Hoje é Dia/Noite de São João! (sobre o santo e a quadra junina sem festa)

Hoje é o Dia de São João. De acordo com a história, João Batista (Judeia, 2 a.C. — 27 d.C.) foi um pregador judeu do início do século I, citado pelo nos Evangelhos da Bíblia. Ele é considerado o santo mais próximo de Cristo, pois além de ser seu parente de sangue, Jesus foi batizado por João nas margens do rio Jordão.

Nascimento de São João Batista. Por Tintoretto, atualmente no Museu Hermitage, em São Petersburgo.

O Evangelho de Lucas (Lucas 1:36, 56-57) afirma que João nasceu cerca de seis meses antes de Jesus; portanto, a festa de São João Batista foi fixada em 24 de junho, seis meses antes da véspera de Natal. Este dia de festa é um dos poucos dias santos que comemora o aniversário do nascimento, ao invés da morte, do santo homenageado.

Segundo a narração do Evangelho de Lucas, João Batista era filho do sacerdote Zacarias e Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus. Foi profeta e é considerado, principalmente pelos cristãos, como o “precursor” do prometido Messias.

Em sua missão de adulto, ele pregou a conversão e o arrependimento dos pecados manifestos através do batismo. João batizava o povo. Daí o nome João Batista, ou seja, João, aquele que batiza.

Aliás, ele batizou muitos judeus, incluindo Jesus, no rio Jordão, e introduziu o batismo de gentios nos rituais de conversão judaicos, que mais tarde foram adaptados pelo cristianismo.

São João Batista é muito importante no Novo Testamento, pois ele foi o precursor de Jesus, anunciou sua vinda e a salvação que o Messias traria para todos. Ele era a voz que gritava no deserto e anunciava a chegada do Salvador. Ele é também o último dos profetas. Depois dele, não houve mais nenhum profeta em Israel.

Outras religiões

Para alguns Espíritas, Elias reencarnou como João Batista. Mais tarde, teve outras experiências reencarnatórias como sacerdote druida entre o povo celta, na Bretanha. Depois como o reformador Jan Hus (1369-1415), na Boêmia. Na França foi Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), o qual utilizava o pseudônimo Allan Kardec como codificador do Espiritismo.

Hippolyte Léon Denizard Rivail

Sua última existência corpórea se deu no Brasil, nascido dia 23 de Fevereiro de 1911 com o nome de Oceano de Sá, mais tarde chamado de Yokaanam:. (fundador da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal), reconhecido como tal por diversas escolas sérias e reconhecidas mundialmente, embora o mesmo não assumisse publicamente pois nunca achou necessário e não queria tirar proveito algum de tal reconhecimento.

João Baptista é venerado como messias pelo mandeísmo, também considerado pelos muçulmanos como um dos grandes profetas do Islão. Na Umbanda, este santo é sincretizado como uma das manifestações do orixá Xangô, responsável por um agrupamento de espíritos que trabalha para a saúde e o conhecimento, que congrega médicos e cientistas. Já no Islamismo, é reverenciado pelos muçulmanos sunitas como sendo um dos seus profetas. O santo também é o padroeiro da Maçonaria (por conta da criação da entidade, em 24 de junho de 1717).

Sobre a festa (que não vai rolar esse ano) junina de São João

A festa se originou na Idade Média na celebração dos chamados Santos Populares (Santo António, São Pedro e São João). Os primeiros países a comemorá-las foram França, Itália, Espanha e Portugal. Anteriormente os festejos ocorriam por conta do solstício de verão, as quais marcavam o início da colheita. Nelas, ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários deuses em que o povo acreditava. Um deles era Juno, esposa de Júpiter, que era considerada a deusa da fecundida. Nessas festas, chamadas “junônias”, as pessoas dançavam e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos.

Os jesuítas portugueses trouxeram os festejos joaninos para o Brasil. As festas de Santo Antônio e de São Pedro só começaram a ser comemoradas mais tarde, mas como também aconteciam em junho, passaram a ser chamadas de juninas.

