Apib organiza comitê para registrar avanço da Covid-19 sobre povos indígenas

Imagem:http://desacato.info/

Na semana em que o Brasil registrou mais de 160 mil casos de infecção e 10 mil óbitos em decorrência do novo coronavírus, organizações indígenas articularam um encontro para realizar um diagnóstico das realidades locais e organizar estratégias para minimizar o impacto da pandemia entre os povos originários. Uma das medidas para acompanhamento da disseminação do coronavírus foi a criação do Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena.

O principal impasse entre organizações indígenas e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde, é a notificação dos casos de contaminação e óbitos. De acordo com as lideranças, o impacto da Covid-19 nas comunidades é muito maior do que o registrado pela Sesai, isto se deve ao critério de localização do paciente utilizado pelo órgão para confirmar os casos – apenas entram na conta da Secretaria os casos de indígenas aldeados, excluindo os que vivem em contexto urbano.

Por isso, a necessidade de estruturar o acompanhamento dos casos de Covid-19 junto a organizações de base e instituições parceiras do movimento indígena. Para comparar, os dados levantados pelo Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena e os dados registrados pela Sesai:

ÓBITOS

registrados pela Sesai: 19
registrados pelo Comitê: 77

CASOS DE INDÍGENAS INFECTADOS:

registrados pela Sesai: 222
registrados pelo Comitê: 308

* atualizado dia 11/05/2020

“Não são apenas números, são pessoas, são memórias e histórias dos povos Apurinã, Atikum, Baniwa, Baré, Borari, Fulni-ô, Galiby Kalinã, Guarani, Hixkaryana, Huni Kuin, Jenipapo Kanidé, Kariri Xocó, Kaingang, Karipuna, Kokama, Macuxi, Mura, Munduruku, Pandareo Zoro, Pankararu, Palikur, Pipipã, Sateré Maué, Tariano, Tembé, Tikuna, Tukano, Tupinambá, Tupiniquim, Warao e Yanomami. Todos afetados pela pandemia.”, evidencia um trecho da carta final da Assembleia.

A saída de indígenas das suas comunidades para acessar o direito ao Auxílio Emergencial é uma das situações que tem preocupado as lideranças – seja para acessar a Internet para fazer e acompanhar a solicitação do benefício ou para ir a uma agência bancária para recebê-lo. De modo que a contaminação tende a subir, uma vez que o risco ao qual têm que se expor para ter seu direito garantido evidencia a falta de consideração do contexto de comunidades tradicionais na elaboração do projeto de distribuição de renda emergencial.

Os dados oficiais não alcançam a realidade indígena de mais de 34 povos já impactados pela doença. Assim, aproveitando o encontro promovido pela Assembleia Nacional da Resistência Indígena, a Apib reuniu um grupo de lideranças, pesquisadores, comunicadores e ativistas para identificar, verificar e registrar os casos de contaminação e óbitos de Covid-19 entre indígenas, independente do local onde residem. Estatísticas, povos atingidos e outras informações são publicadas semanalmente no boletim elaborado pela coalizão Quarentena Indígena.

Assessoria de comunicação da APIB
Contatos para a imprensa: Yaponã Bone (99) 98126 4090 e Caio Mota: (65) 99686 6289

Viva Nossa Senhora de Fátima! – 103 anos das aparições da Santa (que Ela nos proteja)

Crianças de Fátima

Há exatos 103 anos, em 13 de maio de 1917, Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos), Jacinta Marto (7 anos), três crianças portuguesas, viram aparições de Nossa Senhora de Fátima, na Cova da Iria, Vila Nova de Ourém, em Portugal.

Segundo as crianças, foram três aparições. Nos encontros, a santa revelou segredos a eles, que foram denominados “Os pastorinhos de Fátima”. Isso foi mantido em segredo até 1937, daí para frente é só ler um pouco de história religiosa para saber mais do assunto.

“Neste mês de maio dedicado as mães. Vemos sempre a figura de Maria Mãe da Igreja, Mãe da humanidade; cuidando, amando e protegendo todos os seus filhos. Atendamos ao pedido de nossa mãe, rezemos ao Senhor pelo fim dessa pandemia e de todos os males que afligem os pobres e necessitados, nos entreguemos a Deus na firme esperança da ressurreição.

Rogai por nós Santa Mãe de Deus”.

Missa no Santuário de Fátima em Macapá (AP) – 13 de maio de 2017 – Foto: Gê Paulla

Os católicos fervorosos acreditam na história e os descrentes dizem que é mitologia católica. Eu acredito. Que a Santa nos proteja nestes dias difíceis que estamos vivendo. Viva Nossa Senhora de Fátima!

Elton Tavares

Fonte: Centenário

FAF defende que o vencedor do campeonato profissional seja escolhido em campo, após quarentena

A Federação Amapaense de Futebol (FAF) se posiciona a favor do retorno do campeonato profissional quando o cenário dos contágios de coronavírus for favorável no Amapá. A FAF defende que o campeão da competição deva ser vencedor em campo.

As discussões sobre o retorno dos jogos têm sido debatidas em videoconferências semanais promovidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e nas quais o Amapá está presente.

O planejamento da CBF era que o clubes nacionais retornassem das férias na segunda quinzena de maio para retomada dos jogos, o que não deve se concretizar diante da realidade vivida em todo Brasil.

Segundo o presidente da FAF, o calendário pode ser adequado até dezembro, o importante agora é a segurança de todos diante do aumento de números de casos. “Temos nos posicionado favoráveis à volta do campeonato para escolha de um campeão em campo, mas não agora, diante do cenário no Amapá. Temos discutido isso com a CBF e já avaliamos que se for preciso, outras competições como Amapazinho e Não Profissional poderão ser canceladas esse ano para dar espaço para o profissional quando for possível retornar”, explicou Netto Góes.

O Campeonato Amapaense de Futebol Profissional foi interrompido faltando um mês para terminar, e segundo o acordo da FAF com os clubes quando tudo foi suspenso, para o seu retorno, será dado um mês para treinos e preparação. Sendo assim, o campeonato poderá retornar até novembro, se o cenário de saúde mundial permitir.

