Poema de agora: FOGO BRANDO – Pat Andrade

FOGO BRANDO

cortaram
sua existência
pela metade

no cartaz
mal escrito e tosco
a curta história de vida
em cada linha do rosto
um sorriso que foi roubado

o mundo virou-lhe
as costas
arrancaram-lhe
a dignidade
falta-lhe a cama
e a mesa
não tem endereço
nem identidade

o semáforo
lhe rouba o tempo

deixa o ponto
de mãos vazias
volta pra casa
a passos lentos
pensando na vida
sem jeito

hoje é mais um dia
em que vai cozinhar
apenas desespero

Pat Andrade

Poema de agora: Sobre Amigos – Pat Andrade

Sobre Amigos

amigos são como as estrelas…
ainda que não estejam perto,
podemos ver seu brilho
iluminando caminhos na noite escura.

amigos são como a água
que mata a sede no deserto,
lava o pobre maltrapilho
deixando o sujo de alma pura.

amigos são como o sol
ainda que encoberto,
aquece pai, aquece filho
e enche corações de ternura.

amigos são o nosso bem
essenciais e necessários.
aquele que não os têm
jamais entenderá o que falo.

Pat Andrade

Vídeopoema de agora: AMORTE – Ori Fonseca (declamação de Patrícia Andrade)

AMORTE

O amor, soterrado, agoniza e grita,
Ninguém o socorre, estão distraídos
Co’a pressa errante da vida finita,
Com seus devidos impostos devidos,
Enquanto o coração não mais palpita,
E as emoções definham sem sentidos.
O frio da solidão me faz cansado,
Não ouço os gritos do amor soterrado.
O amor, faminto, sai de porta em porta
Pedindo um sonho que lhe mate a fome,
Mas a fome do amor não mais importa,
Não existe o alimento que o amor come
Na veia que é sem sangue, na alma morta,
Num sentimento que não tem nem nome.
O frio da solidão gela o que sinto,
E eu ignoro a fome do amor faminto.
O amor, doente, dorme na calçada,
E come o pão que o diabo amassou.
A vida já lhe foi mais abastada,
Naquele tempo em que mais gente amou,
Mas tudo que era tudo agora é nada,
O doce, por ser doce, se acabou.
O frio da solidão é frio dormente,
Não sei sentir a dor do amor doente.
O amor, deprimido, sufoca o pranto,
Resmunga baixinho na noite alta,
O gozo da vida, que lhe foi tanto,
É tudo o que agora lhe faz mais falta;
O medo que assombra no escuro canto,
O assombro do medo que sobressalta.
O frio da solidão geme um ganido,
Sou surdo ao choro do amor deprimido.
O amor, natimorto, não verá o dia,
Não brincará na boca dos amantes,
Não sentirá o perfume da alegria
Nem os calores das paixões vibrantes;
E tudo enfim será paralisia;
Sem lua nem sol, sem depois nem antes.
O frio da solidão cala-me absorto,
E eu beijo a testa do amor natimorto.

Ori Fonseca – (declamação de Patrícia Andrade)

Poesia de agora: SOBRE AUSÊNCIAS – Pat Andrade

SOBRE AUSÊNCIAS

esses silêncios
insondáveis
esses hiatos
impenetráveis
te levam
pra longe de mim

essas curtas
ausências
essas pequenas
distâncias
me dão a medida
da tua existência

me desconcertam
me desconcentram
me deixam no vácuo
do sentimento

me arrasto pra ti
a passos lentos
me arrisco
em teus precipícios
e reinicio
o movimento

sem cansaço
liberto o brado

ecoo nesse vazio
ilimitado

PAT ANDRADE

Sobre Vivência é o novo livro virtual da poeta Pat Andrade

Sobrevivência é palavra de ordem nestes tempos. Sobre Vivência é o novo livro virtual da poeta Pat Andrade

Pat se assume como poeta amazônida, assina neste Blog a coluna Caleidoscópio da Pat, onde publica poemas e crônicas. Ela tem poesia e prosa publicadas em várias coletâneas; entre elas, podemos citar Jaçanã – Poética sobre as águas, da editora Pará.Grafo, de Bragança.

