Alegria é lei – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Noite de Carnaval, uma das Mil e Uma Noites de Carnaval, e eu diante da televisão. Em retiro espiritual? Nem tanto. Estava olhando as bundas rebolativas maravilhosas, reais e artificiais, que desfilavam nos sambódromos e passarelas deste carnavalesco Brasil.

Meu programa de folião se resumia a isso. Mas, depois que a exuberância bundística cansasse meu tarado, porém inofensivo, olhar, eu iria me entregar ao resto do programa: um bom livro e uma xícara de chá, embaixo do meu solitário edredom. O Rei Momo dominava o resto do Brasil e só eu me encontrava enclausurado nesta ilha que é o meu quarto. Que maravilha!

Mas ei que a campainha tocou. Quem estaria a estas horas longe da esbórnia cívica nacional? Abri a porta e me deparei com um pierrô, uma colombina, um arlequim, um pirata do Caribe, um sheik e cinco Fridas Khalo, que este ano estiveram em alta, disparadas na preferência de muitas pessoas. E tinha também um delegado de polícia. O delegado era delegado mesmo, não uma fantasia. E foi ele quem falou pelo grupo:

– Boa noite, cavalheiro! Viemos informar que o senhor está infringindo vários artigos do Código Civil. Onde já se viu uma coisa dessas?

– Mas o que foi que eu fiz?

– A questão não é o que o senhor fez e, sim, o que o senhor não fez!

– E o que foi que eu não fiz?

– O senhor, em pleno período de Carnaval, neste país, que é, nada mais nada menos, que o País do Carnaval, está recolhido aos seus aposentos. Os seus vizinhos, aqui representados por estes cidadãos, que prezam as tradições do lugar em que vivem, exigem que o senhor troque esse pijama por uma fantasia qualquer, o seu chá por uma bebida alcoólica e o seu livro por um adereço de mão. E venha para a rua pular, cantar, festejar a alegria e a liberdade de um país que decreta feriado nacional, universal e intergalático para que seus filhos possam se jogar, sem temor, nos braços da felicidade.

O grupo de foliões aplaudiu o delegado, que estufou o peito em resposta, muito satisfeito de seu discurso. Eu protestei:

– Já que o senhor falou em liberdade, será que uma pessoa não é livre para escolher se quer participar das festas? Assim como as pessoas que aqui estão têm o direito de dançar, eu tenho o direito de não dançar, de ficar no meu canto sossegado e….

O delegado, que procurava algo para me incriminar, me interrompeu:

– Aí é que está, cidadão! O senhor está sossegado no seu canto. Os seus vizinhos afirmam que o seu silêncio está atrapalhando o barulho que eles estão fazendo com tanta dedicação!

Aí foi que eu me confundi mesmo! Já sem força, nem raciocínio, para protestar contra aquele absurdo, me limitei a perguntar, já procurando minha carteira para uma providencial propina:

– E o que devo fazer para reparar esse dano?

– O senhor escolhe: pagar uma multa altíssima, ser recolhido ao xadrez ou cair na folia com seus semelhantes.

Escolhi a última opção. Vocês viram um folião todo desajeitado por aí? Era eu.

Bloco do Abel quer arrecadar 3 toneladas de alimentos no carnaval


Por Cássia Lima

O Bloco do Abel tem uma meta ousada para este ano. Com três anos de fundação, o grupo carnavalesco pretende arrecadar 3 toneladas de alimentos durante o carnaval. A proposta é promover eventos para juntar recursos e ajudar a necessitados. A grande festa do bloco está marcada para o dia 12 de fevereiro.

O bloco foi criado por amigos para homenagear o jovem Abel, de 27 anos, que tem autismo. Eles queriam fazer a rotina do jovem mais normal e com atividades físicas e culturais. Desde então, são três anos de folia e doação ao próximo.

Segundo a presidente do Instituto Recomeço, Marciane Santos, este ano o bloco vai doar os alimentos não perecíveis para entidades do município de Santana, a 17 quilômetros da capital amapaense.

Os alimentos serão para moradores do aterro sanitário, e atendidos pelos projetos Resgate Mirim e Nossa família, instituição Padre Piamarta e abrigo de idosos da Casa da Hospitalidade. Em Macapá, as entregas serão feitas à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

A venda dos abadás acontece no Garden Shopping, na Zona Sul de Macapá. O primeiro lote custa R$ 30. A folia será no dia 12 de fevereiro, e haverá também programação no shopping.