Planejamento

Mesmo com o retorno sem data confirmada, a FAF já se prepara para adequar os protocolos da CBF à realidade do Amapá, com abertura gradativa de portões, monitoramento de controle semanal da saúde dos atletas e espaçamento de datas para partidas.

Marcelle Nunes
Ascom FAF

Hoje é o Dia Internacional do Enfermeiro – Um texto de reconhecimento e agradecimentos

Como este site possui uma sessão chamada “datas curiosas” e hoje, 12 de maio, é o Dia do Internacional do Enfermeiro, claro que não deixamos passar a data batida. Afinal, o mundo todo está devendo suas vidas ao trabalho de médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem, entre outros diversos profissionais que estão na linha de frente no combate, prevenção e tratamento da pandemia que assola o planeta e a raça humana.

O Dia do Internacional do Enfermeiro é celebrado no décimo segundo dia de maio por conta do nascimento de Florence Nightingale, em 1820. Ela foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Crimeia, em 1853.

Florence Nightingale foi considerada “mãe” da enfermagem moderna. No Brasil, a data já era comemorada desde 1.938, quando o presidente Getúlio Vargas assinou o decreto 2.956.

O ofício de enfermeiro é milenar. A profissão é nobre, pois eles cuidam de doentes, idosos e deficientes. Alguns enfermeiros são insensíveis, parecem não se importar com a dor ou desespero alheio. Deve ser por conta do drama dos outros fazer parte do cotidiano destes profissionais.

Só quem sabe a barra que é trabalhar em um hospital pode definir a pressão. Mas a maioria são profissionais comprometidos com a saúde e o bem-estar do ser humano.

Lembro muito do Sr. Izídio Bandeira, enfermeiro competente, cuidadoso e experiente, que sempre nos remendava ou nos aplicava injeções. Eu e Emerson (meu irmão) tínhamos pavor dele. Hoje em dia, sou grato pelo cuidado que aquele senhor teve conosco quando éramos crianças.

Desde o início dessa crise em que vivemos, enfermeiros lutam com todas as forças para salvar vidas. Não tem como fugir do clichê, pois são, de fato, heróis. Muitos deles foram infectados com a Covid-19 em todo o mundo. Além de correr o disco diário, estes valorosos profissionais ainda se privam do contato com suas famílias, de tanta exposição ao vírus.

Sem equipamentos adequados, trabalhando em unidades de saúde lotadas e com falta de medicamentos, o que médicos e enfermeiros tem feito são verdadeiros milagres. Mesmo com todo o estresse, apreensão, incerteza e medo, entre outras dificuldades impostas pela pandemia do coronavírus.

Curiosamente, nunca escrevi uma texto sobre o Dia do Médico, 18 de outubro, mas isso não se repetirá.

Em muitas ocasiões, os enfermeiros são injustiçados, mas devemos muito a eles. Sempre foi assim e essa dívida aumentou astronomicamente em 2020. Enfim, por tudo dito/escrito acima e pela bravura e doação dessas pessoas especiais, parabenizo e agradeço, em nome dos enfermeiros, todos os profissionais se dedicam a cuidar de vidas, que lutam diariamente pela saúde das pessoas, que fizeram de suas vidas instrumentos de solidariedade!

Meus parabéns, enfermeiros e enfermeiras do Amapá, Brasil e mundo.

Elton Tavares

O último voo do Pavão – Crônica porreta de Fernando Canto sobre a história do homem do marabaixo (que partiu há exatos 11 anos)

Mestre Pavão – Foto: Chico Terra

Na segunda-feira, 11 de maio de 2009, o mestre Pavão bateu suas belas asas para nunca mais.

O homem do marabaixo partiu para encontrar-se com seus ancestrais, os mesmos que lhe ensinaram a tocar tão bem a caixa, o tambor que anunciava bons augúrios nas tardes do Laguinho. Com ele Pavão comunicava a seus pares, os agentes populares do sagrado, que a festa do Divino e da Santíssima Trindade já tinha início. E todo um ritual deveria ser obedecido, desde o Domingo da Aleluia, passando pelos preparativos da seleção dos mastros nas matas do Curiaú, até a sua derrubada e escolha dos próximos festeiros no Domingo do Senhor. Com ele se foi um arcabouço cultural de grande valia para a memória do nosso patrimônio imaterial.

Foi-se também a sabedoria dos que fazem acontecer as manifestações mais legítimas do povo. E restou apenas o espanto dos que ficaram. Doente, não mais participava ativamente dos eventos do marabaixo como nos velhos tempos, mas sempre dava um jeito de ir em sua cadeira de rodas aos mais importantes, para ouvir o rufar das caixas e ver as saias da negras velhas rodarem sob o ritmo intenso oriundo de além-mar.

Pavão levava muito a sério o que fazia no marabaixo. Até brigava por ele. Seu amor pelo folclore certamente foi herdado do avô Julião Ramos, o grande líder negro, que na época da implantação do Território Federal do Amapá disseminou o ritmo e a dança para todo o Brasil. No domingo, véspera da sua morte, sua filha Ana perguntou-lhe se ia ao marabaixo do Dia das Mães na casa da Naíra – uma das festeiras desse ano no bairro do Laguinho. Ele disse que não ia porque estava indisposto, mas mandou todo o pessoal de sua casa para lá, pedindo que não deixassem a ”cultura morrer”. Mal sabiam todos de sua casa que a cultura do marabaixo, nele impregnada, estava morrendo um pouquinho com ele.

Justo que consideramos a memória como o deciframento do que somos à luz do que não somos mais, a morte é o abismo que tudo leva e engole inclusive o segredo da identidade, aquilo que nos pertence social e culturalmente. Posto isto, quantas conversas não foram abruptamente cortadas numa gravação para um trabalho de conclusão de curso dessas tantas faculdades da capital? Assim sendo, o que restou de seus depoimentos, desse depósito memorial tão importante para que se analise o marabaixo? Ora, sabe lá quantos pesquisadores egoístas guardam suas fitas encarunchadas e vídeos empoeirados que nunca vão se abrir para ninguém?

