“A Mangueira conseguiu expandir um universo esgotado”, disse @yurgelcaldas. Concordo! Viva a campeã do Carnaval 2019!

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Em seu quarto ano na escola, o carnavalesco Leandro Vieira, com o enredo “História pra Ninar Gente Grande”, a Estação Primeira de Mangueira levou para o Carnaval de 2019 arrebentou. Uma minuciosa pesquisa foi feita por Leandro e desnuda a história aprendida pelos brasileiros na escola e mostrou os verdadeiros heróis nacionais.

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Um verdadeiro lado “B” da narrativa construída pela história oficial, onde estão nomes de gente comum, que deveriam estar nos livros, mas curiosamente, ou propositalmente, foram deixados no anonimato. Além de heróis do nosso cotidiano, como a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.

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Temas como “Descobrimento” “Independência”, “Abolição” e “Ditadura”, foram tratados de forma visceral e real, descortinando a maquiagem histórica. Portugueses são tratados como invasores, bandeirantes como assassinos. A falta de valor à cultura indígena, associando-a “a programas de gosto duvidoso” ou comportamentos inadequados vistos como “vergonhosos”.

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A incansável luta negra em quilombos, em fugas, no esforço pessoal ou coletivo na compra de alforrias e em revoltas ou conspirações, líderes populares negros uma participação definitiva na abolição oficial. Assim como os sanguinários anos de chumbo (silêncio na bateria) que mataram milhares neste país.

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Segundo Leandro Vieira, “É um olhar possível para a história do Brasil. Uma narrativa baseada nas “páginas ausentes”. Se a história oficial é uma sucessão de versões dos fatos, o enredo que proponho é uma “outra versão”. Com um povo chegado a novelas, romances, mocinhos, bandidos, reis, descobridores e princesas, a história do Brasil foi transformada em uma espécie de partida de futebol na qual preferimos “torcer” para quem “ganhou”. Esquecemos, porém, que na torcida pelo vitorioso, os vencidos fomos nós.

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Ao dizer que o Brasil foi descoberto e não dominado e saqueado; ao dar contorno heroico aos feitos que, na realidade, roubaram o protagonismo do povo brasileiro; ao selecionar heróis “dignos” de serem eternizados em forma de estátuas; ao propagar o mito do povo pacífico, ensinando que as conquistas são fruto da concessão de uma “princesa” e não do resultado de muitas lutas, conta-se uma história na qual as páginas escolhidas o ninam na infância para que, quando gente grande, você continue em sono profundo.

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De forma geral, a predominância das versões históricas mais bem-sucedidas está associada à consagração de versões elitizadas, no geral, escrita pelos detentores do prestígio econômico, político, militar e educacional – valendo lembrar que o domínio da escrita durante período considerável foi quase que uma exclusividade das elites – e, por consequência natural, é esta a versão que determina no imaginário nacional a memória coletiva dos fatos”.

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Ao trazer para a realidade amapaense, a jornalista Márcia Corrêa fez o seguinte comentário:

Que aula de história, de beleza e de cidadania que foi o desfile da Mangueira. Traz para nós, pessoas comuns do povo, um sentimento de pertencimento e de protagonismo quanto à nossa própria história. O Brasil e o povo brasileiro resultam da junção de três raças e a história precisa ser contada com esta riqueza e esta diversidade. Nossa história não começa em 1500 com a chegada das caravelas portuguesas, começa muito antes em marcos imemoriais perdidos no tempo.

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Descobertas arqueológicas revelam civilizações estruturadas e pulsantes em várias regiões do Brasil, inclusive no Amapá com os Maracá, Cunani Aristé, etc. Investigar e revelar esta riqueza só nos engrandece como povo e como sociedade, fortalecendo e elucidando a trajetória deste imenso e diverso país. Evoé Mangueira! Haverá o dia em que heróis serão heróis por seus atos em prol do coletivo e não pela cor de sua pele ou por sua localização na estratificação social”, pontuou Márcia. É isso aí!

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Já o professor doutor Yurgel Caldas, disparou: “a Mangueira conseguiu expandir um universo esgotado. Foi PhoDa!”, Concordo e queria ter dito essa frase. Parabéns, Verde Rosa. Viva a campeã do Carnaval 2019!

Elton Tavares – Jornalista e folião apaixonado por Carnaval e pela liberdade, com informações da Mangueira, amigos citados e um dos desfiles mais lindos que viu na vida.

Vídeo do emocionante e sensacional desfile da campeão: 

 

 


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