Parteiras da Amazônia ganham espaço multimídia em museu do Amapá

Texto e fotos: Paula Monteiro, do Portal Amazônia

Entre os mistérios e segredos de uma das regiões mais verdes do planeta, a Amazônia tem mãos milagrosas que ajudam a trazer vidas ao mundo. As parteiras substituem os médicos em regiões longes dos centros urbanos, como em comunidades ribeirinhas e quilombolas. A importância social e cultural das ‘mensageiras da luz’ estão retratadas em um dos novos espaços oferecidos no Museu Sacaca, em Macapá.

A ‘Casa das Parteiras’ retrata a rusticidade e a magia da realização de um parto normal sem a assistência de uma equipe médica ou o apoio da estrutura de hospitais. As ferramentas para a realização do procedimento são baseadas nas técnicas indígenas milenares, conhecimento sobre os efeitos das plantas medicinais passados por gerações e a fé refletida nas rezas.

O espaço tem uma réplica da casa de uma parteira tradicional e apresenta simplicidade em meio à selva: feita em madeira, poucos cômodos, ‘giral’ (espécie de prateleira construída na parede para guardar louças e outros apetrechos), espaço dedicado às imagens dos santos, uma antiga máquina de costura e um quarto para as futuras mamães receberem seus bebês.

O visitante pode, ainda, conhecer um pouco da história das experientes parteiras logo na chegada. No pátio da casa uma escultura interage com o público quando a pessoa senta ao seu lado em um simples banco de madeira, através de um sistema de áudio.

A intenção é provocar a sensação de que uma parteira real está contando um pouco sobre a sua vivência nos partos, depoimento regado a curiosidades, suspense e aventura- com muita emoção. “Na parte interior temos um monitor que passa o depoimento de algumas parteiras, o que ajuda o visitante a entender melhor a importância dessa figura na Amazônia. No quarto, as esculturas representam o trabalho de parto com o som da grávida tendo o bebê para dar vivacidade à cena”, acrescentou a museóloga, Simone de Jesus.

A ‘Casa das Parteiras’ é resultado de pesquisas da equipe do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa). A ideia surgiu em 1998 com outro projeto sobre o mesmo tema. “Buscamos aproximar o público do Museu da sua própria realidade. A Amazônia deve ser conhecida e reconhecida dentro de sua cultura, em especial, na valorização dos povos da floresta”, afirmou Simone.

Leitura ao pé da árvore

O Museu Sacaca também abriu um espaço para incentivar a leitura. A ‘Sumaúma das Palavras’ é um espaço dedicado a fomentar a literatura em contato com a natureza. O visitante pode ler sob a sombra de uma árvore de samaúma (Ceiba pentrand). O local dispõe de bancos, esteiras e um quiosque com acervo variado. O leitor pode, ainda, levar a obra pra casa, basta preencher uma ficha, sem data para devolução. Doações de novas obras também acontecerão da mesma forma. O Museu Sacaca também recebe doação de livros.

O Museu Sacaca fica localizado na Avenida Feliciano coelho, bairro do Trem, na capital. O horário de funcionamento é de 10h às 18h, de terça-feira a domingo. A entrada é gratuita.

Revista “Mais Amapá” será lançada hoje


Uma nova revista começa a circular hoje. É a “Mais Amapá”, que chega ao mercado editorial com textos leves e muitas fotografias nas áreas da cultura, política, entretenimento, curiosidades, turismo, economia, educação, amapalidade. “Tudo que acontece de mais importante no Estado, no Brasil e no mundo estarão na revista”, assegura o diretor executivo, Venilton Santos.

O lançamento é nesta segunda-feira, 30, às 19h no Restaurante Lokau (Rua Independência – Centro)

A Revista “Mais Amapá” tem 40 páginas tamanho A4, todas em policromia, miolo em papel couchê 90g e capa em papel couchê 150g, com acabamento em verniz. Terá correspondentes em Belém, Brasília, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Curitiba e Rio Grande do Sul.

Quadrinhos: Lendas amazônicas ganham novo enredo nas mãos de desenhistas, no Amapá

Por Paula Monteiro, do Portal Amazônia

A riqueza da fauna e flora da Amazônia e suas potencialidades no mundo científico sempre aguçaram a imaginação das pessoas, especialmente, dos povos da floresta. A magia sobre o que é mito ou realidade nas lendas amazônicas do ‘Mapinguari’, ‘Boto’ e da ‘Cobra Grande’ inspiraram jovens desenhistas a criarem histórias diferentes para os personagens, no Amapá. O novo enredo das fábulas virou uma coletânea com três histórias inseridas na revista digital ‘Amazônia em Quadrinhos’, lançada no mês de junho deste ano, na capital.