Nunca gostei de festas juninas, mas sei da importância delas na cultura brasileira. Gosto de algumas comidas típicas do período (vatapá então…nossa!), assim como adorava as bombinhas, como toda criança. Na época de moleque, era obrigado a dançar quadrilha. Aí ficava mais puto ainda com o mês de junho. Na foto, ali em cima, tô com meu irmão, Emerson Tavares, alegre por ter acabado a tortura infantil do “taran ran ran, taran ran ran”. Já adulto, só fui  a trabalho, para cobrir o evento.

Bom, em tempos normais, sem Covid-19, o Dia de São João é celebrado com festas recheadas de muita dança, comida e alegria. Nesta quarta-feira (24), se não estivéssemos em distanciamento/isolamento social, as cidades nordestinas, onde a tradição é mais forte, as quadras ferveriam ao som do forró (For All).

Aqui no Norte, as fogueiras também não serão acesas , não termos quadrilhas e, talvez em algumas casas de famílias que amam a tradição, role umas brocas legais deste período.  Que São João nos proteja deste vírus.

Claro que com o advento das Lives, nosso consumo cultural desde o início dessa quarentena, hoje serão realizadas várias transmissões para festejar via internet, em muitas cidades brasileiras.

Portanto, minhas homenagens ao santo. Viva São João!

Elton Tavares
Fontes: Wikipédia, CruzTerraSanta e Calendarr Brasil.

Feliz aniversário, Kise! – @KiseMachado!

Quem lê este site, sabe: gosto de parabenizar amigos em seus natalícios, pois declarações públicas de amor, amizade e carinho são importantes pra mim. Quem gira a roda da vida nesta segunda-feira (1) é a broda das antigas deste editor e mulher super paid’égua, Kise Machado.

Trata-se de uma figura humanista, fotógrafa das boas, amante de cervejas especiais e de culinária refinada, além de muito querida amiga minha. Não lembro o momento exato em que conheci a Kise, mas faz tempo.

Ela é virada, pois é acadêmica de Direito, torcedora fervorosa do Papão (o maior time de futebol do Norte do Brasil), ex-colega de trampo, fã de aviação, mãe e filha dedicada e profissional responsável.

Trampei com a Kise na Prefeitura de Macapá, em 2013 e quando assessorei o senador Randolfe, em 2017. Ela é trabalhadora, dedicada, sincera, prestativa, espirituosa, alegre, engraçada e inteligente.

Kise é uma pessoa porreta demais. Sobretudo uma mulher de bem. Uma daquelas amizades que vale à pena levar para a vida toda. Enfim, já disse antes e repito: ela é caralísticamente gente fina.Vez ou outra, nos encontramos. E é sempre um papo porreta.

Tenho muito “consideramento” por ela e sei que é recíproco. Aliás, tô devendo tomar uma cervejada com a Kise há tempos e está na lista de coisas para fazer depois da pandemia.

Kise, mana velha, “tu saaaabes, Patinhas”. Apesar destes tempos tristes de pandemia, estou feliz pela tua vida que se renova hoje. Que a força sempre esteja com você. Que tu sigas pisando forte em busca de teus objetivos. Que teu novo ciclo seja ainda mais produtivo, próspero e que tenhas sempre saúde e sucesso junto dos teus amores.

Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares

Promotores de Justiça acompanham atividades realizadas pela Associação de Pais e Amigos Autistas de Macapá

Membros da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde e da Promotoria de Justiça de Mazagão visitaram a Associação de Pais e Amigos Autistas de Macapá (AMA/AP), na tarde dessa terça-feira (2), para acompanhar as atividades desenvolvidas pela entidade, sem fins lucrativos, que atende cerca de 40 crianças autistas.

Os promotores de Justiça Fábia Nilci e Marco Valério, titulares das Promotorias de Defesa da Saúde e de Mazagão, respectivamente, além da assessora técnica Carla Pena, observaram o trabalho de acolhimento realizado junto aos familiares e a interação com a comunidade, por meio do desenvolvimento de campanhas educacionais.

