CORNUCÓPIA DE DESEJOS – Conto muito porreta de Fernando Canto

Conto de Fernando Canto

Por querer expressar meu pensamento sobre as coisas em meu idioma, às vezes arrebato o próprio coração em sofridas angustiosidades e dissentimentos infaláveis. Por isso monologo no granito e lavo em água este contraste, esta antagonia de imprescindível falação que ponho em tua trompa de eustáquio para te martelar suavemente a dentro.

É o caso do amor ensolarado que sinto agora, neste mirífico momento. Um assunto ressoante, uma prosa-cornucópia (onde a abundância reina) a refratar-se sem a culpa do inexpressável parlar.

Não vejo como não ensopar-me de enluação neste conto de candura quase irrevelável, posto que o meu amor possa entender-me ou espumar-se para sempre para o inevitável espanto que a declaração enseja. Paresque um salto com vara numa olimpíada de abismos.

Assim eu declaro: a cobra norato, o boitatá e as luzes do fogo-fátuo se expiram na noite cadente. Oh, teus olhos não! Teus olhos ternuram a medida do dia, solfejam histórias e cantam paisagens inescrutáveis para os sonostortos dos mortais. Eu sou o arauto deste cenário-testamento a castigar retumbantemente o couro dos tambores; eu anuncio a sublime compreensão do “amooor” que ecoa em gargalhadas sobre as ondas do Amazonas, aqui na Beira-rio, sob um céu azul intensificado de lilás quando anoitece. Eu declaro ainda: a pedra em sua bruta forma tem dentro de si os elementos primordiais que suprem tua sede de amar. Ora, Balance a pedra e sinta o gutigúti da sua oferenda. Lapide-a, pois ela provém da terra, e então perceberá o calor do fogo da paixão libertadora e o ar morno que movimentará o sangue pelas entranhas.

Num átimo, um áugure qualquer (que são muitos e banais) lerá tua sorte: dirá augúrios, claro. Um áuspice (que estão cada vez mais raros) dirá tua sina no raro voo dos louva-deuses. E te auspiciará de boas-novas e de valores inequívocos.

Ora, dizendo isso afirmo que sou aquele que nem sabe discursar suas dores, inda que saiba do futuro, pois habito o limiar do tempo. Eu sou a timidez em prosa e verso, aluno de poesia, mas prenhe de pecados, porque ingiro virtudes nos bares da noite e não sei segredar projetos inexequíveis. Não sei, juro pueril e ludicamente (mas com toda a sinceridade de uma parlenda) pela fé da mucura, torno a jurar pela fé do guará, torno a repetir pela fé do jabuti, que não sei mentir ao sabor do vento dos ventiladores que me sopram fumaça de charutos cubanos.

Descobri que sei de ti mais do sabes da pedra em teu caminho. Sou teu (adi)vinho incontestável, ad-mirador de tua trajetória. Por isso do alto da minha velada arrogância sei que tu também me amas.

Mas é de ti que quero o conteúdo dessa bilha onde Ianejar – aquele heroi dos índios waiãpi – e seus pareceiros se abrigaram do fogo ardente e do dilúvio. É por ti que generalizo a farsa da criação sem pesadelos cosmogônicos. Eu me agonizo em mistérios. Eu eternizo o meu olhar nessa paixão. E me enleio como as borboletas que viajam ao paraíso pelo buraco sem-fundo do fim da terra.

Por isso eu sei que te amo.

Por isso vago ainda em fluidos imemoriais sempre presentes, antes do esquecimento das vitórias que juntos comemoramos.

Por isso a ternura há de ser o mais farto elemento da imensa cornucópia de desejos que realizamos juntos.

Bolsonaro, é fato, nunca teve um Carnaval como este que passou

Na noite desta terça-feira (05), por volta das 21h, o presidente Jair Bolsonaro surpreendeu milhões de pessoas que estavam no Twitter ao fazer esta postagem.

Quem preferir não vê-la, o repórter a descreve: é um vídeo em que três foliões estão sobre uma marquise, uma laje, uma plataforma, seja o que for. Um deles, seminu, faz gestos como se estivesse apalpando o próprio ânus. Em seguida, abaixa-se para que outro rapaz faça xixi em sua cabeça.

Não se sabe onde é isso. Nem quando é. Mas o certo é que Bolsonaro escreveu o seguinte: “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. (sic) Comentem e tirem suas conclusões.”

Bem, em obediência à ordem unida emitida pelo Capitão, vamos comentar e tirar conclusões.

Os comentários são os seguintes.

Não. Não “é isto que tem virado muitos blocos de rua do carnaval brasileiro” (sic). O Carnaval não é o oceano de depravações, devassidão e esbórnia que o presidente pretendeu nos fazer supor. É uma festa popular que, como tal, também enseja excessos, evidentemente. Inclusive excessos escatológicos como esse, mas que não foram inaugurados agora.

Excessos existem em qualquer concentração popular. No futebol, por exemplo, além de levarem xixi na cabeça, torcedores são mortos – literalmente mortos – em meio a brigas selvagens entre torcedores travestidos de bandidos – ou bandidos travestidos de torcedores. Bolsonaro quer pior excesso do que esse?

E a conclusão?

