Discos que formaram meu caráter (parte 13) – Ozzy Osbourne -No More Tears (1991)


Muito bem amigos, voltando a nossa programação normal. Eis que estamos mais uma vez aqui para falar sobre música, ou melhor, sobre discos. Minha viajem ultrassónica pelo que resta de minha macabra memoria nos leva a relembrar mais um clássico.

O disco em questão é mais um da valiosa safra de 1991 (já disse algo sobre esse belo ano) e atende pela alcunha de “No More Tears”, do famigerado Ozzy Osbourne.

Bom, como já disse, corria o ano de 1991 e a música, ou melhor, o rock estava em maré alta, o Nirvana quebrava tudo com “Nevermind” (já falei desse), o Pearl Jam dava seu recado com “Ten” (também sobre esse), o U2 se reinventava com o espetacular “Achtung Baby” (desse ainda vou falar), os Ramones mais vivos do que nunca com seu “Loco Live” e o Metallica só lançou o “Metallica” (o preto, caso não tenham entendido). É ou não é uma excelente safra de discos? Mas amiguinhos o Ozzy andava mal.

Mais lembrado por suas peripécias etílicas (para ficar só no álcool), como por exemplo, cheirar formigas, tomar mijo, comer cabeças de pombos e claro abocanhar morcegos. O velho Osbourne via sua vida, sua carreira e todo seu legado indo para o ralo junto com ele.

Com uma tentativa de estrangulamento contra sua esposa, brigas com produtores importantes, acusações na justiça americana e o pior: vendo que seus antigos companheiros de Black Sabbath tinham recrutado o “Todo poderoso” Dio e estavam, como era de se esperar, fazendo algo contundente. Ozzy estava cada vez mais atolado em sua própria sujeira e vendo o tempo passar.

Ele não poderia deixar essa época passar, seus últimos trabalhos solos, posso ser chato e dizer que todos estavam longe da genialidade de “Blizard Off Ozz” (1980) e de “Diary Of Madman” (1981), é realmente Ozzy não era uma boa companhia naquela época. Ele precisou passar por muita merda para “dar um tempo” na onda se internar e realmente fazer oque sabia fazer de melhor. Ele sai de cena para voltar e nos presentear com essa excelente bolacha.

Vamos a ela:

Começa com a sensacional “Mr Tinkertrain”, com seus riffs incríveis que fazem qualquer mortal levantar a cabeça e ter a noção de que o inferno esta próximo, vai para “I Don`t Want To Change The World”, nessa faixa Ozzy mostra como esta contente em ser ele mesmo.  A sensacional “Mama, I`m Coming Home”, reflexão visceral sobre sua trajetória de excessos (próprio Lemmy contribuiu com versos para essa música), “Desire”  para não se perder e cantar um belo refrão junto, “No More a Tears”, poderosa, faixa titulo, esta na história do rock. 

Em “S.I.N”, essa é para quebrar tudo, arrebentar com todos, “Hellraiser” Lemmy aparece de novo, para ajudar a contar essa historia sobre a “vida na estrada”, “Time After Time”, o momento clássico de acender o isqueiro, “Zombie Stomp” para relembrar os gloriosos anos 80, “A.V.H” (ou melhor Alcohol, Vlium and Hashish), um verdadeiro estouro, a fórmula ideal com solos incríveis e refrão para todo mundo cantar e fechando com “Road To Nowere” para deixar os problemas realmente no passado. Na boa, um puta disco.

Reflexível, porem fantástico. Clássico com letras garrafais.

Justo lembrar que essa bolacha eleva o patamar do “Hard Rock” e o velho Ozz estava muito bem acompanhado dos sensacionais Zakk Wilde nos solos e de Mike Inez no baixo, que depois iria para o Alice in Chains (Grande banda) e claro do Lemmy Kilmister (os fodas sabem quem é).

Esse disco devolveu o respeito para o “Príncipe das Trevas” e o tirou das profundezas da mesmice.

Ozzy Osbourne merece toda nossa consideração. E vai ser sempre lembrado. Para os jovens que o conhecem pelo personagem bonachão do seriado de TV, posso dizer ele é muito mais que aquilo.

Vida longa, alteza!

Marcelo Guido é Punk, Pai, Marido, Jornalista e Professor “ e Marco Feliciano não me representa…”  

Discos que formaram meu caráter (parte 10): Nós Vamos Invadir sua Praia- Ultraje a Rigor (1985)

E ai meus caros, chegamos ao numero “10” da nossa estrada de “tijolos amarelos”, e não poderia ser algo menos especial do que esse belo registro musical. Não é um disco comum, trata-se, acredito eu, do primeiro grande fenômeno do rock brazuca. Sim, amigos. Falaremos hoje de “Nós vamos invadir sua praia”, quem já teve a honra de ouvir sabe do que estou falando.

Corria o ano de 1985, um ano mágico da década perdida. Digo isso, pois a ditadura militar que calou uma população inteira começava a sair de cena, e junto com ela a censura que mutilava pensamentos e calava a criatividade dos nossos artistas. MPB estagnada, naquele engajamento politico que não teria mais sentindo sem ter o inimigo para bater, os velhos militares ainda assustavam, mas eram apenas cópias dos monstros do passado (ainda recente) da tirania, ou seja, todo aquele “fervor” politico não faria mais sentido nos anos que estariam por vir, já era “85”. 

Nesse cenário meio “Cachorro sem dono”, vem de São Paulo uma turma aparentemente só queria tocar e se divertir, mas que nas entrelinhas tinham muito a dizer, eles eram o Ultraje a Rigor.

Na batalha desde o começo da década de 80, com a formação de Roger, Edgard Scandurra (que priorizou o “!Ira”, e foi substituído por Carlinhos Branco), o baixista Mauricio DeFedi e o excelente Leospa na bateria, o Ultraje largou as cores cinzentas de “Sampa” e alçaram voo maior, os caras queriam literalmente invadir a praia.

Esse álbum foi um verdadeiro estrondo, podem ver pela quantidade de músicas que tocaram no rádio, e nas pistas de dança. Todos adoraram aquela novidade, já que foi o primeiro disco de uma banda de rock, como posso dizer “Escrachada”, pelo conteúdo de suas letras, que conseguiu destaque na mídia, por isso se tornou um tijolo presente e importante no muro da revolução musical brasileira. O disco conseguiu ouro, platina e platina duplo.


