De uma mina abandonada, uma Lagoa Azul no Amapá

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A Amazônia é conhecida pelos rios, igarapés e cachoeiras. Mas, a maioria das pessoas nem imaginam que aqui existam lagoas de águas azul turquesa. A 208 quilômetros de Macapá, capital do Amapá, fica a Lagoa Azul, um paraíso que nasceu de uma mina abandonada. O lugar fica próximo à Vila Serra do Navio, cidade criada na década de 1950 para abrigar os trabalhadores de uma empresa de mineração.

A lagoa azul e o passado da história da Serra do Navio estão entrelaçados. De acordo com a prefeitura da cidade, a cor marcante da lagoa, em tom azul anil, acontece por conta dos minérios da região especialmente o carbonato de manganês. O lugar era uma mineração. Hoje é possível chegar até lá através de trilhas ou de carro. A região é cercada por uma floresta tropical.13219739_1168769669842729_1887967679_n

O geólogo responsável pela perfuração da lagoa o Dr. Luiz Fabiano Laranjeira disse que é um mito a ideia de que a água é contaminada e imprópria para banho. De acordo com o geólogo, o que é encontrado na lagoa é grande concentração de sulfato e cloro, o que explica a coloração de águas que oscilam entre azul um turquesa e verde-água, o que nos dá a sensação de termos uma piscina natural tratada o tempo todo.

A lagoa possui aproximadamente 18 metros de profundidade e não possui nem peixes, nem outros seres comuns em lagoas. Novamente o geólogo explica: “o cloro torna o ph da água ácido. Isso não permite desenvolvimento de matéria orgânica, mas não as torna impróprias para banho”.

Quem aconselha a visita é Milena Sarge, praticante de stand up paddle. Ela utiliza a lagoa para praticar o esporte. “Eu adoro a lagoa azul. Acho paradisíaco, sei que ela é fruto de exploração mas a natureza foi moldando. E lá é um ambiente tão agradável, transmite paz”, disse Milena.

Company Town

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A História da Serra do Navio remonta aos anos 1950. A região era rica em manganês e outros minérios. Por isso, a empresa Indústria e Comércio de Minério (Icomi) resolveu construir uma cidade que pudesse abrigar seus empregados.

De acordo com dados do Instituto do Patrimônio Historico e Artistico Nacional (Iphan) a empresa começou um projeto ambicioso de implantação – nos moldes de muitas vilas que surgiram na Inglaterra durante a Revolução Industrial – de uma Company Town. Tratava-se de uma cidade dirigida e controlada por uma empresa, cuja economia era ligada a uma só atividade empresarial.

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Com pouco mais de 3,7 mil habitantes, a cidade foi projetada pelo arquiteto brasileiro Oswaldo Arthur Bratke para abrigar os trabalhadores da Icomi. Bratke escolheu, pessoalmente, o lugar de implantação – a Serra do Navio – em uma região localizada entre os rios Araguari e Amapari. Ele também programou áreas de expansão futura da vila, projetando-as integradas ao traçado e ao sistema viário. Concebeu o projeto para uma cidade completa e autossuficiente, uma experiência precursora na Amazônia.

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Minério

As primeiras informações sobre a existência de manganês na Serra surgiram antes de Getúlio Vargas criar, em 1943, o Território Federal do Amapá. Em 1945 amostras colhidas pelo garimpeiro Mário Cruz responderam definitivamente as questões sobre a possibilidade de mineração. As amostras continham alto teor de manganês.

Vencendo uma concorrência que incluiu mineradoras estrangeiras, a Icomi assinou o contrato de exploração mineral em 1947. Em 1951, confirmou a existência de quantidade superior a 10 milhões de toneladas de minério. As obras e os trabalhos da mineradora continuaram uma política de ocupação da cidade.

A experiência em Serra do Navio atraiu brasileiros de todos os estados, que se instalaram no Amapá. Entretanto, a reserva de minério se esgotou antes do previsto e a Icomi deixou a região no final da década de 1990. Em maio de 1992, a vila passou a ser sede do município de Serra do Navio.

Meu comentário: conheci a Lagoa Azul em 2016, quando passei perto do local. Eu estava a trabalho pela Justiça Eleitoral, onde atuava como assessor de comunicação. Fiquei deslumbrado com a beleza do lugar e fiz somente esse registro (foto acima) retratada pelo motorista Evandro Nobre.

Fonte: Portal Amazônia

29 anos da queda do Muro de Berlim, o monumento à estupidez

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Há 57 anos, a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) construiu o Muro de Berlim, no período pós Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha foi ocupada por os russos à Leste e franceses, ingleses e americanos à Oeste.

A muralha separava a Berlim Ocidental da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental. Hoje (9) fazem 29 anos que o muro da vergonha foi derrubado.

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A muralha tinha 156 km de extensão, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Ele simbolizava a chamada “cortina de ferro” entre a Europa Ocidental e o Bloco de Leste do continente europeu. Era uma barreira quase intransponível.

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A barreira física simbolizava a divisão do mundo em duas partes: os países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos da América (EUA) e o outro composto pela República Democrática Alemã (RDA) e os países socialistas simpatizantes do regime soviético. A época foi marcada pela oposição entre Estados Unidos e União Soviética no período conhecido como Guerra Fria.

Foram 29 anos de suspensão do direito de ir e vir dos alemães em seu próprio país. Quanta Democracia não?

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Há quatro anos, oito mil balões iluminados cobriram 15 quilômetros, dos 155 Km, onde existia o Muro. O objetivo foi mostrar para os alemães mais jovens e para os turistas onde ficava a muralha passados 29 anos, na época, e como a cidade era dividida.

Em 2014, os balões foram soltos ao som de ‘Ode à Alegria’, a última parte da nona sinfonia de Beethoven, para iluminar os céus de Berlim. É o mesmo horário que iniciou a derrubada da muralha, há 29 anos. A queda do Muro de Berlim marcou a reunificação alemã e o fim da Guerra Fria.

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Eu tinha 13 anos e lembro bem daquelas imagens que vi na TV. A população destruindo o monumento à estupidez. Uma frase, escrita no paredão, previu queda do muro em um futuro mais distante: “No próximo século, tocarei o teu coração“. Lindo e triste.

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Ainda existem muitos tipos de intolerância e absurdos no mundo, mas Muro de Berlim sei foi. Pena que ainda existem imbecis como Trump, presidente do EUA e sua vontade de construir o muro contra mexicanos. Tomara que a humanidade avance contra “ismos” e “fobias”, pois muitos não assumem, mas possuem muros dentro de suas cabeças e corações.