A AMA/AP foi criada em 2008 e, durante a visita, a presidente da Associação, Jane Betânia Souza, apresentou a estrutura da sede e os serviços desenvolvidos, bem como enfatizou que hoje a maior dificuldade encontrada é a falta do diagnóstico precoce do autismo e a realização de exames médicos.

“Isso ocorre em razão da carência de profissionais e a falta de estrutura na rede pública para atender a demanda apresentada. Atualmente estão construindo, por meio de emenda parlamentar, uma nova sede que terá capacidade de atender 200 crianças, porém necessita de parcerias de órgãos públicos e da iniciativa privada para se manter durante todo o processo”, ressaltou Jane.

A presidente da AMA-AP disse, ainda, que atualmente, as famílias que recebem o diagnóstico da criança com TEA e que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), ficam sem saber para onde levar suas crianças e que encaminhará à Promotoria de Defesa da Saúde um documento contendo todas as dificuldades encontradas pelos pais no atendimento médico-hospitalar de pessoas autistas. A Promotora Fábia Nilci informou que será instaurado um procedimento para acompanhar e apurar as denúncias registradas.

O promotor de justiça Marco Valério, que também é voluntário da AMA-AP, falou da importância do trabalho Associação e que, em Mazagão, haverá uma parceria entre a Prefeitura Municipal, que disponibilizará uma sala na UBS e profissionais para atendimento exclusivo de pessoas autistas.

Ao final da visita, a promotora de justiça Fábia Nilci, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Cidadania (CAOP-CID), convidou a Associação para participar de uma iniciativa do CAOP, que culminará com o desenvolvimento de campanhas educacionais nas redes sociais, bem como, na caminhada que tratará do tema autismo, a ser realizada no dia 27 de abril deste ano.

SERVIÇO:

Ana Girlene de Oliveira e Anita Flexa
Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]

Justiça Federal determina que Anac não cobre taxas sobre pistas de pouso em terras indígenas

Após pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal no Amapá determinou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se abstenha de cobrar taxas ou tributos para registro ou homologação de pistas de pouso localizadas em terras indígenas. A decisão, publicada em 13 de novembro, tem alcance nacional e vale para as solicitações feitas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) ou pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

A atuação do MPF tem por objetivo regularizar operações de transporte aéreo em terras indígenas, em especial para as comunidades com difícil acesso por via terrestre. Para o MPF, a cobrança de taxas pela Anac é ilegal e tem dificultado o processo de registro das pistas de pouso. Pela legislação, as terras ocupadas pelos indígenas possuem imunidade tributária, não cabendo cobrança de qualquer imposto ou taxa.

Em abril deste ano, o MPF já havia recomendado à Anac a isenção das taxas para registro dos aeródromos em terras indígenas. Porém, a agência informou, por meio de ofício, a impossibilidade do acatamento. Na manifestação, a Anac alega que a Taxa de Fiscalização da Aviação Civil está sujeita ao regime tributário constitucional, e que não é gerada sobre renda ou terras indígenas, mas sobre a existência de uma área destinada a navegação aérea. Alega ainda, ser genérica a isenção tributária presente no Estatuto do Índio.

Na liminar, a Justiça Federal afirma que a manifestação da Anac não possui respaldo legal, uma vez que a legislação garante a isenção absoluta a qualquer tributo nas terras indígenas. Portanto, se uma pista de pouso é construída na área para atender as necessidades da comunidade, como meio para obtenção de diversos direitos, a justiça entende como patrimônio, tornando legítima a isenção da cobrança de taxa.

Ação do MPF – Desde 2012, o Grupo de Trabalho da Saúde Indígena, da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, tem buscado alternativas, junto à Anac e demais órgãos públicos, para solucionar a regularização das pistas de pouso em terras indígenas. Ao todo, 249 pistas estão irregulares. Comunidades isoladas dependem totalmente do transporte aéreo para o transporte de profissionais de saúde e educação, além do recebimento de materiais, a exemplo de medicamentos.

