Caminhão com combustível danifica ponte e isola Oiapoque/AP – Égua-moleque-tu-é-doido!

Foto: Reprodução

Um caminhão transportando combustível quebrou a ponte sobre o igarapé Ranolfo na BR-156 que liga os municípios de Calçoene e Oiapoque.

A estrutura teria cedido por volta das 15h desta terça-feira (19) interrompendo o tráfego na única ligação terrestre entre as duas cidades. Ninguém ficou ferido.

Foto: Reprodução

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) solicitou uma equipe do Corpo de Bombeiros ao local, para avaliar os riscos, assim como do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit).

O Dnit já está ciente da situação e provavelmente determinará a restrição de trafego no trecho, visto a estrutura da ponte estar muito comprometida. Ainda não há previsão de desobstrução da BR 156“, informou a Polícia Rodoviária.

Fonte: A Gazeta.

Escreva, Elton, escreva – Uma crônica de domingo

Eu, nos tempos de Portal Amazônia.

Sabem, quando trabalhava no Portal Amazônia (2008), aprendi que internet é velocidade da informação. Durante um curso de webjornalismo, em Manaus (AM), me ensinaram que é necessária a atualização diária de uma página eletrônica e, se possível, mais de uma vez ao dia.

Em 2011, com o antigo blog De Rocha aberto. Foto feita pelo Chico Terra na sala de comunicação do Palácio do Governo do Amapá, em um raro intervalo de trampo.

Quando meu antigo blog foi criado, no final de 2009, lembrei-me dos ensinamentos do Portal e comecei a postar cada vez mais conteúdo. São coisas sérias e besteiras. Foi assim que adquiri esse lance de me cobrar escritos.

Trampo valendo em 2013, no interior do Amapá. Na época que eu trabalhava na Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Macapá. oto: Renata Sampaio.

Neste meu site publico tudo que me dá na telha, a “blogagem” é um vício legal. Tento informar e divulgar Cultura, coisas interessantes, além de besteiras que me agradam, tentando pontuar as coisas de forma diferente, fugindo das mesmices, modinhas e papos furados. Sempre tentando usar cérebro e coração.

Na Assessoria de comunicação do TRE-AP, em 2014. Foto: Daniel Alves.

Não gosto de discutir o “sexo dos anjos”, mas perco tempo com disparates legais sim, além de disparar minha opinião sobre qualquer coisa, doa a quem doer. O problema são os questionadores, que não entendem que este site é meu. Mas sou responsável pelo que escrevo aqui e não pelo que eles entendem.

Em 2017, no trampo na Assessoria de Comunicação do senador Randolfe Rodrigues – Foto: Maca

Ah, este espaço está sempre aberto para divulgação de Cultura em todas as suas vertentes, é só mandar por e-mail (endereço no layout do site).

Na Assessoria de Comunicação do MP-AP, em 2019. Trabalho lá até hoje. Foto: Nelson Carlos.

Continuarei sempre a publicar no De Rocha o que me der vontade, mas nunca uma mentira. Como dizem no velho latim (meu amigo Edgar Rodrigues me ensinou este ditado): “Verum, dignum et Justus Est!” (É verdadeiramente, digno e Justo!). A não ser que seja algo engraçado e tão absurdo que ninguém acredite. No mais, esse textículo foi só para matar a coceira dentro da minha cabeça, que diz: “escreva, Elton, escreva!”.

Elton Tavares

Ronaldo Rodrigues gira a roda da vida pela 55ª vez. Feliz aniversário, Ronaldo Rony!

Me gabo de ser amigo de muita gente Phoda! Ronaldo Rodrigues, que também é Ronaldo Rony é um desses seres humanos extraordinários (ainda tenho dúvidas se ele não é um ET). Neste décimo sétimo dia de janeiro, ele gira a roda da vida pela 55 ª vez e eu rendo-lhe homenagens.

Ronaldo é pai do Pedro e do Artur, marido da Maria Lídia, escritor, poeta, roteirista, ilustrador, documentarista, cronista, cineasta, quadrinhista, pai do Capitão Açaí (entre outros tantos personagens), cartunista, remista e torcedor do Grêmio. Um artista brilhante e imparável (como diz o amigo Fernando Canto, no sentido de nunca parar), em todas essas áreas e um cara amado por sua família e amigos, além de ilustre colaborador deste site e brother muito querido deste editor.

Já disse e repito, o figura é um artista ímpar, tanto redigindo, quanto atuando no audiovisual ou desenhando seus cartuns. A genialidade do figura é tão caralhenta quanto sua paideguice, pois o cara é demais porreta.

Paraense de nascimento e já amapaense no coração, Ronaldo é um genial louco varrido. Quando bebia, ele se equilibrava bêbado, mas nunca caia na vala de uma vida ordinária. Original como poucos, Rony é um cara que admiro. Dono de uma mente fantástica e barulhenta, ao mesmo tempo é discreto e modesto.

Tenho a sorte e a satisfação de receber, vez ou outra, crônicas e contos seus para publicação neste site.

Ronaldo é um cara tranquilo, sempre inquieto, instigado, inventivo, surpreendente e perspicaz. Crítico ácido e bem-humorado, brinca com tudo. Ri de todos e até dele próprio, de forma inteligente e espirituosa. Sempre com uma crônica bem redigida ou um cartum visceral, o maluco faz a nossa alegria, pois somos fãs do seu trabalho. Gosto muito dele. É um cara honesto, trabalhador e do bem.

Além de tudo já escrito e descrito aí em cima, Ronaldo é um cartunista premiado dentro e fora do Brasil, ele possui quatro livros publicados, é decano do Coletivo Quadrinhos do Amapá e veterano do movimento audiovisual amapaense, entre outras facetas.

Em 2019, Ronaldo fez as ilustrações do meu livro, que lancei em setembro de 2020. Ele fez um puta trampo. Dizer que Ronaldo é PHoda é redundante. E ele ilustrará minha segunda obra, o que é uma honra pra mim.

Há um tempinho, Ronaldo Rony e Ronaldo Rodrigues pararam de andar na contramão, como dizia Raul Seixas. Pararam de beber, mas nunca de pirar dentro de suas respectivas artes. Sorte nossa, pois esses dois malucos que habitam o mesmo avatar tornam as nossas vidas menos ordinárias.

