de Nonato Leal
Por Fernando Canto

Nonato Leal vai fazer 80 anos daqui a dez dias. Vai comemorar 70 de música, pois aprendeu a tocar aos dez anos instrumentos de corda com seu pai, que também ensinou seu irmão Oleno Leal, como ele exímio violonista.

Lembro do primeiro contato que tive com esse incrível e generoso músico no final dos anos 70, quando iniciava por conta própria a aprender violão. E foi num dia de Festival Amapaense da Canção, sob a frondosa mutambeira do grupo escolar Barão do Rio Branco que Nonato me viu e me deu a dica de uma passagem de tom na música que eu executava. Depois ele adentrou o ex-cine Territorial para ensaiar sua composição que seria a vencedora do festival, em parceria com o inesquecível poeta Alcy Araújo.

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Foto: SelesNafes.Com

A modéstia do violonista é conhecida por todo mundo junto ao seu inominável talento que atravessou décadas encantando os mais diversificados públicos que tiveram a oportunidade de ouvir seu trabalho. Requisitadíssimo, Nonato Leal jamais se furtou a um bom convite para tocar, pois sempre soube se valorizar, embora nas rodas boêmias fosse um integrante como qualquer outro bom bebedor, um companheiro divertido que nem ao menos se zangava com as piadas que faziam sobre sua terra natal e lhe insinuavam ser o protagonista principal. Vigiense de boa cepa, até hoje adora um bom caldo de cabeça de gurijuba, ao qual atribui ser afrodisíaco, e a fruta do cedro, parecida com o taperebá, que considera o melhor tira-gosto para a cachaça.

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Foto: Márcia do Carmo

Sua participação no crescimento da nossa música foi determinante. Nonato tocou em diversos grupos musicais, ao lado de instrumentistas famosos como Sebastião Mont’Alverne e Amilar Brenha, Hernani Guedes, Chico Cara de Cachorro e Zé Crioulo, Aimorezinho, Manoel Cordeiro e tantos outros. Tocava qualquer instrumento de corda: foi o primeiro artista do Amapá que vi tocando guitarra havaiana. Participou da gravação do LP “Marabaixo” do conjunto “Os Mocambos”, em 1973. Seu programa de rádio “Recital de Nonato Leal” por anos teve audiência assegurada nas rádios de Macapá. Mas foi como professor que disseminou o amor pela música a dezenas de discípulos que hoje ganharam o rumo da profissionalização musical, incluindo aí seus filhos Venilton e Vanildo Leal. Seu primeiro CD “Lamento Beduíno”, editado em 1997, com arranjos de Manoel Cordeiro, esgotou-se rapidamente. Nesse trabalho tive a honra de escrever um texto a pedido dele, do qual reproduzo o primeiro parágrafo:

Cultura Amapá - Nonato Leal e Zé Miguel no programa Amazônia Musical da Rádio Difusora
Foto: Chico Terra

“A saudade de Macapá me fez sintonizar ao acaso a Rádio Neederland em uma noite fria e triste em Belo Horizonte no ano de 1974. De repente um solo de violão me chamou a atenção. Tratava-se de uma música com temática oriental, muito bonita e bem executada, chamada “Lamento Beduíno”, do professor Nonato Leal, de Macapá, Território Federal do Amapá, Brasil, dizia o locutor daquela rádio holandesa. Vibrei! Coincidência ou não a história mudou meu astral e motivou um porre de pavulagem bairrista. Pena que ninguém que eu conhecia tivesse ouvido o programa. Tempos depois soube que fora o radialista Edvar Motta que enviara uma fita com músicas do Nonato para lá”.

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Parabéns, mestre das cordas!

No dia 23 Vigia e Macapá estarão radiantes, não só pelas 80 “risonhas primaveras” do Nonato, mas pela generosidade musical que irradia desse artista excepcional, que merece mais do que uma comemoração. Merece o reconhecimento e a gratidão de todos que gostam da boa música.

*Republicado em homenagem aos mestre das cordas. 


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    Excelente…lembrança…esta de republicar o texto em homenagem a esse exemplar músico…que muitas vezes ouvi tocando com esses outros pheras que Fernando cita…
    Esse episódio da Rádio Holandesa não conhecia…mas agora quando falar dos Conterrâneos Especiais…pensa que não irei contar?
    Contarei com a mesma pavulagem que Fernando sentiu em
    Minas Gerais…ou maior ainda.

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