Para mais informações, o telefone é (96) 99158-0564.

Fonte: SelesNafes.Com

‘Cãocurso’ de fantasias vai animar carnaval para pets em shopping de Macapá

Concurso de fantasia é uma das atrações do ‘Carnapet’, em Macapá (Foto: ONG Anjos Protetores/Divulgação)

Por Carlos Alberto Jr

Os pets terão uma festa especial para eles neste carnaval, em Macapá. A programação acontecerá no domingo (11), em um shopping da Zona Sul, com “Cãocurso” de fantasia, para eleger o rei e a rainha da folia. A edição de 2018 do “Carnapet” inicia às 17h e promete divertir donos e animais.

“Dividimos o ‘cãocurso’ nas categorias macho e fêmea. O rei e a rainha pet deste carnaval vão ganhar um kit de banho completo. Os segundos e terceiros colocados ganharão brindes. Essa é a única atividade paga da programação”, explicou Laudenice Monteiro, presidente da ONG Anjos Protetores, que organiza o evento.

Criatividade e simpatia são alguns dos critérios na escolha dos vendedores. A coordenação também reforça o pedido para que os donos não exagerem na fantasia, porque o conforto do bichano também é um dos critérios avaliados.

O evento gratuito vai ser realizado em uma área climatizada. Além da reunião entre donos e pets, a folia também terá venda de acessórios, cuja renda será destinada para a construção de um abrigo para a ONG Anjos Protetores.

Serviço:

‘Carnapet’ 2018
Data: 11 de fevereiro (domingo)
Hora: 17h
Inscrição no “Cãocurso”: R$ 5 por pet
Local: Amapá Garden Shopping, na Rodovia JK
Entrada gratuita

Fonte: G1 Amapá

Sem Carnaval, a dispersão veio antes do desfile que nunca virá e todos ficamos parados na ala de palhaços tristes

Não sou dado a dar murro em ponta de faca, mas não sei ficar em silêncio diante de absurdos. Até tentei não escrever nada sobre isso, mas esse papo de lembranças do Facebook todo dia me lembra das notícias do Carnaval passado e anteriores a ele. Ainda mais que divulguei todas matérias da Tica Lemos e do meu Piratão. Triste ver como foi em 2016, 2017 e saber que 2018 será igual: sem desfile das Escolas de Samba.

Certa vez, a Alcilene comentou que está faltando alegria em janeiro. Está mesmo, sem os ensaios, a batucada e a alegria nas quadras das escolas de Samba. É, esse ano não teremos desfile, não teremos Carnaval.

A indisponibilidade financeira do governo amapaense para investimento no orçamento das escolas de samba e restante da programação carnavalesca”. É, todos sabemos o motivo. Mas a crise já tá aí tem tempo.

E é preciso que fique claro: sou do partido dos sem partido. Não quero que esse desabafo seja usado pelas fileiras da massa de manobra, que apontam erros dos outros e não admitem os próprios. Mas é como disparou Fernando Canto: “fazem carnaval o ano inteiro e na hora do povo, negam“. Difícil de entender. Mais difícil ainda é ver a passividade como isso foi aceito.

O Carnaval é a maior alegria do povo. E nem me venham com o lance de “pão é circo”, isso é argumento furado de quem não entende que essa é a maior festa popular do Brasil.

Cheio de memória, arte, homenagens, é muito mais que uma disputa de agremiações em uma grande passeata festiva. O Carnaval é inspiração, vibração, talento, organização, imaginação, arte, luz, cores, alegria, magia e amor. Fala de nossos costumes, história e tradições. Um contagiante evento de luz, cor e muita alegria. Sem falar na rentabilidade. Não tê-lo, é sofrer de desamor.

Sem carnaval, a dispersão chega, mas o desfile que nunca virá. Infelizmente, todos nós, amantes da festa, acabamos saindo em uma grande e unificada ala de palhaços tristes. É isso.

Elton Tavares

*Texto republicado pelo terceiro ano seguido. 

