Nostalgia, cinema e a viagem no tempo (crônica de Elton Tavares)

Eu, quando jovem

Sou um nostálgico assumido, como todos que lêem este blog bem sabem. Também adoro o tema viagem no tempo e tudo que ela pode proporcionar, como, por exemplo, mudar o passado e buscar no futuro o aprendizado da paz com a evolução dos homens. Algumas teorias sugerem viagens no tempo através de realidades paralelas. Claro que a possibilidade disso é zero (Será?).

O conceito já foi abordado diversas vezes como ficção-científica na Literatura e Cinema. A linha mais famosa é do autor de obras sobre o tema, o escritor H. G. Wells. Como já escrevi antes, todos sonham com o poder de viajar no tempo.

Os curiosos querem saber o futuro e os nostálgicos, como eu, voltar ao passado. Quem sabe corrigir rupturas de grandes amizades, não investir em falsos amores, evitar mortes de pessoas que amamos e avisar sobre todo tipo de catástrofes, entre outras coisas.

Certa vez, tive um pesadelo com jeito de lembrança: eu era um guerreiro da idade média e fui ferido mortalmente em uma batalha. Quem sabe, seguindo a linha do espiritismo, isso não rolou mesmo? Falando em doideiras que não consigo explicar com o passado, que nunca teve um Déjà vu? (pronuncia-se Déjà vi, é um termo da língua francesa, que significa “já visto”).

Uma reação psicológica que faz com que o cérebro nos informe que já vivemos aquilo ou estivemos naquele lugar, sem jamais termos ido presenciado tal fato. É muita onda!

Sobre a viagem no tempo, sempre digo que a música é o principal veículo para o passado, mas já imaginaram se rolasse umas idas e vindas para o futuro e passado, de fato, como no cinema? Seria uma doideira sem fim, uma sucessão de correções de erros cometidos lá atrás, a história aconteceria em círculos.

Nos filmes “O Homem do Futuro”, onde Zero (Wagner Moura), vai atrás da amada em uma máquina do tempo construída por ele mesmo; Click, longa que conta a história de Michael Newman (Adam Sandler), que através de um controle remoto, adianta-se e regressa-se no tempo de sua própria vida; ou Feitiço do Tempo, onde Phil Connors (Bill Murray) simplesmente dorme e acorda na manhã do mesmo dia, numa maluquice sem fim; no drama romântico “Em algum lugar do passado”, filme no qual Richard Collier (Christopher Reeve), por meio da auto-hipnose, se transfere para determinado espaço no tempo em busca de sua amada Elise (Jane Seymour);ou Evan Treborn (Ashton Kutcher), em Efeito Borboleta, que lia trechos de seu diário para voltar no tempo até a época em que o texto foi escrito. E, claro, Marty McFly (Michael J. Fox), que retorna ao passado e viaja ao futuro a bordo do carro Delorean, transformado em máquina do tempo pelo dr. Emmett “Doc” Brown (Christopher Lloyd)

Outros tantos também se desenvolvem em cima do tema. A Viagem no Tempo inspirou filmes como: A Quadrilogia O Exterminador do futuro; Bill & Ted -Bogus Journey ; A Máquina do Tempo; Os Doze Macacos (Twelve Monkeys); “Voyagers – Os Viajantes do Tempo”; “Donnie Darko”; Dejavu; Stargate”; Meia-Noite em Paris; Planeta dos Macacos; A Ressaca, e o seriado Lost.

Agora chega de devanear, pois se a maquina do tempo existisse, já tínhamos visitado a nós mesmos. Muito mais bacana do que ficarmos apegados ao passado e com medo do futuro é vivermos o agora da melhor forma possível. Dar uma nova chance a nós mesmos e tentar abrir portas que se fecharam há muito, sempre na luta pela felicidade própria e de quem amamos.

Afinal, a vida é agora!

Elton Tavares

Quem nos dera um adeus digno

 
Várias vezes, sonhei que conversava uma última vez com uma pessoa que partiu. Sim, sim, alguns dirão que tenho muita imaginação, outros que sou ficcionista ou até mesmo assombrado. 
 
