Como será quando eu morrer – Crônica de Elton Tavares

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Às vezes me pego pensando: quando eu morrer vão lembrar de mim por quanto tempo? De que forma recordarão este jornalista? Vira e mexe penso que, após quatro décadas de vida intensa, desviver pode estar próximo de acontecer.

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Será que vão contar piadas sobre situações inusitadas ou presepadas que cometi? Sei não, talvez a família e os amigos mais próximos até sofram, mas logo esquecerão deste gordo, feio, chato e brigão. Quem sabe será melhor desta forma, assim não terá muito mimimi…É que nunca fui dado a dramas.

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Não sei se vou bater na porta de Deus ou do diabo (Não que eu tenha cultuado forças maléficas ou feito o mal a quem não procurou, mas ninguém sabe os critérios de avaliação da força que rege tudo isso aqui), se é que eles existem. Nada de exame de consciência, pois daria negativo.

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Não sei se a passagem pra outra vida é a entrada na fila da reencarnação para outra existência, dimensão, planeta ou realidade paralela.

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Não que eu esteja com pressa, mas penso mesmo no desencarne. Nada de finitude. É como dizem, todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer. Mas se rolar, minha estada por aqui valeu a pena. E como Valeu!

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E o caixão? Vão ter que pegar um guarda-roupa, tirar portas e gavetas pra caber este gordo. Só lembro do Sal, que uma vez me disse: “Porrudo, se tu morrer antes de mim, apesar de sermos brothers, não vou pegar na alça do teu caixão. É que não sou chegado a serviço pesado” (risos).

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Não sei onde e como acontecerá. Apenas suspeito. Acho que o cabo da matrix será puxado de repente, como um raio, um piscar de olhos. Tomara que assim seja. Esse negócio doido de morrer, que sabemos que vai acontecer, mas sempre nos surpreende é muita onda.

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Mas de volta ao tema principal, como será após eu subir no telhado. Falo dos meus familiares, amigos. Espero que sintam a saudade gostosa que tenho do meu pai, aquela sem nenhum ressentimento.

Tenho certeza que daria uma passada pelo Purgatório, afinal, já magoei um monte de gente e dei porrada noutro tanto. Isso quando mais jovem, mas pecados são pecados. Não tem jeito.

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Quero que na lápide seja escrito: “Godão, ardoroso partidário da causa hedonista, botou pra quebrar. Amou os seus, combateu os inimigos de forma limpa, viveu como quis e se divertiu a valer. Com um histórico imenso de confusões, vítima da sua própria sinceridade”.

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Aliás, desafetos é o que não me faltam. Talvez role até uma festa deles para comemorar meu embarque para Caiena. Quando eu morrer, se valer a pena, alguém pode escrever, eu autorizo. Mas se falar mal, volto, e minha mizura vai cobrir de porrada o autor da crítica.

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Dizem que quando a gente morre passa um filme. O meu será um mix de romance, drama, aventura, humor e comédia. Enfim, quando chegar a hora, como disse o mestre Nelson cavaquinho: “quando eu morrer, os meus amigos vão dizer que eu tinha um bom coração. Alguns até hão de chorar e querer me homenagear, mas depois que o tempo passar, sei que ninguém vai se lembrar”. É por aí mesmo. Por isso vivo o agora. Digo a quem amo que os amo e honro os meus com declarações de amor viscerais. Pois é assim que deve ser. Mas afinal, como será quando eu morrer?

Elton Tavares

 

30 anos da queda do Muro de Berlim, o monumento à estupidez

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Há 58 anos, a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) construiu o Muro de Berlim, no período pós Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha foi ocupada por os russos à Leste e franceses, ingleses e americanos à Oeste.

A muralha separava a Berlim Ocidental da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental. Hoje (9) fazem 30 anos que o muro da vergonha foi derrubado.

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A muralha tinha 156 km de extensão, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Ele simbolizava a chamada “cortina de ferro” entre a Europa Ocidental e o Bloco de Leste do continente europeu. Era uma barreira quase intransponível.

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A barreira física simbolizava a divisão do mundo em duas partes: os países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos da América (EUA) e o outro composto pela República Democrática Alemã (RDA) e os países socialistas simpatizantes do regime soviético. A época foi marcada pela oposição entre Estados Unidos e União Soviética no período conhecido como Guerra Fria.

Foram 29 anos de suspensão do direito de ir e vir dos alemães em seu próprio país. Quanta Democracia não?

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Há cinco anos, oito mil balões iluminados cobriram 15 quilômetros, dos 155 Km, onde existia o Muro. O objetivo foi mostrar para os alemães mais jovens e para os turistas onde ficava a muralha passados 29 anos, na época, e como a cidade era dividida.

Em 2014, os balões foram soltos ao som de ‘Ode à Alegria’, a última parte da nona sinfonia de Beethoven, para iluminar os céus de Berlim. É o mesmo horário que iniciou a derrubada da muralha, há 30 anos. A queda do Muro de Berlim marcou a reunificação alemã e o fim da Guerra Fria.

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Eu tinha 13 anos e lembro bem daquelas imagens que vi na TV. A população destruindo o monumento à estupidez. Uma frase, escrita no paredão, previu queda do muro em um futuro mais distante: “No próximo século, tocarei o teu coração“. Lindo e triste.

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Ainda existem muitos tipos de intolerância e absurdos no mundo, mas Muro de Berlim sei foi. Pena que ainda existem imbecis como Trump, presidente do EUA e sua vontade de construir o muro contra mexicanos. Tomara que a humanidade avance contra “ismos” e “fobias”, pois muitos não assumem, mas possuem muros dentro de suas cabeças e corações.

