Lei Aldir Blanc: com apoio da Secult/AP Virada Cultural virtual terá mais de 12 horas de atrações do Amapá

Com um misto de vários segmentos da cultura amapaense, como dança e música, a Virada Cultural está marcada, de forma virtual, para o sábado (24), a partir das 12h. Contando com mais de 12 horas de atrações, a programação será transmitida ao vivo pelas redes sociais Youtube e Facebook (veja os links no final da matéria).

A programação é uma realização da Oca Produções e conta com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult/AP), que auxilia por meio do edital Rato Batera. O edital foi proporcionado pela Lei Aldir Blanc, criada para dar suporte à arte e cultura durante a pandemia.

O evento inclui segmentos diversos, tais como gastronomia, artesanato, poesia, fotografia, teatro, capoeira, dança, marabaixo, música e circo.

Artistas como Osmar Júnior, Verônica dos Tambores, Yanna Me, Nathal Villar, Jander Farias e bandas como S.O.S à Banca, Banda Paralelo liderarão a parte musical enquanto os grupos Essência da Amazônia, Cia. de Dança Comigo tomarão a parte da dança.

Estão escalados para as apresentações de capoeira o grupo do Professor Super Preto, Associação Internacional de Capoeira Mestiçagem, Capoeira Arte que Encantou o Mundo e Centro de Cultura Capoeira Raízes do Brasil.

Com a fotografia estão Aog Rocha e Tom Quaresma. Já na gastronomia teremos as delícias de Antônia Mareia com a barraca da Nega Biluca. O teatro segue com as apresentações de Moana e De Janeiro a Dezembro.

Os grupos de marabaixo serão representados pela associação Grupo Manoel Felipe, enquanto o artesanato conta com as artesãs Lucidalva Pena e Carla Christine. A literatura está representada por Patrícia Andrande.

Os interessados podem participar do evento por meio dos links abaixo:
Instagram: https://www.instagram.com/ocaproducoesap/
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC2tzAkof21qP6pQMvIkJExQ

PHOTO GRAFIA: o olhar de Aog Rocha sobre o cotidiano em reflexos e sombras

Aog Rocha traz para essa live a proposta de uma exposição de fotografia, apresentando uma série composta por imagens, chamada PHOTO GRAPHIA, onde registra reflexos e sombras produzidas a partir da posição da luz por meio de objetos diversos. Toda a concepção do trabalho foi feita com um smartphone, desde a captura, até a edição das fotos, trabalhadas por vários ângulos, até chegar ao resultado, apresentado em um vídeo de 30 minutos, onde Aog compartilha com o público suas experiêcias e vivências, pois precisou ficar em isolamento total por alguns dias por ter contraído o COVID-19. Foi um momento de reflexão profunda para o artista diante dos últimos acontecimentos, por isso a necessidade de se reinventar, de investigar novas possibilidades que dialogassem com o que estamos vivenciando.

Aog Rocha

Max Renê gira a roda da vida. Feliz aniversário, amigo! – @max_rene

Com o Max, em 2013

 

Sempre digo que o jornalismo me deu muitos amigos. Sim, trouxe inimigos também, mas pra estes eu não ligo. Hoje, uma dessas figuras paid’éguas com quem tive a honra e o prazer de trabalhar, muda de idade. Gira a roda da vida, nesta quarta-feira (3), o excelente fotógrafo, Max Renê Santana.

Talentoso fotojornalista, pai amoroso de dois caras, marido apaixonado, vascaíno sofredor convicto e meu parceiro, Max já me ajudou incontáveis vezes e sou grato por isso. Renê é um figura discreto, trabalhador (cai dentro do trampo como poucos que conheço), sereno, bem humorado, ultra-prestativo, batalhador e muito responsável. Assim como eu, Renê cumpre as missões dadas e gosto de profissionais assim.

Conheci o brother em 2011. Trabalhamos juntos na assessoria de comunicação do Governo do Amapá e construímos uma relação recíproca de brodagem e paideguice.

O cara é tão bom como fotógrafo institucional , quanto publicitário, pois Renê é um cara que estuda a fotografia. Acompanhei seu crescimento como retratista e o amigo se tornou mestre no ofício de congelar momentos com pixels. Ele é Phoda!

Sempre brinco com Max sobre uma vez que ele quase me matou, mas é uma história impublicável, sobre uma presepada engraçada. A gente sempre ri dessa merda (risos).