“Ele é incrível, mesmo. Um pai do caralho (como dizia Millor: “qual expressão traduz melhor a ideia de intensidade do que ‘do caralho?”). É um ex-marido exemplar e meu grande amigo!”, reforçou a poeta Patrícia Andrade, mãe do Artur e também colaboradora deste site.

Arte do Ronaldo Rony

Ronaldo, mano velho, tu és um baita cara! bicho eu dou muito valor em ti! Que teu novo ciclo seja ainda mais fodão, caralhento, saudável, rentável e recheado de satisfação pessoal, afetiva e profissional. Que tenhas sempre saúde junto aos seus amores, enfim, que tudo o que cabe no teu conceito de felicidade se realize. Parabéns pelo teu dia, irmão. Feliz aniversário!

Meus pais me levaram até o alto da colina e me disseram: – Ei, garoto! Esse é o mundo. Vá lá e tente se divertir!” – Ronaldo Rodrigues, que também é Ronaldo Rony.

Elton Tavares

Vozes cavernosas do governo Bolsonaro apresentam sua narrativa sobre o caos em Manaus. E acabam traçando o perfil do governo Bolsonaro.

Bolsonaro limpa o catarro e depois vai cumprimentar fanáticos, em plena pandemia. Para bolsonaristas, isso é apenas uma narrativa e nada tem a ver com governança. Trata-se mesmo só de falta de higiene. É?

Adoro certos termos que vêm e vão, como ondas e marés.

Narrativa é um deles.

Não sei bem o que significa, mas adoro sua sonoridade e seus múltiplos sentidos.

Então, é o seguinte: vozes cavernosas que integram o governo Bolsonaro estão saindo das cavernas em que se encontram para ecoar, com alarido, suas narrativas.

As narrativas são as mais amalucadas, como amalucado é o governo Bolsonaro. Mas, de qualquer forma, são narrativas. E convém que a consideremos assim.

Pois uma narrativa que ganha corpo, entre as vozes cavernosas do governo Bolsonaro e do Ministério da Saúde, é de que a tragédia em Manaus – onde pacientes estão morrendo de Covid sem oxigênio – é resultado, digamos assim, de uma maluquice intramuros, ou seja, de doidices que os amazonenses estariam disseminando apenas entre eles.

Por essa narrativa de bolsonaristas cavernosos, o que se passa em Manaus não deve ser atribuído ao governo Bolsonaro, mas a brigas, a maluquices, à bagunça e à corrupção que grassam entre o governo do estado e prefeituras do Amazonas, todos entretidos numa luta política encarniçada.

Pois é.

Vozes cavernosas do governo Bolsonaro têm a mais completa autoridade – moral e intelectual – para apresentar essa narrativa. Porque conhecem, porque convivem, porque têm intimidade com brigas, com bagunças, com o caos, com maluquices que representam a cara e a alma do governo Bolsonaro.

Ah, sim: sem falar que vozes cavernosas do governo Bolsonaro têm a máxima razão quando atribuem a tragédia em Manaus também à corrupção. Porque sabem que o governo Bolsonaro igualmente tem se notabilizado pela corrupção, não é?

Porque corrupção não é apenas meter a mão no cofre, puxar a dinheirama de lá e enfiá-la nos próprios bolsos e cuecas. Corrupção é corromper.

Quando se corrompem valores universalmente consagrados, como o do respeito à vida humana, isso também é corrupção da grossa.

Eis um fato incontornável.

As vozes cavernosas do governo Bolsonaro podem até não admitir ideologicamente esse fato, mas é preciso, pelo menos, admiti-lo racionalmente.

Fonte: Espaço Aberto.

Alessando Nunes gira a roda da vida. Feliz aniversário, “Coxa Bamba”! – @alessandonunes

Quem lê este site, sabe: gosto de parabenizar amigos em seus natalícios, pois declarações públicas de amor, amizade e carinho são importantes pra mim. Neste décimo quarto dia do ano gira a roda da vida pela 42ª vez o pai dedicado das lindas Ana, Maria e Helena, filho amoroso do Geraldo e Heliana, irmão parceiro do Diogo, Lia e Leilane, namorado apaixonado peloa Priscila, maluco das antigas, melhor cozinheiro de torresmo, cumpridor de missões impossíveis, artesão e muito brother deste editor, Alessando Nunes – o popular e consideradão da galera, “Coxa Bamba”.

Gabo-me de ter muitos amigos (uma porrada de inimigos também, mas assim que é bom) e um dos queridos do meu coração amalucado é Coxa Bamba. Pensem num figura feliz. Ele tá sempre sorrindo, com uma fonte inesgotável de otimismo e fé de que tudo sempre dará certo.

Alessando Nunes é um doido varrido (no bom sentido), querido por todos. Um cara trabalhador, que alia boemia e trampo com responsa. Ele é, sobretudo, um homem de bem e um amigo querido.

Já disse e repito: nem lembro quando, em qual circunstância ou onde conheci o Alessando Nunes. Só sei que faz tempo e que foi por meio do Bruno Mont’Alverne (Babolha), amigo que temos em comum. A gente bebeu incontáveis cervas no antigo bar que ele tinha com o irmão, na orla de Macapá, o “Mururé”, lá pelas bandas do “Maguila”. Aliás, ali vimos o sol nascer muitas vezes.

Coxa é carismático como poucos, dono de uma paideguice e bom humor irradiantes. Sempre com sua malandragem refinada e ditados engraçados, ele segue na vida pelos atalhos que os pregos não conseguem enxergar e muito menos trilhar. Dou valor nesse cara.

O Coxa nunca fez nada que o desabone como amigo e parceiro. Pelo contrário, sempre foi um cara legal pra caralho comigo. Alessando, mano velho, “tu saaaabes, Patinhas…”.Que a força sempre esteja contigo. Que teu novo ciclo seja ainda mais paid’égua, produtivo, próspero e que tenhas sempre saúde e sucesso junto dos teus amores. Que tua vida seja longa; que sigas com sabedoria  (sei que é meio difícil pra nós) por pelo menos mais uns 100 janeiros e que a gente ainda endoide muito junto. É nozes, mano velho!

Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares

ET’s no Meio do Mundo e a empatia – Conto de Elton Tavares

Ilustração de Ronaldo Rony

Conto de Elton Tavares

Pensávamos que tinha começado em abril de 2020, com o “barulho no céu”. As pessoas comentavam nas redes sociais: “parecia um navio”, diziam. Mas era no céu, sempre a noite. A verdade é que eram ET’s, sim, extraterrestres no meio do mundo, em sobrevoo por Macapá.

Nada de anormal, pois no dia 27 de abril de 2020, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou três vídeos que mostram pilotos da Marinha interagindo com “fenômenos aéreos não identificados” — em outras palavras, Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs). Duas das filmagens são de janeiro de 2015 e a outra de novembro de 2004, mas as três tinham vazado em anos passados. Em setembro de 2019, o Pentágono atestou a sua veracidade.

Além de evidências, múmias não terrestres achadas em uma caverna na Ásia e pinturas rupestres de ET’s, encontradas há décadas, que relatam visitas dos ovnis há milhares de anos. Entre outros milhares de registros ufólogos.

Depois do barulho no céu, rolaram aparições no interior e na Gruta, balneário na periferia de Macapá. Afinal, os ET’s não vieram fazer guerra ou círculos em plantações, mas sim, amizade. Lembrei que há tempos li: “Eram os Deuses Astronautas”, de Erik von Däniken, a Bíblia dos sonhadores com as estrelas e seus povos.

Diferente da obra, nossos amigos vistantes e observadores não são cheios de tentáculos ou cabeças enormes, gosmentos, nem verde e nem cinza, são das nossas cores ou algo assim.

E não foi surpresa para alguns não. Eles já eram monitorados por alguns de nós, terráqueos tucujus. Pois, o Clube de Astronomia do Amapá (Mirzam), a Alcinéa Cavalcante e Márcio Spoth, com seu potente telescópio, além de poetas e biriteiros notívagos, entre outros observadores do céu noturno, manjavam a traquinagem extraterrestre e relatavam observações de Objetos Voadores Não-Identificados (Óvnis).

E mais. Há muito tempo, alguns deles já viviam aqui, infiltrados, sondando se o lugar era bom mesmo de se viver. Falam até que o Marco Zero do Equador seria o portal espaço/tempo de civilizações de outros mundos e dimensões.

Bem, como o “Stonehenge da Amazônia”, o observatório astrológico erguido há mais de mil anos na floresta do Amapá e descoberto em 2006, mais precisamente no município de Calçoene. Não à toa, o escritor Ronaldo Rodrigues e o cartunista Ronaldo Rony sempre disseram que aqui a gente “Calça o N e marca o zero”. Égua!

Um deles é Fernando Bedran, membro fundador e capitão da Cavalaria Aérea Marítima Subterrânea Interestelar (Camsi). Contatos aqui na Terra com ele mesmo, que aterrissou sua nave na Cidade Velha de Belém (PA) e depois que descobriu os portais, remou para o meio do mundo. Não à toa, o Fernandinho possui conhecimentos teológicos advindos de descobertas em expedições etílicas por outros sistemas solares.

Bedran é um ET bacana que só. Vive falando em micro-universalidade, macro-cósmico, multi-universos, viagem no tempo, múltiplas realidades, seitas e povos ocultos.

Muito longe das darwinistas-hollywoodianas, que sempre pregaram que os manos das estrelas chegariam por aqui com violência e exploração dos recursos. Pé-de-pato-bangalô-três-vezes!

Em um desses papos molhados com o ET brother, no auge de seu platô da inteligência sobre-humana-boêmia-malandra, disse-me:

“Meu caro amigo, Elton, a Camsi tem como atividade principal a cultura, mas é uma cultura considerada insólita para muitos. Nada mais é do que um sarro com as artimanhas do sistema das coisas que nos são escondidas e você tem que descortinar os véus, ir atrás, às vezes cavar um bocado, por isso subterrânea, e também mergulhar um bocado entre muitas outras situações”, explicou a simplicidade de sua Cavaleria interestelar.

E concluiu: “Nós somos dados à capacidade de imaginação e para passar para outra etapa temos que cavalgar, né – risos – temos que navegar bastante, temos que sorrir bastante, ter muita coragem e muita alegria! Esse é o objetivo da Camsi, meu amigo! Um forte abraço!”.

Meu amigo Fernandinho Bedran – Arte: Beatriz Santana

Ou seja, em meros devaneios tolos, como diria Zé Ramalho resumiu que tanto aqui, quanto lá, é preciso descomplicar e ter coragem de ser feliz. Afinal, ninguém manja dos movimentos cosmológicos, pois, como disse-me a poeta Jaci Rocha, “E.T é uma visão antropocêntrica. Extra terrestres nós nunca poderemos ser originalmente considerados, mas podemos ser alienígenas, sob o ponto de vista de outro tipo de população”. Verdade.

E no dizer de outro alienígena porreta, o mestre Yoda, Em uma galáxia (não) muito distante: “difícil de ver. Sempre em movimento está o Futuro.”. E, por fim, como diria Raul Seixas: “cada um de nós é um universo” (que desconfio ter sido outro ET que veio aqui tirar um sarro com a gente).

Portanto, queridos leitores, façam amizade com estranhos legais, mas respeitem suas esquisitices. É isso!

Amapá sofre novo blecaute e 13 dos 16 municípios ficam sem energia elétrica – Égua-moleque-tu-é-doido!!

Por Elden Carlos

Um novo apagão deixou 13 dos 16 municípios do Amapá sem energia elétrica na tarde desta quarta-feira (13). A interrupção ocorre cerca de dois meses depois que o estado sofreu com um blecaute que durou mais de vinte dias, causando prejuízos em todos os setores.

Em nota a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), informou que o novo apagão não tem relação com o sistema de distribuição, e que foi identificada uma ocorrência na linha de transmissão Macapá/Laranjal do Jari.

Por volta de 16h30 o serviço começou a ser normalizado em bairros da capital e em alguns municípios. O Diário entrou em contato com o Operador Nacional do Sistema (ONS) e aguarda um posicionamento oficial sobre o caso.

Também em nota, a Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE) informou que: “Na tarde desta quarta-feira sofreu uma ocorrência na linha de transmissão de Laranjal à Macapá, que abastece sua subestação Macapá, e que a questão já foi resolvida.”

