Casamento com jornalista? Irc!

Por Darth J. Vader
É como eu sempre digo: “O Veríssimo sabe das coisas”.
A crônica abaixo é do escritor, cronista e tudo de bom Luís Fernando Veríssimo. Ele, que assina várias colunasem jornais, têm em sua bagagem textos de humor que considero magníficos. Um dos meus prediletos é “E o noivo estava de tênis”, que faz um breve ‘histórico” sobre o casamento.
Filho do jornalista Érico Veríssimo, acredito que Luís Fernando escreve sobre a profissão por, como todo herdeiro, ter uma segunda visão sobre o tema e seus traumas normais relacionados. Leia a crônica e depois me diz o que acha:
E o noivo estava de tênis

Por Luís Fernando Veríssimo

(…) A verdade é que, até não faz muito, o lado prático do casamento sobrepujava a paixão. Desapareceu o ogro das histórias antigas, ao qual a jovem sacrificava seus sonhos em troca da segurança, mas foi substituído pelo Bom Partido. As moças não eram mais negociadas, grosseiramente, com maridos que podiam lhes garantir o futuro, mas eram condicionadas a escolher o Bom Partido. Não era obrigação, longe disso, elas eram livres.

Na hora de namorar, namorar, tudo bem. Até com o Cascão, o coleguinha da escola. Mas na hora de casar…
—  Eu e o Cascão vamos casar.
—  Vocês dois, hein? Sempre fazendo tudo juntos. Com quem vocês vão casar?
– Ora, com quem! Um com o outro. Nós nos amamos.
– O quê?! Mas, minha filha. Vocês, vocês… Vocês são tão amigos!
– Já marcamos a data.
– Eu nem sei o nome do Cascão!
– O que importa o nome? Vamos nos casar e pronto.
– O que o Cascão faz? Como é que vocês vão viver?
– Ele está estudando.
– O quê?
– Jornalismo.
– AKHü!
A era do Bom Partido acabou quando a mulher ganhou sua independência, e isto é recente. As mulheres tinham que se sujeitar a casamentos que fossem convenientes antes de qualquer outra coisa porque dependeriam do marido para sobreviver.
Paradoxalmente, foi quando abandonou o velho estereótipo da submissão, a velha idéia romântica de ser frágil e sonhadora, que a mulher pôde realizar o ideal romântico do casamento por amor.
Hoje ela pode casar com o Cascão exclusivamente porque o ama. E até sustentá-lo depois do casamento sem que isto ameace sua sobrevivência — ou o amor.
Claro, ainda há muito que fazer até que a mulher conquiste todos os direitos a que tem direito. Mas já vai longe o tempo em que o único jeito de uma mulher avançar socialmente, ou conservar sua posição social, era com um “bom” casamento. Hoje ela casa com quem quer. E não há nada que os pais possam fazer a respeito.

A música do Tim Maia

                                                                                    Por Antônio Prata
Meu primo bebeu cachaça, ouviu “Me dê motivos” 3423 vezes, até que um dia, depois de ter derramado lágrimas suficientes para encher todas as garrafas que havia esvaziado, quando seu ego estava desidratado como uma banana passa, teve uma iluminação. Não que a dor tivesse sumido, o céu continuava carregado, mas de um buraco entre as nuvens surgiu o raio de luz, ele viu aquele mesmo filme e pensou: “Ela deu pra outro cara. Ela gozou com outro cara. E daí? Eu não sou o único homem desse mundo. Ela ama a mim, não a ele. Paciência”.
O tal do Adalberto surgira numa época em que meu primo estava viajando toda semana para Goiás, muito empolgado com a venda de polias para o maquinário de uma fábrica. Estava dando pouca atenção à sua namorada. Ele havia, até mesmo, ido para a cama com uma moça chamada Neiva, numa tarde, em Goiânia. E sabe o que ela representava para ele? Nada, só isso, uma moça chamada Neiva, numa tarde, em Goiânia.
Se meu primo gostava da namorada, teria que perdoá-la e aceitar que ela ter transado com um cara chamado Adalberto significava o mesmo que ele ter transado com uma moça chamada Neiva. Ele teria que escolher entre seu amor e seu narcisismo, e ficou com o primeiro. Meu primo namorou mais um ano aquela mulher.
Depois terminaram, por razões internas que não vêm ao caso e nada têm a ver com o nome no celular. Meu primo diz, hoje, que acha até bom que tenha passado por isso tudo. Ele amadureceu, descobriu a dimensão trágica escondida atrás da música pop e, de quebra, ainda perdeu a barriga de tanto chorar de estômago vazio. Hoje, acredita, é até uma pessoa mais serena. Mas ai se descobrir que a atual namorada o traiu: ele mata os dois! Mata, esfola e joga no rio!