Bom, o lance não é imaginário mesmo. Quase sempre, imaginamos viagens no tempo  para falar com pessoas queridas que se foram ou quem sabe alertá-las sobre um perigo iminente. 
 
Não falo de viagens no tempo provocadas por portais abertos no espaço-tempo como nos filmes “Donnie Darko” e “Efeito Borboleta”, cheios de possibilidades de mudanças e conseqüências.

Também não queria psicografia, entoação ou algo assim. Falo da oportunidade de uma aparição da pessoa. Do amigo ou ente querido se manifestar logo após a desencarnação. 

Dessa forma podemos dizer ou escutar qualquer coisa do tipo: eu te amo, siga seu caminho, pois vou cuidar de tudo por aqui. É isso!
 pai

Óquei, pode soar meio lunático, mas sem querer ferir o código de ‘futuro pré-determinado’ denominado destino, o sindico de tudo isso aqui, de codinome Deus, poderia colocar mais essa cláusula no livre arbítrio: a possibilidade de se despedir. Seria ótimo. E como seria! 


Não, não se trata de “consertar” nada e sim uma última chance de diálogo. Uma conversa franca e um adeus digno. 
 
Elton Tavares

Há dois anos, foi extinto o Orkut, o nosso primeiro hospício virtual

 
O Google mataou (desativou) o Orkut há exatamente dois anos. O site, criado em janeiro de 2004 pelo engenheiro de software turco Orkut Büyükkökten, foi uma febre no Brasil, assim como o Facebook. Aliás, os brasileiros foram os recordistas de adesão. Em dezembro de 2011, ele foi substituído pelo “Feice”, que deu as caras por aqui em português. 
 
Aí, por causa dessa parada, fui ao meu antigo “profile” Orkut salvar fotos velhotas. Bateu logo saudades. A nostalgia foi um misto de alegria e tristeza. Amigos que já partiram para outro plano, outros que não são mais amigos e aqueles que foram embora de Macapá. Momentos felizes eternizados nas imagens, manifestações de carinho, etc. Coisa louca saporra de lembrança virtual que mexe com a memória afetiva. 
 
Lembro que para entrar no Orkut, ainda em inglês, era preciso um convite de um amigo. Depois traduziram a rede social e você já podia criar um perfil sem ser convidado. Fui expulso do site três vezes. O motivo? Discutia nas comunidades, me divertia com a polêmica dos assuntos banais que rolavam nas comunidades mais inusitadas. 
 
Só que o Orkut não era só guerrinha pra tirar barato com as minhas idiotices e futilidades (minhas e dos outros), mas também umas paradas bacanas. Para encontrar pessoas então, era uma espécie de Interpol.
 
Lá, escrevi e recebi “scraps” (recados) de amor, amizade, elogios e “testimonials” depoimentos bacanas. Muitas juras para sempre (que sempre acaba). No Orkut encontrei uma velha amiga que acabei namorando por cinco anos. Por causa dele, eu e outra moça que namorei quase nos matamos. Ciúme virtual nem é uma coisa tão das antigas assim. Não no meu caso (risos). 
 
O Orkut foi o nosso primeiro hospício virtual. Foi um lance paidégua, apesar de dizerem que a “orkutização” seja uma grande babaquice, todos nos divertimos (e muito) por lá. Sim, aquela parada foi legal pra caramba. Valeu!
 
Elton Tavares

O louco e o anjo – Belo texto de Osmar Júnior

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Há dias que conversamos e não tenho certeza de sua existência, mas acho que isso não faz diferença pra você, pois se sua missão for de proteção, amor e justiça, minhas incertezas permitirão que eu te busque, mesmo às vezes achando que é um lado do meu cérebro conversando com o outro.

Mas não vou desistir de falar com você, isso seria desconstruir dentro de mim uma antiga relação, ou ideia. E as ideias se ligam no plano dimensional como foi ensinado por Jesus, o que liga embaixo, liga em cima.

Sou motivado um pouco por vícios humanos, algum materialismo e outras coisas medíocres que esse corpo pede, é insignificante o que faço diante da loucura do mundo. Eu acho que não posso saber de toda verdade sobre as suas verdades, mas vou acreditar naquilo que meu coração sente, e chamar por você sempre que me sentir em desgraça, ou quando eu ficar feliz e grato.

