Feliz aniversário, Marcinha! – @carmomarcia

Também aniversaria nesta quarta-feira (18), a filha zelosa, tia amorosa, amiga prestativa, melhor fotógrafa com quem já trabalhei, fotojornalista de olhar aguçado, cineasta, publicitária, empresária, trabalhadora e batalhadora, além de broda deste editor, Márcia do Carmo.

Hiper competente, braba e intrépida, Marcinha é uma pessoa pequena, mas de um talento imenso e um coração gigante. Uma mulher honesta e de caráter, coisa que não podemos dizer de muitos. Ela é uma mulher do bem e uma das grandes amigas que fiz nessa profissão.

Minha amizade com Márcia do Carmo foi forjada debaixo de sol e chuva, durante anos de trampo. Já contei aqui e repito que: com ela já fiz viagens malucas em que cobrimos diversos tipos de pautas e em condições adversas. Nós caminhamos na lama, dividimos comida e cervejas pelas estradas e bares do Amapá. Dormimos em carros, barcos e hotéis de qualidade duvidosa. E acreditem, isso são lembranças lindas.

A gente se respeita, se gosta e se ajuda. Sei que posso contar a Marcinha, pois ela já deu provas disso diversas vezes. Essa “retrateira” boçal mora no coração deste gordo e acredito ser recíproco.

Do Carmo, tu sabes o quanto te admiro e respeito. Que tu sigas com saúde sempre e congelando momentos com esse teu feitiço fotográfico. Que a gente ria e beba muito juntos nessa vida, por pelo menos mais uns 50 anos. Tu és foda e considerada.

Obrigado por tudo. Te amo. Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares

Meus parabéns, Ewerton França! – @ewertonfranca

Hoje aniversaria o violinista, jornalista, publicitário, fotógrafo, nerd em tempo integral, relações públicas, crossfiteiro, produtor de rádio, meu fornecedor de séries e filmes, viajante imparável, colega de profissão e querido amigo, Ewerton França. Um dos caras que não tem nada a ver comigo, mas por quem tenho grande respeito, consideração e amizade. Afinal, afinidade nem sempre é sinonimo de brodagem.

França é um cara porreta, prestativo, responsável e boa praça. Um baita cara paid’égua sempre com um sorriso no rosto e uma palavra positiva.

Conheci o Ewerton há oito anos, quando trabalhamos juntos na comunicação do Governo do Amapá. Sempre digo e repito: a gente não anda junto, não saímos pra beber (até porque o brother não curte a cachaça, mas bebo por nós dois e mais uns 10 jornalistas) e não nos falamos frequentemente. Mas nos gostamos.

Sempre que precisei do amigo, ele chegou como o Gandalf ao amanhecer. Foi assim na cobertura de incontáveis eventos, sugestões de títulos, pedidos de fotos, revisão de textos, entre outras tantas demandas jornalísticas.

Digo que além de trabalhar de forma correta, meus amigos ajudam a este gordo. Ewerton é uma dessas pessoas que formam uma grande rede de segurança em volta de mim. Sou grato por isso.

Ewerton, querido amigo, tu és demais consideradão. Tu saaaabes: é nozes sempre. Que tu tenhas saúde e sucesso junto aos teus amores e no você se dispor a fazer.

Meus parabéns e feliz aniversário!

Elton Tavares

*Ewerton, precisamos de fotos novas juntos, mano (risos). 

25 anos sem o Ita

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Na esquerda, nos anos 80, Ita comigo e meu irmão Emerson. No centro em Natal (RN), em 1990 e na direita, em 1994.

Convivi com muita gente porreta nessa vida. Entre essas pessoas fantásticas, o sensacional Itacimar costa Simões, o querido “Ita”. Ele era marido da minha tia Tatá, pai da Dayane (duas pessoas com quem tenho pouco convívio hoje em dia, mas sou grato a ambas) e um dos mais valiosos amigos que tive a honra de ter. Hoje completam 25 anos que o Ita embarcou na cauda do cometa e seguiu para outra existência.

Ita morreu em 29 de julho de 1994, vítima em um acidente automobilístico na estrada do Igarapé do Lago, no interior do Amapá. Era período eleitoral. Na época ele era candidato a deputado estadual. Ele foi um cara sempre foi alegre, prestativo, inteligentíssimo, igualmente competente. Além disso, aquele figura foi excelente pai, filho, irmão e marido.

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Zé Penha (meu pai) e Itacimar Simões (meu tio). Eles eram grandes amigos por aqui e devem tomar umas lá no Céu.

Ita era professor de ofício, mas ocupou vários cargos administrativos no Governo do Amapá. Além disso, foi o melhor amigo do meu pai, Zé Penha, que também já fez a passagem. Ainda posso ouvir e ver papai e Ita tomando cerveja, jogando dominó ou somente falando adoráveis sacanagens.

Impossível não lembrar de Itacimar no dia 29 de julho e não sentir saudades dele. Ao Ita, todo ano dedico este texto, minha eterna gratidão e amizade. Saudades, tio. Até a próxima vez!