Dissecando a Bolacha vemos a faixa titulo “Nos vamos invadir sua praia”, que é uma ode a experiência paulista de invadir o Rio de janeiro (berço do Rock na época) e literalmente mudar as estruturas do que estava sendo feito, “Rebelde sem Causa”, uma homenagem aquela figura que conhecemos, que tem tudo na mão e se acha no direito de revolta, vai para. “Mim quer Tocar” critica ao sistema quase amador que as bandas passavam no Brasil, tudo que era bom era importado (instrumentos, equipamentos de som) os nacionais pareciam mais coisa de índio mesmo, chegamos em “Zoraide”, a mina grudenta que quer casar.

 “Ciúme”, sentimento comum para muitos, que permeiam muitos relacionamentos vida há dentro, “Inútil”, histórica e emblemática, tornou-se hino da campanha das “Diretas Já”, quando o então deputado Ulysses Guimarães utilizou seus versos (“A gente não sabemos escolher presidente/ A gente não sabemos tomar conta da gente/ A gente não sabemos nem escovar os dentes…”) para abrir uma seção no congresso nacional, “Marylou”, galinhas, vacas, muitas interpretações escolha a sua, essa em particular saiu na versão carnaval, oque prova que realmente os caras não estavam de brincadeira. 


“Jesse Go”, fala da história de um relacionamento, muito legal mas infelizmente a menos compreendida do disco, “Eu me Amo”, hino mor ao egocentrismo, alto estima transpira nos versos dessa musica, ninguém consegue viver sem uma dose de amor próprio, “Se você sabia”, a velha história da namorada que engravida, uma celeuma pela qual passei e acredito eu muitos de vocês, fecha com “Independente Futebol Clube”, mais uma que fala de relacionamento, mas agora alguém suplicando por liberdade.

Não existe uma pessoa que conheço, que ainda não tenha se pego cantando pelo menos uma dessas faixas, esse é um relato histórico do rock nacional, um disco com todos esses elementos distribuídos não tinha como dar errado, um verdadeiro “caminhão de hits” que conquistou do netinho ao vovô. Um clássico imediato.

A superexposição acabou surpreendendo e também porque não prejudicando os caras, ficaram com a aquela ingrata marca de “engraçadinhos”, ou seja, os 20 anos de ditadura militar tinham realmente tapado à cabeça da população. 


Ouvindo o disco hoje em dia, quase 30 anos depois, ele ainda é atual, pois ainda existe um amadorismo na música. Para muitos, não sabemos ainda escolher presidente, ainda existem playboys sem cérebro andando por ai, o amor próprio anda em voga, sem contar que nada melhor que levar a farofinha pra praia.

No mais, jovem você que esta completando 18 anos, aprenda esse é um dos melhores discos de estreia de todos os tempos e assim ele foi feito. Uma verve satírica, ou seja, o bom humor a serviço da coisa séria.
Marcelo Guido é Punk, Pai, Marido, Jornalista e Professor “E olha todo mundo é adulto nessa torre”.

Discos que formaram meu caráter (parte 9) – Copper Blue – Sugar (1992)


Depois de um longo e tenebroso inverno, eis que estamos de volta com nossa inóspita viagem pelos discos que permeiam minha vida e com certeza a vida de muitos de vocês. Do fundo de minha alma tenho a obrigação de dizer, sim amiguinhos existe vida inteligente sem internet.

Nossa viagem leva agora a década de 90, que nos proporcionou o “Grunge”, o Collor e a ressurreição do Fusca (não esse de playboy, mas aquele que a sua tia tinha), deixando meu saudosismo de lado vamos ao que interessa.

O disco em questão trata-se de um verdadeiro divisor de águas para mim, antes um apreciador radical do punk, com uma queda leve pelo metal e apreciador das melodias perturbadoras de Seattle (já falei sobre isso), como todo moleque de 15 anos: “Eu já sabia de tudo”. Até ser apresentado a este verdadeiro míssil sonoro, chamado Copper Blue.

Com o fechamento do Husker Du (grande banda) o vocalista e principal letrista, Bob Mould sai de cena e volta com dois trabalhos cheios de violoncelos e ressentimentos, os excelentes e sombrios Workbook  (1989) e Black Sheets of Rain (1991). Tendo exorcizado seus fantasmas e deixado a frescura de lado decide formar junto do baixista Dave Barbe e do baterista Malcoln Travis o Sugar.

Unindo a sujeira do Punk Rock (lembranças dos tempos de Husker), com melodias muito mais acessíveis eles gravam “Cooper Blue” que conseguiu alavancar certo sucesso no mercado americano e foi considerado o disco do ano pela “New Musical Express” na terra da Rainha.

O espaço cedido pela verve do punk nesse disco e ocupado com maestria por uma verdadeira explosão de guitarras ardidas, bem situadas e comprimidas, do começo ao fim. Ou seja, nada deve ao que estava sendo feito na época.

O álbum inicia com azedíssima “The Act We Act”, que nos faz cair na lembrança do Husker Du, mas ao contrario ela é animada com uma boa base instrumental, vai para “A Good Idea”, que faz parecer mais Pixies do que nunca, faz todos viajarem em “Changes” que realmente é um dos destaques da bolacha, tem também a sóbria “Helpless”, a homenagem ao maestro George Martin em “Hoover Dan”, o tributo apaixonado aos quatro caras de Liverpool em “If I Can Change Your Mind”, ou seja a ternura chega e toma conta. Não se pode deixar de lado “The Slin”, “Fortune Teller”, “Slick” e a memorável “Man On The Moon”, realmente um discaço.

O saudoso Zeca Jagger costumava dizer que o Rock é simples, que quando se complica o Rock ele fica chato, “Cooper Blue” vai pra longe disso, as musicas são emotivas, feitas para serem cantadas, estudadas e vividas como o bom Rock and Roll deve ser, sem firulas a temperatura do disco é a mesma do começo ao fim. Musicas incríveis, resultado de letras fantásticas e melodias fenomenais. Não existe nada de mal nessa bolacha. Um verdadeiro clássico.

Acredito em minha opinião que este foi um dos momentos mais felizes da música no século XX. De tão atual, hoje mais de vinte anos depois de seu lançamento ouvi-lo ainda é uma boa ideia. Se você jovem ainda não teve essa experiência, corra ainda há tempo. É realmente eu ainda lembro oque ouvia em 1994.

Marcelo Guido é Punk, Pai, Marido, Jornalista e Professor “e não, NÃO estava em tratamento”.

Discos que formaram meu caráter (parte 8) Cabeça Dinossauro- Titãs (1986)

Por Marcelo Guido

É gente ano novo, muita coisa para ser feita e muita coisa pra ser deixada pra depois. Mas vamos lá com nossa insólita viajem pelo mundo irreal no qual coloco a disposição de vocês neste blog do agora municipal Elton Tavares.