Mestre Pavão a todos respondia com a maior paciência, paciência esta que aprendeu a ter com a doença intratável que lhe fez perder uma perna. Mestre Pavão dava a todos o seu conhecimento vívido e vivido intensamente em setenta e dois anos de repetição ritualística que a sua memória avivava e exprimia no vai-e-vem dos olhos.

Aqui peço licença poética ao escritor moçambicano Mia Couto que escreveu o “Último Voo do Flamingo”, para parafraseá-lo, dizendo que o nosso pavão alçou seu último voo na tarde amena de maio. Um voo curto,é certo, porque pavões não voam quase nada, mas são aves do paraíso por excelência. Sua luxuriante plumagem em profusão de dourados, verdes e azuis à luz do sol reflete uma miríade de cores, onde o vermelho e o branco parecem estar presentes como se preparando para um desfile da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, a escola do coração do mestre. Convém lembrar aqui que o simbolismo do pavão carrega as qualidades de incorruptibilidade, imortalidade, beleza e glória, que por sua vez se baseia em outro aspecto além destes: a ave é predadora natural da serpente, e em certas partes do mundo, mesmo seu aspecto maravilhoso é creditado ao fato da ave transmutar espontaneamente os venenos que absorve do réptil. Este simbolismo de triunfo sobre a morte e capacidade de regeneração, liga ainda o animal ao elemento.

Fogo, sim, do marabaixo quente, do “Caldeirão do Pavão” com seu caldo revitalizador do carnaval que tanto o mestre amava e por isso se enfeitava nos áureos tempos dos desfiles da FAB. Vai em paz, Pavão, tua plumagem tem cem olhos para vigiar o que deixaste entre nós.

(*) Publicado No livro “Adoradores do Sol”, de Fernando Canto. Scortecci, São paulo, 2010. Minha homenagem a um dos mais importantes divulgadores do Marabaixo.

**Fotos encontradas nos sites do Chico Terra; Rostan Martins; Memorial Amapá (Neca Machado); Tribuna Amapaense e Federação Folclórica do Amapá e jornalista Mariléia Maciel.

Patrícia Andrade gira a roda da vida. Feliz aniversário, poeta!

Conheci Patrícia Andrade há 21 anos, quando ela desembarcou aqui, no meio do mundo, vinda de Belém (PA), em 1999. Safa, descolada e sem estar ideologicamente presa a nada, Pat se tornou rapidamente “chegada” de todos nós, os malucos da cidade.

Logo virou broda de intelectuais, militantes culturais e, é claro, poetas e escritores. Ela sempre se distinguiu por ser inteligente e despudoradamente franca. Aliás, poesia é uma arte que ela domina. Patrícia é senhora do ofício de poetizar.

Cheia de papos legais e dona de vasta cultura geral, Patinha é uma mulher cheia de poesia, histórias hilárias, outras nem tanto e uma trajetória bacana no cenário cultural de Macapá. Ela tava junto do Gino Flex e de outros brothers que puxaram o movimento do vinil na Floriano e em outros locais desta cidade cortada pela Linha do Equador. Também sempre foi figura presente em saraus ou qualquer manifestação cultural e de defesa de direitos da sociedade.

De lá pra cá, ela namorou, casou, se tornou mãe do querido Artur, trampou e pirou. Tudo com intensidade, paixão, sás coisas legais que gente com ela faz e acho muito firme, pois sou assim também.

Além de poeta e mãe do Artur, Patrícia é uma artista diversificada. Seja nas artes plásticas, escritora, ou discotequeira (Vinil-DJ). Ela também ataca de produtora de vídeo e ativista cultural.

Eu a Pat dividimos muitas mesas, cervejas, noites legais no antigo Quiosque Norte & Nordeste. Como diria Ronaldo Rony, “uma história baseada em baseados reais”, de muitos anos atrás.A gente nunca, no passado, foi de andar juntos. A gente se encontrava e era sempre firme.

Enfim, a gente se dá bem tem tempo, mas nos últimos dois anos, ela se tornou ainda mais importante pra mim. Patrícia colabora para este site, onde assina a sessão “Caleidoscópio de Pat Andrade”. Mas muito além disso, é revisora, divulgadora, até mesmo a pessoa que escuta/lê meus desabafos sobre a vida. E vice-versa. Ou seja, parceira.

Desde de 2019, a poeta resolveu dar uma aquietada. Cuidar mais de si e, é claro, do Artur. Sem andar na contramão, como diria Raulzito. Ela também agora é acadêmica de letras da UEAP e vive o amor com outro amigo, Bruno Jerônimo.

A obra poética de Patrícia Andrade é resultante de uma mistura de vivências, amores, dores, tudo em tom de confissão. Ela é Phoda! Mas muito além da poeta, de quem sou fã dos versos, tenho a honra de dizer que ela é minha AMIGA. E eu a amo.

Por tudo dito e escrito acima, hoje rendo homenagens para a Pat Andrade. Ela é uma pessoa que sei que posso contar. E amigos assim, querido leitorado deste site, são bem raros.

Patrícia, primeiramente, obrigado pela ajuda de sempre. Que teu novo ciclo seja ainda mais lindão. Apesar dessa época trevosa que nos encontramos, tu mereces todo o amor que houver nessa vida. Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário.

Elton Tavares

*Escrito ao som de Lô Borges e durante o sorvimento da segunda garrafa de vinho. Sobre isso, Ernest Hemingway disse: “Escreva bêbado, revise sóbrio”.

Hoje é Dia Nacional do Reggae (em homenagem à Bob Marley , que partiu em 11 de maio de 1981)

13177153_1077685318970924_5362958685860281075_n

Hoje é Dia Nacional do Reggae e como temos uma sessão chamada “datas curiosas”, é claro que não deixamos passar batido. A data foi instituída oficialmente, pela presidente Dilma Rousseff , no dia 15 de maio de 2012. É uma homenagem ao cantor jamaicano Robert Nesta Marley ou Bob Marley, que faleceu no mesmo dia, há 39 anos atrás, aos 36 anos de idade em um hospital de Miami, nos Estados Unidos.

