POR UM TEATRO MUNICIPAL (*) – Crônica de Fernando Canto

Foto: Alex Silveira

Crônica de Fernando Canto

Há tempos a ideia de criar o Teatro Municipal causa grande expectativa nos meios artísticos macapaenses. Artistas com quem conversei disseram que o projeto vinha ao encontro de suas aspirações, principalmente agora que a cidade cresceu e que a maioria deles já tem consciência de que precisa valorizar cada vez mais seus trabalhos. Alguns já vêm desenvolvendo comercialmente suas atividades a partir da realização de cursos de empreendedorismo, que também os obriga a vender bons produtos. O teatro municipal é um sonho de muito tempo. A prefeitura tentou comprar o ex-cine Macapá em 2001 com esse propósito, mas infelizmente as negociações não avançaram. Agora é notório o aumento do mercado de bens culturais e estável o circuito de produtos culturais como teatros, bibliotecas e auditórios, em Macapá.

Para os artistas o teatro do município não só desafogaria a pauta do Teatro das Bacabeiras como daria apoio aos produtores culturais para desenvolverem seus trabalhos. Ao funcionar em consonância com a política cultural do município, o teatro daria ênfase às ações populares como espetáculos teatrais abertos ao público, shows com ingressos mais baratos, além de outros projetos internos que pudessem facilitar o desenvolvimento da arte, por meio de debates, reuniões de trabalho, simpósios, festivais e, sobretudo, com o processo educacional ao lado disso tudo, onde não se furtaria também a constante e imprescindível formação de platéia.

A criação e a implementação do teatro, antes de ser uma decisão que viria beneficiar os segmentos artísticos das artes cênicas e da música, é um princípio que norteará ações tais como o estímulo à formação cultural da população e dos agentes culturais do município. Sua configuração e funcionamento deverão ser regidos dentro dos padrões da política de cultura municipal, o que deverá possibilitar o acesso da população a esse bem cultural, de forma democrática, levando em conta a diversidade cultural, linguagens, identidades e formas de expressão do nosso povo.

No bojo dessa construção o maior interessado é o cidadão, aquele que goza dos bens e serviços efetuados pelos poderes públicos, dos direitos civis e políticos e do desempenho dos deveres para com ele. Este, então, é um princípio necessário ao desenho e à consecução de uma política cultural contemporânea: o dever das instituições políticas e administrativas para com o cidadão, considerando que ações governamentais devem ser feitas para todos e não só para uma elite. É papel importante o de ofertar produtos de acesso garantido ao cidadão, ávido de consumo de arte. Acesso físico e acesso econômico a produtos de boa qualidade. É bom lembrar que quando falamos em cidadania e cultura estamos diante de abstrações, de conceitos, de uma idéia sobre as coisas. Assim o acesso, aquele que dignifica o cidadão, quer simplesmente dizer ingresso, entrada, chegada, aproximação, alcance de coisa elevada ou longínqua. Entretanto não se pode deixar de registrar que a palavra “acesso” também carrega um conceito de fenômeno patológico ou psicológico que é o chamado “ataque de raiva”, ou impulso, que é uma reação do cidadão ou da cidadã que não vê atendido o seu direito de cidadania.

Da nossa parte cantamos a melodia dos artistas com o mesmo entusiasmo porque acreditamos que um teatro para ser popular e de boa qualidade deve ofertar bons produtos, divertir, unir e corporificar os valores culturais de uma sociedade organizada, de uma sociedade plena de direitos e deveres satisfeitos, de uma sociedade cidadã.

(*) Publicado no JD, em 2007. Mas ainda não temos o tal teatro.

Show internacional “A Ponte” :Zé Miguel divide o palco do Norte das Águas com a cantora francesa Roseline Jersier

De um lado a presença marcante e magica da cantora francesa Roseline Jersier, soltando a voz e interpretando Zouk Love, de outro lado o cantor e compositor amapaense Zé Miguel e suas canções cheias de poesia e fascínio. Um encontro que promete encantar hoje (4), no espetáculo “A Ponte”.

O show acontecerá no Norte das Águas, localizado no Araxá, e é assinado por Edna Pantoja, produtora cultural amapaense, “é um show especial, com muito Zouk para o povo dançar, está sendo trabalhado com carinho para se transformar em uma noite magica que ficará na memória dos participantes”.

