“Baioneta não é voto e cachorro não é urna”

 
Era 13 de maio de 1978.Dia da Abolição da Escravatura.Em plena ditadura.Concentrações em praças públicas estavam proibidas.
 
Naquele dia, o deputado Ulysses Guimarães, presidente nacional do então MDB, estavam na praça do Campo Grande, centro de Salvador (BA).
 
Acompanham-no Tancredo Neves, Freitas Nobre e Saturnino Braga, expoentes do único partido de oposição então em funcionamento no país, que vivia o período do bipartidarismo e tinha na Arena o partido que apoiava o governo.
 
Todos marchavam em direção à sede do PMDB.
 
A polícia cercara desde cedo a praça e prendera estudantes e líderes políticos locais – como o economista Rômulo Almeida e Domingos Leonelli.
 
Policiais armados com fuzis e munidos de cachorros ferozes antepuseram-se à marcha que tinha Ulysses à frente. Vejam aí, nas fotos de Luciano Andrade, que na época trabalhava no jornal Tribuna da Bahia.
 
“Respeitem o líder da oposição”, bradou Doutor Ulysses.
 
Em seguida, com o braço levantado, rompeu a barreira policial e entrou na sede do MDB. Pouco mais tarde, de uma das janelas do velho casarão, discursou: “Soldados da minha pátria! Baioneta não é voto e cachorro não é urna.”
 
Neste dia em que o país lembra os 50 anos da ditadura, não nos esqueçamos – nunca, jamais: “Baioneta não é voto e cachorro não é urna.”
 
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