“Ele acha que vão fazer uma busca e apreensão em casa” – Disse Milton Ribeiro – Égua-moleque-tu-é-doido!

Analistas de todos os matizes – inclusive, vale destacar, os antibolsonaristas – têm insistido na tese de que Bolsonaro tem um enorme poder de resiliência. Traduza-se: acham que, se ele não fosse ele, Bolsonaro já teria derretido há muito tempo, senão mesmo já teria até sofrido um impechment, tal o potencial destrutivo, deletério, devastador, pernicioso e assolador de seu (des)governo, o pior dos últimos 4.500 anos de história do Brasil.

Essa avaliação não é de todo desprovida de fundamento, considerando-se que, muito embora seja o que é – o pior governante do Brasil em 400 milênios -, Bolsonaro ainda consegue manter aquele eleitorado cativo, em torno de 30% de fanáticos que o apoiam incondicionalmente.

Mas toda resiliência tem limites. E o limite da resiliência do Incorruptível pode ser o escândalo tsunâmico que vai se desenhando, após revelar-se que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, preso na última quarta-feira (22) por suspeita de corrupção no MEC, disse no dia 9 de junho, em conversa com uma filha, que recebeu uma ligação de Jair Bolsonaro(PL) em que o presidente dizia temer ser atingido pela investigação da Polícia Federal contra Ribeiro.

A única coisa meio… hoje o presidente me ligou… ele tá com um pressentimento, novamente, que eles podem querer atingi-lo através de mim, sabe? É que eu tenho mandado versículos pra ele, né?“, disse Ribeiro para a filha. O trecho está em investigação da Polícia Federal.“Ele quer que você pare de mandar mensagens?”, pergunta a filha.

Não! Não é isso… ele acha que vão fazer uma busca e apreensão… em casa… sabe… é… é muito triste. Bom! Isso pode acontecer, né? Se houver indícios, né?“, afirmou o ministro.

Isso é um escândalo. É um crime sem tamanho. É a prova – indesmentível, insofismável, irretorquível, robusta e sólida – de que o governo corrupto de Bolsonaro sempre interferiu e interfere na Polícia Federal, conforme já acusara, aliás, seu então ministro Sergio Moro, ao desligar-se da Pasta da Justiça.

É urgente, inadiável, inapelável e imprescindível a abertura de uma CPI, se possível mista, para apurar as responsabilidades do presidente da República por violação de sigilo e obstrução da Justiça. É urgente.

 

Fonte: Espaço Aberto.

E hoje em dia, como é que se diz “Eu te amo” ? – Crônica de Elton Tavares – (do livro “Papos de Rocha e outras crônicas no meio do mundo”)

Sempre que escuto a velha Legião Urbana, entro em um portal do tempo/espaço e a cabeça viaja para um montão de memórias afetivas e pessoas, situações e etc. Música é fogo, nos transporta para antigos lugares e reflexões distintas.

Certa vez, há mais de uma década, em meio às canções (e entre as paixões, como diria Milton), que foram trilha sonora da longínqua adolescência, li um recado da Lorena Queiroz, minha prima “Loloca”, que morava em Brasília (DF) na época e hoje em dia está em Florianópolis (SC). Nele, ela disse: “Aí primo…quando leio estas coisas, até me aperta o coração, também te amo e morro de saudades. Beijo!.” (eu havia deixado na página dela do extinto Orkut duas palavras: te amo).

Vou explicar. Sou um cara cascudo, brabo, encrenqueiro, irônico e genioso, mas também sou amoroso com minha família e amigos. É uma sequência de “eu te amo para cá”, “eu te amo para lá” e assim vai. Isso acontece todos os dias, seja ao acordar e dar um beijo na minha mãe, ao telefone com o meu irmão (que mora em Belém), quando vou à casa da minha avó e digo “eu te amo” a ela e minha tia. Foi assim com várias outras pessoas que amo. Sim, amo uma porrada de gente, graças a Deus!

Não tenho vergonha de dizer “eu te amo”, principalmente quando sinto muita vontade. Sabem por que? Em 1996, meu avô faleceu em um acidente automobilístico. Eu estava em Belém, de férias. Retornei à Macapá e meu saudoso pai estava arrasado. Quando perguntei como ele estava, Zé penha (meu velho) foi categórico:

“Ta foda!”, e um “tá foda” descreve muito bem aquela situação. O que me marcou foi quando ele disse: “Nunca disse ao meu pai que eu o amava e eu nunca mais deixarei de fazer isso”.

Aquilo foi um toque, desde então, não parei de declarar meu amor aos meus. Acredito que precisamos sempre dizer que amamos as pessoas que realmente amamos, seja um parente direto ou alguém que vale muito para você. Muitos lerão isso aqui e vão achar que é frescura ou algo assim, mas parafraseando o velho Renato (duas vezes): “O mundo anda tão complicado. E hoje em dia, como é que se diz: “Eu te amo.”?

Se você é um cara daqueles antigões, que acha isso uma grande besteira, tente bicho, verás como é legal. Afinal, esquisito é não expressar nada, isso sim é bobagem. Então fica a dica, digam “eu te amo” para seus pais, filhos, irmãos, parentes, cônjuges e amigos, se isso for “de rocha”, claro.

