Marchas para Satanás: Deus win X Demônio loser!

download (3)

Olha, quem me conhece sabe: não sou religioso, não freqüento templos e não encho o saco de ninguém por causa de religião. O cara pode ser cristão, budista, umbandista, jedi ou sith. Mas acredito em Deus (Morgan Freeman, God; Dieu; Gott; Adat; Godt; Alah; Dova; Dios; Toos; Shin; Hakk; Amon ou simplesmente “papai do céu”, seja lá o nome da força que rege a vida, o tempo, etc.).

Ontem (17), váthumbsrios sites nacionais informaram que a “Marcha para Satanás não deram certo em todo Brasil”. As passeatas tinham como objetivo o pedido do suicídio dos pastores Silas Malafaia e Marcos Feliciano (apesar deles serem dois merdas, sou contra o incentivo para que pessoas se matem).

Outros motivos era a não pregação do ódio contra homossexuais, mulheres e transexuais e fim da isenção de impostos às igrejas, os quais concordo plenamente.

Achei bacana o lmarcha_satanas2ance da Marcha fracassar em todas as cidades brasileiras em que rolou essa viagem torta. As passeatas estavam marcadas em algumas capitais do país.

Teve de tudo.

Em Belém (PA) rolou um pé d’água barbudo que impediu essa malucada de marchar a favor do capeta. Noutras capitais, tumultos com a polícia. Em São Paulo, cidade que teve mais adeptos à manifestação nefasta, contou com 150 malucos andando por Lúcifer. Já era de se esperar da Babilônia né? (risos).destaque-356567-marcha

Ah, os malucos deveriam ir munidos de pentagramas e cartazes feitos em cartolina para depois serem mandados para a reciclagem. Muito mal e bom, né?

Sabem, se tem uma coisa que existe é o mal, pessoas maldosas e praticam escrotas. E se de fato o “coisa ruim” não existir, mas é a representação mitolócica disso, não rola né? Da mesma forma, segundo os ateus, Deus, Jesus, anjos, etc… são histórias pra boi dormir.

imagesOk, mas mesmo que forem como estes dizem, não representam o bem? Portanto, gostei dessa pisada satânica não rolar.

Volto a dizer, não sou religioso, mas acredito em Deus. Não sigo nenhum dogma estabelecido, mas acredito que uma força rege tudo isso.

Só acredito que as coisas não acontecem por acaso. Deve ser algo parecido como o espiritismo explica, ou movimentos cósmicos com algum coddownload (2)inome. Algo invisível, improvável, mas está lá e tenho certeza disso, pois graças a Deus, tenho uma sorte dos diabos. Por isso, adorei o fiasco da tal marcha. E fim de papo!

Elton Tavares

Fontes: Foco e Diário Online

Sobre a saudade e o tempo

Já falei muitas vezes aqui sobre o tempo. Na verdade, penso isso sempre, quase o tempo todo. Quanto tempo tenho? Quanto tempo temos? Faz quanto tempo? Será que vai dar tempo?

A verdade é que o tempo passa rápido demais. O grande lance é o que você faz com ele. Muita gente lamenta que em outros tempos não era assim ou assado. Outros buscam fazer a diferença há muito tempo. Ainda existem aqueles que lamentam os acontecimentos em suas vidas e querem mudar o passado o tempo todo.

Dizem que o tempo é remédio e o senhor da razão. Concordo. Faz tempo que escrevo aqui minhas memórias, devaneios, achismos, atualidades e coisas de outros tempos.

O tempo transforma, ensina, caleja. Como diz Gilberto Gil: Tempo Rei! Oh Tempo Rei!Enquanto o misterioso tempo acelera, traz alegrias e leva tristezas, dou tempo ao tempo, mas trabalho para melhorar o tempo todo. Afinal, sempre é tempo de sonhar.