Elton Tavares

Feliz aniversário, Anderson “The Clash”!

Hoje gira a roda da vida um grande irmão que tenho nessa jornada, o Anderson Miranda, nosso querido amigo “The Clash”. O cara que aniversaria hoje é gente fina ao extremo, inteligente pra caramba, prestativo e parceiro para horas de lazer e momentos difíceis. O afeto pelo figura é unânime em todas as rodas sociais que ele frequenta. Excelente filho, irmão, tio e amigo, o brother inicia seu novo ciclo nesta festiva terça-feira e eu só desejo coisas boas para a vida dele.

Anderson é o filho mais velho da dona Sabá e do seu Waldemir, gerente da Caixa Econômica Federal, marido da querida Adê, vascaíno e remista sofredor, pescador, tocador de tambor, amante de Rock and Roll, e o ateu mais cristão que conheço, pois pouca gente que convivo faz tanto o bem quanto ele.

Um sujeito com inteligência acima da média, caráter incorruptível, bem humorado e com um coração maior que ele, o Macaco é um figura PHoda. Ele é, sobretudo, um home de bem.

O cara também é companheiro de viagens, botecos e shows de rock, e dos nossos melhores momentos na vida. Também conhecido como “Macaco”, o sacana é um baita cara porreta. Com uma história de batalho formidável, Anderson Miranda é um cara inspirador. Por sorte, conheci esse bicho há mais de 20 anos e tenho o prazer, sorte e orgulho de ter sua amizade há décadas. Aliás, somente eu não, eu e meu irmão, Emerson, que também é irmão dele.

Anderson é realmente um cara com quem posso contar quando a coisa fica feia. Ele já me ajudou incontáveis vezes e por motivos diversos. Sou sempre grato a este grande amigo. Também é um figura contemporizador, boa praça, agradável. É sempre firmeza bater um papo com ele sobre qualquer assunto, desde as nossas bobagens ou conversas sobre política, cultura, entre coisas legais.

Já disse e repito que o Anderson é um mestre em cuidar da própria vida. Sério. Se o cara não te ajudar, ele não te atrapalha. Nem com comentários ou julgamentos quando estás fazendo merda.

Por tudo que Anderson Miranda representa em nossas vidas, reafirmo que o The Clash é PHoda!

Macaco, mano velho, que tu sigas com saúde, essa invejável sabedoria e sucesso junto aos seus amores. “Tu saaaaaabes”, eu e Emerson te amamos, sacana.

Meus parabéns e feliz aniversário!

Elton Tavares, mas em relação ao Anderson, também falo pelo Emerson.

Feliz aniversário, Fernando Canto! – @fernando__canto

Sempre, neste vigésimo nono dia de maio, me pergunto: “como vou escrever um texto para o cara mais foda que eu conheço nesse lance de escrita?”. Pois é, hoje um dos mestres da literatura e poesia da Amazônia gira a roda da vida pela 65ª vez. Sim, nesta quarta-feira (29) aniversaria um dos meus heróis da velha arte de redigir crônicas, contos e artigos. Aliás, este dia especial deveria estar marcado no calendário cultural do Amapá, pois Fernando Canto está “de berço”.

Fernando Pimentel Canto é compositor, cantor, músico, jornalista, sociólogo, professor Doutor, poeta, contador de histórias, causos e estórias, contista e cronista brilhante, apreciador e incentivador de arte, sociólogo, imortal da Academia Amapaense de Letras, ícone da cultura amapaense, escritor “imparável”, boemista, marido da Sônia, amante do carnaval, biriteiro considerado, embaixador do Laguinho, mocambo, membro fundador do Grupo Pilão, flamenguista e ex-atacante do Flamenguinho (time do Laguinho dos anos 60, onde segundo ele, o “Bira Burro” foi seu reserva), militante cultural e servidor da Universidade Federal do Amapá, além de grande e querido amigo meu.

Com 17 livros publicados (de crônicas, poesia, contos) ; composições suas e outras com grandes nomes da música amapaense; ensaios teatrais, entre outras incontáveis contribuições para a cultura e resgate histórico do Amapá, além de cargos importantes ao longo de sua carreira, Canto é um ardoroso partidário da causa cultural tucuju. O “Cidadão Amapaense” mais amapaense que a maioria dos que aqui nasceram. Mesmo assim, há quem não lhe dê o devido reconhecimento, mas estes são “otaros” (risos).

O cara é divulgador, incentivador e memória das artes tucujus. Ele é um acervo vivo de nossa identidade cultural. Uma espécie de Forrest Gump e Big Fish (grandes contadores de histórias do cinema) do Laguinho e de Macapá. Poucos atingem essa idade com a marca da genialidade, principalmente acompanhada de simplicidade e paideguice. Assim é o F.C. Ele é o maior escritor vivo do Amapá. Além de tudo isso, é um homem de bem e um cara muito porreta!. Sou fã dessa figuraça e muito me orgulha ser seu amigo.