Max Renê é, sobretudo, um homem de caráter, companheiro fiel e um cara do bem. Sua amizade é preciosa pra mim. Mesmo que a gente passe tempos sem nos vermos ou nos falarmos, sempre torço pelo sucesso dele. Ah, se alguém falar mal dele, desconfie dessa pessoa, pois esse doido é demais de boa. Quem sabe um dia trabalharemos juntos novamente. Seria mesmo muito porreta!

Uso a citação de outro querido amigo, o experiente jornalista Édi Prado, sobre meu sentimento em relação a pessoas como Max Renê: “a gente não sabe quais os motivos dos nossos encontros nessa vida ou quais os motivos que nos levar a gosta de alguém. Mas acho que o que vale mesmo é o sentimento de carinho e demonstração de amor enquanto estamos vivos. Se o que temos pra lembrar são os momentos e as fotografias“.

Com o Max, em 2019

Max, velho amigo, que tu sigas ilustrando a escrita da vida com tuas belas fotos, sempre com esse sucesso de espalhar a alegria com as pessoas que divides essa existência. Tu és um cara porreta e eu dou valor no senhor. Que teu novo ciclo seja ainda mais produtivo, rentável e paid’égua. Parabéns pelo teu dia. Saúde e sucesso sempre. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Exposição fotográfica abre as comemorações do aniversário da cidade, no Amapá Garden Shopping

Nos dia 31 de janeiro a 7 de fevereiro, o Amapá Garden Shopping apresenta a exposição “I’ã: Fotofragmentos de uma Amazônia Amapaense”, obra do artista plástico e fotógrafo, Paulo Rocha, ativista cultural. A exposição apresenta um processo criativo que reúne documentação e arte, e utiliza-se da linguagem fotográfica como reveladora das singularidades do cotidiano amazônico, a partir de conceitos fundamentais da cosmologia Wajãpi, falantes nativos da língua Tupi que habitam o território transfronteiriço do Amapá-Guiana Francesa.

O fotógrafo explica que para os Wajãpi – aquilo que compreendemos como “imagem” – estaria para além do registro fotográfico, trata-se de alma, memória e experiência, sintetizadas no termo I’Ã, uma componente de cada indivíduo, que pode ser compreendida como “princípio vital” e identificada em qualquer ser por intermédio da pulsação e da palavra. Ser capaz, através de um click, captar o instante em que, de certo modo, todas as coisas se compõem antes de se dissolverem na desordem do mundo é o grande desafio da fotografia contemporânea, que o artista traz para si.

A exposição já foi apresentada em espaços culturais do Amapá e de Minas Gerais. O conjunto da obra evidencia a cidade de Macapá, a diversidade natural, cultural e o cotidiano amazônico-amapaense.

“É um olhar poético e diferenciado que valoriza as pessoas e narra detalhes do cotidiano muitas vezes esquecidos pelas nossas retinas cansadas pelo excesso de imagens na era da informação, mas que se deixam capturar em fotofragmentos por uma lente curiosa, lúdica e experimental”, diz Paulo.

Nesta edição especial para as comemorações do aniversário de 263 anos da cidade de Macapá, a exposição incluiu uma sessão especial que circulou no projeto Batuque, Preces e Louvores do Quilombo do Curiaú realizado pela Companhia Ói Nóiz Akí no Ceará, Recife e Rio de Janeiro através do Programa Caixa Cultural 2019.

Serviço:

Exposição “I’ã: Fotofragmentos de uma Amazônia Amapaense”

Data: 31/01 a 07/02
Hora: Seg a sábado das 10h as 22h, e aos domingos 12h as 22h
Local: Loja 144, Amapá Garden Shopping
Endereço: Rodovia JK, 2141, Universidade
Contato: Paulo Rocha (96) -98412-4600
Informações: Márcia Fonseca (96) 98406-1389.

Márcia Fonseca – Assessoria de comunicação

Lindeza: balneário Água Fria em Pedra Branca do Amapari

Foto: Elton Tavares

Por Luís Lopes

O nome deste lugar não é a toa. A água realmente é gelada! O balneário de fica no distrito de Água Fria, no rio que leva o mesmo nome, em Pedra Branca do Amapari. Quem passa por este município, distante 187 km de Macapá, o balneário de Água Fria é parada obrigatória.

