Caso Emily: MP-AP recebe familiares da vítima em busca de subsídios para o julgamento

O Ministério Público do Amapá (MP-AP), por intermédio da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri, recebeu na manhã desta terça-feira, (21), os familiares da cabo da Polícia Militar (PM), Emily Karine de Miranda Monteiro, assassinada a tiros no dia 12 de agosto. Na ocasião, o MP-AP colheu informações pertinentes para serem utilizadas no processo. O autor dos disparos, o soldado da PM Kassio de Mangas dos Santos, que era companheiro da vítima, confessou o crime de feminicídio.

“Eu não quero morrer”, essas foram as últimas palavras ditas por Emily, segundo os familiares que estiveram no MP-AP. A avó da vítima, Oscarina Braga, disse que viu quando Kassio estava saindo da casa e ainda perguntou o que ele havia feito com a sua neta. Em resposta, o acusado teria dito: “fique calma, não fiz nada. Agora, nós já estamos resolvidos”.

De acordo com o titular da Promotoria, promotor de Justiça Iaci Pelaes, o objetivo do encontro foi colher informações complementares para subsidiar o oferecimento da denúncia e o futuro julgamento do caso, que, possivelmente, acontecerá ainda ente ano. “O ministério público tem sido uma instituição de defesa da vida. Repudiamos qualquer ato de violência. Não podemos aceitar crimes como o feminicídio em nossa sociedade. Vamos acompanhar o caso de perto e buscar a condenação do réu pela prática do feminicídio”, afirmou.

Iaci Pelaes afirmou, ainda, que está em contato com o Júri para que esse caso tenha o julgamento ainda este ano. “Nós precisamos trazer uma resposta para família, sociedade e principalmente para a cabo Emily. Nosso objetivo é buscar a prevenção e conscientização da sociedade como um todo, para que outras mulheres não venham a sofrer. Não podemos aceitar que mulheres continuem sendo vítimas nas mãos de homens”, finalizou.

Os familiares agradeceram a possibilidade de reunir com o MP-AP. “Estamos nos sentindo amparados. Muitas instituições estão abraçando o caso de minha sobrinha. Nós queremos apenas que a Justiça seja feita, para que outras mulheres, assim como a Emily possam se sentir representadas e punidas”, ponderou o tio da jovem, Rubem Miranda.

Feminicídio

O feminicídio é o crime de assassinato de uma mulher cuja motivação envolve o fato de a vítima ser mulher. Isso não quer dizer que todo o assassinato de uma mulher seja um feminicídio, mas que todo assassinato de mulher que justifica-se pelo fato de a vítima ser mulher o é.

Ainda, o feminicídio qualifica o crime, ou seja, torna-o mais grave. É mais grave, pois é um atentado direto a todo um gênero, um crime de misoginia comparável a, por exemplo, crimes de extermínio, com motivação baseada em uma característica alheia aos atos da vítima.

O Crime

Segundo a Polícia Civil e familiares de Emily, ela e o companheiro moravam juntos há cerca de dois anos e, na manhã do domingo (12), o casal teve uma discussão e se separou. À tarde, por volta das 17h30, o soldado, que não aceitava o término, voltou à casa e atirou contra Emily. A cabo ainda foi socorrida e levada para o Hospital de Emergência, porém faleceu 20 minutos após dar entrada na unidade de saúde.

SERVIÇO:

Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]

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