Fica a lição e nossa torcida esperançosa para que coisas deste tipo nunca mais ocorram.

Elton Tavares

Cry Me a River – Por Arthur Muhlenberg (sobre a classificação do Flamengo)

A semifinal da Libertadores que consagrou o Flamengo como time que joga o melhor futebol do Brasil, apesar da discordância de simpatizantes do PSL, começou de uma forma totalmente inesperada. Ao contrário do que fizeram no jogo de ida no Uruguai do Norte, os imortais tricolores (risinhos abafados) partiram pra cima do Flamengo, tentando imprensar o time maior através da marcação cerrada lá no nosso campo de defesa. Já disseram que o plágio é a expressão mais sincera do elogio. Foi bonitinho eles tentando nos imitar, mas não adiantou porra nenhuma.

Depois de meia hora dessa marcação insana, os maluco já estavam pregadões, com palmos de língua pra fora, torcendo pelo amor de Deus pro 1º tempo acabar antes que um deles caísse duro no gramado. Mas eles não se deram bem, numa hora lá em que faltou fôlego pra dividirem uma bola no meio o Bruno Henrique puxou aquele contra-ataque rápido e violento, Gabigol recebeu na área e mandou o sapato, o goleiro deu mole e Bruno Henrique jogou no barbante, 1×0. Que fase espetacular do Bruno Henrique, suas arrancadas são impressionantes, o cara nasceu no planeta Bolt. E ainda sabe fazer gol.

Time rubro-negro ser classificou para a final da Copa Libertadores, onde enfrentará o River Plate, da Argentina, em novembro (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

Obtida a vantagem mínima no placar dissipou-se na mesma hora toda a tensão que vinha sendo acumulada ao longo de dias pelos rubro-negros. Tensão que não era pouca, gerada nem tanto pelo grau de dificuldade do desafio esportivo a ser travado em campo, mas principalmente pela solenidade e transcendência do momento histórico. A torcida do Flamengo tem sensibilidade pra dar e vender.

Nenhum torcedor do Flamengo é obrigado a respeitar o Imortal do Pampas (risos comedidos), mas todos tem obrigação de fazer as devidas reverencias ao hiato de 38 anos entre as aparições do Flamengo em finais de Libertadores. O momento exigia sim, um mínimo de contrição por parte dos barulhentos flamengos. Mas com o gol do Bruno Henrique a tensão, junto com a compostura, desapareceu imediatamente. Virou festa.

No intervalo os bares do estádio voltaram a encher e tava todo mundo bem calminho, apreensão entre nós não havia. Até quem assistia ao jogo em casa pela TV aproveitou pra ir ao banheiro tranquilo ou estourar um Caramuru 3 tiros em direção ao vizinho secador. Era muito evidente que o Imortal (risos de claque de programa humorístico) tava mortinho. Só faltava enterrar.

Foto: Mídia Bahia

Já o 2º tempo foi diferente. O Flamengo, provavelmente incentivado pelas furiosas catilinárias do Mister no vestiário, entrou com fogo no rabo e em 30 segundos Gabriel já tinha feito um golaço de canhota pra consignar 2 x 0. Que marcou o início do passeio e também o fim definitivo da verve renightiana.

Nessa hora deu pra ver direitinho os gremistas mais precavidos começado a abandonar o Maracanã. Segundo Lupicínio, eles vão a pé onde o Grêmio estiver. Dava até pra imaginar os infelizes se antecipando pra acompanhar com passo arrastado o Imortal (é ironia, gente) na sua longa caminhada rumo à casa do caralho. Vão ter bastante tempo pra chorar esse defunto.

E esses tricolores fizeram muito bem em dar linha na pipa mais cedo. Em menos de 10 minutos Gabriel fez seu 2º gol, um pênalti daqueles tão evidentes que Daronco, Vuaden et caterva jamais dariam, mas que o juiz argentino apitou com total convicção e sem nem olhar pro monitor do VAR. O que até então parecia ser apenas um passeio meio chato pro Grêmio se transformou rapidamente na versão tijucana do Massacre da Serra Elétrica.

Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

O Flamengo oprimia, não dava espaços, não deixava os gaúchos sequer tocarem na bola. O Imortal (epíteto compartilhado com meu ovo) estava sendo triturado sem a menor cerimônia. A arquibancada apinhada de gente bem vestida, elegante e sincera era um mar vermelho e preto onde um Leviatã indomável emergia, resfolegava e rugia num frêmito hipnótico e assustador. Não se pode culpar os gremistas por se amedrontarem, quando os bares do Maraca fazem promoção vendendo 2 cervejas a 10 real o flamenguista médio fica meio perigoso mesmo e não é bom ficar de bob por perto.

Visivelmente abalados, os gremistas não queriam mais nada com o jogo, arregaram completamente. O domínio do Flamengo era tão humilhante que a gauchada não tinha disposição nem pra apelar ao violento e desleal jogo de fronteira que usualmente se pratica nas coxilhas que ficam pra lá do Mampituba. Baldando assim todas as minhas esperanças no aparecimento das cenas lamentáveis que conferem um charme vândalo à Libertadores.

Inermes, doidos pra voltar invisíveis pra dentro da barriga da mamãe o quanto antes, os grêmio acabaram deixando o Flamengo escolher como terminar aquele duelo tão desigual. E o Flamengo, sem um pingo de empatia ou sombra de misericórdia, optou por esculachar os farroupilhas. Em campo, a disparidade de intensidade entre as equipes era tão evidente que era possível até corta-la com uma faca.