Outra verdade (as verdades ditas aqui são só minhas) é que lembro mais dos bons tempos. Pois os tempos difíceis, superados com muito trampo, foram só aprendizado. O que marcou mesmo foi o tempo bom com pessoas queridas.

Há muito tempo, só quero saber do que pode dar certo, por não ter mais tempo a perder. Pois é tempo livre de ser. Há tempos, não somos mais tão jovens. Mas não foi tempo perdido.

E como sinto falta de algumas coisas de outros tempos, uso as palavras de Mario Quintana : “A saudade é o que faz as coisas pararem no Tempo”.

Elton Tavares

O Dia que o Godão morreu (crônica de Cíntia Souza)

 
O nó na garganta deixou meu o corpo mole. Acordei de luto. A tristeza é algo que enfraquece de dentro pra fora, sem te dar chance de reagir. “Foi de repente”, “Eu falei com ele ontem”, “Disseram que foi o coração… Mas também, mano!”, “É! A boemia tem preço”.
 
Meu amigo morreu.  Meu parceiro morreu e a gente nunca viajou junto, digo, ao menos não para outros lugares. Por isso não quero ficar com as lembranças, muito menos pirar com aquela lista de tudo o que não fizemos ou me punir por não saber aproveitar melhor o nosso tempo. Só a ideia me irrita. Tá certo! Tenho problemas com a morte. Invejo kardecistas. Eles são tão serenos na hora da passagem. Eu acho que eles fingem. 
 
Godão, Godão, se você estivesse aqui com certeza iria tirar um barato. O povo chorando, contando histórias, rindo, contando histórias e chorando. Interessante, todos têm algo para contar. E agora, como eu vou saber qual parte dessa biografia é real? Vai virar lenda, hein. É melhor deixar quieto. 
 
Além dos amados, da família firme e forte, será que você imaginaria que fulano viria até aqui? Beltrano também veio! Vixe… foram muitos encontros e desencontros. Eu queria que você pudesse ver isso. Tenho certeza que já imaginou o próprio funeral. Afinal, quem nunca?
 
Não faz muito tempo, talvez haja dois ou três meses, você postou algo sobre a sua rotina no trabalho e eu comentei citando a letra de uma música que a gente curte: “Eu desejo que você ganhe dinheiro, pois é preciso viver também. E que você diga a ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem”, e você emendou, “Eu te desejo muitos amigos, mas que em um você possa confiar”.
 
Sobre essa coisa da morte repentina, sabe o que mais revolta? A gente nunca foi do tipo que compartilha frases de Caio Fernando Abreu no facebook. A gente vivia na vera. E como vivia. Éramos Carpe Diem total! E, não sei se pelo fato de sermos jornalistas, mas fazíamos questão de registrar tudo. Tinha quem nos considerasse exibicionistas. Comédia! É injustiça tirar a vida daqueles que tentam aproveitá-la ao máximo. É isso o que revolta! E nós sabíamos aproveitar a vida como poucos.
 
Não sei por que conjuguei o verbo no passado. Afinal tudo isso foi apenas um sonho. Acordei fraca, com sede e com aquela aflição entranhada na alma. Passei a manhã pensando se aquele sonho teria algum sentindo, um significado especifico. Não encontrei nada até agora. Mas, ainda durante a manhã falei contigo in box, e te fiz me prometer que não vais morrer. Você jurou. 
 
O fato é que as pessoas morrem. Para quê, né?! Mas acontece. E sempre foi assim desde o começo. Dizem que teve um cara que foi e voltou, rasgou o véu, desceu a mansão dos mortos, mas depois ninguém nunca mais o viu. Há quem espere seu retorno. 
 
Daí eu fico pensando se há uma solução para isso. Mas não sei se queria ver alguém retornar do lado de lá… Creio na cruz!
 
Cíntia Souza, jornalista, sócia proprietária da Crível comunicação e querida amiga minha. Texto republicado, pois tem dias que a gente morre um pouco mesmo.