Elton Tavares

*Do livro “Papos de Rocha e outras crônicas no meio do mundo”, de minha autoria, lançado em novembro de 2021.

Tcherere tchê tchê / Tchereretchê / Tchê, tchê, tchê – Cachê da Prefeitura, mas só critico a Rouanet

Eu não conhecia, não sabia quem era Gusttavo (com dois tês mesmo) Lima.

Podem me chamar de idiota, mas confesso que não o conhecia. Isso até uns dez dias atrás.

Quando vi esse nome citado numa profusão de manchetes envolvendo dinheiro público, cheguei a pensar que o personagem fosse um antigo jogador do glorioso Combatentes, aquele time que despontou aqui em Belém até o início dos anos 1970. Mas logo concluí que o Combatentes nunca teve nenhum Gusttavo Lima em seu plantel. Então, tratei de conhecer quem é essa celebridade de quem tanto falam.

O cara é fera mesmo. Antes de mais nada, é bolsonarista (Heil, Führer!).

Cantor, compositor, produtor e arranjador, ele também é multi-instrumentista. Toca tudo, menos banjo. O resto, ele traça tudo. Também vi que num dos seus shows recentes, em Londres, vários jogadores do Chelsea estiveram na plateia. Inclusive o zagueiro Thiago Silva.

Aí, continuei a conhecer melhor Gusttavo Lima e deparei-me com um de seus maiores sucessos. Chama-se Balada. É uma composição de singeleza e profundidade comoventes. Só tem três estrofes – portanto, só duas a mais, por exemplo, que o Parabéns pra você.

A música, que você pode ver no vídeo acima, se é que já não a viu há muito tempo, resume-se a isto:

Eu já lavei o meu carro, regulei o som / Já tá tudo preparado, vem que o brega é bom / Menina fica a vontade, entre e faça a festa / Me liga mais tarde, vou adorar, vamos nessa.

Gata, me liga, mais tarde tem balada / Quero curtir com você na madrugada / Dançar, pular que hoje vai rolar

O tchê tcherere tchê tchê / Tcherere tchê tchê / Tcherere tchê tchê / Tchereretchê / Tchê, tchê, tchê / Gusttavo Lima e você.

Pronto. Acabou a música. É só isso mesmo!

Assim, numa interpretação livre, digamos assim, Tchê tcherere tchê tchê / Tcherere tchê tchê pode ser tudo. Como também pode não ser coisa nenhuma.

Tipo assim: pode ser uma noite de prazeres inenarráveis com a gata que ligou. Como também podem ser imoralidades indescritíveis feitas com o dinheiro público. Fica a critério do entendendor descobrir o sentido do Tchê tcherere tchê tchê / Tcherere tchê tchê / Tcherere tchê tchê / Tchereretchê / Tchê, tchê, tchê.

E na real?

Na real, o Ministério Público de Roraima apura o pagamento de um cachê de R$ 800 mil a Gusttavo Lima para um show no município de São Luiz. Considerando a população do município, de 8.232 pessoas, cada cidadão estaria pagando cerca de R$ 97 pelo show.

Na real, a Prefeitura de Conceição do Mato Dentro (MG) resolveu cancelar um show de Gusttavo Lima, que custaria aos cofres da cidade o valor de R$ 1,2 milhão. O contrato previa que a prefeitura pagasse a hospedagem de 40 pessoas da equipe do cantor “no melhor hotel da região” e se responsabilizasse com os gastos diários de alimentação, fixados em R$ 4 mil. Além disso, o executivo deveria fornecer o transporte do local para o artista, músicos, técnicos e produção.

Na real, vejam só, o deputado e pré-candidato à Presidência da República André Janones (Avante) destinou uma emenda de R$ 7 milhões ao município de Ituiutaba (MG). Desse valor, R$ 1,9 milhão será destinado à feira agropecuária do município. Entre os vários shows agendados, estava um de Gusttavo Lima.

Tem mais.

Na real, Zé Neto, também bolsonarista que faz uma dupla sertaneja com Cristiano (também cheguei a pensar que fosse uma velha dupla de área que jogou no extinto Júlio César, mas não era), disse o seguinte, há umas duas semanas, durante show no Mato Grosso:

“Estamos aqui em Sorriso, no Mato Grosso, um dos estados que sustentaram o Brasil durante a pandemia. Nós somos artistas e não dependemos de Lei Rouanet, nosso cachê quem paga é o povo. A gente não precisa fazer tatuagem no ‘toba’ para mostrar se a gente está bem ou não. A gente simplesmente vem aqui e canta e o Brasil inteiro canta com a gente”.

A referência à “tatuagem no ‘toba'” foi uma provocação à cantora Anitta.

Pós é.

Zé Neto tem razão. “Nosso cachê quem paga é o povo”.

Que o diga Gusttavo Lima.

Tchê tcherere tchê tchê / Tcherere tchê tchê / Tcherere tchê tchê / Cachê da Prefeitura, mas só critica a Rouanet.

Fonte: Espaço Aberto.

