Poema de agora: DELÍRIOS III – Pat Andrade

DELÍRIOS III

jardins surreais
flores de cristal
asas translúcidas
borboletas feitas de sonho

noites insólitas
estrelas de ouro
brilho de lua
caminhos de luz

vidas secretas
amores vadios
delícias adiadas
vontades guardadas

tudo é desejo
tudo é sonho
tudo é delírio

por toda a madrugada

tudo é por nada…

Pat Andrade

Poema de agora: DEIXA – Pat Andrade

DEIXA

deixa que eu
me embriague de poesia
que eu me atire
nos braços da musa

deixa que eu adormeça
esquecido do mundo
que não veja o fracasso
chegando aos tropeços

deixa que eu carregue
o peso da pena
sem a dor do esquecimento
sem a sina da mediocridade

deixa que o poema
me invada, me alimente e me fecunde
sem que eu me farte de empáfia
e me acomode na estante

deixa que o verso viva em mim
e que de mim parta
para inundar outros olhos
para habitar outros corpos
para encontrar novos portos

agora deixa…

PAT ANDRADE

Poema de agora: O mundo avesso dos amantes – Augusto Oliveira (declamado em vídeo por Pat Andrade)

O mundo avesso dos amantes

Que mundo era aquele
Onde existiu aquele Improvável beijo?
Não era o dos noticiários noturnos
Menos ainda o dos transeuntes soturnos
Noctâmbulos do cotidiano das ruas
Ou sonâmbulos com olhos taciturnos.

Então, que mundo era aquele
No qual um beijo improvável se permitiu
Mesmo que na contramão
Fora da lei,
Da gravidade,
Da cogitação?

Era o mundo paralelo
De beijos, de romances.
Dos amores vaticinados como impossíveis
Por isso, mais sedutores que o fascínio sedutor dos amantes.
Um mundo facultado,
Talvez por um semideus degredado
Concedendo aos loucos e aos poetas
um mundo avesso ao direito.
Um mundo-outro-mundo
Possível, porque devaneio
Provável, porque desatino
Tangível, porque, às vezes letra
Escrita indelével na outra boca.

Augusto Oliveira – (declamado em vídeo por Pat Andrade)

“delírios & subterfúgios”, o novo livro da poeta Pat Andrade, está disponível para aquisição em versão virtual. Compre e incentive a cultura local!

A poetisa, escritora e colaboradora deste site, que assina a seção “Caleidoscópio da Pat”, Pat Andrade, lança mais um livro virtual.

“delírios & subterfúgios” tem apenas 16 poemas. Todos autorais. A arte e diagramação do trabalho são também assinados pela Pat.

A intenção da poeta é arrecadar recursos financeiros nessa época de isolamento social, por conta da epidemia de coronavírus. Além, é claro, de divulgar sua poesia.

Há 21 anos em Macapá, a poetisa paraense escreve belos poemas, declama e edita ela mesma os seus livros. Em tempos normais, comercializa suas obras em eventos culturais, cafés, bares e restaurantes da capital amapaense, o que não é possível nestes tempos de Covid-19.

Sempre compro e recomendo o trabalho de Pat Andrade, de quem sou fã e tenho a honra de ser também amigo.

Eu já tenho o meu “delírios &subterfúgios”. Corre, fala com a Pat, e adquire o teu exemplar virtual. A cultura agradece.

Poema de agora: Sobre Amigos – Pat Andrade

Sobre Amigos

amigos são como as estrelas…
ainda que não estejam perto,
podemos ver seu brilho
iluminando caminhos na noite escura.

amigos são como a água
que mata a sede no deserto,
lava o pobre maltrapilho
deixando o sujo de alma pura.

amigos são como o sol
ainda que encoberto,
aquece pai, aquece filho
e enche corações de ternura.

amigos são o nosso bem
essenciais e necessários.
aquele que não os têm
jamais entenderá o que falo.

Pat Andrade

Poema de agora: DE QUE VIVE O POETA? – Pat Andrade

DE QUE VIVE O POETA?

O poeta vive de cisma
E da própria rima;
vive de dores
E alheios amores.
O poeta vive de frases feitas
E da vida nada perfeita;

vive de versos
e de outros universos…
O poeta vive de desespero
E do lamentável erro;
Vive do engano

E sem nenhum plano
O poeta vive de teimosia
E da própria poesia.

PAT ANDRADE

Poema de agora: Papo de Passarinho – Pat Andrade

Papo de Passarinho

era um lindo passarinho;
vinha sempre à janela
e cantava sem parar…
comprei-lhe uma enorme gaiola
e o convidei a entrar.

ele ficou tristonho
e desviou o olhar…

o que houve, passarinho?
não queres ter um lar?
terás sempre água, comida
e uma grande e bela casa!

me responde o passarinho:
nada é grande o suficiente
para quem nasceu com asas!

PAT ANDRADE

Poema de agora: CHECK OUT – Pat Andrade

CHECK OUT

trago um grito impossível
de algo não dito
trago memórias refeitas
de um dia esquecido

tenho a garganta ferida
e os dedos quebrados
do meu eu antigo

tenho os joelhos ralados
e os pés calejados
por rastejar contigo

já não quero essa dor
já não quero esse fardo
já não quero esse grito

agora quero ser leve
quero flutuar
preciso voar
alçar o infinito

não sei se quero voltar
e já não te levo comigo

PAT ANDRADE

Poema de agora: AMOR DE MARÉ – Pat Andrade

Arquipélago do Bailique – Foto: Max Renê

AMOR DE MARÉ

sinto soprar na pele
um vento leve
cheirando a rios e florestas

enquanto a canoa
desliza suave
na superfície da memória

me transporto
praquelas tardes
douradas do Bailique

Arquipélago do Bailique – Foto: Max Renê

atraco nesse porto
guiada pelo rastro de luz
que reflete sobre as águas

sou arrastada
pelas redes enfeitadas
de peixes e mururés

com meu olho preso
no dorso âmbar
de um caboclo tucuju

Arquipélago do Bailique – Foto: Max Renê

mergulho fundo
nesse amor manso
impregnado de marés

Pat Andrade

Poema de agora: DILIGÊNCIA NOTURNA – Pat Andrade

DILIGÊNCIA NOTURNA

nas noites sem sono

tento tecer poemas
feitos de alvoradas
de mesas de bar
de palavras embriagadas
de madrugadas desfeitas

tento tecer poemas
de olhares distantes
de toques ausentes
de bocas sedentas
de amores imaginários

tento tecer poemas
de mãos quentes
de beijos doces
de leitos perfeitos
de finais felizes

tento tecer poemas

Pat Andrade