Roseline e Zé Miguel são os autores da música que empresta nome ao show e é, reconhecidamente, um dos maiores sucessos atuais no repertório de programas de rádio e televisão na Guiana Francesa.

Conheça a artista Roseline Jersier

Uma guianense, apaixonada por ciência e matemática que sonhava em ser astronauta e acabou se transformando em uma das maiores referências musicais da Guiana Francesa. Está é Roseline Jersier, cantora formada em jazz por uma das maiores escolas de Paris, ganhadora de prêmios e concursos culturais.

Roseline vem de uma família de nove filhos, pais guianenses e guadalupenses profundamente enraizados na música. Foi através da mãe, Rolande Dauphin, conhecida na Guiana por seu envolvimento cultural, cantora de “La Lyre Cayennaise”, que sonhava em um dia ver entre seus filhos um sucessor, que Roseline deu os primeiros passos na música.

Se apresentou em vários locais em Cayenne, Paris e durante três anos foi produzida pela LB Records, representada pelos irmãos Lancri, dos Estados Unidos. Os Lancri também produziram dois álbuns da cantora e, foi através deles que se apresentou no Zenith de Paris durante o Big Bad Zouk. Seu último álbum foi distribuído na Fnac de Paris.

A cantora também se apresentou várias vezes no Brasil. No Amapá, além de se apresentar ao lado de cantores amapaenses, Roseline gravou a musica “A Ponte” no ultimo álbum do cantor e compositor Zé Miguel, que divide com ela a parceria na composição da música, além disso a cantora fará uma participação especial na gravação do próximo álbum do cantor e compositor Fineias Nelluty.

Zé Miguel – Foto: Aílton Leite

Zé Miguel

A frase “Eu não vejo graça em outras coisas como vejo em cantar”, pronunciada por Elis Regina no auge de sua carreira, expressa bem o jeito de ser desse ícone da musica amapaense.

Primogênito de uma família de 06 irmãos, Zé Miguel optou pela carreira musical desde muito cedo. Iniciou cantando em Igreja Evangélica. A voz bem afinada encantava os fieis e, em pouco tempo, o pequeno artista era um dos preferidos para subir ao púlpito da igreja.

Cresceu buscando realizar o sonho de se tornar um grande guitarrista. Paralelo a isso, começou a exercitar o hábito de compor suas próprias canções, inicialmente com a intenção de participar dos festivais da época, depois tomou gosto pela coisa e seguiu adiante.

Com uma carreira amadurecida e consolidada, Zé Miguel lançou seis Cds solo e um DVD. Já dividiu o palco com grandes nomes da musica nacional e internacional. Participou de shows em diversos estados Brasileiros e é, reconhecidamente, um dos maiores nomes da musica popular amapaense.

Assista ao vídeo sobre: 

Serviço:

Show: A Ponte
Artistas: Zé Miguel e Roseline Jersier Local. Norte das Águas
Data. Dia 04/05/2019
Hora. 22h30
Valor mesa. 150,00
Reservas. 981216999

Assessoria de comunicação

Projeto ‘TECNO BARCA’ abre inscrições para residência artística no Bailique

Até o dia 15 de Maio estão abertas as inscrições para a residência artística do projeto “TECNO BARCA – Um ateliê galeria itinerante sobre a terra das águas”, que acontece entre 19 e 30 de Julho no Arquipélago do Bailique. A iniciativa reúne artistas que residirão durante 12 dias na Vila Progresso, compartilhando seus processos criativos, oficinas e intercâmbios junto às comunidades ribeirinhas.

As obras e ações resultantes serão instaladas em um barco – a “Galeria de Arte Flutuante” – que nos últimos dias da residência navegará pelo arquipélago, atracando nas pequenas vilas e convidando os moradores a participar das exposições, exibições de filmes e performances.

O TECNO BARCA busca conectar artistas e comunidades em ações de troca de saberes, criação colaborativa e formação de redes, apresentando diversas possibilidades de inserção da arte no cotidiano e no aprendizado.

Chegando em em sua terceira edição em 2019, o projeto é uma iniciativa do artista amapaense Wellington Dias, como uma oportunidade para se reconectar com as raízes familiares e levar ações artísticas a um lugar que geralmente está fora do circuito cultural.