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Dentro de mim imagino você, fora de mim te vejo nas árvores e nos pássaros, na música e nas estrelas. Às vezes creio na saudade, e ela fala em voltar para o Sol. Pedacinhos, mil pedacinhos de Sol somos, seria ideal, ou no mínimo divino se fosse assim.

Nem todo mundo entende as mensagens, sinais, gravuras, acontecimentos; sua linguagem além de midrash, pra mim, é puramente arte, e está em duo na fala das pessoas; consigo ouvir você e consigo infelizmente ouvir outros que são sarcásticos.

Não quero ficar feito louco por aí achando que minha verdade é a única; só quero uma fórmula de viver e morrer levemente, e quem sabe ser feliz com você até o fim dos tempos, se é que o tempo tem fim.

Osmar Júnior

Lá vamos nós para mais um fim do Mundo – (temos até a meia-noite pra esperar)

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Hoje, assisti a um vídeo sobre uma “profecia” que se alastrou na internet. Conforme a produção apocalíptica, o fim do mundo estaria na agenda celestial para hoje, 29 de julho de 2016.images-27 Não é de hoje que as teorias de que o fim do mundo está com data marcada acontecem. Dessa vez, quem prevê o fim do planeta é o canal do Youtube End Time Prophecies.

Escuto devaneios sobre o fim do planeta desde que me entendo por gente. De acordo com o livro mais famoso do mundo, já rolaram finais em fogo, enchente e tentaram reeditar o evento na versão meteoro, que fez todos os dinossauros dançarem. Agora a bola da vez para o apocalipse é a doideira climática.

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Um vídeo publicado no dia 9 de julho deste ano no YouTube, intitulado Por que o Mundo Vai Acabar dia 29 de Julho de 2016, com certeza? Já conta com mais de 4 milhões de visualizações e cerca de 6 mil comentários. De acordo com a organização End Times Prophecies, responsável pelo conteúdo alarmista e “profético”, nesta data, os polos da Terra se inverterão, causando uma mudança de temperatura tão drástica que o planeta vai se tornar inóspito para a raça humana, provocando sua extinção.

No vídeo, é possível ver uma ilustração gráfica dos eventos previstos. Com o uso de tecnologia de última geração, os autores conseguiram projetar inundações repentinas, cataclismo, com uma voz neutra que explica o que vai acontecer.fim dos tempos

Sem provas que justifiquem as teorias, o material se apoia em citações bíblicas: “No dia em que Jesus voltar, acontecerá a inversão dos polos. A Terra vai rachar”.

Não é a primeira vez quando alguém tenta prever a data exata do fim do mundo, e como isso ainda não aconteceu, a agência de notícias russa Sputnik tentou descobrir se há evidências que apoiam as reivindicações deste vídeo.

fim-do-mundo-620-original1De acordo com a astrologia, não há evidências que indicam que no dia 29 de julho vai acontecer o desastre”, afirma Bettina Marfetan, astróloga uruguaia com 25 anos de experiência na área de astrologia global, em uma entrevista à Sputnik.

Bom, como eu disse, na virada de 1999 para o ano 2000, nos tempos do famoso “Bug do Milênio”; em 2012, por conta do tal calendário Maia (a existência se extinguiria em 12/12/2012) eimages (6) a teoria da facção religiosa chamada de “Deus Pentecostais em Camuy” (que afirmou ano passado que o fim chegaria entre os dias 22 e 28 de setembro de 2015, por meio de um asteróide) repito: se o mundo acabar, minha vida valeu a pena. E como valeu!

Nessa vida, que, segundo a profecia, está na reta dos boxes, curti, amei e honrei minha família e amigos; namorei muito; viajei bastante; bebi e comi demais; ahomer-2Bbeer.gifmanheci na farra incontáveis vezes; dei porrada em safados de todo tipo (verbal, textual e fisicamente); assisti a shows de rock; escrevi e disse o que quis para quem gosto e para os que detesto; pulei carnaval; vi o Flamengo ganhar vários títulos e a seleção brasileira ser campeã do mundo duas vezes; trabalhei e fui reconhecido; fui amado e também odiado quase na mesma proporção.fim

Se mesmo rolar apocalipse, volte a fumar, dê uma festa, transe e beba. Ah, diga “eu te amo” para familiares e amigos de verdade.

