Agradecimento do poeta: Joãozinho Gomes sobre o título de Cidadão Amapaense

O título de Cidadão Amapaense, para mim, não é apenas a realização de um sonho pessoal, mas, também, o documento mor da importância da minha poesia para as artes e a cultura do nosso amado estado do Amapá.

Em 24 de dezembro de 1991 às 22:30m eu pisei em solo amapaense e meus pés incontrolavelmente enraizaram-se neste solo de modo tão profundo à serem hoje raízes impossíveis de serem arrancadas, extraídas, removidas. Não custei a entender as aspirações telúricas deste chão sagrado que de maneira paterna e acolhedora abrigara os meus pés em seu ventre de mata e rio com a intenção de que eu a ele pertencesse de forma efetiva, afetiva, perenal. Vi com clareza à linha do horizonte a grafia das águas e das folhas textualizando a minha vida dali para diante, li os meus desígnios e, compreendi a lírica missão entregue à minha arte. Queria este solo gentil, generoso e belo, que eu me juntasse aos seus filhos-pássaros e os ajudasse no ofício de cantarem a sua história rica, única, bela. Era tempo de criar.

A empreitada a minha frente e as ferramentas a minha volta, os meus pares festejaram o meu ingresso à seara da música e da poesia, seara, deles, que logo passou a ser minha, também, e juntos plantamos… e veio o tempo
da colheita… e frutos dulcíssimos colhemos… e replantemos tantas vezes… e o pomar está florido…; Quero de coração aberto fazer um agradecimento muito especial ao deputado Paulo Lemos pela rara sensibilidade em solicitar a concessão de tão importante honraria a qual fui agraciado, e aos meus parceiros, todos muito queridos, quero agradecer ao Val Milhomem, ao Amadeu Cavalcante, ao Zé Miguel, ao Cássio Pontes, ao Enrico Di Miceli e, a Patrícia Bastos.

Quero também fazer um agradecimento muitíssimo especial a minha amada Lene Frazão, e à minha grande amiga, Clícia Di Miceli. E para encerrar posto o trecho final do poema “Amapacanto” de Álvaro da Cunha, poema este que sintetiza perfeitamente a minha relação com o meu amado Amapá:

Amapacanto

ninguém
Amapá
ninguém
viveu no teu solo
ancestral
integração tão íntima
legítima
a possessão fraterna
esta volúpia terna
bruta
total
absoluta
que sempre viveu
entre nós dois

Álvaro da Cunha

*Joãozinho Gomes, poeta paraense, com título de Cidadão Amapaense.

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