Fica a lição e nossa torcida esperançosa para que coisas deste tipo nunca mais ocorram.

Elton Tavares

Como será quando eu morrer – Crônica de Elton Tavares

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Às vezes me pego pensando: quando eu morrer vão lembrar de mim por quanto tempo? De que forma recordarão este jornalista? Vira e mexe penso que, após quatro décadas de vida intensa, desviver pode estar próximo de acontecer.

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Será que vão contar piadas sobre situações inusitadas ou presepadas que cometi? Sei não, talvez a família e os amigos mais próximos até sofram, mas logo esquecerão deste gordo, feio, chato e brigão. Quem sabe será melhor desta forma, assim não terá muito mimimi…É que nunca fui dado a dramas.

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Não sei se vou bater na porta de Deus ou do diabo (Não que eu tenha cultuado forças maléficas ou feito o mal a quem não procurou, mas ninguém sabe os critérios de avaliação da força que rege tudo isso aqui), se é que eles existem. Nada de exame de consciência, pois daria negativo.

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Não sei se a passagem pra outra vida é a entrada na fila da reencarnação para outra existência, dimensão, planeta ou realidade paralela.

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Não que eu esteja com pressa, mas penso mesmo no desencarne. Nada de finitude. É como dizem, todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer. Mas se rolar, minha estada por aqui valeu a pena. E como Valeu!

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E o caixão? Vão ter que pegar um guarda-roupa, tiras portas e gavetas pra caber este gordo. Só lembro do Sal, que uma vez me disse: “Porrudo, se tu morrer antes de mim, apesar de sermos brothers, não vou pegar na alça do teu caixão. É que não sou chegado a serviço pesado” (risos).

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Não sei onde e como acontecerá. Apenas suspeito. Acho que o cabo da matrix será puxado de repente, como um raio, um piscar de olhos. Tomara que assim seja. Esse negócio doido de morrer, que sabemos que vai acontecer, mas sempre nos surpreende é muita onda.

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Mas de volta ao tema principal, como será após eu subir no telhado. Falo dos meus familiares, amigos. Espero que sintam a saudade gostosa que tenho do meu pai, aquela sem nenhum ressentimento.

Tenho certeza que daria uma passada pelo Purgatório, afinal, já magoei um monte de gente e dei porrada noutro tanto. Isso quando mais jovem, mas pecados são pecados. Não tem jeito.

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Quero que na lápide seja escrito: “Godão, ardoroso partidário da causa hedonista, botou pra quebrar. Amou os seus, combateu os inimigos de forma limpa, viveu como quis e se divertiu a valer. Com um histórico imenso de confusões, vítima da sua própria sinceridade”.

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Aliás, desafetos é o que não me faltam. Talvez role até uma festa deles para comemorar meu embarque para Caiena. Quando eu morrer, se valer a pena, alguém pode escrever, eu autorizo. Mas se falar mal, volto, e minha mizura vai cobrir de porrada o autor da crítica.

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Dizem que quando a gente morre passa um filme. O meu será um mix de romance, drama, aventura, humor e comédia. Enfim, quando chegar a hora, como disse o mestre Nelson cavaquinho: “quando eu morrer, os meus amigos vão dizer que eu tinha um bom coração. Alguns até hão de chorar e querer me homenagear, mas depois que o tempo passar, sei que ninguém vai se lembrar”. É por aí mesmo. Por isso vivo o agora. Digo a quem amo que os amo e honro os meus com declarações de amor viscerais. Pois é assim que deve ser. Mas afinal, como será quando eu morrer?

Elton Tavares

*Republicado por conta do Dia de Finados. 

Apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques em todo o país. Um rapaz foi atacado aqui no Amapá

Uma matéria da revisa Exame publicada hoje (11) destacou que apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques em todo o país. E isso não é “Fake News”, prática usada pelos simpatizantes do referido candidato à Presidência da República. Ontem (10), um jovem foi atacado em Macapá (AP).

Bareis Gilson, de 31 anos, que é homossexual, relatou em sua página na rede social Facebook, que quando retornava do trabalho em direção à sua residência, Quatro homens passaram por ele e gritaram “É Bolsonaro 2018”. O rapaz foi empurrado e apressou o passo.

A vítima disse ainda que escutou outros gritos como “Corre mesmo se não o bicho pega”. Relatos como esse se tornaram corriqueiros desde o último domingo (7), como detalha bem a matéria da Exame.

Segundo a professora universitária Fátima Guedes, amiga minha e de Bareis Gilson e quem me contou o ocorrido, o rapaz já registrou um Boletim de Ocorrência.

Gente, sério, onde chegamos? Homofobia sim é ‘’coisa de veado’’, loucura pura. E se isso for um problema para alguém, este sim é o doente. É o caso do candidato do PSL, que personifica o sentimento dessa triste parcela da nossa sociedade. Não se trata de política e sim de humanidade. Tempos trevosos esses é termo que a coisa se agrave ainda mais.

Tenho poucos preconceitos na vida, como aporrinhação para que eu siga uma determinada religião ou com música escrôta, mas só isso. Tenho orgulho de ter muitos amigos homossexuais, pessoas íntegras e inteligentes, que pagam suas contas e contribuem para o bem da sociedade.

Se você tem filhos, parentes, amigos ou sabem que homossexuais são tão cidadãos de bem quanto todo o resto de pessoas “normais” (é assim que se referem, por incrível que pareça), pensem sobre isso. Li em algum lugar que “o ódio rouba a sua liberdade”. É por esse caminho que vocês querem ir mesmo? Ainda dá tempo de parar essa doideira odiosa. É isso.

Elton Tavares

VInte e quaTro cARAS – Crônica de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Vinte e quatro ladrões deidéisalheias, vinte e quatro Karaikos sem identidade, vinte e quatro alimárias, vinte e quatro fedegosos, vinte e quatro desativos, vinte e quatro legistijolos, vinte e quatro esbugalhados, vinte e quatro moscamortas, vinte e quatro sanguesugas, vinte e quatro harpias, vinte e quatro térmitas, vinte e quatro algoterríveis, vinte e quatro dãoecomis, vinte e quatro manganeses, vinte e quatro poluídos, vinte e quatro deolhonodinheiro, vinte e quatro aves de rapina, vinte e quatro cabrassafados, vinte e quatro esconjurados, vinte e quatro trajanotraidores, vinte e quatro povoenganadores, vinte e quatro zangarrilhos, vinte e quatro ligeiros, vinte e quatro enviados do Fute e uns três ou quatro separados do veneno.