Segundo Wellington, “Tecno Barca foi um chamamento, uma inquietude, um projeto imaginado e que se dá no coletivo, nos relacionamentos, na disposição para o encontro, a troca, o silêncio e atenção ao tempo da floresta, ao ciclo das águas, às urgências cotidianas, causos nobres e memórias dos ribeirinhos”.

Através de diversas parcerias, o projeto cresceu e hoje é realizado pelos coletivos Frêmito Teatro e Bando Filhotes de Leão em cooperação com a Cia. Supernova e o Coletivo Tensoativo, grupos independentes dedicados a movimentar a cena cultural amapaense. Em 2019, alguns dos artistas de fora do estado do Amapá que participaram da primeira e segunda edição retornarão ao Bailique para dar continuidade aos seus processos artísticos em diálogo com as comunidades e paisagens do Bailique.

Além dos participantes que retornam ao arquipélago, o projeto selecionará cinco artistas locais – residentes no Amapá – podendo ser oriundos de diversas áreas como artes visuais, artes cênicas e audiovisual. A inscrição é realizada através de um formulário online disponível no blog do projeto [http://tecnobarcabailique.blogspot.com/].

Para se candidatar, cada artista deve enviar informações sobre o trabalho que desenvolve e uma breve carta de intenção. O projeto oferecerá translado de barco até o Bailique, hospedagem, alimentação e uma ajuda de custo para os materiais das propostas artísticas.

SERVIÇO:

TECNO BARCA III – Um ateliê galeria itinerante sobre a terra das águas
Inscrições para artistas locais: até 15 de Maio
Data da residência: 19 a 30 de Julho de 2019
Inscrições pelo link: http://tecnobarcabailique.blogspot.com/
Contato: [email protected] | (96) 98107-1972)

REDES SOCIAIS:
Frêmito Teatro: https://www.facebook.com/fremitoteatro/
Bando Filhotes de Leão https://www.facebook.com/bandofilhotes.deleao
Cia. Supernova: https://www.facebook.com/ciasupernova/
Coletivo Tensoativo https://www.facebook.com/tensoativo/

Galeria de arte Samaúma realiza exposição no Aeroporto Internacional de Macapá

Aberta no último dia (17), no Aeroporto Internacional, a exposição de arte “Alberto Alcolumbre” é composta por 17 grandes artistas, que apresentam 60 obras de diferentes técnicas e estilos no Espaço Cultural no saguão do 1° andar. Essa é a primeira mostra coletiva de artes plásticas após a inauguração do novo terminal de passageiros da capital amapaense.

A visitação pode ser feita enquanto o Aeroporto estiver aberto ao público. A iniciativa é promovida pela galeria de artes Samaúma.

Serviço:

Exposição Coletiva “Alberto Alcolumbre”
Período de visitação: de 17 de abril a 17 de maio
Hora: enquanto o Aeroporto estiver aberto ao público.
Local: no Aeroporto Internacional (Espaço Cultural no saguão do 1° andar).
Entrada gratuita
Realização: Galerias de artes Samaúma

Elton Tavares

Hoje rola Poesia Sonora com o poeta Herbert Emanuel

O poeta Herbert Emanuel ministrará, nesta quinta-feira (2), a partir das 19h, no Jardim Marielle Franco/Casa Circo, uma minioficina gratuita. Mais que uma aula, uma apresentação de Poesia Sonora. A entrada será franca.

Serviço:

Data: 02 de maio de 2019 – Hoje
Horário: de 19h às 22h
Local: Jardim Marielle Franco/Casa Circo
Endereço: Avenida Ernestino Borges, Nº 191, bairro do Laguinho.
Entrada: gratuita.

Festa “Não Era Isso Que Tu Queria?”

Desde que o mundo é mundo…A terra ficou plana e os discos voadores viraram retas aladas. E eu, fiquei perdido por aqui e me encontraram lá no Lontra. Não Era Isso Que Tu Queria?

Tu te enxerga melhor fora da ilha e isso que queremos. Nos ver e nos conectar em simbiose sonora com o bregoso marcante do norte feat, o rock psicadélico das montanhas do tumucumaque avec, experimentações sonoras de Macapetas, com inserções das batidas sonoras caribenhas, com infusão no tacacá aqui da beira do maior rio do mundo, empinando aquela rabiola.

