A STEREOVITROLA DECOLA

Texto de André Mont’Alverne, publicado no “Correio do Amapá” – Edição de 12.09.2010

Banda amapaense stereovitrola
A banda Stereovitrola viajou na quinta- feira,(09), com destino a São Paulo, onde fará alguns shows na capital e no interior, e de lá segue direto para o Festival Vaca Amarela em Goiânia no dia 16/09. Este Festival contará também com os renomados Lobão e Velhas Virgens.

A banda tem a mesma formação desde 2004: Rubens (bateria), Anderson (guitarra), Marinho (contrabaixo), Wenderson-Matrix (sampler e sintetizadores), Otto Ramos (órgãos) e Patrick Oliveira (guitarras, ruídos e vocais).

Em entrevista poucas horas antes da viagem, os membros da banda Ruan Patrick e Wenderson Matrix falaram ao Correio do Amapá. Patrick, o líder da banda revelou que com o tempo, a função de guitarrista e vocalista da stereo – como a banda é chamada pela maioria dos seus fãs – deixou de ser um hobby, já que a cobrança por mais shows cresce na mesma medida em que seus admiradores.

Todos os integrantes possuem outras atividades. Atividades estas que financiaram os 2 discos que a banda carrega no currículo, “cada molécula é um ser” de 2006, eleito o 6° melhor single independente do Brasil pela Revista Senhor F de Brasília neste mesmo ano, e o álbum “No Espaço Liquido” lançado em Outubro de 2009.

Rubens trabalha em uma gráfica, Otto é membro do Coletivo Palafita, Matrix, trabalha com informática, Patrick, é enfermeiro e professor, Marinho e Anderson também são professores.

Segundo o líder da banda Ruan Patrick, as músicas da Stereovitrola falam basicamente sobre o comportamento das pessoas, do cotidiano e do cérebro humano. “Elas nascem no meu quarto. Eu crio a melodia e a letra, e nos ensaios, cada membro da banda vai acrescentando idéias e tudo é discutido entre todos”. Patrick revela também que a tecnologia veio para popularizar a música, e ela é importante tanto para os verdadeiros músicos, que estudam e leem partituras, quanto para os adolescentes que estão trancados nos seus quartos tentando criar alguma coisa: “não tem como reclamar da variedade de elementos que estão ao alcance de todos com a evolução tecnológica” afirma.

Quando perguntado sobre as influências da Banda, Patrick diz que a Banda gaúcha Jupter Maçã, é uma influencia direta, assim como a música da década de 90. Vale acrescentar que o guitarrista Ruan Patrick, foi guitarrista da Little Big, uma banda que se tornou muito conhecida nos anos 90, e naquela ocasião ele não se preocupava em compor, uma vez que o repertório da Little Big era de covers na sua maior parte, e quando eram feitas músicas próprias, que tinham uma forte influência do manguebit, a responsabilidade ficava com o Antônio Malária (ex-vocalista da já extinta Little Big).

A banda Little Big deu certo até 2003, quando se dispersou, e pouco tempo depois em uma viagem pra Belém-Pa, Patrick teve o primeiro contado com a cena undergroud de Belém: “foi em Belém que eu tive o primeiro baque, quando eu vi o show da banda paraense Suzanna Flag e notei que o público cantavam a música própria da banda”.

Na volta, Patrick integrou, a convite, na banda B Sides. Ele diz: “lembro como se fosse ontem: o Marinho e o A.J. foram na minha casa e eu estava desesperado por não tocar mais em nenhuma banda e pela insegurança de compor, mas mesmo assim eu já tinha algumas músicas semi prontas, que posteriormente se tornariam parte do repertório da Stereovitrola”.

Em 2004 o A.J. saiu da banda, e a Stereovitrola ganhou a formação que permanece atualmente. Wenderson Matrix conta que com a saída do A.J., que tocava essencialmente músicas covers, a Banda se fortaleceu e focou um objetivo: tocar músicas próprias.

A resposta do público não demorou, e pouco a pouco as músicas foram se tornando cada vez mais conhecidas diante dos fãs de rock amapaenses. Hoje é comum o uso de camisas da banda nas ruas de Macapá, assim como pessoas cantando suas músicas nas apresentações cada vez mais raras.

A Stereovitrola faz um som moderno, com composições inteligentes e arranjos bem elaborados, e já conseguiu a difícil tarefa de estabelecer um estilo próprio. Isto já foi mostrado em festivais em Belém e em Cuiabá, e isto pode ser notado facilmente no seu último e excelente álbum “No espaço Liquido”.

Segundo Patrick, os membros da banda estão ansiosos para gravar o próximo álbum, a fim de tentar transmitir em cd, a mesma atmosfera que a banda alcança nas apresentações ao vivo. Porém, com exceção da ajuda de alguns amigos, esses discos são custeados quase que inteiramente pelos próprios integrantes da banda.

O rock amapaense, que ultimamente vem ganhando espaço, tanto nas noites de Macapá, quanto nos diversos veículos que promovem a música alternativa pelo Brasil, também conta com outras bandas como: Godzila, Relis, Mini Box Lunar e Amaurose. Elas foram lembradas nessa entrevista. Patrick conta que, para fazer música, é importante ter uma biblioteca musical ampla e diversificada: “você precisa beber de várias fontes, porque se só ouvir muito determinado estilo ou banda, o máximo que você vai conseguir é soar igual” conta Patrick.

Os amapaenses apreciadores do rock and roll, de certa forma, estão indo junto com a Stereo nessa mini-turnê pelo Brasil, pois a Stereovitrola é a banda que segura as rédeas do rock amapaense e promete representar com autoridade o som alternativo do Amapá em terras distantes.
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    boa sorte aos amigos da stereovitrola, sem dúvidas uma grande chance pra todos nós aqui do amapá.

    há uns 7 anos atrás, quando eu ainda era um adolescente magricela, acabei topando sem querer com a stereovitrola tocando no barzinho da floriano peixoto. na época o repertório deles era formado em sua maioria por covers mesmo, mas aqui e ali o patrick metia uma composição autoral. lembro da sensação de euforia que tive ao ouvir aquelas canções incríveis e perceber que elas eram feitas por caras daqui, que moravam perto da minha casa e que eu podia esbarrar na rua a qualquer dia. foi uma das maiores surpresas da minha vida.

    alguns anos depois montei minha própria banda e comecei a criar minhas próprias músicas e eu sei que nada disso teria acontecido se eu não tivesse encontrado a stereovitrola numa noite bêbada em macapá.

    sou um fã eterno dos caras. boa sorte amigos.

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