A viagem poética/literária de Bruno Muniz – Capítulo I

A poesia ia há muito esquecida. Os dias não eram tão claros nem as noites tão curtas. Entender e aceitar o silêncio das linhas me fez orçar novas paisagens; algo que de tão novo me viesse a ser como nascer de novo, e se embora já nascido, levasse a percorrer como se fossem outros os meus caminhos todos.

Durante todo o dia me vi curvado às mais doces lembranças; memórias que se avivam pra onde chegava antigamente o céu: bons tempos, os sonhos erguidos, os anos pueris. Mas me vi também à calmaria de quem ousa saber-se inconstante por não querer de novo o mesmo instante, nem mesmo os que sorriem enlouquecidamente – de louco, oras, já basta o futuro. E decidi seguir rumo ao fado profundo, onde os caminhos carcomidos, já vividos todos, serviam de descanso aos pés, mas as pegadas cobertas pelo vento anunciavam um rumo impreciso que tanto faz bem ao coração humano: sorrir a esmo. Sonhar.

Bruno Muniz

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