O disco a ser tratado hoje se chama “Cabeça Dinossauro”, terceiro trabalho de estúdio dos paulistas Titãs. Chegou para nossas vidas no sexto ano da “Década Perdida”, ou para os mais saudosistas a “Década Divertida”, melhor falando 1986.

Antes de tudo, e necessário dizer que o ano de 85 não tinha sido uma maravilha para os caras,  eles que já tinham feito a juventude cantarolar com “Sonífera ilha”, se divertir em “Televisão” e dançar agarradinho em “Insensível” (Faixas presentes nos outros discos da banda), agora tinham que lidar com estigma de “drogados e subversivos”. 

Falo da prisão de Arnaldo Antunes e de Tony Bellotto por porte de heroína. De repente a banda engraçadinha formada por oito caras esquisitos (tinha até um ruivo) que alegrava as tardes de sábado no Chacrinha tinha caído em desgraça. A barra andava pesada como já disse, não dava mais pra ser uma banda “Pop”, os pais das garotinhas não gostavam mais deles, a família brasileira não os tolerava mais, promotores de justiça os utilizavam como exemplo em suas esdrúxulas sentenças. Pra onde correr agora?

A resposta veio tão forte quanto um soco no meio da cara, tão libertador como um chute na costela (quem defere o golpe, quem recebe, sinceramente não sei se concorda comigo). O clima de “sem saber o que fazer” foi logo transformado em um belíssimo “Foda-se”, e esse clima nos proporcionou esse belíssimo Álbum.

Estudando a Bolacha:

Bom a “BOMBA” no bom sentindo começa coma faixa titulo “Cabeça Dinossauro”, pra avacalhar logo só tem 3 versos, “Cabeça Dinossauro”, “Pança de Mamute” e “Espírito de Porco”, com uma sonoridade bem pesada é o abre alas (carnaval minha gente), pra todos verem que os caras estavam realmente putos, vai para sugestiva “AAUU”, que vem com porrada extrema do vocal de Sergio Brito, nos fala das regras que temos, ou não que respeitar e seguir “Esta na hora de almoçar, está na hora de jantar” está bela canção virou até trilha de novela, chega em  “Igreja”, uma verdadeira critica as instituições religiosas mas enfaticamente a igreja católica , causou furor dentro e fora da banda, Arnaldo Antunes que se dizia religioso não concordava com as criticas inseridas na canção e se retirava do palco quando a musica era executada no palco, e claro eles tinham que falar em “Policia”, escrita pelo ex- encarcerado Tony Bellotto faz criticas duras e ferozes contra a intuição de segurança, foi regravada anos depois pelo Sepultura, “Estado Violência”, nos faz pensar em nossa relação com as leis, sobre ate onde nos realmente somos livres para pensar e agir, ate onde vai nossa liberdade em uma sociedade corroída pela hipocrisia, “Face do Destruidor”,  com apenas 34 segundos é um porrada seca nos ouvidos e por ser tão rápida nem chegou as rádios, “Porrada”, saúda, parabeniza e enche de mimos os que fazem algo, e mostra o que merece quem não faz nada, 

“Tô Cansado”, mostra o cansaço com a rotina, cansaço com o comum, o igual já não satisfaz mais o conformismo já era, “Bichos escrotos” executada pela banda desde 1982, veio a luz nesse disco, foi censurada nas rádios por um bipe sonoro no magistral verso “Vão se foder”, já era hora da terra dar lugar para os bichos escrotos, “Familia”, escroteia com classe as relações familiares, sua familia comum onde tem um bebê chorão, cachorro,gato, galinha onde as manias são comuns e a filha não pode fugir de casa, “Homem Primata” nos mostra a verdadeira realidade que vivemos, não fazemos nada de diferente do que os primatas já faziam criamos e destruímos no nosso dia-dia. E somos escravos do nosso “Capitalismo Selvagem”. Chegamos em “Dividas” fala da nossa relação com nossas contas, como nossas vidas são baseadas em uma relação de “corre-corre” atrás de valores, como nossos momentos mudam quando não conseguimos ou quando coseguimos saldar nossos credores. Termina com “O que” que nada mais é que uma poesia de Arnaldo e é um divisor de águas na sonoridade da banda, batidas eletrônicas passam a partir dessa musica a fazer parte da vida da banda. 

Esse emaranhado de emoções fortes, criticas coesas, e um foda-se generalizado, foi lançado sem nenhuma expectativa e acabou rendendo disco de ouro, virou clássico e trouxe do limbo os Titãs. Não se pode deixar de mencionar que os caras estavam afiados e que apostaram tudo no que queriam realmente fazer. Um Discão.

Dizer que o disco é punk pode parecer exagero, existem viagens por dentro do reggae (Familia), Funk (O que), batidas da tribo Xingu (Cabeça dinossauro), mas a possibilidade discussão sobre vários pilares da sociedade valeu a pena. Ninguém sabia o que aconteceria  com os caras a pecha de drogados, fracassados e incompreendidos ainda estava em cima. Depois de “Cabeça” o milagre se fez. Trata-se de um trabalho radical, feito sem pressão de mercado por caras putos e ariscos que estavam vivendo uma estranha realidade. O alto nível não cai em nenhum momento. 

A partir de “Cabeça Dinossauro”, os Titãs passam a ser levados a sério.Considero este um dos melhores discos da minha vida. Bem vindo há os anos 80.

Marcelo Guido é Punk, Mario, Pai, Jornalista e professor. “Também não gosta de padre, madre e muito menos monta presépio”. 

 

Discos que formaram meu caráter (parte 7) -Appetite for Destruction – Guns N`Roses (1987)

Por Marcelo Guido

Muito bem amiguinhos, não é por que é natal que iremos deixar nossa viagem de lado. Aliais um feliz natal a todos que me dão a honra de serem meus leitores.

Bom sem mais sentimentalismos natalinos vamos ao que realmente interessa. O disco de hoje pode passar incauto para muitos entendedores, ou até com ar de deboche passar “Despercebido”, talvez pelos caminhos que a banda seguiu ou até por se tratar de uma banda que não faz nada relevante já há alguns anos.

O álbum em questão chama-se  “Appetite for Destruction” e foi a estreia dos caras do Guns N`Roses, é um disco extremamente fantástico no mais puro sentido da palavra. Lançado em 1987 esta bolacha já foi 18 vezes disco de platina e mantém há anos o titulo de “álbum estreia mais vendido de todos os tempos”.