Se vivo, Bob Marley teria 75 anos, completados em 6 de fevereiro deste ano. Apesar de não ser fã de Reggae, gosto dos clássicos. E nada é mais clássico em Reggae do que as canções do extraordinário artista jamaicano.

A música do cantor e compositor foi influenciada pelas questões sociais de sua terra natal. Ele deu visibilidade política e cultural a Jamaica, muitas vezes cantando seus problemas, angústias ou em protesto.

Bob foi brilhante. Uma daquelas almas iluminadas que marcaram presença, deixaram uma mensagem e seguiram a luz. Não somente na música, mas também como figura política. Marley saiu de um país pobre e ganhou o mundo ao cantar a paz, o amor e ideais do rastafári. A sua imagem e a sua música com letras contra a opressão e a injustiça são influencia direta no comportamento das pessoas de bem ao redor do planeta.

Marley foi uma das figuras mais importantes da música mundial, considerado internacionalmente um dos melhores compositores do século XX, comparado a nomes como Bob Dylan e Lennon/McCartney. Ele morreu no dia 11 de maio de 1981, vitima de câncer. O cara deixou um legado musical fantástico e uma mensagem de amor eterna.

Portanto, viva Marley, viva o Reggae e sua mensagem de paz.

“Emancipem-se da escravidão mental. Ninguém além de nós mesmos pode libertar nossa mente” – Bob Marley, na canção Redemption Song.

Elton Tavares

10 de maio: Dia Nacional do Guia de Turismo – Por Marcelo de Sá

Esta data é uma homenagem aos profissionais que se dedicam a auxiliar, entreter e apresentar seus atrativos naturais e culturais aos turistas e visitantes durante as viagens, apresentando os pontos turísticos e os melhores aspectos de determinada região. No Brasil, a profissão de Guia de Turismo está regulamentada através da lei nº 8.623, de 28 de janeiro de 1993.

Recanto da Aldeia, praia que fica na Ilha de Santana, no Amapá — Foto: Marcelo Sá/Arquivo Pessoal

De acordo com esta lei, o profissional pode ser classificado em 04 diferentes áreas: Guia turismo regional, nacional, internacional e especializado em atrativos naturais e Culturais. Para cada uma das classificações, existem exigências e competências específicas que o Guia de turismo deverá ter.

Vila de Mazagão Velho guarda muito da história do Amapá — Foto: Gabriel Penha/Arquivo G1

O Guia de Turismo além de informar o turista sobre os atrativos, e mediador o contato deste com os mesmo, detém ainda outras funções voltadas para sustentabilidade das comunidades urbanas e rurais, sendo agente responsável pela valorização da cultura, respeitador da identidade e preservador do meio ambiente. Desse modo a profissionalização da atividade de Guia de turismo é uma necessidade, tendo também reflexo natural de um contexto mais global de mudanças nos desejos e demandas dos turistas e visitantes.

O Brasil possui centenas de destinos turísticos que podem encantar a diferentes perfis de visitantes: florestas, praias de rio e mar, serras, cachoeiras, cidades históricas e sítios arqueológicos, natureza exuberante e grandes centros culturais. O país contempla também uma biodiversidade e temáticas que atendam aos anseios daqueles que buscam o turismo de negócios, de gastronomia, de aventura, de arquitetura e até de arqueologia, turismo comunitário. E, em meio a toda essa diversidade de opções, há um personagem que pode dar um toque especial á experiência do viajante e visitante – o Guia de turismo.

O Amapá vem surpreendendo por sua potencialidade para o turismo ecológico com sua localização privilegiada, Com uma área de 143.453,7km² o Amapá também é a porta de entrada do país mais próxima da Europa pelo município de Oiapoque que faz fronteira com Suriname e Guiana Francesa, onde fica localizada a ponte binacional sobre Rio Oiapoque. O Estado é margeado pelo Rio o Amazonas, o maior do mundo. Protegem diversas unidades de conservação abrigando vários ecossistemas, os que se destacam cerrado, mata de várzea, mata de terra firme, campos alagados e manguezais. A rica cultura indígena, quilombola e de outros povos que aqui chegaram.

Segundo os dados do Anuário Estatístico do Turismo do Ministério do Turismo de 2019, que apresenta dados de todas as regiões do país registraram estados em que a entrada de turistas estrangeiros cresceu. Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo demonstraram alta no número de viajantes internacionais em 2018. Com base em informações da Polícia Federal.

No cenário nacional, também houve crescimento de 0,5% em relação a 2017, com 32.606 turistas internacionais a mais em destinos brasileiros. O Amapá com (31,2%) corresponde um dos estados que mais registraram crescimento na chegada de turistas internacionais no ano 2018, se comparado com 2017. Estados Unidos aparecem como um dos principais países emissores de turistas para os estados do Amapá, Amazonas, Distrito Federal e Minas Gerais. Já na América do Sul, Argentina ocupa a primeira posição na Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio Grande do Norte. Outro destaque do Estado do Amapá No segmento marítimo, Amapá aparece como o estado que mais contabiliza chegadas internacionais pelos meios fluviais e marítimos.

Turistas durante viagem à Floresta Nacional do Amapá — Foto: Marcelo Sá/Arquivo Pessoal

Pelo cenário apresentado o trabalho de Guia de Turismo junto ao trade turísticos amapaense, Brasileiro e internacional é de suma importância para o desenvolvimento do turismo sustentável do Amapá, gerando divisas, empregos e renda para as comunidades urbanas e rurais, o profissional Guia de Turismo é o parceiro das comunidades visitadas (pilotos, Guarda-parques e condutores em áreas naturais (mateiros), dos agentes de viagens e turismo, Turismólogo, hoteleiros, das empresas de transportes turísticos fluviais, marítimos e rodoviários, parceiro dos artesões e artistas da música, das artes visuais, teatro é da cultura popular, também atua como parceiro das instituições governamentais e não governamentais colaborando nas formulações de politicas para o turismo.