A concessionária afirma que disponibilizou as linhas de transmissão instantaneamente, normalizando o problema de forma ágil.

“Tal evento ocorre diariamente no Brasil, e no caso particular expõe a fragilidade do sistema de energia do Amapá que não conta com redundância devido a questão de planejamento setorial. A LMTE destaca que sua subestação Macapá e os três transformadores da subestação Macapá funcionam sem intercorrências”, concluiu a nota.

Fonte: Diário do Amapá.

Em formato de paródia dos noticiários cinematográficos da Segunda Guerra Mundial, Bolsonaro é retratado como criminoso em vídeo sobre Amazônia – Via @ApibOficial

Um novo vídeo lançado hoje nas redes sociais questiona se governos e empresas estão agindo para defender ou para destruir a Amazônia, massacrando os povos nativos que habitam o bioma há séculos. Em formato de paródia dos noticiários cinematográficos produzidos durante a Segunda Guerra Mundial, o vídeo Climate War mostra quais setores produtivos estão contaminados pelas atividades ilegais que desmatam, queimam, contaminam rios e matam indígenas. E apresenta Jair Bolsonaro como um inimigo climático que precisa ser parado e responsabilizado por seus crimes antes que as consequências sejam graves demais para todo o planeta.

O formato escolhido, que remete à Segunda Guerra Mundial, visa explicitar que não se trata de crítica a um país, mas a um governante. Assim como os crimes da Segunda Guerra foram atribuídos a líderes dos governos envolvidos (alguns dos quais chegaram inclusive a serem julgados e condenados), o vídeo Climate Wars atribui os crimes que estão sendo cometidos na Amazônia a Bolsonaro e não ao Brasil. Ou seja, o ponto central do vídeo é a responsabilização de Jair Bolsonaro pelo ataque ao clima global, à biodiversidade da floresta e à vida dos povos nativos. Ele mostra que ficar do lado da Amazônia é uma atitude patriótica, de defesa do país, para garantir um Brasil vivo e viável para os brasileiros.

Apesar do tom de sátira, relacionar a devastação ambiental e o avanço de forças econômicas e criminosas sobre as florestas brasileiras a uma guerra não é exagero. Garimpeiros, madeireiros e invasores de terras demarcadas são um verdadeiro exército da destruição, invadindo territórios que legalmente não lhes pertencem, incentivados por Jair Bolsonaro. Além de uma ameaça imediata à sobrevivência dos povos indígenas, eles representam um risco global devido às consequências climáticas da destruição da maior floresta úmida do planeta.

Climate Wars marca também o início de uma nova agenda de autodefesa dos povos indígenas. Passada a pandemia, eles darão continuidade aos diálogos diretos com governos e parlamentares europeus e norte-americanos, além de uma aproximação com a China ainda este ano. “Queremos que eles apoiem o Brasil, mas da maneira certa, que é nos ajudando a frear a destruição de nossos ecossistemas, recursos naturais e do próprio clima”, declara Sônia Guajajara, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil-APIB, que divulgou o vídeo em suas redes sociais.

Fruto da colaboração de ativistas e artistas brasileiros – pessoas que apoiam a luta da APIB e que compreendem a gravidade e as consequências da política ambiental do governo do Brasil – o vídeo tem versões em inglês, espanhol, francês e alemão. Ele não traz os créditos dos autores por dois motivos: primeiro, porque o foco deve ser na mensagem do vídeo, não nas pessoas; e segundo, pela assumida perseguição a ativistas que o governo federal vem promovendo com o uso de instrumentos de Estado e paraestatais.

Bolsonaro quer forçar a evangelização de povos indígenas. Atacou nossos direitos no Supremo, defendendo a questão do marco temporal. Teima em lutar contra o termo povos indígenas, sem entender que sim, somos brasileiros e também somos indígenas. Nenhuma terra indígena – apesar de mais de 600 processos – foi demarcada e muitos povos foram retirados dos territórios à força. O Ibama, ICMBio, Funai foram desmontados e perderam orçamento. Tudo passou para o exército, que foi incompetente, enquanto o desmatamento e as queimadas bateram os recordes da década. O Fundo Amazônia parou, perdemos o acordo com a União Européia e investidores ameaçam tirar dinheiro de empresas brasileiras. Tudo isso é o Bolsonaro e sua política que ninguém entende, nem quem é de direita.

A APIB DEFENDE UMA AGENDA CAPAZ DE PRESERVAR A FLORESTA E OS INTERESSES DO BRASIL

7 Pontos de Demandas da APIB:

1. Uma moratória de cinco anos ao desmatamento na Amazônia.
2. Aumento das penas para desmatamento e outros crimes ambientais, incluindo o congelamento de bens dos 100 piores criminosos.
3. Retomada imediata do PPCDAm – Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, engavetado pelo governo Bolsonaro.
4. Demarcação de terras indígenas e quilombolas e criação, regularização e proteção de Unidades de Conservação.
5. Reestruturação dos órgãos federais responsáveis pela proteção do meio ambiente e dos direitos indígenas (Ibama, ICMBio e Funai).
6. Imposição do Código Florestal (principalmente a emenda de 2018 para penalização de produção em terra ilegal)
7. Construção de um arcabouço legal para Rastreabilidade da Cadeia de Suprimentos, a fim de dar transparência a atores comerciais internacionais e nacionais.

Assista o vídeo:

Ascom APIB

Impeachment– Uma piada constitucionalmente prevista – Por Mariana Distéfano Ribeiro

Por Mariana Distéfano Ribeiro

Passeando pelos stories do Facebook eu vejo muitos comentários sobre a atuação do Presidente Bolsonaro no exercício da função. Me espanta a quantidade de pessoas que é conivente com o comportamento e entende que, por exemplo, é direito dele não querer tomar a vacina, não aceitar usar máscara, ser grosseiro e “mitar” com os jornalistas, fazer apologia à tortura, à ditadura, à homofobia, entre tantas outras tosquices que esse ser humano fez (e ainda faz).

Pois eu digo com toda certeza e convicção que Bolsonaro, na qualidade de Presidente da República Federativa do Brasil, não tem o direito de agir como ele age, de falar o que fala e pregar o que ele prega!