O Mapinguari, um dos mais populares monstros da Amazônia, é conhecido entre os nativos por assustar os caçadores na floresta. Segundo relatos, ele possui um grande olho, boca na barriga e mau cheiro para espantar os intrusos. A figura mística assemelha-se a uma preguiça, o que abriu a discussão entre os cientistas da lenda se tratar de uma nova espécie da família do mamífero. O conflito entre as versões é a base da história criada para a lenda na ‘Amazônia em Quadrinhos’, regada com suspense, drama e desenhos ricos em detalhes e movimento. “Nossa intenção também é desmistificar que as lendas amazônicas sejam apenas didáticas. Por isso, fizemos uma história com elementos da lenda, mas com outros conflitos onde deixamos a critério do leitor a interpretação”, explicou Israel Guedes, coordenador do ‘Ap Quadrinhos’.

Guedes também é responsável pelo desenho e edição da nova história da ‘Lenda do Boto’. A narrativa fala sobre uma garota que imagina ser filha do “homem bonito de roupas brancas e chapéu”- o Boto em pessoa. Ela conta a dois amigos que o que sabe sobre o seu desconhecido pai tem tudo a ver com a lenda. Os elementos são simples e de fácil compreensão, além de permitir ao leitor uma análise particular sobre a existência na vida real do então personagem. “É uma história mais leve com traço simples, aproximando dos desenhos infantis. Tentei dar emoção às cenas na variação dos quadros com metalinguagens”, disse.

Além da revista digital ‘Amazônia em Quadrinhos’, os desenhistas lançaram o segundo trabalho do grupo, intitulado ‘Sonho Brasileiro’, na última terça-feira (24). A publicação trata dos anseios do ser humano, inquietações do subconsciente e a relação dos sonhos com a realidade com doses de humanismo e amor. A história tem o diferencial de ser 100% ilustrada à mão. O encarregado pela arte é Roberto Vanderley, o mesmo desenhista de ‘Mapinguari’. “A abordagem é psicológica e mostra as realidades que o subconsciente constrói seja acordado ou dormindo, onde imprime o medo, expectativas e relacionamentos. As imagens são ilustradas à mão, com todos os efeitos de grafite, sem auxílio digital. Também faz menção à Copa do Mundo de Futebol”, falou o coordenador.

Sobre o ‘AP Quadrinhos’

A ideia de abordar as lendas amazônicas em um contexto diferente do tradicional foi dos jovens desenhistas que integram o grupo ‘AP ‘Quadrinhos’. Criado há dois anos, a organização é a primeira do segmento onde reúne amantes de quadrinhos no Estado e também estimula e descobre novos talentos através de oficinas e divulgação das produções. Atualmente, conta com 15 integrantes atuantes.

Onde ler

Para ter o trabalho mais conhecido e de fácil alcance, o grupo resolveu lançar o ‘Selo Digital AP Quadrinhos’. A ferramenta permite a transposição das histórias em quadrinhos na versão impressa para o digital, gratuitamente. O material pode ser conferido através de links do perfil do grupo nas mídias sociais. Lá, o leitor encontrará a revista ‘Amazônia em Quadrinhos’- a qual reúne três histórias sobre lendas amazônicas em outros contextos – e uma história avulsa e fechada ‘Sonho Brasileiro’.

Na onda do Mangá

No começo de julho deste ano, haverá o lançamento de uma coletânea com três histórias de mangás, abordando a cultura japonesa.  A ideia do ‘AP Quadrinhos’ é navegar por todos os temas e vertentes através da arte sequencial.

A criatividade e o talento na ponta do lápis

Fazer uma história em quadrinhos requer dedicação e criatividade. Para a produção, primeiro é feito o esboço, depois o desenho à lápis, em terceiro lugar o nanquim  (tinta preta própria para o desenho), dependendo do trabalho. Em seguida, a historia é digitalizada, geralmente se escaneia os desenhos, onde é feita a correção de algumas falhas no computador, letramento, e coloca-se algum efeito, caso seja a proposta.

Nivito Guedes: “Eu Tô em Macapá”


Nascido às margens do gigante rio Amazonas, o macapaense da gema, Hernani Vitor Carrera Guedes, artisticamente conhecido como Nivito Guedes, é cantor, compositor e violinista com um estilo musical diferenciado no modelo de cantar e tocar o violão, que para quem ouve pensa que tem outro instrumento lhe acompanhando. 