Foto: Olé

Na beira do gramado, contrastando com a expressão glútea que nublava as feições do outrora verboso Renight, Jorge Jesus, que é igual à mãe do Prince na When Doves Cry (she’s never satisfied) gesticulava apoplético, visivelmente muito puto com a timidez do placar parcial de 3 x 0. Tomado pela ira, o estratego luso de longas cãs conclamava o Flamengo a partir pra cima e não fazer prisioneiros com tamanha ênfase que até eu me levantei da poltrona e fui me colocar no segundo pau a espera de um rebote.

Talvez por puro medo do português os nossos beques foram lá na frente fazer graça e se deram bem. O quarto e o quinto gol saíram em rápida sucessão. Sem desmerecer os dotes ofensivos dos nossos zagueiros, deu a impressão de que o amigo Paulo Vitor nos ajudou um pouquinho nessa festa da uva fora de época.

Foto: O Lance

Só não entendi muito bem por que o Flamengo não aproveitou melhor o momento mão de alface do goleiro deles e chutou mais vezes de fora da área. Se fosse no gol, entrava. Depois os marmanjos não sabem por que tão toda hora sendo comidos no esporro por Jesus. Ora, meus amigos, é evidente que levam esporro porque cometem esses erros infantis. No fundo isso é bom, mostra que o Flamengo pode melhorar, ainda não chegou ao seu apogeu.

Foto: Mídia Bahia

Com 5×0 no placar já não fazia mais tanta diferença um gol a mais ou menos, o Imortal (teu cu) estava aniquilado por pelo menos umas 3 encarnações. O time do Flamengo, tenho certeza que os jogadores vão negar isso até a morte, tirou um pouco o pé pra não estragar o velório. Com exceção do fominha Jorge Jesus, não tinha mais ninguém no Maracanã com fissura de gol. A turba rubro-negra, que não é olho-grande, estava plenamente saciada.

E tinha os mais justos motivos pra essa saciedade. Nos dois jogos pela semi da Libertadores o Flamengo tinha feito 10 gols no Grêmio. 10 gols! 10 gols! 10 gols! Meia dúzia deles valeram e outros 4 foram anulados, surrupiados, subtraídos, metidos ou afanados por vocês sabem quem. Mas quando o seu time faz 10 gols em 2 jogos e volta à final da Libertadores depois de quase duas gerações ausente o torcedor não quer guerra com ninguém. Muito menos com o adversário que já tá todo caquerado. Deu até pena deles (mentira deslavada).

As partidas que o Flamengo jogou contra a gauchada (ambas as duas) são um belo cartão de visita pra chegar na final da Libertadores, seja lá em que capital da Ursal ela venha a ser jogada, com muita moral. É por causa desses 10 gols que Marcelo Gallardo está até agora perplexo, catatônico em frente à TV e ninguém mais dorme no Monumental. Ficamos honrados com a admiração, o treinador argentino nem devia se envergonhar por isso. Em Liverpool, que é tão nosso freguês quanto o River, ninguém tá conseguindo dormir também.

Hasta la victoria siempre!

Mengão Sempre

Fonte: República Paz e Amor

Meu céu – Crônica bem humorada sobre o paraíso de cada um (o deste jornalista, no caso)

Há meses escrevi uma crônica sobre como seria o meu “Inferno”. Hoje vou falar/escrever um pouco de como seria o meu céu. Não sei baterei na porta do céu como Bob Dylan. Nem se vou achar o lugar igualzinho ao paraíso, como sugeriu o The Cure, mas estou atrás da “Stairway To Heaven” do Led Zeppelin. Só não vale ter “Tears In Heaven”, do Eric Clapton. Mas vamos lá:

Meu céu é em algum lugar além do arco-íris, bem lá no alto. Bom, lá, ao chegar ao meu recanto celestial, eu falaria logo com ELE, sim, Deus ou seja lá qual for o nome dele (God; Dieu; Gott; Adat; Godt; Alah; Dova; Dios; Toos; Shin; Hakk; Amon; Morgan Freeman ou simplesmente “papai do céu”) e minha hora já estaria marcada.

Ah, não seria qualquer deusinho caça-níquéis (ou dízimos) não. Seria o Deus de Spinoza, que como disse Einstein: “se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

Após este importante papo com o manda chuva do paraíso (tá, quem manda chuva mesmo é o seu assessor, São Pedro, mas eu quis dizer mesmo é do chefão celestial), daria um rolé e encontraria todos os meus amores que já viraram saudade. Ah, como seria sensacional esse reencontro!

Bom, meu céu é todo refrigerado e chove. Chove muito, mas nunca inunda as vielas do paraíso e nem desabriga ninguém por lá. Ah, abaixo dele chove canivetes nos filhos da puta (que não são poucos) que encontrei durante a jornada pré-celestial. Óquei, pode soar meio lunático, mas é o meu céu, porra!

No meu céu não tem papo furado, como no capítulo 22, versículo 15, do livro de Apocalipse. Lá entrarão impuros sim ou seria uma baita hipocrisia EU estar neste céu. No meu céu não toca brega, pagode e sertanejo sem parar, afinal, isso é coisa do inferno. Ah, no meu céu não entra corrupto, pastor explorador, padre pedófilo ou escroques de toda ordem, esses tão lá no meu inferno e eu ainda teria o direito de cobri-los de porrada!