Nostalgia, dejavu, cinema e a viagem no tempo

 
Sou um nostálgico assumido, como todos que lêem este blog bem sabem. Também adoro o tema viagem no tempo e tudo que ela pode proporcionar: mudar o passado e buscar no futuro o aprendizado da paz com a evolução dos homens. Algumas teorias sugerem viagens no tempo através de realidades paralelas. Claro que a possibilidade disso é zero (Será?). 
 
O conceito já foi abordado diversas vezes como ficção-científica na Literatura e cinema. A linha mais famosa é do autor de obras sobre o tema, o escritor H. G. Wells. Como já escrevi antes, todos sonham com o poder de viajar no tempo. Os curiosos querem saber o futuro e os nostálgicos, como eu, voltar ao passado. Quem sabe corrigir rupturas de grandes amizades, não investir em falsos amores, evitar mortes de pessoas que amamos e avisar sobre todo tipo de catástrofes, entre outras coisas.
 
Certa vez, tive um pesadelo com jeito de lembrança. Eu era um guerreiro da idade média e fui ferido mortalmente em uma batalha. Quem sabe, seguindo a linha do espiritismo, isso não rolou mesmo? Falando em doideiras que não consigo explicar com o passado, que nunca teve um Déjà vu? (pronuncia-se Déjà vi, é um termo da língua francesa, que significa “já visto”).
 
Uma reação psicológica que faz com que o cérebro nos informe que já vivemos aquilo ou estivemos naquele lugar, sem jamais termos ido presenciado tal fato. É muita onda! Sobre a viagem no tempo, sempre digo que a música é o principal veículo para o passado, mas já imaginaram se rolasse umas idas e vindas para o futuro e passado, de fato, como no cinema? Seria uma doideira sem fim, uma sucessão de correções de erros cometidos lá atrás, a história aconteceria em círculos. 
 
Nos filmes “O Homem do Futuro”, onde Zero (Wagner Moura), vai atrás da amada em uma máquina do tempo construída por ele mesmo; Click, longa que conta a história de Michael Newman (Adam Sandler), que através de um controle remoto, adianta-se e regressa no tempo de sua própria vida; ou Feitiço do Tempo, onde Phil Connors (Bill Murray) simplesmente dorme e acorda na manhã do mesmo dia, numa maluquice sem fim; no drama romântico “Em algum lugar do passado”, filme no qual Richard Collier (Christopher Reeve), por meio da auto-hipnose, se transfere para determinado espaço no tempo em busca de sua amada Elise (Jane Seymour);ou Evan Treborn (Ashton Kutcher), em Efeito Borboleta, que lia trechos de seu diário para voltar no tempo até a época em que o texto foi escrito. E, claro, Marty McFly (Michael J. Fox), que retorna ao passado e viaja ao futuro a bordo do carro Delorean, transformado em máquina do tempo pelo dr. Emmett “Doc” Brown (Christopher Lloyd).
 
Outros tantos também se desenvolvem em cima do tema. A Viagem no Tempo inspirou filmes como: A Quadrilogia O Exterminador do futuro; Bill & Ted -Bogus Journey ; A Máquina do Tempo; Os Doze Macacos (Twelve Monkeys); “Voyagers – Os Viajantes do Tempo”; “Donnie Darko”; Dejavu; Stargate”; Meia-Noite em Paris; Planeta dos Macacos; A Ressaca e o seriado Lost. 
 