Nivito possui um swing e estilo amazônico que retratam uma diversidade de gêneros musicais que abarca desde características rítmicas (indígena), Marabaixo, Batuque, Zimba, o Carimbó(PA), Merengue e outros locais(regionais) do estado tucuju. Essas diversidades extrapolam a fronteira do extremo norte Brasil-Guiana, pela forte influência do swing caribenho, e chegam ao estilo romântico. Mais especificamente, nesta diversidade, dentre as composições de Nivito Guedes encontramos a música regional em si, reggae, pop-rock, xotes, baladas românticas, etc. Nivito Guedes gravou três CD’s com composições próprias e com outros parceiros, o primeiro foi Todas as Luas, o segundo Tô em Macapá e o terceiro foi uma coletânea com canções defendidas em festivais no Amapá e fora do estado. 

Suas composições, sempre marcadas pela irreverência rítmica de suas melodias, na qual mistura a cultura Amazônica ( Marabaixo, Batuque – folclore amapaense) com estilos e gêneros da música brasileira, e uma forte influência do swing caribenho, o diferenciam e caracterizam um estilo próprio e único criado por esse artista para cantar a nossa música popular brasileira. Ele está preparando seu próximo projeto musical pra encantar a todos nós tucujus.

Osmar Júnior: o poetinha da Amazônia


Osmar Júnior deu um outro sentido à música produzida no Amapá, aos 17 anos de idade frequentou grupos de chorinho, aperfeiçoando assim, suas técnicas de violão.

Nas noites, bailes e eventos no antigo Território Federal do Amapá, Osmar Júnior tomou parte em conjuntos musicais como Setentrionais, Placa Luminosa (depois Banda Placa), Banda Snake, Ópera Brasil, entre outros grupos, firmando amizades e parcerias com artistas como Carlitão, Álvaro Gomes, Ronery, Zé Miguel, Edilson Moreno, Val Milhomem, João Batera, Bolachinha, Válber Silva, Taronga, entre outros.

O ápice de sua fase pop-rock foi, sem dúvida no Placa Luminosa, onde tocou contrabaixo, guitarra e assumiu os vocais. Com a banda fundada por Carlitão e Álvaro (irmãos) a partir de uma dissidência dos Setentrionais, Osmar participou do primeiro grande festival de rock realizado no Amapá, o “Equador Rock Show”, ao lado de atrações regionais e bandas de renome nacional, como Os Paralamas do Sucesso, Rádio Táxi, Magazine, Os Panteras, The Tramps, Setentrionais.

Em sua carreira solo registrou vários sucessos da música amapaense, como “Igarapé das Mulheres”, “Pra Nunca Mais” e “Pedra do Rio”, “Tarumã das Estrelas”, entre outros .

Em 1989, produziu com Amadeu Cavalcante o disco Sentinela Nortente (1989), transformando o panorama da música regional, com sua própria concepção de estilo musical. Osmar Jr. produziu, também, os discos Vida Boa, de Zé Miguel (1990) e Estrela do Cabo do Norte (Amadeu Cavalcante, 1991), no Rio de Janeiro. A união com Amadeu Cavalcante, Val Milhomem e Zé Miguel promoveu o surgimento do Movimento Costa Norte com o lançamento do CD de nome similar.


Na década de 80 começou sua trajetória como compositor pelos festivais universitários e comerciários, onde se tornou conhecido em razão dos temas amazônicos e ganhou vários prêmios. Os mais expressivos ocorreram em 1999 e 2000 com as músicas “Farras e Cimitarras” e “Assim como Raul”, em parceria com o sociólogo Fernando Canto, no II e IV FEMAC – Festival Amapaense da Canção.
Sua mais recente participação em festivais ocorreu em 2008 quando ganhou o Festival da Assembléia Paraense com a música “Tarumã das Estrelas” defendida por Amadeu Cavalcante e que arrebatou todos os prêmios do evento (letra, arranjo, interpretação, música mais popular), Amadeu também foi agraciado com o prêmio de melhor intérprete.

Banzeiro do Brilho-de-Fogo no Espaço CAOS – Arte e Cultura


Ei maninho, quer ser batuqueiro? De 22 a 27 de junho tem OFICINA RÍTMICA DE GRAÇA no Espaço Caos, das 19h às 21h.

Esse é o projeto BANZEIRO DO BRILHO DE FOGO que está realizando uma série de oficinas gratuitas pela cidade de Macapá.