Assessoria de comunicação do MPF/AP

Moradores de Itaubal acreditam no trabalho e empenho de Bruno Mineiro

Moradores do município de Itaubal receberam com muito carinho e respeito o candidato a Deputado Estadual pelo Partido Social Democrático(PSD), Bruno Mineiro.

Durante o encontro com Bruno a comunidade aproveitou para expor as necessidades do município e quais melhorias precisam ser feitas para o crescimento de Itaubal.

Bruno estava acompanhado por lideranças políticas como os professores Oderico, Odeci e o vereador presidente da Câmara da cidade Jaison Picanço.

Bruno conhece bem a cidade e vem trabalhando a alguns anos em benefício dos moradores. Quando foi secretário de transporte proporcionou grandes serviços pela região, como o início da pavimentação asfáltica que dá acesso ao Município.

Assessoria de comunicação

Ouvidoria do MP-AP lança o SisSouv durante o Reunião do Conselho Nacional dos Ouvidores

Durante a 35ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional dos Ouvidores do Ministério Público (CNOMP), a Ouvidoria do Ministério Público do Amapá (MP-AP), o Comitê Estratégico de TI (CETI) e o Departamento de Tecnologia de Informação (DTI) da instituição apresentaram o novo Sistema de Ouvidoria do Ministério Público do Estado do Amapá (SisSouv), adaptado às Resoluções 153/2016 e 180/2017 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O objetivo principal do sistema é ajudar a modelar uma nova Ouvidoria do Ministério Público, profissionalizando com um grau de excelência a forma de atendimento do cidadão, indo muito além de registrar esse atendimento pessoal, mas também querendo saber se ele ficou satisfeito com o serviço prestado.

O diretor do DTI, Rodinei Paixão, e o gerente da Divisão de Sistemas de Informação, Marcelo Pantoja, demonstraram o uso do Sistema, enfatizando as funcionalidades e recursos disponíveis nele e como, a partir da sua implantação, ficará mais fácil realizar uma manifestação e acompanhá-la, em qualquer momento, tanto através de um navegador de internet como em dispositivos móveis. Ainda explicaram que os próximos passos que estão sendo articulados pelo DTI visam integrar a Base de dados de CPF/CNPJ da Receita Federal e transformar esta aplicação em um aplicativo da Ouvidoria para Android e IOS.

As adaptações às Resoluções do CNMP que viabilizam progresso nos serviços desenvolvidos pelas ouvidorias foram apresentadas pelo ouvidor substituto, Paulo Celso Ramos. “Além de reduzir o retrabalho, o sistema auxilia na interação automática com o cidadão, por meio de mensagem no celular e por endereço eletrônico e, ainda traz contribuições no que tange o layout moderno e responsivo que se adapta em qualquer dispositivo móvel”, explicou.

O ouvidor do MP-AP, Jayme Ferreira, destacou a importância do mesmo para subsidiar os trabalhos. “A Ouvidoria atua com esse instrumento de gestão, na medida em que, por meio do sistema é possível gerar relatórios gerenciais automáticos para subsidiar as decisões e dar andamento às demandas”, pontuou Jayme Ferreira.

Alguns MPs demonstraram interesse em utilizar a expertise do MP-AP e adotar em suas unidades ministeriais o aplicativo eletrônico para as suas respectivas ouvidorias.

SERVIÇO:

Gilvana Santos e Luanderson Guimarães
Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]

Dia da Luta Antimanicomial – Por Janisse Carvalho


Pelo que lutamos é o que dá sentido a nossa vida!

 
Ao me graduar em psicologia em 1996 não tinha muita noção das coisas, e nem acredito que hoje a tenho por completo (risos) – com certeza estou em busca de; mas o fato é que quando estamos no processo de graduação os fenômenos que estudamos não estão muito claros. Assim foi comigo quando iniciei meu estágio num hospital psiquiátrico no Pará. Lá a única certeza que tinha é que aquele tipo de “tratamento” não era legal e alguma coisa precisava ser feita para transformar a realidade da vida das pessoas que viviam literalmente abandonadas, assim como também com relação a suas famílias e com os trabalhadores que lá perdiam sua saúde.