O MEC vira um sorvedouro de ministros. Para dar jeito, só mesmo o Professor Bolsonaro

O Incorruptível: só ele para salvar o MEC, que virou praticamente o hospício do bolsonarismo

Então, é assim: caiu o ministro da Educação, Milton Ribeiro.

O Incorruptível não resistiu às pressões e, envergonhado de admitir que ele próprio é o principal mentor e personagem de mais uma história escabrosa de corrupção, acabou afastando o subalterno.

E assim, o MEC vai fazendo história como a casa de loucos do Bolsonarismo.

Ou como um sorvedouro de ministros.

Primeiro, foi Ricardo Vélez Rodríguez, o desparafusado.

Depois, veio Abraham Weintraub, que em verdade fugiu não do MEC, mas do Brasil.

Em seguida, veio Carlos Alberto Decotelli da Silva, o breve, que renunciou cinco dias após assumir o ministério, quando descobriram que suas titulações acadêmicas não eram autênticas.

Aí, foi a vez de escalarem esse Milton Ribeiro, o amigo de pastores que intermediaram verbas a peso de 1 quilo de ouro.

Que venha o próximo.

Se não tiver mais ninguém disponível, o Professor Bolsonaro, ele mesmo, poderá assumir a pasta, já que sabedoria, inteligência e alma pura, vocês sabem, não lhe faltam.

Fonte: Espaço Aberto.

“Eu sou a lenda:” Will Smith dá tapa em Chris Rock no Oscar 2022 – Égua-moleque-tu-é-doido!!

Ator Will Smith dá tapa no rosto de Chris Rock após piada durante a premiação do Oscar 2022 – Neilson Barnard/Getty Images

Uma cena no Oscar 2022 deixou o público de queixo caído. O ator Will Smith subiu ao palco para dar um tapa no comediante Chris Rock, que apresentava parte da cerimônia.

O tapa, apesar de parecer cenográfico, não estava no roteiro da premiação. Na ocasião, Will Smith exclamou palavrões, algo terminantemente proibido em eventos ao vivo na TV americana.

Will Smith reagiu a uma piada de Chris Rock sobre sua mulher, a atriz Jada Pinkett Smith, em tratamento contra uma doença autoimune chamada alopecia, que gera calvície. No palco, Chris Rock comparou Jada à personagem G.I. Jane, interpretada pela atriz Demi Moree no filme “Até o limite da honra” (1997). No longa, a personagem tem o cabelo raspado porque faz parte da Marinha.

Reação do público, na hora do tapa, no Oscar 2022: Imagem reprodução via rede social Twitter

Deixe o nome da minha mulher fora da p**** da sua boca”, gritou o ator, após dar o tapa na cara de Chris Rock e voltar para a plateia. Na sequência, Jada e Denzel Washington conversaram com Will Smith e o acalmaram. Ambos trocaram palavras sobre o ocorrido enquanto Jada se ajoelhava, em tom de desespero, diante do marido.

Imagem reprodução via rede social Twitter

Eu sei que em nossa profissão temos que ser capazes de aceitar abuso, ouvir loucuras, ouvir pessoas nos desrespeitando, sorrir e fingir que está tudo bem. Então Denzel Washington me disse, e eu adorei ouvir isso, que “nos meus melhores momentos, preciso ter cuidado, pois é aí que o diabo vem” — contou Will Smith, chorando, após a confusão. — Quero ser um caminho para o amor.

Meu comentário: Eu, que já era fã do Will, agora sou muito mais. Égua-moleque-tu-é-doido!!

Fonte: Exame.

Dois anos de pandemia: a gente perde o chão quando falta saúde – Crônica de Elton Tavares

 


2020 não foi fácil pra ninguém. 2021 não foi diferente. 2022 amenizou, mas a pandemia, mesmo enfraquecida, persiste. Durante dois anos, cada um de nós perdeu um amigo, parente ou conhecido que gostava. Realmente a gente perde o chão quando falta saúde. Hoje, 14 de março, completou dois anos que estamos travando uma guerra desleal contra esse vírus.Continuo grato a Deus por não ter morrido de Covid-19. Mas lamento as perdas, sobretudo do meu núcleo de amor, minha avó, que amanhã (15), completa um ano de saudades.

Foram dois anos fazendo esforços. A maioria dos irresponsáveis não quis fazer e não faz. Dois anos de negação, torpeza e omissão criminosa do mito satânico e seus asseclas que plantam um jardim de lápides. Só lamento pelas estúpidas atitudes daqueles tempos tão difíceis. Pagamos a penitência de ter colocado esses caras no poder, mas a esperança não morre sem ar.

Só de lembrar, fico triste e puto com aqueles irresponsáveis. É como diz o adágio popular: “a ignorância faz devotos”. A população assistiu a tudo numa calma quase hipnótica. Mas quem não acordou com a triste realidade, a gente surrou com fatos.

Eram telefonemas doloridos, mensagens assustadoras, posts terríveis sobre partidas nas redes sociais. As mortes somaram milhares de vítimas. Isso só no Brasil. Destes, mais de mil no Amapá. Parece uma cruel realidade paralela. Uma distopia, um purgatório e, às vezes, um inferno contínuo, quando contamos nossos mortos.