Vinte e quatro pinguinsebosos, vinte e quatro festativos, vinte e quatro silvériosdosreis, vinte e quatro ferrabrases, vinte e quatro alucinados, vinte e quatro curupiras, vinte e quatro bestas do apocalipse, vinte e quatro pseudoretardados, vinte e quatro vampiros da floresta, vinte e quatro carcinomas metastásicos, vinte e quatro xixilados, vinte e quatro decadentes e uns dois ou três que ainda tem olhos.

Vinte e quatro bobovelhos, vinte e quatro morcegos hematófagos, vinte e quatro reiscaldeira, vinte e quatro bailesdemáscas, vinte e quatro ratosdeesgoto, vinte e quatro judas, vinte e quatro traíras, vinte e quatro solipsos, vinte e quatro surucucus, vinte e quatro lacraus, vinte e quatro pretensos nababos, vinte e quatro pantagruélicos, vinte e quatro onívoros, vinte e quatro lambe-sacos-e bigodes, vinte e quatro pantófagos, vinte e quatro pinóquios, vinte e quatro febres quartãs, vinte e quatro cleptomaníacos, vinte e quatro xerimbados, vinte e quatro blefadores, vinte e quatro assimdeolho, vinte e quatro oxiúros, vinte e quatro cabas-de-igreja, vinte e quatro nanicos anatematizados e um ou dois votovencidos.

Poucas novidades e velhas canalhices

Há um novo bar restaurante na cidade. Também a velha mania de parar por qualquer evento diferente, tipo coisa do interior. Mas até aí tudo bem, faz parte da fuga por coisas novas.

Também há muita insatisfação, descrédito e desejo de mudança. Também jovens ávidos por uma chance, um emprego e velhos professores aflitos pela retirada de benefício salarial ou os novos, pela falta de um reajuste justo.

Há crianças se prostituindo e velhos coronéis ainda no poder. Há gente morrendo nos hospitais e alguns ainda dizem que tudo está no seu lugar.

Há caos, desordem e desonestidade à rodo. Há má vontade…

Há sonhos engavetados e paixões idiotas. Há muita grana a ser gasta com a massa de manobra por interesses obscuros. Há medo!

Há pessoas assistindo a tudo sem fazer nada. Uns por egoísmo, outros por conveniência. Há ameaças, exonerações, chantagens e acordos.

Há violência. E de toda forma. Corpórea e moral. Há assédio, mas todos chamam de “Lei do mais forte”.

Há casamentos, separações, mortes e nascimentos. Há loucos impetuosos e covardes acomodados. Há muita alienação e burrice colorida. Há canalhas demais!

Há muita beleza natural, muita gente do bem, tanto por fazer e amores (sur)reais. Mas há poucas novidades e velhas canalhices, mas todo mundo só pensa na porra do novo bar restaurante na cidade.

Elton Tavares

Meu céu – Crônica bem humorada sobre o paraíso de cada um (o deste jornalista, no caso)

Há meses escrevi uma crônica sobre como seria o meu “Inferno”. Hoje vou falar/escrever um pouco de como seria o meu céu. Não sei baterei na porta do céu como Bob Dylan. Nem se vou achar o lugar igualzinho ao paraíso, como sugeriu o The Cure, mas estou atrás da “Stairway To Heaven” do Led Zeppelin. Só não vale ter “Tears In Heaven”, do Eric Clapton. Mas vamos lá:

Meu céu é em algum lugar além do arco-íris, bem lá no alto. Bom, lá, ao chegar ao meu recanto celestial, eu falaria logo com ELE, sim, Deus ou seja lá qual for o nome dele (God; Dieu; Gott; Adat; Godt; Alah; Dova; Dios; Toos; Shin; Hakk; Amon; Morgan Freeman ou simplesmente “papai do céu”) e minha hora já estaria marcada.

Ah, não seria qualquer deusinho caça-níquéis (ou dízimos) não. Seria o Deus de Spinoza, que como disse Einstein: “se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

Após este importante papo com o manda chuva do paraíso (tá, quem manda chuva mesmo é o seu assessor, São Pedro, mas eu quis dizer mesmo é do chefão celestial), daria um rolé e encontraria todos os meus amores que já viraram saudade. Ah, como seria sensacional esse reencontro!

Bom, meu céu é todo refrigerado e chove. Chove muito, mas nunca inunda as vielas do paraíso e nem desabriga ninguém por lá. Ah, abaixo dele chove canivetes nos filhos da puta (que não são poucos) que encontrei durante a jornada pré-celestial. Óquei, pode soar meio lunático, mas é o meu céu, porra!

No meu céu não tem papo furado, como no capítulo 22, versículo 15, do livro de Apocalipse. Lá entrarão impuros sim ou seria uma baita hipocrisia EU estar neste céu. No meu céu não toca brega, pagode e sertanejo sem parar, afinal, isso é coisa do inferno. Ah, no meu céu não entra corrupto, pastor explorador, padre pedófilo ou escroques de toda ordem, esses tão lá no meu inferno e eu ainda teria o direito de cobri-los de porrada!

Heaven – Foto: Elton Tavares

No meu céu as pessoas se respeitam, não tentam a todo o momento tirar vantagens do outro. No meu céu, serviços prestados são pagos na hora, chefes são justos e não rola fofoca. Lá não tem puxa-sacos, apadrinhados ou seres infetéticos desse naipe que a gente, infernalmente, convive na terra diariamente.

No meu céu tem churrasco, pizza, sanduba, entre outras comidas deliciosas e que nunca, nunca mesmo, nos engordam (pois é infernal o preconceito fitness). Lá também não sentimos ressaca. No meu céu tem show de rock o tempo todo, com todos os monstros sagrados que já embarcaram no rabo do foguete e a gente curte pela eternidade.

Lá no meu plano celestial não existe a patrulha do politicamente correto, nem gente falsa, invejosa, amarga, e, muito menos, incompetentes. Se tá no céu, se garante, pô!

Não imagino o céu como um grande gramado onde todo mundo usa branco, ou um local anuviado onde anjos tocam trombetas e harpas. Não, o céu, se é que ele existe (pois já que o inferno é aqui, o céu também é) trata-se de um local aprazível para cada visão ímpar de paraíso, de acordo com nossas percepções e escolhas. Bom, chega de ficar com a cabeça nas nuvens. Um excelente final de semana para todos nós!