Mestre Canto, que Deus, Morgan Freeman (ou seja lá o nome do “síndico”) te dê sempre saúde, tardes felizes no Abreu, Loro, Maria ou qualquer outro bar onde tu és sempre bem-quisto e bem-vindo, que curtas seus lindos netos e recebas sempre o amor da Sônia. Que sejas sempre feliz como os periquitos que comem mangas na avenida, com a benção de São José e do Chefe dele. Que tu sejas esse pai, avô e amigo porreta por no mínimo mais 65 maios, “abenetando” ou não.

Meus parabéns pelo teu dia, mano velho. Feliz aniversário, querido Fernando!

Elton Tavares

Feliz aniversário, Grazi Suzuki! – A amada “Lilo”

“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos”, disse uma vez o escritor Paulo Sant’Ana. É verdade. Alguns fazem parte de nossa história. Entre os relevantes e que estão na minha lista de brothers “das antigas” está Graziela Suzuki. Hoje é aniversário dela, a nossa amada Lilo.

Sim, é o novo ciclo da professora, Chef, turismóloga, filha da querida Naná, mãe de duas crianças lindas e esposa do Rodrigo, Graziela Suzuki. Chamo-a de “Grazi” ou “Lilo” (por conta da semelhança dela com a menininha da animação “Lilo e Stitch”).

Lilo sempre foi safa e inteligentona. Uma pessoa meiga, educada, bem humorada e muito querida por mim e por uma legião de amigos, além de sua linda família de japoneses negões tucujus.

Um dia ela me disse que se orgulha de mim, do que me tornei. Faço minhas as palavras dela sobre a vida que ela conquistou. Aliás, sempre parafraseio o sábio e querido Fernando Canto para falar de velhos amigos com quem perdi o contato: “do tempo que fomos para sermos o que somos”.

Com Grazi, travei discussões homéricas sobre tudo, sempre com uma bebida e um som legal. Minha histórias com Lilo são recheada de momentos sensacionais e memoráveis. Alguns deles totalmente impublicáveis e hilários. Amo essa mulher e sou feliz em ver que ela zerou o jogo da vida, pois ela está feliz profissionalmente, casou com um cara foda e tiveram pequenos lindos.

Graziela faz parte de minha memória afetiva nisso. Ela foi embora há tempos, morou em muitas cidades e agora reside em São Luiz (MA) com sua linda família. Veio aqui há pouco tempo e graças a Deus, nos vimos, conversamos, rimos e bebemos. Como sempre foi.

Lilo, que teu novo ciclo seja ainda mais porreta. Tenho sorte e orgulho de ser seu amigo. Sigo a torcer por ti, de longe, mas aqui dentro do coração. Que tenhas sempre saúde e sucesso junto aos seus amores. Parabéns pelo teu dia. Feliz aniversário!

Elton Tavares

A Legião Urbana somos nós, os fãs! (dois anos e meio depois do primeiro show, banda se apresenta novamente em Macapá)

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Foto: Aog Rocha

Sabem quando você tem certeza de estar vivendo algo único na vida? Foi isso que senti no dia 22 de julho de 2016, no Ceta Ecotel. Dois anos e meio depois do antológico o show “Legião XXX anos”, a da lendária banda Legião Urbana se apresenta em Macapá, no mesmo local (essa é a parte ruim, mas a gente vai assim mesmo). Republico esse texto, pois aquele momento foi um reencontro de velhos e queridos amigos.

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Foto: Aog Rocha

“Porra, os caras estão ali mesmo…Caralho!”, foi o que pensei meio atordoado quando a banda subiu ao palco e começou a tocar. Quando Renato morreu, em 1996, pensei que nunca assistiria um show da Legião. Há um ano, mais um sonho da juventude foi realizado. Talvez um dos mais improváveis de se concretizar. E foi melhor do que eu imaginaria em um sonho bom.

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Foto: Aog Rocha

Dado e Bonfá foram extremante carismáticos, corteses e elogiosos com nossa quente capital. Villa-Lobos e Marcelo deram vida ao espetáculo. Aliás, a Legião Urbana está mais viva do que nunca. Renato Russo deu o ar da graça via vídeo, onde contou sobre a trajetória de sua banda e nos emocionou. E o André Frateschi, hein? O cara é foda mesmo. Sim, foda, pois mostrou atitude. Os músicos de apoio idem.

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Foto: Aog Rocha

Nada tirou o brilho do espetáculo. Nem o calor de sempre no Ceta, a cerveja quente do open bar furado, atendimento precário ou as falhas no som (podiam ter deixado isso para os safadões da vida, com a Legião não, pô). Mesmo assim foi um daqueles momentos únicos na vida e estou muito feliz por ter vivido aquilo.

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Velhos e queridos amigos. Mais de 20 anos de amizade e Legião Urbana!

Sei tudo sobre a Legião Urbana. Todas as letras das canções e curiosidades por trás das músicas. Tive todos os discos (LP’s e CD’s), mas hoje são arquivos de MP3 na memória do computador; Li livros sobre a banda (o meu preferido é o “Conversações com Renato Russo”, recomendo); Assisti uma porrada de documentários sobre o grupo…Enfim, sou fã dos caras a vida toda. Mas nada se comparou ao show.