Nas melancólicas escuras e silenciosas horas da noite, resmunguei, orei, me indignei e chorei incontáveis vezes. Na maioria daqueles dias e noites, doses cavalares de álcool ajudaram a flutuar na tormenta.

Apesar da pandemia retroceder e a vacinação avançar, graças a Deus, seguimos obstinadamente lutando por nossas vidas. Continuo cauteloso e com cuidados, mesmo os mandatários afirmarem que nem de máscaras precisamos mais. Porém, ainda uso.

Enfim, foram dois anos de um pesadelo,  pois a verdade é que a gente perde o chão quando falta a saúde de quem amamos. Pense nisso e cuide bem dos seus amores!

Elton Tavares

Poema de agora: Carnaval da guerra – @julio_miragaia

Foto: Diego Ibarra Sanchez

Carnaval da guerra

O que é a guerra, senão
O carnaval de todas as tristezas,
O meio-dia do nada na mesa,
Um bombardeio de ansiedade e desespero?

O que é a guerra, senão
Alvorada quente e esfumaçante,
Acompanhada pelo peso da voz
Do inimigo esmagado pelo tanque?

Foto: Diego Ibarra Sanchez

O que é a guerra, senão
O antes e o agora cara a cara,
Em solitários açougues humanos,
Cidades inundadas de luto?

O que é a guerra, senão
A despedida como ordem cega
E a ressaca dos escombros sobre corpos
E a ressaca dos escombros sobre almas?

Foto: Diego Ibarra Sanchez

O que é a guerra, senão
O sorriso nos lábios do medo
E o futuro embriagado em febre
No olhar de uma criança estraçalhada?

Júlio Miragaia

Égua-moleque-tu-é-doido!!: Amapá registra 1.442 casos de Covid em 24h

 


O Governo do Amapá atualizou na última quinta-feira (20) o boletim com as informações sobre a Covid-19 no estado.

O boletim traz mais um recorde diário: são 1.442 novos casos confirmados, sendo 873 em Macapá, 151 em Santana, 134 em Laranjal do Jari, 84 em Porto Grande, 51 em Vitória do Jari, 50 em Oiapoque, 29 em Serra do Navio, 16 em Calçoene, 14 em Amapá, 13 em Tartarugalzinho, 10 em Pedra Branca do Amapari, 10 em Ferreira Gomes e 7 em Mazagão.

Desta vez, não há registro de óbitos no boletim. Portanto, desde o início da pandemia o Amapá tem 132.389 casos confirmados, 2.033 óbitos e 116.961 pessoas recuperadas.

Centro Covid do Santan Inês, em Macapá. Foto que circulou nas redes sociais.

O número de pessoas com covid-19 em isolamento hospitalar nas redes pública e privada é de 101 pacientes, sendo 80 confirmados e 21 suspeitos.

Entre os casos confirmados, 73 estão no sistema público (43 em leito de UTI / 30 em leito clínico) e 7 estão na rede privada (4 em leito de UTI / 3 em leito clínico).

Os 21 casos suspeitos estão na rede particular, todos em leito clínico.

Com isso, o percentual de ocupação dos leitos voltados para o atendimento da covid-19 no Amapá é de 55,9% considerando as redes pública e privada.

Fonte: Diário do Amapá.

A “Confraria dos Otaros” – Uma crônica barateira de Elton Tavares e Fernando Canto (ilustrada por Ronaldo Rony)

Noite dessas, durante conversa com o Fernando Canto, ele me falou que alguns poetas do Amapá estão (pasmem!) comprando diplomas de instituições literárias gringas ou títulos com padrinhos tipo William Shakespeare (exemplo genérico, pois são vários figurões da arte literária mundial). Pensei: égua-moleque-tu-é-doido! Como diria esse último monstro da Literatura citado: “Há mais coisas entre o céu e a terra tucuju do que pode imaginar nossa vã filosofia”. É ou não uma verdadeira “Confraria dos Otaros”?

Má rapá. É deslumbramento e uma necessidade de se autovenerar. E pior, pelos nomes citados pelo amigo Canto, que para mim é o maior escritor vivo deste nosso lugar no mundo, alguns dos apadrinhados/diplomados pelos vultos literários são falsos intelectuais. Sim. Daqueles que nem falam e nem escrevem direito, mas…

Não entendemos o motivo dessa pavulagem. Sério mesmo. Não que queiramos atravessar vários minutos de discussão ou encher o saco dessas figuras. É que estou admirado mesmo.

A propósito, ancorados em suas inteligências superiores, será que esses intelectuais “otaros” ficam mostrando uns aos outros seus diplomas ou títulos, meio que competindo por quem tem um padrinho ou documento com mais peso histórico/literário e pensam que isso reflete em suas mentes foscas as fazendo brilhar?

Deve ser a tal “Teoria do Medalhão” do Machado de Assis. E ainda vão dizer que nossas críticas são motivadas por inveja. Afinal, todos temos o direito inalienável de sermos considerados inteligentes do jeito que queremos nos iludir. Né, não?