Heaven – Foto: Elton Tavares

No meu céu as pessoas se respeitam, não tentam a todo o momento tirar vantagens do outro. No meu céu, serviços prestados são pagos na hora, chefes são justos e não rola fofoca. Lá não tem puxa-sacos, apadrinhados ou seres infetéticos desse naipe que a gente, infernalmente, convive na terra diariamente.

No meu céu tem churrasco, pizza, sanduba, entre outras comidas deliciosas e que nunca, nunca mesmo, nos engordam (pois é infernal o preconceito fitness). Lá também não sentimos ressaca. No meu céu tem show de rock o tempo todo, com todos os monstros sagrados que já embarcaram no rabo do foguete e a gente curte pela eternidade.

Lá no meu plano celestial não existe a patrulha do politicamente correto, nem gente falsa, invejosa, amarga, e, muito menos, incompetentes. Se tá no céu, se garante, pô!

Não imagino o céu como um grande gramado onde todo mundo usa branco, ou um local anuviado onde anjos tocam trombetas e harpas. Não, o céu, se é que ele existe (pois já que o inferno é aqui, o céu também é) trata-se de um local aprazível para cada visão ímpar de paraíso, de acordo com nossas percepções e escolhas. Bom, chega de ficar com a cabeça nas nuvens. Um excelente final de semana para todos nós!

Foto: Elton Tavares

Eu acho que há muitos céus, um céu para cada um. O meu céu não é igual ao seu. Porque céu é o lugar de reencontro com as coisas que a gente ama e o tempo nos roubou. No céu está guardado tudo aquilo que a memória amou…” – escritor Rubem Alves (que já foi para o céu).

Elton Tavares (que graças à Deus, tem uma sorte dos diabos).

Há cinco anos, foi extinto o Orkut, o nosso primeiro hospício virtual

O Google matou (desativou) o Orkut há exatamente cinco anos. O site, criado em janeiro de 2004, pelo engenheiro de software turco Orkut Büyükkökten, foi uma febre no Brasil, assim como o Facebook e Instagram. Aliás, os brasileiros foram os recordistas de adesão. Em dezembro de 2011, ele foi substituído pelo “Feice”, que deu as caras por aqui em português.

Aí, por causa dessa parada, fui ao meu antigo “profile” Orkut salvar fotos velhotas. Bateu logo saudades. A nostalgia foi um misto de alegria e tristeza. Amigos que já partiram para outro plano, outros que não são mais amigos e aqueles que foram embora de Macapá. Momentos felizes eternizados nas imagens, manifestações de carinho, etc. Coisa louca saporra de lembrança virtual que mexe com a memória afetiva.

Lembro que para entrar no Orkut, ainda em inglês, era preciso um convite de um amigo. Depois traduziram a rede social e você já podia criar um perfil sem ser convidado. Fui expulso do site três vezes. O motivo? Discutia nas comunidades, me divertia com a polêmica dos assuntos banais que rolavam nas comunidades mais inusitadas.

Só que o Orkut não era só guerrinha pra tirar barato com as minhas idiotices e futilidades (minhas e dos outros), mas também umas paradas bacanas. Para encontrar pessoas então, era uma espécie de Interpol.

Lá, escrevi e recebi “scraps” (recados) de amor, amizade, elogios e “testimonials” (depoimentos) bacanas. Muitas juras para sempre (que sempre acaba). No Orkut encontrei uma velha amiga que acabei namorando por cinco anos. Por causa dele, eu e outra moça que namorei, quase nos matamos. Ciúme virtual nem é uma coisa tão das antigas assim. Não no meu caso (risos).

O Orkut foi o nosso primeiro hospício virtual. Foi um lance paid’égua, apesar de dizerem que a “orkutização” seja uma grande babaquice, todos nos divertimos (e muito) por lá. Sim, aquela parada foi legal pra caramba. Valeu!

Elton Tavares

Bolsonaro: o Brasil vergonhoso berrando vergonhas para o mundo

E Bolsonaro, enfim, falou na ONU.
Falando, o que aconteceu?
Nada e tudo.
Nada porque, em sã consciência, seu extremismo ideológico (expresso no discurso) vai parar no repositório apropriado: a lata de lixo.
Tudo porque, afinal de contas, Bolsonaro proclamou para o mundo inteiro, cara a cara, olho no olho, que o Brasil bolsonarista é um Brasil varonil, destemido, intimorato e cultor dos mais altos e edificantes valores patrióticos. Por isso, não teme prosseguir numa rota que o colocará na condição de pária, ou de um dos párias, no concerto das Nações.
O discurso foi horroroso.
Agressivo.
Extremista.
Irresponsável.
Pregou o isolacionismo.
Mentiu ao dizer que seu governo protege o meio ambiente, quando se sabe que, em nove meses, foram petrificados os mecanismos e as estruturas de estado incumbidas de coibir transgressões ambientais.
Bolsonaro, enfim, representou uma espécie de Brasil vergonhoso vociferando, berrando, trombeteando, a partir da privilegiada tribuna da ONU, vergonhas para o mundo inteiro ouvir.
Credo!

Fonte: Espaço Aberto

43 anos. Obrigado, Deus!

“Batidas na porta da frente… É o tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumento…”. É não é que aquele moleque doido chegou aos 43 anos? O filho do Zé Penha e da Lucinha. Um cara que só deu certo por conta dos pais e Deus, claro.

Quem me conhece sabe que tenho personalidade forte, sou sincero em minhas opiniões, mas boa praça, divertido e desbocado. E que também possuo tendências ao extremismo com relação a gênero musical. Deixei de ser tão crítico. Passei a elogiar mais. Tento ser estimulador do que é bom nos outros. A tal leveza do ser, mesmo, às vezes, insustentável.