A conclusão é a seguinte.

Inquestionavelmente, indubitavelmente, indisfarçavelmente, o Capitão deve ter passado o pior Carnaval de sua vida. Isso porque, como não se desgruda do Twitter, deve ter visto, irritado, furioso e constrangido, manifestações em que seu nome foi o tempero principal de um coro de impropérios, palavrões e xingamentos declamados e proclamados, em alto e bom som, em várias grandes cidades do País.

Constrangedor? Sim.

Mas é Carnaval, Capitão. Isso é Carnaval.

Em outros Carnavais, políticos – inclusive e sobretudo presidentes – já foram também muquiados verbalmente por foliões – os nus e os seminus. Neste Carnaval, aconteceu a mesmíssima coisa.

Mas Bolsonaro, como foi alvo de hostilidades verbais, pinça uma cena – que não se sabe onde nem quando se passou – e a expõe com o propósito de chocar, digamos assim, a consciência moral dos brasileiros.

Mas isso é bobagem, presidente.

E sabe o que vai acontecer depois desse vídeo?

Nada.

Porque nem o Carnaval é um oceano de devassidões e depravações, nem deixará de ser um espaço para irreverências e excessos e muito menos deixará de ecoar esses corinhos, digamos assim, incômodos, que deixam políticos fulos da vida.

Tomara que, voltando ao trabalho, a partir desta quarta-feira (6), o Capitão esteja relaxado.

Ou será que até o final de semana vai sair uma PEC acabando com o Carnaval?

Vish!

Fonte: Espaço Aberto

TSUNAMI AMAZÔNICA (Conto de Fernando Canto)

Conto de Fernando Canto

Três dias após a morte de F.C. eu soube da notícia alvissareira: o rio voltava a encher. Devagar, mas voltava. Os habitantes que restavam na cidade já sorriam com grandes esperanças.

Até então ninguém sabia as causas que fizeram o maior rio do mundo em volume d’água se afastar tanto do seu leito natural. Os cientistas se contradiziam, ecologistas acusavam os governos dos países ricos e o povo alimentava superstições e castigos misteriosos de diversas deidades. Mas o certo é que as marés que por aqui chegavam ficavam muito além do trapiche. Tudo acontecera tão rapidamente que os ariscos mergulhões tiveram que virar comida e as andorinhas, tão sinceramente nossas, desapareceram. Quem diria! A praia de mangue da antiga beira-rio parecia um cemitério de pequenas embarcações. Houve emigração em massa e a economia da região despencou. Sobrevivíamos com doações.

A cidade evaporava. Era um deserto em consumição. Suava com o calor assassino. Só melhorou quando F.C. convocou extraordinariamente a Assembleia Legislativa e apresentou Projeto de Lei que invertia o horário de funcionamento de trabalho e de todas as atividades oficiais: todos trabalhariam à noite e descansariam de dia. Naturalmente que tudo fora regulado, inclusive os plantões. Apesar de polêmica, fora a decisão mais sensata, principalmente no que se referia à energia, visto que as cabeceiras dos rios das hidrelétricas estavam secando.

As mudanças climáticas eram rápidas. Ninguém nos explicava nada, as notícias sobre o assunto eram desconexas, fugazes.

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Foi no domingo que eu senti o nó no peito e o pressentimento de algo terrível: liguei o rádio e ouvi que uma onda gigante se aproximava do litoral a uma velocidade crescente; que se separara em duas ao bater na costa oriental da ilha de Bailique. Uma seguia, destruindo as pequenas ilhas do arquipélago e outra deslizava rumo a Caviana. A primeira ganharia mais força e se somaria à pororoca, correndo mais rápida ainda em nossa direção. Já tinha uns cem quilômetros de extensão e vinte metros de altura. Em poucas horas chegaria a nossa vulnerável cidade.

Fomos alertados e preparados pela Defesa Civil e pelos Bombeiros. Quando ela se anunciou, barulhenta e avassaladora, ainda deu para vê-la alta, acima das ilhas do outro lado do rio. Segundo o rádio ela media em torno de sessenta metros de altura. Era um ser estranho vindo guerrear e destruir. Chegou veloz e mortal com seu companheiro vento, rebentando o que era fraco e lavando praças e edifícios.

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Até que as mortes não foram muitas. A maioria acreditou na ciência e nas informações maciçamente veiculadas.

Mas a cidade ficou suja e caótica. Só alguns grupos de estudantes se divertiam colhendo os peixes oceânicos que se debatiam nos lagos formados com a intempérie. Tudo era novidade. Mas já se falava em reconstrução.

O fluxo-refluxo da tsunami fez o rio encher e ficar agitado, cheio de ondas, cheio de vida. Sua água agora é salobra e de tonalidade esverdeada. Disseram-me que só daqui a dez ou vinte anos ele voltará ao que era.

Já dá para ouvir o grito das gaivotas, a silhueta dos mergulhões em formação de flecha e uma nuvem de andorinhas bailando ao pôr-do-sol do equador. Parecem cavalos alados à procura do Olimpo.

Bebianno vai cobrar a conta do Capitão. Mais cedo ou mais tarde.