Música de agora: “QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO”

“QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO”
Autores: Fadico, Jorge Aila e Clovis Jr.
Intérprete: Ademar Carneiro

Chegou Piratão… Quem Vai Segurar
A Nossa Aliança Ninguém Vai Quebrar
Sem Ponto Final É a Comunidade
Da Zona Sul Amarelando Essa Cidade
Era Uma Vez
Num Reino Encantado no Meio do Mundo
“Monteiro” Contou Uma História
Que Me Despertou Um Amor Mais Profundo
O Sonho Não Era Ilusão, de Corpo e Alma Piratão
Eu Sou…
História Viva Desse Meu Lugar
Vem Que a Batucada Vai Te Encantar
Num Mundo de Fadas Madrinhas, Heróis Sem Vilões
Sabugo Falante, Boneca de Pano Que Fascinação.
A Minha Cadência Balança Meu Bem
Madrasta Perversa Não Pega Ninguém
Maçã Sem Veneno, Bruxa Sem Maldade
Na Nossa Barca É Paz, Amor e Felicidade
Quem Dera Ser Criança Novamente
Poder Plantar Um Sonho na Minha Mente
Fantasiar a Todo Instante
Poder Buscar Um Tesouro Tão Distante
Um Príncipe Encantado Despertando a Cinderela
Ver a Bela e a Fera Bailar Na Passarela
Quem Conta Um Conto Se Torna Imortal
Eternizado No Meu Carnaval
Chegou Piratão… Quem Vai Segurar
A Nossa Aliança Ninguém Vai Quebrar
Sem Ponto Final É a Comunidade
Da Zona Sul Amarelando Essa Cidade

*Samba campeão em 2015, no último Carnaval de Escolas de Samba no Amapá. Saudades! 

Carnaval: III Guará Folia arrasta multidão nesta sexta-feira

Nesta sexta-feira, 9, tem o III Guará Folia, que vai arrastar foliões pelas ruas do Centro e do Laguinho, atrás do trio elétrico sob o comando de Taty Taylor e Banda Babilônia.

O evento é da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho (AUSBL), e foi criado pela diretoria para reunir a comunidade que brinca o carnaval, no fim de semana em que teria os desfiles das escolas de samba em Macapá.

O circuito do Guará Folia inicia na Praça da Bandeira, com concentração a partir das 18h, e segue até o Theatro do Samba, sede de Boêmios, onde encerra com a apresentação da bateria Pororoca e comissão de frente.

O vale abadá pode ser comprado no Theatro do Samba (Sede da agremiação), no valor de R$ 25,00 (meia).

Serviço:

III Guará Folia
Data: 9 de fevereiro
Concentração: Praça da Bandeira às 18h
Encerramento: Theatro do Samba
Endereço: Av. Geral Osório, 575, Laguinho.

Adryany Magalhães
Assessoria de Comunicação – AUSBL
Contato: 99144- 5442

5ª edição da festa “Quanto Riso, oh! Quanta Alegria”: baile de carnaval do Caos promete uma festa inesquecível

Por Delleon Sampaio

O Espaço Caos – Arte e Cultura promoverá o tradicional baile de máscaras no dia 10 de fevereiro às 18 horas, em Macapá. Na 5ª edição, o baile “Quanto Riso, oh! Quanta Alegria” contará com artistas locais, que vão do rock às tradicionais marchinhas de carnaval.

O baile já é tradição em Macapá e é uma oportunidade para os amantes da cultura alternativa. “O baile de carnaval do Caos é uma experiência linda e livre”, disse João Matos, frequentador das últimas edições da festa.

Caos é composto por seis grupos independentes do Amapá, onde desenvolvem atividades ligada a música, fotografia, audiovisual, quadrinhos e grafite. O local é sede dos grupos Coletivo AP Quadrinhos, Clube de Cinema, Fotógrafos Anônimos, Festival Imagem-Movimento, Liberdade ao Rock e 100ID, que decidiram ter a experiência de sustentar um espaço para produzir e fomentar o cenário cultural amapaense.

Serviço: 

Baile Quanto Riso, oh! Quanta Alegria 5ª edição
Data: 10 de fevereiro
Local: Espaço Caos – Rua Leopoldo Machado 4004. Bairro Beirol, 68902-020 Macapá
Hora: 18h
Entrada: R$ 8,00

Fonte: A Gazeta

Juizado da Infância de Macapá proíbe participação de crianças de até 7 anos no bloco “A Banda”

Menores de sete anos não poderão participar do bloco Carnavalesco A Banda. É o que determina a Portaria 001/2018 assinada pelo titular do Juizado da Infância e Juventude da Comarca de Macapá – Área de Políticas Públicas e Execução de Medidas Socioeducativas, juiz Luciano Assis, que regulamenta a participação de crianças e adolescentes em festas de Carnaval.