Foram 40 anos de intensidade em tudo. Loucura, trabalho e relacionamentos afetivos, tudo ligado no 220w. Por isso rolaram amores fortes, amizades reais, afetos profundos. E, algumas vezes, o inverso dessa equação. Muita gente me ama e também muita gente me odeia, mas estes por serem quem são, prefiro assim. Mas isso, nem de longe, pesa na minha matemática como ser humano, pois bote fé, sou um cara legal. É isso!

São quatro décadas e três anos com poucos arrependimentos, muitas bênçãos, amores e amigos. Sobretudo, amor e suporte familiar.Sou muito grato aos meus e a Deus. Valeu!!

Elton Tavares

Hoje é Sexta-Feira 13 (saiba mais sobre as lendas deste dia, que mexem com o nosso imaginário)

Hoje é sexta-feira 13. Rolam muitas lendas e superstições sobre a data. Não é fácil explicar o Mitolo42 (1)motivo pelo qual muitos temem as sextas-feiras 13. Mas alguns supostos eventos, de acordo com algumas crenças e história, amaldiçoaram a o dia.

As histórias mais conhecidas envolvem a crucificação de Jesus Cristo, que teria ocorrido numa sexta-feira, já que a páscoa judaica é comemorada no dia 14 do mês de Nissan, segundo o calendário Hebraico, além do fato que após uma ceia com 13 pessoas (os 12 apóstolos e o próprio Jesus).lokimatabalder

Também existe um conto da mitologia nórdica, em que um jantar para 12 deuses foi invadido por Loki, o espírito da discórdia, e resultou na morte de Balder, divindade da Justiça, o favorito dos deuses. Por isso é considerado mal agouro convidar treze pessoas para um jantar, mas tem pessoas que também consideram mal agouro porque os conjuntos de mesex131sa são constituídos por 12 copos, 12 pratos e 12 talheres.

Outra lenda diz que a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem a frigadag, sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, Friga foi transformada em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio, os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.BLODEUWEDD Deusa CELTA

De volta ao cristianismo, historiadores apontam o 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, como o dia em que o Rei francês Filipe IV declarou ilegal a Ordem dos Templários, cujos membros foram torturados e mortos por heresia.

Além das crentemplarios_imagens03 (1)ças antigas, a propagação do 12 como número completo, utilizado para medir os meses, signos do Zodíaco e tribos de Israel, desvalorizou o 13, cujo medo irracional causado nas pessoas ganhou o pomposo nome de triscaidecafobia – e, no caso do temor da própria sexta-feira 13.

Seja qual for a versão oficial, o que importa é que seu efeito assusta e seduz a nossa imaginação. Seu mau agouro serve como inspiração para a produção de filmes e músicas no intuito de entreter e assustar.

j2O mais famoso representante dessa leva é a série de filmes “Sexta-Feira 13”, que conta a história do assassino Jason Voorhees, que após morrer afogado ainda jovem, volta para assombrar aqueles que se aventuram pela colônia de férias Crystal Lake.

Apesar das dezenas de tiros, facadas e machadadas, o deformado psicopata, que esconde seu rosto por trás de uma máscara de hockey, sempre sobrevive para mais uma sessão de assassinatos. A lenda ainda afirma que Jason, não por acaso, nasceu em 13 de junho de 1946, uma sexta-feira.

j1O Jason já deve estar assombrando por aí, com o seu terçado em punho, no imaginário de alguns malucos.

Então isso não tem nada de azar e sim muita sorte. Vamos todos assombrar, confraternizar, beber cerveja, papear, rir e tudo o que nos fizer felizes.

Elton Tavares

Fontes: Último Segundo e Teclando no Trono.

Frases, contos e histórias do Cleomar (Parte V)

Sempre digo que meu amigo Cleomar Almeida é um cara competente engenheiro. O figura também é a personificação da pavulagem e gentebonisse, presepeiro e boçal como poucos que conheço. Um maluco divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade. Quem conhece, sabe. Na mesma linha da PRIMEIRA, SEGUNDA, TERCEIRA e QUARTA edições sobre seus papos no Facebook, mais uma vez selecionei alguns de seus relatos hilários na referida rede social.

Boa leitura (e risos):

Casamento

Se tua mulher não te ameaça semanalmente, dizendo que vai botar azeite quente no teu ouvido, ou que vai mandar fazer um porrete pra te dar umas cacetadas, sinto te informar, mas teu casamento caiu na rotina parceiro.

Bons modos

Definitivamente não sei comer em quilão, “amodo” que eu incorporo um estivador. Pense num prejuízo!

Pirsiguição

Aí tu ganhas uma camisa de presente do dia dos pais e tua mulher vem reclamar pq tu estás usando a dita camisa já tem três dias. Como dizia minha avó, égua da “pirsiguição”, tá nem fedendo ainda.

Vegetariana

Aí no almoço minha filha me diz: Pai, vou virar vegetariana!
Eu: Aproveita, larga esse bife e começa comendo esses carás roxos e esse jerimum que estão na geladeira.
Ela: Acho que vou virar vegetariana só semana que vem!

Doido

Toda família tem um doido, se tu achas que na tua não tem, presta atenção que o doido és tu.

Novela

O cara casa com a Maria da Paz e de lambuja, ganha uma loja de birita. Esse mundo é muito injusto mesmo.

Espanhol

Pareço normal, mas sou o tipo de pessoa que assiste La Casa de Papel e passa o dia inteiro falando sozinho em espanhol.