Como já disse o Amigo André Mont’Alvere, em outro texto sobre o tempo: “Os erros que foram cometidos ficaram para trás, é necessário corrigi-los, mas de nada adianta se escravizar ao passado. E mesmo que sejamos fortes, mesmo que sejamos por acaso, disparar contra o sol “metralhadoras cheias de mágoas”, não resolverá nada, pois um dia essa munição irá acabar. Quem nos odeia hoje pode nos amar amanhã ou se você amou alguém um dia, hoje, talvez, essa pessoa pode significar simplesmente alguém comum andando nas ruas”
 
Pode crê! Agora chega de devanear, pois se a maquina do tempo existisse, já tínhamos visitado a nós mesmos. Muito mais bacana do que ficarmos apegados ao passado e com medo do futuro é vivermos o agora da melhor forma possível. Dar uma nova chance a nós mesmos e tentar abrir portas que se fecharam há muito, sempre na luta pela felicidade própria e de quem amamos. 
 
Afinal, a vida é agora!
 
Elton Tavares

Devaneio de agora: Viva!

 
Após assistir notícias de gente morrendo, me deparei com o óbvio: como essa porra pode acontecer a qualquer momento! E outra, como li hoje: “avida é um sopro”. Exato. O grande lance é aproveitar o momento. 
 
A vida é um turbilhão doido, sempre trabalhando, amando, odiando, pirando e, às vezes, somente ignorando. São tantos momentos eufóricos e decepcionantes, uma verdadeira montanha russa passional.
 
É, como disse o poeta: “vida louca, vida”. Um movimento contínuo onde o tempo não pára e passamos conquistando amigos, fazendo inimigos, desatando nós, reatando laços, pulando fogueiras, fazendo planos, desfazendo ilusões, levando punhaladas, dando coices sem querer, batendo forte de propósito, atirando no escuro, errando querendo acertar, conquistando e perdendo espaço, levando muita porrada e sorte (e tudo com gerúndio mesmo). 
 
Enfim, a vida é sistemático processo de aventuras e desventuras em série. Um esforço continuo em busca da felicidade. É uma onda muito doida e passa voando, portanto, viva!
 
Elton Tavares

Devaneio de agora: Tanta! (ou seria tantã?)

 
Tava um tempinho sem tempo para discorrer sobre minhas divagações, devaneios, doidices e afins neste blog. Como tudo na minha vida foi muito, escrevi “Tanta”, mas poderia ser tantã. Saquem: 
 
Pra começar, foram tantas contradições, tantos temores, tantas pessoas e tantas as histórias nas últimas bem vividas três décadas! (época de moleque não conta). Como diz o tal Rei perneta: “tantas emoções”. 
 
Tantos bons e maus momentos, muitas alegrias e poucos choros. Tantos nascimentos e alguns enterros. Tantas músicas e pouca dança. Tantas paranaóias, manias, chatices e porretices. Tanto trabalho (sagrado), tanta farra, muito álcool, tantos muitos amigos (tantos ex amigos), tantas amanhecidas, algumas brigas, poucas angústias, poucos perdões.
 
Tanto veneno e pouco antídoto. Tantos escritos, várias interpretações erradas, tanta crítica tanto aplauso e tanto amor familiar.  Tantas velhas e novas sensações. Tantos romances cinematográficos. Tantas falsas certezas, tantos enganos verdadeiros. Tantos parágrafos tragicômicos. Tantos sonhos possíveis e impossíveis.
 
Tantas expectativas, nada de limites, quantas frustrações. Tantos textos cheios de narrativas utópicas. Tantos amores surreais e paixões à bruta. Tanta coisa maligna. Tanta reprovação geral. Poucas ações a contragosto, muita liberdade!
 
Tantos Rocks, tantos sambas, tantas trilhas. Tantas brigas, muitas vitórias e poucas derrotas. Tanta coisa inesquecível, tantas saudades!
 
Tantos méritos e deméritos. Tantas experiências, vivências válidas em sua maioria e algumas em vão. Tantas memórias afetivas, tantas juras, tantas pieguices e tantos desenganos. Tanto Chico Burque na vitrola, tanta coragem e tanta falta dela. Tantos amores e tanta vida!
 
Elton Tavares.
*Texto republicado por falta de tanta falta de inspiração. 

