Apesar de jornalista, sou limpinha…


O jornalista é um caso à parte da sociedade, só pode… Em qual outra profissão você vê que o que nos importa é a notícia ruim? Que somos cegos pela pauta? Que não reclamamos dos plantões aos sábados à noite? É sim, meu amor, somos estranhos.

O grande jornalista (ou espirituoso) Duda Rangel tem um blog chamado ‘Desilusões Perdidas’. Em sua imensa sabedoria sobre a profissão, ele descreve fatos e relatos do nosso cotidiano, mas que nem a gente percebe direito.

A questão é muito simples: não vemos o próprio umbigo. Estamos muito ocupados em ver o horário da coletiva, em ligar para o entrevistado, fazer e-mail para assessoria e reclamar aos berros da barulheira da redação. Tudo isso, é claro, sem um pingo de bom humor.

Mas fazemos tudo isso por um bem maior: o amor à informação. É mentira, gente, nos matamos por um furo simplesmente para bater no peito e dizer ‘Eu fiz, você leu? Gostou? Pois é, eu sou o fulano!’.

Nunca se engane: todo jornalista tem um ego maior que sua própria casa, seu carro (se tiver um) e, principalmente seu salário. Porque, convenhamos, não dá pra ser bom e modesto ao mesmo tempo.

Apesar de tudo isso (sou assim mesmo, num nego), eu sou limpinha, não ataco tanto a geladeira e adoro um mé. Com uma boa cerveja, tira-gosto e qualquer outro assunto que não seja notícia, chego até ser simpática. E isso, meus queridos, é difícil numa profissão de nariz arrebitado.

Feliz dia do jornalista aos que pediram a Deus para ser inteligentes e se esqueceram da riqueza!

Darth J. Vader

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