Voltamos no tempo, e vemos um cenário na década perdida, um tempo onde o “Hard Rock” dominava as paradas, ser sujo, brutal e decadente não era apenas uma jogada de marketing e sim um estilo de vida. Todos sonhavam com isso e para se destacar na multidão era preciso ser bom, e os caras foram mais que bons, foram fodas.

Para mostrar o grande poder do disco, vamos velo por faixas.

De cara temos a “Fodastica” “Welcome to the Jungle”, violentamente sarcástica e real, fala dos perigos de se viver em uma cidade grande, dos riscos que se corre quando se procura prazer ou sucesso. Tocou exaustivamente nas rádios e seu clipe foi  censurado pela MTV, mas o público tanto exigiu que entrou na grade oficial da emissora. Clássico.  “It`s So Easy” começa com uma “Homenagem” para os caras do Sex Pistols, o começo da música e similar ao da canção “Liar” do grupo britânico, a letra fala de como as coisas ficam tediosas quando se tornam fáceis, sim é uma canção punk. 

Já “Nightrain” é uma ode a uma marca de vinho deveras vagabundo, que por ser barato era muito consumido pelos membros da banda nos momentos de dureza. “Out Ta Get Me”, conta a história dos problemas com a “Lei” que o vocalista Axel Rose sempre, eu disse sempre teve. “Mr.Browstone”  fala do vício em Heroina, Browstone é o nome popular da droga nos EUA, versos como “eu costumava a usar pouco, mas depois o pouco foi aumentando…”. São fortes, mas mostram a decadência de quem se aventura por esse caminho. Outro clássico “Paradise City”, composta em uma van fala da cidade de Los Angeles, ou sobre qualquer cidade onde você pode se divertir. Todos tem uma cidade assim. 

”My Michelle” trata-se de uma homenagem a Michelle Young, amiga dos tempos de escola de Slash, e fala da vida “divertida” da garota, seu vício em drogas, morte de sua mãe e percalços em sua vida.  “Think About You”, fala de Hollywood e suas festas, drogas, sexo fácil e claro dinheiro. “Sweet Child O`Mine”, clássico, a doce criança da música é uma referencia clara a Erin Everly, que era namorada de Axel e depois sua esposa. Uma canção de amor. “You`re Crazy”, fala de loucura, mas a loucura do dia-dia que todos temos que enfrentar assim que acordamos. “Anything Goes” fala de como você pode mudar a vida, a sua, nem que seja para algo louco e relativamente sem noção. “Rocket Queen”, outra “homenagem” a uma garota de vida fácil, por quem Axel nutria uma paixão, a Rainha do submundo.

Com tantos temas relatados, se a intenção era chocar logo na estreia os caras foram extremamente felizes. Essa bolacha não pode passar em branco porque é um discaço.
O Brasil teve a sorte de conhecer esse disco com a capa original, por que um “robô estuprador” causou um verdadeiro rebuliço nas ordens da conservadora sociedade americana, lá a capa foi substituída pela imagem da tatuagem de Axel (aquela da cruz).

Uma junção fantástica de musicas incríveis, que agradavam a todos, dos fãs do “Glam Rock”, bajulados por suas performances e seu visual (cartola, bandana, Shorts, couro, essas coisas), Punks (alinhados com sua fúria e rebelião) e claro os puristas ( com seu som totalmente baseado em riffs), é realmente não tinha como dar errado.

É preciso admitir os caras eram “Roqueiros da Pesada” e levavam isso a sério. Não se pode negar que este disco é uma viagem e que felizmente vai durar para sempre.
Hoje em dia honestamente falando, não vejo mais importância na banda. Mas quando indagado sempre respondo da seguinte forma.

“Appetite for Destruction é um disco do caralho, e o Guns merece meu respeito pelo passado que tem, quanto à relevância, já foi muito relevante ai eu fiz 13 anos”. Este disco foi o mais próximo que o Hard Rock chegou do punk. Longa vida ao Rock….Feliz Ano Velho.

Marcelo Guido é Punk, Jornalista, Professor, Pai e Marido “Prefere o espírito de porco ao Natalino”. 

Discos que formaram meu caráter (parte 6) – Usuário- Planet Hemp (1995)

Por Marcelo Guido

Pois bem amigos e amigas, desculpem o atraso, mas estamos aqui mais uma vez  para falar de um disco. Sei que a introdução pode ser chata, mas diferente do que todos vocês esperam o disco em questão não vai decepcioná-los. Trata-se do primeiro álbum de uma das bandas mais importantes do Brasil nos saudosos anos 90. “Usuário”, do Planet Hemp , de 1995.

Bom já falei do período negro pelo qual passava a música nacional nos anos 90, quem leu o texto 2 dessa saga entende o que alo, o caminho tortuoso desbravado pelo Raimundos começou a dar frutos. As gravadoras apostaram em bandas que atuavam no cenário Underground e as lojas, casas, e rádios foram invadidas por bons sons cantados em português.

Usuário foi a porta de entrada, ou melhor, os dois pés na porta que o Planet deu para o sucesso, a banda já estava na ativa desde 1993 e já era uma figurinha deveras carimbada no cenário carioca. Temática implícita a favor da legalização da maconha, critica social e o linguajar popular das letras faziam com que o grupo caísse fácil no gosto popular. Então o que faltava para os caras estourarem?? Coragem para as gravadoras.

As grandes gravadoras nunca tinham apostado nisso, como encarar uns caras que tinham vindo do morro e que cantavam e tocavam uma mistura que ia do Hardcore ao Samba? Pior, com letras que falavam de “Maconha” (assunto infelizmente proibido em muitos lares ainda hoje em dia), violência policial? Um dia-dia que não passa na novela das oito? É gente boa, a rapadura e doce, mas não é mole.

O implícito posicionamento a favor da legalização fez com que o Planet se tornasse aos poucos uma das mais importantes bandas nacionais da década de 90. A polêmica só ajudou na divulgação da bolacha e “Usuário” chegou fácil as 140 mil copias vendidas e ganhou disco de ouro, fato importante em uma época em que sertanejo, pagode e axé ainda dominavam praticamente tudo.

“Dichavando” o bagulho, o disco começa de “cima” como se fala na gíria “Não compre plante” fala sobre a relação existente entre o trafico de drogas e o usuário, acredito ser a primeira música que fala sobre essa relação, dando uma simplória solução para quem é adepto do uso, não compre plante. Depois vai para “Porcos Fardados”, um olhar deveras preconceituoso sobre nossa instituição pública de segurança (policia) escrachando para quem quiser ouvir que lá realmente existe corrupção e opressão. 