E que todos nós levemos o farelo. Pois, se ficarem uns gatos pingados pra contar vantagem, aí é sacanagem!

Enfim, se a profecia no vídeo estiver certa, tenham um ótimo fim. Senão, amanhã este site voltará com sua programação normal. É isso…

*Mas a pior tempestade mesmo, que destrói nossos mundos interiores, é sempre dentro de nós. 

Elton Tavares

Fonte: Sputnik News

Poema de agora – O sonho é o verbo, o pesadelo é a visão (Fernando Canto)

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O sonho é o verbo, o pesadelo é a visão

O sonho move/ o pesadelo retém
Palavras prendem/ o texto liberta
O sonho instiga/ o pesadelo ilumina
A voz se solta/ o eco expande
O sonho é o tempo/ o pesadelo o espaço
A palavra lavra/ o texto laça
O sonho enevoa/ o pesadelo escolhe
A palavra planta/ o texto colhe
Quando o pesadelo
É a brasa
E o sonho
É água
A palavra é sonho
E o texto pesadelo
Quando o texto
É o ralo
E a palavra
Corre
O pesadelo acorda
E o sonho morre

Fernando Canto

(*) Os versos deste texto podem ser lidos de trás para frente; cruzados nos substantivos e verbos; alternados; invertidos em direções diversas ou como o leitor quiser. Pode-se até fazer jogral com a plateia para que se criem novos versos, com novas palavras. O importante é ter sonhos, pesadelos, palavras e textos para que se crie uma filosofia sobre o tema (F.C).

Uma breve reflexão sobre o tempo

 
Já devaneei muitas sobre o tempo. Na verdade, penso isso sempre, quase o tempo todo. Quanto tempo tenho? Quanto tempo temos? Faz quanto tempo? Será que vai dar tempo? 
 
A verdade é que o tempo passa rápido demais. O grande lance é o que você faz com ele. Muita gente lamenta que em outros tempos não era assim ou assado. Outros buscam fazer a diferença há muito tempo. Ainda existem aqueles que lamentam os acontecimentos em suas vidas e querem mudar o passado o tempo todo. 
 
Dizem que o tempo é remédio e o senhor da razão. Concordo. Faz tempo que escrevo aqui minhas memórias, devaneios, achismos, atualidades e coisas de outros tempos. 
 
O tempo transforma, ensina, caleja. Como diz Gilberto Gil: Tempo Rei! Oh Tempo Rei!Enquanto o misterioso tempo acelera, traz alegrias e leva tristezas, dou tempo ao tempo, mas trabalho para melhorar o tempo todo. Afinal, sempre é tempo de sonhar. 
 
Outra verdade (as verdades ditas aqui são só minhas) é que lembro mais dos bons tempos. Pois os tempos difíceis, superados com muito trampo, foram só aprendizado. O que marcou mesmo foi o tempo bom com pessoas queridas. 
 
Há muito tempo, só quero saber do que pode dar certo, por não ter mais tempo a perder. Pois é tempo livre de ser. Há tempos, não somos mais tão jovens. Mas não foi tempo perdido. Se foi pra você, que já tem quase ou mais de 40 anos, dê um tempo,  pois não há mais tempo pra fingir ter 20. 
 
Elton Tavares

Vida perfeita?!