Por que não? Porque ele é o Presidente, oras! É dever dele, obrigação intrínseca e necessária da função que exerce possuir o mínimo de bom senso, de cautela, de educação, de prudência na direção de qualquer país em que impere o estado democrático de direito.

A falta de educação recorrente do dirigente de um país, a imprudência no enfrentamento e no trato de questões e situações delicadas, que possuem um potencial significativo de inflamar ânimos e incentivar radicalistas contumazes a sair da esfera das ofensas verbais e virtuais para as ofensas físicas, especialmente aqueles preconceituosos, tende a causar comoções sociais graves e violentas. Foi exatamente isso que aconteceu na invasão ao prédio do Capitólio, sede do Congresso americano, no dia 06/01/2020, quando o ex-presidente Trump resolveu insistir, mais uma vez, na invenção de que as eleições estadunidenses foram fraudulentas e que, na verdade, ele teria vencido. E Bolsonaro ainda disse que se não tiver voto impresso nas próximas eleições (2022), vai acontecer o mesmo com o Brasil.

Os presidentes Trump e Bolsonaro em encontro em março de 2020, na Flórida.TOM BRENNER / REUTERS

Lá, nos Estados Unidos, o ex-presidente Trump já está indo embora. Mas aqui a gente ainda tem mais 2 anos de desgoverno Bolsonaro.

Certo. A gente concorda que o Bolsonaro está fazendo quase tudo como se fosse uma criança da 5ª série (aliás, ele até fala como uma… uma bem malcriada…). Então, deve ter alguma alternativa pra tirar ele da Presidência.

Pois tem. Essa alternativa é o processo de impeachment por crime de responsabilidade e tem previsão no art. 85 da Constituição Federal , com regulamentação pela Lei nº 1.079 de 10/04/1950 , e também por crime comum (como homicídio) como prevê o art. 86 também da CF.

Trata-se de um processo político, administrativo e não-judicial. Até a última atualização do dia 08/01/2021, haviam 53 pedidos de impeachment contra Bolsonaro.

Acontece que o pedido tem que cumprir alguns requisitos, como indicação de provas e de testemunhas. O que não é muito difícil, dada a ausência de preparo e de discrição do nosso Presidente. A Lei nº 1.079 ainda descreve quais são os casos em que os atos do Presidente serão crime de responsabilidade.

Um dos artigos da Lei diz que é crime de responsabilidade quando Presidente atenta contra o livre exercício dos poderes da União (Legislativo e Judiciário, porque ele mesmo é o Executivo).

Atentar contra é se manifestar contra, injuriar, maldizer, impedir a atuação por meio de algum recurso que é inerente à atuação da Presidência.

Então… lembram daquela manifestação, lá em Brasília, que um monte de gente foi pra frente do Supremo Tribunal Federal (STF) pedir o impeachment (é existe impeachment pra maioria dos cargos políticos e de estado) de um dos Ministros e o fechamento do Poder Judiciário e do Legislativo? Aquela manifestação em que o Bolsonaro foi montado a cavalo?

Lembrou? É, aquilo lá foi crime de responsabilidade.

Esse é um dos exemplos que eu considero mais gritantes e significativos da afronta ao estado democrático de direito que o atual dirigente do Brasil cometeu até hoje.

Muitos outros foram e ainda são cometidos como o incentivo ao uso de armas de fogo, a recusa em cumprir as determinações de medidas sanitárias federais, estaduais e municipais de combate ao coronavírus, as constantes apologias à tortura, à homofobia, à misoginia, à ditadura. Todos esses atos incentivam o extremismo de pessoas preconceituosas e os encorajam a mostrar a cara e manifestar suas opiniões em discursos de ódio.

Ok. Mas então por que o processo não vai pra frente se o Presidente já cometeu tantos crimes de responsabilidade?

Porque é um processo político. O Presidente da Câmara dos Deputados tem que deferir, aceitar e concordar expressamente com o pedido e encaminhar para uma comissão especial de Deputados. Essa comissão é que vai decidir se o processo vai pra frente ou não.

Ainda, depois que o processo passa pela anuência do Presidente da Câmara, o Presidente da República ainda tem prazo para apresentar sua defesa, a Comissão tem um prazo para fazer um parecer que ainda precisa passar pelo crivo de 2/3 dos 514 Deputados Federais, ou seja, 342 Deputados.

Agora, com a popularidade que o Bolsonaro tem até hoje , você acha mesmo que um Deputado vai aceitar um processo de impeachment contra o Presidente? É claro que não vai.

Por isso que o processo de impeachment é um processo tipicamente político. Fosse jurídico, o Presidente da Câmara dos Deputados não teria outra alternativa a não ser a de receber e aceitar todo pedido de impeachment que tivesse todos os requisitos da Lei nº 1.079 comprovadamente elencados no processo.

Fazendo uma analogia bem descompromissada, imagine que chegasse no Poder Judiciário, lá no fórum da sua cidade, numa vara criminal, uma denúncia de alguém que supostamente cometeu um crime qualquer, com todos os requisitos previstos na lei para aceitação da denúncia – inquérito, peça do Ministério Público. Aí o Juiz olha pra denúncia e diz: ah… esse cara aqui é meu amigo, ele é muito conhecido na cidade e todo mundo gosta dele… não vou aceitar essa denúncia não. E simplesmente arquiva o processo ou deixa na gaveta.

Já pensou?! Absurdo, não é?

Pois é… o processo de impeachment é mais ou menos assim. O cara comete o crime previsto em lei, mas é amigo dos reis e todo mundo gosta dele. Mas se ele for impopular, vai cair rapidinho. Seria cômico se não fosse trágico.

É, o processo de impeachment, com o rito previsto na atual legislação, é uma piada constitucionalmente prevista.

Fontes: BBC, El País, Jornal do Brasil, Planalto, Planalto, A Pública e Ibope Inteligência

*Além de feminista com orgulho, Mariana Distéfano Ribeiro é bacharel em Direito, servidora do Ministério Público do Amapá e adora tudo e todos que carreguem consigo o brilho de uma vibe positiva.