Em seguida, “Legalize já”, essa sim o primeiro osso duro de se ouvir, teve o clipe censurado na TV e nos fez lembrar os áureos tempos da não saudável ditadura militar, mas mesmo assim bradou que uma erva natural não pode me prejudicar. Já “Deisdazseis” nada mais é que uma pequena mostra do que o grupo queria, mostrar que não tem problema em falar o que quer. Na sequência, “Phunky Buddha”, diz faço o que quero e não vou me prejudicar, seguindo a linha da tão falada liberdade de expressão e sobre as leis arcaicas que nossa sociedade ainda tem com relação a maconha. 

Por sua vez, “Mary Jane” , é hardcore legal cantado em inglês , muito bom. Seguida por “Planet Hemp”, uma vinhetinha para “destravar” e “Fazendo sua Cabeça”, uma das mais polêmicas músicas, fala de um Rio de Janeiro real, não aquele do “Leblom”, do Manuel Carlos e de suas Helenas, uma cidade onde tem praia, favela, maconha, bebida, tiroteio e arrastão, ou seja, muito mais que um belo cartão postal.

Depois vem “Futuro do País” começa como um “sambinha” e evolui para uma porradaria, a letra fala do abandono dos menores de rua que existem em nossas cidades, clama por atenção para o nosso futuro (crianças) que além de ter fome de comida, tem fome de cultura e são vitimas de nosso sistema. Aí vem“ Mantenha o Respeito”, o cargo chefe do disco, caiu no gosto por ser uma letra simples que pede nada mais que “Respeito”, respeito pelo cidadão que faz suas próprias escolhas, lembrado que vivemos em uma democracia e chama para um debate sobre as leis ah, um recado bom “Respeito bom e mantém os dentes no lugar”. 

Continuando,“P…Disfarçada” o consumismo em pauta, a falta de cultura e valorização da imagem. Jovens entendam isso, “Speed Funk”, outra providencial e instrumental vinhetinha. Em “ Mutha Fuckin`Racists” outra na língua da Rainha, mas essa fala de racismo. Seguida por “Dig, Dig,Dig Hempa”, outra faixa sobre a legalização , conta sobre a manipulação do sistema  na questão das drogas transformado em preconceito. Já “Skunk”, homenagem instrumental ao falecido membro da banda. 

 “A Culpa é de quem ??”, faixa essencial que conta a relação de um trabalhador que paga impostos mas que vai ser preso se tiver a vontade de fumar um “Baseado”, mostra o quando somos induzidos a beber por exemplo, é camaradas o sistema faz isso, “Bala Perdida”conta a ineficiência do modelo americano de combate as drogas, o falido modelo de subir atirar e matar já provou que não dá certo. Resumo da ópera: um DISCÃO!

Bom, entender a questão fica a cargo de cada um, o debate já foi aberto e de uma maneira singular. Usuário (o disco) já se deu a esse trabalho. 

Os que ouvirem o disco entenderão que esse primeiro VINIL do Planet não chegou aonde chegou por falar apenas de um assunto proibido, mas sim por ser também pioneiro na fusão de gêneros, como colocar um DJ (Zé Gonzales) junto de guitarra e baixo, buscar nas fontes da cultura negra um meio de renovação. Depois desse álbum, tudo ficou mais aberto e calmo.

Duas coisas a aprender quando ouvir esse disco:

A primeira é que o debate sobre maconha, violência e miséria não pode ficar restrito aos guetos e sim ser convidado se sentar na sala de jantar. A segunda é que o D2 bom é aquele cara do Planet. No mais, por hoje é só pessoal….

Marcelo Guido é Punk, Jornalista, Professor, Pai e Marido “Saiu hoje para tomar uma cerva pra destravar…”

Discos que formaram meu caráter (parte 6) – Usuário- Planet Hemp (1995)

Por Marcelo Guido

Pois bem amigos e amigas, desculpem o atraso, mas estamos aqui mais uma vez  para falar de um disco. Sei que a introdução pode ser chata, mas diferente do que todos vocês esperam o disco em questão não vai decepcioná-los. Trata-se do primeiro álbum de uma das bandas mais importantes do Brasil nos saudosos anos 90. “Usuário”, do Planet Hemp , de 1995.

Bom já falei do período negro pelo qual passava a música nacional nos anos 90, quem leu o texto 2 dessa saga entende o que alo, o caminho tortuoso desbravado pelo Raimundos começou a dar frutos. As gravadoras apostaram em bandas que atuavam no cenário Underground e as lojas, casas, e rádios foram invadidas por bons sons cantados em português.

Usuário foi a porta de entrada, ou melhor, os dois pés na porta que o Planet deu para o sucesso, a banda já estava na ativa desde 1993 e já era uma figurinha deveras carimbada no cenário carioca. Temática implícita a favor da legalização da maconha, critica social e o linguajar popular das letras faziam com que o grupo caísse fácil no gosto popular. Então o que faltava para os caras estourarem?? Coragem para as gravadoras.

As grandes gravadoras nunca tinham apostado nisso, como encarar uns caras que tinham vindo do morro e que cantavam e tocavam uma mistura que ia do Hardcore ao Samba? Pior, com letras que falavam de “Maconha” (assunto infelizmente proibido em muitos lares ainda hoje em dia), violência policial? Um dia-dia que não passa na novela das oito? É gente boa, a rapadura e doce, mas não é mole.

O implícito posicionamento a favor da legalização fez com que o Planet se tornasse aos poucos uma das mais importantes bandas nacionais da década de 90. A polêmica só ajudou na divulgação da bolacha e “Usuário” chegou fácil as 140 mil copias vendidas e ganhou disco de ouro, fato importante em uma época em que sertanejo, pagode e axé ainda dominavam praticamente tudo.

“Dichavando” o bagulho, o disco começa de “cima” como se fala na gíria “Não compre plante” fala sobre a relação existente entre o trafico de drogas e o usuário, acredito ser a primeira música que fala sobre essa relação, dando uma simplória solução para quem é adepto do uso, não compre plante. Depois vai para “Porcos Fardados”, um olhar deveras preconceituoso sobre nossa instituição pública de segurança (policia) escrachando para quem quiser ouvir que lá realmente existe corrupção e opressão. 

Em seguida, “Legalize já”, essa sim o primeiro osso duro de se ouvir, teve o clipe censurado na TV e nos fez lembrar os áureos tempos da não saudável ditadura militar, mas mesmo assim bradou que uma erva natural não pode me prejudicar. Já “Deisdazseis” nada mais é que uma pequena mostra do que o grupo queria, mostrar que não tem problema em falar o que quer. Na sequência, “Phunky Buddha”, diz faço o que quero e não vou me prejudicar, seguindo a linha da tão falada liberdade de expressão e sobre as leis arcaicas que nossa sociedade ainda tem com relação a maconha. 

