Hoje é o Dia Nacional do Futebol

Hoje (19) é o Dia do fudownloadtebol. No dia 19 de julho comemora-se o Dia Nacional do Futebol, uma data que foi escolhida em 1976 pela CBF, a Confederação Brasileira de Futebol (quando ainda se chamava Confederação Brasileira de Desportos).Eu e meu irmão, Emerson Tavares, começamos a gostar de futebol por causa de nosso saudoso pai, José Penha Tavares (papai foi goleiro dos times amapaenses São José e Ypiranga). O velho nos levava para assistir aos jogos no antigo Estádio Glicério Marques, no centro de Macapá. Falar nisso é uma verdadeira overdose nostálgica.
Também por influência do papai, nos tornamos flamenguistas. Graças a ele e a Deus, claro. Nunca fui bom de bola, batia muito, era perna de pau, mas sempre acompanhei o esporte e acompanho até hoje. Ah, eu ia esquecendo, aqui no Amapá, torço pelo Ypiranga, mas o futebol local ainda tem muito que melhorar.

mano
Meu irmão Emerson, o maior flamenguista que conheço.
 
Nas mesas dos bares, todos somos técnicos apaixonados, sempre temos uma desculpa, observação ou piada. O futebol não tem lógica, essa é a graça. Futebol é amor, paixão, sorrisos, lágrimas, encarnação, apostas, discussões, confraternização e, acima de tudo, emoção.
 
Há muito, o esporte deixou de ser uma preferência masculina, ainda bem, assitir aos jogos nos bares ficou muito mais convidativo (risos). Minha relação com o futebol é somente de torcedor, não jogo bola e não jogaria mesmo se não fosse gordo (risos). Gosto é de assistir e tomar cerveja.galera do mengão
 
Enfim, amo futebol, principalmente o Flamengo, mas independente de qual seja o seu time, viva o futebol, pois ele faz parte da nossa cultura.

Elton Tavares

Futebol – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Fui um menino tímido, retraído. Por isso era maltratado pelos outros garotos. Não. Não era por isso. Era que aliado a isso eu era muito franzino. E naquela fase da vida quem não era forte ou não soubesse brigar tava lascado. 
 
Eu, por exemplo. Pra salvar o prestígio de alguém assim só sabendo jogar futebol. Os garotos que se destacavam no futebol ganhavam o respeito dos outros garotos. O cara se tornava popular, mesmo sendo franzino e tímido.
 
Agora pergunta se eu sabia jogar futebol! Sou aquilo que os cronistas esportivos e comentaristas amadores chamavam (e chamam ainda hoje!) de perna-de-pau. E isso era o mínimo que se chamava pra alguém desprovido de talento pra bola. A mãe do perna-de-pau sofria: “Passa a bola direito, filho da puta!”. E por aí ia. 
 
Portanto, se quiseres ganhar prestígio, precisas ter algum outro talento que possa ser reconhecido pelos outros garotos. Desenhar pode te salvar. Nem precisa saber desenhar bem. É que a maioria não sabe desenhar nada e admira quem sabe segurar um pouquinho o lápis e movê-lo com a mínima desenvoltura. 
 
Outro atributo que pode te angariar uns pontos a favor é ter irmã gostosa. Eles te denominam logo de cunhado e recebes uma aura de proteção. “Dá lembrança lá pra mana, cunhado!”. Aí eles não te darão a porrada que te seria reservada caso fosses filho único ou de uma família só de irmãos. Alvíssaras! 
 
Eu sabia desenhar e tinha irmã gostosa. Devia ser pra compensar minha falta de habilidade com a pelota. Os caras queriam fazer bonito para as meninas bonitas e livravam a cara do irmão magrela. Eu peguei carona nesse mito e só apanhei quando caí na besteira de jogar em lugares em que ninguém conhecia minhas irmãs. 
 
Nesses momentos, o desenho nem era cogitado. “Esse filho-da-puta perdeu um gol feito! Tira essa pereba do campo antes que eu quebre a cara desse escroto!”. O moleque me olhava com a maior cara de zagueiro argentino em final de copa contra o Brasil, doido pra me dar um pontapé inicial. Quando isso acontecia, eu saía de campo de cabeça erguida. Mentira! Saía era cabisbaixo, tremendo de medo, já correndo.
 
Em casa eu me vingava usando as minhas habilidades. Convencia minhas irmãs a não dar bola pra garoto encrenqueiro e desenhava histórias em quadrinhos em que eu era o grande astro do futebol. E namorava as irmãs de todos.

