A morte repentina sempre espanta e dói mais – Crônica de Elton Tavares

Foi um ataque fulminante que não permitiu despedidas. Ah, a morte, essa velha conhecida nossa, que nos espreita dos cantos mais obscuros da existência, sempre pronta a ceifar um fio da trama da vida. Há dias em que ela se manifesta com uma crueza que desafia nossa compreensão. E segunda-feira passada foi um deles. O destino, com sua mão invisível decide levar uma pessoa querida de forma súbita.

O coração parou e, com ele, pararam nossos risos, pelo menos por um tempo. É a tal parte indissociável da existência. Como dizia o poeta Hipócrates: “Vita brevis” (A vida é breve), mas o amor é eterno, mesmo que doloroso.

A “Caetana”, como chamam a morte no nordeste, quando chega assim, repentina e inesperada, deixa um vazio que nenhuma palavra pode preencher. Sua inevitabilidade é um lembrete constante de nossa própria fragilidade.

A morte é a única certeza que temos e, ainda assim, a mais difícil de aceitar. O inesperado nos ensina que somos, afinal, passageiros num trem que não controlamos, sujeitos aos caprichos de uma força maior.

Após a notícia, o espanto e a tristeza que se seguiu foi espessa, quase palpável. Como se uma névoa cinzenta houvesse descido sobre nossos corações. Sim, o amargo sabor da finitude.

Que a vida é frágil, um sopro efêmero à mercê do acaso, todos sabemos. Mas a morte repentina sem doença ou preparação, é sempre mais foda, mas difícil.

A morte é uma enxerida, uma intrusa mal-educada que entra sem bater, sem se anunciar. E na sua rudeza, ela nos obriga a confrontar a fragilidade da vida, a entender que somos todos personagens de uma trama que não controlamos. É um lembrete cruel de que cada momento é precioso, de que o amanhã é uma promessa que pode não ser cumprida.

A morte repentina sempre espanta e dói mais. É isso!

A morte sempre chega pontualmente na hora incerta” – Mário Quintana.

Elton Tavares

  • Excelente!
    Exatamente como as citações…
    Caetana… sempre chega pontualmente na hora incerta.

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