A poeta é também artista plástica, integrante do Grupo Urucum – um dos mais antigos coletivos de arte do Norte do país.

Este trabalho é o seu sexto livrinho virtual publicado durante a pandemia; traz poemas atuais e aborda temas do cotidiano – uma das marcas da poesia da Pat.

A poeta tem um jeito peculiar de comercializar seus livros. Cada pessoa que adquire um exemplar é que resolve quanto vai pagar por ele. Segundo ela, “o valor do livro está entre o que o coração manda e o bolso permite”.

Poesia de agora: AS JANELAS – Pat Andrade

AS JANELAS

estou trancafiada…
o teto é muito baixo
e achata os pensamentos

as paredes comprimem
minhas vontades
o corredor estreita
meus desejos
(que nem são tantos)

apenas as janelas da casa
são minhas aliadas.
elas libertam
meus pensamentos
deixam escapar
minha imaginação
(que se espreguiça
com os gatos)
pelos telhados

é pelas janelas
que grito e solto
minha poesia

PAT ANDRADE

Poesia de agora: Poema Desencanto – Pat Andrade

Poema Desencanto

perplexo paro
diante do desconhecido
realidade desconexa

me separo
de minha natureza
preparo minha reza

o desamparo
o desrespeito
o desencanto

seca a boca
queima o peito
cala o canto

Pat Andrade

Poema de agora: Luares e ilusões – Patrícia Andrade

Luares e ilusões

todas as noites
a lua nasce
dentro de mim
pra me inundar de ilusões

cavo buracos no quintal
pra esconder seus raios
que insistem em escapar
pelos meus poros

os olhos alheios
me evitam a todo custo
só pra não me verem brilhar

não me importo

saio pela cidade
a derramar luares
e crescer marés

escrevo poemas
tecidos de amores
desconcerto namorados
desabrocho flores
desapareço pelos mares

Patrícia Andrade

Vídeopoema de agora: Ana e Noite – Patrícia Andrade

Ana e a noite

ninguém duvidava;
era claro que Ana sofria…

mas quando a noite caía,
Ana simplesmente sorria…

banhava-se de felicidade,
arrumava os cabelos em festa,
e pintava-se de alegria…

daí por diante, minha gente,
só Deus é quem sabia

Patrícia Andrade

Poema de agora: Rima lógica – Pat Andrade

Rima lógica

Quando penso que sou única,
Me sinto mágica,
Me ouço música.
Quando penso que sou lúdica,
Me sinto sátira,
Me vejo lúbrica.
Quando penso que sou tácita,
Me sinto lépida,
Me faço cênica…

[…]

Quando penso que sou lógica,
Me sinto métrica
E me perco em rima.

Pat Andrade

*Entre no canal do Youtube da poeta e se inscreva, curta e acompanhe o trabalho de Patrícia Andrade. 

Poema de agora: O amor nosso de cada dia – Patrícia Andrade

O AMOR NOSSO DE CADA DIA

o amor não se acomoda
às segundas-feiras

não se recolhe
em dias de chuva
nem se tranca
em salas sombrias

o amor sai às ruas
dança todas as músicas
e flutua nas calmarias

o amor ama a amplidão
passeia de mãos dadas
e recolhe margaridas

às vezes corre
às vezes caminha
descobre estradas
se atreve à alegria

o amor ama o amor
nosso de cada dia

Patrícia Andrade

Poema de agora: anjo mau – Patrícia Andrade

anjo mau

não comia flores
mas exalava um perfume
estonteante

mal enxergava as cores
e reproduzia o vermelho
como ninguém

parecia feita de pétalas
de tão suave
que era sua pele

seus olhos pareciam
duas estrelas
e refletiam a lua

sua alma quando nua
era quase como
de uma criança…

mas irradiava veneno
derramava sangue
e cuspia vingança

Patrícia Andrade