Um apelido pela metade (crônica de Fernando Canto)

Por Fernando Canto
 
Certo sábado o Hélio Pennafort chegou com aquele seu jeito de urubu balado no primeiro bar do Abreu e contou uma história de futebol ocorrida no Oiapoque. Hélio era oiapoquense da gema e da casca do ovo de bacurau, acostumado com o bafo do tafiá e a dança do turé.
 
Foi logo no início da década de 80,quando a França começou a se mostrar para o mundo como potência futebolística, com Michel Platini e tudo. Por isso mesmo os guianenses “tiravam barato” dos brasileiros nos jogos “internacionais” de pelada, ganhando sempre da gente. 
 
Mas ele contou também que isso não durou muito porque lá naquelas densas “brelbas” do Oiapoque fora revelado um atleta para recuperar a fama do nosso futebol e salvar a honra nacional. Em um importante jogo comemorativo ao Sete de Setembro, a “seleção canarinho” do Oiapoque perdia de três a zero para a França no segundo tempo quando o treinador o colocou em campo, faltando quinze minutos para terminar. Era o último recurso. Mesmo ele entrando como reserva havia uma grande expectativa da torcida. O jogador parecia ser a arma secreta do time. 
 
Segundo Hélio o tal atleta era um caboclo todo musculoso, entroncado e baixinho, desses que chamam popularmente de “caboco tureba”. Ele corria por todo o campo e não se cansava. Evitou um gol e correu para o ataque. Driblou dois adversários e fez o primeiro gol. A torcida incentivava chamando o nome do jogador: – Dirram, Dirram! 
 
Logo em seguida veio o segundo gol do baixinho. De cabeça. No meio dos zagueiros crioulos, que tinham fama de grosseiros e rudes. E a torcida gritava: – Dirram, Dirram! Na arquibancada a charanga caprichava na marchinha “se você fosse sincera/ ôôôô, Aurora”. 
 
Aos quarenta minutos ele fez um golaço de bicicleta ao receber a bola de escanteio, para o delírio da torcida que já cantava:- Dirram,Dirram! Mais um, mais um! No Último minuto Dirram tomou a bola do atacante francês e deu-lhe uma bicuda da linha da grande área no canto esquerdo da trave e fez um gol para ficar na história, se alguém tivesse filmado. 
 
A torcida brasileira ao ouvir o apito final do juiz, já gritava alucinada e bêbada, encantada com o talento daquele atleta baixinho, rápido e bom de bola, um verdadeiro herói nacional naquele extremo fronteiriço do Brasil. Ainda ecoavam os delírios quando o atleta foi interpelado pelo técnico guianense. Depois de elogiá-lo perguntou se não era descendente de francês, pois seu sobrenome parecia indicar isso. Como assim, já “antão”? Indagou o atleta. O treinador lhe informou que ele possuía um nome de origem francesa. Ah, disse o brasileiro. É por causa do meu apelido que só chamam pela metade. Como assim, já “entom”? Perguntou o técnico francês. Então o atleta disse humildemente que o seu apelido por inteiro era “Cu de Rã”, mas que só lhe chamavam de Dirram porque gostavam muito dele.
 
Essa história do Hélio ficou um bom tempo sendo reproduzida no bar. A abertura das piadas do dia era regada a cerveja e churrasco, pois o bar do Abreu há pouco deixara de ser a lanchonete RR (Ronaldo e Rodrigo, quando juntinhos), mas ainda funcionava como açougue. Pedro Silveira a tudo ouvia e morria de rir, enquanto a Maria Bê atualizava o “Taperebá”, nosso jornalzinho mural, e o Mário Gaúcho contava uma mentira cabeluda dos pampas, limpando as mãos nos vultosos bigodes, para depois ganhar rumo no seu carro importado azul.
 
Vez por outra o bar fazia lançamentos literários, pequenos shows musicais com o Grupo Pilão, Nonato Leal e Sebastião Mont’Alverne e o Hélio passava seus vídeos sobre aspectos paisagísticos do então Território do Amapá, que fazia pelo interior com o piloto Roberval Lavor. Sem grandes opções de lazer e cultura a turma do bar fazia os eventos e se divertia com tudo isso. Na verdade todos éramos boêmios contumazes pela metade, que nem o apelido do Dirram.
 
*Texto publicado em “A Gazeta”, 10.04.2009.