O Banzeiro do Brilho-de-Fogo nasce com o compromisso de incentivar a eternidade dos nossos costumes. É um brinquedo cantado que, de forma lúdica pretende fortalecer e consolidar esse processo musical histórico, que é a inspiração para o cancioneiro amapaense e reflete a alma do nosso povo.

Em nome das nossas tradições, o Banzeiro do Brilho-de-Fogo chama todos que moram nesta terra para participar deste movimento cultural onde todos os cidadãos, jovens, idosos e crianças terão acesso gratuito em todas as etapas do projeto. Será um manifesto sonoro e visual pelas ruas de Macapá, com muito colorido, música e alegria.

O Banzeiro do Brilho de Fogo inicia com oficinas, seguidas de ensaios e culminando com um grande cortejo pelas ruas de nossa cidade.


Endereço do Espaço CAOS – Arte e Cultura: AV. Procópio Rola. 1572. Entre Manuel Eudóxo e Prof. Tostes. (Próximo ao polo II da UEAP antigo Colégio Vega).

Uma história da Copa de 74 no Amapá

Por Humberto Moreira

Foi a Copa de 74, na Alemanha, que motivou o então governador do Território Federal do Amapá, Arthur Henning, a comprar os equipamentos de TV para a exibição dos tapes do Brasil naquele Mundial. 

Em campo o time não foi bem e perdeu para a Holanda nas quartas de final. Os jogos eram gravados em Belém (PA), que já recebia imagens por satélite. E um avião do Serviço de Transportes Aéreos do Território trazia a fita para ser exibida aqui com todo mundo sabendo o resultado, pois a Rádio Difusora de Macapá retransmitia as partidas. 

Depois da Copa o governo vendeu os equipamentos ao empresário amazonense Filipe Daou que inaugurou a TV Amapá em janeiro de 75. 

Walter do Carmo: desbravador, pioneiro, construtor e piloto de avião (texto da @MarileiaMaciel)


Nascido em Prainha, no município de Monte Alegre, no estado Pará, Walter Pereira do Carmo conhecia o recém-criado Território do Amapá por vir com os pais visitar parentes em Mazagão Velho. Aos 17 anos, já funcionário público com formação técnica em agrimensura, começou, sem saber, a traçar seu caminho para o Amapá. Dizem que sua vinda definitiva deu-se ao cumprir uma missão da antiga Comissão de Rodagem do Pará, que depois  seria transformada no DEER (Departamento Estadual de Estradas de Rodagem). A missão era, justamente, entregar o projeto da BR 156.

Era o decisivo 1952, e Walter, com 22 anos, foi convidado pelo então governador Janary Nunes, para ficar no Amapá.  Aceitou e começou a trabalhar no ramal do Aporema e na manutenção do trecho da outrora BR 15, que só chegava até a Base Aérea do Amapá. Foi naquele município que conheceu Helita Ferreira dos Santos, filha de um pecuarista da cidade de Amapá, com quem casou seis meses depois, sendo o governador Janary Nunes um dos padrinhos. Dessa união nasceram sete filhos, Margareth, Walter Júnior, Waldenawer (Keky), Mariângela, Wank, Márcia e Walber.

Em 1958 surgiu a oportunidade que mudaria o rumo de sua vida e dos amapaenses.  Pauxy Nunes, irmão de Janary, assumiu o governo e priorizou a continuação da abertura da rodovia em direção ao Oiapoque, que passava em aldeias indígenas. O medo de enfrentar os índios, que tinham pouco contato com a civilização, dificultava a contratação de empresa. Sem dinheiro, mas muita vontade de começar o serviço, fundou a Construtora Comercial Carmo LTDA.

“Aqui chegamos e muito mais longe iremos”. (Walter do Carmo, ao chegar em Oiapoque)

Em 1958 as máquinas pesadas, nunca antes vistas por aqui, chegaram via marítima, e o serviço começou. A estrada era aberta até Amapá, e a missão era chegar até a fronteira. Foram meses embrenhado nas matas com homens e equipamentos, abrindo o caminho que até então era percorrido por poucos. Entre Macapá e Amapá, já chefe de família, Walter do Carmo viveu todas as particularidades de um desbravador, quando o mundo oferecia poucos recursos para aventura, como a abraçada pelo então empreiteiro.