A verdade a ver navios… – Por Silvio Neto

Por Silvio Neto

O pronunciamento do ministro da saúde Eduardo Pazzuello, no último dia 6 de janeiro, não poderia ter sido mais vago e impreciso. Enquanto a maioria da população aguarda ansiosa pela chegada da vacina contra a Covid-19, o Governo Federal, na pessoa do ministro, fez um pronunciamento que se resumiu em incertezas, propaganda ideológica e dados que não dizem nada com nada.

O ministro começou tentando amenizar as piadas de mau gosto e as declarações espúrias do presidente: “[…] Em nome do presidente da República, Jair Bolsonaro, e de todo o Governo Federal, gostaria de iniciar este pronunciamento me solidarizando com todas as famílias que perderam seus entes queridos por causa da pandemia da Covid-19”. Foi comovente. Se ele já tivesse sido vacinado, teria caído uma lágrima de crocodilo (ou jacaré)…

Depois agradeceu aos profissionais de saúde, tentando valorizar uma instituição que há, bem pouco tempo, esteve na mira da privatização por este mesmo governo: “[…] Também gostaria de agradecer a todos os profissionais de saúde que atuam incansavelmente para salvar as vidas de nossos cidadãos. Graças à dimensão do Sistema Único de Saúde, o nosso SUS, mais de sete milhões de brasileiros estão recuperados”.

O próximo passo, depois de mostrar toda a sua humanidade e gratidão a quem realmente vem trabalhando durante toda a pandemia, foi lançar sutilmente a informação que todos esperavam: “[…] Agradeço, também, aos técnicos e a toda a nossa equipe do Ministério da Saúde que têm se empenhado para QUE A VACINAÇÃO ESTEJA À DISPOSIÇÃO DA POPULAÇÃO O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL. Hoje, o Ministério da Saúde está preparado e estruturado em termos financeiros, organizacionais e logísticos para executar o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. O BRASIL JÁ TEM DISPONÍVEIS CERCA DE 60 MILHÕES DE SERINGAS E AGULHAS NOS ESTADOS E MUNICÍPIOS. Ou seja, UM NÚMERO SUFICIENTE PARA INICIAR A VACINAÇÃO DA POPULAÇÃO AINDA NESTE MÊS DE JANEIRO”.

Mas, peraí, seu ministro! Quando é O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL? – Não há resposta. E vejam que declaração feita com maestria para confundir a cabeça de todos que assistiram ao pronunciamento (inclusive a imprensa brasileira)! Com isso, só não enxerga quem não quer: Trocando em miúdos, o que o ministro disse foi que O BRASIL TEM SERINGAS E AGULHAS DISPONÍVEIS em NÚMERO SUFICIENTE PARA INICIAR A VACINAÇÃO EM JANEIRO. Mas a pergunta (sem resposta) é: QUANDO EM JANEIRO? EM QUE DATA? E, convenhamos, enquanto o Governo Federal não declarar oficialmente uma DATA, essa declaração não passa de mera especulação!

O ministro falou que o país vai receber seringas e agulhas nos próximos meses, mas a verdade é que uma data para o início da vacinação simplesmente NÃO EXISTE! O discurso foi todo construído em cima de promessas e especulações. NÃO TEMOS VACINA AINDA!

O resto do pronunciamento tratou de questões burocráticas como as negociações com a Pfizer e, talvez para remendar a declaração do presidente sobre o Brasil estar “quebrado”, o ministro deu uma leve esperança para aqueles que verdadeiramente importam para o governo – os investidores: “[…] seremos também EXPORTADORES DE VACINA para a nossa região MUITO EM BREVE”. Mas até mesmo os investidores devem estar se perguntando: MUITO EM BREVE, QUANDO, SEU MINISTRO?

E como não poderia deixar de acontecer em governos tendenciosamente autoritários, o ministro deu a notícia de que o presidente havia assinado uma MEDIDA PROVISÓRIA que trata de MEDIDAS EXCEPCIONAIS PARA AQUISIÇÃO DE VACINAS ANTES DO REGISTRO SANITÁRIO OU DA AUTORIZAÇÃO TEMPORÁRIA DE USO EMERGENCIAL PELA ANVISA. O curioso é que, até um dia antes do pronunciamento do ministro, praticamente, a Anvisa é que era a grande guardiã zeladora da segurança dos cidadãos. E, agora, parece que a entidade está se transformando no grande entrave contra a vacinação. Vai entender!

O populismo e o discurso ideológico não poderiam ficar de fora no pronunciamento do ministro, ao assegurar que “[…] TODOS OS ESTADOS E MUNICÍPIOS RECEBERÃO A VACINA DE FORMA SIMULTÂNEA, IGUALITÁRIA E PROPORCIONAL à sua população”. E, “no que depender do Ministério da Saúde e do presidente da República, A VACINA SERÁ GRATUITA E NÃO OBRIGATÓRIA”. Terminando, assim, o pronunciamento com um gostinho de fascismo escorrendo no canto da boca: “Brasil imunizado! Somos uma só nação! Muito obrigado”.

Seis dias se passaram e lá veio, hoje, o seu ministro dar mais uma notícia fantástica: “A VACINA VAI INICIAR NA HORA H E NO DIA D”!

Pronto! Agora, sim, temos uma data bastante razoável!

Hoje, viver no Brasil é bem parecido com viver num clipe de música dos anos 90 (dos Engenheiros do Hawaii): “Na hora H, no dia D, na hora de pagar pra ver, ninguém diz o que disse (não era bem assim). Na hora H, no dia D, na hora de acender a luz, ninguém dá nome aos bois (tudo fica pra depois)”… E a verdade, como sempre, fica a ver navios!

*Silvio Neto é jornalista e pilota o blog “A Vida é Foda” (aliás, recomendo, saquem lá).

Afinal, ele está ou não está? – Égua-moleque-tu-é-doido!

Essa é a capa da mais nova edição da revista Crusoé.
E então, ele está ou não está?
Eis uma pergunta que não quer calar.
Uma pergunta que há muito, mas há muito tempo permeia o debate sobre o caráter, a personalidade e o temperamento desse personagem.
Um pergunta que, para ser respondida, exigiria necessariamente um diagnóstico psiquiátrico.
Enquanto o diagnóstico não chega, convenhamos que o mais trágico de tudo é o seguinte: independentemente das respostas a essa pergunta, é inquestionável que o personagem segue fazendo e falando loucuras. Todo dia, o dia todo.
Segue com uma insensibilidade à flor da pele.
Segue ignorando o comedimento, a moderação, o apreço e o aprumo ético que se exigem do exercente do cargo de presidente da República.
Isso não é uma loucura?