O Futebolês

Por Édi Prado
Confesso: não gosto de futebol. Não assisto nem final de copa do mundo, mesmo tendo o Brasil em campo. Mas começo a ficar seduzido pelo futebolês. É uma linguagem consagrada pelos cronistas, narradores e comentaristas esportivos. A equipe do Aurélio Buarque está “bestinha” com esse enriquecedor glossário.
Não tenho certeza quanto ao autor da frase. Mas é atribuída ao brilhante João Saldanha: “Os narradores de televisão pensam que os telespectadores são cegos. E que os narradores de rádio pensam que o ouvinte é surdo”. Não deixa de ter razão. É que geralmente os “craques” do rádio foram para a televisão e levaram a mania do improviso, do imaginário e não se desfizeram do linguajar bem antigo. Na linguagem policial, por exemplo, o cadáver está de bruços, logo fica em decúbito dorsal. A vítima de trânsito sofre escoriações pelo corpo. Pensei que era na alma. Se for escoriação só pode ser onde, meu Deus? O espírito fica escoriado, também? São os preciosismos.
Mas o nosso caso é o futebol. Este esporte que transforma a chuteira no calçado oficial do Brasil. É a pátria de chuteiras, como dizem. A força de expressão da equipe esportiva está intimamente alterada com o volume da voz. Mas é tão tolerável como a licença poética. Vale tudo e tudo vale. Tudo é perdoável. Afinal o povão quer saber mesmo é de bola na rede do adversário. Quer viver as tantas emoções até a última gota. Até a última nota do apito final. Dizem que o jogo só termina quando acaba.
Já faz muito tempo. Só havia o Estádio Municipal Glicério de Souza Marques. Era o palco das grandes atrações esportivas, embora só se praticasse o  futebol. Logo foi batizado com o ostentoso adjetivo de Glicerão. Era o “próprio da municipalidade”, o gigante da Favela. Quem não o conhecia embarcava num grandioso Estádio. Era o único mesmo. O resto era poeirão. E foi nessa época que se consagraram os grandes narradores e criadores de neologismo do futebolês. Durante os “certames” o “balão de couro” saía para fora, entrava para dentro, subia para cima, descia pra baixo ou então disparava pelas cercanias do Glicerão. E enquanto a pelota, geralmente havia uma só bola, não retornava ao centro do gramado, era bonito ver a criatividade dos narradores, como forma de manter os ouvidos ocupados.
Até aí puro saudosismo. Tempos difíceis. Tudo começou para valer no velho Glicerão. E têm-se a impressão que “fita” daqueles velhos tempos ficou agarrada na memória dos novos “talentos” esportivos. Pode-se dizer que o repertório é o mesmo daqueles tempos, como algumas inovações consagradas pelas famosas equipes da Rádio Marajoara – PRC 5, a voz que fala e encanta o rincão amazônico, além da Rádio Clube de Belém do Pará. Nessa época a voz falava. Que encanto.
Por acaso, como se houvesse o acaso, fui ao Bar do Abreu, quando funcionava na FAB. Na entrada seis aparelhos de TV. Cada uma exibindo jogo diferente. Lá dentro mais três aparelhos. Era como se estivesse no camarote do Bar. Futebol em todos os aparelhos com jogos para todo tipo de torcedor. Galvão Bueno no melhor estilo dele mesmo gritava: pênalti! É pênalti. É pênalti. E tudo mundo vendo que era pênalti, mesmo. Silêncio total. Tensão. Expectativa. Nenhum ruído, como quem não quisesse espantar o carapanã. Bueno anuncia que o camisa 10 se preparava para a cobrança da penalidade máxima. Esse jogador não tem nome. Tem número. O narrador, como que anunciando uma suprema revelação, grita que o camisa 10 chutou com o pé e a bola foi na direção da gaveta do arqueiro, ou onde a coruja dorme. Coruja dormir com holofotes na cara e aquela gritaria é duro.
Diz que o goleiro saltadeformaespetacularepegaabolacomasmãos. Tudo foi tão rápido e envolvente que as palavras saíram assim, coladinhas. Incrível. O atacante chuta com o pé e o arqueiro pega com as mãos. Que proeza genial. Fantástico. Mas “péraí”. O arqueiro não é o atleta que pratica arco e flecha? A trave é retangular ou é em forma de arco? Agora grandes coisas o goleiro pegar a bola com as mãos. Goleiro bom é Iquita. Aquele da Colômbia, lembra? Aquele, sim é especial. Encantou o mundo quando defendeu uma bola de bicicleta, na marca falta do gol. Lembra? E da voz emocionada de Galvão gritando que Iquita pegou com os pés. Isso que é façanha. Impressionante esse Iquita.
Esse Iquita calou o grito de pééégaaa, pôrra. Ele fez milhões de pessoas engolirem o grito. Depois desta saltibanca defesa, ele caiu no chão, informa o narrador. Tanto lugar pra ele cair e foi logo no chão? Esse linguajar cativa. O futebol se transformou num espetáculo também gramatical. Saem como pétalas preciosas pelas ondas do rádio. Tem o caso do centro avante que avançava sem pretensões de gol. Mas o que que é isso, meu Deus do céu?  É sacanagem. Tira esse cara. Bota ele pra fora. Qual é a dele, hein? Avançar sem pretensão de gol?
O que mais chateia assistir futebol pela TV é que a torcida não grita o bastante alto para que o jogador possa ouvir as instruções: chuta, chuta. Passa, passa… olha o ladrãããoooooo! Mas como o jogador vai poder ouvir  com aquele barulho da torcida, fogos, gente batendo na mesa e o juiz enchendo o saco com aquele infernal e inconveniente  apito? Não aprenderam a gritar mais alto.
Mas o melhor de tudo são os comentários: – o certame vai começar. O técnico escalou o plantel para a contenda. Informa no reclame, que a transmissão tem a chancela da Poçobras e outras empresas do ramo. Certame, até onde conhecia quer dizer luta, combate, contenda. Briga, mesmo. E plantel é um grupo de animais de boa raça, em especial bovino e equino para reprodução. Mas eles vieram para o campo para jogar ou procriar?  E chancela? É o selo que se coloca em documentos oficiais, rubrica, sinete. Saudosismo monárquico.
 