Lá possui uma estrutura mínima para receber os visitantes, como mesas e bancos. Fique a vontade para tomar sua cervejinha e fazer seu churrasquinho (sempre lembrar para não extrapolar e incomodar os outros visitantes).

Tenha atenção especial para crianças, idosos e aqueles que bebem um pouco mais, pois a correnteza é forte. Ah, muito cuidado com as pedras no meio do rio (sempre tem o engraçadinho mais atrevido). Muita cautela!

Foto: Elton Tavares

Como chegar

O acesso para Pedra Branca do Amapari é pela rodovia BR-210 (também conhecida de Perimetral Norte. O balneário de Água Fria fica a 3,5 km, aproximadamente, da sede municipal de Pedra Branca do Amapari (sentido Serra do Navio). Não tem erro!

Fonte: Trip Amapá

 

Poema de agora: Epifania num fim de tarde – Jaci Rocha

Foto: Elton Tavares

Epifania num fim de tarde

Estas horas mornas
Onde o vento faz a curva lentamente
E o silêncio dá lugar
Ao zum zum zum do espaço
Os meninos batem bola pela rua
E a tarde cai, sem pressa de chamar a lua…

Estas noites cálidas
Como o sopro de um anjo manso e preguiçoso
Que leva e traz o canto da curica sonolenta
No tempo-espaço que se modifica
Faz a gente repensar a vida…

Perguntar o por que de tanta pressa,
Pra quê a urgência da chegada,
Se o sol nasce e renasce pela estrada
E ‘ às seis’ pode se um dia qualquer…
Se a pressa do encontro
Não acelera o curso da maré (Que a gente é)

Que a gente é
Como esse rio
Como esse vento
E esse dia, que bonito e lento
Cumpre sua missão…

Jaci Rocha

Poema de agora: Belém dos meus encantos (em homenagem aos 405 anos da capital paraense)

Belém (PA) completa 405 anos hoje. Já fiz muitas ondas legais nessa cidade e a capital paraense é o lar do meu irmão, cunhada e sobrinha. Foto: Ewerton França.

Belém dos meus encantos

Lá vem Belém,
moreninha brasileira,
com perfume de mangueira,
vestidinha de folhagem.
E vem que vem,
ligeirinha, bem faceira,
como chuva passageira
refrescando a paisagem.

Lá vem Belém,
com suas lendas, seus encantos,
seus feitiços, seus quebrantos,
seus casos de assombração.
E vem que vem,
com seu cheirinho de mato,
com botos, cobra Norato,
com rezas, defumação.

Lá vem Belém,
recendente, feiticeira,
no seu traje de roceira,
na noite de São João.
E vem que vem,
com seus banhos de panela,
alecrim, jasmim, canela,
hortelã, manjericão.

Belém – PA – Foto: Elton Tavares

Lá vem Belém,
a Belém dos meus encantos,
dos terreiros, Mães de Santo,
das crendices, do pajé.
E vem que vem,
com sobrados de azulejo,
vigilengas, Ver-o-Peso,
na enchente da maré.

Lá vem Belém.
No dia da Trasladação
vela acesa, pé no chão,
sempre firme em sua fé.
E vem que vem,
o povo implorando graça,
sempre que a Berlinda passa
com a Virgem de Nazaré.

Lá vem Belém,
junto de Nossa Senhora,
dia do Círio ela implora
saúde, paz e dinheiro.
E vem que vem
o povão, o povo inteiro
porque Deus é brasileiro
e Jesus nasceu em Belém.

Sylvia Helena Tocantins
Escritora e membro da Academia Paraense de Letras

*Contribuição do jornalista Ewerton França.

Prodap está com inscrições abertas para curso de edição de fotografia

Por Sidney Marques Cardoso

O Governo do Amapá está com inscrições abertas, em Macapá, para o curso de edição de fotografia, ofertado gratuitamente, dentro do projeto Cidadão Digital, desenvolvido pelo Centro de Gestão da Tecnologia da Informação (Prodap). As inscrições para o curso de edição de fotografia (Lightroom) vão de 28 de setembro até 2 de outubro, e devem ser feitas, exclusivamente pela internet no site www.processoseletivo.ap.gov.br, onde também está disponível o edital.

No total, são ofertadas 30 vagas no turno vespertino, porém, quem não puder acompanhar a aula em tempo real, pode assistir depois a qualquer momento. Do total de vagas, 5% são destinadas a pessoas com necessidades especiais, mantendo a base de dados para cadastro reserva. O curso tem carga horária de 12 horas. O resultado final do processo seletivo será divulgado no dia 9 de outubro. O início das aulas será no dia 19 de outubro.