Circo

Circo Ramito esqueceu os funcionários aqui em Macapá. Toda esquina tem um malabarista, um equilibrista ou um Homem Aranhista.

Aprendizado

Conversando mais cedo com um amigo, ele indignado com uma situação me diz:
Negão, o homem não aprende com o cérebro, aprende com o cu, cada vez que toma no cu, ele aprende algo. Vivendo e aprendendo!

Mega-Sena

Sentado na pracinha em Laranjal do Jari, esperando meu sanduba, ouço o cara da mesa ao lado expressar seus desejos a um outro que o acompanha, em relação a Mega-Sena acumulada.
Dizia ele: Bicho, se eu ganho, compro um barco, encho de puta, contrato o Wanderley Andrade e vou fazer onda no Festival do Camarão.
O cara que o acompanha, eufórico diz: Bicho, vai ser muita onda, eu vou contigo.
Pena que os planos falharam, ia ser muita onda mesmo.

Ser pai

Quando se tem filhos a gente a gente se enquadra em três níveis de bestidade. O besta propriamente dito, o abestado e o abestalhado. Nesse último, me enquadro perfeitamente.

Nem Deus perdoa

Nunca ouvi alguém dizer “que Deus me perdoe” e na mesma frase, desejar algo de bom pra alguém.

Calendário falho

Tendo como base, uma análise minuciosa na geladeira e no armário aqui de casa, vejo que o mês já deveria ter acabado a dez dias.

E se? (como seria se eu tivesse feito escolhas diferentes?)

Escrever/dizer que “todos somos produtos de nossas escolhas” é chover no molhado, ok? Ok. Entre tantos caminhos, certos ou errados por conta das decisões que tomamos, chegamos aqui. É como disse o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre: “ser é escolher-se”. Pois é, mesmo com muitos erros, poucos fracassos e muitas reviravoltas, quem me escolheu foi eu mesmo (ou inventou), consequentemente, meus rumos.

Assim como em uma crônica do escritor Luís Fernando Veríssimo, intitulada “Alternativas”, resolvi escrever novamente (de forma sintetizada) sobre escolhas (aventuras e desventuras). Aí saiu esse devaneio aí debaixo:

Todos esses “EU’s” pensavam que sabiam da vida. Nem imaginavam quantas aventuras e desventuras ainda viriam. A juventude é divertida, mas engraçada.

Tenho 42 anos, sou jornalista, assessor de comunicação e editor deste site, mas como seria se tivesse feito escolhas diferentes?

Se tivesse escutado mais os meus pais e passado direto em todas as séries e me formado em Belém (PA)? Talvez não tivesse me envolvido em tantas brigas e furadas, mas saberia do que os maus são capazes? Certamente não. Ah, se tivesse continuado com a natação ou o basquete, ao invés de ter começado a beber aos 14 anos? A única certeza é que seria mais saudável e não estaria tão porrudo.

Se não tivesse ido morar com aquela menina em 1996? E se tivesse me empolgado ao ponto de ir para a Bolívia (BOL) em 2000? Se não tivesse ido para a Fortaleza (CE) em 2006? Se não tivesse me enrolado com quem não conhecia de verdade? Se não tivesse me envolvido com tanta gente de lá pra cá…Feito e desfeito laços afetivos? E refeito? Nunca será possível saber.

E se tivesse lido mais livros do que ouvido discos de rock e assistido filmes? Não, prefiro do jeito que foi mesmo. Deu para sorver conhecimento divertindo-me e ainda li bastante, para um cara meio marginal na juventude.

Se tivesse topado aquele convite da chefe de redação do Portal Amazônia e ido morar em Manaus (AM) estaria lá ainda? Não tenho certeza, mas se estivesse, seria doloroso, pois sou muito apegado aos meus.

Se não tivesse dito a dura verdade tantas vezes e magoado amigos? Não, prefiro a verdade, doa a quem doer. Arrependimentos ou desculpas não desatam nós ou colam o que se quebrou. Seja lá qual foi a sua escolha no passado, seja nostálgico, triste, feliz ou engraçado. O importante é o hoje e o amanhã, mas isso não impede de pensar como seria?

Se aqueles tiros, em 2001, tivessem me acertado? Se aquele carro na estrada, em 2011, tivesse capotado, aos invés de somente girar várias vezes e sair da rodovia? Estaria vivo ou sequelado? Se não tivesse me metido em tantas brigas de rua, teria aprendido a me defender?

E se em universos paralelos, ou outras dimensões, cada um de nós possui vidas vivendo as outras escolhas? Quem sabe? Não, já é doidice minha.

Se não vivêssemos tantos momentos eufóricos e decepcionantes? De volta aos escritos de Sartre, que falou sobre as consequências de “ter escolhido algo/alguém ou deixado de escolher algo/alguém”. O único arrependimento? Não ter cuidado da saúde e ter virado este gordão. O resto está melhor do que eu pensava.

Eu, hoje, em agosto de 2019.

Com todas as escolhas ao longo da jornada, aprendi que, se você trabalha, faz o bem e não interfere na felicidade alheia, tudo se ajeita com o tempo. E ainda há tempo para muita vida. Sejam quem vocês querem ou pelo menos lutem por isso.

Sua vida não é feita de decisões que você não toma, ou das atitudes que você não teve, mas sim, daquilo que foi feito! Se bom ou não, penso, é melhor viver do futuro que do passado” – Luís Fernando Veríssimo.

