Alcinéa Cavalcante terá obra “Caneta Dourada” lançada na Bienal de Culturas Lusófonas de Lisboa – @alcinea

A escritora, poeta e jornalista do Amapá, imortal da Academia Amapaense de Letras (AAL), além de querida amiga deste editor, Alcinéa Cavalcante, terá sua obra, “Caneta Dourada”, lançada na Bienal de Culturas Lusófonas de Lisboa (POR), que será realizada no dia 5 de maio de 2019.

Publicado pela editora Mágico de Oz, o livro reúne belos poemas ou crônicas da autora tucuju.

O evento, que conta com o apoio do Núcleo de Letras e Artes de Portugal, visa difundir e preservar a literatura de países da Língua Portuguesa e integrantes da Comunidade Lusófona.

Internacionalmente conhecida, Alcinéa já atravessou oceanos com outros feitos literários, como o conto “A pedra encantada do guindaste”, publicado na Antologia “As Melhores Obras deste Século”, em 2017.

” A pedra encantada do guindaste” também faz parte da antologia “Vozes Portuguesas”, do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa, lançada em Maio do mesmo ano, em Odivelas (Portugal).

Em outubro de 2018, com o conto “La Pierre enchantée” integrou a antologia “Les Plus Belles Oeuvres de ce Siècle”, que foi lançado no Museu do Louvre, em Paris (FRA) e no no Museu do Perfume, na cidade de Marrakesh (MAR).

Por conta de sua contribuição literária, Alcinéa já foi homenageada e recebeu medalhas que o Núcleo de Letras e Artes de Portugal concede a escritores lusófonos, como o prêmio Camões.

Alcinéa escreve com colorida ternura e leveza. Seu lirismo é recheado de referências da memória afetiva amapaense, que se confunde com seu admirável talento.

Tudo que li de sua autoria, sejam poemas, contos ou crônicas, além dos incontáveis textos jornalísticos, foi feito com brilho peculiar da escritora.

Repito sempre: Alcinéa é “PHO – DA”! Assim mesmo, com PH, silabicamente e em caixa alta. E estou orgulhosão dela.

Meus parabéns à escritora, que representa a literatura do Amapá nacional e internacionalmente. Orgulho de ti, Néa. Estamos felizes por você e por nós. Parabéns!!

Elton Tavares

Moedas e Curiosidades – “A Moedinha n° 1” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Em 2016 foi feito o relançamento do “Manual do Tio Patinhas” com a famosa Moedinha n° 1, essa obra tinha sido lançada originalmente em 1972 fazendo parte de uma série de manuais da Editora Abril, e eu tive a felicidade de adquirir um exemplar desse manual com a moedinha.

O nome original de Tio Patinhas, Scrooge McDuck, se baseia no avarento Ebenezer Scrooge, personagem principal do “Conto de Natal” de Charles Dickens. Tal como muitos outros habitantes de Patópolis, Tio Patinhas se tornou popular no mundo inteiro, e tem sido traduzido em inúmeros idiomas.

Tio Patinhas, surgiu nos quadrinhos em dezembro de 1947 em “Natal nas Montanhas” (Christmas on Bear Mountain), história escrita e desenhada por seu criador Carl Barks. Tio Patinhas era um velho barbudo, de óculos e razoavelmente rico, que andava curvado sobre uma bengala e vivia isolado numa grande mansão.

A Moedinha n° 1 é um elemento do universo fictício de Patópolis nas histórias em quadrinhos dos estúdios Disney: é a primeira moeda que Tio Patinhas ganhou na vida. A Moedinha n° 1 foi criada por Carl Barks, fazendo sua estréia na história “The Round Money Bin” em setembro de 1953. O Tio Patinhas recebeu a moeda aos dez anos de idade, quando vivia em sua terra-natal, Escócia e trabalhava como engraxate. O velho milionário ainda tem a moeda guardada sobre uma almofada debaixo de uma cúpula de vidro, pois a considera muito especial. Para pato Donald, Huguinho, Zezinho, Luisinho, Gastão e muitos outros, a Moedinha n° 1 é um talismã de boa fortuna, mas Tio Patinhas assegura que seu valor é somente sentimental.