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“Em forma, mais feliz, mais produtivo, confortável, sem beber demais, exercícios regulares na academia 3 vezes por semana, se relacionando melhor com seus sócios e empregados, à vontade, comendo bem, nada de comidas de microondas e gorduras saturadas, um motorista mais paciente e melhor, um carro mais seguro, um bebê sorrindo no banco de trás, dormindo melhor sem pesadelos, sem paranoia, cuidadoso com todos os animais, nunca lavando aranhas nos buracos das tomadas, mantendo contato com velhos amigos, desfrutar de uma bebida de vez em quando, Frequentemente checar o crédito no banco, favores por favores, apaixonado, mas não amando, ordens permanentes de caridade, aos domingos super-mercados, não matar, ou colocar água fervente em formigas, lavar o carro também aos domingos, já sem medo do escuro ou das sombras do meio-dia, nada tão ridiculamente adolescente e desesperado, nada tão infantil, em um ritmo melhor, mais devagar e calculado, sem chance de escapar, agora empregado de si mesmo, um membro da sociedade informado e habilitado, idealismo, não pragmatismo, não vai chorar em público, menos chances de doenças, pneus que aderem no molhado, foto do bebê com cinto de segurança no banco traseiro, uma boa memória, ainda chora em um filme bom, ainda beija com saliva, não mais vazio e frenético como um gato amarrado a um pedaço de pau, que é levado à merda do inverno congelado, a capacidade de rir de fraqueza, calmo, em forma, saudável e mais produtivo. Um porco em uma gaiola de antibióticos” – Fitter Happier – Radiohead.

No manicômio (devaneio de Ronaldo Rodrigues)

 

 
De repente, ouviu-se um barulho ensurdecedor. Era a tarde que caía.
 
O diabo do filho do vizinho passou com sua banda, fazendo um barulho dos infernos.
 
O silêncio que imperava pegou sua coroa e saiu de mansinho, já caindo no chão, morto de vergonha.
 
Sentiu-se um forte cheiro de tinta. Era a meninada pintando o sete.
 
Com uma enorme colher, a empregada alimentava a vã esperança de que tudo se ajeitasse.
 
As pessoas atiravam em todas as direções, tentando matar o tempo.
 
Ouviu-se uma pancada e um berro desafinado. O relógio tinha batido a hora errada.
 
O cheiro de comida veio da cozinha armado até os dentes de alho e invadiu a sala prometendo matar todo mundo… de vontade de comer.
 
Ronaldo Rodrigues

Uma pequeno paralelo entre a série House of Cards e a política amapaense

Season_1_Chapter_4

Por Vitória Gurgel

No seriado House of Cards, o protagonista Frank Underwood tinha como aliado Peter Russo, um congressista toxicômano faz-tudo pra ele. Por orientação de Underwood, Russo entra no Alcoólicos Anônimos e concorre a governador de seu estado. Tudo vai bem, até que Russo tem uma recaída no mundo das drogas, bota a campanha a perder, e após dias de farra e depressão, é encontrado morto em seu carro. De fato, Russo foi assassinado por Underwood, mas a verdade nunca veio à tona.

Com a morte de Russo, Underwood alcança a vice-presidência e, após criar uma série de acontecimentos (aparentemente aleatórios) que culminariam com um impeachment, não restou ao presidente outra alternativa senão a renúncia. Assim, Underwood conseguiu alcançar seu objetivo de se tornar o homem mais poderoso do mundo.

Fazendo um paralelo com o Brasil, Cunha tem Vini Ownerboite como aliado que, até onde sei, não é toxicômano, mas mistura álcool com remédios controlados… A sequência lógica dos fatos seria o Vini concorrer ao governo do Amapá, ter uma recaída, misturando doses cada vez maiores de álcool e remédios, sendo por fim encontrado morto em seu carro (não se sabe se morto de overdose ou homicídio). E o impeachment da Dilma já está acontecendo!

Portanto, Ownerboite, se o Cunha propor que você concorra a governador do Amapá, desconfie! É casinha!!!

De repente… quarenta! – Texto de Clícia Di Micelli, lido durante a festa do seu aniversário, no último sábado, 20

Há exatamente uma semana, minha amiga Clícia di Micelli completou 40 anos. Durante sua festa de aniversário, ela leu um texto lindão que resume não somente sua vida, mas toda uma geração. Editei e exclui particularidades da broda e deixei o texto para todos que, como eu, fizeram ou farão 40 anos este ano. Leiam e se emocionem:

“Obrigada pela presença de todos. Não escolhi um tema pra minha festa, escolhi um título:De repente… quarenta!

Atravessei 4 décadas conhecendo centenas de pessoas, mas a gente só se dedica àqueles que o nosso coração elege. Tirando a relação familiar que aprendemos a conviver e amar desde que nascemos, os amigos que fazemos ao longo da vida são todos aqueles que o nosso coração se apaixona. Nasci em 76. Entre meados de 70 e o início desse novo século é o perí
odo que compreende a minha existência, e são os símbolos desse tempo histórico que fiz questão de trazer pra essa comemoração de hoje.