Vivemos em um momento onde precisamos gritar para que nos ouçam. E fazemos isso microfonados aos cubos mágicos e amps interdimensionais. Que levam nossa mensagem as mais distintas duplas de orelhas.

Curtiu? Bora? Não Era Isso Que Tu Queria?

ATRAÇÕES

Stereovitrola AP
O Sósia
Romã
Maniva Venenosa
Indiegentes
#DjHipsterdoGarimpo

BAR

#BarLugardoCaralho
Salve Júpiter Maçã ó/
Copão de Itaipava 5$
Água 2$
Vinho 3$
Refri 3$

SERVIÇO:

Festa Não Era Isso Que Tu Queria?
Dia: 30/04/2019
Local: Avenida Padre Júlio s/n ((Sede da Maracatu da Favela))
Hora: 18h
Ingressos: R$ 10, 00
Informações 096 – 991913491
Realização [email protected] produções

Assessoria de comunicação
Texto: Manoel Fabrício
Artes por Rodrigo Santos

Projeto Palco Giratório traz espetáculo e oficina para o AP

O Sistema Fecomércio AP, por meio do Serviço Social do Comércio (Sesc), dá continuidade às ações do Programa Cultura, através do projeto Palco Giratório, com a apresentação do espetáculo “AQUELAS”, do Grupo Manada de Teatro da cidade de Crato/CE, no dia 30 de abril de 2019 às 20 horas, no Salão de Eventos do Sesc.

O espetáculo “AQUELAS” remonta a história de Maria de Bil, santa popular da cidade de Várzea Alegre-CE, que foi assassinada em 1926 pelo seu “companheiro”, transformada em mártir, e que até hoje é ícone de devoção do povo da região.

Já no dia 29 de abril, a partir das 15h, o grupo MANADA Teatro vai ministrar a oficina formativa “Te escrevo nossos corpos- Trânsito e corpos sensíveis”. Essa oficina/performance tem como objetivo a criação de uma teia de conflitos e provocações, através de exercícios sugestionados. A atividade será direcionada para o público de artistas e estudantes de teatro e terá carga horária de 6h.

Ministrante: Murillo Ramos
Número máximo de participantes: 20 pessoas
Local: Sesc Araxá
Classificação 16 anos
Inscrição: Sala de Cultura Sesc Araxá.
Investimento: 1 kg de alimento não-perecível.

Serviço:

Sesc Amapá
Marcel Ferreira – Assessoria de Comunicação e Marketing
Anézia Lima – Estagiária de Jornalismo
E-mail: [email protected]
Fone: (96)3241-4440 (ramal 235)
Cel/WhatsApp (96) 98407-9956

Poema de agora: Lundu – Luiz Jorge Ferreira

Pintura Danza Africana – Ivey Haies

Lundu

Macapá não é um lugar de morrer…Nunca ninguém morre em Macapá.
Ou desaparece, ou se encanta ou dobra as esquinas
Ou aparece um dia em forma de praça, grupo escolar, letra de samba,
Apelido ou uma rua qualquer resolvesse se chamar com o seu nome
Ou é visto de terno branco e peito em festa, espalhando sorrisos, em Paramaribo.

Cadê Pedro? Cadê Alípio? Cadê Fernando? Cadê Joca? Cadê “Lua”? Cadê Ipojucam? Cadê Oníria? Cadê Chembenga? Cadê Orlandina? Cadê Graça? Cadê Del? Cadê Oniria? Cadê Luiza? Cadê mestre Lauro Chaves? Cadê mestra Eulalie Brown? Cadê mestra Annie Vianna?

Zé Domingos, Maiãbuko, Querubins Blacks, Bilhas D’água vazias de tudo e cheias de nada. Puraqué sem luz, acastanhado, ladainha em Latim no Morro do Sapo.

Cadê? Cadê Sussuarana? Cadê Paulino? Cadê o bloco de meninos “Os Caçulas do Laguinho”? Cadê Lelé? Cadê Quelé? Cadê Biló? Cadê Seu Rô? Cadê Faustina? Cadê a noite na esquina e as louras do Curral das Éguas?

No Outono os cachorros latem atrás da sombra da lua, latem Samaracá.
A igreja ajoelha de manhã todos os dias.
Já cansou-se de rezar.