E o pior de tudo: quando o goleiro está estirado, humilhado, abatido e a bola no fundo do barbante, o desgraçado grita quase com ódio: pééééégaaa, pôrra. Não queria que o goleiro pegasse coisa nenhuma. Porque não advertiu antes? Só gritam depois que a bola entra?  Eu que era goleiro, sei muito bem o que é isso.
A bola coitada: sobe para cima, desce para baixo, entra para dentro, sai para fora. Não sossega durante os 90 minutos. Depois de tanta briga por ela, quando acaba o jogo, o juiz que não fez nada para merecer, fica com a bola.
Mas o melhor de toda essa história é ouvir o Galvão Bueno  convidar para logo após o jogo, para assistir o capítulo inédito de Vale a Pena Ver de Novo. Aí dá  vontade de meter o dedo na goela e sair rasgando pela beirada.
 
Capítulo inédito de Vale a Pena Ver de Novo, Galvão?

O Deus da cobrança de falta => Zico deverá participar de inauguração de pista e gramado do “Zerão”, no AP

Zico

Por Gabriel Penha

O ex-jogador Zico deverá ser presença VIP na festa que vai marcar a inauguração da pista de atletismo e novo gramado do estádio Milton de Souza Corrêa, o “Zerão”, em Macapá, no dia 20 de junho. Agora, o espaço passará a se chamar Estádio Olímpico Milton de Souza Corrêa. A informação foi confirmada na manhã desta segunda-feira (8) pelo secretário estadual de Desporto e Lazer, Edinoelson Trindade.

O “Galinho de Quintino” deverá comandar um time com outros ex-jogadores como Junior Baiano, Djair, Odivan, Tita, Cláudio Adão, entre outros. Essa “seleção” fará um jogo amistoso contra um time local, montado especialmente para o evento.

A programação oficial ainda não foi divulgada, mas o secretário antecipou que pela parte da tarde deverá acontecer a Mini Maratona Meio do Mundo, para marcar a inauguração da pista de atletismo, e a partida amistosa para oficializar a estreia do novo gramado.

– Serão dois marcos, para o atletismo e futebol amapaenses. A pista vai beneficiar 12 modalidades de atletismo e o estádio é um espaço de qualidade que deve atrair o público de volta às arquibancadas – avalia Edinoelson Trindade.

A primeira competição do Estádio Olímpico Zerão já tem data para acontecer: dia 22 de junho, com a abertura do estadual sub-17. O torneio terá oito equipes na disputa e o campeão participa da Copa Amazônia, que acontece em julho e terá participação de times do Amapá e de pelo menos mais dois de outros estados.

Fonte: GloboEsporte.com

O ELOGIO DO PÉ – Poema de Fernando Canto para Ubiratan do Espírito Santo, o “Bira”, craque maior do futebol amapaense (que hoje completa 60 anos de vida)

Bira1

O ELOGIO DO PÉ – Poema de Fernando Canto para Ubiratan do Espírito Santo, o “Bira”, craque maior do futebol amapaense (que hoje completa 60 anos de vida)

I
Ainda que a mão guie
O rápido correr do atleta
O pé equilibra a perseguição da pelota e seu couro
Tal como o ouro em seu brilho
Desperta e arrisca o assombro à cobiça
No fado de explodir a bola
Num voo atômico em direção à rede.

