A Simples Beleza – Crônica de Lorena Queiroz – @LorenaadvLorena

Crônica de Lorena Queiroz

Sim, caros amigos leitores, afetos e desafetos ( se bem que nem tenho tempo mais para tê-los) estou bêbada. Acabo de chegar em casa após um dia inteiro na companhia de meu mais sincero amigo alucinógeno. Olhei para meu PC e senti vontade de vomitar em vocês o que se passou entre meus devaneios do dia. Vocês já sabem, essa cabeça aqui anda por lugares inesperados, quase sempre e, abastecida de álcool, vai a lugares que só os fortes ou os loucos tem coragem de entrar. Então vamos lá para mais uma efeméride da vez.

Hoje, enquanto eu estava em uma feliz e apropriada bebedeira, recebi um vídeo feito por minha filha adolescente. Ela fez uma junção de várias fotos minhas com a famosa música do nosso saudoso poetinha. O trecho que ela usou foi : “ Ah, se ela soubesse que quando ela passa, o mundo inteirinho se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor”. Ela escreveu caridosamente no vídeo: “ A mulher mais linda do mundo: Minha mãe”. Quando eu vi o vídeo, meu coração (de mãe, pois o outro desconfio que levaram quando me tiraram a vesícula) esquentou e derreteu no exato momento. Eu nunca me achei uma mulher bonita e, quem me conhece sabe, nunca achei que a beleza fosse um atributo que sustente por muito tempo.

Admirar pessoas sempre foi meu maior tesão. Não serei hipócrita ao ponto de não admitir que tal atributo não te abra o apetite, mas sustenta por pouco tempo. Meu foco sempre foram os fodedores de mente. Nós, mulheres, não somos tão visuais como os homens são desde a tenra idade, inclusive, uns dias atrás, após fazer um ensaio fotográfico, recebi elogios de uns amigos de minha filha, nada mais do que esperado vindo de pequenos punheteiros adolescentes cheios de hormônios. Homens exercendo suas características desde miúdos. Mas, no momento que eu li e maturei o agrado de minha filha, me veio na mente o conto de nosso velho safado, A mulher mais bonita da cidade. Conto que você encontra no livro Crônicas de um amor louco, de Bukowski. Cass, a mulher mais bonita da cidade, se punia pela beleza que tinha. Preferia os feios e desvalidos, e ela , dentro da visão do autor, era aquele tipo de pessoa que valia à pena estar perto. Percebem toda a metafísica da coisa? O que seria o conceito de beleza? Segundo nosso amigo dicionário, Beleza é um substantivo feminino que expressa a qualidade do que é belo ou agradável. E sendo tão subjetivo tal conceito, visto que o que é belo para mim pode simplesmente te amargar os olhos, dá para concluir que o belo, por concreto, não existe. Ao menos não dentro de um senso comum.

Então, após uma boa bebedeira e com meus sentidos alterados, fico com a visão da minha filha e, talvez com a minha. Crendo que o belo está nas coisas que te fazem vibrar, que te fazem crer que ainda há algo que nessa vida te vire o pescoço, aquilo que te dá um sorriso malandro no canto da boca, ou simplesmente refazer passos na memória pelo simples prazer da lembrança. Ou melhor, dentro da visão Socrática, sendo esse atributo não associado à aparência, mas o quão proveitoso é, pois, como dizia Sócrates : “”A beleza é uma tirania de curta duração”. Agora vou beber água, passar meu renew e dormir.

*Lorena Queiroz é advogada, amante de literatura, devoradora compulsiva de livros e crítica literária oficial deste site, além disso é escritora contista e cronista. E, ainda, mãe de duas meninas lindas, prima/irmã amada deste editor.

  • Se fosse feia tava defendendo a classe…mas não é…
    Por outro lado achas…(leitor) que só mulher feia pode ficar phuta com a beleza e como não consegue escrever bem xinga todo Mundo.
    Errou de novo …mulher bonita chuta o pau da barraca e ainda te digo …como escreve bem!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.