Por sua vez, “Mary Jane” , é hardcore legal cantado em inglês , muito bom. Seguida por “Planet Hemp”, uma vinhetinha para “destravar” e “Fazendo sua Cabeça”, uma das mais polêmicas músicas, fala de um Rio de Janeiro real, não aquele do “Leblom”, do Manuel Carlos e de suas Helenas, uma cidade onde tem praia, favela, maconha, bebida, tiroteio e arrastão, ou seja, muito mais que um belo cartão postal.

Depois vem “Futuro do País” começa como um “sambinha” e evolui para uma porradaria, a letra fala do abandono dos menores de rua que existem em nossas cidades, clama por atenção para o nosso futuro (crianças) que além de ter fome de comida, tem fome de cultura e são vitimas de nosso sistema. Aí vem“ Mantenha o Respeito”, o cargo chefe do disco, caiu no gosto por ser uma letra simples que pede nada mais que “Respeito”, respeito pelo cidadão que faz suas próprias escolhas, lembrado que vivemos em uma democracia e chama para um debate sobre as leis ah, um recado bom “Respeito bom e mantém os dentes no lugar”. 

Continuando,“P…Disfarçada” o consumismo em pauta, a falta de cultura e valorização da imagem. Jovens entendam isso, “Speed Funk”, outra providencial e instrumental vinhetinha. Em “ Mutha Fuckin`Racists” outra na língua da Rainha, mas essa fala de racismo. Seguida por “Dig, Dig,Dig Hempa”, outra faixa sobre a legalização , conta sobre a manipulação do sistema  na questão das drogas transformado em preconceito. Já “Skunk”, homenagem instrumental ao falecido membro da banda. 

 “A Culpa é de quem ??”, faixa essencial que conta a relação de um trabalhador que paga impostos mas que vai ser preso se tiver a vontade de fumar um “Baseado”, mostra o quando somos induzidos a beber por exemplo, é camaradas o sistema faz isso, “Bala Perdida”conta a ineficiência do modelo americano de combate as drogas, o falido modelo de subir atirar e matar já provou que não dá certo. Resumo da ópera: um DISCÃO!

Bom, entender a questão fica a cargo de cada um, o debate já foi aberto e de uma maneira singular. Usuário (o disco) já se deu a esse trabalho. 

Os que ouvirem o disco entenderão que esse primeiro VINIL do Planet não chegou aonde chegou por falar apenas de um assunto proibido, mas sim por ser também pioneiro na fusão de gêneros, como colocar um DJ (Zé Gonzales) junto de guitarra e baixo, buscar nas fontes da cultura negra um meio de renovação. Depois desse álbum, tudo ficou mais aberto e calmo.

Duas coisas a aprender quando ouvir esse disco:

A primeira é que o debate sobre maconha, violência e miséria não pode ficar restrito aos guetos e sim ser convidado se sentar na sala de jantar. A segunda é que o D2 bom é aquele cara do Planet. No mais, por hoje é só pessoal….

Marcelo Guido é Punk, Jornalista, Professor, Pai e Marido “Saiu hoje para tomar uma cerva pra destravar…”

Discos que formaram meu caráter (parte 5) – Nevermind – Nirvana (1991)


Muito bem turma, estamos aqui para falar de mais um disco que marcou minha vida e com certeza a vida de muitos. Ou de pelo menos daqueles que viveram os anos “90”.

Bom, não custa nada falar que essa bolacha é também da safra de 1991. Se não me engano, já alertei vocês sobre esse ano mágico para o rock, contei também que acredito em uma conspiração divina, onde a inspiração veio e nos proporcionou uma verdadeira avalanche de bons trabalhos. Os caras das bandas relevantes fizeram de “91” (musicalmente falando) o melhor ano dos restos das novas vidas.

Sem mais delongas, vamos ao trabalho. “Nevermind” é o segundo álbum da banda grunge Nirvana, os caras já vinham de um trabalho deveras legal: “Bleach”. Mas guardaram, como dizem na gíria, o “filé”, para esse álbum. Costumo a dizer que o lugar conquistado pelos caras de Seattle no hall das grandes bandas foi conquistado com esse disco.

O disco marca a estreia de Dave Grohl (ex- Scream) na bateria da banda. Grohl levou para banda uma pegada mais porrada, ou seja, trouxe um pouco de Hardcore para dentro do Nirvana, coisa que muitos puritanos “entendedores” de rock insistem em negar, mas rock sem porrada não é rock.

Não custa nada dizer que o disco foi o maior sucesso dos caras (mais de 30 milhões em todo mundo), pois além de sua extraordinária sonoridade, a capa com a foto do pequeno Spencer Elden nadando para pegar a nota de um dólar é lembrada por muitos como uma das mais belas imagens já vistas em uma capa de disco. É o único disco da década de “90” a figurar na lista dos “200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of f ame”. Mas não tinha nem como não está.

O míssil sonoro começa logo com a clássica “Smells Like Teen Spirit”, presença obrigatória em qualquer lista de músicas de rockeiros com mais de 30, foi o primeiro single. Com essa música, o Nirvana conseguiu levar para as rádios o mais puro, sujo e cru Rock. Vai para “In Bloom” uma critica para as pessoas que ignoram o verdadeiro sentido das canções, de repente outro clássico “Come As You Are”, para muitos a melhor introdução já feita para uma canção, sua melancólica letra fala sobre a “verdade das pessoas”, ou seja, o quanto nossas vidas são recheadas de mediocridades. “Breed” (particularmente minha preferida) nós fala sobre a padronização que todos esperam das nossas vidas, ter que crescer, casar, depois ter filhos, se divorciar e começar tudo de novo, como se fosse tudo meramente programado. “Lithium” considero auto biográfica, o nome da canção faz referencia a um composto de uma medicação do tratamento que o autor (Curt Cobain), fazia para o transtorno bipolar, doença que Cobain convivia desde sua infância. Podemos ver claro no refrão quando o mesmo diz que não sabe se ama, gosta, mata ou sente falta de alguém, realmente forte. “Polly” trata de outro tema polêmico, a canção conta a historia de uma jovem de 14 anos que é raptada e torturada depois de um show de rock. 

Outras canções do disco como “Drain You”, também merecem ser lembradas, principalmente por ser uma canção que fala de amor, mas não piegas e sim como entrega total, carnal, mental, dando ombros para o que as outras pessoas vão pensar. 