Elton Tavares

Frases, contos e histórias do Cleomar (Parte IV)

Como já dito aqui, meu amigo Cleomar Almeida é um competente engenheiro. O cara também é a personificação da pavulagem e gentebonisse, presepeiro e boçal como poucos que conheço. Um figura divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade. Quem conhece, sabe. Na mesma linha da PRIMEIRA, SEGUNDA e TERCEIRA edições sobre seus papos no Facebook, mais uma vez selecionei alguns de seus relatos hilários na referida rede social.

Boa leitura (e risos):

Filhos

Quando se tem filhos a gente a gente se enquadra em três níveis de bestidade. O besta propriamente dito, o abestado e o abestalhado. Nesse último, me enquadro perfeitamente.

Print

Eu sempre falei, esse negócio de print ainda vai acabar com a raça humana.

Batucada na barriga

Nunca confiem em um homem que não sabe fazer uma batucada na barriga, com certeza tem algo errado com ele. ☺️

Convocação para a Copa América

Vi essa convocação e tenho quase certeza que o Dunga sequestrou o Tite.

Cargo na AL

Se a pequena fosse barangada eu duvido que tava essa fuleiragem toda, bando de feio com dor de cotovelo.

Mês longo

Tendo como base, uma análise minuciosa na geladeira e no armário aqui de casa, vejo que abril já deveria ter acabado a dez dias.

Bolsomínions na chuva

Pra começo de conversa, blogueiro semi analfabeto não é jornalista, tem mais é que ficar na chuva mesmo.

Briga na Câmara de Vereadores

Já me meti num porradal desses, eu era o cara que chega voando!

Música

A gente tá bem assistindo ao Jornal e páh, me aparece o Mauro Cotta. Dá logo uma vontade do cabôco sair rabiando no brega.

Conversa com Deus

Se eu pudesse falar com o Criador só teria uma pergunta. Chefe, o Senhor vai precisar mesmo desses carapanãs? Fooooolego, tá demais.

Uma crônica De Rocha – Texto sensacional de Kairo Moto Táxi

Kairo mototaxi – Foto: Maksuel Martins

Era uma dessas manhãs cinzentas, por volta das 5h45, eu vinha subindo a Rua 13 de setembro, sentido Buritizal – Centro. Nesse horário as ruas estão completamente vazias e o silencio se apodera de nossa mente, é como andar de moto sobre as nuvens, mas a esperança de pegar uma corrida nunca acaba.

De longe vejo alguém e à medida que vou me aproximando consigo ver uma senhora, bem baixa, deveria ter no máximo 1.20cm de altura, o cabelo curto, não era um cabelo volumoso, o penteado era um rabo de cavalo, amarado com um pompom listrado nas cores vermelho, branco e azul e pelo fato de não ser um cabelo volumoso o rabo de cavalo ficava mais ou menos da grossura de um lápis, o rosto tinha algumas rugas, o que é normal devido a idade, um par de argolas de “ouro”, uma blusa branca com uma frase em inglês escrito: “ I am alive”, uma bermuda desbotada e uma sandália dessas rasteirinhas, com um detalhe em pedrarias.

Quando parei a moto notei que se tratava de alguém muito humilde; ela então sorrindo me disse:

– Meu filho, quanto é uma corrida daqui ao igarapé das mulheres?

Para quebrar o gelo eu sempre uso essa estratégia, então disse assim:

– Baratooooo! Não vai passar de R$10,00 reais.

Ela sorriu e disse:

– E ida e volta, faz um desconto!?

Eu: – Claro que faço, nem pra mim e nem pra senhora, me dê R$18,00 reais.

E por incrível que pareça ela me respondeu com a seguinte expressão:

– Já é!!!

E montou na moto com uma agilidade que nem essas novinhas de 18 anos têm. Ao longo do percurso, ela puxou assunto e me disse que estava indo comprar peixe e uma melancia, porque na feira perto da casa dela os peixes não prestavam, os vendedores passam colorau na guelra dos peixes para ficarem com aspecto de que o peixe é novo (fresco). Eu sempre concordando com tudo, afinal ela não estava falando nenhuma mentira. Então, pediu que eu parasse em um posto de gasolina para trocar o dinheiro e assim o fiz.

Lá, desceu da moto, meteu a mão por dentro da blusa com certa delicadeza, como se fosse a coisa mais normal do mundo guardar dinheiro dos seios, tirou duas sacolas, uma tinha um bolinho de dinheiro, deveria ter uns R$ 300,00 e na outra uma carteira de Derby Prata ( Cigarros ). Aí disse:

Guardo aqui pra não molhar! E o dinheiro guardo aqui também, porque ninguém quer pegar em peito de velha.

Nessa hora todos rimos, eu, ela e o frentista do posto!

Abasteci a moto, coloquei R$10,00 de gasolina e entreguei o troco, seguimos viagem…

Chegando ao local desejado, eu disse:

– Fique à vontade!

Ela me entregou o capacete e foi andando em direção ao vendedor de peixe, escolheu, escolheu, escolheu até que, pelo que pude notar de longe, encontrou o peixe ideal. O peixe pra falar a verdade não foi o problema, a dificuldade foi pra escolher a melancia, bateu nem todas, sabe quando você bate na porta de alguém? Pois é, foi assim mesmo! Fez em todas as melancias, até encontrar a perfeita! Tudo isso ela descobriu somete escutando o som das melancias (esse ouvido deve certamente ser estudado).

E quando já caminhava em minha direção, foi abordada por um homem, cabelo grande, encaracolado, estilo do Cazuza no começo de carreira, uma regata branca, uma calça branca e um chinele muito desgastado, o rapaz segurava na mão uma cédula de R$ 50,00 reais, pensei: – ele deve está pedindo pra ela trocar o dinheiro!