Somos amigos de alguns verdadeiros gênios. Mas eles são humildes. Sem essa boçalidade típica da “Confraria dos Otaros”. É como disse Nelson Rodrigues: “dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro”. Com certeza. Também compra um diploma de sabido ou apadrinhamento de figurão da história, falecido há séculos (risos).

Mas por que “Confraria dos Otaros”? Trata-se de parte de uma frase usada para o mesmo significado (otário), pois antes de ser atributo de pessoas de má fé, ingênuas, carrega o peso da vaidade. E toda vaidade é ilusória, fútil, jactanciosa e frívola, ainda mais no meio artístico em que muitos dos seus protagonistas se acham talentosos e dizem estar além da capacidade comum dos mortais. Muitos desses pavões se danam a produzir gestas sobre si mesmo, mas são verdadeiros valdevinos literários, estando ou não em grupos ou academias, o que, aliás, é o que não falta no Brasil. Para entrar em algumas delas basta comprar o diploma, como o fazem os falsos médicos e enganadores profissionais.

Um diploma ou uma medalha comprada não caracteriza um autor, pelo contrário, o ridiculariza perante os que não se deixam enganar pela fatuidade apresentada, tão típica dos que querem porque querem ser admirados, mesmo que não mereçam.

Não queremos com esta crônica ofender a honra de alguém ou de alguns. Entretanto, o pélago existente entre os “otaros” e os que levam a literatura a sério é maior que a Sofia do Porto de Santana e mais extenso que uma pororoca que havia no Araguari. Esses glabros de letras deviam era se esmerar para produzir uma literatura que nos faça melhor, que nos torne mais felizes e parar com essa onicofagia nervosa e permanente de autobajulação.

Ainda bem que vem uma geração com a literatura pulsante nas veias por aí. Por exemplo: os poetas Gabriel Guimarães in “Ágil Peste Celeste – Poemas Primeiros” (Portugal – Brasil – Angola – Cabo Verde), Chiado Books, 2021; Lara Utzig, in “Efêmera”, publicado pela editora Lura (2020); Rafael Massim, in “Amores, o Meio do Mundo e Outras Contemplações”, Edição do Autor, Macapá, 2020 e Gabriel Yared com o romance “Semente de Sangue”, Editora Corvus, Feira de Santana/BA, 2021. São escritores jovens, assim como muitos outros que estão revelando seu talento pós-pandemia.

Há alguns que ainda não publicaram livros, mas que estão “bombando” nas redes sociais, como é o caso de Jaci Rocha, Lorena Queiroz e outras tão marcantes quanto essa. Se não caírem nas asas da presunção, podem se tornar verdadeiras pedras angulares que sustentarão nossa literatura no futuro, ainda que lidar com a personalidade de artistas seja meio complicado.

Apesar dessas otarices, temos grandes escritores e poetas, homens e mulheres como Manoel Bispo, Alcinéa Cavalcante, Maria Ester, Paulo de Tarso, Ronaldo Rodrigues, Tiago Quingosta, Lulih Rojanski, Pat Andrade, Marven Junius Franklin, entre tantos outros, que não precisam de títulos ou de medalhas adquiridas pela compra, e que já estão inscritas na história da nossa literatura com muito mérito.

É verdade que cada um tem suas próprias escolhas por isso não condeno quem quer que seja, nem posso julgar a relação desses poetas com as instituições das quais fazem parte, pois não as conheço a não ser das postagens jactantes nas redes sociais. Sobre isso creio que o patrono Shakespeare já se antecipou, referindo em “Hamlet, Príncipe da Dinamarca”: to be, or not to be, that is the question.

E, antes que nos chamem de invejosos, digo estas palavras meio chulas oriundas do tupi (te’bi): toba ou não toba, ora vão tomar. A questão não é nossa. Enfim, essa galera deve achar uma bobagem antiquada aquele papo de “ler para ser”. E, sim, resolvemos escrever esse texto só de sacanagem, para rirmos depois. É isso!

Elton Tavares e Fernando Canto

A gente já riu muito de vocês, otaros!

*Uma dica: boa parte da “Confraria dos Otaros” apoiou a rasteira na poeta Pat Andrade.

Governo francês declara estado de emergência sanitária na Guiana Francesa, na fronteira com Brasil

Ponte Binacional que liga a fronteira entre Brasil e Guiana Francesa — Foto: Divulgação/Préfecture de la Guyane

O governo francês decretou estado de emergência sanitária em vários de seus territórios ultramarinos em razão da aceleração da pandemia de Covid-19 alavancada pela variante ômicron. A Guiana Francesa, na fronteira com o Brasil, faz parte das regiões atingidas, assim como Saint Barthélemy, Guadalupe e Saint-Martin, no mar do Caribe, além de Maiote, no Oceano Índico. A decisão é de quarta-feira (5).

“Diante da capacidade hospitalar desses territórios e dos baixos índices de vacinação da população, a atual onda epidêmica da Covid-19 representa uma catástrofe sanitária que coloca em risco a saúde da população”, resume o decreto apresentado no Conselho dos Ministros, em Paris. Com a medida, as autoridades locais podem impor um regime de lockdown ou outros dispositivos, como o toque de recolher, para manter a população em suas casas e evitar aglomerações.