Foto: Elton Tavares

Eu acho que há muitos céus, um céu para cada um. O meu céu não é igual ao seu. Porque céu é o lugar de reencontro com as coisas que a gente ama e o tempo nos roubou. No céu está guardado tudo aquilo que a memória amou…” – escritor Rubem Alves (que já foi para o céu).

Elton Tavares (que graças à Deus, tem uma sorte dos diabos).

Sensação térmica no Amapá pode chegar a 48°C até outubro de 2018, diz meteorologia – Égua-moleque-tu-é-doido!


Por estes dias, o Núcleo de Hidrometeorologia do Instituto de Pesquisa Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) divulgou que a sensação térmica no Estado deve chegar aos 48ºC, até o mês de outubro de 2018.

Conforme o meteorologista da NHMET, Jefferson Vilhena, a causa da elevação da temperatura é queda no nível de umidade em nossa região.

Sempre digo que, para mim, está mais quente a cada ano. Clima de inferno mesmo, sentido literalmente na pele.

Minha prima Lorena sempre diz que, quando o derretimento do polo Norte e o gelo do Ártico diminuir, seremos os sobreviventes ou pelo menos os últimos a desviver, pois estamos habituados ao clima infernal (risos).

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Ranking Folha mostra quais estados fazem mais com menos (Amapá está em último lugar entre as unidades da Federação) – Égua-moleque-tu-é-doido!

Por Fernando Canzian

Ferramenta inédita lançada pela Folha e o Datafolha mostra quais estados entregam mais educação, saúde, infraestrutura e segurança à população utilizando o menor volume de recursos financeiros.

O REE-F (Ranking de Eficiência dos Estados – Folha) considera 17 variáveis agrupadas em 6 componentes para calcular a eficiência na gestão dos 26 estados e detalha ainda a situação das finanças de cada um deles.

Numa escala de 0 a 1, cinco estados ultrapassam 0,50 e, por isso, podem ser considerados “eficientes” -Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Pernambuco e Espírito Santo. Outros seis mostram “alguma eficiência” no uso de seus recursos e os demais 15 podem ser considerados “pouco eficientes” ou “ineficientes”.

O objetivo do REE-F é quantificar o cumprimento, pelos governos estaduais, de funções básicas e previstas em lei segundo seus recursos financeiros.

Aparecem mais bem posicionados os estados que gastam menos, por exemplo, para ter mais jovens na escola, médicos e leitos em hospitais, redes de água e esgoto, melhores rodovias e menores índices de violência.

A partir do cruzamento com a atividade econômica dos estados, o REE-F mostra que aqueles que mantêm ou que ampliaram sua base industrial e de serviços na composição do PIB (Produto Interno Bruto), com impacto positivo na arrecadação de impostos, tendem a ser mais eficientes. Já os que têm a agricultura, a administração pública e os repasses da União como principais fontes de receita se saem pior.

Além de mostrar correlação com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU, o REE-F revela que altas taxas de mortalidade infantil e homicídios são os sinais mais fortes da ineficiência de um estado. E que aqueles que possuem receita per capita maior não são necessariamente os com melhor desempenho.

O trabalho traz ainda um amplo panorama das dificuldades dos estados, com a queda na receita e investimentos na crise econômica, e a explosão das despesas com o aumento do funcionalismo ativo e inativo.

Com cada vez menos receitas disponíveis para o básico, os estados têm à frente um desafio inédito: quase a metade dos servidores está em idade de se aposentar, colocando em xeque o atendimento à população.

Veja o Ranking (situação do Amapá, em último, linkada na imagem): 

Clique na imagem e veja a caótica situação do Amapá, conforme o levantamento.

Fonte: Folha.

Frases, contos e histórias do Cleomar (Parte II)

Meu amigo Cleomar Almeida é um competente engenheiro. O cara também é a personificação da pavulagem e gentebonisse, presepeiro e boçal como poucos que conheço. Um figura divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade. Quem conhece, sabe. Na mesma linha da PRIMEIRA PUBLICAÇÃO sobre seus papos no Facebook, selecionei alguns de seus relatos na referida rede social. Boa leitura:

“Não vem dar teco no meu açaí, toma o teu que eu tomo o meu”. Pra eu deixar de ser enxirido.

Se eu, Cleomar, pego uma cagada que nem a que o Gilmar Mendes pegou do Ministro Barroso ontem, aproveitava o apagão e mandava avisar: Gente, queimou uns bagulhos aqui em casa e tô tentando arrumar, não poderei ir na repartição hoje. Pense numa lapada. (Em março de 2018, sobre o “mau sentimento).

Como é a vida! Lembro de um episódio nessa lida de engenheiro em que um potencial cliente me chamou pra acompanhar uma obra e que, por ser um serviço simples, ele me pagaria com “o da gasolina”. Na hora fiquei puto da vida, perguntei pra ele se achava que eu tinha cara de motor, virei as costas e saí dali indignado. Se tal proposta fosse feita hoje, nem ele teria condições de me pagar o prometido e nem eu me encheria de frescura em aceitar. (Durante a falta de combustível, em maio de 2018).

Ia comprar o AmapaCap pra ver se diminui essa lisura mas acho que primeiro vou me mudar pra Santana, pense num povo de sorte, só dá eles.

Já tô mordido com essas porcarias de goteiras, pior que só aparece quando tá chovendo. Parece o gás, que só acaba quando a gente tá cozinhando.

São estilo “Walking Dead” os carapanãs da minha casa, só pode. Tu entopes o quarto de veneno e vai caindo um por um, em meia hora já começam a se levantar, só que agora totalmente transformados, possuídos, com ódio no coração, dá pra ver a ira em seus olhos esbugalhados e sedentos de sangue. Coisa do Belzebu mesmo.

Nenhum “Fake news” foi tão devastador quanto o da faca no boneco do Fofão. Tinha até fogueira pra queimar o boneco do capeta. Tédoido!

Coisa boa mesmo é o cara ser desembargador federal, dia que tu acordas de cu sujo, tu bagunças com o domingo da galera toda. (Sobre o habeas corpus concedido ao ex-presidente Lula, pelo desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no dia 8 de julho de 2018).

Você foi chegando aos poucos, ocupando cada espaço em minha cabeça, quando percebi já era tarde. Sai de mim calvíce da peste, logo eu, que era o Urso do Cabelo Duro.