Então ela colocou a sacola de peixe e a melancia no chão, segurou a nota de R$ 50,00 reais do rapaz na mão, e com aquela destreza de sempre meteu a mão em seu sutiã para tirar o dinheiro, trazendo a luz uma de suas sacolas tão bem guardadas.

De repente aquele rapaz, que parecia ser uma boa pessoa, pulou na mão da senhora e tomou o que ela tanto guardava, correu, mas correu tão rápido que parecia Forrest Gump. Meu primeiro pensamento foi:

-Essa corrida eu não recebo! (Desculpa, eu não deveria ter pensado isso, rs)

Mas logo fui tomado por uma força, uma raiva, então disse para mim, eu sei que se for atrás dele e conseguir pega-lo, vou apanhar (devido ao meu porte físico, reconheço que não é o meu ponto mais forte), mas eu vou. Quando coloquei o capacete na cabeça e já ia ligar a moto, a senhorinha grita de lá:

– Ei Mano, Ei, Ei, Moto Táxi, espera!

Ela chegou perto de mim muito nervosa e disse:

– Mano, um bora embora, que eu roubei o ladrão!

Me entregou a sacola de peixe, montou na moto e disse:

– Mano, chuta!!!

Eu, mais que depressa fiz o que ela estava me mandando sem entender nada, resolvi ir pela orla, era mais rápido. Quando chegou lá perto da primeira rotatória do Santa Inês, perguntei:

– Mana,o que foi que aconteceu?

– Ela: Mano, o caboco pediu pra trocar um dinheiro pra ele, quando ia puxar a sacola com dinheiro, ele pulou da minha mão e levou, correu. só que ele levou a sacola com o cigarro e o dinheiro tá aqui ainda, e eu ainda fiquei com os R$ 50,00 reais que ele pediu pra trocar.

-Roubei o ladrão!!! Roubeiiiiii o ladrão !!!!

Nessa hora começamos a rir, mas rir muito! Ela ria e dizia:

– Caboco Burro! Burroooooooo!!!!

Chegamos até a frente da casa dela, quando me disse:

– Mano, tu foi ‘’De rocha!’’, então vou fazer o seguinte, fica com os R$50,00 reais do burro.

Falei: – Sério? Num boto fé!

Fiquei feliz, R$ 50,00 reais assim, rápido! Mas disse pra ela ter mais cuidado.

Foi então que ela disse, sorrindo:

-É… agora vou guardar o cigarro e o dinheiro em um só peito, em sacolas separadas, afinal, meu filho, ninguém quer pegar em peito de velha.

Eternos risos!

Não deu pra escrever algo legal. Então vamos beber, pois é sexta-feira!

Mesmo que minha vontade grite em meus ouvidos: “escreva, escreva”, a força criativa não está muito inventiva nesta sexta-feira. Mesmo assim, resolvi tentar atender tais sussurros.

Você, meu caro leitor, sabe que gosto de devanear/crônicar sobre tudo. Escrevo sobre o que dá na telha e tals. Só que hoje não. Pensei em escrever uma lista de clássicos do Rock and Roll, shows das grandes bandas que assisti, uma lista de meus filmes preferidos; quem sabe redigir sobre futebol (pênalti perdido pelo Roberto Baggio em 1994, que me fez beber pra cacete), carnaval, amor (amor?) ou política, mas apesar da inquietação, nada flui. É, tudo pareceu tão óbvio, repetitivo e desinteressante este momento. Foda!

Quem dera ser um grande contista ou cronista. Ser escritor, de verdade, deve ser legal. Não falo de pitacos e devaneios em um sitezinho, sem nenhum tipo de ironia barata. E sim de caras que possuem livros publicados, bibliotecas na cabeça, bagagem cultural e não pseudo-enciclopédias, que só leram passagens ou escutaram fulanos contarem sobre obras literárias lidas. Talvez, um dia, eu chegue lá. Quem sabe?

Mesmo que seja sobre uma bobagem, precisa-se de merda engraçada, porreta de se ler. Às vezes escrevo assim, de qualquer jeito. Por quê? Dá muito trabalho contar uma história ou estória de forma bem escrita, oras. Quem dera pensar: agora vou me “Drummonizar” e voilà, escrever um textaço. Não, não é assim. Já ri muito de alguns velhos posts pirentos por conta disso.

Por fim, vos digo: textos ruins parecem cerveja quente em copo de plástico, ou seja, não rola. Já uma boa crônica parece mais uma daquelas cervas véu de noiva de garrafas enevoadas, na taça, claro. E já que não deu pra escrever algo caralhento, vamos beber, pois é sexta-feira! Bom final de semana pra todos nós!

Elton Tavares

Cármen Lúcia: “Todo censor é um pequeno ditador”

Brasília – A presidente do STF e do CNJ, Cármen Lúcia, participa de debate sobre a proteção integral da infância e juventude, na sede do TSE (José Cruz/Agência Brasil)

Da ministra do Supremo Cármen Lúcia, na abertura de um seminário sobre os 30 anos da Constituição e a liberdade de imprensa:

“Sem a imprensa livre, a Justiça não funciona bem, o Estado não funciona bem.”
[…]
“Todo censor é um pequeno ditador.”
[…]
“Quem não tem direito livre à própria liberdade de expressão não tem garantia de qualquer outro direito, porque palavra é a expressão da sua alma, do seu pensamento.”

Fonte: Espaço Aberto