Participando de fóruns, conselhos diversos, influenciando nas boas práticas do processo turístico. Respeitando o meio ambiente, as comunidades envolvidas. Lutamos pelo reconhecimento do trabalho do Guia de Turismo no Estado do Amapá e no Brasil. Feliz Dia do Guia de Turismo!

*Marcelo de Sá Gomes é guia de Turismo Regional Amapá; Estudante: Curso do Técnico em Guia de Turismo Regional Pará, Brasil e América do Sul no SENAC-Serviço de Aprendizagem Comercial- Belém-PA. E estudante: Curso do Técnico em Pesca e Aquicultura no CIFPA – Centro Integrado de Formação Profissional em Pesca e Aquicultura do Amapá. Santana-AP

Artistas participam de campanha nacional para ajudar o Amapá no combate ao Coronavírus

A partir do último sábado (9), o Amapá ganhou reforços de peso na mobilização em favor da população mais afetada com os efeitos sociais da pandemia do novo coronavírus.

Organizada pelo movimento “342 Artes”, uma campanha impulsionada por artistas como Caetano Veloso, Mateus Solano e a cantora Anitta, busca angariar doações que serão destinadas a pessoas de baixa renda no estado.

Os artistas começaram a divulgar vídeos em apoio à causa na noite de hoje e a live de Anitta, no domingo (10), promete ser um ponto alto da campanha.

Os recursos arrecadados pela “Ação 342” serão revertidos para a rede “Amapá Solidário”, coletivo de entidades e voluntários unidos para atuar durante a pandemia.

Em 18 dias de campanha no estado, o Amapá Solidário conseguiu doar cestas básicas a um total de 930 famílias.

Para a segunda etapa, o movimento pretende doar mais de 1 mil cestas básicas e também máscaras de tecido e EPIs para os profissionais da linha de frente.

A articulação entre as duas campanhas, Ação 342 e Amapá Solidário, foi viabilizada por intermédio da produtora cultural Paula Lavigne e do senador Randolfe Rodrigues (Rede).

Acesse aqui a vaquinha virtual

Assessoria de comunicação do senador Randolfe Rodrigues

As Pedras da Zeni – Por Silvio Neto

Por Silvio Neto

Um retrato em branco e preto. Uma corda no pescoço que sobe pela cara e tenta amordaçar a boca e vendar os olhos. Mas são só as “amarras psicológicas” cantadas na letra de Minas Armadas, novo single da cantora Brenda Zeni, lançada no último dia 08 de maio na plataforma Spotify.

A letra, assim como toda a música, é enérgica, pulsante e latente como a boca cerise que morde a mordaça e o olho que escapa e enxerga tudo. A maquiagem e seus aparatos estão lá. Não para embelezá-la, mas para submetê-la e força-la a seguir as regras do mundo macho (ou seria murcho?). Mas suas garras estão pintadas com a delicadeza da rosa e o bote da fera fêmea. É bom ter cuidado com elas! Afinal, “nada foi feito pra você se sentir confortável”…

Minas Armadas é um grito de liberdade das tais amarras psicológicas impostas à mulher desde o… Neolítico. A música começa com um grito de “acorda!”, conclamando a mulher do século XXI a tomar posicionamento e ser protagonista de uma nova história onde o mundo – até então patriarcal – marcha a passos largos para um abismo causado pela violência, competitividade e fome de poder. É mais um chute nos colhões do machismo. Um pesadelo sonoro do qual é preciso ouvir várias vezes até se acostumar e assimilar.

Com arranjos bem colocados, numa pegada muito próxima ao heavy metal, sustentados por um vocal soturno (às vezes até difícil de entender), o novo single de Brenda Zeni só reafirma a sua liberdade criativa, já mostrada e comprovada em trabalhos anteriores como “Qualquer Coisa”, “Pudim”, “Todo Amor é Brega” e “Fruta Roqueira”.

Brenda Zeni é deboche no mais puro estilo de sua majestade Rita Lee, rainha soberana do rock brasileiro. Brenda Zeni é dona de letras inteligentes; de um rock’n’roll clássico e de arranjos sempre muito limpos e bem feitos. Sua versatilidade vocal também se destaca, indo de coisas que lembram Marisa Monte em “Sonho Leve” a Mamonas Assassinas em “Todo Amor é Brega”.

Seu currículo musical é extenso, tendo iniciado suas andanças pelos bares e casas noturnas de Macapá no início dos anos 2000, seguindo para o que hoje mais importa, seu trabalho autoral, tendo participado de festivais dentro e fora do Amapá.

Se você ainda não conhece o trabalho da Brenda Zeni, aproveite a ociosidade da quarentena e acesse seu site brendazeni.com e suas músicas no Spotify. Aposto que você não vai se arrepender!

*Silvio Neto é jornalista, músico e bancário.

Festival reúne 20 espetáculos da região Norte do Brasil: “A Mulher do Fim do Mundo”, da Associação Artística Cultural Companhia Casa Circo (AP), é um dos espetáculos que integram a programação do evento

Como todos sabemos, em virtude da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), todos os trabalhadores do setor cultural brasileiro também tiveram suas atividades interrompidas, sem uma data de retorno possível. A pandemia se tornou um cenário difícil para artistas, produtores e técnicos que vivem de suas funções nas artes.

É neste contexto que surge o PAN – Potência das Artes do Norte, o primeiro Festival online de artes que contará com a participação de espetáculos oriundos do Amazonas, Pará, Roraima, Amapá, Tocantins, Rondônia e Acre. A iniciativa tenta minimizar os impactos causados pelo isolamento social, possibilitando que o público tenha acesso às obras da programação, sem sair de casa, durante o período de realização do festival.

O PAN surge como um espaço virtual que congregará 20 espetáculos de todos os estados da região Norte, além de outras ações, como explica a coordenadora geral do festival, Ana Oliveira.