Em reunião ocorrida na manhã de quarta-feira, 7, no comando geral da Polícia Militar do Amapá com a participação de vários órgãos ligados às áreas da segurança pública e a coordenação do bloco carnavalesco, ficou definido que o Juizado terá dois pontos fixos de apoio para a instalação de bases para atendimento das ocorrências. Em um deles ficará o ônibus e no outro a Van da Vara da Infância e Juventude.

“Nossa maior preocupação é com a exposição demasiada de menores na quadra carnavalesca, principalmente quando há um alto consumo de bebidas alcoólicas e conflitos. Na Banda não é diferente, por isso deixamos claro: menor de 7 anos não pode estar dentro do percurso da Banda”, advertiu o juiz Luciano Assis.

Ainda de acordo com a portaria, a participação de crianças entre 7 e 12 anos no referido bloco, inclusive em cima dos trios, só com a presença dos pais ou responsáveis. As situações em que se exige alvará e as regras para entrada e permanência de menores em bailes carnavalescos e nos desfiles constam na mesma portaria.

Assessoria de Comunicação Social

Baile de Carnaval busca recursos para reforma e ampliação da Igreja de N.S. Aparecida

A comunidade da Igreja Nossa Senhora Aparecida realiza nesta sexta-feira, 9 de fevereiro, o 2° Baile de Carnaval. A programação marcada para as 21h30, acontecerá na quadra da igreja São Benedito, no bairro Laguinho e busca arrecadar recursos para reforma e ampliação da igreja.

A festa à fantasia terá como atrações o cantor Reginaldo Nunes, a Banda Los Manos Elétricos e bateria da escola de samba Boêmios do Laguinho. O baile terá ainda sorteio de brindes surpresas e irá premiar a melhor fantasia.

As vendas de ingressos e mesas estão disponíveis nas secretarias das igrejas São Benedito e Nossa Senhora Aparecida. Informações pelo número 3223-0170.

Asscom Igreja de N.S.Aparecida
Luana Isabel
Contato: 99204-5544

População em situação de rua tem baile de carnaval promovido pela Prefeitura de Macapá

Com confetes, serpentinas e muito brilho, a Prefeitura de Macapá promoveu nesta quarta-feira, 7, o II CarnaPOP para pessoas em situação de rua que utilizam os serviços da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Trabalho (Semast). A atividade lúdica teve como objetivo tratar da importância de associar diversão com responsabilidade.

Os usuários participaram do concurso pirata mais alegre. O evento contou com atração musical Kássia Karoline, que embalou o baile com vários hits do carnaval. Também houve palestra informativa sobre prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e distribuição de kits com preservativos, entregues pelas técnicas do Consultório na Rua, da Secretaria de Saúde.

“Eu era atendido em outro espaço do poder público, mas o tratamento não era como é aqui no Centro POP. Somos respeitados, temos nossa dignidade resgatada e recebemos todo apoio necessário para termos uma nova chance na sociedade e dentro do seio da nossa família. Essa festa está maravilhosa”, relatou Bernardo Silva.

“A gestão municipal não tem medido esforços para dar oportunidades a essas pessoas que perderam o vínculo afetivo com as famílias. A gente trabalha para que elas possam sair das ruas e voltem a ter uma referência além do Centro POP”, enfatizou o titular da Semast, Lucas Abrahão. Na festa, foi comemorado também o aniversariantes do mês.

O Centro POP

É a unidade de referência de atendimento especializado à população em situação de rua, que tem a finalidade de assegurar acolhimento e atividades direcionadas ao fortalecimento de vínculos interpessoais e/ou familiares para a construção de novos projetos de vida. Também agiliza encaminhamentos necessários, como, por exemplo, a documentação pessoal e a inclusão em programas sociais, como o Bolsa Família. Além de tentar estabelecer o contato com as famílias dessas pessoas que se encontram desamparado. O Centro POP está localizado na Rua Cândido Mendes, n° 430, Centro, ao lado do Super Fácil e funciona das 8h às 14h.

Lilian Monteiro
Assessora de comunicação/Semast
Contato: 99903-5888

Das Batalha de Confetes, desfiles na Fab, bailes de salão, sambódromo, ao carnaval de 2018 – Crônica de @MarileiaMaciel republicada)

com amigos da Mãe Luzia

Crônica de Mariléia Maciel

Na ala de EmíliasAcho que o primeiro som de surdo, escutei entre 7/8 anos, tocados por brincantes de Piratas Estilizados e Boêmios do Laguinho. Lembro dos ensaios na sede dos Escoteiros, e cheguei a pular carnaval nas batalhas de confetes, descendo a Cândido Mendes, no meio da garotada da minha rua, encharcados de suor e com confetes grudados no rosto. O desfile na Fab, eu assistia da arquibancada, até começar a sair na minha primeira escola, Piratinhas, onde meus amigos da vizinhança se juntavam pra desfilar, primeiro crianças animadas, depois, jovens assanhados.