Devido ao momento de pandemia, nesta edição o curso será ministrado totalmente online, fazendo uso de tecnologia do Centro de Gestão da Tecnologia da Informação (Prodap). As avaliações vão ocorrer no próprio ambiente virtual. Para efeito de conclusão do curso e certificação, o aluno deverá cumprir o mínimo de 75% de frequência.

O curso de Lightroom é voltado para edição de imagens que envolve todo o processo de criação através de módulos como: gerenciamento e classificação de arquivos; revelação digital de um arquivo RAW e configurações avançadas do programa lightroom.

Pré-requisitos

Os candidatos pré-selecionados precisam possuir idade mínima de 16 anos de idade; possuir conhecimentos básicos de sistemas operacionais como OSX, Windows ou Linux), internet, manipulação de imagem, conhecimento em fotografia como tirar fotos em formato RAW, e possuir internet que permita acessar as transmissões ao vivo das aulas.

Projeto Cidadão Digital

O Projeto Cidadão Digital está inserido no Programa Amapá Jovem, do Governo do Amapá dentro do Planejamento Estratégico de Tecnologia da Informação e Comunicação (PETIC) do Prodap dentro do Plano de Governo do Estado do Amapá que visa atender a Política Estadual para a Juventude, na intenção de possibilitar ao aluno uma nova perspectiva de trabalho e renda, quebrando barreiras e levando ao desenvolvimento a partir da tecnologia com cursos de audiovisual.

PAKUÁ – 1º Prêmio Brasileiro de Fotografia Aérea abre inscrições no dia 15 de setembro

Foto divulgação.

Cada vez mais as imagens aéreas se apresentam como um novo olhar de concepção do espaço, produzindo em nós uma memória visual da realidade geográfica em suas diversas manifestações cotidianas. Afim de ampliar essa discussão e construir narrativas inéditas sobre essa nova perspectiva dos cenários brasileiros, a Montenegro Produções Culturais, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e patrocínio da Sideral Linhas Aéreas e Helisul, lança o PAKUÁ – 1º Prêmio Brasileiro de Fotografia Aérea. As inscrições abrem no próximo dia 15 de setembro. “A criação de um projeto cultural precisa levar em consideração algumas variáveis que garantem o engajamento do público, a democratização dos bens culturais, a formação de plateia e o fomento da arte. O PAKUÁ cumpre todos esses requisitos”, explica Carolina Montenegro, gestora da Montenegro Produções Culturais.

Como parte integrante de um projeto de ARTES VISUAIS, que traz em seu resultado uma exposição que integra fotografia e ilustração em releituras inéditas das paisagens, cenários e particularidades do patrimônio nacional, a iniciativa reúne nomes de peso da fotografia. “Os drones são um ponto de virada nesta modalidade. Ainda são caros por aqui, mas já começam a assumir um papel importante na arte. Já temos todo tipo de fotógrafo usando drones, de fotodocumentaristas a fotógrafos de moda. O Brasil é um país imenso e lindo. Um país que está se redescobrindo quando visto do céu. E isto é empolgante!”, destaca Guilherme Zawa, curador da mostra e da premiação. A comissão julgadora da premiação será formada pelos brasileiros Guilherme Pupo, Cássio Vasconcellos e Daniel Castellano, que também terão suas obras expostas no projeto. O francês Florian Ledoux, que registra grandes títulos internacionais de fotografia aérea, será o convidado do projeto para sobrevoar o Paraná e fotografar as principais paisagens do estado.

Photo: Daniel Castellano

O título do projeto tem origem no tupi-guarani, cujo significado se apresenta como a junção das palavras céu, tudo e pessoa. O resultado dessa leitura ficou sob responsabilidade do designer, hoje sediado em Portugal, Caio Vitoriano, que traduziu os elementos na criação da identidade visual do projeto. “A imagem traz uma espécie de cabeça, olho e membros. Um olho errante que busca algo que nunca viu, e se viu que enxerga aquilo já visto de maneira inédita. Um olho que pensa, promovido a cabeça; um olho enquanto câmera e olhar como alma desse corpo”, conta Vitoriano.