“Logo que a pandemia surgiu nós artistas fomos os primeiros a parar. Por duas semanas eu fiquei meio sem chão, perdida. Não sabia como lidar com essa parada forçada tão brusca em todas as nossas atividades. Nesse período foram surgindo várias ações de outros grupos e artistas, lives, links liberados, etc. Assim fui criando coragem para também testar algo nesse novo lugar em que se estabeleceu a nossa presença – o mundo virtual”, explica Ana.

A coordenadora do festival pontua que a abertura para esse novo processo de descoberta, foi como um “novo respiro”. “Conseguia levantar da cama porque encontrei, ou melhor, reinventei um propósito de vida no meio desse caos todo que estamos vivendo”, completa.

A primeira edição do PAN conta com espetáculos de grupos e artistas convidados, que contemplam todos os estados da região Norte. “Se tudo der certo, queremos muito abrir um processo de inscrição em que todos os artistas e produtores da região possam mandar seus materiais para futuras edições. Só precisamos testar esse formato primeiro”, ressalta Ana.

Além da coordenação geral assinada por Ana Oliveira, o evento conta com Francis Madson na programação acadêmica, Jean Palladino na identidade visual, Ítalo Rui e Gleidstone Melo na comunicação, Hamylle Nobre e Eduardo Klinsman nas mídias sociais, e Wallace Abreu na assessoria de imprensa.

“Acredito que o restabelecimento dessa rede e união é algo que pode gerar muitos frutos. Tem também a possibilidade de trabalhos sendo exibido para novos públicos, pessoas de outros estados, que dificilmente conseguiriam ver ao vivo. Os espectadores poderão conhecer mais a fundo as diferentes realidades nortistas e alimentarem sua alma com arte e afeto, por meio das mais diversas linguagens que o festival contempla”, finaliza Ana.

Arte para refletir

A programação contará ainda com o “Setorial de Teatro do Norte”, um braço da programação do PAN que visa convocar artistas, técnicos e produtores culturais do setor da economia criativa, para refletir acerca das ações que envolvem o governo federal, estadual e municipal da região e, além disso, promover uma debate aberto e criativo sobre as iniciativas para o setor após a pandemia de Covid- 19, levando em consideração todos arrochos que estão por vir na estrutura econômica mundial e, portanto, nas instituições públicas e privadas que formaram a cultura, que podem deixar de assistir essa classe.

“Há um tempo que os Estados do Norte não se visitam entre si para dialogar acerca de políticas públicas ligadas a cultura. O festival de teatro da Amazônia, no princípio, surgiu para estreitar os laços entre os Estados com o objetivo de pensar relações entre público e privado, cultura, estética, ética e política pública. Acreditamos que o Pan pode trazer esse elã novamente, mesmo mediado por tecnologia, a força fundamental de manutenção das artes: o coletivo”, pondera Francis Madson, que está à frente da programação acadêmica do evento.

A programação do evento trará ainda o projeto “Pensamento de Perto”, no qual pesquisadores do campo artístico poderão falar sobre as pesquisas que vêm realizando. Nesta primeira edição os artistas/pesquisadores convidados são Ítalo Rui e Yara Costa.

Bilheteria Online

O PAN é uma rede colaborativa, afetiva e potente das artes do Norte. Por isso, parte do valor arrecadado na bilheteria será voltado a programas que atendem artistas em situação de vulnerabilidade na região Norte.

O ingresso unitário no valor de R$ 5 garante acesso a um dos espetáculos da programação. No entanto há ainda a possibilidade de compra do Combo 1 (R$20), que garante o acesso a cinco espetáculos e o Combo 2 (R$80), que dá direito a programação completa do festival.

O evento conta ainda com o ‘Selo Patrocinador’, no valor de R$100. Com ele você se torna um patrocinador do festival, assiste toda a programação e ganha de brinde o livro “Dramaturgias” de Francis Madson autografado.

Ingresso podem ser adquiridos no link https://bit.ly/BilheteriaOnlPAN. Preencha as informações solicitadas, juntamente com os espetáculos escolhidos para que seja redirecionado a etapa de pagamento pelo PagSeguro na próxima seção.

Após a confirmação do seu pagamento, será enviado ao e-mail informado no cadastro, os links e detalhes de acesso ao espetáculo desejado. A exibição dos espetáculos ocorrerá através do aplicativo Zoom (https://www.zoom.us/). Então, se você nunca usou, precisará baixar no celular, tablet ou no computador.

Confira a programação!

11/05 – SEG – 9h30 “Augusto” (RR) – Locômbia Teatro de Andanças // LIVRE
11/05 – SEG – 14h “PENSAMENTO DE PERTO”
11/05 – SEG – 21h “Helena” (AM) – Ateliê 23 // 14 Anos
12/05 – TER – 9h30 “Imundo de Sofia” (AM) – Ana Oliveira // LIVRE
12/05 – TER – 21h “A Mulher do Fim do Mundo” (AP) – Associação Artística Cultural Companhia Casa Circo // 14 Anos
13/05 – QUA – 9h30 “Curupira – 10 MILHÕES DE NÓS” (PA) – IN BUST Teatro com Bonecos // Livre
13/05 – QUA – 14h “Tempo de Brincar” (TO) – Trupe Açu // LIVRE
13/05 – QUA – 21h “Provérbios de Burro” (AM) – Ítalo Rui // 14 Anos
14/05 – QUI – 14h “Ikuâni” (AC) – Cia. Garatuja de Arte Cênicas // 14 Anos
14/05 – QUI – 21h “Marahu” (PA) – Cia de Teatro Madalenas // 14 Anos
15/05 – SEX – 9h30 “ÜHPÜ – Corpo” (AM) – Grupo Tabihuni // LIVRE
15/05 – SEX – 14h “Quarto Azul” (AM) – Grupo Jurubebas de Teatro // 14 Anos
16/05 – SAB – 9h30 “Vestido Queimado” (AM) – Soufflé de Bodó Company // LIVRE
16/05 – SAB – 14h “A Borracheira” (RO) – O Imaginário // LIVRE
16/05 – SAB – 21h “Quando encontramos sonhos perdidos nas roupas que costuramos” (AM) – Grupo Garagem // 16 Anos
17/05 – DOM – 9h30 “Preciso Falar” (AM) – Cacompanhia de Artes Cênicas // 10 Anos
17/05 – DOM – 14h “Diário das Marias” (AM) – Cia Trilhares // 14 Anos
17/05 – DOM – 21h “Rito de Passagem” (AM) – Índios.com Cia de Dança // 16 Anos
18/05 – SEG – 14h “PENSAMENTO DE PERTO”
18/05 – SEG – 21h “Marília Gabriela não vai mais morrer sozinha” (AM) – COLETIVO UTC-4 // 16 Anos
19/05 – TER – 9h30 “As nove luas” (RO) – Cia de Artes Fiasco // 12 Anos
19/05 – TER – 14h “Setorial do Norte”
19/05 – TER – 21h Show de Encerramento “GRAMOPHONE em Estúdio” (AM) // LIVRE
A programação completa do 1º PAN – Potência das Artes do Norte também está disponível para download no link https://bit.ly/PAN20programacao

