Poesia de agora: PARA O POEMA – Patrícia Andrade

PARA O POEMA

aqui dentro da gente
o poema inquieta
desassossega
mas não sai

é necessário
a tristeza completa?
é preciso a angústia
habitar o poeta?

não precisa ser assim
não precisa da dor lírica
não precisa da aflição
e também é dispensável
o desespero da solidão

para o poema bastaria
uma serenata ao luar
ou uma canção popular

para o poema bastariam
os cabelos molhados de chuva
a boca úmida de desejo

para o poema bastaria
o orvalho da noite
o vento alegre
na folhagem

para o poema bastaria
uma manhã de sol
a tinta azul
a se espalhar pelo dia

bastaria para o poema
despertar do pesadelo
da folha em branco
deixar fluir a utopia

escrever rios de amor
navegar uma paixão
e desaguar em poesia

Patrícia Andrade

Poema de agora: DE POESIA E VIDA – Patrícia Andrade

DE POESIA E VIDA

me fiz poeta
para saciar o desejo
de tocar o íntimo das coisas
que não posso ver

me fiz poeta
para permitir
que a escuridão me envolva
sem que eu jamais possa
errar o caminho de volta

me fiz poeta
pra me entregar
aos pecados do mundo
sem temer a dor
da penitência

me fiz poeta
para me atirar livremente
dos mais altos penhascos
sem o medo da queda

me fiz poeta
para morrer um pouco
a cada poema
e renascer de novo
a cada dia

Patrícia Andrade

Está pronto PORQUE NEM TALVEZ: o quinto livrinho virtual da poeta Pat Andrade

A poeta amazônida é colaboradora do Site De Rocha!; tem poemas publicados na coletânea Jaçanã – Poética Sobre as Águas, na Revista LiteraLivre, na Agenda Cultural e em outras coletâneas editadas durante a pandemia. Seu trabalho é estudado por acadêmicos do curso de Letras da Unifap e em escolas da rede pública estadual do Amapá e do Pará. Pat divulga seu trabalho autoral, há mais de 13 anos, em publicações que ela mesma produz.

Nestes tempos de pandemia, reinventou a maneira de mostrar sua poesia, fazendo vídeos ao vivo e editando livros em PDF. São cinco ao todo. O mais recente, PORQUE NEM TALVEZ, já está circulando pelas redes.

Os livros virtuais, além de serem a principal ferramenta para divulgação de seu trabalho como poeta, também são sua fonte de renda. E a maneira como ela vende seus livros é peculiar: cada exemplar custa apenas o que você quiser/puder pagar por ele. Costuma dizer “que o valor do livro está entre o que o coração manda e o que o bolso permite”.

Então, aos que quiserem/puderem adquirir, façam contato pelo Whatsapp: (91)99968-3341. Você faz o contato. Ela te envia o livro. E em tudo há poesia.

Poema de agora: Filosofia barata – Pat Andrade

Filosofia barata

organizar as ideias
em ordem alfabética
e arrumar na estante
para quando precisar

essa a prioridade
do homem que sonha
do indivíduo que escreve
que faz poesia

imaginar o que sente
o eletricista
adivinhar o que pensa
o carteiro
divagar sobre morte e vida

arriscar a sorte na loteria
pagar a conta de luz
(mesmo sem energia)
dez por cento para jesus

oferta canalha
promessa vazia

Pat Andrade

Poema de agora: Despertar – Pat Andrade

DESPERTAR

a chuva escorre em mim
borra o batom carmim
pintado na boca molhada

descarto planos de fuga
rasgo mapas sem trajetos
redesenho alegrias

resgato o desejo de vida
desperto a esperança
que julguei perdida

em silêncio agradeço
enquanto adormeces
nos meus braços

Pat Andrade

Poema de agora: LEVEZA – Pat Andrade

LEVEZA

ela corta corações
às oito da manhã
e leva o café na cama
tem o passo leve
só porque ama

ela faz orações
pede e clama
sempre à flor da pele
cede, acalma, reflete
tece lenta trama

ela canta canções
acende a chama
quando se revela
é luz, é brilho, é bela
é amor que se derrama

Pat Andrade

Poema de agora: Sintonia – Pat Andrade

SINTONIA

tua boca bonita
se encontra com a minha
e falamos essa língua
do amor em sintonia

tua mão em concha
se encaixa exata
no meu seio
se perde e se acha
em lento passeio

teu colo
me acolhe inteira
relaxo e me deito
no teu abraço
me encaixo, deleito

meu coração bate
mais forte e certo
no lado esquerdo
do teu peito

Pat Andrade

Poema de agora: SOBRE AUSÊNCIAS – Pat Andrade

SOBRE AUSÊNCIAS

esses silêncios
insondáveis
esses hiatos
impenetráveis
te levam
pra longe de mim

essas curtas
ausências
essas pequenas
distâncias
me dão a medida
da tua existência

me desconcertam
me desconcentram
me deixam no vácuo
do sentimento

me arrasto pra ti
a passos lentos
me arrisco
em teus precipícios
e reinicio
o movimento

sem cansaço
liberto o brado

ecoo nesse vazio
ilimitado

PAT ANDRADE

Poema de agora: Outra prece – Pat Andrade

Outra Prece

pelo olho mágico
observo o trágico fim
daquilo que está
ao redor de mim

pela fresta da porta
aprecio a festa insana
de um mundo cretino

me recolho me guardo
me escondo me afasto
dessa gente nefasta
que gasta seu tempo
a me rogar praga

no escuro calada
faço uma prece
e chorando peço
que essa loucura cesse

que essa gente vil
volte para a puta que a pariu
que essa gente me esqueça
que simplesmente desapareça

Pat Andrade