A ordem do discurso, a Ignorância é vizinha da maldade – Crônica de Marcelo Guido

Crônica de Marcelo Guido

Em sua memorável obra “A ordem do discurso” o brilhante filósofo francês Michael Foucault levanta hipótese:

“Seleção, organização  e redistribuição da produção de discursos, a saber: os sistemas de exclusão interno e externo ao discurso, bem como as regras impostas ao sujeito”.

O discurso imposto que pode ou não conduzir nossas vidas depende e muito de quem está com a palavra, ou seja em uma sociedade as palavras importam muito por quem são ditas.

Vivemos tempos negros, onde a escuridão da ignorância simplesmente parece pairar sobre nossas cabeças, indicando as ações de muitos e validando a barbárie constante seja ela nas mais estapafúrdias teorias até a barbárie extrema do assassinato.

O poder executivo do país, está na mão de alguém que em plena pandemia de Covid 19, organizava caravanas de apoiadores, ia de encontro a ciência e teve a coragem de afirmar não ser coveiro, resultado” Mais de meio milhão de brasileiros mortos, por atraso em compra de vacina, por propaganda desenfreada de remédios ineficazes, um puro estado de ignorância.

Palavras de um Presidente da República, validam ações, “No meu governo, nem um centímetro de terras para índio”, agora quem pensa diferente ou age ao contrário de tal afirmação, correm risco.

Bruno Araújo e Dom Phillips são as mais novas vítimas dessas ações, corpos desmembrados e queimados, em uma região que deveria ser protegida e preservada para o bem da humanidade, o crime deles ? Denunciar os mandos e desmandos de quem explora de maneira criminosa terras indígenas. Os autores? Pessoas que enxergam no mandatário do Poder Executivo um exemplo, um certo Messias ou Mito.

A vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram brutalmente assassinados a quatro anos com tiros de fuzil, no centro do Rio de Janeiro por pessoas ligadas ao crime organizado da cidade que foram apoiadores, assim como a classe média de tal “novo governo” que prometia metralhar petistas, esquerdistas e tudo isso com sorrisos e “arminha” nas mãos. Seu crime? Batalhar pelas minorias, ser do Psol, ser preta, lésbica e mulher.

A ação foi validada, não via decreto, muito menos por lei claro, mais pelo discurso escroto, lascivo e canalha de quem está no poder.

A política de preços de combustíveis adotada pela Petrobras, onde os acionistas ganham bem mais e engordam seus porquinhos em prol de uma alta de combustíveis onde no final tudo aumenta, vemos pele de frango sendo vendida, fila por ossos de boi. O resultado é a fome de grande parte da população, “ Não entendo de economia, isso é com o Guedes”, bradou em alto em bom som o atual Presidente.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que a mais de três anos somos governados por alguém que valida seu discurso com teses ignorantes, que coloca em risco a vida de milhões e rir descaradamente de tudo o que está acontecendo. Seus apoiadores se regurgitam como toda boa manada do que acontece, mas fazer o que se “o fascismo fascinante deixa gente ignorante fascinada”.

Sem medir suas palavras, sem ter o traquejo necessário de sua posição Jair Bolsonaro continua sendo uma espécie de “mentor intelectual” dessas barbaridades,  e de muitas outras, como o parlamentar do município de Macapá que faz campanha ainda hoje contra a vacina, ou pelo fato de meu filho assistir aula ainda hoje de máscara, já que tem pais que não vão vacinar seus filhos e falam isso de peito aberto, achando que estão fazendo política por que sua opinião tem que ser respeitada, lembrando o “mito” também disse isso.

E continuamos assim, entre passeios de moto sem capacete ou com foragido da justiça de carona. Com tiradas, ou comediantes de quinta categoria para divertir as massas.

Bolsonaro chegou ao poder assim, com esse discurso, lembro da liberação das armas como meta, ou falando em Deus,  família e outras coisas que não tem nexo vide ai “Kit Gay”, “mamadeira de piroca”. E a gente burra aplaudiu e continua aplaudindo, infelizmente.

Felizmente falta pouco.

Seguimos na luta.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia

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