Fala a verdade, tu tá mais puto por conta das folgas que tu perdeu, no fundo a gente sabia que não ia ganhar porra nenhuma. (Sobre a eliminação do Brasil na Copa do Mundo 2018).

Quer encontrar gente aru, é só ir na fila do caixa eletrônico, fôlego.

No meu entendimento, se o cara fez a comida, ele tá livre de qualquer obrigação com as louças, se eu cozinho, eu não lavo.

Se a vadiagem fosse remunerada, já teria feito uma grana preta, só nesse sábado.

Já tô cansado de tanto descansar, amanhã vou trabalhar de qualquer jeito. Meeeeentheeeera, ainda aguento ficar nessa vadiagem mais uns dez dias. Pra melhorar só faltava uma rede e uma frieira.

Ninguém, eu afirmo ninguém, teve um domingo mais tiricento de que eu. Sai de mim.

Tá decidido, vou votar no Dr Rey, ele tá prometendo que vai deixar todo mundo bonito, bora comigo bando de feio.

Equipes da Semur encontram caixão abandonado no Centro de Macapá – Égua-moleque-tu-é-doido!!

As equipes da Secretaria de Manutenção Urbanística de Macapá (Semur) encontraram um caixão abandonado em via pública. A urna funerária foi localizada no canteiro central da Rua Mendonça Furtado, no Centro da capital.

De acordo com o titular da pasta, Augusto Almeida, as equipes estão em ação de limpeza no perímetro. “O fato inusitado pode ser avaliado como descarte de entulho, mas lembramos a população que jogar material em via pública é crime”, mencionou.

A urna funerária será encaminhada à Semur, onde as equipes irão avaliar qual a melhor destinação ao objeto. A punição para quem é flagrado descartando lixo nas ruas pode variar de R$ 500,00 a R$ 2 mil e aumentar conforme a gravidade da infração; e o infrator conduzido à delegacia para responder por crime ambiental.

O órgão disponibiliza o número de telefone 99147-1050. O contato também é WhatsApp, para que a população colabore com denúncias sobre descarte irregular de lixo.

Amelline de Queiroz
Assessora de comunicação/Semur

História do Kairo Moto Taxi o Melhor de Macapá!!! Diretamente de Mazagão!

Kairo – Foto: Maksuel Martins

Uma crônica de Kairo Moto-taxi

Depois de um longo tempo sem contar minhas histórias estou retornando, mas Kairo, porque estava sumido? Isso é fácil de explicar! Eu estou focado na faculdade, TCC, Estágios outras 7 ou 8 matérias que confesso que nem sei o nome de todas, tive que parar um pouco e centrar, simplesmente porque eu sei onde quero chegar e vou conseguir, vocês me entendem! Afinal meu sonho depende desse momento, lembre-se que “Depois da chuva, vem bonança”. Agora estou de férias, o que talvez meus professores e coordenadores ainda não saibam, mas eu me dei férias, meu curso minhas regras. Pah !!!

Lazer? quando falamos em lazer lembramos logo de domingo e essa história é de um domingo maravilhoso, daqueles que o sol está deslumbrante e o céu parece que foi pintado à mão, o vento e o balanço das árvores estão na mesma sintonia dos cantos dos passarinhos e os típicos desenhos nas nuvens estão lá esperando por sua imaginação. As ruas? nossa! Parece que não vivemos em Macapá, o trânsito organizado, as pessoas trafegando com calma e paz, como se o relógio não existisse, como se o amanhã não fosse chegar. Pra mim moto – taxista, é um dos melhores dias para se dirigir, até porque as melhores ruas (asfaltadas) estão vazias, claro que não são muitas as ruas boas de nossa cidade, 5 ou 10 no máximo, o resto está do jeito que tá.

Eu vinha na rua Padre Júlio, devagar, sem pressa alguma, sentindo o vento no rosto e o sol no corpo, estava vindo no sentido CENTRO/ALVORADA, ao chegar próximo ao 34º BIS, na parada de ônibus, vi uma moça, sentada, de certo ia pra Santana pensei, fui me aproximando e a moça se levantou, logo meu coração se alegrou, corrida pra Santana é uma raridade e é um dinheiro bom, tirando é claro os buracos das ruas de lá e o engenheiro de trânsito que anda complicando a vida dos santanenses ( mas ele é profissional, não somos dignos de reclamar). Ela timidamente acenou pra mim e eu com o meu grande sorriso me aproximei.

Os Cabelos tinham uma cor natural, um cinza de causar inveja a qualquer um, era fácil de notar que não era pintado pelo simples fato da raiz do cabelo combinar com o resto e as pontas estarem super bem hidratadas (cabelo pintado é uma desgraça pra deixar pontas duplas, nunca vi!), no cabelo um laço vermelho Carmin com alguns arames dourados, os arames davam forma a um laço perfeito, olhos claros um tom à menos da cor de mel, mas existiam raízes escuras no olhos da moça, sabe quando você olha microscopicamente para um olho humano, era desse jeito, só que sem o microscópio, o nariz era o que a minha avó chamava de Afiladinho (o que ao meu ver é um nariz proporcional ao tamanho do rosto), usava um brinco simples, um única pedra (imitação de um diamante, já tinha visto um idêntico nas lojas de bijuterias no centro), os lábios, esses sim chamavam atenção, ela usava um batom rosa pink, sabe aquele rosa que não é legal (Sei que é uma questão de gosto, mas eu não achei super mega legal para um look que ela vestia, achei que fugiu do contexto) era um rosa tipo de trabalho escolar ( pra facilitar a sua imaginação era o rosa das laranjinhas de morango, sabe? Aquelas que o tiozinho passa vendendo na rua da sua casa? Era esse tom de rosa!) Usava um colar daqueles que você compra no catalogo da Hermes, Aqueles que vem um coração e uma chave e você da a outra parte para alguém que você acha “especial” o que de fato me vez pensar que ela fosse comprometida, uma saia rodada (indiana envelope), presa por um único elástico na cintura, a saia ia até a ponta dos pés, e escondia uma tatuagem, um nome! (Se for o nome do namorado é mandinga, para que o bofe fique sempre aos pés dela, você não sabia dessa neh ? Rs) uma blusinha branca, sem detalhes, ela cortou a etiqueta (isso é fácil de notar, geralmente a etiqueta de blusas brancas são pretas e quando você corta fica um listra pretra na costura), uma sandalinha rasteira daquelas feita com coro de bode (25 reais no mercado Central) tirando o cabelo que era um pouco mais liso, poderia dizer que ela era parecida com Maria Bethânia, antes da fama é claro e antes da idade chegar.

