Ao Vencedor, as Mariolas.

Por Arthur Muhlenberg

Nossa 20ª Taça Guanabara tomou o caminho da Gávea da forma mais melancólica possível. A sua conquista, um 2 x 0 basicão do imperturbável Mengão Papai Severo sobre os famosos quem do Foguinho talvez tenha sido o maior anticlímax em nossa longa história das conquistas das Taças Guanabara.

O público, sempre sábio, fareja essas roubadas à distância. E os números do borderô confirmam os vazios nas arquibancadas que os hábeis câmeras da TV não conseguem mais disfarçar. O Campeonato Carioca é um retumbante fracasso de crítica e de público.

Como insistentemente se apregoa que vivemos num regime de profissionalismo no futebol esperamos que a punição para os criadores dessa excrescência esportiva seja sumária e imediata. Esses caras, sejam lá quem eles forem, estão matando o futebol carioca. Taças Guanabaras, que são esplendidas para entulhar nossa galeria de troféus, já não atraem o público. Campeonatos Cariocas com essa fórmula imbecil também não.

Antigamente a Taça Guanabara também não valia muita coisa, mas pelo menos tinha um jogo decisivo, rolava uma adrenalina. No fim das grandes e históricas decisões da Taça Guanabara, com o Maraca sempre bombado, as duas torcidas sempre tinham motivação pra encher a cara no pós-jogo. Vencedores comemorando e vencidos chorando.

Essa é uma das partes mais legais de se torcer por um time, festejar as vitórias e zoar os derrotados. Vocês viram algum flamenguista zoando botafoguense hoje? Tá, tudo bem, foi péssima a pergunta. Eu sei que antes de zoar um botafoguense você tem que achar um e que nessa época eles não são muito encontradiços. Enfim, vocês entenderam. O futebol carioca está muito sem graça!

Não é possível que alguém que aprecie minimamente o futebol considere uma Taça Guanabara decidida nessa paumolecência como algo normal. Porque é obvio que não é. Será que ninguém com a caneta na mão é capaz de perceber que o futebol profissional é a soma do que está em campo com o que está na arquibancada? Futebol é o futebol porque envolve as gentes. Futebol sem gente não existe.

Que se danem! Enquanto o futebol carioca agoniza na arena de 1 bilhão sob o olhar complacente de todos nós, o Flamengo, sempre no sapato, vai passando o rodo e fazendo a sua obrigação. Palmas pros nossos rapazes que mostraram seriedade no serviço, a bem da verdade só pegaram carne assada no Carioca. Mas reconheçamos que levaram o carioqueta menos na sacanagem do que nossos rivais municipais.

Para sermos mais justos, reformulemos: o Flamengo levou o Campeonato Carioca mais a sério que os seus próprios torcedores. E por isso chegará na fase final com a vantagem perigosa de jogar por dois empates. Como sabemos que jogar com o regulamento debaixo do braço nunca foi muito a nossa praia, precisamos tratar essa vantagem com o devido distanciamento critico.

Ainda faltam algumas rodadas pra essa palhaçada acabar. Parabéns aos campeões, valeu! Agora vamos nos concentrar na Libertadores que nós ganhamos mais.

Mengão Sempre!
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