O Tio Patinhas tem seis dicas de gestão financeira, que dá uma “ajudinha” para as pessoas ficarem ricas como ele! (tô precisando aprender essas dicas kkk.): 

1. Valorize o esforço do seu trabalho – tem sempre que trabalhar muito.
2. Adquirindo conhecimento e experiência – não deixe sua carreira congelar em um estado, procure sempre mais.
3. Transforme sua experiência em dinheiro – praticar e aprender sempre.
4. Empreenda – procure novas maneiras de ganhar dinheiro.
5. Economize sempre – saiba economizar seu dinheiro.
6. Invista o seu dinheiro – precisa conhecimento para saber onde fazer seu investimento, nada de investir de qualquer maneira.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

Com acervo de 65 mil obras, Biblioteca Elcy Lacerda celebra 74 anos com música, dança e poesia

Foto: Maksuel Martins

Por Ugor Feio

Com cerca 65 mil obras no acervo, a Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda, no Centro de Macapá, celebra 74 anos de fundação neste sábado (20). A festa será gratuita e vai das 15h30 às 19h. O evento conta com programação cultural, bolo de aniversário, homenagem a parceiros da instituição e show musical.

As atividades culturais são compostas de apresentações de grupos de música, dança, poesia, assim como contação de histórias para crianças, jovens e adultos. Após isso, haverá uma cerimônia para cantar os parabéns entre os presentes e em seguida o corte do bolo.

O evento segue com a entrega de diplomas de honra homenageando jornalistas e parceiros envolvidos de alguma forma no trabalho da instituição. A apresentação musical do cantor amapaense Nivito Guedes encerra o dia.

O diretor da biblioteca, José Pastana, destaca a “transformação social” realizada pela instituição e diz que a comemoração é uma forma de evidenciar o serviço prestado desde a fundação do local, em 20 de abril de 1945, à população da capital do Amapá.

“Cada ano que passa fortalecemos o trabalho realizado aqui. Não se trata só de armazenar livros, mas sobre a transformação social que acontece através da leitura, acessível, democrática e aberta para população”, destacou Pestana.

A direção da biblioteca conta ainda que mais 3 mil autores amapaenses compõem o acervo da instituição, que conta com livros, CDs, DVDs, revistas e jornais.

O prédio abre diariamente das 8h às 18h e possui 16 salas, onde são promovidas atividades relacionadas à cultura e a educação para pessoas de qualquer idade.

“A representatividade da biblioteca dentro do estado é de grande importância. Aqui nós formamos leitores e guardamos nossa cultura. Seja na sala voltadas só para autores regionais, afro indígenas, na sala de obras raras , ou de jornais e diários oficiais, é a nossa história que está aqui”, finalizou o diretor.

Programação:

15h30 – apresentação cultural (Poesia, dança e contação de histórias)
16h – homenagem a parceiros da instituição e entrega de diploma de honra
18h – cerimônia dos parabéns e corte do bolo de aniversário
18h30 – show do cantor Nivito Guedes

Fonte: G1 Amapá

Projeto ‘TECNO BARCA’ abre inscrições para residência artística no Bailique

Até o dia 15 de Maio estão abertas as inscrições para a residência artística do projeto “TECNO BARCA – Um ateliê galeria itinerante sobre a terra das águas”, que acontece entre 19 e 30 de Julho no Arquipélago do Bailique. A iniciativa reúne artistas que residirão durante 12 dias na Vila Progresso, compartilhando seus processos criativos, oficinas e intercâmbios junto às comunidades ribeirinhas.