Viva intensamente seu sentimento e não se importe com opiniões alheias. Um disco que fala de critica social, violência, modo de vida e de amor. Não tem outra nomenclatura que não seja “DISCAÇO”.

Enfim, mas de 20 anos se passaram e Nevermind continua atual, sendo que quase que obrigatória audição para quem se mete a “entender de Rock”. Para muitos como eu que tiveram a oportunidade de viver tudo aquilo, resta a saudade. Saudade de um tempo que não vai voltar, mas que marcou. Guardadas proporções, acredito que o Grunge encontra-se em escala de relevância junto a “Betlemania” e a ladeado ao Punk.

Conselho de amigo: escute esse disco e faça uma auto- critica. Talvez seus caminhos se encontrem. Tecnicamente falando, Nevermind é um disco Punk.

Marcelo Guido é Punk, Jornalista, Pai e Marido. Uma das poucas pessoas aonde o pensamento punk permanece vivo no coração.
* Meu (Elton) texto sobre os 20 anos do nevermind não foi tão bom quanto o do Guido, mas se alguém quiser ler, ta aí : 

Discos que formaram meu Caráter (Parte 3) – TEN – Pearl Jam (1991)

Por Marcelo Guido

Congratulações a vocês que acompanham este periódico super maneiro que é esse blog do Elton. 

Bom sem mais delongas vamos falar de um álbum que, para muitas pessoas que viveram a década de 90, é simplesmente seminal, no sentindo mais cru da palavra. 

Partiremos do principio que “1991” foi um ano mágico para música.  “91” foi o ano que aparentemente todos os astros celestes conspiraram a favor, e todos os deuses da criatividade nos brindaram com uma excelente safra de discos que vieram a tona nesse curto período de 12 meses. Faço questão de dizer que falaremos de muitos discos dessa época dourada para o Rock.

“TEN” é o disco de estreia do Pearl Jam, uma banda de Seattle (estado americano) que veio nos mostrar que sim, existia vida no “Grunge”, que nada mais é que uma ramificação do rock alternativo. Na minha modesta opinião, o ultimo grande movimento musical (até agora).

O titulo do disco é uma homenagem a Mookie Blaylock, o camisa “10” do time de basquete New Jersey Nets e é considerado um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos.

Conheci esta “Bolacha” através da MTV (jovem, você que esta completando 18 anos, saiba que a MTV Brasil já foi sim um emissora que realmente era de musica, e que valia a pena assisti-la, saudades do Gastão e da Cuca) e meu interesse ficou maior quando vi pela primeira vez o clip de “Jeremy”, que foi lançado já em 92. 

A letra da canção e medonhamente espetacular, não fala de flores, mas conta a história real de Jeremy Wade Delle que era um garoto comum, como praticamente todos que tem 15 anos que em um belo dia cometeu suicídio na frente de todos os seus amigos na sua aula de inglês. Jeremy poderia ser eu ou muitos de vocês.

Esse vídeo foi dissecado na MTV e mostrou que realmente os caras da banda tinham talento, não eram mais uma redundância impertinente. Ao logo da década de 90 o “PJ” lançou outros bons discos (que ainda iremos ver nessa seção). Ou seja “TEN”, foi só começo de uma longa trajetória.

Mas o disco não se resume a “Jeremy”, tem também a sacramental “Even Flow” que fala das experiências vividas por um morador de rua, ou um sem teto como muitos preferem e que para mim é uma bela canção, versos como  “Ele dorme em um travesseiro feito de concreto, agita as mãos pedindo esmola a os passantes, além de iletrado ele talvez sela mentalmente enfermo, já que ele parece louco, quando sorri…Luta para pensar coerentemente, Fluxo constante pensamentos chegam como borboletas ele não sabe então as afugenta…” 

Pesado, concordo mas extremamente importante. Um drama coerente algo real, vemos isso em nosso dia-dia. Eu posso dizer que já fui as lagrimas muitas vezes ao ouvir essa música. E claro “Alive” que para muitos é uma história quase que biográfica, fala de um cara que descobre que seu pai é na realidade seu padrasto, ou seja, por circunstancias da vida acaba sendo enganado. Suicídio, fracassos e drama familiar, que puta mistura, que puta disco!

Costumo me emocionar com poucas coisas nesse ralo que chamo de vida, mas ouvir “TEN” em alto e bom som simplesmente mexe muito comigo. 

Existem outras passagens nesse disco eu tentei resumir, pela importância para mim já que estamos querendo ou não falando de mim, mas não cometa o sacrilégio de deixar de lado as não menos importantes  “Once”, “Porch”, “Deep” e a sensacional “Black”. Nove entre dez pessoas que conheço colocam “Black” como faixa para trilha sonora de um importante período da sua própria vida.

Encero minhas palavras por aqui e digo a vocês, procurem dentro de suas próprias faces corrompidas o “PJ”.Tenho certeza você vai encontrar. Tenha sempre a seu alcance o seu blusão de lenhador quadriculado.

Sempre existe um pouco de angústia, sarcasmo, apatia e desejo por liberdade dentro de cada um, basta olhar um pouco. Seattle, espero eu também estou dentro de você.

Marcelo Guido é Punk, Pai, Jornalista, Professor e Marido. Esta muito puto, porque assim como Jeremy, Lanna Guido também não foi a escola hoje.

Discos que formaram meu caráter (Parte 2) – Raimundos (1994)

Por Marcelo Guido

Então amiguinhos, estamos aqui de novo para falar de mais uma bela “bolacha”, que com certeza vez muita gente assim como eu também botar a cabeça pra balançar, poguear e pirar conforme a música.

O disco em questão trata-se de “Raimundos”, primeiro álbum da banda homônima (qualquer semelhança com Ramones, não é mera coincidência) que veio do Distrito Federal dar uma nova cara para o Rock Brazuca, no começo dos já longínquos anos 90. 

O momento histórico da música brasileira não era lá aquela maravilha, diga-se de passagem, sertanejo e um tal de “new pagode” tomavam conta de todas as paradas musicais naquela época, realmente era um verdadeiro cenário de terror para os fãs do velho e bom rock and roll.

As bandas nacionais sobreviventes dos anos 80 já se encontravam naquele esquema de “vamos fazer um disco conceitual, e sair em turnê para tocar o que a gente já gravou”, patético. (Menção honrosa para os excelentes “Descobrimento do Brasil de 93 da Legião Urbana e “Titanomaquia” dos Titãs também do mesmo ano”).