 

Foi então que dei o starte  para encontrar uma solução. Não tardou, conheci o Movimento da Luta Antimanicomial brasileiro e por conseguinte o movimento de reforma psiquiátrica italiana. Aos poucos os princípios que me moviam e movem até hoje nessas lutas, foi tomando conta de mim, de meus pensamentos, de meus juízos de valor. Mexeu com todas as minhas certezas naturalizadas e bem acomodadas em discursos que mais tarde qualifiquei de preconceituosos ou superficiais. Lemas como respeito às diferenças, tolerância, compaixão, diversidade, consciência crítica, humanidade me transformaram. Pra mim, para melhor.
 
Hoje, continuo mergulhando nestes e em outros conceitos, como política, democracia, direitos de cidadania e emancipação humana. E nesse mergulho a realidade se revela e me faz afirmar que aquilo pelo que lutamos nessa vida, dá sentido a ela (vida).

 

O dia 18 de maio é um dia emblemático em que comemoramos o dia da luta antimanicomial, e, como toda data comemorativa, se fazem reflexões sobre temas que ainda permeiam essa questão. Alguns podem se perguntar: “mais pra que uma data pra comemorar esse tipo de coisa? Tem alguma coisa para comemorar nesse campo?” Em primeiro lugar, na minha opinião, uma data comemorativa, como dia das mães, dia da mulher, dia dos pais, etc, serve para da uma pausa no cotidiano de afazeres que cada vez se intensifica; serve para suspender nosso movimento de reprodução e darmos espaço para movimento de produção de ideias, criticas, reflexões, criações de possibilidades para transformar o mundo (Eu, idealista?! Imagina! Rs). Em segundo, temos muito o que comemorar nesse campo sim.
 
A aprovação da Lei 10.216/2001 foi só mais um passo concretizado rumo a uma sociedade mais democrática e fortalecida politicamente. Hoje convivo com pessoas que ainda vivem em situação de sofrimento e que precisam de acompanhamento psicossocial, mas que suas existências ganharam um sentido quando foram chamadas a participar da nossa “maravilhosa” vida em sociedade, sem serem internadas, segregadas e estigmatizadas (este ultimo ainda é um processo em desconstrução). É obvio que ainda tempos desafios enormes para enfrentar, como a falta de assistência, inoperância dos governos, desvio de verbas publicas, privatização da saúde pública, e problemas mais estruturais como desemprego, desigualdade social e exploração capitalista da força de trabalho.

 

Mas mesmo assim, isso não nos impede de dizer que estamos no caminho mais acertado, pelo menos dadas as condicionantes históricas e salvaguardado o fato de que somos sujeitos fazendo a história, transformando vidas, inclusive a nossa!
 
Por uma sociedade sem manicômios!
 
Por uma sociedade que estimule a consciência critica e nos faça mais humanos.
 
Janisse Carvalho, psicóloga e militante Antimanicomial

Educação custa caro, e não é uma questão de grana!!!


Educação custa caro, e não é uma questão de grana!!! Custa investimento e não somente em termos monetários! Investir no conhecimento, na informação. Custa dias, noites, tardes debruçada nos livros e refletindo sobre as possíveis alternativas para o mundo. Custa energia, dedicação, atenção! Cria discurso que não se reproduz, não se repete, mas se compartilha e mobiliza para ação. Transformação, trans forma a ação. Atravessa a forma de agir.
Hoje em dia é fácil falar “eu sou comprometida com o meio ambiente”. Eu quero é ver! Sentir, vibrar, virar. Educação custa tempo e consciência. Com ciência implica viver com dor, a dor na consciência! Infelizmente, desse mal a grande maioria das pessoas não sofre! Agora de depressão por falta de dinheiro ou ansiedade em comprar tudo o que vê pela frente, isso… ah! Já é uma pandemia!
Educação custa caro. Muito caro.

Conhecimento é poder! (…) Poder de ser capaz de investir no mundo, nas pessoas. O descrédito na transformação só serve para o discurso dos ignorantes, aquele que encontramos de vez em quando por ai com pensamentos prontos, sucintos e limitados. Daqueles que a gente não tem nem espaço para argumentar alguma reflexão.
É preciso cuidado para não cairmos nesses papos rasos!