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Foto: Aog Rocha

Sai de lá cansado, suado, meio rouco e extasiado, com o coração cheio de uma alegria imensurável. O show beirou a perfeição.

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Ficamos realmente suspensos, perdidos no espaço/tempo de nossas emoções e vivências. Cada menino ou menina (de 30 ou 40 e poucos anos) presente no show tem uma história diferente, mas com trilha sonora parecida: Legião Urbana.

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Foto: Geison Castro

Como eu já disse, as músicas da banda mexem com minhas emoções. O show entrou pra galeria de momentos inesquecíveis da minha existência. Foi uma grande carga emocional, repleto de memória afetiva, que resultou em suor no corpo e nos olhos. Sim, chorei ali.

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Com a Rejane Melo e Ligia Pontes. Décadas de amizade e Legião <3

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar? Pois é, não foi só imaginação. E sim, nós conseguimos vencer, pois Legião Urbana Vence Tudo e nós, os fãs, somos a verdadeira Legião. Quem não foi, perdeu. E fim de papo. Força sempre!

URBANA LEGIO OMNIA VINCIT!

Elton Tavares
Fotos cedidas pelo fotógrafo e amigo Aog Rocha

 

Há 21 anos, morreu meu pai, Zé Penha Tavares (o meu eterno herói)

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Há exatos 21 anos, em uma manhã de segunda-feira cinzenta, no Hospital São Camilo, morreu José Penha Tavares, o meu pai. O meu hepapaiemama (1)rói. Já que “Recordar, do latim Re-cordis, que significa passar pelo coração“, como li em um livro de Eduardo Galeano, passo pelo meu essas memórias.

Filho de João Espíndola Tavares e Perolina Penha Tavares. Nasceu no município de Mazagão, em 1950, de onde veio o casal. Era o primogênito de cinco filhos.

Ele começou a trabalhar aos 14 anos, aos 20 foi morar em Belém (PA), sempre conseguiu administrar diversão e responsa, com alguns vacilos é claro, mas quem não os comete? Na verdade, papai nunca se prendeu ao dinheiro, nunca foi ambicioso. Mas isso não diminui o grande homem que ele foi.

Em 1975, casou-se com minha mãe, Maria Lúcia, com quem teve dois filhos, eu e Emerson. O velho não foi um marido perfeito, era boêmio, motivo que o levou se divorciar de minha mãe, em 1992.

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Papai e mamãe

Após o seu falecimento, li no jornal da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), onde ele trabalhava: “Feliz, brincalhão, sempre educado e querido por todos. Tinha a pavulagem de só querer menina bonita a seu lado, seja em casa ou entre amigos, mas quem se atreve à culpá-lo por este extremo defeito?”.

Zé Penha pode não ter sido um marido exemplar, mas com certeza foi um grande pai. Cansou de fazer “das tripas coração” para os filhos terem uma boa educação, as melhores roupas e os bons brinquedos. Quando nos tornamos adolescentes, nos mostrou que deveríamos viver o lado bom da vida, sacar o melhor das pessoas, dizia que todos temos defeitos e virtudes, mas que devíamos aprender a dividir tais peculiaridades.

papaigoleiroPenha não gostava de se envolver em política. Ele gostava mesmo era de viver, viver tudo ao mesmo tempo. Família, amigos, noitadas, era um “bom vivant” nato. Tinha amigos em todas as classes sociais, a pessoa poderia ser rica ou pobre, inteligente ou idiota, branca ou preto, mulher ou homem, hétero ou homo, não importava, ele tratava os outros com respeito. Aquele cara era extraordinário!

Esportista, foi goleiro amador dos clubes São José e Ypiranga, dos times do Banco da Amazônia (BASA) e Companhia de eletricidade do Amapá (CEA) e tantos outros, das incontáveis peladas.

Atravessamos tempestades juntos, o divórcio, as mortes do Itacimar Simões, seu melhor amigo e do seu pai, João Espíndola, com muito apoio mútuo. Sempre com uma relação de amizade extrema. Ele nos ensinou a valorizar a vida, vivê-la intensamente sem nos preocuparmos com coisas menores a não ser com as pessoas que amamos. Sempre amigo, presente, amoroso, atencioso e brincalhão.Euepapai1995

Com ele aprendi muito sobre cultura, comportamento, filosofia de vida, e aprendi que para ser bom, não era necessário ser religioso. “Se você não pode ajudar, não atrapalhe, não faço mal a ninguém” – Dizia ele.

Acredito que quem vive rápido e intensamente, acaba indo embora cedo. Ele não costumava cuidar muito da própria saúde, o câncer de pulmão (papai era fumante desde os 13 anos) o matou, em poucos meses, da descoberta ao “embarque para Cayenne”, como ele mesmo brincava.

 tumblr_n03jon7LIX1rc8ucwo1_500Serei eternamente grato a todos que ajudaram de alguma forma naqueles dias difíceis, com destaque para Clara Santos, sua namorada, que segurou a onda até o fim. E, é claro, minha família. Sempre que a saudade bate mais forte, eu converso com ele, pois acredito que as pessoas morrem, mas nunca em nossos corações.