Dos carnavais de salão também tenho ótimas recordações. Papai sempre gostou de folia, mas preferia bailes de salão, na antiga APA, associação de professores, onde comprava a temporada. Nessa época, me restava o baile infantil, que eu frequentava também do Círculo Militar e outras sedes que promoviam os maravilhosos bailes de salão. Alguns anos depois, ainda menor de idade, eu entrava nos bailes de adulto com minhas irmãs e primas, mentido que esqueci a carteira, aproveitando a distração ou a piedade dos porteiros, comovidos com minha mentira. Uma vez mBoêmios dloe escondi fantasiada no porta-malas do chevette da minha irmã, e esperei muito tempo a fila interminável de carros, toda enrolada, até que chegamos no escuro do estacionamento e desci fedendo a gasolina. O problema era pra entrar, o problema era me esconder quando a polícia passava olhando os documentos, mas estes problemas eram esquecidos, quando eu entrava no salão.

Fiz parte da primeira ala coreografada destas bandas, acho que em 1989, ensaiada no meio da rua, pelo Heraldo Almeida, com cabos de vassoura imitando as lanças indígenas. Passávamos a tarde catando “tento” verde na frente da igreja São Benedito, para fazermos colares, que tinham ainda penas tiradas das galinhas criadas nos quintais. Baile com amigosNo Estilizados, os ateliês de fantasias eram montados nas casas. A ala dos meus amigos era costurada no pátio da dona Dometila, e todo mundo ajudava, pregando lantejoula, colando adereços. Na casa dos “Thunders Cats” também funcionava uma central de costura, e foi lá que inventamos de enfeitar com pedaços de espelho, a fantasia (de novo) de índio, e colocar na costa um mato que pegamos nos campos do Curiaú. No final desse desfile, quem não saiu cortado dos espelhos colados na saia indígena, terminou com coceira do mato, que se desfez com a chuva. Era muito improviso, na hora a gente tinha uma ideia e colocava em prática da maneira mais simples possível.

Transmissão de carnaval 2009Depois os bailes de carnaval sumiram, e veio o Sambódromo, obrigando à profissionalização da festa, que custava caro, e recebia investimentos públicos, por todos os atributos que agregava, do turístico ao comercial e diversão popular. Vieram os blocos de bairro, e eu aderi sem fazer força, ao kubalança, Filhos da Mãe Luzia, Tia Fé, e quantos mais tivessem ao meu alcance. Fui cortejada pela Nação Negra, e cedi aos seus encantos, mas mantive o respeito pelo Piratinhas, agora Piratas Estilizados. O carnaval também se aproveitou de mim, e eu dele, para o trabalho, e assessorei a Liesa, e também a Nação Negra. Delícia dCom meus filhose trabalho, diversão e dinheiro. Sempre gostei da rixa divertida e colorida entre as escolas, alimento meu estoque de histórias. Aproveito o carnaval o quanto posso, e minha família me acompanha, assim como meus amigos, os mesmos de todo ano, e outros novos que sempre chegam.

Mas neste ano, esta alegria se apagou um pouco, com o anúncio da não realização do carnaval de escolas de samba. É um sentimento de traição e covardia. Porque deixamos chegar neste ponto? Porque isso com a única festa em que todo mundo participa sem medo de preconceito?Boêmios do Laguinho É a festa onde negros e mulatas, gente das baixadas e favelas, do funk, do rock e quadra junina, os que bebem sujos nas esquinas de botecos, os que só trabalham neste período, não recebem olhares de preconceito; é a festa onde os homens que se vestem de mulher não são espancados, nem as mulheres que se vestem de homens; onde sair na rua vestido de Tarzan traz risos de alegria, e um adulto com chupeta na boca não parece ridículo.

Mas não tem volta, não tem jeito, não foi a primeira vez, e provavelmente, se não fizermos nada, não será o último ano que não terá o carnaval completo. Vamos pra Banda, bailes, batalhas de confetes, atrás dos trios, vamos botar os blocos nas ruas, colorir a cidade. Não podemos deixar que nossa principal diversão popular, fique somente nas lembranças, vamos brincar, mas vamos trazer de volta nosso carnaval de escolas de samba.

