A voz que emana do povo diz que…


O político com cargo eletivo representa o povo, certo? Pois bem, em tese a ele deve obediência. Então, se assim fosse, a questão da verba indenizatória de R$ 100 mil ou das diárias de R$ 2,6 mil pagas aos deputados estaduais do Amapá estariam resolvidas. A manifestação da última segunda-feira, 9, em frente à Assembleia Legislativa bastaria para que os deputados obedecessem àqueles que o elegeram, mas na prática a coisa não funciona bem assim.

O mais triste, disso tudo, é que a declaração dos nobres parlamentares na imprensa soa como se a política fosse um sacerdócio, e de certa forma até é, porque se trabalha – ou pelo menos deveria – pelo bem comum, mas no caso deles é hipocrisia.

Pena que ainda vivemos numa sociedade, na qual políticos desonestos conseguem chegar ao poder se valendo da desgraça alheia e ainda conseguem trocar votos por cestas básicas, dinheiro, etc… E aos que vendem sua única arma de combate à corrupção aí está o resultado: uma Assembleia desgastada, cujo presidente ainda tem coragem de dizer que não vê nada de errado em pagar uma diária de R$ 2,6 mil ao deputado, quando um trabalhador comum ganha R$ 640 por um mês inteiro de trabalho, duro e suado.

Infelizmente não temos força para ocupar todos os dias a frente da Assembleia e dizer aos políticos que ali estão que não concordamos com nada do que eles fazem; que eles nos envergonham e empobrecem ainda mais o nosso Estado, mas, diferente deles, temos muito o que fazer, mas fique registrado que a maioria da população diz não a tudo que é praticado ali dentro, que essa legislatura se mostra ser uma das piores e refletiremos mais nas próximas eleições.

E por fim, quero declarar aqui: por enquanto a Assembleia Legislativa do Amapá só serve, durante o dia, de referência como o lugar mais corrupto do Brasil, e à noite como ponto de encontro para prostituição. Resumindo: um lugar sem nenhum pudor.

Ricardo Santos, publicitário e comerciário

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