Não é festa Ploc, festa Retrô, festa Anos 80; tão pouco Baile da Saudade. Nada disso. É a festa de quem viveu um bocado de coisa nesse período e de repente… quarenta! Imagino que, se existissem imagens da nossa infância e adolescência, sempre apareceríamos dando gargalhadas, dividindo segredos e sendo felizes. tumblr_mr4qpgm6JF1qzissjo1_1280Quarenta anos se passaram e todas essas referências estão aqui. Não tenho como esquecer que ocupava minhas tardes vendo os desenhos Hanna Barbera (Manda Chuva, Os Herculoides, Wally Gator, Jonny Quest, Tartaruga Touchê, Coêlho Ricochete e tantos outros); Que eu sonhava em voar no balão com a turma do Balão Mágico; Que eu daria meu mundo pra assistir o show dos Menudos; Que as tardes de sábado eram animadas pelo Chacrinha e que, aos domingos, o Beto Carreiro aparecia chibante no intervalo dos Trapalhões.

Brunzwick-Geraldo_oQue Os Goonees foi o primeiro filme que assisti no cinema, pra ser mais precisa, no Cine Veneza e que a minha heroína era a Mulher Maravilha… Também que eu dormia mais tarde nas noites de Armação Ilimitada; E que eu ficava angustiada quando a turma da Caverna do Dragão desistia de voltar pra casa, mesmo diante do portal, porque um deles ficou pra trás; É claro que juntei moedas no cofrinho da Caixa Econômica Federal; Lembro bem, que ir na carreta da Cobal era chato; bom mesmo era acompanhar a mamãe as compras no Brunzwik lá tinha um parquinho pra gente brincar; Que eu joguei moeda para o Poraquê da Lobras, em Belém; Que eu pulei carnaval nos bailes infantis do Esporte Clube Macapá, do Lions Clube, do Círculo e da APA.paquitas primeira geração

Cresci e pude desfrutar das temporadas noturnas do Círculo Militar, comandadas pela Banda Placa Luminosa; Não posso negar: fui criança aprendendo a escrever errado no universo “X” da Xuxa. Sonhar em ser Paquita era o óbvio, mas um dia chegou a fase em que sonhar com os Paquitos era bem mais interessante. É claro que eu rebobinei fita K7 com caneta BIC; Que eu sofria com o desencontro amoroso da Duda e Lucas / Malu Mader e Taumaturgo Ferreira na novela Top Model, casal que tinha como trilha a lindíssima música “Oceano”, do Djavan.

São muito vivas as lembranças negativas que os Planos econômicos dos governos Sarney e Collor causaram às famílias brasileiras. Várias vezes fui guardar lugar na fila pra mamãe entrar na Romana em busca de leite e outros produtos básicos, que tinham sumido das prateleiras dos mercados. Era tempo dos preços congelados do Plano Cruzado, que evoluiu pra Cruzado Novo e outras desastrosas tentativas de salvar a economia do Brasil. Vi o papai amargar a falência. Os pequenos comerciantes não sobreviveram e sucumbiram diante de um país que vivia sob uma economia desgovernada.

tumblr_lm27e1NFdu1qkgabpo1_500Assisti ao “Caçador de Marajá” desafiar o povo a sair às ruas de verde amarelo, e nós, o povo, fomos de preto. Fui pra rua no “Fora Collor”, sou geração cara-pintada! Vibrei muito vendo a Magic Paula e a Hortência desestruturarem as adversárias com as cestas de 3 pontos; Também jorrei lágrimas de amor assistindo Ghost – do outro lado da vida. Cristiane F… drogada e prostituída, debate obrigatório nas feiras de ciência das escolas secundaristas; É claro que eu tinha as fotos do John Lennon, Fernanda Abreu, Engenheiros do Hawai, Marina Lima e Heróis da Resistência na porta do meu guarda-roupa.

images (2)Eles dividiam espaço com os adesivos das marcas K e K, Company e Redley; Eu tirava minhas dúvidas mais intimas, devorando a revista Capricho; Eu sonhava em assistir a um show de rock nacional no Circo Voador; Carnaval de rua?