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Papai e Emerson

José Penha Tavares foi muito mais de que pai, foi um grande amigo. Nosso amor vem das vidas passadas, atravessou esta e com certeza a próxima. Ele costumava dizer: “Elton, se eu lhe aviso sobre os perigos da vida, é porque já aconteceu comigo ou vi acontecer com alguém”.

Meu mais que maravilhoso irmão, Emerson Tavares, disse: “Papai nos ensinou o segredo da vida: ser gente boa e companheiro com os que nos são caros (família e amigos). Sempre nos espelhamos nele.Para mim é um elogio quando falam que tenho o jeito dele, pois o Zé Penha foi um homem admirável, um verdadeiro ser humano!”.

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Papai (com as mãos nos ombros da Clara, sua namorada), eu (de pé) e meu irmão Emerson (sentado de camisa branca). 1997. Saudade!

Quem já passou por essa vida e não viveu, Pode ser mais, mas sabe menos do que eu”. A frase é do poeta Vinícius de Moraes. Ela define bem o meu pai, que passou rápido e intensamente por essa vida.

eu e papai245Também faço minhas as palavras do escritor Paulo Leminski: “Haja hoje para tanto ontem”. Ao Penha, dedico este texto, minha profunda gratidão e amor eterno. Até a próxima vez, papai!

Obs: Texto republicado todo ano nesta data e assim será enquanto eu sentir saudade. E essa saudade, queridos leitores, nunca passa!

Elton Tavares

Meus parabéns, Zeca!! (felicitações ao Edmar Campos, um irmão de vida, pelo seu aniversário)

Com o Zeca. A gente aprontou muito nessa vida.

Hoje aniversaria o do pai da Duda, marido da Eva, servidor público, administrador socioambiental, colaborador da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, filho caçula da dona Osvaldina, corredor de rua e meu irmão de coração, Edmar Campos Santos, o popular “Zeca”. Eu e ele já passamos por muita coisa juntos. Sim, a gente aprontou muito nesta vida. Nos conhecemos no Colégio Amapaense, em 1990. Mas nos tornamos parceiros mesmo em 1994.

O Zeca era um dos caras mais safos da nossa época de Colégio. Parecia sacar de tudo um pouco. Edmar já era politizado pra idade e me abriu os olhos para muita coisa.

Eu e Zeca “gazetávamos” aula e íamos beber no Xodó. Escutávamos todas as histórias que Albino contava, ouvíamos suas músicas antigas, ríamos quando ele cortejava as garotas e fingíamos surpresa a cada vez que ele nos mostrava seu diploma em “couro de carneiro”. Nós adorávamos aquele saudoso coroa. Ele era divertido.

Com o Edmar, comemorei títulos do Flamengo (assistindo juntos, nunca perdemos uma final); dei porrada em babacas; curtimos carnavais e festas de Rock e Samba. Já bebemos mais cervejas juntos do que posso contabilizar, já tivemos um bar, já saímos no braço, já discutimos muito e, em várias situações complicadas, nos apoiamos. Nunca enfrentei tantos perigos com outro figura quanto com ele.

Edmar correndo; com a Duda e com Eva e filhota.

Edmar também foi um dos amigos que me deu apoio na época da morte de meu pai, em 1998. Sou muito grato por isso.

Assim como eu, Zeca é um cara genioso, mas de bom caráter. Ele é um daqueles amigos que sei que posso contar e é recíproco. É bom olhar pra trás e não nos arrependermos de todas as cagadas que nos metemos juntos, pois estamos bem.

Hoje em dia, o Zeca não bebe mais e está feliz com a família dele. Agradeço a Deus por isso. A gente tem pouco contato, mas esse sacana é do coração e este parabéns público é para mostrar minha consideração, amizade e respeito por ele.

Eu e Edmar – 2016

Zeca, mano velho, que tenhas sempre saúde e sucesso junto aos seus amores. Que tua vida seja longa. Pelo menos por mais 45 fevereiros. Parabéns pelo seu dia. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Minha tia preferida gira a roda da vida hoje. Feliz aniversário, Maria Penha Tavares!

Sempre digo que, “graças a Deus tenho uma sorte dos diabos”. Sim, sou um cara abençoado por ter pessoas incríveis ao meu redor. E melhor, que nutrem amor por mim em uma relação recíproca. Um destes afetos, dos de primeira linha, gira a roda da vida hoje. Maria Conceição Penha Tavares completa 67 fevereiros (apesar de parecer no máximo uns 50). Ela é minha tia preferida, uma pessoa que amo de forma desmedida.

Entre as várias facetas de tia Maria, como competente bancária durante décadas, contadora e colaboradora da Cunha & Tavares Consultoria, tia e irmã amorosa, certamente a de filha é a sua maior marca. Não desmerecendo seu lado profissional, onde ela sempre foi extremamente comprometida e eficaz, mas é que a nossa Maria vive duas vidas: a dela e a da nossa matriarca, minha amada avó Peró. Quem conhece essa linda história sabe da nobreza e total compromisso da titia para com sua mãe. A gente só agradece.