Então ela me pergunta!

Ela: -Quanto o senhor me leva em Mazagão? (Meu coração bateu tão forte, se é bom ir pra Santana, imagina ir pra Mazagão).

Eu: (Com a voz tremula respondi) 45,00 reais, Boa tarde!

Ela: Poxa moço! Tá muito caro! Senhor poderia fazer um desconto?

Eu: Claro! Vamos por 40 reais, pode ser?

Ela: Poxa, ainda continua caro, mas eu estou desesperada, estou com muita pressa e a van vai demorar, então vou ter que aceitar.

Eu: Tudo bem, vamos chegar rapidinho.

Ela: vá o mais depressa possível!

Começamos uma conversa tímida, ela me falou que tinha um compromisso, algo relacionado a igreja. Engraçado que quando passamos o cabralzinho ela segurou na minha cintura, disse que estava com frio, achei estranho, o sol torrando na moleira e ela com frio? Perguntei:

Eu: – Você está bem? Tá doente?

Ela me disse que não, mas que era pra eu reduzir a velocidade, fiquei sem entender! Mas o mundo feminino têm dessas coisas, continuamos dentro da velocidade permitida, mas as vezes ela apertava a minha cintura, eu comecei a pensar que ela não tinha resistido ao meu corpo e de vez enquanto tirava uma casquinha! Mas a medida que íamos nos afastando da cidade ela me apertava com mais força e confesso que tenho um corpo sensível e já tava começando a doer aqueles apertos, mas continuei a viagem.

Em um determinado momento parei a moto porque já não aguentava ela me apertando, falei:

– Moça o que está acontecendo? Você tá me apertando!
– Ela respondeu em um tom de susto e timidez: Nada não senhor!

Eu: Como nada? Você tá pra quebrar meu espinhaço (vovó falava assim), tá doendo! Não sei se é fetiche!? Mas se for me avise pra eu entrar na brincadeira, porque sem saber parece mais agressão. Rsrsrs

Ela: desculpe, não foi minha intensão! É que eu tô com vergonha de falar mas acho que não vou aguentar!

Eu: Minha filha me conte então! Deus só trabalha nas coisas reveladas.

Ela: Eu tô com dor de barriga!!!

Nesse momento eu juro, juro que pensei que ela estava transportando drogas no estômago pra Mazagão, já imaginei ela vomitando tudo ali mesmo no meio da rua, a polícia chegando e até eu explicar que nariz de porco não é tomada eu já tava lascado.

Eu: Mana! Mas dá pra aguentar até sua casa? Estamos no meio do nada!

Ela: Moço, eu acho que não! Tô tentando segurar, tô morta de vergonha!

Eu: Xuxu, não fique com vergonha, todo mundo caga (Mas por dentro eu tava rindo litros), não se preocupe, vamos conseguir chegar.

O problema nessa situação é que o Cú tem uma espécie de GPS e a medida que vamos chegando perto de casa ou de onde vamos parar, vai apertando o negócio, vamos perdendo o controle da situação e eu comecei a imaginar a minha moto destruída de merda. Você já deve ter passado por isso, você chega na frente da sua casa, vai abrindo a porta, aí vai tirando a roupa, começa o desespero… kkkk ….só de imaginar eu me espoco na risada.

Resolvi então perguntar:

Eu: Xuxu, sei que não é legal mas tô vendo que você não tá bem! Estou preocupado com você!

Você já percebeu que nessas situações, essas perguntas, só aumentam a vontade ?

Ela: Moço, eu não tô aguentando! Me ajuda. O que eu faço, se eu chegar em casa assim meu marido vai desconfiar!

Eu disse: Oi? Hein? Como assim seu marido vai desconfiar?

Ela desconversou, mas aquilo ficou gravado no meu coração como os dez mandamentos ficaram gravados naquela tábua, pensei, vamos resolver uma merda de cada vez.

Perguntei: você acha que não vai aguentar?

Ela: Não moço! Não aguento… me ajude.

No caminho lembrei de um antigo matadouro de bois, fica bem próximo da fábrica de Coca-Cola, eu conhecia bem o local pois jogava Airsoft lá, então disse para ela que poderíamos parar e deixar fluir o fluxo normal da vida.

Ela concordou em ir, chegamos no local com ela se contorcendo parecia uma cobra! Ela disse que estava com medo de entrar sozinha, eu disse:

– Moça vai ser constrangedor pra ambos se eu entrar com você!

Ela: Mas moço eu tô com medo (com a aquela cara do gato de botas) me ajuda que eu te pago o valor que você quiser.

Eu: Moça, não é pelo dinheiro, mas vamos lá! (era pelo dinheiro sim).

Entramos no local, era cheio de Mato, tem várias construções abandonadas e à medida que eu ia entrando fui imaginando a merda que eu estava fazendo na minha vida “E se alguém visse eu entrando ali e chamasse a polícia” e ” se entra alguém ali” mas enfim… fomos!

Falei pra ela: Ali!!! Naquela casinha, ela correu em direção de lá como Forest Gump naquela corrida no começo do filme, corre forest, corre! Corre! Só quem assistiu vai entender essa referência, eu com aquele sorriso cínico no rosto pude escutar a miséria que ela fez ali dentro, meu Mano, o negócio tava tenso.

Sabe quando pato tá na lama e caga, era assim, só que pior, muitooooooo pior.

Eu ria, ria tanto, aquele riso em silêncio! Por dentro.

Afinal não poderia constranger a moça, ela já tava na merda.

Ela terminou mas aí então lembramos de um detalhe muito importante como ela ia se limpar?

Ela me perguntou: Moço! E agora?

Nessa hora lembrei de uma brincadeira de escola, gente juro que foi involuntário, mas eu fiz!

Respondi: Caga na mão e joga fora!

Até ela riu, rimos da situação, era o que restava.

Pensei, pensei… até que lembrei da flanela, disse: – Moça, a única coisa que eu tenho aqui é uma flanela!

Ela: Serve!

O problema é que minha flanela tava velha, e se você não sabe, fique sabendo. Flanela boa é flanela velha! Fiquei com pena de dar.

Mas não tinha outro jeito! E vinha a pior parte, entregar a flanela pra ela, iria vê aquela cena trágica, antes de entrar expliquei, moça! Você só tem um tiro!

Ela: tiro?

Eu: Sim! Pois só tem uma flanela, você não tem outra chance, então pense bem como vai fazer isso.