Égua-moleque-tu-é-doido: talvez o mundo acabe amanhã, mas pode ser até o dia 28, segundo mais um profeta

download (3)

Hoje, li sobre uma “profecia” de um tal Efraín Rodriguez que se alastrou na internet. O cara é membro de uma facção religiosa chamada “ de Deus Pentecostais em Camuy” e deu o papo que recebeu de “Deus” um aviso sobre a “queda de um asteroide ou cometa com 4km de largura em Porto Rico, o que causaria o fim do mundo. O apocalipse estaria na agenda celestial para entre os dias 22 e 28 de setembro de 2015, talvez no dia 24 (amanhã).download

Bom, como eu disse na virada de 1999 para o ano 2000, nos tempos do famoso “Bug do Milênio”, e em 2012, por conta do tal calendário Maia (a existência se extinguiria em 12/12/2012): se o mundo acabar, minha vida valeu a pena!fimdomundo

Escuto devaneios sobre o fim do mundo desde que me entendo por gente. De acordo com o livro mais famoso do mundo, já rolaram finais em fogo, enchente e agora querem reeditar a versão do meteoro, que fez todos os dinossauros dançarem.images (2)

Os boatos de 1999 e 2012 causaram muito mais furor do que o suposto apocalipse de Efraín Rodriguez. Mas se tudo for inundado, virar pó ou até mesmo fogo, posso dizer que nesses meus 39 verões vivi, no mínimo, uns 45 anos. Tudo de forma intensa, visceral e autêntica.

DSC_0084Nessa vida, que, segundo a profecia, está na reta dos boxes, curti, amei e honrei minha família e amigos; namorei muito; viajei bastante; bebi demais; comi mais ainda; amanheci com amigos incontáveis vezes; dei porrada em safados de todo tipo (verbal e fisicamente); assisti a shows de rock; escrevi e disse o que quis para quem gosto e para os que detesto; pulei carnaval; vi o Flamengo ganhar vários títulos e a seleção brasileira ser campeã do mundo duas vezes; trabalhei e fui reconhecido; fui amado e também odiado quase na mesma proporção.lima

Se for rolar apocalipse, sem temer as consequências, volte a fumar, não pague contas, faça festas diárias, transe e beba hoje. Ah, diga “eu te amo” para familiares e amigos de verdade.

resize-500x333_resize-500x333-10-27Tenho certeza que o tal de Efraín Rodriguez está enganado quanto à sua profecia, inclusive a Agência Espacial Americana (NASA) desmentiu o cara e disse que não “Não há base científica – e nenhum traço de evidência – de que um asteroide ou qualquer outro objeto celeste irá cair sobre a Terra nessas datas”.nasa

Se houvesse qualquer objeto grande o suficiente para fazer esse tipo de destruição em setembro, teríamos visto há muito tempo”, disse Paul Chodas, gerente do escritório NEO da NASA.

download (1)Mas se por um infeliz acaso esse doido estiver certo(sei lá, a terra tremeu no Chile dia desses e sentiram em São Paulo), que todos nós levemos o farelo. Pois, se ficarem uns gatos pingados pra contar vantagem, aí é sacanagem!

Enfim, se o profeta estiver certo, tenham um ótimo fim. Senão, amanhã este site voltará com sua programação normal. É isso…

Elton Tavares

Devaneio de hoje: Antigamente

 
Antigamente a gente escrevia na camisa dos colegas no fim do ano, o que simboliza que cada um levaria a lembrança daquele amigo. Antigamente nós rabiscávamos o gesso da fratura que a pessoa querida tinha adquirido em algum acidente, diziam que ajudava na torcida para a calcificação rápida ou algo assim. 
 