Os carapanãs bebem água da pia batismal
As libélulas sujas de sal, adoçam o sol

Cadê Munhoz? Cadê Zé Queiroz? Cadê Silva Luz? Cadê Sacuça? Cadê Sacaca?
Cadê Quincas? Cadê “Nossa Amizade”? Cadê “Morra a mãe”? Cadê Avulu? Cadê Mucuim? Cadê eu em mim e tu em nós?

Cadê os sóis desenhados no asfalto?
Cadê as mangas embrulhadas na saudade?
Cadê o Marabaixo? Mar a Baixo, sola de passos.

Cadê o vento com pitiú de peixe, de olhos arregalados, nus nos balcões do mercado? .
Cadê eu? Cadê tu? Franzinos feito meninos correndo desenfreados a galope atrás de pipas, também sem destinos…

Os dentes de leite marcando a trilha, os passarinhos trocando as penas, o Lóide como um urubu rugindo seus motores. A chuva banhando as flores.

E Deus lá na Fortaleza, com a face molhada pelos respingos d´água que o vento lhe atira, retirados do rio. Ri!

O tempo conversa em aramaico com a vida, talvez sobre lendas, talvez sobre vidas. Talvez sobre trovões roucos e relâmpagos azuis.

Eu converso comigo sobre mim. Um tapuio, um azougue, um espermatozoide afoito, um óvulo ímpar anão. Não sei de nada, não crio nada, não refaço nada, não planto mais que lágrimas, não colho mais que saudades.

Macapá não é paragem para alguém brincar de morrer. Anabu bubu, quem sai é nenhum!

Luiz Jorge Ferreira

*Luiz Jorge Ferreira é poeta e médico Macapaense criado no Laguinho, que atua em São Paulo. Ele também é vice-presidente da Sociedade Brasileira de escritores Médicos (Sobrames).

**Contribuição do amigo Fernando Canto.

28 anos sem Gonzaguinha

Hoje (29) é aniversário da morte (estranho estes termos juntos) do cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o “Gonzaguinha”, que morreu em um acidente automobilístico em 29 de abril de 1991, aos 45 anos, em Renascença (PR). Eu tinha 15 anos e lembro bem da notícia de sua morte.

São 28 anos sem o artista carioca, filho do lendário cantor e compositor Luiz Gonzaga (não biológico, mas registrado), o “Rei do Baião”, e Odaléia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil. É como dizia o próprio Gonzaguinha: “Venho de Odaléia uma profissional daquelas que furam cartão e de vez em quando sobem no palco; ela cruzou com meu pai e de repente eu vim”.

A mãe morreu de tuberculose aos 22 anos de idade, quando Gonzaguinha tinha somente dois anos, e o pai, por conta dos shows Brasil afora, o deixou com o padrinho Henrique Xavier – o baiano do violão das calçadas de Copacabana, do pires na zona do mangue no morro de São Carlos – e sua esposa, a madrinha Dina. “Foram eles que me criaram e por isso eu toco violão”. (Gonzaguinha)

Do pai, recebia o nome de certidão, dinheiro para pagar os estudos e algumas visitas esporádicas. Imerso no dia-a-dia atribulado da população, Gonzaguinha ia aprendendo a dureza de uma vida marginal, a injustiça diária vivida por uma parcela da sociedade que não tinha acesso a nada.

Gonzaguinha foi um dos melhores compositores de sua geração. Ele iniciou a carreira na década de 1960, no Rio, convivendo com artistas como Ivan Lins e Aldir Blanc. Com ambos fundou o Movimento Artístico Universitário (MAU). Em 1970, começou a participar de festivais.

O seu primeiro LP foi lançado em 1973. No mesmo ano, Gonzaguinha participou do programa Flávio Cavalcanti apresentando a música Comportamento Geral num dos concursos promovidos pelo programa. Na canção, ele alfinetava a atitude complacente e medrosa daqueles que abaixam a cabeça para tudo e para todos: “Você deve lutar pela xepa da feira / e dizer que está recompensado”. O júri do programa destruiu sua música e cobriu Luiz Gonzaga Jr. de ameaças. Um dos jurados o chamou de terrorista; outro sugeriu sua deportação.