Janisse Carvalho

Sociedade do Superego parte III


No salão de beleza:
Fazendo rena na sobrancelha:
– Pronto, veja se ficou bom.
– Nossa! Ficou super natural!
Fazendo escova progressiva no cabelo (alisando!!!)
– Olha só como ficou lindo seu cabelo!
– É mesmo! Adorei. Ficou super natural!
Colocando unhas postiças:
– E ai gostou?
– Adorei! Gente, nem dá pra perceber que são postiças. Ficou super natural.
Na rua, pai e filho passeiam:
– Pai, por que existem pobres e ricos?
– Meu filho você já imaginou se todos fossem ricos? Não ia ter pra todo mundo. A pobreza é natural da vida.
(…) é verdade, é SUPER NATURAL!

Janisse Carvalho

Sociedade do Superego, a SS! (parte II: pensando…)


Poder, inveja e traição. Realidade de quem experimenta o poder. E não precisa ser um super poder. Basta ocupar posições de destaque, chamar para si a responsabilidade, assumir um cargo. Os aficionados pelo poder, adoram cargos! São tão idiotas que não entendem as exigências que um cargo público pode ter, talvez por serem idiotas mesmo, ou por se acharem muito espertinhos e não acreditarem que um dia podem vir a ser cobrados por seus atos. Dai só pensam em beneficiar a si próprios. A maioria desses são engraçados, simpáticos e extremamente preguiçosos, não produzem nada!
O Facebook é um que pode facilitar ou dificultar as relações entre as pessoas. Por isso, antes de escrever ou compartilhar algo temos que refletir bem sobre a consequência daquilo que postamos. Nem sempre sabemos o que queremos dizer (o inconsciente é poderoso!)… Mas a SS exerce mais uma vez seu poder sobre muitos. O que vemos muitas vezes são discursos furados, que apenas reproduzem idéias dos outros. Mais uma característica da SS: reproduzir ideias, ctrl c crtl v! Afinal, produzir conhecimento exige dedicação, disponibilidade, trabalho árduo de reflexão, pensamento crítico e de suspensão do cotidiano, e tudo isso dá muito trabalho, faz perder a novela, alguns FDS com os amigos na bebedeira, o passeio no shopping e por ai vai. 
Na sala de aula vivo me questionando sobre qual é o real papel do professor. Cheguei até a ensaiar a diferença entre ser professor e ser educador. Este último encara os conflitos, não controla, monitora, acompanha; evita julgamentos do tipo “esse ai não quer nada” só porque a pessoa não presta atenção em sua aula! O educador não tem preferência, tem preferências! Tem vários pesos para várias medidas, já que seus educandos são diferentes entre si. Já o primeiro segue as regras da relação com o aluno (literalmente A LUNO) e as questiona pouquíssimo, um, para garantir sua autoridade, dois, para manter-se seguro e três, deve ser também por alguma necessidade de poder mais inconsciente. Inconsciente! O superego é uma instancia psíquica inconsciente… hum… deve ser por isso que muitos trabalhadores da educação são só professores.
Janisse Carvalho

Sociedade do Superego (parte I)

Relação professor-aluno:

Na sala de aula vivo me questionando sobre qual é o real papel do professor. Cheguei até a ensaiar a diferença entre ser professor e ser educador. O primeiro segue as regras da relação com o aluno e as questiona pouquíssimo, um, para garantir sua autoridade, dois, para manter-se seguro e três deve ser também por alguma necessidade mais inconsciente.
O caso é que, por que é tão difícil sair do pedestal?
Bem, na minha opinião, um dos motivos deve ser o fato de vivermos na sociedade do superego, para quem faltou as aulas de psicologia superego é uma instancia psíquica que compõe a estrutura do aparelho psíquico, este formado também pelo Id (principio do prazer) e pelo Ego (mediador). O superego é a dimensão que vai se constituindo ao longo da vida (para alguns hehehe) que é regida pelo princípio do dever, ou seja, que reproduz as regras sociais e morais da sociedade.