Texto: Wallace Abreu – Assessoria de Imprensa do Festival

Lideranças indígenas organizam assembleia para construir plano de enfrentamento à pandemia

Com a confirmação dos primeiros casos de Covid-19 no Brasil, a preocupação com a contaminação dos povos indígenas era inevitável. A primeira morte foi confirmada em 20 de março em Santarém (PA), a vítima era uma anciã da etnia Borari. Desde então, 29 povos de 4 regiões (Norte, Nordeste, Sul e Sudeste) foram diretamente atingidos pela doença, contabilizamos 170 casos de contaminação confirmados e 40 mortes.

Se a sociedade brasileira não indígena sofre com a falta de liderança e coordenação de governos e autoridades, a situação é mais delicada no contexto dos povos originários, visto que o desmonte da política indigenista ocorre há alguns anos. No Amazonas, por exemplo, onde os sistemas de saúde e funerário entraram em colapso, a região do Alto Solimões é a mais afetada em quantidade de casos de contágio e óbitos.

A atuação das instituições públicas não é apenas ineficiente como irresponsável, pois houveram casos de contaminação causados por pessoas à serviço da Sesai nos territórios. Em paralelo à pandemia, os povos indígenas continuam enfrentando, dentro dos seus territórios ataques de criminosos já conhecidos, como grileiros, garimpeiros e madeireiros. Ou seja, além da pandemia estão precisando lidar com aumento de criminalidade que, muitas vezes, encontra incentivo e apoio no discurso e nas medidas institucionais do atual governo.

Para lidar com as situações criadas ou agravadas pela Covid-19, a Apib promove a Assembleia Nacional de Resistência Indígena. O objetivo é coordenar as estratégias de combate à disseminação do novo coronavírus de forma unificada e respeitando as diferenças regionais e culturais. Para construir um plano de enfrentamento, lideranças regionais e especialistas não indígenas de diferentes segmentos irão compartilhar diagnósticos locais de danos causados pela disseminação do vírus a fim de compreender como as comunidades estão lidando com os casos e se têm acesso a equipes de saúde.

Além da construção do plano de enfrentamento, a Apib propôs uma cerimônia em memória às vítimas de Covid-19 para visibilizar e humanizar as perdas dos povos indígenas. Problemas na notificação dos casos também preocupam os povos indígenas, uma vez que a Sesai registra apenas casos e óbitos de indígenas aldeados – ou seja, excluindo os parentes que vivem em contexto urbano. Por isso, um dos eixos temáticos na agenda do encontro é a articulação de redes de apoio e de informação para suportar os casos que solicitam ajuda imediata e verificar casos ainda não registrados pela Sesai.

A articulação da Assembleia ocorre logo após a realização da 16ª edição do Acampamento Terra Livre 2020 que discutiu medidas de prevenção e proteção dos indígenas brasileiros, mas também alertou sobre questões e lutas antigas como batalhas judiciais movidas para atacar populações tradicionais em seus territórios. Assim como o ATL, a Assembleia também será realizada online, respeitando as orientações da OMS para evitar aglomerações e sem colocar em risco as comunidades representadas.

Confira a programação completa da Assembleia, online, neste link: http://apib.info/2020/05/08/assista-a-assembleia-da-resistencia-online/

Sexta-feira, 8 de maio

9h às 9h30 – Ritual de abertura
9h30 – 10h10 – Saudação da Coordenação da APIB
10h10 às 12h40 – Diagnósticos regionais sobre a COVID-19 nas aldeias e o impacto sobre os povos indígenas
12h40 às 14h – Espaço aberto para lideranças indígenas de base
14h30 às 15h10 – Fala geral orientadora da metodologia da tarde
15h às 17h – Construção de redes de informação e apoio
17h às 19h – Apresentação das relatorias das mesas e encerramento do dia
19h às 21h – Atividades culturais

Sábado, 9 de maio

9h às 9h30 – Ritual de abertura
9h30 – 10h – Apresentação do resumo do dia anterior e como será o dia de atividades
10h às 12h – Medidas jurídicas e legislativas para garantia de Direitos dos povos indígenas no enfrentamento ao Covid-19
10h às 12h – Medidas emergenciais para o enfrentamento da Covid-19
12h às 14h – Mesa dos presidentes do Conselho de Saúde Indígena (Condisi)
14h às 16h – Debates sobre instâncias internacionais
14h às 16h – Campanhas de comunicação em rede/Estratégia de comunicação em rede
16h às 17h – Fechamento – Apresentação das propostas e diretrizes
17h às 18h – Apresentação de comitês, conselhos e grupos de trabalho formado por indígenas e não indígenas para o fechamento e apresentação do plano de enfrentamento
18h às 19h – Cerimônia em memória às vítimas da Covid-19
19h às 20h – Atividades culturais