II
O atleta – certeiro – atinge o alvo duas vezes
Pé e cabeça se harmonizam nesse objetivo
E mais vezes, mais os olhos se guiam à rede – incansável,
Mistura de inseto, soldado, animal de testa larga
Arranca cem vezes o grito da torcida enlouquecida.

III
É azul, preto e branco, vermelho
O gosto da loucura ecoante
De rugidos da selva, de cantares da alvorada
E de sangue guerreiro de norte a sul do Brasil:
É Bira de Nueva Andaluzia, paraoara,
Dos pampas, das alterosas,
Do espiritu sancto do gol, das vitórias domingueiras
Das tardes ensolaradas, crepúsculos festivos
Da tela não-pintada de Michelangelo
(Alegoria de Deus que entrega a bola a Adão
No leve tocar de dedos)
Como um contrato entre as partes no Éden tupiniquim.

IV
É Bira, príncipe da arte de chutar no gol
Viajante contumaz do oco da bola
Onde moram os querubins do futebol

V
No contato da chuteira e a bola
Centelhas rompem imperceptíveis aos olhos da torcida
Mas ali, na trajetória da pelota ensandecida
Girando em curva ou reta
Corre o chute mágico do atleta uBIRAtan
Que trave alguma, vento algum, goleiro algum,
É capaz de parar ante o fundo da rede, o seu destino.

VI
É certo que o tempo, implacável como o goleador
Também abre ruas no rosto em movimento
Ventos empoeirados surgem abruptos dos logradouros
Como quem logra a vida em ciclos imemoriais.

VII
Onde se vê de novo o voo rasante dos quero-queros
Sobre verde do gramado?
Talvez no espelho da lembrança
Porque a fama, efêmera e fugaz
Faz da vida o templo da memória, onde se clama
O que ficou para trás
Onde os cantares se repetem em rituais
Para abençoar a glória dos que vencem
Em tempos que escrevemos nosso esquecimento.

VII
A voz grossa dos que torcem e glorificam
Deixam grandes silêncios na alma
Cobram-se cobranças, cobram-se castigos
A falta, a mão, o pênalti
E o gol, que para sempre é objetivo
Resta, então, a festa da massa em labaredas
Em gritos, confetes e bandeiras
(ou o desterro infausto em outros horizontes)
VIII
Entretanto o pé-de-ouro arrisca
Em balés de pés-de-lã/ pés-de-moleque
Pés-de-pato sob as gotas de um pé-d’água na neblina
Nas estações mais aziagas das paisagens-penitências
E realiza seu trabalho de cerzir o tempo e as camisas coloridas

IX
Ora, a inveja é um olhar sinistro
Que se movimenta sobre a dádiva
Ofertada aos talentosos
É um ovo só
Saído das entranhas da serpente,
Para reduzir a alma que alimenta com seu ranço

X
Ora, o futebol não se limita a homens
Em seus campos de lama e de gramas aparadas
Há um árbitro, há rivais que se trajam de esperança
Oponentes opulentos em nervos eriçados
Quando a bola cintilante gruda ao pé do craque
E ele mergulha nas funduras do seu rio
Onde cardumes geram suas eternidades
E esperam uma coreografia não ensaiada
Para, enfim, soltar a voz contida em milênios de partida

XI
Ah, a pira dos deuses parece penetrar em águas abissais
De onde irrompe o grito final do campeão

XII
Quem não viu não mais verá. Nem ouvirá
O clamor dos ribeirinhos do Amazonas, o eco da baía de Guajará
O som ferrífero da serra do Curral e o brado dos gaúchos do Guaíba.
Quem não viu não sentirá
A poesia refletida na potência do olhar, da mira
Da luz mágica do Bira e seu bólido de vidro e luz
Transformando-se em espelho pela última vez.

XIII
E nós aqui tal degredados em nossa própria aldeia
Apenas com as imagens do passado e nosso orgulho
Fomos os pés, os pés do Bira
Quando o chute governava a bola
E a noite vigorava um brinde
A mais um campeonato ganho na história
Pelos pés do nosso ídolo
De sonho e de memória.

Fernando Canto

Pego carona na homenagem do Fernando. Bira jogou no Esporte Clube Macapá, Clube do Remo e Paysandu Sport Club (foi o maior goleador de todos os campeonatos paraenses disputados até hoje).

O artilheiro também atuou no Internacional de Porto Alegre (onde foi campeão gaúcho e campeão invicto do Campeonato Brasileiro) e Atlético Mineiro. Ele era amigo do meu saudoso pai, Zé Penha. Gosto pra caramba do Bira. Meus parabéns e vida longa ao nosso artilheiro!