Antigamente rolava ovada nos aniversariantes, brincadeira pra lá de sem graça com quem “tava de berço”. Ah, por falar em gracejos de mau gosto, também lembro que antigamente nós “conferíamos” o caderno do colega, numa disputa doida de que estragava mais o material alheio.
Antigamente todo mundo se conhecia em Macapá, se não de falar, pelo menos de vista. Muitos dizem que, antigamente, eu era mais legal. Já acho que antigamente era mais bobo e servia de besta para os que gostam deste gordo de antigamente. Antigamente voltávamos bêbados da cabeça do velho Trapichão, após termos matado aula no Colégio Amapaense, sempre desviando de buracos que o antigo cais tinha na madeira deteriorada. 
 
Antigamente era doido varrido. Hoje, muito menos. Antigamente eu vivia na casa da vovó, com ela, meu pai e tios. As reuniões eram mais frequentes. Antigamente tava todo mundo aí: Zé, Ita e João. Antigamente o Emerson morava aqui. Sinto saudades deles todos os dias. 

Antigamente eu era um arruaceiro, hoje um cidadão mais comum, mas ainda fora dos padrões. “Eu não ando só, só em boa companhia” – Vinícius. Quem anda comigo é que anda em má companhia, pois não se faz mais malandro como antigamente. Às vezes, a nostalgia faz com que a gente sinta muita saudade do que foi vivido e o “antigamente” parece ter sido mais feliz.  Só que são somente boas lembranças, pois a vida é firmeza agora. Bora viver!

 
Elton Tavares

Nada como um boteco barato no meio da semana (hoje eu vou tomar umas)

 
Fim de expediente. Resolvi tomar umas naquele boteco barato.  Ao chegar lá, constato o que já sabia: conheço a maioria dos que estão ali. Por todos os lugares que vou é assim. É a vida boêmia. Falo com alguns conhecidos, todos com diálogos curtos sobre algum feito do passado. Nada de novo. De atualidades, somente as picuinhas políticas e papos furados sobre bobagens de internet ou algo assim.  
 
Sorte seria encontrar os Fernandos, o Tãga, os tios, mas não marquei nada com essas figuras porretas. No mesmo bar, quase sempre encontro rostos bem conhecidos como antigos adversários, ex amigos e até ex amores. Não desejo mal a nenhum deles. Aliás, falo cumprimento a maioria. Mas o papo fica nisso mesmo.  Afinal, para alguns, sou um vilão desprezível (risos). 
 
Nas noites de boteco, a gente encontra até com aquele pessoal que vive pra falar mal de todo mundo, inclusive de você, mas te cumprimentam tão cordialmente. É o jogo. Observo estranhos e vejo muitos garotos pagando de super inteligentes, outros de ultra descolados arrotando conquistas imaginárias. Seria o mesmo que eu quisesse dar dicas de dieta. 
 
Aí chegam os velhos amigos, alguns brothers jornalistas e até malucos legais. Ah, como é bom ver aquela meia dúzia de figuras. Um ou dois nem conheço há tanto tempo, mas parece que nem um desastre nuclear pode abalar a consideração deles por mim e a minha por eles. Eu disse parece.  A noite segue tranquila. No menu, o de sempre: muita cerveja, música e papos legais. Entre os papos com os amigos, muito aprendizado, análises sobre experiências alheias, desabafos  e muita bobagem legal (pois até pra falar merda é preciso ser safo). 
 
A grande verdade é que adoro bar no meio de semana porque tem de tudo: Os escrotinhos que a gente não gosta, o pessoal bacana e os que não fedem nem cheiram. No boteco, devaneios são disparados para a diversão da mesa. Muitos destes estalos inspiram textos ou rendem boas piadas.  Muita cumplicidade e molecagem. De repente,  já deu 1h da madruga. É preciso ir, pois o trampo de amanhã será pesado. 
 
Talvez um dia, quando eu for um jornalista velho, gordo e de barba branca, tome umas só nos finais de semana. No futuro, certamente vou rir destes tempos e me queixar um pouco de saudade da época de boteco. Não se trata do “bar ruim e lindo” do Mário Prata, mas a atmosfera de boteco é algo encantador para biriteiros. Talvez seja genético, pois meu pai foi um grande boêmio. E gosto dessa herança. É isso. 
 