Apesar de toda a perseguição, Gonzaguinha nunca deixou de divulgar seu trabalho: quer seja em discos, onde driblava os censores com canções alegóricas, quer seja em shows onde, além de cantar as músicas que não podiam ser tocadas nas rádios, Gonzaguinha não se continha e exprimia suas opiniões e sua preocupação com os rumos que a nação tomava.

Visceral e talentosíssimo, compôs músicas lindas e doídas, de tão fieis aos amores, dissabores e dores que sentiu. Seus maiores sucessos foram: “Grito de Alerta”, “Explode Coração ou Espere por mim, morena”, “Comportamento Geral (censurada)”, ‘Começaria Tudo Outra Vez”, “Lindo Lago do Amor”, “Redescobrir” (na voz de Elis Regina), “É” e “O Que É, O Que É”, “Recado”, “Eterno Aprendiz”, entre outras.

Em 2017 Gonzaguinha foi tema do carnaval da Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, com o enredo “É! O Moleque desceu o São Carlos, pegou um sonho e partiu com a Estácio!”.

Gonzaguinha casou três vezes e teve quatro filhos. Ele gravou 19 discos e vendeu milhões de cópias. Foi um gênio da MPB e símbolo da indignação com o sistema. Parte de sua história foi retratada no filme “Gonzaga – de pai para filho”.

O cara foi um símbolo de rebeldia e talento. Este post é uma pequena homenagem ao gênio da poesia. Valeu, Gonzaguinha!

Gonzaguinha e Gonzagão 1979 – Foto: Amicucci Gallo

Elton Tavares, com informações dos sites Memória da Ditadura, Musicaria Brasil e Mais Cultura Brasileira!

Hoje é o Dia Mundial da Dança

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Hoje é o Dia Internacional da Dança, uma das três principais artes cênicas da Antiguidade, ao lado do Teatro e da Música.

Criado em 1982, pelo Comitê Internacional da Dança da Organização das nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a data homenageia o mestre francês Jean-George Noverre (29/4/1727 – 1810), considerado o precursor do balé moderno, que sistematizou o seu método revolucionário, em um conjunto de cartas sobre esta manifestação artística, intitulado Letterssurladanse (amálgama de palavras, cujo significado é “cartas sobre a dança”).

Por feliz coincidência, a data é também a do nascimento de Márika Gidali, a revolucionária bailarina, nascida em Budapeste – Hungria, radicada em São Paulo, que, com Décio Oteo, fundou o Ballet Stagium em 1971, em São Paulo, que inaugurou no Brasil, em plena ditadura militar, uma nova maneira de se fazer e apreciar a dança.

Apesar de ser um grande perna de pau, admiro quem sabe dançar. Falando nisso, só Deus sabe o quanto sofri com as festas de escola, no auge na famigerada “Lambada”, era osso! Só de lembrar me dá asco.

Falo dos que sabem dançar o nosso Marabaixo, Samba, Salsa, Bolero, Balé, aquela parada que os russos dançam, Valsa, Dança de Salão, Break, Dança do Ventre e até o Forró (apesar de não ser tão fã do estilo, reconheço a importância dele para a cultura nordestina). Tango então? Apesar de achar os argentinos uns boçais, aquilo é bonito de se ver. Ah se é.

Lembro-me de uma antiga história da família, que é natural do município de Mazagão. Meus tios contam que o meu saudoso pai vinha para Macapá, nos anos 60, passar o fim de semana (ele era o mais velho de cinco irmãos) e voltava para a cidade natal dizendo que dançava Twist na capital, só para se gabar para as meninas de lá. O negão era figura mesmo.

Enfim, quem for de dança, que dance. E quem for de apreciar, como eu, tome sua cerva e observe. Tenham todos uma ótima semana. É isso.

Elton Tavares

Circo Ramito

O circo Ramito continua em Macapá, no Sambódromo, na Zona Sul de Macapá, a temporada circense na capital encerra neste mês de abril. Atrações como o globo da morte, palhaços, trapezistas, mágico, acrobatas e malabaristas fazem a alegria da criançada e também adultos.

Serviço:

Ramito Circo em Macapá
Horários: 20h30 (de segunda-feira à sexta-feira); 18h e 20h30 (sábados); 15h30, 18h e 20h30 (domingo e feriados)
Local: Estacionamento do Sambódromo (Rodovia JK)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10* (setor popular); R$ 30 e R$ 15* (área VIP)
*meia-entrada

Fonte: Repiquete no Meio do Mundo

Neste domingo (28), a Associação Teatral Boca de Cena apresenta espetáculo “Pecadores?”