Bebianno não caiu, apenas.
Ele caiu humilhado.
Massacrado.
Envilecido.
Desprezado.
Considerado um pária dentro do PSL.
Caiu como um mentiroso.
O Capitão, é fato, não tinha outra alternativa que não demiti-lo, é claro.
Depois do que seu pitbull fez, não tinha como livrar a cara de Bebianno.
Mas o roteiro poderia ter sido diferente.
Primeiro, o Capitão jamais deveria ter autorizado seu pitbull a divulgar o vídeo em que Bebianno é apanhado numa mentira.
Depois, não deveria ter alongado a fritura de Bebianno, já que a demissão era inevitável.
Em seguida, uma vez consumada a demissão, não deveria ter vindo a público para fazer um pronunciamento patético, em que elogia Bebianno por bons serviços prestados ao governo.
O resultado disso tudo?
Bebianno, um poço até aqui de mágoa, vai cobrar a conta.
Mais cedo ou mais tarde, vai cobrar a conta.

Fonte: Espaço Aberto

Prefeitura recolhe mais de 600 toneladas de lixo dos canais do Beirol e Muca – Égua-moleque-tu-é-doido!

Mesmo com as fortes chuvas que caíram nos últimos dias, a Prefeitura de Macapá tem trabalhado intensamente na limpeza de canais, bueiros e galerias. Mais de 640 toneladas de lixo foram retiradas do canal do Beirol e Muca e de galerias da Av. Cora de Carvalho.

O monitoramento dos principais pontos de acúmulo de água na cidade está sendo feito pela Defesa Civil Municipal e equipes da Subprefeitura. Máquinas das secretarias de Obras e Infraestrutura Urbana (Semob) e Manutenção Urbanística (Semur) fazem a remoção dos resíduos submersos no canal do Beirol.

A aposentada Deonisia Freitas, 72 anos, mora na Av. Cora de Carvalho há 50 anos e relatou que por décadas perdeu móveis e passou noites em claro retirando água do interior da residência e protegendo os filhos. “Sou uma das primeiras moradoras desse local. Todas as vezes que chegava esse período era uma preocupação, porque minha casa ia para o fundo. Quando vi a prefeitura limpando as galerias, fiquei muito feliz. Hoje o resultado apareceu, em pouco tempo a água sumiu, não ficou mais acumulada. Antes ficava até três dias e a gente nem podia sair de casa”, relatou.

Durante o período em que a maré esteve no pico mais alto, combinado com a chuva forte, alguns pontos da cidade sofreram com o acúmulo de água. “Houve por um curto período de tempo o acúmulo de água em algumas vias, devido à chuva forte coincidir com a maré alta, que hoje mediu cerca de 3,2 metros. Mas em 20 minutos após o início da baixa maré, a água foi toda drenada”, relata o secretário de Obras, David Covre.

Os trabalhos terão continuidade durante toda a semana e o monitoramento está sendo feito 24 horas pela Defesa Civil Municipal.

Aline Brito
Assessora de comunicação/Semob
Contato: 98803-9633

A volta de Paul Devil, o assediador de meninas que finge ser um inofensivo militante cultural – Conto De Rocha de Elton Tavares

Conto De Rocha de Elton Tavares

Há tempos eu não tinha o desprazer de ouvir falar de “Paul Devil”, um grande filho da puta que conheci na primeira metade dos anos 2.000. Como ninguém vem com a índole escrita na cara, por engano, já me misturei a alguns escrotaços ao longo da vida. Paul Devil é um deles.

De fala mansa, intelecto maquinante sempre voltado para tirar vantagem de algo ou alguém, principalmente de meninas que não conhecem sua alma sebosa, ele vai chegando sempre com um papo furado, uma falsa “gentebobisse cult”.

O pior é que o doido pensa mesmo ser “a bala que matou Lennon” (li essa frase dita pela Vitória uma vez e sempre uso). Sim, Paul Devil faz cara de militante cultural engajado e amigo de todos, mas não passa de um vagabundo que assedia garotas dentro da área universitária. A velha prática nojenta é sempre a mesma: aproximação, birita na vítima e se ninguém impedir o desgraçado, ele abusa (toca ou até estupra).

Existem vários relatos sobre essa prática do canalha. Mas o inescrupuloso personagem consegue fica impune e eu realmente me pergunto, até quando? Ele devia, há muito, estar preso.

Com sua escrotidão, Paul Devil já fez muitas vítimas e já escapou de mim (que na época queria lhe aplicar uma boa surra) umas duas vezes.

Mas, se liguem. Ontem (11), uma querida jovem acadêmica relatou que ele voltou, se é que um dia parou, a assediar meninas dentro do Campus. O pior é que ninguém faz nada. Professores, coordenadores, corpo técnico, Reitoria, ninguém toma uma providência contra Paul Devil e outros figuras que praticam os mesmos atos, sobretudo nas famosas festas universitárias. Até quando?

A velha máxima de colher o que planta sempre se concretiza. Um dia, que espero não demorar, pois já faz muito tempo que Paul Devil comete esse crime, ele se ferrará. Enquanto isso vai um aviso : se toca, senão o gordo biriteiro te pega, seu doente filho da puta pervertido de merda!

