Bolsonaro, família e ministros já cometeram 449 violações contra jornalistas

Artigo 19 destaca “explosão de agressividade” do governo Bolsonaro contra a imprensa

O presidente Jair Bolsonaro, seus filhos, ministros e assessores realizaram um total de 449 ataques contra jornalistas desde o início de seu mandato, em janeiro de 2019. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira ao Conselho de Direitos Humanos da ONU pela entidade internacional Artigo 19. Em seu discurso, a organização de proteção à liberdade de imprensa colocou o Brasil como um dos destaques negativos no seu trabalho em todo o mundo, ao lado do México, Bangladesh e Camboja. A nova denúncia não resultará em punições ou sanções. Mas amplia o constrangimento sobre o governo brasileiro no palco internacional e aprofunda o desgaste diplomático do país. De acordo com os dados a… – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/09/28/denuncia-na-onu-bolsonaro-e-aliados-realizaram-449-ataques-contra-imprensa.htm?cmpid=copiaecola&cmpid=copiaecola

São Paulo – Monitoramento de violações contra jornalistas divulgado pela ONG Artigo 19 na última terça-feira (15), no marco do Dia Internacional da Democracia, revela que o presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e ministros cometeram 449 ataques contra profissionais da imprensa e comunicadores, desde janeiro de 2019 até agora.

São ações de deslegitimação e estigmatização do trabalho da imprensa, além da exposição de jornalistas e comunicadores. Segundo o coordenador da área de proteção e segurança da Artigo 19, Thiago Firbida, que coordenou o levantamento, trata-se de uma “explosão de agressividade” nunca antes vista.

“Não tem precedente na história recente do país – em qualquer governo, mais à esquerda ou à direita – de autoridades públicas do mais alto escalão tendo uma quantidade de ataques tão pesados e tão intensa quanto essa. Contudo, o que a gente vê é uma organização sistemática desses ataques”, afirmou Firbida, em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual desta quinta-feira (17).

Os discursos estigmatizantes contra a mídia computam 189 ataques. “É, por exemplo, mobilizar acusações falsas contra jornalistas, para colocar uma pecha sobre eles de que estão com uma agenda para tentar derrubar o governo ou algo do tipo”. Logo atrás, com 180 casos, estão as tentativas de deslegitimação. “Geralmente acontece quando o jornalista está cobrindo algum caso que embaraça ou envergonha o governo.”

Comando

Além disso, os ataques também funcionam com a exposição dos jornalistas nas redes sociais de Bolsonaro e dos seus colaboradores mais próximos. Após o comando inicial, eles passam, então, a serem atacados pelas milícias digitais e apoiadores do governo. Questões de gênero, raça e opção sexual são utilizadas para agredir o jornalista em questão.

O mais grave, segundo Firbida, é o envolvimento de órgãos da administração pública nesses ataques. É o caso, por exemplo, da Secretária de Comunicação Social, que utiliza seus canais institucionais para detratar comunicadores. “Isso é censura, pura e simples. Inclusive, pode configurar irregularidade ou crimes que devem ser devidamente investigados”.

Assista à entrevista:

Redação: Tiago Pereira – Edição: Helder Lima

Fonte: Rede Brasil Atual

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