A Associação Teatral Boca de Cena apresentará, neste domingo (28), a partir das 20h, no Espaço Cultural da própria companhia de teatro, localizado no bairro Zerão, a peça “Os Pecadores?”. O espetáculo é aberto ao público em geral. A única restrição é a faixa etária de idade, mínima de 16 anos.

Sinopse

Utilizando-se de linguagem contemporânea, o espetáculo teatral “Pecadores?” (texto: Dioleno Silva) dialoga sobre pecado e deleita-se nos erros humanos. Dois irmãos, duas diferentes opiniões sobre o mesmo assunto. O que é pecar? O que é o perdão? Cabe ao homem criar o seu próprio Deus ou deixa-se criar? São questionamentos naturalmente abordados no espetáculo.

Serviço:

Espetáculo “Os Pecadores?”
Local: Espaço Cultural da Associação Teatral Boca de Cena, localizado na Avenida Walter Jucá , Nº 785, no bairro Zerão (próximo à 2ª Arena)
Data: 28 de abril (domingo)
Hora: a partir das 20h
Entrada: franca.
Realização: Associação Teatral Boca de Cena
Contato: Raullyan Quintela – 96 99121-1041

Elton Tavares, com informações de Raullyan Quintela.

Cotidiano e gírias nortistas são temas do novo stand-up de Murilo Couto em Macapá

Murilo Couto volta a Macapá neste fim de semana — Foto: Anna Kumamoto

Por Carlos Alberto Jr

Um dos destaques do humor nacional, o comediante e roteirista paraense Murilo Couto volta a Macapá para apresentar o seu novo espetáculo solo intitulado “Gala Seca”. O show de stand-up acontece em 28 de abril no Teatro das Bacabeiras, no Centro da capital, a partir das 19h.

O título do stand-up faz referência a gíria paraense – também usada no Amapá – que é usada para falar de pessoas com comportamento patético e ridículo.

Narrando vivências, em especial na infância a juventude, Couto exemplifica ao público o que é ser um gala seca. Outras gírias nortistas como “axí”, “égua” e “espia”, estarão presentes no show.

Além dos palcos, o comediante também se destaca na televisão, internet e até na música – por meio de dois personagens rappers. A irreverência do humor nortista, pouco conhecido nas demais regiões do país, transformaram Couto num comediante de destaque nacional, chegando a disputar as etapas finais do prêmio “A Pessoa Mais Engraçada do Mundo”, promovido pelo clube de comédia americano Laugh Factory, em 2016 na Finlândia.

Em 2009, Couto fez parte do o primeiro grupo de stand-up comedy do Brasil, o “Comédia em Pé”. Os ingressos do espetáculo, não é recomendado para menores de 14 anos, estão sendo vendidos por R$ 60 e R$ 30 (meia) pela internet.

Serviço:

Stand-up Gala Seca, de Murilo Couto
Data: 28 de abril
Hora: 19h
Local: Teatro das Bacabeiras (Centro)
Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia)

Fonte: G1 Amapá

Última noite do IV Festival Curta Teatro: neste sábado (27), Companhia Panela D’Pressão apresenta peça ILUSÕES no Teatro das Bacabeiras

Neste sábado (27), a partir das 19h, a Companhia Panela D’Pressão apresenta peça ILUSÕES no Teatro das Bacabeiras. Será a última noite do IV Festival Curta Teatro, iniciado no último dia 25.

ILUSÕES – Cia. Panela D’Pressão – Sinopse:

Embalada pela certeza de que tudo é passageiro e que os atos podem mudar os caminhos da vida, uma mulher busca encontrar sua liberdade em meio ao caos social, a guerra psíquica e a morte. A cada passo, constantes ilusões invadem o seu SER, e neste cenário, o sonho de ser livre passa a ser desenhado, entre concretos, sangue, suor, perdas e lágrimas da alma.

Classificação: 12 anos

Atuação: Carla Serejo, Samara Sousa, João Mauro e Tainá Rabelo.

Direção: Sandro Brito
Dramaturgia: Cia. Panela D’Pressão.