 “Nunca fui rico, apenas tinha crédito na praça”. (Walter do Carmo)  

No dia 24 dezembro de 1974, em um pequeno Jeep, Walter do Carmo, na companhia de Zé Grande e do mestre Ouvídio, escoltados por uma Toyota, dirigida por Vicente Cabraia, conseguiram chegar até o Oiapoque. E após dezesseis anos, como foi acertado com Janary Nunes, a BR156, que liga Macapá à fronteira foi entregue ao então governador Ivanhoé Martins.

Além da BR 156, Walter do Carmo foi o responsável por levar o progresso para outros cantos do Território. Foi ele quem abriu os ramais para que veículos entrassem mais facilmente nos municípios de Amapá e Calçoene, Base Aérea do Amapá e para a localidade de Lourenço. Construiu ainda campos de pouso em Tartarugalzinho, Calçoene e Cunani.

Tudo corria bem até que o contrato com o Governo foi reincidido na administração de Artur Azevedo Hening, em 1975, ignorando uma das cláusulas do contrato que previa o translado do maquinário para a capital. As máquinas utilizadas na construção da BR 156 ficaram abandonadas ao longo do primeiro traçado da estrada e jamais foram recuperadas. Pela quebra do acordo contratual foi movida uma ação contra o Território, que foi vencida pelo empresário muitos anos depois, quando a Construtora Comercial Carmo LTDA já estava fechada. O dinheiro serviu para pagamento de indenizações trabalhistas e multas do INSS.

Construtor, pioneiro, desbravador e aviador

Nos anos 70 construiu as tradicionais escolas José de Alencar, José de Anchieta, Antônio João, Princesa Isabel e Castelo Branco. Além do primeiro Ginásio coberto da cidade, o Paulo Conrado Bezerra e os clubes mais bem frequentados, Círculo Militar, Macapá e Amapá Clube. Além de desbravador e construtor, Walter gravou seu nome na história do Amapá como pioneiro, palavra que levava ao pé da letra. Foi um dos fundadores do Lions Clube, Maçonaria, Igreja Messiânica, e sua paixão: o Aeroclube.

Realizou um sonho de infância em seus anos de ouro, quando tornou-se aviador. Ao conhecer o boliviano, Capitão Belarmino Bravo, juntou seu desejo e espírito empreendedor, à paixão do visitante, e juntos formaram a primeira turma de pilotos “brevetados” da cidade, e fundaram o Aeroclube de Macapá, em 1956. Na turma estava Hamilton Silva, que morreu em 1958, no acidente de avião em que também faleceram o deputado Coaracy Nunes e  seu suplente, Hildemar Maia. Diziam na época que estava prevista a ida de Walter do Carmo nesta viagem.

 “Prefiro dormir sem ceia do que acordar com dívida” (Walter do Carmo)

Em 1985 o governador Jorge Nova da Costa, acreditando em seu potencial, deixou sob sua responsabilidade o asfaltamento de 50 km da BR 156, e Walter do Carmo foi buscar no Paraná a  empresa CR Almeida para o serviço. No ano de 2003 o governador Waldez Góes o nomeou assessor especial, como conselheiro da gestão, cargo com que sobreviveu até 2010. Ao morrer, no último dia 14, recebia apenas a pensão do INSS.

A ação de milhões ajuizada pelos associados e familiares do Aeroclube, por ter o Governo do Amapá instalado órgãos públicos, hoje Centro Administrativo, na avenida Fab, sem desapropriar a área,  ainda corre na Justiça do Amapá. Além dos sete filhos com Helita, entre eles o Keky, médico recém-formado falecido há 28 anos, Walter deixou mais dois filhos, Walmir e João Vitor.

Texto da jornalista Mariléia Maciel 
Fotos (clique nas imagens para melhor visualizá-las) do acervo da família de Walter do Carmo

Cultura amapaense: hoje é o Dia Estadual do Marabaixo


Hoje (16), é o Dia Estadual do Marabaixo.A data foi escolhida para homenagear a Santíssima Trindade, por conta do Projeto de lei nº 0049/10, do deputado Dalto Martins,  já falecido, que constituiu a celebração. 

A Lei foi aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado do Amapá e declarou o dia 16 de junho, Dia Estadual do Marabaixo Amapaense, como data comemorativa no âmbito do Estado do Amapá. 

De acordo com o texto do amigo jornalista Edgar Rodrigues: “o Marabaixo é um tradição secular que passa de geração em geração através dos anos. É dançado na capital, Macapá, anualmente, nos meses de maio, junho e julho, nos bairros do Laguinho, na Favela e na comunidade do Curiaú”.