O governo tem constatado um “aumento considerável” de casos fora da França metropolitana. Além dos territórios anunciados nesta quarta-feira, o estado de emergência sanitária já havia sido declarado em 27 de dezembro na ilha da Reunião, no Índico, e na Martinica, no Caribe.

As autoridades alertam principalmente para os baixos níveis de vacinação registrados nessas regiões, onde ainda existe muita resistência à imunização. Apenas cerca de 40% da população dos territórios ultramarinos franceses, em média, recebeu a primeira dose da vacina anticovid.

Barcos na orla de Oiapoque e ao fundo a Ponte Binacional que liga Brasil e Guiana Francesa — Foto: Maksuel Martins/GEA

Saturação dos hospitais

O caso da Guiana Francesa, separada do Brasil pelo Rio Oiapoque, no norte do Amapá, é um exemplo citado frequentemente pelas autoridades. O território tem cerca de um terço de sua população vacinada.

“Com esse nível de imunização, os riscos de desenvolvimento de formas graves da doença aumentam e podem levar rapidamente a uma saturação das estruturas hospitalares”, alerta o decreto.

E governo lembra que a situação já é preocupante na Guiana Francesa, onde “o índice de ocupação dos leitos em serviços de reanimação já é superior a 190% da capacidade inicial”.

Como na França metropolitana, a vacinação não é obrigatória na Guiana. Mas o passaporte sanitário, documento que prova que seu portador foi vacinado ou fez um teste com resultado negativo recentemente, é exigido para ter acesso a bares, restaurantes e atividades esportivas e culturais.

No entanto, a regra nem sempre é aplicada e o uso de máscaras de proteção nem sempre é respeitado, o que potencializa a circulação do vírus, principalmente diante da capacidade de contágio da variante ômicron, que já está presente na região.

A facilidade de entrada e saída do território, em razão das fronteiras difíceis de controlar tanto do lado do Suriname, ao oeste, como do lado brasileiro, ao sul, tornam a contenção dos casos ainda mais complexa.

Na cidade guianense de Saint Georges, a apenas alguns minutos de barco de Vila Vitória e de Oiapoque, do lado brasileiro, a travessia é intensa e praticamente nenhum controle é feito.

A ponte que liga as duas margens ficou fechada durante meses, mas o tráfego de barcos improvisados continuou sendo tolerado, já que muitas pessoas trabalham ou estudam dos dois lados da fronteira. O Amapá não tem casos confirmados, nem suspeitos da ômicron.

Fonte: G1 Amapá.

Hoje é a última sexta-feira de 2021. Portanto, divirta-se!

Hoje é a última sexta-feira de 2021. Assim como todas as outras, dia de tomar umas cervas, ver os amigos e escutar música bacana. Afinal, dezembro é só festas, portanto, vamos celebrar ao quadrado.

Que for de dança que dance, de goró que beba, de namorar que namore. Só não dá pra ficar chocando em casa sozinho. Caia dentro do último findi do ano de voadora. Divirta-se ao máximo, pois já já será 2022 e a recarga de energia positiva ajudará nas atividades, nem sempre bacanas, nos dias que virão no ano novo.

Evite desentendimentos, não cerque boca e não tome Kaiser, aquela cervejinha sem vergonha. Bora celebrar a vida com muita alegria e seguir em frente. Se você tem saúde, não desperdice a última sua sexta-feira de 2021!

Elton Tavares

Site De Rocha completa 12 anos no ar

Parece que foi ontem, mas já faz 12 anos. O ano de 2009 foi bem legal, mas as duas coisas que mais gostei nele foram o show do Radiohead e a criação do blog De Rocha.

Incentivado por uma ex-namorada, comecei escrever na página virtual. Foi no dia 15 de novembro, há exatos 12 verões e um dia.

A gíria “De Rocha” nomeia este site porque nós, grande parte dos nortistas amapaenses e paraenses, a usamos quando queremos passar credibilidade sobre determinado assunto.

Na página, sempre publiquei fotografias, notícias, músicas, poesias, futebol, crônicas, contos, gifs, informes sobre fatos, eventos, pessoas públicas, bandas, arte, muita arte, e assuntos de interesse da população.

A promoção da cultura, em todas as suas vertentes, sempre foi o principal objetivo do De Rocha, além de expor meus pontos de vista, críticas leves e pesadas ou elogios amenos e exagerados aos que merecem. Foram tantos artistas, músicos, bandas, incontáveis eventos. Também publiquei textos do trampo por onde passei como assessor de comunicação. Além disso, falei muito da minha amada e preciosíssima família. E isso tudo misturando blá-blá-blá abobrístico, pois a vida sem humor é horrível.

Apesar da “internet soviética”, como diz o amigo jornalista Régis Sanches (ex-colaborador deste site), dos acusadores, fiscais e críticos, o De Rocha virou sucesso. Confesso que, quando comecei a escrever, nem imaginava que minha página virtual seria tão bem aceita. Isso aqui abriu portais, portas, janelas, gavetas e até alçapões em minha vida (risos).