Nesse sombrio cenário vê que aparece do cerrado, quatro moleques que falam palavrão a torto e a direita, trazendo uma energia que faltava para aquele angu enjoativo que se tornou a música brasileira.

Produzido pelo Carlos Miranda e lançado pelo selo “Banguela” dos Titãs, “Raimundos” chegou fácil a 150 mil copias. Além disso, o álbum foi inovador por mostrar para nós o “forrócore”, a mistura do forró tradicional com o hardcore, coisa nunca tentada antes.

Meu primeiro contato com o disco foi através de meu grande amigo, Adriano Bago (que hoje também é um Guarani Kaiowa), que em um esquema “brodagem” me presenteou com uma fita gravada onde se encontrava a balada de duplo sentindo “Selim”.

Quando ouvi aquilo pela primeira vez pensei: “Que porra é essa???”. Tratava-se de algo inovador, os versos da canção que diziam “Eu queria ser o banquinho da bicicleta, pra ficar bem no meio das pernas..” era tão novo que me fazia lembrar que ser o caderninho da menina já estava muito ultrapassado. Aquilo sim era Rock, ou melhor, aquilo eu queria ouvir.

Recheado de palavrões chegou de dois pés e colocou os caras no cenário nacional que era muito difícil na época, já que não tinha ninguém dançando de shortinho coreografias pré-ensaiadas.

O disco mostrou de cara que a banda tinha muito a dizer, o que se tornaria fato no decorrer da década, “Puteiro em João Pessoa” abre o disco contando logo historia de uma transa adolescente (virou quadrinho nas mãos do Angeli),  vai para “Palhas do Coqueiro”,”MM`S”, que tem a participação do João Gordo, “Nega Jurema” que vem descendo a ladeira  trazendo uma sacola de Maria “Tonteira”, enfim um discaço.

Antes de tudo, é importante falar que o disco remodelou o cenário musical e influenciou praticamente todas as bandas que se formaram depois na década de 90. Considero “Raimundos “como obra fundamental porque a molecada mandou à merda todos os conceitos reinantes na época, com suas guitarras barulhentas pra caralho (será que posso usar esse termo no blog do Elton ?), letras sujas e bateria passado por cima de tudo com muito orgulho. Foda-se a surdez (opa de novo). 

“Puteiro em João Pessoa, MM`S, Be-a-bá”, “Marujo”, “Selim”, realmente entraram no gosto da garotada que estava na rua nos anos 90.“Raimundos” nos mostrou também, que não era mais legal parecermos ingleses como nos anos 80, que legal mesmo era chamar o Zenilton pra tocar….“Por isso que o Raimundos nunca vai se acabar”

* Marcelo Guido, é Punk, Pai, Jornalista, Professor e Marido…Joga na cara do Kookimoto Mira até hoje, o fato do mesmo ter assinado a parada pra eu ser expulso da escola. 

Discos que formaram meu caráter parte I: MONDO BIZARRO (1992)

Por Marcelo Guido

Existem fatos marcantes na vida das pessoas que realmente só são importantes para elas mesmas. O que quero contar nessas humildes linhas é sobre a importância de fatos que ocorreram em minha vida que formaram, ou deram esboço sobre o que sou hoje.

Corria o ano de 1992, eu tinha 12 anos, naquela fase que não sabemos se somos moleques ou homens, que começamos ser cobrados por atitudes ou pensamentos. Responsabilidades nos começam a ser jogadas.

Foi mais ou menos nessa época de transição que conheci algo que pautaria minha vida até os dias atuais e me fazem ser o que sou hoje. Agradeço profundamente a meu irmão que me deu um k7 (jovens as músicas já vieram em retângulos plásticos, com furos e eram chamados de “fita”), em um esquema assim “Toma, não gostei disso”.

Ouvir aquilo pela primeira vez foi FANTÁSTICO. Eu tinha em mãos um verdadeiro tesouro algo relativamente como o “Santo Graal”, simplesmente um pequeno esboço da banda que eu passei automaticamente achar a melhor de todas.

Pra começar pela capa, uns caras todos deformados, com uma atmosfera de “Foda-se, não estamos nem ai”, ou algo como “Não somos os mais bonitos, somos os mais fodas”. E era isso que realmente importava. Lembro-me que tinha em minha casa artefatos que hoje são jurássicos como um “Toca Fitas”, vermelho que atendia pela alcunha de “Meu primeiro Gradiente” (muitos vão saber o que é isso). 

Ao colocar aquele famigerado k7 e ouvir os primeiros acordes de “Censorshit”, minha vida realmente ganhou sentido. Ver aquela figura, de voz esquisita, mandado aquelas verdadeiras farpas contra a censura americana foi algo que me fez refletir sobre o que fazemos no mundo. Ramones mostrava pra mim naquele som, que tudo estava errado. Que temos que fazer algo para melhorar e que o melhor e fazer por nossas mãos.

Mondo Bizarro, também foi o disco em que a banda conseguiu seu maior apelo e sucesso comercial, chegando a receber discos de ouro e platina em vários países como Brasil, Argentina e Chile (Pra ficarmos em nosso continente). Também foi o primeiro disco de estúdio que o C.jay Ramone gravou com a banda. Esse cara é responsável pela excelente “Strengh To Endure”. É para mim a melhor formação de todos os tempos de uma banda de rock: Joey, Johnny, C.Jay e Marky.

O disco brinda os fãs com uma bela mensagem em “It´s Gonna Be Alright”, “Isto é dedicado aos nossos fãs pelo mundo,mais fiéis e com certeza, quando a vida fica frustrante vocês fazem valer a pena….Não é ótimo estar vivo?”, exemplo de respeito e dedicação a os  fãs é algo muito raro.

Sem contar claro da participação de Dee Dee Ramone que mesmo fora da banda nos brinda junto com Daniel Rey com a gloriosa “Poison Heart” Trilha sonora de “Pet Cemetery 2” (Clássico), bom podem ver que realmente um “Discão”.

A partir dessa audição e de muitas que fiz depois deste dia, minha vida ganhou relevância, pra começar o gradiente vermelho foi decorado logo com uma oriunda caveira desenhada toscamente por mim no esquema “Faça você mesmo”. Agradeço-te muito meu irmão por ter me dado sentido. Durante muitos anos o que eu realmente quis foi uma jaqueta preta, uma calça jeans rasgada, uma moto e uma camiseta dos Ramones.

VIDA LONGA A O PUNK!

*Marcelo Guido é Jornalista, Professor, Pai e Marido. Apesar de estar dando um tempo de birita, aprecia cerveja gelada e amendoim, acha muito mainstream comer tempurá na Euda.