Numa intervenção teatral que participei, e para facilitar a compreensão do grande público, ainda que caindo no perigo de resumir o conceito, se o superego tivesse uma fala ele diria: “Voce não pode”, “o que a sociedade vai pensar?”  ou “Isso é errado, ou isso é certo”. O Id por sua vez diria: “Eu quero, eu desejo…eu preciso”. Enfim, enquanto um quer realizar o seu desejo CQC, o outro tenta impedi-lo, censura-lo.
A partir dessa breve explicação sobre o conceito de Superego, que me perdoe Freud que dedicou a vida e produziu uma extensa obra sobre o assunto, eu repito a frase: vivemos numa sociedade do superego.
O que quero dizer é que estamos sempre precisando de alguém dizendo o que devemos fazer ou não. Estamos sempre requisitando as velhas formas de vigilância das quais falou Foucault. E ainda assim, falamos em liberdade, autonomia… Democracia!!!
Sinceramente, como podemos pensar em liberdade se não sabemos ser livre? Como falar em autonomia se precisamos sempre de alguém mostrando o caminho a seguir? Democracia nem se fale! Como podemos imaginar viver democraticamente se não respeitamos nossos opositores? Se não sabemos escutar e compreender que nas relações interpessoais há divergências de interesses e isso implica em de vez em quando EU ter que rever os meus para nos entendermos?!
Assim, sair do pedestal é sempre um movimento muito difícil e trabalhoso, pois vai nos colocar em um outro grau de relação com nossos alunos, e que nem sempre vai nos trazer boas experiências.

Janisse Carvalho

Reformar a saúde mental no Amapá: coisa de louco! (Será?)


Tratamento ou cuidado? Doente mental ou pessoa acometida por transtorno mental? Desinstitucionalização ou desassistência? A reforma psiquiátrica no Brasil já completa oficialmente uma década este ano. A lei 10.216 aprovada em abril de 2002 finalmente é possível de se em prática. Há os que criticam, afirmando que não dá certo, que os “loucos” ficam soltos por ai. Enfim, tudo isso é fruto do sistema “democrático” em que vivemos, cada um expressa sua opinião e esta deve ser respeitada.

Divergências a parte, é preciso focalizar mesmo nos desafios que esta proposta traz. Em vários estados brasileiros, as experiências são muitas e cada vez mais o Ministério da Saúde investe nesse campo. Mas ainda há o que avançar.

No que diz respeito à realidade da saúde mental no Amapá, é preciso levar em consideração alguns aspectos históricos centrais que desafiam a implementação da reforma psiquiátrica: 1) trata-se de um estado que não possui registro da existência de hospitais de grande porte (manicômios)[1] ; 2) a Política de Saúde Mental está na fase inicial; e 3) há uma escassez de profissionais especializados na área, em especial médicos psiquiatras.
No primeiro aspecto, apesar da não existência de manicômios no estado, nota-se entretanto, a cultura manicomial inscrita no tecido social, ou seja, a ideia de que a segregação e exclusão da pessoa acometida por sofrimento mental do convívio social são medidas necessárias. Este olhar dificulta a implementação dos serviços substitutivos, uma vez que estes atuam para inclusão e respeito aos direitos das pessoas acometidas por transtornos mentais. Vale ressaltar, que é necessário uma política de esclarecimento junto a população e à mídia local a respeito dos direitos e das mudanças na assistência médica-jurídica aos usuários e familiares.
O segundo ponto é consequência do primeiro, pois, a incipiente política de saúde mental precisa da organização política ativa da sociedade civil, como conselhos, fóruns e associações, isto é, para que uma política seja implementada é essencial que a sociedade civil também se comprometa nessa ação e deixe de centralizar as decisões no Estado.
O terceiro fator relaciona-se com os demais no que tange a formação acadêmica. No Amapá, ainda existem poucos cursos de nível superior e tecnológico no campo da saúde, em especial o curso de medicina que está em fase de implantação. A contratação de profissionais especializados fica dependente do recrutamento em outros estados, o que dificulta o andamento dos serviços de saúde mental, bem como aumenta os custos nessa área. Observa-se que este fenômeno traz sérias restrições no quadro funcional dos serviços substitutivos.