Mas este é um texto de aniversário. Pois bem. Antes de felicitar, preciso contar histórias sobre minha relação com Maria Penha (Conceição para alguns ou só Penha para outros).

Ela sempre esteve lá. “Que esse desespero é moda em 76”, cantou Belchior em “A Palo Seco”, mas o desespero não foi tão desesperante assim, a tia estava lá. É que nasci naquele ano e mamãe teve um problema de saúde. Tive que ficar com meus avós e tia Maria. Nunca mais sai da casa deles. Meu coração vive lá.

Tia Maria foi minha amiga desde o início, e seu um dia eu for pra Maitê a metade do tio que ela foi e é pra mim, a missão estará cumprida com sucesso. Costumo contar que Maria Penha foi a pessoa que me educou musicalmente. Graças a ela, gosto de música boa.

Já disse e repito, ela sempre foi uma espécie de mãe, madrinha, amiga, apoiadora, conselheira, parceira, entre outras tantas coisas maravilhosas que essa pessoa sensacional representa na minha existência.

Com Maria, ao longo destes meus 42 anos, vivemos muitas vidas nesta vida. Fomos colegas de trabalho, quando ela me orientava sempre, somos parceiros de cerveja, papo e som. Ela é sempre minha companheira quando precisamos ficar no hospital com a vó (ainda bem que há tempos não temos essa necessidade) e acima de tudo, ela é uma grande amiga que tenho nessa jornada. E desconfio que também foi assim em outras passagens por aqui.

Por ser essa pessoa fantástica que ela é, todos nós a amamos. Eu mais que alguns, certamente (risos). Sou grato à Deus pela existência de Maria orbitar a minha vida e vice-versa. A gente nem sempre concorda, mas nos apoiamos sempre.

Tia, tu sabes o quanto te admiro e respeito. Que tu sigas com saúde sempre. Do resto você sempre deu conta. Obrigado por tudo e parabéns pelo teu dia. Feliz aniversário!

Elton Tavares (mas falo pelo Emerson Tavares também). 

Meus parabéns, Adriano Siqueira!

Dou valor em muita gente. Hoje em dia, nem tenho tanto contato com algumas dessas pessoas. É o caso do José Adriano Siqueira da Silva. Conheci o Zé Adriano em 1993, no apartamento da tia Sanzinha. Ele era namorado da minha querida prima Silvana Sena, com quem é casado há mais de duas décadas. Hoje é aniversário do cara. Aliás, um baita cara!

O “porco alemão”, apelido dado ao Adriano por sua turma de Belém (PA), é o pai amoroso do Felipe, marido apaixonado da Silvaninha, um filho sempre dedicado, um dos remistas mais remistas que conheço, além de botafoguense conformado (ele torce para esses dois timinhos, mas o importante é ter saúde).

O brother também é um cervejeiro convicto, amante de boa música, irmão exemplar e amigo pra todas as horas (afirmo isso com veemência, pois o cara já me ajudou e muito nessa vida).

Zé Adriano foi um dos grandes amigos que meu saudoso pai Zé Penha teve, e certamente é um dos que posso me orgulhar de ter amizade. Apesar da gente não ter tantos encontros como antes, sei que posso contar com ele e é recíproco.

Em resumo, Zé Adriano é um homem de bem e com toda a certeza, um dos melhores seres humanos que conheci nessa vida (e talvez nas outras). “Germany Pig”, que tua vida seja longa e com muito mais saúde e sucesso. Que tua jornada atinja no mínimo mais 53 fevereiros chuvosos. Tu és do coração, mano velho.

Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares

Meus parabéns, Lula Jerônimo!

Eu e Lula – Norte das Águas – 2009

Hoje aniversaria o cantor e instrumentista, pai de dois caras (um deles muito meu brother) e velho amigo deste editor, Lula Jerônimo. O músico completa 73 anos hoje. Destes, mais de três décadas dedicadas a música somente no Amapá. Ele conquistou espaço em Macapá cantando em casas noturnas, bares e restaurantes.

Lula é um “cabra brabo” e muito gente boa. Ele é humanista, militantes de causas sociais e crítico visceral. Também um baita cara legal, trabalhador e guerreiro. Pernambucano de nascimento, ex-marinheiro e amapaense de coração, o artista escolheu Macapá como lar e por aqui vive há décadas. E que vida!

Ele é um músico da velha guarda desta cidade e precisa ser valorizado sempre. Apesar daquela sinceridade peculiar do nordestino, o cara é gente fina. Ah, o Jerônimo também foi parceiro de boemia do meu falecido pai, José Penha Tavares. Eu o conheci no início dos anos 90, quando comecei a frequentar a noite amapaense.

Eu, Lula, Cleberson e Cleomar – Amizade e boemia .

