acIDEz e SOLidão – Por Fernando Canto

Por Fernando Canto

Que diferença faz acidez e solidão se jaz pela escuridão a dor da infecundidade do solo que agora deito. Que diferença, me diga, se a acidez destrói a massa e a solidão sombreia a alma. Na certa a acidez da dor vislumbra o soerguimento do pó que vomitaremos após solidões cansadas. Que diferença faz acidar-me ou isolar-me se for capaz de nascer. Que diferença, me diga, na certa terei castigo se for capaz de nascer. Se me desgasto sou pedra, sou esmeril contra o aço e ainda insólito prisma de vidro e de cores rudes. Que diferença, me diga, entre gastar e parar, se resta apenas desejo de ser superfície e ar.

* Publicado no livro Equinocio – Textuário do Meio do Mundo – Editora Paka-Tatu – Belém, 2004

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