É claro que ainda há outros aspectos importantes que não cabem enumerar aqui. Contudo, estas são algumas variáveis a se considerar para o sucesso da implementação da política, com vistas à superação dos desafios. Para  equipe técnica que forma esta Coordenadoria Estadual de Saúde Mental da SESA, priorizar as ações na direção de um trabalho sensibilizador da comunidade em geral, no sentido de disseminar a cultura antimanicomial e promover a autonomia dos serviços oferecidos à população é talvez um dos maiores desafios.
Afinal, promover saúde mental é principalmente transformar olhares, e coisa de louco é continuar ampliando prisões, reproduzindo a lógica perversa do manicômio, repetindo por ai que “loucos são eles!”
E aqueles que foram vistos dançando, foram julgados insanos por aqueles que não escutavam a música” (Nietzsche)

Janisse Carvalho

Como a psicologia pode contribuir para a compreensão sobre a política?


Em primeiro lugar é importante reconhecer a Natureza contraditória da política. O grande desafio da política é sair do particular e chegar ao coletivo. Isso também se aplica de certa forma à psicologia, pois é uma prática que deve levar o individuo à emancipação e à sensibilização das necessidades dos outros sujeitos com quem convive.Isto é, ser ele mesmo sem prejudicar o outro.

É uma postura que quebra com a dicotomia entre individual e coletivo, pois propõe a compreensão de interdependência entre essas dimensões. Individuo era chamado de Idion, idiotes = individuo absoltamente singular. 

Esta interpretação coloca um desafio para psicologia contemporânea que de certa forma sofre os impactos dessa dicotomia, e tem o mesmo desafio da política: sair do particular e chegar ao coletivo. É um erro pensar a psicologia para o individuo, assim como é um erro pensar a política para um individuo ou determinado grupo. É preciso entender a dialética entre o individual e coletivo e incorporar essa relação sem cair no erro “didático” da dicotomia. 

A política é má interpretada devido ao pensamento reativo ao invés de critico-reflexivo. É preciso o pensamento crítico, segundo Marco Aurélio Nogueira.

A política é movida pelo poder. Segundo Nogueira, ajuda a domesticar a arrogância e autoridade, pois é a organização das diferenças. Não necessariamente o poder que gera opressão, mas aquele que significa possibilidade de transformação/decisão. 

Nesse aspecto é preciso reconhecer as representações sociais de poder na sociedade capitalista, que em última analise é de natureza econômica. Queremos dinheiro, porque significa poder. Isso causa impactos importantes nas práticas políticas e na personalidade, no caráter, na qualidade dos sentimentos humanos, enfim no psiquismo. 

Desta forma, a psicologia se aproxima da política, no que diz respeito à organização de sentimentos e necessidades. A vida política de alto nível (crítica, participativa, preocupada com o coletivo) exige uma reforma pessoal séria, e isso só acontece com o reconhecimento das necessidades pessoais e coletivas numa relação dialética e de contínuos processos de superação das contradições implícitas nessa relação. 

Reforma pessoal é o que acontece num processo terapêutico. Daí a importância do trabalho do psicólogo. É preciso ter a consciência que estamos formando pedagogicamente cidadãos.

Debater sobre psicologia e política pública é reconhecer essa íntima relação e também privilegiar a suspensão do cotidiano da pratica profissional do psicólogo, que significa dizer, valorizar o ser humano na sua integralidade (bio-psico-social-político-espiritual).

Assim sendo é preciso assumir uma postura crítica diante de práticas (emancipatórias /assistencialistas), ênfases (curativo/preventivo) e possibilidades de transformações (não de reprodução da lógica de opressão).

O psicólogo deve atuar antes de tudo pela libertação do homem (mesmo que isso seja uma fantasia) e a significação de sua existência, e a política pública deve dar o suporte para que isto aconteça!

Janis