Desfilei quando ainda era da Av. FAB, pela Maracatu da Favela, é claro! Vi o Território Federal do Amapá se transformar em Estado; pelas rádios, Tvs e murmurinhos acompanhei o desenvolvimento e o fortalecimento da música amapaense, quando os artistas que se apresentavam nos bares de Macapá – Amadeu Cavalcante, Zé Miguel, Osmar Jr e Val Milhomem – partiram para o trabalho autoral, lançando hits e lotando, emanos 90 blog (1) noites de espetáculo, o então recém inaugurado Teatro das Bacabeiras; Comemorei minha aprovação na Unifap, em 95, com a musiquinha do Pinduca, acho que essa não sai de moda. É cafona, enche o saco, mas é bacana e tem que rolar. Entreguei fita VHS na locadora sem rebobinar e paguei taxa extra por isso; Segui o trio elétrico do Marco Monteiro no efêmero e marcante carnaval de Mosqueiro; Já tive o grande prazer de ver o Chico Buarque de Holanda caminhando sem camisa nas areias do Leblon; Já desfilei no templo do carnaval, a Marquês de Sapucaí. Pra uma boa foliã, isso é muita coisa.

Pororoca_foto_M_RCIA_DO_CARMOTive a honra de compartilhar horas de conversa com a gentil, elegante e imortal Tia Chiquinha; E vi de perto o encontro do rio Amazonas com o Oceano Atlântico, e pude presenciar o fenômeno da pororoca antes da foz do Araguari se transformar em pasto.

E a vida segue… Continuamos vivendo estórias e construindo a história! História sem mitos nem falsos heróis. História de verdade, com cenário de verdade e gente de verdade. E é com toda essa memória afetiva que planejei essa festa pra gente. Queridos amigos, sei que me alonguei, mas senti vontade de fazer isso e me permiti. Inclusive, quero dizer a todos que escrever tudo isso me fez muito bem e hoje entro na casa dos 40 mais leve e mais feliz.tumblr_lfykbyT8th1qggaj4o1_400

O tempo é generoso… E, a propósito, respondendo à pergunta da Mafalda, digo a ela que nascemos com muita antecedência pra gente acumular histórias e relembrá-las na festa de comemorações dos nossos 40 anos. Portanto, um brinde à vida e à generosidade do tempo. Tim-tim!”.

*A querida aniversariante ainda falou sobre sua família e amigos, mas preferi publicar somente essa linda viagem no tempo. Do nosso tempo. Tomara que a gente viva, ela, eu e todos que amo dessa geração, pelo menos mais 40 anos. Valeu, Clícia!

CONVERSA FORA – Miniconto de Fernando Canto

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Miniconto de Fernando Canto

Todos os dias, no final da tarde, quando sentavam em frente às suas casas, os vizinhos daquele bairro jogavam conversa fora. E tanto falavam, falavam, que as palavras foram tomando conta das ruas e avolumando em monturos de lixo viciados, pois eram palavras feias, chulas, fesceninas, pornofônicas e grossas como os moradores. Ninguém ali tinha uma palavra amorosa, uma frase doce ou um sussurro carinhoso. Eram palavras de ódio que a pobreza e a riqueza dos homens e mulheres de todas as idades usavam contra si e contra tudo. E tanto foram as conversas despejadas pelas bocas sujas das pessoas que elas também foram se afundando num lodaçal indefinível que a enxurrada de escombros palavrais trouxe, sem que elas percebessem. As palavras precisavam ser lavadas, mas ninguém sabia o que era isso e então todos pereceram no esgoto medonho, onde mora a monstruosa língua viva que se alimenta da comunicação entre os seres humanos.

A MENINA QUE VOMITAVA PEIXES (Conto de Fernando Canto)

Foto: André Lessa/AE

Por Fernando Canto

A menina lavava a louça no jirau estendido para o fundo da casa de madeira. No quintal havia um lago de águas represadas que no tempo invernoso transbordava, formando um córrego que por sua vez desaguava no rio.