Por precárias condições de funcionamento, MP-AP recomenda interdição de duas enfermarias e da sala de vacinas do HE

Após inspeção realizada no Hospital de Emergências (HE), nesta terça-feira (29), a Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público do Amapá (MP-AP) recomendou a imediata interdição de duas enfermarias e da sala de vacinas da unidade. A medida foi tomada devido às precárias condições de funcionamento do hospital, colocando em risco a saúde de pacientes, acompanhantes e dos profissionais que lá atuam.

Durante a inspeção, a titular da 2ª Promotoria da Saúde, promotora de Justiça Fábia Nilci, verificou o alto nível de insalubridade do Hospital, presenciou e ouviu relatos de médicos e enfermeiros atuando sem as mínimas condições de trabalho. Foi possível constatar que medicamentos básicos e insumos indispensáveis, como tramal, máscaras de nebulização e seringas de 10 ml e 20ml estavam em falta.

Além disso, no caso da enfermaria extra nº2, há um odor insuportável, devido a uma fossa transbordando ao lado da sala. Não há também pia para lavar as mãos, banheiro, tubulação de oxigênio e nem ventilação. Os pacientes estão acomodados em macas, muito próximas ao chão, dificultando o trabalho dos enfermeiros e técnicos de enfermagem.

A promotora estava acompanhada dos presidentes do Conselho Regional de Medicina (CRM), médico Eduardo Monteiro, e do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), enfermeira Emília Pimentel; além de representantes da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) e do Conselho Regional de Farmácia (CRF).

Os dirigentes do CRM e COREN informaram que relatórios de inspeção pormenorizados, produzidos pelas entidades, já foram encaminhados aos gestores da Secretaria Estadual de Saúde (SESA), com pedido de providências.

“Estamos cansados de ver que nada muda. Os problemas são os mesmos ou piores. Atendemos os pacientes no chão, sem condições de aplicar corretamente uma medicação. Os enfermeiros correm sérios riscos também”, desabafou a presidente do COREN.

O CRM informou ao MP que fixou prazo de 30 dias para a SESA sanar uma série de problemas e deficiências apontadas pelos médicos. O próximo passo será a notificação do Estado. “A intenção é contribuir com a saúde pública, mas é nosso dever fiscalizar e cobrar as devidas providências. A cada dia fica mais difícil atuar nesse ambiente tão insalubre”, reforçou o médico Eduardo Monteiro.

Carências

As reclamações de inúmeros pacientes foram todas confirmadas pela equipe do MP-AP e demais entidades: faltam leitos; há demora no atendimento, dificuldade ou impossibilidade para a realização de exames, como Raio-X e tomografia; carência de medicamentos e correlatos; desconforto térmico; precárias acomodações nas enfermarias, paredes e teto com infiltrações, fungos e mofo e pacientes internados em macas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

No momento da inspeção foi constatado que 13 macas do SAMU estavam retidas no HE, o que compromete a capacidade de atendimento à população. As macas deveriam ser usadas para transportar o paciente e, em seguida, devolvidas para as ambulâncias. No entanto, devido a carência de leitos, acabam ficando no hospital para garantir as novas internações.

Sobre a falta de condicionadores de ar em diversas enfermarias, a direção do HE informou que os equipamentos “estão obsoletos e precisam ser trocados”. Porém, disse não haver contrato com nenhuma empresa para manutenção ou substituição.

Para aumentar o drama dos pacientes, os maqueiros em estão em greve e o Hospital de Emergência está funcionado sem duas salas essenciais: a de isolamento, para pacientes com doenças contagiosas, e a “sala vermelha”, onde deveriam ficar os doentes que necessitam de cuidados e vigilância intensivos enquanto aguardam a definição do diagnóstico, uma cirurgia de emergência ou transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Profissionais de saúde relataram, ainda, que é impossível fazer manobras para ressuscitar um paciente, pois não há no HE os equipamentos indispensáveis ao atendimento de urgência, como desfibrilador, aspirador e respirador.

“A verdade é que os profissionais de saúde estão adoecendo tanto quanto os pacientes. O que mais nos chama atenção é que todos esses problemas são antigos, conhecidos por toda a gestão pública. Já fizemos outras inspeções e cobramos a solução dessas demandas, mas, infelizmente, o que vimos hoje é um quadro cada vez mais grave. Até quando haverá esse grau de negligência com a vidas dos nossos cidadãos?”, manifestou a promotora.

Providências

Logo após a inspeção, houve uma reunião no Complexo Cidadão Zona Norte com a presença dos dirigentes da SESA, da Secretaria de Infraestrutura (SEINF) e a direção do HE, momento em que a promotora deu ciência da Recomendação para interdição das salas, fazendo menção aos relatórios encaminhados pelo COREN e CRM. “A medida extrema da interdição foi necessária diante da estrutura das salas, as quais oferecem alto risco à saúde pública”, esclareceu Fábia Nilci.

Serviço:

Ana Girlene
Assessoria de Comunicação do MP-AP
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]

De uma mina abandonada, uma Lagoa Azul no Amapá

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A Amazônia é conhecida pelos rios, igarapés e cachoeiras. Mas, a maioria das pessoas nem imaginam que aqui existam lagoas de águas azul turquesa. A 208 quilômetros de Macapá, capital do Amapá, fica a Lagoa Azul, um paraíso que nasceu de uma mina abandonada. O lugar fica próximo à Vila Serra do Navio, cidade criada na década de 1950 para abrigar os trabalhadores de uma empresa de mineração.