*Crônica de 2016, republicada. 

Bloco em Macapá aproveita carnaval para combater intolerância religiosa e o racismo

Bloco ‘Afoxé Filhos de Zambi’ quer mobilizar mais de 600 brincantes no dia 10 de fevereiro (Foto: Bloco Afoxé Filhos de Zambi/Divulgação)

Por Carlos Alberto Jr

Com o intuito de proporcionar um carnaval de paz, união e sem preconceitos, o bloco “Afoxé Filhos de Zambi” vai desfilar nas ruas do Centro de Macapá pela segunda vez. O bloco vai desfilar no dia 10 de fevereiro, com concentração na Praça da Bandeira, a partir das 16h. São esperados mais de 600 brincantes.

Zambi significa “Cidade de Deus” ou “Deus Universal” e a escolha do nome retrata exatamente o sentido maior da mobilização dos organizadores. Para o padre Paulo Roberto, um dos fundadores, essa é uma forma de mostrar que dá para se divertir no carnaval em paz.

“Mesmo sendo a maior festa do país, ainda tem gente que associa carnaval com bebedeira e confusão. Queremos mudar isso. Assim como em 2017, esse ano vamos fazer um linda festa em prol da paz, combatendo todo tipo de discriminação, principalmente religiosa e racial”, disse o padre.

Fundado por profissionais de diferentes áreas de atuação e idades, concepções políticas e religiosas, o grupo está mobilizado pela luta contra todas as formas de violência, intolerância, preconceito e racismo. Eles vão custear as despesas com a programação.

Foto: Diário do Amapá

Para o embalar o trajeto, o hino “Afrozambi”, composto pelos músicos Ivo Cannuty e Osmar Júnior, vai entoar grande parte do desfile, além de tradicionais sambas e marchinhas de carnaval.

Para participar do bloco não é necessário nenhum tipo de inscrição ou abadá, a organização só recomenda o folião a usar roupas brancas durante o trajeto, que vai passar pelas principais ruas do Centro e encerra na Praça do Coco.

Serviço

Bloco Afoxé Filhos de Zambi
Data: 10 de fevereiro (sábado)
Hora: 16h (concentração)
Local: Praça da Bandeira

Fonte: G1 Amapá

Hoje rola segunda levada da escola de samba Piratas da Batucada, na orla de Macapá


Hoje (28), a escola de samba Piratas da Batucada promoverá a segunda “Levada Zona Sul” na orla de Macapá. A realização faz com que o Carnaval 2018 não passe em branco para os milhares de piratas e amantes da agremiação, além dos amantes da maior festa cultural do Amapá e Brasil. A concentração será a partir das 15h no Complexo do Araxá.

Assim como na primeira levada, os brincantes poderão curtir a bateria nota 10 do Piratão, sambistas e dançarinos da escola e trio elétrico, que entre outros sambas, tocará o samba-enredo do Rei do Carnaval.

Acho ótimo que o Piratão promova esses eventos, abertos para a população, já que a Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (LIESAP), órgão com a única missão de organizar e promover o Carnaval, não o fará DE NOVO.

Serviço:

2ª Levada Zona Sul da escola Piratas da Batucada
Data: 28 de janeiro (hoje)
Hora: 15h (concentração)
Local: Complexo do Araxá

Elton Tavares

Hoje rola Bloco Saci Pererê, na esquina do Xodó, em Macapá

O Bloco Saci Pererê completou no último dia 10, 46 anos de criação. Para comemorar esses anos de muita irreverência, alegria e amizade, a diretoria do bloco retornou com aas famosas “Domingueiras do Saci”. Hoje (28), a partir das 14h, rola a terceira de 2018, na lendária esquina do Bar Xodó com o Lennon (General Rondon com Iracema Carvão Nunes – Centro). O local sempre foi ponto de concentração dos Sacis, independente de ser época de carnaval, ou não.

Com o retorno das domingueiras, veio junto também o tradicional “arrastão” pelas ruas do Centro de Macapá. “Vamos tentar”, brincou Peixinho, um dos fundadores do bloco. Aproveitando o retorno do carnaval do Pererê, os “Sacis” reinauguram o famoso “Bar Xodó”, que volta a ser o local de concentração das Domingueiras do Saci.

Então tá combinado: hoje tem carnaval do Saci Pererê, a partir das 14h, no Bar Xodó.

Tica Lemos
Assessoria de comunicação