Fui, prendi a respiração e fui!

Mar menino, como pode uma menina com o rosto tão angelical fazer uma desgraça daquela, parecia que tinha 10 pessoas ali com ela. Nessa hora não aguentei e ri! Acabei soltando a respiração com o riso, ohhh fedor da miséria, será que ela tava comendo carniça?

Pedi desculpas!

Ela: Tudo bem! Eu no seu lugar também iria rir.

Eu: Moça, precisamos ir! Aqui pode ser perigoso.

Ela se limpou, acabou com minha flanela, viemos andando juntos, parecíamos grandes amigos, pra você vê como as situações unem as pessoas.

 

Ela começou a contar sua história… tinha ido de Mazagão para Macapá encontrar o Boy Magia (Amante), no motel ele pediu um tira gosto (coisa que eu acho muito estranho, cara vai no motel pra comer tira gosto) e ela pra não fazer desfeita comeu.

Ele não pôde deixar ela em Mazagão, porque segundo ela, o pessoal de lá é um tanto curioso acerca da vida dos outros e ao verem ela chegar em um carro diferente a notícia iria se espalhar que nem rastro de pólvora, então ela sempre faz isso, volta de van.

Ela: Moço! lá todo mundo sabe da vida de todo mundo, até o fato de eu chegar com você… todo mundo vai saber.

Eu: Curuzes!!! Tá nesse nível…

Ela: tá!

Eu: Mas você acha que vai lhe trazer problemas?

Ela: Não! Meu marido é bem compreensível!

Não aguentei e ri: Sei!

Ela: Moço e agora? Quanto você vai me cobrar por tudo isso?

Eu: Vai ficar 80 reais tudo!

Ela: Moço eu só tenho 50 aqui, quando chegar lá eu pego o resto com meu marido!

Eu: Mas ele não vai ficar chateado?

Ela: Não! Não!

Eu: Mas me dê logo esses 50,00 porque eu já passei por tanta coisa nessa vida que agora eu tô vilhaco.

Ela: ela me entregou os 50,00 e seguimos viagem.

Ela ia me agradecendo, dizendo que fui muito gentil, que nenhum outro motorista iria fazer isso por ela.

Eu disse: É… Gentileza Gera Gentileza!

Ela: verdade!

Já estávamos chegando no local onde ela disse que morava, infelizmente eu não posso descrever muito o local, porque a galera de Mazagão vai saber onde é e quem é a moça.

Mas era uma casa até bonita!

Parei a moto, ela entrou, voltou dizendo que o marido não estava! E por incrível que pareça era notável que os vizinhos estavam nos observando, estava me sentindo no Big Brother Mazagão.

Foi aí que ela me disse: Senhor não quer entrar? Vou só tomar um banho.

Eu disse: Não! Não! Só queria meu dinheiro mesmo.

Ela disse: Deixa eu te fazer uma gentileza!

Eu: Moça, eu te ajudei, só quero meu dinheiro e pronto.

Foi aí que apareceu o marido dela, estatura mediana, cabelo cortado estilo militar, olhos era bem fechadinhos, parece olhos de japonês, nariz bem fino, era um nariz com aquele osso bem no meio (parecido com o do Luciano Hulk) a barba por fazer, uma camisa do Brasil, a camisa tava velha já, uma bermuda preta, as unhas estavam horríveis, especialmente a dos pés.

Ela disse: amor! É um moto taxista.

Ele: Isso eu tô vendo!

Quando eu vi ele respondendo daquela forma pra ela eu descobri porque ela ia atrás do Boy Magia, ela com sorriso cínico, pediu para que ele pagasse o restante da minha corrida.

Ele: Mas pra onde você tava ?

Ela: Ela riu! Depois eu te conto.

Ele olhou pra mim com cara de raiva e disse: Eai cara! Quanto é que falta?

Eu: 30 reais, senhor!

Ele: Tudo isso cara? Pow tá de sacanagem?

Ela piscou pra mim, como se explorasse pra eu não contar nada.

Ele continuou reclamando, xingando, enquanto tirava o dinheiro da carteira.

Chegou perto de mim com a quantia e me entregou.

Eu peguei o dinheiro, criei coragem já com a moto ligada, em ponto de partida e disse:

Senhor, sua esposa vale muito mais que 30 reais, cuide dela, respeite e dê amor.

Afinal todo mundo recebe aquilo que oferece!

O homem ficou me olhando, como se não soubesse o que fazer e eu parti rumo a Macapá Cyte.

MP do AP identifica falta de remédios e equipamentos essenciais no maior hospital do estado

Remédios básicos estão em falta em hospital do Amapá (Foto: MP-AP/Divulgação)

Por Rita Torrinha

Na farmácia do Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal), em Macapá, anotações em um quadro branco destacam nomes de 22 medicamentos em falta naquela unidade de saúde. O flagrante foi feito pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP), que após inspecionar o local, apontou uma série de outros problemas, incluindo atraso nas obras, equipamentos danificados e falta de médicos.

O governo do estado confirmou a falta dos medicamentos, mas garante que a compra está em andamento, e que alguns itens aguardam a entrega por parte do fornecedor.

Entre os remédios básicos não disponíveis estão a dipirona, hidrocortisona, aminofilina, plasil, ranitidina e omeprazol. A fiscalização ocorreu na terça-feira (24) pela Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público do Amapá (MP-AP).

Em nota, o MP informou que a direção do hospital explicou que, “para não agravar ainda mais o quadro, a compra de medicamentos vem sendo realizada via fundo rotativo do hospital, devido a carência constante na Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF)”.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reiterou que tem feito licitações e mantido o diálogo com os fornecedores, para garantir a manutenção do estoque de medicamentos das farmácias das unidades hospitalares estaduais.

A inspeção constatou também a paralisação nas obras do hospital, o que tem afetado diretamente a ampliação do Centro Cirúrgico, segundo o MP, que menciona ter recebido de resposta da Secretaria de Infraestrutura (Seinf) que a direção do hospital não providenciou a liberação de áreas indispensáveis ao andamento da reforma.

Sobre essa situação, a Sesa disse que aguarda a chegada das tubulações para a rede de ar comprimido que vem de fora do Estado. Que a empresa avisou à direção do hospital do atraso na entrega, que deveria ter ocorrido na terça-feira (24). A nova previsão de chegada das tubulações é para esta quinta-feira (26).