Fonte: Espaço Aberto.

Por que, afinal de contas, Bolsonaro não consegue fazer nada? Égua-moleque-tu-é-doido!

Enfim, uma confissão expelida, expurgada das entranhas – sabe-se lá quais – de Bolsonaro.

Mas, afinal de contas, por que esse cidadão não consegue fazer nada?

Porque, em tese, é um líder; mas não lidera nada.

Porque, desde o primeiro dia em que assumiu o mandato, atirou o Brasil no ridículo, condenando-o ao risco de afundar-se no isolacionismo, o que já está acontecendo.

Porque tem envergonhado, todo dia, o dia todo, o Brasil e os brasileiros.

Porque sequer compreende o que precisa, de fato, fazer.

Porque é um imoderado – inclusive quando protagoniza alocuções irresponsáveis diante de fanáticos que o aplaudem sem sequer saber por que o estão aplaudindo.

Porque é incompetente para governar.

Porque, na prática, não governa (é um fantoche de outros que o fazem por ele, inclusive quando o mandam calar a boca para evitar a eclosão de crises e mais crises).

Porque é um fanático – negacionista – travestido de presidente da República.

Porque não consegue intuir que é o presidente do Brasil, e não de facções que o cercam.
Porque não consegue alcançar as dimensões – políticas, inclusive – do cargo que ocupa.

Porque transformou o exercício da presidência num desonroso esporte em que se compraz em debochar de tudo.

Porque debocha da realidade.

Porque debocha do País.

Porque debocha das pessoas.

Porque apartou-se de sentimentos construtivos e internaliza, a cada dia, posturas e sentimentos de crueldade, como o de não conseguir demonstrar compaixão por quase 200 mil pessoas que já morreram de Covid-19 no Brasil.

Arte de Ronaldo Rony

Enfim, Bolsonaro não consegue fazer nada porque, convenhamos, nunca, jamais, em tempo algum, conseguiu fazer nada como homem público, a não ser escabujar verbalmente os mais tenebrosos horrores.

É por tudo isso – ou também por tudo isso – que Bolsonaro nada consegue fazer.

Fonte: Espaço Aberto.

Era uma vez um bando de jornalistas – Distopia tragicômica de Fernando Canto

Temos um grupo de WhatsApp, popular aplicativo de conversas pela internet, chamado “Fuleiragem com Cerveja”. Lá a gente brinca, fala coisas sérias e bobagens. A maioria dos componentes são jornalistas. Ontem (30), após uma enxurrada de “figurinhas”, o escritor Fernando Canto postou:

“Ninguém escreve neste grupo de jornalista”. Aí passamos uns cinco minutos tirando sarro do amigo. Eu mesmo coloquei: “já escrevo o dia todo, rapá”. E uma amiga: “não escrevo, estou aqui pela cerveja”. Logo em seguida, o genial e hilário escritor publicou esse continho, cheio de ironia fina e tragicomédia distópica:

Era uma vez um bando de jornalistas – Distopia tragicômica de Fernando Canto

Era uma vez um bando de jornalistas cansados e coronovirados que perderam os dedos e o paladar.

Toda noite quando chegavam do trabalho iam beber umas brejas sem saber se era mesmo cerveja o que bebiam. O dono do pub ria e ria . Kkkkk. Os “otaros” tomavam mijo gelado e nem percebiam.

Um dia, um gordo assessor de comunicação, experiente que só, percebeu a filhadaputisse do master da beer house e quebrou o estabelecimento como um ninja panda todo de preto.

A polícia foi chamada. Eles explicaram que suas línguas só serviam pra falar e não tinham mais dedos para fazer sexo.

Os policiais se compadeceram deles e os executaram chorando, naquela noite fatídica que comoveu todo mundo na avenida Francisco Xavier de Mendonça Furtado.

Uma assessora jurídica do Tribunal de Justiça olhou os gorpos gordões em decúbito dorsal na paisagem da avenida, naquela noite em que a temperatura baixava e disse:

– É melhor tacar fogo nesses energúmenos anti-heróis antes que caia uma tempestade de neve tropical.

Todo mundo foi embora e o dia amanheceu branco como a espuma da cerveja de urina.

O legista viu os cadáveres e vomitou nauseabundo, pois jamais tinha visto tamanha crueldade com jornalistas que nunca mais haviam escrito nem porra.

*É por essas e outras que amo ser amigo dessas figuras (risos). 

2020: Temos o que comemorar? – Crônica de Silvio Neto

Imagem: placevale73.tumblr.com

Crônica de Silvio Neto

O ano de 2020 foi um ano bissexto, quer dizer, a cada quatro anos, temos um dia a mais no calendário, mais precisamente o dia 29 de fevereiro. Mas, calma! Geralmente é só isso que se repete a cada ano bissexto.

Segundo o horóscopo chinês, 2020 foi o ano do Rato, começando a 25 de janeiro. Na mitologia chinesa, o rato representa a criatividade; a solução de problemas; a imaginação; o trabalho hiperativo e respeitado por sua capacidade em resolver situações difíceis; a intuição, com a capacidade de adquirir e preservar coisas e valores… E, curiosamente, nunca precisamos tanto destas qualidades nos últimos cem anos, para conseguirmos superar como pudemos, este ano de 2020.

O sol entrou em Aquário a 20 de janeiro inaugurando, segundo alguns uma Nova Era que vinha sendo esperada desde os anos de 1960, quando, na letra de uma das músicas daquele inesquecível musical da Broadway, Hair, a Lua estaria na Sétima Casa e Júpiter, alinhado com Marte, guiaria os planetas à Paz e o Amor comandaria as estrelas… Tudo muito lindo, mas infelizmente… muito fantasioso.

O fato é que tivemos um ano bem difícil! Em janeiro, chegamos muito perto de uma 3ª Guerra Mundial, com ataques entre bases do Irã e dos Estados Unidos no Oriente Médio. Cerca de 500 milhões de animais completamente indefesos morreram numa série de incêndios na Austrália. O Reino Unido saiu, formalmente, da União Europeia e, em menos de uma semana, um tal de novo coronavírus infectou mais de dez mil pessoas e matou mais de 200. Em 30 de janeiro a Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou um “surto de doença respiratória de novo coronavírus em estado de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional.