A lagoa azul e o passado da história da Serra do Navio estão entrelaçados. De acordo com a prefeitura da cidade, a cor marcante da lagoa, em tom azul anil, acontece por conta dos minérios da região especialmente o carbonato de manganês. O lugar era uma mineração. Hoje é possível chegar até lá através de trilhas ou de carro. A região é cercada por uma floresta tropical.13219739_1168769669842729_1887967679_n

O geólogo responsável pela perfuração da lagoa o Dr. Luiz Fabiano Laranjeira disse que é um mito a ideia de que a água é contaminada e imprópria para banho. De acordo com o geólogo, o que é encontrado na lagoa é grande concentração de sulfato e cloro, o que explica a coloração de águas que oscilam entre azul um turquesa e verde-água, o que nos dá a sensação de termos uma piscina natural tratada o tempo todo.

A lagoa possui aproximadamente 18 metros de profundidade e não possui nem peixes, nem outros seres comuns em lagoas. Novamente o geólogo explica: “o cloro torna o ph da água ácido. Isso não permite desenvolvimento de matéria orgânica, mas não as torna impróprias para banho”.

Quem aconselha a visita é Milena Sarge, praticante de stand up paddle. Ela utiliza a lagoa para praticar o esporte. “Eu adoro a lagoa azul. Acho paradisíaco, sei que ela é fruto de exploração mas a natureza foi moldando. E lá é um ambiente tão agradável, transmite paz”, disse Milena.

Company Town

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A História da Serra do Navio remonta aos anos 1950. A região era rica em manganês e outros minérios. Por isso, a empresa Indústria e Comércio de Minério (Icomi) resolveu construir uma cidade que pudesse abrigar seus empregados.

De acordo com dados do Instituto do Patrimônio Historico e Artistico Nacional (Iphan) a empresa começou um projeto ambicioso de implantação – nos moldes de muitas vilas que surgiram na Inglaterra durante a Revolução Industrial – de uma Company Town. Tratava-se de uma cidade dirigida e controlada por uma empresa, cuja economia era ligada a uma só atividade empresarial.

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Com pouco mais de 3,7 mil habitantes, a cidade foi projetada pelo arquiteto brasileiro Oswaldo Arthur Bratke para abrigar os trabalhadores da Icomi. Bratke escolheu, pessoalmente, o lugar de implantação – a Serra do Navio – em uma região localizada entre os rios Araguari e Amapari. Ele também programou áreas de expansão futura da vila, projetando-as integradas ao traçado e ao sistema viário. Concebeu o projeto para uma cidade completa e autossuficiente, uma experiência precursora na Amazônia.

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Minério

As primeiras informações sobre a existência de manganês na Serra surgiram antes de Getúlio Vargas criar, em 1943, o Território Federal do Amapá. Em 1945 amostras colhidas pelo garimpeiro Mário Cruz responderam definitivamente as questões sobre a possibilidade de mineração. As amostras continham alto teor de manganês.

Vencendo uma concorrência que incluiu mineradoras estrangeiras, a Icomi assinou o contrato de exploração mineral em 1947. Em 1951, confirmou a existência de quantidade superior a 10 milhões de toneladas de minério. As obras e os trabalhos da mineradora continuaram uma política de ocupação da cidade.

A experiência em Serra do Navio atraiu brasileiros de todos os estados, que se instalaram no Amapá. Entretanto, a reserva de minério se esgotou antes do previsto e a Icomi deixou a região no final da década de 1990. Em maio de 1992, a vila passou a ser sede do município de Serra do Navio.

Meu comentário: conheci a Lagoa Azul em 2016, quando passei perto do local. Eu estava a trabalho pela Justiça Eleitoral, onde atuava como assessor de comunicação. Fiquei deslumbrado com a beleza do lugar e fiz somente esse registro (foto acima) retratada pelo motorista Evandro Nobre.

Fonte: Portal Amazônia

A falta que o Projeto Botequim faz nas terças-feiras de Macapá – Republicado por motivos de terça-feira

Foto: Amapá da Minha Terra

Hoje é terça-feira e por mais de 20 anos, nas terças, o macapaense tinha uma opção cultural: o Projeto Botequim. Realizado de 1994 a 2016 pelo Serviço Social do Comercio (SESC – AP), por mais de 20 anos a iniciativa fez a alegria dos amantes da música na capital amapaense.

Dos anos 90 até a primeira metade da década seguinte, o projeto rolou no Sesc Araxá e posteriormente, o Botequim migrou para o Sesc centro. Há uns dois anos, nós, notívagos de Macapá que adoramos boas canções, arte e cultura, ficamos órfãos dessa opção, extinta pela atual administração do Sesc.