Elton Tavares

62 anos de Zico, o maior jogador do Flamengo de todos os tempos

Hoje (3 ), é aniversário de Arthur Antunes Coimbra, o popular “Zico”, o melhor jogador de futebol da história do Flamengo e um dos maiores do Mundo.  Zico trabalha como treinador (sem clube) e é ex-dirigente do Mengão.
 
Zico liderou a vitoriosa trajetória do Flamengo nas décadas de 1970 e 1980. Ele ganhou campeonatos brasileiros, a Taça Libertadores da América e o Campeonato Mundial de Clubes e vários títulos cariocas. Jogou pela Seleção Brasileira nas Copas Argentina 1978, Espanha 1982 e México 1986, com boas atuações mas sem títulos com a camisa canarinho.
 
Também passou pelo pelo Udinese (ITA) (aliás, chorei copiosamente quando Zico partiu pra Udinese) e foi para o Japão, atuar pelo Sumitomo Metals, que depois se tornou Kashima Antlers, onde o jogador foi atleta e iniciou sua carreira como treinador. Ele foi o melhor jogador da história dos dois clubes. 
 
Quem resumiu brilhantemente a passagem de Zico pela Udinese foi o jornalista do “Il Gazzettino de Veneza”, profissional encarregado de segui-lo, Luigi Maffei:
 
Para nós, friulanos, Zico tem o mesmo significado de um motor da Ferrari colocado dentro de um fusca. Sentimo-nos os únicos no mundo a possuir um carro tão maravilhoso e absurdo”.
 
Além do Kashima Antlers, Zico fez sucesso como técnico no CSK Moscou (RUSS) e Fernebace (TUR).
             
Apesar de comandar a mágica Seleção Brasileira de 1982 (para muitos a melhor de todos os tempos) ter participado de três Copas do Mundo, Zico nunca se sagrou campeão mundial. 
 
O cara atuava como meio-campo, mas sempre foi artilheiro. Bater falta para ele então, era pênalti. Zico foi rotulado no exterior de “Pelé Branco”. Foram 970 jogos e 703 gols, destes, 509 pelo Flamengo. “Zico foi o líder do melhor time que vi jogar. Ele é um mito e não haverá outro como ele”. (Romário)

          

Meu saudoso pai, Zé Penha, sempre dizia que Zico foi o maior depois de Pelé. Discordo, a história do futebol teve Maradona, Romário e Ronaldo. Mas é verdade que Zico é ídolo de muitos ídolos, como o também ex jogador italiano Roberto Baggio (aquele mesmo que perdeu o penal em 1994, quando nos tornamos penta). 
Acredito que existem e existiram muitos craques no futebol mundial, mas poucos gênios. Zico foi um destes gênios. Além de felicitações, minha gratidão, respeito e admiração, pois o vi jogar e fazer a alegria da nação rubra negra. Enfim, palmas para o cara, que ele foi e é PHoda.  Parabéns Zico!
 
Elton Tavares

Santos-AP inicia venda de ingressos para jogo contra o Paysandu-PA

papao

Os torcedores amapaenses e paraenses já podem garantir os ingressos para o jogo entre Santos-AP e Paysandu-PA, pela Copa Verde no domingo, 8 de fevereiro, no estádio ‘Zerão’. A comercialização começou nesta quinta-feira (29). Oito mil ingressos foram postos à venda com os valores de R$ 60 e R$ 30 (meia), antecipadamente. Para o dia do jogo, os bilhetes serão comercializados a R$ 100 e R$ 50 (meia). A partida acontecerá às 18h (horário local).

Segundo o diretor financeiro do clube santista amapaense, Helivan Ramos, os ingressos deveriam ter sido postos a venda na segunda-feira (26), mas houve um atraso na entrega por parte da gráfica que confeccionou os bilhetes.

– Infelizmente houve esse atraso por parte da gráfica, mas acredito que não irá prejudicar as vendas. A promessa é que tenhamos casa cheia para a partida de estreia do Santos-AP na Copa Verde – comentou Helivan.

Confira os postos de venda:

CT do Santos AP
Rodovia Duca Serra, s/n.
Federação Amapaense de Futebol (FAF)
Avenida Fab, 2371, Santa Rita.

Loja Macapá Sport
Avenida Fab, 718, Centro.

Boutique da Escola de Samba Boêmios do Laguinho
Avenida General Osório, Laguinho.

Banca de Revista do Paulo
Avenida Padre Júlio, s/n, Santa Rita.

*Rafael Moreira, com orientação do editor Wellington Costa.