Em fevereiro, o novo coronavírus chegou ao Brasil, com um primeiro caso na cidade de São Paulo.

No dia 11 de março, a OMS declara como “pandemia a doença do surto de novo coronavírus no mundo”. As reações são imediatas no incrível mundo globalizado: Os mercados de ações globais sofrem seu maior declínio em um único dia desde a segunda-feira negra de 1987. Era o primeiro sinal de desespero. Eventos como as Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2022; Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA; Campeonato Europeu de Futebol de 2020 e Copa América de 2020; Festival Eurovisão da Canção 2020 e até os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 são cancelados.

Em abril, no dia 10, o Brasil chegou às primeiras 1.000 (mil) mortes por COVID-19. Mostrando que isso não era só “uma gripezinha”, como insistia em dizer o presidente daqui… Enquanto isso, nos Estados Unidos, os casos confirmados de COVID-19 chegaram a 1 milhão, também mostrando que não era algo “inofensivo e passageiro” como insistia em dizer o presidente de lá…

Em maio, com 330 mil infecções, o Brasil superou a Rússia e se tornou o segundo país com mais casos confirmados de COVID-19 no mundo. E o presidente insistindo em minimizar a situação. Como se não bastasse, mais animais silvestres morrem, desta vez, no Pantanal Matogrossense.

Em junho, com mais de 41 mil mortes, o Brasil superou o Reino Unido e se torna o segundo país com mais mortes de COVID-19 no mundo. Mas o presidente e seu exército de fanáticos continuam negando a gravidade da situação. Já era 1 milhão de casos confirmados de COVID-19.

Em agosto, o número mundial de mortes causadas pela COVID-19 já ultrapassava a marca de 700 000 e o presidente da Rússia declarou que o país já havia aprovado a primeira vacina do mundo contra a doença. Mas até hoje não sabemos se era verdade ou só um porre de vodka do Putin…

Em setembro, o número mundial de mortes causadas pela COVID-19 ultrapassa a marca de 1 milhão.

Em outubro, o Brasil atingiu 5 milhões de casos confirmados de COVID-19 e superou as 150 mil mortes causadas pela doença. Como se não bastasse tanta tragédia ao longo do ano, ataques terroristas voltam a abalar a França pela selvageria – vítimas foram decapitadas na rua, em plena luz do dia.

Em novembro, finalmente, apesar de mais dias terríveis, sem luz, sem água, sem comida e sem dinheiro aqui no Amapá, começam a aparecer as boas notícias. Primeiro, Donald Trump perde as eleições nos Estados Unidos, não conseguindo se reeleger, apesar de até hoje estar esperneando e fazendo beicinho.

Os fascistas apoiados por Bolsonaro levam uma surra nas urnas e quase nenhum dos vermes consegue se eleger para prefeito, vereador ou síndico de condomínio… Até que no dia 2 de dezembro o Reino Unido aprovou a vacina BNT162b2 da Pfizer, sendo o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina contra a COVID-19.

Ainda em dezembro, no dia 21, Júpiter não se alinhou com Marte, como diria a música, mas com Saturno, num evento que só acontece aproximadamente a cada 400 anos. Os astrônomos disseram que se tratava do mesmo fenômeno astronômico descrito na Bíblia como a Estrela de Belém, que teria guiado os Reis Magos até a manjedoura onde acabara de nascer Jesus, o Cristo, cerca de 2020 anos atrás.

Talvez este evento sirva para lembrar – pelo menos aqueles que se importam com a magia da vida neste planeta – que, por mais que o ano tenha sido difícil, sempre há uma esperança. E a luz sempre acaba rompendo a escuridão, por mais assombrosa que ela seja.

Ao longo do ano, muita coisa boa também aconteceu, tanto individualmente como coletivamente. Nos primeiros meses, o isolamento social forçado pela pandemia ajudou a fazer com que a natureza voltasse a respirar um pouco e regenerasse seus recursos. Foram registrados altos índices de melhoria nas condições do ar e de muitos mananciais de água. Muitos gestos de amor ao próximo de anônimos se fizeram perceber por várias partes do mundo. Muitas pessoas reavaliaram suas vidas, seu valores, suas prioridades. Outras encontraram um sentido na vida em ajudar alguém. Pudemos perceber, pela primeira vez em anos – talvez em séculos – o quanto estávamos já isolados de nós mesmos e das coisas e pessoas que realmente importam nas nossas vidas e tivemos a chance de nos reaproximarmos de nós mesmos, de convivermos com nós mesmos, até de perdoarmos a nós mesmos…

(Ilustração: Manuel Granja)

Óbvio que para muitos o egoismo continua prevalecendo. São aqueles que negam tudo o que aconteceu e ainda está acontecendo. São aqueles que se recusam a usar uma simples máscara. São aqueles que se recusam a tomar uma vacina que vai, se não acabar, pelo menos controlar mais um pouco o avanço desse vírus e desse caos. São aqueles que acreditam que o planeta é uma tábula rasa, que só o dinheiro salva e que comunista come criancinhas – quando na verdade, muito padre de reputação ilibada é quem está sendo preso por “comer” criancinhas a redor do mundo…

Ainda assim, acredito piamente que 2020 é um ano que tem muito o que comemorar. E mais! Que jamais deverá ser esquecido!

Perdemos e continuamos a perder muita gente querida. É triste. Mas eu aprendi que as coisas são como são. Simplesmente é assim. E temos que conviver com isso. Vamos sofrer? Vamos. E muito! Mas não tem nada errado em sofrer. As lições mais importantes da vida são aquelas que nos chegam geralmente pelo sofrimento e pela dor. Mas isso não é desculpa para querer deixar de viver. Muito pelo contrário.

O que precisamos fazer é mudar nossa atitude perante a vida e aproveitar e celebrar cada minuto que temos como se fosse o último, seja por causa de pandemia, de guerra, de ataques terroristas, ou simplesmente pelas agruras do nosso cotidiano.

*Silvio Neto é jornalista e pilota o blog “A Vida é Foda” (aliás, recomendo, saquem lá).