Assembleia Nacional de Resistência Indígena
Quando: 8 e 9 de maio
Onde: @apiboficial
Contatos para a imprensa: Yaponã Bone (99) 98126 4090 e Caio Mota: (65) 99686 6289

Assessoria de comunicação da APIB

Hoje é o Dia do Artista Plástico – Minha homenagem aos profissionais

Hoje, 8 de maio, é o Dia do Artista Plástico. A data foi escolhida em homenagem ao pintor José Ferraz de Almeida Júnior, um dos artistas brasileiros mais importantes – século XIX. Nasceu em Itu (SP), no dia 8 de maio 1850. Aos 19 anos entrou para a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde foi aluno de Jules Lê Chevrel, Victor Meirelles e Pedro Américo. Em 1876, recebeu uma bolsa de estudos do Imperador dom Pedro II e seguiu para Paris, onde participou da exposição arte mais badalada da época, o Salon Offíciel dês Artistes Français.

O pintor produziu cerca de 300 obras, e entre seus quadros mais famosos estão Violeiro, Picando Fumo e Caipiras Negociando, que retratam o dia-a-dia do homem do campo. Almeida Júnior morreu assassinado dia 13 de novembro de 1899, em Piracicaba (SP). Em 1950, 8 de maio foi oficializado como Dia do Artista Plástico Brasileiro.

Admiro gente inventiva e esses profissionais são verdadeiras usinas de criatividade. Portanto, parabéns aos pintores, escultores ou qualquer um que consegue manipular e produzir arte por meio materiais que revelem uma concepção estética ou poética.

Me vanglorio de ser amigo de músicos, escritores, jornalistas, poetas e artistas em geral, entre eles, os plásticos. Gente que foge da mesmice e não vivem vidas ordinárias.

Destaque para os artistas talentosos que também são brothers deste editor. Em nome deles, parabenizo todos os artistas plásticos do Amapá. Congratulações!

Elton Tavares

O valor das artes e os artistas plásticos – Crônica porreta de Fernando Canto

Por Fernando Canto

O Amapá sempre foi muito injusto e ingrato com seus artistas plásticos. Talvez porque não vivem na mídia como os músicos e compositores ou, mais raramente, como os escritores quando premiados.

Há muito acompanho a evolução das artes amapaenses, pois sempre admirei a pintura e busquei incentivá-la, tentando valorizar cada novo artista que surgia e promover aqueles mais considerados, com exposições montadas dentro e fora de Macapá. Por acompanhar esse processo possuo uma razoável coleção de telas e esculturas de diversos artistas, iniciada na década de 70. Algumas figuram em catálogos, capas de livros e outros impressos e já participaram de mostras periódicas de arte.

Raríssimos são os fiéis que vão às missas na igreja mais antiga da cidade que sabem identificar a autoria dos belos painéis iluminados atrás do altar. “Fuga para o Egito” e “São José Carpinteiro”, exemplos clássicos de pintura acadêmica, são do padre Lino Simonelli, aquele padre italiano brincalhão de barba longa e branca, que a todos envolvia com sua simpática e humilde forma de ser. Poucos também deram o devido valor ao padre Fúlvio, um arquiteto italiano que projetou igrejas e outras obras importantes da Diocese de Macapá. Fúlvio também pintou dezenas de obras de arte com seu estilo bizantino, enriquecendo de detalhes o traje dos santos retratados, as cercaduras e coroas, sem contar que o tipo de tinta e as cores que usava davam um significado especial às telas e um valor estético fora do comum.

Uma das maiores expressões do modernismo brasileiro morou no Amapá. Pelo que conheço há apenas uma única obra de Aluísio Carvão em Macapá. Está na residência governamental. É uma pequena pintura da grade de ferro de um calabouço da fortaleza de Macapá em tons vigorosos de vermelho claro-escuro, adquirida provavelmente no primeiro governo do Território do Amapá. Carvão era cunhado de Janary Nunes. Premiadíssimo, ganhou bolsa de estudos para estudar pintura na França e se radicou no Rio de Janeiro, onde suas obras foram valorizadas e seu trabalho reconhecido.

Muitos dos nossos melhores artistas migraram para aperfeiçoar suas técnicas. R. Peixe, que pintava vasos e ladrilhos na antiga Olaria Territorial, estudou no Rio, voltou e se tornou um dos mais importantes artistas locais. Manoel Bispo, o mais fantástico surrealista que conheço, e Olivar Cunha estudaram na escola do Parque Lage, também no Rio. Já Manoel Costa, que misturou estilos de Bianco e Portinari nos seus trabalhos de temática amazônica, consagrou-se com seu talento e ainda hoje realiza exposições no Brasil e no exterior. Vicente Souza, o pintor dos bambus, premiado na Europa, era oriundo do município de Amapá. Infelizmente teve a carreira interrompida pelo seu brutal assassinato no Rio de Janeiro.

O. Cunha, que a todos surpreendeu com a confecção de painéis no programa televisivo “Roda Viva”, apresentado pelo jornalista Carlos Lobato na TV Band, vive em Vitória, no Espírito Santo, onde trabalha como pintor e restaurador de obras de arte e até de igrejas. Considero O. Cunha um dos mais talentosos artistas locais, de quem cultivo a amizade e adquiro telas há mais de trinta anos. São muitos os artistas amapaenses, antigos e novos, todos com brilho próprio que admiro pela criatividade e talento, e torço para que despontem nesse difícil cenário das artes plásticas nacionais. Entre eles estão o Dekko, Tom D.C., Limeira, Homobono, Grimualdo, Ivam Amanajás, Wagner Ribeiro, Irê Peixe, Ernandes, Josaphat e Herivelto. Agora só falta o poder público fazer a sua parte e valorizar esses extraordinários artistas que merecem ser reconhecidos pelo conjunto da sociedade. Porque de uma coisa tenho certeza: todos eles valorizam as coisas de nossa terra.

*Republicado por conta do Dia do Artista Plástico, celebrado hoje, 8 de maio.