Conversei com músicos, frequentadores e servidores do Sesc, eles disseram que o Projeto não dava prejuízo e nem lucro. Então por qual motivo o Serviço “SOCIAL” do Comércio acaba com um bem tão importante para o comerciário e para a sociedade como um todo como o Projeto Botequim? Perguntei a eles e responderam:

“O Sesc promove exposições, festivais, saraus sobre tema populares às nossas múltiplas culturas, realidades e sociedades. Na área musical realiza eventos para levar ao público instrumentos e ritmos que traduzem um universo rico e genuíno. No Estado do Amapá, gerou o Projeto Botequim, que ofertou por mais de 20 anos oportunidades aos artistas locais um palco para expor sua arte e a população à oportunidade gratuita de apreciação da melhor produção cultural musical tucuju.

Em 2017, infelizmente, o Botequim ainda não teve continuidade, visto que aguarda aprovação do Departamento Nacional com o custeio e apoio financeiro para subsidiar o referido projeto. O Regional Sesc Amapá continua com o compromisso na difusão da cultura, principalmente na modalidade de música, através dos demais projetos: Sesc Canta, Sonora Brasil, Sesc Partituras, Aldeia de Artes Sesc, Amazônia das Artes e Saraus para as todas as tribos (Em 2019 idem!).  

O regional Sesc Amapá, principal agente a querer o retorno do projeto, segue trabalhando para voltar a celebrar a cultura amapaense por meio de tão bonito e importante projeto”.

Bom, é verdade que o Sesc segue no trabalho cultural descrito aí em cima, mas será que precisava mesmo extinguir o Projeto Botequim? Será que um espaço tão importante para jovens talentos amapaenses, com uma nova programação realizada semanalmente, precisava deixar de acontecer? Tinha que cortar na carne logo essa iniciativa essencial para a inclusão de novos músicos, que agora não possuem um evento tão necessário. Ali sempre foi sucesso de público e crítica. Sim, pois o Botequim vivia lotado.

Era sempre assim, de 20h à meia-noite das terças-feiras, sabíamos para onde  ir. A gente amava o Projeto!

E assim como o Botequim, as boas práticas de Macapá parecem ter um prazo de validade. Os bares com o modelo violão e voz já são escassos nestes tempos.

Espero realmente que o Sesc volte com o Projeto Botequim nas terças -feiras e que o órgão volte a ser um agente de democratização do acesso à cultura semanal. Não se trata somente de entretenimento e diversão com educação, mas a promoção de cultura com qualidade como sempre foi e não deveria acabado.

Eu sempre divulgava e ia ao Sesc nas noites de terça desde 1994. Fica a nossa crítica e apelo para que o Projeto Botequim seja retomado o quanto antes. E fim de papo.

Elton Tavares

*Texto de 2017. Republicado por hoje ser terça-feira.

Não deu pra escrever algo legal. Então vamos beber, pois é sexta-feira!

Mesmo que minha vontade grite em meus ouvidos: “escreva, escreva”, a força criativa não está muito inventiva nesta sexta-feira. Mesmo assim, resolvi tentar atender tais sussurros.

Você, meu caro leitor, sabe que gosto de devanear/crônicar sobre tudo. Escrevo sobre o que dá na telha e tals. Só que hoje não. Pensei em escrever uma lista de clássicos do Rock and Roll, shows das grandes bandas que assisti, uma lista de meus filmes preferidos; quem sabe redigir sobre futebol (pênalti perdido pelo Roberto Baggio em 1994, que me fez beber pra cacete), carnaval, amor (amor?) ou política, mas apesar da inquietação, nada flui. É, tudo pareceu tão óbvio, repetitivo e desinteressante este momento. Foda!

Quem dera ser um grande contista ou cronista. Ser escritor, de verdade, deve ser legal. Não falo de pitacos e devaneios em um sitezinho, sem nenhum tipo de ironia barata. E sim de caras que possuem livros publicados, bibliotecas na cabeça, bagagem cultural e não pseudo-enciclopédias, que só leram passagens ou escutaram fulanos contarem sobre obras literárias lidas. Talvez, um dia, eu chegue lá. Quem sabe?

Mesmo que seja sobre uma bobagem, precisa-se de merda engraçada, porreta de se ler. Às vezes escrevo assim, de qualquer jeito. Por quê? Dá muito trabalho contar uma história ou estória de forma bem escrita, oras. Quem dera pensar: agora vou me “Drummonizar” e voilà, escrever um textaço. Não, não é assim. Já ri muito de alguns velhos posts pirentos por conta disso.

Por fim, vos digo: textos ruins parecem cerveja quente em copo de plástico, ou seja, não rola. Já uma boa crônica parece mais uma daquelas cervas véu de noiva de garrafas enevoadas, na taça, claro. E já que não deu pra escrever algo caralhento, vamos beber, pois é sexta-feira! Bom final de semana pra todos nós!

Elton Tavares

Hoje é o Dia Nacional do Astronauta – “Good luck, Mr. Gorsky!”

Hoje é o Dia Nacional do Astronauta. No Brasil, a data é celebrada em 9 de janeiro em homenagem à Missão Centenário, realizada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) no ano de 2006, responsável pela viagem de Marcos Pontes (hoje ministro de Ciência e Tecnologia) para a Estação Espacial Internacional (ISS), consagrando-se como o primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço. Ele foi ao espaço em 30 de março de 2006, após cerca de oito anos em treinamento divididos entre a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) e a Agência Espacial Russa (Roscosmos). O astronauta executou oito experimentos científicos de universidades e institutos de pesquisa, cujos resultados iniciais foram apresentados em seminário em novembro do mesmo ano.

