Adoro velhos malucos – Crônica de Elton Tavares – republicada

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Resistir, fazer beicinho ou ficar chateado não adianta nada, todos envelhecemos. Lutar contra isso é uma guerra inútil, de fato. Acho legal a coroada que leva isso na boa, principalmente os velhos malucos. Adoro velhos malucos. Conheço uma porrada deles.

Os velhos malucos não se resumem a cuidar de netos, jogar xadrez ou cartas com outros velhotes encarangados. Não. Eles freqüentam os bares das esquinas, falam besteira, tocam, dançam, namoram, bebem… Ou seja, vivem!

Os velhos malucos fazem de tudo por uma vida menos ordinária. Ou o que pelo menos resta dela. Entre as coisas das quais me gabo, está o fato de ser amigo de músicos, escritores, poetas e artistas em geral. Vários deles, coroas doidaços que curtem a vida como aos 20.

Falos de todos que estão acima dos 65 e ainda possuem o espírito inquieto e se recusam a ficarem mergulhados no tédio. Alguns são somente porretas, outros são paidéguas, loucos varridos. E não pensem que falo somente de quem ainda curte a noite ou toma cachaça.12645008_970611039684388_7413667971793924681_n

Admiro os que vão ao cinema no meio da semana, que viajam quando dá na telha, que sabem que já contribuíram bastante para suas famílias e sociedade para agora se dedicarem a viver tudo que quiserem.

Quem sou eu para dar conselhos a senhores que sabem muito mais da vida. Mas ser um velhote maluco deve ser bem mais feliz que viver numa cama, no fundo de uma rede, num sofá ou em uma cadeira de balanço à espera do “único mal irremediável”. Principalmente quando o senhor ou senhora vive na solidão.

Claro que meuhv-hcgfxdxgfcfcvhgfvgvgvs velhos companheiros doidões não abdicam de seus afazeres corriqueiros, mas também não colocam tanto peso em cima de algo tedioso que não lhes dá prazer. E acho isso o máximo!

Os velhos malucos não estão mais atrás de sonhos impossíveis ou de tesouros. O que eles querem é viver bem com o que possuem e em paz com os seres humanos que se tornaram. Suas experiências e histórias rendem bons causos e conselhos. A gente se diverte com tanta prosa poética.

Falo de exemplos como o de Carter Chambers (Morgan Freeman) e Edward Cole (Jack Nicholson), no filme “Antes de partir”. Se meu pai estivesse vivo hoje, faria 67 anos e tenho certeza que o saudoso Zé Penha seria um velho maluco.

Tomara que eu, se me tornar um velho gordo de barbas e cabelos brancos, seja um coroa maluco e saiba aproveitar o número de anos vividos da melhor forma possível. Que como hoje, tenha muito mais alegrias que tristezas. Que também tenha desenvoltura para bater papo e entrevistar outros velhotes doidões ou jovens com corações ávidos por aventura, ambos sedentos de vida.antes-de-partir

Eu queria mesmo é que a velhice não impedisse ninguém de ser feliz. É isso!

“Os velhos malucos são mais malucos que os jovens” – Duque de La Rochefoucauld ( François Poitou).

Elton Tavares

  • Edi Prado Ribeiro · Journalist em Câmara Municipal de Macapá
    Gostei. Uma crônica carinhosa, recheada de afetos e saudades. Uma visão dócil. Mas o velho maluco é muuuuuuiiiito mais que isso. Ainda não sou um deles. Ainda faltam alguns anos convencionais para mim. Mas até nisso não seria tão convencional assim porque tive pressa e já consumi toda a cota de álcóol e tenho outra forma de viver esse tempo. Acredito que venho escrever algumas coisas que vi no mundo e querer contribuir para que os bem mais jovens não caiam nas armadilhas que caí. Pode até querer curtir esta aventura. É o livre arbítrio. Mas se mostro o mapa para subir uma montanha e mostro neste mapa qie existe um caminho mais seguro e prazeroso, porque optar pelo risco de não chegar ao topo da montanha?
    Mas cada um é cada um e dono de si. Mas muitos caminhos que se fosse advertido, certamente não teria trilhado. O tempo nos dá uma clareza da vida, das pessoas, dos grupos sociais que convivemos. Nos concede uma visão que antecipa os fatos. Quando alguém economiza quatro anos de erros, certamente a vida será bem mais prazerosa e ganha mais de oito de “labuja”. O velho maluco de verdade não precisa ser carregado para chegar em casa. Ele tem que chegar como se trouxesse um troféu. Não para se exibir. Mas para snetir-se bem com ele mesmo. Mas cada na sua. Cada um tem uma história para contar ou ficar com ela. Aprender com eles, às vezes se chega mais rápido no caminhar. Mas eu também não estou falando de velho. E sim do velho maluco. Aquele que vive o tempo dele, sem amnésia do passado. Esses não velhos. Estão idosos. O velho é amante da morte e não tem futuro. O velho maluco vive e às vezes até melhor que os que se dizem jovens. Alguns desses jovens estão lá final da corrida de São Sivestre e o velho maluco já esta´bebendo o champanhe.
    Podemos comparar o velho maluco como aquele jogador que sabe para onde a bola vai e só tem o trabalho de bater pro gol. Deixa que os outros se cansem e ele atinge o objetivo.
    Esta pauta rende mais de 10 laudas.

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