Os interessados em participar do Prêmio poderão inscrever três opções de fotos até o dia 15 de outubro e, após esta data, será realizada a curadoria e seleção das imagens pelo fotógrafo Guilherme Zawa. “O Prêmio vai incentivar um campo ainda em crescimento no Brasil, mas que precisa de incentivo. A nossa expectativa é nos surpreendermos com a qualidade das fotografias que virão e também dos excelentes fotógrafos e fotógrafas ainda desconhecidos”, comenta o fotógrafo, que destaca que as imagens aéreas serão avaliadas de acordo com o tema proposto, além da criatividade, originalidade e qualidade técnica do autor.

Curitiba, Parana, Brasil, 28 de agosto de 2018. Legenda:
Foto: Guilherme Pupo

Drones, câmeras profissionais e cursos de fotografia estão entre os prêmios que serão entregues aos vencedores e o resultado será divulgado até dia 21 de dezembro. As melhores imagens serão expostas por 30 dias em uma mostra no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais.

Pakuá – 1º Prêmio Brasileiro de Fotografia Aérea

Período de inscrições: de 15 de setembro a 15 de outubro de 2020

Resultado do concurso: até 21 de dezembro de 2020

Link para inscrição e regulamento: www.montenegroproducoes.com

Serviço:

Jéssica Amaral
IEME Comunicação
www.iemecomunicacao.com.br
www.facebook.com/iemecomunicacao
[email protected]
41 3253-0553 – ramal 14
41 98824-3994

Três Poemas Profundamente Curtos de Luiz Jorge Ferreira

Sobre o partir

Eu já parti muitas vezes,
Parti de Macapá, sem trem, e sem asas.
A boca cheia de farinha d’água…( para malinar com a fome…)
Parti tanto, tonto, ontem…
Hoje talvez, chegar, nem saiba mais…

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

Sobre o Amapá

Tenho um paneiro perdendo estrelas pelas bordas…arrasto-o pelas Praias da Fazendinha, deixando um rastro que o Rio lambe.
Tenho um cheiro e uma pele sem cor, que eu cicatrizo no retrato de uma Kodak.
Chove saudade entre Quartos Crescentes e Luas Novas.

Foto: Cinema Infância anos 60

Sobre a Infância

Passeio era ir ao Mercado de Peixes, ver os Urubus apaixonados, pelo pitiú.
Ver o vento moleque sacudir suas caudas.
Molecagem era estilingar nos cães, um Cometa.
Emoção era furtar um doce por conta do açoite do dia anterior.
Domingo na estreia de um filme proibido, queria ser adulto.
Segunda-feira com a bola de meia, queria ser menino.
Felicidade era ir ao Mercado ver os Urubus, dançando sob os cutucões do vento que entravam Mercado
adentro para fechar os olhos dos peixes congelados.

Luiz Jorge Ferreira
*Do Livro Beco das Araras – Editora Scortecci – 1990 – São Paulo.

Sobre Palafitas e a Maré de ser gente – Conto de Jaci Rocha

Foto: Manoel Raimundo Fonseca.

Conto de Jaci Rocha

Era um dia ensolarado, daqueles de doer nos olhos, quando o sol está no ‘cio’, aqui pelo Equador. A beira do rio, à foz da fortaleza, o Amazonas ardia e brilhava, a ponto de encandear o olhar.

Meu pai pescava com meus irmãos, em uma canoa embaixo de uma ponte, que unia as estradas entre Macapá e Santana.

Foto: Floriano Lima

Eu – a pequena que não conseguia parar quieta e em silêncio – fiquei ‘na terra’, brincando com a filha do vizinho, sob o olhar de meu pai. Brincávamos sobre as palafitas que encobriam a superfície, pois em tempo de maré baixa, abaixo das palafitas, o mundo era feito de argila, barro que adquiria um brilho dourado e espelhado. Gostava de contemplar aquele chão.

Foto: Floriano Lima

E nesse contemplar, tudo era belo e descoberta. Um peixinho em uma poça de água que a maré havia ‘deixado’, uma plantinha desconhecida…e foi assim que, por sobre as frestas da palafita, entre bonecas e panelinhas, meu olhar enxergou uma nota de um ‘alto’ valor – ao menos, para minha tenra infância, – repousada sobre o barro.

Foto: Manoel Raimundo Fonseca.

Eram tempos da moeda ‘cruzado’. Empolgada, iniciei uma grande expedição de resgate do ‘pequeno tesouro’. Planejei milimetricamente, fui até o início da palafita e, esgueirando o corpo – absolutamente longe dos olhos de meu pai – mergulhei naquele mar de lama. Peguei a tão sonhada nota e voltei, triunfante e suja até os cabelos.