Esta comemoração é de origem americana, pois em 9 de janeiro de 1793, o francês Jean-Pierre Blanchard realizou o primeiro voo de balão da América do Norte. Desde então, a data é considerada um marco na conquista do espaço sideral.

Os primeiros astronautas foram os verdadeiros bandeirantes do espaço, pois enfrentaram situações desconhecidas, voaram em naves pequenas, desconfortáveis e utilizando trajes espaciais muito frágeis.

A importância do astronauta se deve ao fato de que ele executa a parte final de importantes missões espaciais, de todo um projeto de pesquisa elaborado pelos cientistas.

A profissão de astronauta tem como pioneiro o russo Yuri Gagarin, primeiro homem a orbitar a Terra, em 1961. Os primeiros astronautas a pisarem em solo lunar foram os americanos: Neil Armstrong e Edwin Aldrin, no dia 20 de julho de 1969. Hoje, o número de pessoas que teve o privilégio ir ao espaço soma pouco mais de 400. O avanço do turismo espacial, no entanto, tem aberto novos horizontes para o acesso ao cosmo.

Em grego, a palavra “astronauta” significa “marinheiro das estrelas”. Conseguir ser astronauta não é missão fácil; as probabilidades são de sete para cada três mil. A reunião dos pré-requisitos exige muitos anos de perseverança, esforço e dedicação. Ao final, são selecionados aqueles que possuem personalidade adequada, profundos conhecimentos e recomendações de destaque na área de sua especialização. A profissão de astronauta requer horas de árduo trabalho. A oportunidade de conseguir fazer um só voo espacial é remota, às vezes nenhuma, durante toda a carreira.

Fonte: Emília Eiko

Como o Marcos Pontes se especializou, foi ao espaço e depois deu baixa da Agência Nacional para fazer fortuna com palestras, não tenho mais nada a dizer sobre ele. Mas volto a republicar uma crônica engraçada sobre um astronauta gringo:

“Good luck, Mr. Gorsky!”

O falecido astronauta Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua e herói americano é protagonista de outra história bacana.

No dia 20 de julho de 1969, Neil Armstrong, comandante do módulo Lunar Apolo 11, ao pisar na lua disse as palavras: “Este é um pequeno passo para o ser humano, mas um salto gigantesco para a humanidade”.

Estas palavras foram transmitidas para a terra e ouvidas por milhares de pessoas. Justamente antes de voltar à nave, Ar2521846-0800-recmstrong fez um comentário enigmático: “Boa sorte, Sr. Gorsky.”

Muita gente na NASA pensou que foi um comentário sobre algum astronauta soviético. No entanto, depois de checado, verificaram que não havia nenhum Gorsky no programa espacial russo ou americano. Através dos anos, muita gente perguntou-lhe sobre o significado daquela frase sobre Gorsky, e ele sempre respondia com um sorriso.

Em 5 de julho de 19bola_thumb95, Armstrong se encontrava na Baia de Tampa, respondendo perguntas depois de uma conferência, quando um repórter lembrou-lhe sobre a frase que ele havia pronunciado 26 anos atrás.

Desta vez, finalmente Armstrong aceitou responder. O Sr. Gorsky havia morrido e agora Armstrong sentia que podia esclarecer a dúvida.

É o seguinte:

Em 1938, ainda criança em uma pequena cidade do meio oeste americano, Neil estava jogando baseball com um amigo no pátio da sua casa. A bola voou longe e foi parar no jardim ao lado, perto de uma janela da casa vizinha. Seus vizinhos eram a senhora e o senhor Gorsky. QuNeil Armstrongando Neil agachou-se para pegar a bola, escutou que a senhora Gorsky gritava para o senhor Gorsky:

O quê? Sexo anal? Você quer sexo anal? Sabe quando você vai comer a minha bunda? Só no dia que o homem caminhar na lua!”.

Por isto, o astronauta Armstrong mandou o recado direto da lua: “Boa sorte, Sr. Gorsky !”

*A Nasa demente, por isso o lance é só um causo, mas hilário. Republiquei por conta do Dia do Astronauta, celebrado hoje. 

Bolsonaro protagoniza um ineditismo, quatro dias após a posse

Nunca vi, e acho que ninguém viu, um presidente da República ser desmentido por subordinados seu próprio governo.

Jair Bolsonaro já pode incluir, como primeiro feito inédito de seu governo, o fato de ter sido desmentido por subordinados, no caso o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, ao anunciar o aumento da alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).

O Capitão, se tiver a humildade de render-se aos fatos, haverá de concluir, com esse episódio constrangedor, que não basta falar direto, olho no olho, objetivamente e sinceramente, qualidades que seus apoiadores proclamam como a quintessência do bom político e do bom governante.

Como se fossem qualidades, digamos assim, de um mito (hehe).

Não.

É preciso que, além disso, a informação seja exposta precisamente, sob pena de desacreditar-se e desautorizar-se o próprio presidente.