Mestre Lula, que tua saúde se estabeleça logo e que tu sigas nessa paideguice bruta que a gente adora, velho amigo. Meus parabéns e feliz aniversário!

Elton Tavares

*Texto republicado, mas de coração. 

Hoje é dia de Maria Lúcia. Feliz aniversário, mãe!

A orientadora educacional e professora aposentada, Maria Lúcia Neves Vale, completa 65 anos de vida neste domingo. Eu e meu irmão, Emerson Tavares, temos a honra e muuuuuita sorte de sermos seus filhos, pois a amamos e somos correspondidos desde o início desta jornada (no meu caso, há 42 anos). A “Lucinha” é a filha mais dedicada da vovó Cacilda, avó coruja da pequena Maitê e esposa do Enilton.

Mamãe é íntegra, honesta, inteligente, batalhadora, e decente. Também é a melhor cozinheira do mundo (da Galáxia é a vó Peró), minha conselheira, benzedeira e melhor amiga. Uma espécie de Deus particular, que sempre me protege, orienta, ajuda, cuida e, se for preciso, briga por mim.

É impossível contabilizar os benefícios que recebemos de nossos pais, particularmente na infância. Mamãe sempre fez das tripas coração para que tivéssemos um ambiente seguro de amor, que foi a base de nossa educação e dos valores que aprendemos com ela.

Deus deve ter dito: “Godão, tu vais ser um nó-cego se depender somente do teu livre arbítrio, mas vou te dar uma força, vou te enviar dois anjos da guarda para segurar tua onda nessa vida”. E assim, nasci filho de Maria Lúcia e irmão de Emerson Tavares.

Lucinha sempre abre frestas de claridade e ilumina meus, às vezes, escuros caminhos. Ela ama dançar e viajar. Eu admiro sua vontade invencível de viver. Aliás, a vida tem desdobramentos imprevisíveis, mas usa a força do bem a seu (nosso) favor.

Da mamãe herdamos atitude, força e firmeza. Eu e Emerson talvez não fossemos caras corretos, trabalhadores e todo o resto de coisas legais que nos tornamos se não fosse por conta dela. Temos um forte laço de amor, que só se reforça ao passar dos anos.

Mamãe, parabéns pelo teu dia. Que sua vida seja longa, com muita saúde, festas para dançar, divertidas rodas de amigos, e viagens inesquecíveis. A gente te ama demais. Obrigado por tudo e feliz aniversário!

Elton Tavares e Emerson Tavares (pois como irmão mais velho, posso falar pelo Merson)

Onde andará Mariazinha, que estaria festejando entre nós 85 anos? Saudades minha estrela!

Dia 2 de fevereiro de 1934 foi o dia do calendário escolhido para dar início à saga da mamãe neste mundo. Não que tenha nascido nesta data, mas foi a ditada em seu registro de nascimento, e nem ela sabe o porque, assim como tantos outros porquês de seus primeiros anos neste mundo que ficaram sem respostas. E sua passagem por aqui foi sempre desse modo, com uma cortina de mistérios nunca desvendados, alguns ela se recusava a falar, e outros, nunca ela nem nós descobrimos. Nossa Mariazinha jurou que antes de partir iria nos dizer o que sabia de sua infância, mas a dificuldade em se comunicar quando percebeu que era chegada sua hora, e nossa falta de habilidade com a leitura de pensamentos e outros métodos e linguagens, além da situação triste e incômoda em sua última estadia, no hospital, não inspirava curiosidade, porque nossa esperança que dali levantasse, era maior que qualquer outro sentimento.

Eu sempre tive curiosidade em saber de onde tinha vindo aquela mulher baixinha, forte, decidida e trabalhadora, que não cansava de repetir todo sacrifício que passou para estudar e trabalhar ao mesmo tempo, morando na casa dos patrões, e tendo como única referência de família a madrinha e o padrinho, Dolores e Eugênio, que colocaram no seu registro de nascimento seus nomes, e que aprendemos a chamá-los de avô e avó. Ninguém dizia nada, uma única pista, e os caminhos para encontrar o início dessa história ficavam turvos com a falta de informações, porque o mais perto que tínhamos da verdade era o sobrenome Alcântara, e que ela vinha das ilhas do Pará. O pouco que ela sabia, se foi com sua memória, e continuamos aqui, sem saber dos primos e tios que não conhecemos, e nem como eram nossos verdadeiros avós. O sobrenome que ganhou dos padrinhos foi Cardoso Coelho, herdamos o Cardoso, e ela adotou o Maciel do papai. E os filhos da Maria e do Raymundo formaram então a família Cardoso Maciel.

Assim como os médicos, papai sempre questionou sua idade, e dizia que tinha mais que o registrado oficialmente. Seus documentos indicavam ser mamãe um ano mais velha que ele, também nascido em fevereiro. Nunca soubemos de uma paixão antes do papai, porque sua descrição e falta de amigos da juventude para nos revelar algum segredo, deixou esse campo vazio, e para mim, seu único amor foi papai, com quem se casou na delegacia, na frente do juiz, inúmeras vezes nas fogueiras de São João e na igreja, com uma festa de três dias, narrada com detalhes pelos meus tios. Seus amigos sempre foram a família do papai e da escola Barão do Rio Branco, onde lecionou por longos anos, e nos alertava sobre cuidados com as amizades, talvez por alguma decepção, ou porque seu sangue de índia misturada com a ascendência ribeirinha a tornassem uma mulher desconfiada por natureza.