A festa Marabaixo é uma comemoração religiosa que acontece no Amapá, praticada por remanescentes de quilombos, os quais demonstram sua fé através da dança, do canto e do consumo da gengibirra, bebida feita à base de gengibre e álcool.O batuque das caixas, as dançadeiras e a energia da cultura é sensacional!

Alguns não gostam, muitos por puro preconceito e outros por ignorância. Eu dou valor Quando adolescente, ia muito ao Marabaixo com meu saudoso pai. Depois que ele partiu, deixei isso de lado. Aos poucos, voltei a frequentar os festejos e recomendo. 

Ainda bem que o Poder Público apóia a tradição. Ainda bem que os poetas versam o Marabaixo e os fotógrafos o retratam. Ainda melhor ainda que os amigos Fernando Canto e Mariléia Maciel escrevem sobre ele com o amor laguinense que lhes transborda. Ainda bem que a população vai até a Favela, aos campos do Laguinho e ao Curiaú prestigiar a festa. Viva (vivencie mesmo) o Marabaixo do Amapá! 

Elton Tavares

Festa da Santíssima Trindade na Favela e a perpetuação da tradição com a Biblioteca comunitária


O Ciclo do Marabaixo deste ano chega à reta final, e na antiga Favela, atual bairro Santa Rita, onde acontece a programação em homenagem à Santíssima, domingo é dia de missa, almoço e muita festa para as crianças do bairro. Eles comemoram ainda um bem, resultado deste Ciclo, que é a Biblioteca Gertrudes Saturnino, que vai permanecer daqui em diante, com esforço dos membros da Associação Cultural Berço do Marabaixo. Toda a programação relembra a história de fé da família Costa, que será perpetuada com a continuação dos festejos e pode ser contada e lida na biblioteca.

Gerações – Gertrudes Saturnino era uma negra dançadeira e cantadeira de marabaixo, que quando o governador Janary Nunes transferiu os moradores do centro de Macapá, liderou uma parte das famílias para a Favela. Entre os filhos gerados, Natalina Costa, que ainda hoje mantém a tradição das festas de marabaixo junto com a prole, das quais a presidente da Associação Berço da Favela, Marilda Costa, filhos, netos, parentes e amigos.
– Entre os festejos do marabaixo, o Ciclo é o mais importante na Favela por ser em honra à Santíssima Trindade. Foi a fé na Tríade, que é um dos Mistérios da crença cristã, que se incorporou aos festejos o tradicional Almoço dos Inocentes. Dona Gertrudes pediu à Santíssima que a filha Natalina engravidasse, e com a bênção alcançada, ainda hoje, no Domingo da Santíssima é oferecida a refeição para doze crianças que representam os apóstolos.

Biblioteca – Esta e outras histórias podem ser ouvidas e lidas na Biblioteca comunitária, que funciona na casa da dona Natalina Costa, com cerca de 300 exemplares de autores amapaenses e de outros estados, voltados para a temática afro. Além de livros, vídeos, obras de arte, trabalhos acadêmicos e material produzido nas oficinas realizadas nas escolas. No acervo, exemplares de autores como Fernando Canto, Manoel Bispo e Piedade Videira. A Banda Placa cedeu vídeos para a Associação, que estão disponíveis no espaço cultural.

Programação – No Domingo da Santíssima Trindade a programação inicia às 7h, com a missa na Igreja do bairro Nova Esperança. Logo após tem o café da manhã para a comunidade, na casa de Natalina Costa, seguido do Almoço dos Inocentes, servido primeiramente para as doze crianças, depois para os demais presentes. À tarde é dedicada às crianças, que terão horas de diversão e lazer, com brinquedos, teatro, contadores de história, música e quadrilha junina.
Serviço – A casa da dona Natalina está localizada na avenida Duque de Caxias, entre Manoel Eudóxio e Professor Tostes. A biblioteca funciona de segunda a sexta-feira, de 9h às 11h e das 15h às 17h. Três universitárias voluntárias da Associação se revezam no atendimento. A presidente Marilda pede que escritores que queiram deixar seus trabalhos para exposição e leitura, seja literatura, poesia, história ou qualquer estilo, fiquem à vontade. O mesmo vale para produtores de trabalho audiovisual e artistas plásticos.