Foto: Manoel Raimundo Fonseca.

Tomei banho e aguardei o pescador voltar com os frutos dos trabalhos do dia. Ele veio sorridente. Eu estava banhada e de cabelos trançados, balançando a nota, sorridente. A maré do Amazonas começava a subir e um vento brincava com o vestido rosa claro que usava. Eu estava feliz e orgulhosa da ‘conquista’.

Foto: Manoel Raimundo Fonseca.

Aqueles olhos que chegaram brilhando fecharam o tempo. Perguntaram onde encontrei a nota. Respondi que foi embaixo das palafitas. Ele disse: ” E por que você pegou? não é seu. Devolva”. Com a inocência de uma criança de sete anos, corri na direção da palafita e, entre as frestas, ensaiei jogar a nota de volta à lama.

Meu pai, interrompeu o ato e perguntou “Filha, mas foi assim que você pegou?”. Inocentemente (e até bastante empolgada e orgulhosa), contei-lhe os detalhes da grande aventura. Meu pai, na sua sabedoria filosófica, falou: “Agora, tenha o mesmo trabalho para devolver, meu bem”.

Foto: Manoel Raimundo Fonseca.

Entendi o que ele esperava, meio perplexa. Sob um sol que caía aterrorizante, vestida naquele vestido rosa clarinho, vergonhosamente em silêncio, mergulhei novamente por debaixo das palafitas, e vi a maré de perto, chegar e misturar à lama, à beleza do vestido, recém-perdida, ao estranho sentimento de que devia mesmo fazer aquilo. Assim, devolvi a nota, no mesmo exato lugar em que a peguei.

Ao voltar para casa, meu pai explicou o que eu precisava aprender, ao fazer aquilo: Que tudo que você subtrai de alguém, ainda que esta pessoa não saiba ou veja, faz com que você mergulhe na sujeira. E devolver é mergulhar nesta mesma lama, pedir desculpas e retornar, inteira. Tenho certeza que esta foi a minha primeira lição sobre integridade.

Foto: Floriano Lima

Ah! Antes de retornar, tomamos um banho gostoso naquele rio lindo. E lá, fui ensinada a lavar o dia e aperfeiçoar o aprendizado, em um rio limpo e abençoado, com as dádivas de Deus e as coisas todas minhas, que nada poderia comprar: como o riso de meu pai, que algum tempo depois, naquela mesma paisagem, me ensinou a nadar e a andar pelas palafitas da vida com meu próprio tamanho. A descobrir os espaços, com meu coração e sob os próprios pés.

Hoje é o Dia do Repórter Fotográfico

Eu entre os amigos e repórteres fotográficos, Márcia do Carmo e Sal Lima. Além de excelentes profissionais, irmãos de vida!

Por Jussara de Barros, graduada em Pedagogia e integra a equipe Brasil Escola.

Hoje, 02 de setembro, é o Dia do Repórter Fotográfico, o profissional registra imagens de fatos e acontecimentos, no momento em que os mesmos acontecem.A história da fotografia surgiu através do físico francês Joseph Nicéphore Niépce, em 1816, por meio da “transformação de compostos químicos sob a ação da luz”. É fundamental para o jornalismo, pois serve para complementar a ideia do texto, bem como comprovar a veracidade dos fatos.

Ao longo dos anos, a fotojornalismo tornou-se um estilo de trabalho que se baseia no uso das imagens fotográficas para se veicular às notícias. O surgimento dessa área se deu através do britânico Roger Fenton, que fotografou a Guerra de Crimeia, no período de 1853 a 1856.Mas a primeira publicação de uma imagem em um veículo de comunicação aconteceu em 1880, através do jornal Daily Herald, de Nova Iorque, com a finalidade de inovar seu estilo de publicação, buscando chamar mais a atenção dos leitores.

No trampo com o muito querido Sal Lima, em 2019.

Porém, a genialidade da ideia somente se tornou popular com a chegada do século XX, sendo possível devido à invenção da primeira máquina fotográfica portátil, a Kodak, que podia ser facilmente carregada por todos os lados. As primeiras máquinas fotografavam em preto e branco. Mais adiante, o homem inventou o filme, que possibilitava a revelação em cores, chegando aos modelos da atualidade, os digitais, que capturam as imagens através da memorização das mesmas.