Fonte: GloboEsporte.Com

‘Torcida será o 12º jogador’, diz líder de organizada do Flamengo no Amapá


O presidente da torcida organizada do Flamengo no Amapá, a FLA Amapá, Kellder Costa, diz que o apoio da torcida servirá como o ‘12º jogador’ no jogo de volta contra o Atlético-MG, no Mineirão, pela Copa do Brasil, nesta quarta-feira (5). Costa diz que o rubro-negro deve respeitar o adversário, apesar da vitória no Rio, e espera uma partida equilibrada e difícil, com a lesão de Léo Moura.

– Meu palpite é de que o jogo fica no placar de 1 a 1 e vamos avanças. Acredito que o gol será de Eduardo da Silva, jogador frio e que não treme em decisão. Pelo Atlético Mineiro, Diego Tardelli marca – aposta o presidente. 

O presidente da FLA Amapá diz que as chances do Flamengo passar para mais uma final da Copa do Brasil tornam iminente a chance do tetracampeonato da competição. Mas para isso, acrescenta, é necessária a energia positiva da torcida de todas as regiões do país.

Kellder Costa diz que o trabalho do técnico Vanderlei Luxemburgo deu uma nova visão de jogo para o time rubro-negro.

– O time, com a chegada de Luxa, com certeza obteve um padrão tático em campo, organizado, marcando muito e explorando sempre os contra-ataques. Motivado e focado, é o melhor treinador em atividade no Brasil, pelo currículo e pelo que sabe de futebol. E está provando Isso – avalia.

O presidente diz que, com a possível classificação, membros da FLA Amapá irão à decisão. Flamengo e Atlético-MG jogam nesta quarta-feira (5), a partir das 22h (horário de Brasília), no estádio Mineirão.

Amapá terá exposição do livro ‘1283’ que conta a história do Rei Pelé


Pela primeira vez o Amapá recebe o livro ‘1283’ que conta a história do jogador Pelé, considerado por muitos como o rei do futebol. A obra ficará em exposição por dois dias em uma instituição de ensino superior de Macapá, localizada na Zona Norte da cidade, e será aberta para visitação pública na próxima quinta-feira (6).

Foram impressos 1.283 edições do livro, o mesmo número de gols marcados pelo camisa 10, que tem 500 páginas com 1.283 textos (em português e em inglês) contando histórias ‘pra lá’ de emocionantes do eterno craque do futebol brasileiro. Aline Burigo, responsável pela exposição do livro em Macapá, conta que será uma boa oportunidade de o amapaense conhecer a história do Rei Pelé, cuja carreira se encerrou há quase 4 décadas.

– Estamos muito lisonjeados de poder homenagear este grande brasileiro. Receber essa raridade nos permite valorizar a importância do esporte na trajetória de vida de pessoas como Pelé, que fez história no Brasil e no mundo. Para quem não conhece a história do rei do futebol talvez seja uma experiência única – afirma a diretora.
O livro ‘1283’ é digno de rei. O livro foi impresso na Itália com capa revestida de seda italiana, lombada em couro, estojo confeccionado artesanalmente e impresso em GardaPat Kiara – um papel fabricado às margens do lago de Garda na Itália. A obra chegou em Macapá no dia 31 de outubro.

– Originalmente a recomendação era que o livro fosse exposto apenas para os funcionários da Estácio Seama, mas entramos em consenso que esta grande obra tem que ser mostrada para todos. Por isso, abriremos dois dias de exposição para os alunos amapaenses – disse Aline Burigo.
Confira os dias e locais onde será exposto o livro ‘1283’:

Quinta-feira (6)
Local: Faculdade Estácio Seama 
Horário: 18h às 21h
Endereço: Avenida José Tupinambá, 1223, Jesus de Nazaré
Tel: (96) 2101-5151
Sexta-feira (7)
Local: Famap
Horário: 18h às 21h
Endereço: Rodovia Juscelino Kubitschek S/N – Km 02
Tel: (96) 3312-2200 

*Rafael Moreira, com orientação do editor Wellington Costa.


Hoje é o Dia do Flamenguista (viva nós!)


Hoje é o Dia do Flamenguista. A data é comemorada em 28 de outubro, por ser o mesmo dia do padroeiro do Flamengo, São Judas Tadeu. São 40 milhões de torcedores em todo o mundo.  Entre eles, nós aqui no Amapá. “Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia“, disse Nelson Rodrigues, fanático tricolor desprovido de vaidades clubisticas na hora de analisar futebol.

O Flamengo possui a maior do mundo. Aí dizem: “Torcida não ganha jogo”. Talvez as de outros clubes não, mas a massa rubro-negra ganha sim. A cidade mais populosa do mundo é Tóquio. E tem 34 milhões de pessoas. A maior do Brasil é São Paulo, com 19. O Flamengo, sozinho, tem 40. Se cobrasse impostos seria trilhardário. Não cobra, e vive devendo. Deve milhões, e isso não faz a menor diferença.

