Avanço do rio Amazonas pode levar 20 metros da orla de Macapá

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Por Paula Monteiro

A orla de Macapá, banhada pelo imponente rio Amazonas, atrai milhares de visitantes ao lugar devido à beleza natural de suas margens. Mas a peculiar paisagem pode se tornar apenas lembranças de cartão postal. É que o muro de arrimo – construído para conter o avanço do rio Amazonas, ao longo da orla da capital amapaense – apresenta graves sinais de erosão. O fenômeno natural pode comprometer 20 metros de terra em quatro anos em alguns pontos da barragem, afetando, inclusive, centenas de residências.

Há dois anos, o desgaste da orla é alvo de estudo do Núcleo de Pesquisas Aquáticas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa). A análise revela cálculos preocupantes sobre o avanço da maré. O muro de arrimo construído para conter o avanço do rio Amazonas, no bairro Araxá, na região do Aturiá – onde centenas de famílias foram retiradas do local pela Defesa Civil- também está em análise.

A região deve perder cinco metros de terra por ano, se algo não for feito para reverter a situação. “O muro já foi construído em uma área de erosão e, este servirá para amenizar os impactos. O importante é a retirada de todas as habitações do lugar para ter uma área de preservação muito maior do que a existente com plantação de árvores para termos uma estabilização mais segura”, afirmou o pesquisador do Iepa, Admilson Torres. Orçado em R$ 12 milhões, o muro está em construção desde agosto de 2013, e estava previsto para ser concluído em um ano.

Torres explicou ao Portal Amazônia as principais influências da erosão na orla de Macapá. “Em algumas áreas ainda existe a floresta de pé e, em outras, há muitas obras de engenharia, a exemplo do Trapiche Eliezer Levy e da central de captação de água. As ações antrópicas também dificultam ou alteram a movimentação natural do rio, sua velocidade e o fluxo, consequentemente, em alguns trechos, haverá interferência na velocidade das águas, provocando a erosão, provocando, inclusive, o assoreamento”, disse o pesquisador.

Causas da erosãoerosão1

A erosão é um processo de deslocamento de terra ou de rochas de uma superfície. A erosão pode ocorrer por ação de fenômenos da natureza ou do ser humano.

Quando as causas são naturais, a erosão se dá por conta das ações da natureza, a exemplo das chuvas, vento e mudança da composição química do solo. O fenômeno também pode ser ocasionado sob influencia do homem, quando o mesmo retira a vegetação, realiza atividade desordenada de mineração, habitação em terreno impróprio, entre outros fatores.

No caso da orla de Macapá, a erosão é devido a causas naturais. “A erosão ao longo do rio Amazonas é predominantemente natural. Evidentemente que, quando há ação do homem, o trecho afetado fica muito mais frágil, assim como o assoreamento; quando há um acúmulo de sedimentos no rio, graças a interferência de construções humanas”, afirmou Torres.

Falhas na construção da orla

Para o geólogo, qualquer avanço de construção de muro deveria ter um trabalho prévio e evidentemente isso não ocorreu no Aturiá. “O estudo de como está a dinâmica do rio, a velocidade das correntes, dos ventos, para planejar esse este muro, eu desconheço. Seria imprescindível esse tipo de trabalho. O muro que existe hoje é totalmente vertical. Imagine as correntes batendo no muro e voltando com a mesma velocidade. “Precisamos consultar um engenheiro para verificar a possibilidade de haver um outro tipo de muro que bloqueie gradativamente a velocidade da água no choque junto a linha de costa”, revelou.erosão11

A preservação da vegetação existente também é primordial para evitar a erosão, pois ela diminui a velocidade das correntes marítimas que chegam até o muro, de acordo com o pesquisador. Em novembro de 2013, A Câmara Municipal de Macapá realizou, uma audiência pública sobre a retirada ou não das árvores conhecidas como “aturiazeiros”, encontradas às margens da capital, na orla do rio Amazonas. Com o tema “Discussão sobre a vegetação em frente à cidade que impede a visão do rio Amazonas” vários representantes do poder público e ambientalistas opinaram sobre os benefícios e malefícios sobre a permanência da vegetação no local.

O monitoramento

Para o monitoramento da erosão na orla de Macapá, os pesquisadores vão a campo e avaliam o local para analisar o quanto houve de recuo ou avanço da maré naquele trecho de linha da costa. Os dados servem para subsidiar o poder público a tomar iniciativas para solucionar os danos causados pela erosão. O estudo, de longo prazo, não tem data para ser concluído.

Fonte: Portal Amazônia

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