Elton Tavares
*Texto republicado. Motivo? Vou tomar umas hoje!

Devaneio de hoje: Eu me inventei

commicrofone

“Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir”, disse Winston Churchill. Quando criança e adolescente, alardeei qualidades que não tinha. Mas as minhas invenções passaram de ficcional para real. Sim, uma coisa espantosa sobre mim (sim, este texto é sobre este blogueiro, portanto, se não quer saber, pare agora e vá fazer algo útil) é que inventei um personagem e virei ele.

Não me acho e nunca me achei superior a ninguém, muito menos especial. Mas não quis ser um tipinho anônimo e insignificante que era na infância. Por isso, me inventei. É tipo fazer figa ou morder o beiço pra caba não lhe ferrar, se você acreditar, acontece!

Cansado de piadinhas idiotas, inventei que perdi a virgindade aos 13 anos, mas aconteceu aos 14, em 1990. O motivo da mentira? Detestava ser o único moleque virgem da sétima série. Aí comecei a ter mesmo sucesso com as meninas. Hoje, acredito que a maioria mentiu naquela época.

Depois inventei que era bom de briga, até ter que brigar. Se tivesse me acovardado, ia ficar esquisito. Depois da terceira ou quarta surra que peguei, me tornei, de fato, bom de porrada. E depois disso ganhei muitas lutas de rua.

10420143_720992854620415_7406863075574302393_n

Mas o papo aqui é sobre o jornalista. Demorei muito pra ser um profissional mediano em algo. Fui vadio, office boy, auxiliar de escritório, auxiliar contábil, vendedor de seguros, porteiro de escola e, enfim, jornalista.

Não dá pra se inventar jogador de futebol ou músico (quem dera), mas jornalista, deu! Vou explicar. Basta ler, estudar, apurar um fato e ser ético, além de possuir discernimento crítico sobre temas diversos. Não, não é fácil. O tal de pensar fora da caixa. Pois bem, eu me inventei jornalista.

Claro que aprendi com muita gente, desde os professores da faculdade aos colegas de trampo. Errei muito, ainda erro e sempre errarei. Aliás, todos nós, sempre.

Creio que a vida, o cosmos, Deus ou seja lá qual o nome da força que rege tudo isso conspira a favor de quem trabalha e acredita em si mesmo. Por isso, resolvi ser esforçado e focado quando quero algo. Como disse um sábio que conheci: “Quem me escolheu fui eu mesmo!”.

Otimismo, sorte, coragem e batalho, muito batalho. De tantas experiências vividas, trampo pra carambaEuAmarelo e lições tiradas, aprendi esse ofício. Nesse âmbito, tento ser correto, original, sincero e justo. Nem sempre consigo, mas, quando não ajo dessa maneira, é porque não deu.

No final das contas, me dei melhor que muitos dos sabichões da época do colégio, que me parecem infelizes em seus ofícios. Tomei gosto por estar sempre bem informado e escrever virou algo prazeroso. Dá até pra viver disso (risos).

A verdade é que, com o tempo, todo mundo saberá quem é você realmente. Me tornei o que decidi ser: às vezes, sou contista; noutras, cronista, contador de histórias e sempre jornalista. Eu inventei essa porra e muita gente acredita nisso. Até eu. É isso!

Elton Tavares

Hasta La Vista!!!(Régis Sanches)

download

Hasta La Vista!!!

Não há limite para a loucura humana
O amor adormece… arma quente
Escruciante…
Quanta saudade!
Umidade, ciume, descompasso
TUDO!…
NADA…!!!
Absurdo…
Meu amor ..
Cultive a nossa flor
Que nunca mais verei
Quem, sabe …. um dia…
Adeus…..
Infelizmente,
Sou um suicida frustrado….

