Banda estreita, espera larga – Crônica de Ronaldo Rodrigues

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Crônica de Ronaldo Rodrigues

Já li em algum lugar que Macapá é a única capital brasileira que não tem banda larga. Mas e daí? Daí que o meu amigo Ocrides estava muito empolgado com esse negócio de navegar na internet e ela falhou. De novo? É, de novo!

Ocrides passa o dia tentando navegar, mas o que ele consegue com mais frequência é naufragar. Quando consegue anexar algum arquivo, surge aquele abominável reloginho azul, que fica girando, girando até aparecer a mensagem, também abominável, dizendo que a conexão não foi possível.

Assim não é possível! Ocrides solta alguns palavrões, que é o mantra mais eficaz nessas horas, e começa tudo de novo. Liga, desliga, reinicia, mexe no roteador, mesmo sabendo que nada entende de roteador. Ainda ontem, Ocrides estava na pré-história da computação, na idade do chip lascado. Mas, como ele não pode perder o bonde da história (bonde, não: trem-bala), acende uma vela para a Santa Paciência até que a conexão se estabeleça do mesmo modo como foi embora: sem qualquer explicação.

Ocrides faz todo o ritual, afinal ele se orgulha de ser um homem afinado com seu tempo. Ele clica, novamente, no local que anexa o arquivo e – milagre! – a conexão funciona. E antes que o computador, o roteador ou que raio seja, resolva entrar em greve novamente, Ocrides se prepara para enviar o arquivo. É quando a energia elétrica é interrompida. Também algo corriqueiro na banda da cidade em que Ocrides mora. A internet, que não precisa de ajuda nenhuma para ser ruim, deixa de funcionar. Aí você pode perguntar: – Por que o Ocrides não carregou a bateria do computador? Ele tinha ligado o carregador, apareceu aquele ícone que diz que a bateria está carregada, mas faltou energia, faltou bateria. Ocrides já desistiu de entender isso tudo.

Outro dia, vi o Ocrides escrevendo uma carta a um amigo. Uma carta nos moldes antigos: manuscrita e colocada num envelope. Ocrides:

– Vou mandar uma carta pelo velho Correio. Esse tarda, mas não falha!

Digo ao Ocrides que um amigo meu mandou uma encomenda de Belém e até hoje, duas semanas depois, estou esperando. O Ocrides, que já ia sair para enviar a carta, retornou ao computador. Ocrides:

– Ah, não! Se é pra me comunicar dessa forma capenga, melhor fazer isso com ferramentas modernas!

E ficou lá, tentando mandar o arquivo. Tomara que tenha conseguido. A minha encomenda, que vem pelo Correio, ainda não chegou…

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