Para mim, a história de nossa família começou quando mamãe chegou no Bailique, Igarapé Grande do Curuá, para assumir o cargo de professora, e conheceu papai, marítimo, primeiro filho da vó Rosa e do pai que o adotou com um amor imenso, nosso avô Tomás Pena Amanajás, O Velho. Foi a partir daí que ela soube o que era uma família de verdade. Os irmãos do papai, foram alunos da mamãe, e quando se tornaram cunhados, continuaram a chamando de professora, e foi escolhida pra madrinha de familiares e vizinhos, sendo então uma pessoa querida e respeitada, temida e amada. Foi mamãe quem insistiu em vir para Macapá quando minha irmã mais velha terminou a 4ª série. Papai relutou em sair do Bailique, onde caçava e pescava, ajudava vovô no comércio e de onde saia para atravessar rios e mares em barco à vela até Belém para vender mercadoria. Ele então veio, e aqui, por incentivo da esposa, estudou, foi secretário escolar, professor e se aposentou como diretor da escola Augusto dos Anjos, cargo em que ficou por 16 anos.

Depois dessa travessia de mudança pelo rio Amazonas, começa nossa história em Macapá, com mamãe sempre à frente da família, decidindo, opinando, aconselhando, ralhando, com o jeito Mariazinha de ser, que virou lenda entre nós. Sempre nos incentivando a estudar e crescer na vida. Mamãe era feminista sem saber ao certo o que significava esse termo. Dizia sempre pras sete filhas não dependerem de marido, tinha que ter estudo e emprego, e mesmo sem a obrigação de ir às urnas, votava sempre em mulheres, quando elas passaram a ter oportunidade de se tornarem candidatas. Sua elegância estava na naturalidade e simplicidade. Sua história de vida ainda hoje é bússola e os mistérios de sua estadia aqui, nossa força para sermos sempre unidos e nunca passarmos pela saudade de algo que não viveu.

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais

Me vejo hoje repetindo os gestos e manias que critiquei e viraram piadas iniciadas por papai, e se tornaram folclore entre nós, como me preocupar com panelas e louças, se tem toalha e lençol para todos que se abrigam em nossa casa, levantar pra confirmar se a porta está de fato trancada, e vou mais na igreja que em qualquer outro tempo, porque o que me ensinou sobre fé e amor, eu fortaleço em frente ao altar, como ela dizia que era o certo. Todos os dias rezo em seu altar na sala, faço o café, e quero mesa arrumada para as refeições. Sinto uma enorme falta dela, que fez de mim uma mulher mais forte e pronta enfrentar muitas guerras, inclusive uma doença em um idoso. Mamãe despertou em mim a segurança que deixei escondida em um canto dentro de mim na pior época da minha vida, porque eu precisava estar firme para cuidar dela, que sempre cuidou de todos nós.

Sou grata eternamente à ela e ao papai, e por eles, quando sinto necessidade, derramo lágrimas de saudades, oro e desejo felicidades para este amado casal, que finalmente se encontrou novamente após 5 anos de separação física. Talvez neste dia 2 , dia de Iemanjá, que como mamãe, é das águas, esteja completando 85 anos, ou mais. Minha única certeza é meu desejo de que mamãe também tenha encontrado sua mãe, pai e irmãos, e que esteja olhando pior nós todos, completando o ciclo de amor que nos envolveu e chegou até filhos, netos e bisnetos, inclusive Maria Elis, que foi sua bonequinha em seus últimos anos.

Nunca esquecerei as primeiras músicas religiosas, para Mãezinha do Céu, Anjo da Guarda, as do Luiz Gonzaga e da Ângela Maria, nem das suas preferidas do Zeca Pagodinho. Não esqueço também das músicas que assobiava na cozinha, dos chorinhos e boleros dançados com papai, dela regando as plantas, fazendo as asinhas de frango de forno e o bife bem passado. Lembro bem do tempo em que decidiu comer somente em um prato em formato de peixe, que já procurei e nunca encontrei; e de seus últimos anos andando devagar pela casa, mas sempre independente, dispensando ajuda; nem de sua saída do banho para o café, da resistência para tomar remédios, e da missa no final da tarde. Saudade grande também do “bença mãe, bença, pai”. Meu Deus, se eu soubesse que a saudade doía tanto, talvez tivesse feito bem mais. Não me arrependo de nada, nem das festas que perdi, nem dos amores que passaram sem eu ter dado atenção, porque hoje meu peito é só gratidão.

Esteja bem mamãe e papai, meus velhos mestres, amigos e protetores, obrigada por tudo!

Feliz aniversário minha estrelinha!

Mariléia Maciel