Bobô –  O Gênio da Elegância Sutil – Crônica de Marcelo Guido

Crônica de Marcelo Guido

Os Deuses da bola  lhe concederam um talento exemplar e ele o fez valer atuando por vários pavilhões pelo Brasil, assim foi a história de Raimundo Nonato Tavares da Silva, eternizado com a alcunha de Bobô.

Apelido simples para um meia atacante que demonstrou uma categoria ímpar pela Catuense, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Corinthians e Internacional, mas que imortalizou se com o manto tricolor do Bahia.

Pelo tricolor de aço do nordeste, Bobô desfilava talento no meio campo, sua exemplar visão de jogo o colocava acima dos demais na região central do tapete verde, passes precisos colocavam atacantes em situações de vantagem sobre os defensores, para os goleiros adversários era uma sensação de agonia profunda, o balançar das redes era uma questão de tempo.

Pelo Bahia veio o tri estadual e a cereja do bolo, a conquista do campeonato nacional em cima do poderoso Internacional. Nas duas partidas da final Bobô, chamou a responsabilidade para si, e não deixou que o troféu saísse da Fonte Nova, dois gols, que adiantaram o carnaval. A torcida o reverenciava e sabia que com ele em campo todos os orixás estavam apenas de um lado do campo.

Bobô, recolocou o nordeste no mapa do futebol brasileiro, mostrando um campeão fora do eixo.

Vendido ao São Paulo, honrou a camisa tricolor, seu vistoso futebol ganhou de cara a torcida do Morumbi, um meio campo que transpirava talento, Bobô e Rai jogaram bem juntos e o resultado foi o troféu do Paulistão na sala.

Emprestado ao Flamengo em 1990, o craque teve participação contundente  no título da Copa do Brasil do mesmo ano, desta vez atuou no meio com ninguém menos que o maestro Júnior, resultado não poderia ser diferente, mais um troféu  nacional para conta.

Logo após a passagem pela Gávea, o craque abriu os portões das Laranjeiras, onde atuando como atacante formou uma dupla de ataque eficaz ao lado de Ézio, uma valorosa Taça Guanabara foi conquistada.

De volta a São Paulo, em 93 Bobô colocou seu talento a serviço da fiel corinthiana, mas um mal momento na carreira não o fizeram deslanchar como o esperado de um jogador do seu quilate.

No Internacional, vestiu a camisa colorada e ainda deu tempo de ganhar um Gauchão, mostrando a eficiência de sempre nos 4×1 na final em um inesquecível Grenal.

Sua brilhante carreira , não seria a mesma se não voltasse a defender o pavilhão do tricolor de aço, em 1995 o esperando retorno. Mas sem mais a emoção de sempre, e com o desconforto da rotina de jogador profissional o mesmo encerra a carreira com apenas 34 anos.

 

Foram 645 jogos, 196 gols marcados, 3 passagens pela seleção , inúmeros passes decisivos em 15 anos de carreira profissional  ,  uma adoração pela fervorosa torcida do Bahia. Um jogador exemplar que comemorou um troféu por ano de 1986 a 1991.

Sua incrível precisão nos passes, sua  forma inequívoca de se jogar, o fizeram ser “caetanizado” em versos de “Reconvexo”, pois quem não amou “ a elegância sutil de Bobô”, não gosta de futebol, ou é ruim da cabeça ou doente do pé.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia. 

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