Legal ter um dia do Flamenguista, mas para quem é rubro-negro, todo dia é dia. Começa em 1° de Janeiro e só acaba no dia 31 de Dezembro. Para melhorar a data, estamos classificados para a fase final da Copa do Brasil. É verdade que o Flamengo não faz um bom Campeonato Brasileiro, mas o importante é que o vascu segue na séria B (risos).  

Ser Flamengo é algo que não tem comparação. Eu não nasci assim, e nem ouso dizer se felizmente ou infelizmente. Flamenguista é aquele sujeito que ama futebol acima do que ele o proporciona. Aquele que não troca amor por resultados, e que não condiciona sua preferência por um ou outro jogador.

Por isso, torcedores de outros clube odiarem o Flamengo é absolutamente justificável. Você não é Flamenguista? Não? Azar o seu!

Neste dia, lembro do meu saudoso pai, Zé Penha, que nos incentivou a torcer para o Flamengo. Do meu irmão Emerson (na foto com o Léo Moura), que o flamenguista mais fanático que conheço. Do Edmar Campos, meu amigo Zeca, com quem nunca perdi uma final ao assistir o jogo com ele. Do Sal, Topo, Amaral, Cabeça, Arley, André (na foto pegando autógrafo do Adílio, ídolo daquele time de 80), entre outros amigos com quem vivi as emoções de Ser Flamengo. 

“Cobra coral, papagaio vintém, Vesti rubro-negro, Não tem pra ninguém…”, Enfim, Flamengo até depois de morrer. Viva nós!

Paysandu está de volta à série B do Brasileirão


Um ano depois do descenso para a Série C o Paysandu garante uma vaga e retonra à série B do Brasileirão ano que vem. A partida que definiu o retorno do Papão foi realizada na tarde deste sábado (25) em Juiz de Fora (MG).  Vale lembrar que no jogo de ida, disputado no sábado passado, no Mangueirão, em Belém, o Paysandu já tinha vencido  o Tupi por 2 a 1

O Tupi começou melhor na partida , com maior posse de bola enquanto o Paysandu ficou  recuado no campo defesa e esperando o contra-ataque. Uma reclamação de ambos os times foi sobre má condiçao do gramado no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora. A primeira boa chance do Paysandu no jogo foi com o lateral direito Pikachu que aos 26 min do primeiro tempo chutou de fora da área, mas o goleiro Rodrigo pegou bem. No fim do primeiro tempo foi a vez do Tupi fazer boas jogadas. Chico chegou a drilbar Charles do Paysandu e  chutar,  mas a bola foi para fora.

No segundo tempo o Paysandu partiu para o ataque  Bruno Veiga e Pikachu chegaram a  chutar para o gol mas foram atrapalhados muitas vezes pelas péssimas condições do gramado. No fim do segundo tempo um cartão vermelho para o jogador Wesley Ladeira do Tupi favoreceu o Papão que já se saia bem no jogo. Aos 41 minutos, Ruan abriu o marcador e faz o primeiro gol do jogo para o Paysandu garantindo a volta do time paraense para série B do Brasileirão em 2015.

Em Manaus, Santos vence o Princesa e está na 2ª fase da Série D


Após derrotar por 3 a 2 o Princesa do Solimões no estádio Ismael Benigno, no último sábado, 20, em Manaus, o Santos, do Amapá, eliminou o time rival e se classificou para a segunda fase da Série D do Campeonato Brasileiro de Futebol. Até os 39 minutos do segundo tempo, o jogo estava empatado.

O terceiro gol do “Peixe da Amazônia”, que garantiu a classificação, foi feito pelo goleiro Diego numa cobrança de falta. Os outros gols do time do Santos foram feitos no primeiro tempo pelos jogadores André Beleza, aos 3 minutos e Carlinhos Maraú, aos 43.

Se o jogo tivesse terminado com um empate, o Princesa do Solimões teria se classificado.  

Na partida, o time do Santos-AP contou com os jogadores Diego, Cavalo (Aldair), Welington, André Luis, Pretão (Michel) e Carlinhos Maraú; Sandro, André Cabeça e Acosta (Tiquel); André Beleza, Jean Marabaixo e o técnico Darlan Souza.

O Santos vai jogar no próximo domingo (28). Atualmente, o time é o vice-líder com 16 pontos na tabela e com o saldo de 4 gols. O Princesa do Solimões está com a mesma pontuação do Princesa, porém com o saldo de 1 gol.