A genialidade atemporal de John Lennon

                                                   Por Wellington Silva -Jornalista e historiador

Passem os anos, décadas, gerações e gerações, a genialidade de John Lennon cada vez mais se revigora no tempo. Suas músicas ecoam no espaço, sempre ouvidas por milhares de fãs espalhados pelo globo terrestre.
Quantas bandas, compositores e estudiosos da boa música já não beberam nesta rica fonte?

Variáveis impressionantes de linhas melódicas, pura e rara arte, construções poéticas surrealistas, poesia concreta, sinais de alerta mais atuais do que nunca para quem realmente pensa, deseja e pratica um mundo de paz e de amor.
Love is real
Real is love
Love is inspiration …
O amor é real / real é o amor / o amor é inspiração
Six, six, six is your name … ( 666 é o seu nome …)

A genialidade de Lennon às vezes surpreende com suas frases simples, diretas e concretas, sem floreados, de uma profundidade às vezes emocionante e às vezes muito crítica.

No início da fase da beatlemania, em meados dos anos 60, a personalidade forte e irreverente de Lennon logo se revela. Amigo de infância de George Harrison, nosso eterno e doce George Here Comes The Sun (Vamos Ver o Sol) , juntos fundam o que seria uma febre mundial a influenciar diversas gerações: Os Beatles !

Ao lado de Paul, surge em Liverpool, na Inglaterra, a dupla mais famosa, admirada e pesquisada no mundo: Lennon & Mc Cartney, principais cabeças de uma onda de composições que marcariam época e seriam para sempre imortalizadas através do som fantástico e inigualável dos Beatles.

Logo no início da carreira, em Liverpool e depois em Hamburgo, John e Paul envolvem-se em confusão. As vaias de alguns gaiatos durante a apresentação da banda são o suficiente para a dupla baixar o cacete nos gaiatos e depois retornar ao palco. Eram como os mosqueteiros: um por todos e todos por um.

Entre final de 1969 e início dos anos 70, o sonho acaba. Portadores de uma forte personalidade, a disputa intelectual de egos entre John e Paul estraga uma amizade de anos. Somada a presença e os “pitecos” de Yoko Ono, dentro dos estúdios da Apple, dos Beatles, a artista plástica, segunda mulher de John Lennon, acaba com sua presença incomodando os três Beatles, principalmente Paul, que é mais temperamental que George e Ringo Starr, um baterista que imprimiu um novo modo de tocar bateria, com marcação cadenciada diferenciada de outras bandas.

A velha amizade entre John e Paul azeda e o rompimento dos Bealtes deixa feridas somente cicatrizadas, no final da década de 70.

A sensibilidade musical de Yoko Ono pode ser notada na canção Imagine, assim dizem estudiosos do assunto. Isso pode ser intuído em qualquer DVD de Lennon, quando ele aparece ladeado pela artista plástica e extrai do piano as primeiras notas da antológica canção. Imagine é considerada um hino de paz, assim como Happy Cristmas (Feliz Natal).

Imagine um mundo sem armas ?

Meu caro Elton, existem críticos de arte e predadores da boa arte, como é o caso do Sr. Lester Bangs. Pergunte a qualquer jovem ou amigo conhecido se conhece essa impoluta figura. Ele automaticamente responderá que não conhece. Pergunte aos mesmos se conhecem John Lennon e alguma de suas canções. Dirão que conhecem Lennon, que foi líder dos Beatles, e cantarão HeIp ou Imagine.

Percebeu a grande diferença ?

Ed Sulivan somente ficou mundialmente conhecido e fez história após apresentar em seu programa Ed Sulivan Show Elvis Presley e os Beatles. Essas foram suas grandes sacadas.

Chacrinha e Tim Maia lançaram Roberto Carlos. E não se pode falar do início da carreira de Roberto Carlos, de Raul Seixas e de muitos outros grandes nomes da Música Popular Brasileira sem se falar no nome de Chacrinha. Mais que um apresentador, o velho guerreiro tinha um faro incrível para perceber e projetar talentos.

Crítica musical da saudosa revista Som Três, Ana Maria Baiana continua sendo respeitada como pesquisadora e incentivadora da boa música brasileira. Não foi à toa que Zé Ramalho convidou Ana Maria para apresentar, faixa a faixa, um DVD em homenagem a Bob Dylan.

Quanto ao senhor Lester Bangs, me parece que ele tem certa similaridade com o sujeito que matou Lennon, em 1980. Um fã doentio que queria ser igual ao seu ídolo, ou pior, estar em seu lugar, o que é impossível.

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