Sei que rolou muito atrevimento, ironia, polêmicas, sarcasmo, verdades doloridas de se ler, alfinetadas, acidez e até bobagens de minha parte. Mas também rolou tanta homenagem, tanto amor real, tanta coisa legal. Claro que cometi alguns erros, não poderia ser de outro jeito. Mas tudo é aprendizado. Me arrependo de ter magoado algumas pessoas. De verdade!

Por aqui passaram vários colaboradores. Alguns deles nem são mais meus amigos, mas sou grato pelas contribuições. Cada um teve papel importante na formação deste espaço. Também agradeço aos parceiros que continuam por aqui. Em especial aos amigos Fernando Canto, Ronaldo Rodrigues, Jaci Rocha, Patrícia Andrade, Alcinéa Cavalcante, Luiz Jorge, Marcelo Guido e Marcelle Nunes, além do velho e saudoso Tãgaha Luz (In memoriam). Ah, os caras que fazem a manutenção do boteco: Rômulo Ramos e Laerte Diniz. Obrigado, meninas e caras.

O blog morreu há sete anos, quando foi criada esta página eletrônica (dados do antigo endereço foram migrados para cá). Passado todo esse tempo, mantenho-me como comecei: jornalista, assessor de comunicação, compulsivo por atualizações da página, cronista, crítico, ex-blogueiro e editor de um site ético sem rabo preso com ninguém (apesar de muita gente confundir o espaço dado a amigos assessores com favorecimento).

Tenho a ousadia de usar as palavras do escritor Caio Fernando Abreu: “acho que fiz tudo do jeito melhor, meio torto, talvez, mas tenho tentado da maneira mais bonita que sei”. Uma eterna luta do bem contra o mal dentro de mim, mas com 99% de vitórias da luz.

Ah, desculpem os palavrões em alguns textos, mas isso também é liberdade de expressão.

Muitas das crônicas de minha autoria foram reunidas em dois livro, um já lançado em 2020, o “Crônicas De Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”; E o “Papos de Rocha e outras crônicas no meio do mundo”, que será lançado no próximo dia 22 de novembro.

Aqui a bola sempre foi minha. Você pode discordar, mas é isso o que penso e ponto. Com essa frase, agradei a maioria. Meu muito obrigado a vocês, senhores e senhoras que compõem o leitorado do De Rocha, sejam admiradores, críticos e detonadores (que de certa forma também são admiradores). Sigamos aplaudindo, criticando, discordando e incentivando as boas práticas. Valeu!

Elton Tavares

“Emendas do relator” são mais um estupro bolsonarista. Desta vez, um estupro da ética e da transparência

Rosa Weber: decisão saneadora e moralizadora contra um estupro da ética que tem a participação direta, decisiva e entusiasmada do puro e imaculado Jair Bolsonaro

A decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando a suspensão integral e imediata da execução dos recursos oriundos das chamadas “emendas do relator” relativas ao orçamento deste ano, é saneadora, moralizadora, republicana e constitucional.

Mentirosamente, bolsonaristas já se entregam ao único esporte que os seduz: tentam mostrar que Bolsonaro não tem nada a ver com esse peixe, ou seja, com esse instrumento imoral e indecente, pelo qual se confere ao relator do orçamento o poder de distribuir, ao bel-prazer de interesses fisiológicos, recursos bilionários que beneficiam apenas parlamentares da base governista, aí incluídos, é claro, os do Centrão.

Mas Bolsonaro tem, sim, tudo a ver com esse peixe.

No dia 20 de agosto deste ano, o Palácio do Planalto informou que ele havia sancionado a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) com veto às emendas de relator e de comissões. Mas no dia 23 de agosto, quando a sanção foi publicada no Diário Oficial da União, os vetos não estavam lá e as emendas foram mantidas.

O que mudou nesse intervalo? Bolsonaro, é claro, cedeu à reação de parlamentares aliados. A primeira versão da sanção da LDO realmente previa o veto às emendas de relator e de comissões. Mas isso gerou reação de aliados no Congresso. Eles fizeram chegar ao Palácio do Planalto a discordância sobre esse ponto. E pronto. Aí estão as emendas do relator, nas quais regalam-se os fisiológicos do Congresso para manipular bilhões de reais, longe das vistas e dos olhos da sociedade, daí chamar-se a esse instrumento indecoroso de “orçamento secreto”.

Bolsonaro fisiológico – Eis aí mais um exemplo de que o Bolsonaro incorruptível, transparente, puro, imaculado, infenso a práticas da velha política não passa de uma ficção, de uma invenção. O Bolsonaro que está aí, devastando o Brasil e transformando-o em pária aos olhos do concerto das Nações, é o Bolsonaro fisiológico, com nenhum apreço pela ética e pela transparência.

Essa imoralidade flagrante já ensejou uma operação da Polícia Federal (PF) para investigar pelo menos três deputados e um senador sob suspeita de participarem de um esquema de “venda” de emendas parlamentares no Congresso. O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, admitiu recentemente, em audiência na Câmara, “não ter dúvida” de que há corrupção envolvendo recursos federais indicados por parlamentares via emendas do tal orçamento secreto.