Texto: Mariléia Maciel
Fotos: Max Renê e Márcia Do Carmo

Banzeiro do Brilho-de-Fogo: ensinando a arte de tocar tambores, fazer adereços e instrumentos de percussão

Por Mariléia Maciel

Iniciado há dois meses, o projeto Banzeiro do Brilho-de-Fogo continua formando batuqueiros e ensinado a arte de fabricar instrumentos e adereços artesanais em Macapá. Mais de cem homens e mulheres de todas as idades participam das três oficinas oferecidas e são os primeiros integrantes preparados para o cortejo que sai oficialmente nas ruas em dezembro deste ano. O projeto, coordenado pelo músico Adelson Preto, é inspirado no Arraial do Pavulagem, do Pará, e tem o apoio cultural da Prefeitura de Macapá.

Idealizado para ser a porta de entrada da população nas manifestações culturais, que em Macapá é fortalecida nos tradicionais marabaixo e batuque, o projeto é executado em etapas, que encerra no final do ano. Sob o comando de Adelson, um grupo de instrutores com capacitação técnica e empírica se revezam nas aulas das oficinas Rítmica, de Adereços e Fabricação de Instrumentos. Todas voltadas para o objetivo final, que é apresentar o resultado do projeto no Cortejo do Banzeiro do Brilho-de-Fogo.

“Tudo que ensinamos é aproveitado dentro do projeto. Os instrumentos usados nas oficinas rítmicas são resultado da oficina de fabricação de instrumentos, onde usamos material reciclável, como caixas de madeira e couro de boi, que geralmente são desprezados pelos produtores de animais. Os adereços produzidos nas oficinas de artesanato irão adornar os tambores e roupas dos participantes do Banzeiro”, explica o coordenador. 

As três oficinas, que iniciaram em maio e encerram em junho, estão acontecendo no Quilombo do Curiaú, e somente a Rítmica segue itinerante em pontos onde são formados grupos de aprendizes. Nos meses de agosto e setembro as oficinas retornam, e logo após, começam os ensaios fechados unindo todos os integrantes das oficinas rítmicas para aprenderam a se movimentar com os instrumentos e fazerem a divisão de espaços físicos. Outubro e novembro foram reservados para os ensaios abertos, no total cinco, com  a participação de artistas locais, onde a população vai poder assistir, dançar e se familiarizar com os sons e músicas.

“Em dezembro, com todos afinados e enfeitados, vamos fazer o grande Cortejo do Banzeiro do Brilho-de-Fogo, e sair pelas ruas cantando nossas músicas, tocando nossos tambores e chocalhos. O projeto veio para aproximar a população de nossa cultura, e promover a inclusão social e cultural”, diz o coordenador. Ele fala ainda que o repertório é formado por músicas do cancioneiro regional e populares, como “ladrão” de marabaixo e “bandalho” de batuque.      

A Oficina Rítmica Itinerante já foi realizada no bairro Marco Zero, no Locoreggae, e neste final de semana encerra na Casa Fora do Eixo. De 22 a 27 de junho ela será levada para o Espaço Caos, na Procópio Rola, Centro de Macapá. Em julho está agendada no Projeto Gangapé, no Araxá, e na Sub Prefeitura Zona Norte. As oficinas são de graça e quem tiver interesse deve procurar a coordenação nos fones 9130-5276/8113-6730. 

Fotos: Márcia do Carmo e Mariléia Maciel 

Ciclo do Marabaixo: festa para Santíssima Trindade


Neste fim de semana continua a programação do Ciclo do Marabaixo nos dois bairros que tradicionalmente realizam os festejos, Laguinho e Santa Rita, agora em honra à Santíssima Trindade. No domingo, 8, inicia com missa na Igreja São Benedito e café da manhã, e à tarde os festeiros pegam os ramos de murta em casas próximas e logo depois fazem o cruzamento das bandeiras no Centro de Macapá. A programação segue nas quatro residências onde acontecem os festejos até 7h da manhã, quando os mastros são levantados.

Ao contrário do Laguinho, que rende homenagem ao Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade, no Santa Rita, antiga Favela, os festejos são para a tríade sagrada. A Associação Cultural Berço das Tradições Amapaenses, da família de descendentes de Gertrudes Saturnino, pioneira que levou o marabaixo do Centro para a Favela, festeja a Santíssima Trindade, que é um dos Mistérios da crença cristã, que acredita em um só Deus, formado pelo Pai, Filho e Espírito Santo. A Associação Zeca e Bibi Costa (Azebic), também da Favela, faz o mesmo ritual.