(Régis Sanches)

Escritos de insônia (textos-dropes de Ronaldo Rodrigues)

Chegará o dia em que você, saindo de casa, já no jardim, se dirigindo à garagem, dará por falta das chaves do carro.
Aí será tarde demais.
Você terá que prosseguir a pé todo o seu caminho.
 
O espelho se recusou a me olhar de frente.
Pior pra ele.
O cinzeiro o acertou em cheio.
Ficaram os estilhaços do meu rosto 
espalhados/espelhados pelo chão.

 

Os ossos dos meus ancestrais andam junto comigo.
Fazem parte do meu esqueleto.
Dividem comigo os rangidos e gemidos do meu reumatismo.
 
Existe um momento da vida em que você é o mocinho do filme que tem que desarmar uma bomba, salvar a humanidade e beijar a mocinha.

Para isso você só precisa cortar um fiozinho vermelho ou um fiozinho azul.
Quando esse momento chegar, largue tudo e vá tomar uma cerveja.

 

O ventilador oscilando pra lá oscilando pra cá pra lá pra cá pra lá pra cá acaba de me hipnotizar.
 
Mulheres são amantes e mães.
Às vezes nos confundimos e ficamos entre seus seios.
Tentando descobrir qual deles sugar com volúpia.
Qual deles sorver com paixão.

 

Quando nascemos viemos nus.
É a gloriosa mecânica da vida.
Viemos nus pra que venham a Família, a Sociedade, 
o Estado e a Religião nos cobrir de roupas, ideias, comportamentos, dogmas…
E fazer alguns de nós pensar que é possível lutar contra tudo isso.
 
Ronaldo Rodrigues

O tempo (minha crônica para hoje)

1320027267747833

Há meses, após breve conversa com a amiga Camila Karina, ela disse: “o tempo também é burocrático. Nós é que sempre queremos tudo pra ontem”, comecei a devanear sobre o tempo. Verdade, nem sempre dá tempo.

Aliás, o tempo nos ilude quando jovens, em nome da inexperiência e da que nunca morre, a esperança. Sim, o tempo, com pouco tempo de análise, às vezes engana, confunde e conduz pelo caminho errado. Mas nunca omite, no final, sempre mostra quem é quem e como seria. É, o tempo.

A Bíblia, livro mais vendido da história (para muitos mitologia cristã) diz: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1).

Desconfio há tempos que existe uma conspiração que faz do tempo uma espera quase interminável para os que sofrem e um período muito curto para bons momentos. Ah, tempo, dê um tempo!

O velho astro do Rock, David Bowie disse: ‘o tempo pode me mudar, mas eu não posso reconstituir o tempo’. Verdade! Afinal, tudo há seu tempo. O tempo costuma despachar lentamente quando queremos que seja rápido e o contrário, quando é o inverso disso.

O tempo traz méritos, vivências, leva e traz amigos, irradia e ceifa vidas. O tempo sabe coisas a gente não sabe. Sim, ele flui, voa e dá tapas com luvas, mas não de pelica e sim de boxe. Mas o tempo também faz esquecer e, às vezes, até cura dores. Sobretudo, o tempo nos ensina a entender mais sobre o amor.

Enfim, o tempo passa, nós aprendemos e mudamos com ele. Eu até poderia falar mais sobre a loucura e sapiência atemporal do tempo, mas agora não. Meu amigo Fernando Canto lembrou da filósofa María Zambrano, que dizia: “O tempo é o único caminho que se abre ao inacessível absoluto”. E a Camila, com quem o diálogo originou esse devaneio, falou algo que me faz encerrar aqui: “o tempo é o remédio e a agonia de todos nós”.

Ah, só mais uma coisa: é tempo de ser feliz e assim estou fazendo, enfim, em tempo. Pois não mais tenho tempo a perder.É isso. Ótima noite de sábado pra todos nós!

Elton Tavares