Barrigudinha, como quase todas as crianças ribeirinhas amazônicas, ela ajudava a mãe depois do almoço e guardava no armário de madeira branca os parcos talheres e vasilhas usados nas refeições familiares.Navio1max

Quando seus parentes dormiam à tarde, Kelly do Socorro – esse era o nome dela – se dirigia ao pequeno porto da frente da casa para olhar os navios transportadores de minérios parados ao longo do rio, à espera de carregamento. Ali ela se imaginava viajando num daqueles monstros de ferros que povoavam a paisagem e alimentavam seus sonhos. Acenava, também, para os pescadores passantes em seus barquinhos motorizados movidos à gasolina, pois as velhas montarias a remo agora davam lugar às rabetas. Mas até o barulho delas lhe encantava.

A mãedownload quebrava o encanto, chamando-a. Era hora de preparar o jantar, antes que os carapanãs que costumavam aparecer subitamente em nuvens ao anoitecer enchessem a casa. O pai chegaria logo com cachos de açaí para serem debulhados e preparados no acompanhamento da refeição do dia seguinte.

Kelly chorava. – Dói muito minha barriga, mãe. Não aguento mais isso todo dia.

A mãe retrucava. – Tu tens que fazer isso, criatura. É da tua natureza. E fazia massagem na barriga, no peito e na boca da menina com azeite de copaíba.download

Talvez por causa do amargor desse óleo vegetal ela não resistia e expelia pela boca dezenas de peixes sobre o jirau. A mãe escolhia os maiores, descamava-os com rapidez e os fritava para o jantar. Os restantes eram jogados ainda vivos no pequeno igarapé atrás da casa. Eram de várias espécies e se reproduziam e cresciam rapidamente, formando enormes cardumes, para a satisfação dos pescadores da área.

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Numa deRabeta navega por entre manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará - Por Tito Garcezssas tardes de sonhos acariciados no olhar para o horizonte, a infeliz Kelly do Socorro, já mocinha e mais sonhadora ainda, estava sentada na ponta do trapiche quando ouviu o som de uma rabeta se aproximando. Levantou-se e viu um rapaz lhe acenando com um chapéu, convidando-a para uma volta nas águas antes que a tarde caísse. Era verão e certamente o espetáculo do crepúsculo lhe traria mais ardor e emoção. Pulou com destreza para dentro da embarcação e saiu com o desconhecido sob a explosão de um velho sol que se despedaçava em raios coloridos.spc

Desde esse dia ela não mais praticou o que a sua mãe lhe ordenava, exceto quando deu à luz, pela boca, a um menino de pele prateada e muito brilhosa, fato que levou a parteira do lugar a deixar a profissão e a vagar com os olhos fixos ao longo da ribanceira todos os dias, até desaparecer, dizem, comida por jacaré.

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Desse temdownload (2)po em diante os intervalos das marés na foz daquele rio são mais prolongados e não há mais abundância de peixes como outrora. Os pescadores se tornaram homens desesperançados, e a maioria vendeu suas terras e migrou para a cidade.

Kelly do Socorro agora amamenta o estranho filho na ponta do tr11ago2013---mulheres-conversam-em-trapiches-de-madeira-em-comunidade-ribeirinha-sob-pouca-ou-quase-nenhuma-iluminacao-1376087854937_956x500apiche de sua casa. Está sempre triste e cantarolando músicas que ouve no velho rádio de pilha do pai. Vez por outra, de forma escondida, quando o vento sopra forte e borbulhas emergem do rio, ela olha para os lados e, segura que não vem ninguém, abre a boca e joga n’água alguns peixinhos, que fazem a alegria e a algazarra dos bichos do fundo. O menino também solta aquele riso incontrolável de criança tenra.fabio-2

Ao pôr-do-sol ela se levanta com o filho e, como se esperasse alguém, olha por um bom tempo os navios cargueiros que começam a acender suas luzes lá longe. Então ela caminha em direção a casa pela estiva de madeira velha do pequeno porto, quando subitamente uma nuvem de carapanãs a arrebata acima das copas dos açaizeiros, e ela vê – imersa na felicidade – enfim, o moço sorridente que lhe acena com o chapéu, deslizando sobre as águas em sua veloz e barulhenta rabeta.