A presidente do Berço do Marabaixo, Marilda Costa, neta de Gertrudes e filha de Natalina Costa, explica a comprovação da fé na Santíssima Trindade. “Mamãe não conseguia engravidar, e minha vó fez uma promessa para a Santíssima, que já era homenageada nos festejos do marabaixo, e nasceu meu irmão mais velho, Manoel. Com a graça alcançada, começamos a pagar a promessa com o almoço dos Inocentes, para doze crianças, que se incorporou à nossa tradição. Assim começamos a festejar a Santíssima Trindade dos Inocentes e até hoje o almoço é feito”, relata.

Com a urbanização do bairro, as tradições tiveram que ser adaptadas para não criar conflito com a comunidade, e a educação ambiental começou a ser implantada. Os bailes dos sócios foram substituídos por rodadas de marabaixo, os fogos liberados até 22h, e o som das caixas não ultrapassam o permitido por Lei . “Os bailes são abertos e atraem qualquer pessoa, o que pode trazer problema. No marabaixo vai quem gosta da tradição”, disse a presidente. Atualmente não se retiram mais mastros na mata, e levantam cilindros de fibra, para incentivar a preservação da natureza.

Na sexta-feira, 6, iniciam as novenas na casa de dona Natalina Costa,  a partir das 19h. Domingo, 8, às 16h, os brincantes e devotos seguem percorrem o bairro com os ramos de  murta e às 17h se encontram com os demais grupos da Favela e Laguinho na avenida Fab onde fazem o cruzamento das bandeiras da Santíssima e do Divino. Logo após, seguem para as casas dos festeiros onde dançam marabaixo até 7h da segunda-feira, 9, quando os mastros são levantados.

Texto: Mariléia Maciel
Fotos: Márcia do Carmo

Grupo Cultural Religioso Arautos do Axé resgata a tradição afro no Amapá


Com dança, música e atitudes que exaltam a cultura negra, o grupo cultural Arautos do Axé resgata a tradição afro-brasileira no Amapá, que tem por finalidade promover ações lúdicas que visem diminuir o preconceito e a intolerância religiosa, hoje também classificada como bulling, dos jovens e da sociedade em geral para com os praticantes, e simpatizantes, das religiões de matriz africana.

“Trabalhamos toda a questão racial. O objetivo é não deixar nossas origens se perderem e também combatermos o preconceito em relação a nossa religião”, informa a responsável pelo Centro, mãe Nina de Iemanjá.

O grupo está vinculado ao Instituto Cultural e Educacional Nina Souza (CENS), fundado em 15 de junho de 1997, elevando de Centro somente Educacional para, também, Cultural, com atividades que passaram a atender aos Jovens e às Mulheres da Comunidade em que está inserido e todo o entorno. Hoje, como Instituto CENS, possui uma nova formatação estatutária e, assim, e apresenta suas ações e projetos aos órgãos governamentais competentes.

O Grupo Cultural de Dança Afro Religioso Arautos do Axé é composto de 16 integrantes, filhas e filhos da casa de Tradição em Candomblé Jeje “Hundo Yá Olocun Ejaredê”, comandados pela sacerdotisa e reverenda Yá Ejaredê (mãe Nina de Iemanjá). Está localizado no bairro Novo Buritizal, na avenida Violeta Mont’Alverne, nº 1595.

“Nosso centro está localizado próximo a uma grande área de baixada, com um número alto de famílias em situação de risco social. Esta, portanto, foi a principal motivação para criação do Centro, antes somente Educacional, hoje Cultural, com atividades atendem aos Jovens e as mulheres da comunidade e do entorno”, ressalta mãe Nina.

O grupo já realizou apresentações em 2012 no primeiro seminário de Religiões da Rede de saúde de Terreiro (Seafro), no seminário Afro Mulher (Seafro), no seminário Raça e cor (Escola Estadual Aracy Mont´’Alverne) , no Encontro dos Tambores (Centro de Cultura negra do Amapá CCA/UNA) e  II Festival Amazônico na Rota de Iemanjá (Adap). Em 2013 estiveram na Premiação de Personagens Afros Amapaenses (Museu Sacaca), na entrega de Certificados de Pós Graduados em História da África (Museu Sacaca), na 7ª Primavera dos Museus (Secult), na 50ª Expofeira do Estado do Amapá (Secult), no Encontro dos Tambores (Centro de Cultura negra do Amapá CCA/UNA) e no III Festival Amazônico na Rota de Iemanjá (Adap).

Contatos:
Fones para contatos: (96) 9154-6802/8133-3739/9124-4712
Falar com: Nina Souza ou Almeida Canuto

Texto: Pérola Pedrosa – Jornalista.
Fotos: Arquivo do grupo cultural.