E quando a desautorização é verberada pelos próprios subordinados, aí mesmo que fica mais constrangedor, né?

Fonte: Espaço Aberto

O pacto do governo Bolsonaro é com sangue ou sem sangue?

Foto: Espaço Aberto

Essa é nova.
Para não dizer novíssima.
Ao tomar posse como 38º presidente do Brasil, Jair Bolsonaro disse, com uma bandeira brasileira nas mãos, que ela só se tornaria vermelha se precisasse do “nosso sangue para mantê-la verde e amarela”.
Palmas, vivas, berros de exaltação e descabelamentos patrióticos.
Muitas palmas e vivas.

Foto: G1

Hoje, 24 horas depois dessa alocução, digamos assim, plena de moderação, serenidade e tolerância, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, defendeu um “pacto político entre governo e oposição por amor ao Brasil”.
Ohhh!
Ainda não se sabe é se o pacto será com sangue ou sem sangue.
Mas Lorenzoni vai consultar seu chefe e, depois, di-lo-á (oh, saudades das próclises, mesóclises e ênclises de Temer!).

Fonte: Espaço Aberto

Valeu, 2018! Sobre várias vidas em um ano (minha retrospectiva amalucada)

Esse ano foi de muito, muito trabalho, graças a Deus. E de firmar parcerias, desatar nós e reforçar laços de amizade. Em alguns momentos, pensei em abandonar de algumas coisas e de outras desisti mesmo. A gente precisa se reinventar e até fazer o jogo do contente. Assim como em outros anos, amei, me ferrei, trampei valendo, viajei, vi shows de rock, apoiei manifestações artísticas, escrevi muito, fotografei e pirei em pelo menos 100 dos 365 dias deste ciclo que termina hoje.

Apesar de mais uma vez não ter tido Desfile pelo Piratão, rolou a doida e festiva Banda. Curti cinemas e barzinhos, fiz alguns amigos e poucos desafetos (tem que rolar sempre), além de uma porrada de doidices. Conheci novas cidades e culturas. Aprendi muitas coisas novas e estive muitas vezes mal acompanhado dos meus loucos e queridos amigos. ‘Croniquei’, divulguei cultura, agulhei e tal e coisa. E coisa e tal. Ah, fiz várias homenagens aos meus.

A eleição presidencial teve o pior resultado possível e sigo na esperança de estar errado sobre o presidente eleito democraticamente. Mas aqui reafirmo que não votei nele. Aliás, a loucura fez devotos no pleito deste ano.

Perdemos a Copa, mas o Campeonato Mundial de 2018 foi porreta demais. Não somente pelo futebol em si, mas pelas reuniões com amigos e familiares.

Meu sentimento em relação a 2018 é de dever cumprido no campo profissional e pessoal. Aprendi muito. Ajudei pessoas próximas e estranhas, fui ajudado por conhecidos e gente que nem me conhece. Estreitei importantes laços profissionais, alcancei reconhecimento na minha área de atuação. Fiz novos amigos e me afastei de gente que pensava que eram meus amigos.

Consegui sobreviver aos meus excessos, causados por paixão pela vida intensa, pois sempre quero tudo muito. Também driblei os que são puro insulto contínuo, mau humor, fofoca, amargor. Gente que só reclama, xinga e destila chatice. Acham bonito ser assim. Só elas acreditam nisso. Eles são todos parte de uma enorme conspiração de babaquice. Desses, só tenho pena, pois de certo que tiveram um ano palhoça.

Minha família segue saudável e feliz e sou grato por isso. Minha Maitê tá linda e sabida. Sou o tio mais feliz do mundo. Teve muita felicidade neste ano tão intenso e poucas tristezas. Segui honesto e falando a verdade, e o melhor de tudo, fiz quase todas as coisas que tive vontade. Ah, fiquei mais gordo (foda, mas as comidinhas e cervejas tavam demais firmeza).

Prenderam o médium que está mais para João do Demônio e se Deus quiser, ele ficará trancafiado até o fim de sua sebosa existência. Brasília seguiu com seus absurdos. Amapá idem. Porém seguimos lutando por um Estado, país e mundo melhor. Sempre com o bom combate e muito trabalho, além de esperança obstinada.

Deveria ser assim: toda vez antes de cometer um erro na vida, uma linha vermelha apareceria e poderíamos clicar e obter alternativas recomendadas. Como não é, caímos e levantamos.

Assim como todos os anos, 2018 não podia acontecer sem percalços, mas tudo é lição de vida e história. Encerro este ano com saldo positivo, pois ser feliz é o mais importante. E reafirmo, sou um cara feliz pra caralho, pois como disse Yoda: “Aliada minha é a Força. E poderosa aliada ela é.”

Como o amanhã não nos pertence, e ninguém que conheço saca de futurologia, a única coisa que peço pra mim e para todos que amo é saúde para que possamos escrever mais alguns capítulos da história tragicômica de nossas vidas.

Por isso, vale o que vier, como dizia, o Velho, Tim! Obrigado, Deus, Universo, ou seja lá o nome da força que rege tudo isso aqui. Valeu, 2018!

Somos todos aprendizes duma arte que nunca ninguém se torna mestre” – Ernest Hemingway.

Elton Tavares