No trampo com o saudoso Antônio Sena, em 2011

Um estilo jornalístico que tem chamado grande atenção do público nos últimos anos são os paparazzi (no singular, paparazzo).Os mesmos fotografam celebridades do cinema e da televisão, expondo suas imagens em momentos mais descontraídos ou comprometedores. Essas matérias são alvo das revistas de fofoca, pois atingem grande sucesso nas vendas das mesmas. A ideia desse trabalho fotográfico foi proposto no filme de Frederico Fellini, La Dolce Vita (1960), que teve o nome do fotógrafo Signore Paparazzo baseado no nome de um mosquito siciliano “paparaceo”. A atuação do fotógrafo era de Walter Santesso, que trabalhava com Marcello Mastroiani, interpretando o jornalista Marcello Rubini.

No trampo com a muito querida Márcia do Carmo, em 2019.

Mas independente da forma de atuação do repórter fotográfico, seu trabalho é muito importante para a população, pois registra os fatos como eles realmente acontecem, trazendo-nos a possibilidade de tomar conhecimento dos mesmos.

Meu comentário: é por meio das lentes desse profissional que conseguimos ver o que acontece em nossa cidade, país e mundo. Eu particularmente, me encanto com uma bela foto, seja artística ou jornalística. Já trabalhei com muitos fotógrafos, a maioria deles muito bons e uma minoria nem tanto. Admiro muitos pelo talento, outros pelo profissionalismo e, sobretudo, os que possuem as duas virtudes. Portanto, meus parabéns a estes profissionais, que são fundamentais para o jornalismo.

Esta postagem é dedicada aos amigos com quem já trabalhei, todos repórteres fotográficos de primeira linha: Sal Lima, Márcia do Carmo, Max Renê, Jorge Junior, Aog Rocha, Ewerton França, Edivaldo Chaves (Didi), Chico Terra, Cleito Souza, Gê Paulla, Rui Brandão e Antônio Sena (in memorian). E também os parceiros, que vira e mexe, quebram o galho de conseguir fotos, como o Márcio Pinheiro, Gabriel Penha, Rosivaldo Nascimento, Lee Amil, Kallebe Amil, Jorge Júnior, Fabiano Menezes, Kitt Nascimento e Maksuel Martins. Em nome deles, parabenizo todos os que atuam neste nobre ofício no Amapá e Brasil.

Com o fotógrafo Jorge Júnior, em 2011

Como disse o amigo Fernando Canto: “parabéns ao olhos que miram o mundo com crítica e estética”. É isso!

A fotografia, cujos progressos são imensos e que está, a nosso ver, muito bem classificada entre os materiais das artes liberais, fala aos olhos e detém cativa os curiosos fatigados” – Eça de Queirós.

Elton Tavares

Poema de agora: Os meninos contemplados pelo sol – @juliomiragaia

Foto: Júlio Miragaia

Os meninos contemplados pelo sol

Depois da chuva ensolarada,
Os meninos equilibram
Entre o tempo, o espaço,
O vento e a Fortaleza
Um pequeno
Fruto da memória

Arquitetam,
em papel de seda,
Talas, linha e rabiola
O que se brinca
E o que se basta
Nas cores do Flamengo

O sol observa a partícula
De vida dos meninos-pipa
Enquanto descansa
A sua astroexistência
Ao lado do baluarte de São José

É um entardecer qualquer
Dum sábado esquecível
Não fosse a memória-pipa
Daqueles meninos,
Contemplados pela velha estrela

O ancião sideral guarda consigo
Os fragmentos de memórias e rios amazonas
Inteiros de auroras e crepúsculos

Guardará depois de hoje,
No nada das coisas,
A ternura da imagem
Dos meninos-pipa
Que cultivaram
Depois da chuva ensolarada
Frutos e ventos
Da memória

Júlio Miragaia

Poema de agora: Seiva de Energia Radiante – Isnard Lima

Foto: Max Renê

Seiva de Energia Radiante

O bairro de Santa Inês,
Santa flor da madrugada,
É princesa de olhos tristes,
Maresia, virgem, estrada

Quando vejo seus cabelos,
Minha Santa, minha flor,
Fico triste de repente
Ou exalo só amor.

Pára o verbo, seca a seiva,
Vibra a noite, flui a cor.
O Bairro de Santa Inês,
É o bairro do meu amor!

Isnard Lima