Bacana: No AP, quarteto leva música clássica a pacientes que fazem tratamento

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Por Fabiana Figueiredo

A música clássica foi o jeito encontrado pelo Quarteto Prelúdio para levar conforto e tranquilidade a pacientes e funcionários do Setor de Nefrologia, do Hospital de Clínicas Doutor Alberto Lima, em Macapá, neste fim de ano. O grupo está visitando os setores da unidade tocando músicas eruditas

O quarteto é formado pelos músicos Jennifer Ladislau, Marcos Júnior, Thaís Oliveira e Willian Sampaio. Eles são monitores do projeto realizado pela Associação Educacional e Cultural Essência, que ensina música clássica para crianças em vulnerabilidade social.

A partir da idéia de levar o gênero musical a lugares onde ainda não chegou, o grupo aceitou o desafio de se apresentar dentro de um hospital. A sugestão foi dada pela musicista Thaís Oliveira, de 26 anos, que trabalhou na unidade como enfermeira.

“A essência do Quarteto Prelúdio é levar a música erudita onde, às vezes, ela não chega, a lugares diferentes. Já que atendemos a esses projetos sociais, atendemos ao pedido feito pela Thaís e para nós é algo bastante novo. É interessante ver que os pacientes nos recebem muito bem aqui”, disse o músico Willian Sampaio, de 19 anos.

O funcionário público Lídio Rodrigues Júnior, de 49 anos, é paciente renal e frequenta o setor há 10 anos para fazer hemodiálise. Para ele, o momento foi a oportunidade de refletir sobre a vida.

“A música erudita me traz uma paz, uma reflexão, principalmente pelo processo que a gente vivencia. Necessitamos estar mais relaxados para o nosso próprio bem. Pena que é só no fim de ano, seria muito bom se tivéssemos apresentações como essas todo mês, pelo menos, porque tira toda a seriedade que o tratamento nos traz”, sugeriu.soli11

Há 6 anos o aposentado Carmilson Leite, de 51 anos, faz tratamento no hospital. Deficiente visual, ele disse que os ouvidos ficaram ainda mais aguçados para ouvir a música erudita.

“É um prazer ouvi-los aqui porque esse tratamento é doloroso e muito estressante. Quando ouço a música erudita, relaxo e penso na minha vida. Isso alegra nosso coração. Eu gostaria que pudéssemos presenciar essas apresentações mais vezes. Como sou deficiente visual é até curioso dizer, mas fecho os olhos para ‘viajar’, ouvindo todos os sons”, comentou Leite.

A técnica em enfermagem Marilda Façanha trabalha no setor do hospital. Ela disse que, apesar da rotina hospitalar, os pacientes e funcionários se relacionam como família, e que realizam comemorações em outras datas especiais.

“Não fazemos somente programação de Natal na clínica, mas fazemos vários momentos, como no Dia das Mães, das mulheres, dos pais e dos homens, por isso, nos tornamos uma família. A apresentação do quarteto no período natalino é um presente não só para eles, mas para nós também, porque resgata sentimentos bons e pensamentos sobre o ano que passou”, lembrou a técnica.

A hemodiálise é o tratamento feito em pessoas nas quais os rins deixaram de funcionar. Os pacientes frequentam o setor três vezes na semana, em sessões de 4 horas por dia.

Foi a quarta vez que o grupo se apresentou na Nefrologia. No domingo (28), a apresentação aconteceu no Setor de Psiquiatria do Hospital de Clínicas.

A experiência

O violinista Willian Sampaio acredita que o som que sai do violino que toca chega ao coração dos pacientes de forma mais alegre, para passar o tempo, que é o objetivo da apresentação.soli111

“A música já mudou a minha vida e a de várias pessoas. Acho que ela pode ser melhor vivida quando se percebe que a arte muda e deixa as coisas mais felizes. Não tem dinheiro que pague o sorriso ou uma lágrima de alguém que se emociona com a música. Isso me faz feliz, me sinto melhor como pessoa”, comentou o violinista.

A violoncelista Thaís Oliveira disse que a programação diferenciada é incentivada pelos funcionários do hospital, que realizam outras atividades durante o ano.

“É compensador envolver a área em que trabalho e o meu amor pela música. Conseguimos ver a emoção de algumas pessoas que choraram, e até de algumas em que a pressão subiu. Isso é gratificante, é o melhor pagamento que tem. Trago alguma apresentação para ser feita aqui há 3 anos”, contou Thaís, que adiantou que quer se apresentar outras vezes no hospital.

O contrabaixista Marcos Júnior, de 23 anos, espera que a música clássica no hospital “seja um momento de aliviar o que eles estão passando, porque são momentos complicados. O fato de a pessoa se emocionar, de conseguimos perceber que a música está entrando na vida dela é gratificante”.

Para a violinista Jennifer Ladislau, de 17 anos, tocar em diferentes lugares é um desafio que gosta de enfrentar.

“É uma experiência nova para todos nós. Me sinto muito grata em tocar aqui e receber todo o carinho dos pacientes. Isso não tem dinheiro que pague. Estamos acostumados a tocar em lugares onde a música clássica não alcança, como em pontes, na Casa da Hospitalidade, mas em hospital foi a primeira vez. É uma experiência que vou levar para o resto da minha vida”, disse, emocionada.

Fonte: G1 Amapá

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