Inspeção foi realizada pelo Ministério Público no Hcal, em Macapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Problemas também foram detectados no setor de Imaginologia, onde apenas o aparelho de raio-x estaria funcionando normalmente. Além disso, a Promotoria de Defesa da Saúde apontou que o aparelho de ultrassonografia está quebrado. Da mesma forma o tomógrafo.

“O aparelho de ultrassonografia está quebrado e o exame é realizado com aparelho portátil, portanto, com baixa qualidade de imagem, o que pode comprometer o diagnóstico. Além de disso, não está sendo realizada no HCAL a ultrassonografia de tireoide, tampouco a de mama”, diz a nota do MP.

Em nota, o governo informou que o novo aparelho fixo de ultrassonografia aguarda a instalação pela empresa responsável, e garantiu que, em até 15 dias, esse novo equipamento estará funcionando.

A respeito do exame de tomografia, o executivo justificou que o procedimento é realizado por uma empresa credenciada, e que está sendo feita a aquisição de três novos tomógrafos.

A falta de médicos foi outro ponto observado durante a inspeção. Conforme o MP, o procedimento de eletroencefalograma está paralisado porque não há médico para emitir os laudos. O único que atua no setor está de férias. Os exames que necessitam de sedação também não podem ser realizados por falta de anestesista.

“O exame de eletroencefalograma precisa de médico neurologista especializado para emitir o laudo. Depois de oito anos, o serviço foi reimplantado e inicialmente conta com um médico para a emissão dos laudos. No entanto, mesmo no período de férias do profissional, outro médico neurologista emite os laudos uma vez por semana, dos exames que continuam sendo feitos, diariamente. Já foi solicitado ao coordenador clínico que disponibilize mais profissionais para a emissão dos laudos”, esclareceu a Secretaria de Saúde.

Ainda com relação aos anestesiologistas, a Sesa disse que está sendo organizada a escala e a estrutura para o atendimento dos exames que necessitam de sedação.

A ala da Unidade de Tratamento Intenso (UTI) também foi visitada pelo MP e, segundo relatório, dos 11 leitos, apenas seis estão funcionando. O motivo é a ausência de ventiladores pulmonares.

Referente a esse problema, a secretaria estadual pontuou estar em fase final de aquisição de 60 ventiladores. Os ventiladores pulmonares que não estão disponíveis para uso estão passando por manutenção.

MP aponta que aparelho de ultrassonografia está quebrado (Foto: MP-AP/Divulgação)

Na UTI também não estão sendo realizados os exames de gasometria desde o dia 13 de julho. O procedimento tem como objetivo verificar se as trocas gasosas estão ocorrendo da maneira correta e, assim, avaliar a necessidade de oxigênio extra.

Em resposta a esta constatação, o governo afirmou que o aparelho que realiza o exame de hemogasometria estava passando por manutenção e já se encontra em funcionamento. “Durante o período de manutenção os exames estavam sendo coletados, normalmente, e realizados no aparelho do Hospital de Emergência (HE)”, destacou.

Fonte: G1 Amapá

A falta que o Projeto Botequim faz nas terças-feiras de Macapá

Foto: Amapá da Minha Terra

Hoje é terça-feira e por mais de 20 anos, nas terças, o macapaense tinha uma opção cultural: o Projeto Botequim. Realizado de 1994 a 2016 pelo Serviço Social do Comercio (SESC – AP), por mais de 20 anos a iniciativa fez a alegria dos amantes da música na capital amapaense.

Dos anos 90 até a primeira metade da década seguinte, o projeto rolou no Sesc Araxá e posteriormente, o Botequim migrou para o Sesc centro. Há uns dois anos, nós, notívagos de Macapá que adoramos boas canções, arte e cultura, ficamos órfãos dessa opção, extinta pela atual administração do Sesc.

Conversei com músicos, frequentadores e servidores do Sesc, eles disseram que o Projeto não dava prejuízo e nem lucro. Então por qual motivo o Serviço “SOCIAL” do Comércio acaba com um bem tão importante para o comerciário e para a sociedade como um todo como o Projeto Botequim? Perguntei a eles e responderam:

“O Sesc promove exposições, festivais, saraus sobre tema populares às nossas múltiplas culturas, realidades e sociedades. Na área musical realiza eventos para levar ao público instrumentos e ritmos que traduzem um universo rico e genuíno. No Estado do Amapá, gerou o Projeto Botequim, que ofertou por mais de 20 anos oportunidades aos artistas locais um palco para expor sua arte e a população à oportunidade gratuita de apreciação da melhor produção cultural musical tucuju.

Em 2017, infelizmente, o Botequim ainda não teve continuidade, visto que aguarda aprovação do Departamento Nacional com o custeio e apoio financeiro para subsidiar o referido projeto. O Regional Sesc Amapá continua com o compromisso na difusão da cultura, principalmente na modalidade de música, através dos demais projetos: Sesc Canta, Sonora Brasil, Sesc Partituras, Aldeia de Artes Sesc, Amazônia das Artes e Saraus para as todas as tribos (Em 2018 idem!).  

O regional Sesc Amapá, principal agente a querer o retorno do projeto, segue trabalhando para voltar a celebrar a cultura amapaense por meio de tão bonito e importante projeto”.

Bom, é verdade que o Sesc segue no trabalho cultural descrito aí em cima, mas será que precisava mesmo extinguir o Projeto Botequim? Será que um espaço tão importante para jovens talentos amapaenses, com uma nova programação realizada semanalmente, precisava deixar de acontecer? Tinha que cortar na carne logo essa iniciativa essencial para a inclusão de novos músicos, que agora não possuem um evento tão necessário. Ali sempre foi sucesso de público e crítica. Sim, pois o Botequim vivia lotado.

Era sempre assim, de 20h à meia-noite das terças-feiras, sabíamos para onde  ir. A gente amava o Projeto!

E assim como o Botequim, as boas práticas de Macapá parecem ter um prazo de validade. Os bares com o modelo violão e voz já são escassos nestes tempos.

Espero realmente que o Sesc volte com o Projeto Botequim nas terças -feiras e que o órgão volte a ser um agente de democratização do acesso à cultura semanal. Não se trata somente de entretenimento e diversão com educação, mas a promoção de cultura com qualidade como sempre foi e não deveria acabado.

Eu sempre divulgava e ia ao Sesc nas noites de terça desde 1994. Fica a nossa crítica e apelo para que o Projeto Botequim seja retomado o quanto antes. E fim de papo.

Elton Tavares

*Republicado por hoje ser terça-feira.