Aliás, em sua decisão liminar, a ministra Rosa Weber observa que o Tribunal de Contas da União (TCU), ao julgar as contas do governo Bolsonaro referentes a 2020, verificou aumento expressivo na quantidade de emendas apresentadas pelo relator do orçamento (523%) e no valor das dotações consignadas (379%) sem que fossem observados quaisquer parâmetros de equidade ou eficiência na eleição dos órgãos e entidades beneficiários dos recursos alocados.

Imoralidade – Constatou, ainda, a inexistência de critérios objetivos, orientados pelos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência para a destinação dos recursos, além do comprometimento do regime de transparência, pela ausência de instrumentos de prestação de contas (accountability) sobre as emendas do relator-geral.

“Causa perplexidade a descoberta de que parcela significativa do orçamento da União Federal esteja sendo ofertada a grupo de parlamentares, mediante distribuição arbitrária entabulada entre coalizões políticas”, afirmou a ministra.

Para a relatora, é incompatível com a forma republicana e o regime democrático a validação de práticas institucionais por órgãos e entidades públicas que promovam o segredo injustificado sobre os atos pertinentes à arrecadação de receitas, à efetuação de despesas e à destinação de recursos financeiros, “com evidente prejuízo do acesso da população em geral e das entidades de controle social aos meios e instrumentos necessários ao acompanhamento e à fiscalização da gestão financeira do Estado”.

É assim: no Brasil de Bolsonaro, a corrupção continua a grassar desbragadamente. Com o estímulo e a participação (vide os casos Covaxin e das rachadinhas) de Bolsonaro, esse cidadão puro, imaculado, transparente e incorruptível.

Fonte: Espaço Aberto.

Um ano do apagão: Nunca vi uma noite como aquela. Nunca vivemos um período como aquele

Macapá na noite de terça-feira (3/11/2020) – Foto: Aog Rocha

Crônica de Elton Tavares

Eu nunca tinha visto/vivido uma noite como aquela. Parece que todos os raios do planeta caiam somente nesta cidade equatorial, nosso lugar no mundo. A tempestade era digna de um filme apocalíptico, raios e trovões que parecia que o céu estava desabando sobre nossas cabeças, algo surreal. E tudo isso dentro de uma crise pandêmica, pois há exatamente um ano, quando ocorreu o apagão no Amapá, a Covid-19 matava dezenas de pessoas por dia em nosso estado.

Sim, na noite de 3 de novembro de 2020, dos 16 municípios amapaenses 13 deles foram afetados com um apagão de energia elétrica, causado por uma pane em um transformador (o qual a concessionária amapaense não tinha equipamento reserva) que durou mais de 20 dias. Foi uma tragédia. Uma humilhação. Uma catástrofe sem precedentes.

Imagem: Fantástico/G1 Amapá

Teve fome, agonia, tristeza. Teve letargia no socorro que nunca chegava. Teve prejuízo, revolta, resignação. Teve protestos/guerra nas redes sociais e nas ruas. Teve solidariedade, teve descrédito e pouca esperança. Teve medo. Teve pessoas assistindo a tudo sem fazer nada. Uns por egoísmo, outros por conveniência. Teve desespero!

Com o apagão, vivemos as crises sanitária e energética aterrorizantes. O Governo Federal demorou a nos ajudar, mesmo com o esforço mútuo de instituições e parlamentares locais. Foram muitos os heróis conhecidos e anônimos que ajudaram pessoas naqueles dias sombrios com distribuição de milhares de cestas básicas em comunidades e periferias nas cidades tomadas pela escuridão. O esforço dessas pessoas foi crucial para colocar comida na mesa de famílias cuja renda foi ceifada pela pandemia e falta de energia.

Imagem: Fantástico/G1 Amapá

Teve um rodízio de energia desleal. Dividida em dois turnos – de 0h às 6h e 12h às 18h ou de 6h às 12h e 18h às 0h – a retomada parcial do serviço, prevista para durar uma semana, se estendeu por quase um mês e impôs todo tipo de limitações aos amapaenses. Aliás, passamos de todos os limites naquela época tenebrosa.

A interrupção no fornecimento de energia elétrica no Amapá já se estendeu por 22 dias (oscilando entre blecautes, racionamentos e rodízios de energia), sendo que os efeitos danosos deste “apagão” foi uma tristeza difícil de contar em apenas uma crônica. Aquela loucura foi o maior e mais prolongado apagão na história do país.

Sim, foi em novembro de 2020 que o mundo acabou para muitos. Ultrapassamos a linha e o Amapá se viu dentro de um abismo escuro. O que a vida reservou pra gente, hein? O único aprendizado na dor enquanto aqueles dias se arrastaram, cheios de perdas, revolta e notícias tristes, foi sermos solidários. Pelo menos foi o que aprendi.

Um dia, após a Covid-19 ser erradicada de vez, talvez eu escreva um livro com o título: “Depois do Fim do Mundo – Uma crônica para sobreviventes”.

Apesar do melancólico e inimaginável período, seguimos iluminados pelo dom da vida. Espero que não, sinceramente, não tenhamos que viver aquilo nunca mais. Pois é triste lembrar. Uma pena que tenha sido assim!

*Revisão e edição da amiga jornalista Gilvana Santos.