As obras e ações resultantes serão instaladas em um barco – a “Galeria de Arte Flutuante” – que nos últimos dias da residência navegará pelo arquipélago, atracando nas pequenas vilas e convidando os moradores a participar das exposições, exibições de filmes e performances.

O TECNO BARCA busca conectar artistas e comunidades em ações de troca de saberes, criação colaborativa e formação de redes, apresentando diversas possibilidades de inserção da arte no cotidiano e no aprendizado.

Chegando em em sua terceira edição em 2019, o projeto é uma iniciativa do artista amapaense Wellington Dias, como uma oportunidade para se reconectar com as raízes familiares e levar ações artísticas a um lugar que geralmente está fora do circuito cultural.

Segundo Wellington, “Tecno Barca foi um chamamento, uma inquietude, um projeto imaginado e que se dá no coletivo, nos relacionamentos, na disposição para o encontro, a troca, o silêncio e atenção ao tempo da floresta, ao ciclo das águas, às urgências cotidianas, causos nobres e memórias dos ribeirinhos”.

Através de diversas parcerias, o projeto cresceu e hoje é realizado pelos coletivos Frêmito Teatro e Bando Filhotes de Leão em cooperação com a Cia. Supernova e o Coletivo Tensoativo, grupos independentes dedicados a movimentar a cena cultural amapaense. Em 2019, alguns dos artistas de fora do estado do Amapá que participaram da primeira e segunda edição retornarão ao Bailique para dar continuidade aos seus processos artísticos em diálogo com as comunidades e paisagens do Bailique.

Além dos participantes que retornam ao arquipélago, o projeto selecionará cinco artistas locais – residentes no Amapá – podendo ser oriundos de diversas áreas como artes visuais, artes cênicas e audiovisual. A inscrição é realizada através de um formulário online disponível no blog do projeto [http://tecnobarcabailique.blogspot.com/].

Para se candidatar, cada artista deve enviar informações sobre o trabalho que desenvolve e uma breve carta de intenção. O projeto oferecerá translado de barco até o Bailique, hospedagem, alimentação e uma ajuda de custo para os materiais das propostas artísticas.

SERVIÇO:

TECNO BARCA III – Um ateliê galeria itinerante sobre a terra das águas
Inscrições para artistas locais: até 15 de Maio
Data da residência: 19 a 30 de Julho de 2019
Inscrições pelo link: http://tecnobarcabailique.blogspot.com/
Contato: [email protected] | (96) 98107-1972)

REDES SOCIAIS:
Frêmito Teatro: https://www.facebook.com/fremitoteatro/
Bando Filhotes de Leão https://www.facebook.com/bandofilhotes.deleao
Cia. Supernova: https://www.facebook.com/ciasupernova/
Coletivo Tensoativo https://www.facebook.com/tensoativo/

DENTRO DO JARDIM DO CORAÇÃO (Resenha do livro “CAMINHOS DO RIO…”, do autor Luíz Fernando Liveira) – Por Fernando Canto

Por Fernando Canto

O marinheiro Luíz Fernando Liveira traz em seu navio-viajante o fado de ser poeta. Seu livro de poemas abarca, antes de tudo, uma paixão inebriada pela Amazônia e pela sua geografia inconclusa de tantos lugares pelos quais aporta e cultiva um “Jardim do Coração”, local que diz ser “ideal para a flor do amor.” E esse amor não existe apenas na feitura dos versos, mas também na paixão que se espraia pela divulgação em seu site e agora por este trabalho, da região amazônica, ainda tão desconhecida da maioria dos brasileiros. Nesse processo está contido o “dever de proteger e declamar os encantos da Mãe-Hiléia”, sendo esse o seu alento.

Liveira é um observador da natureza da região. Muito do que diz nos seus textos advém de um olhar perscrutador que transfere para dentro de si através das “In(ex)ternitudes”, termo usado por ele para explicar metaforicamente seus sentimentos. Porém, é em função de suas inquietações que o autor encara a realidade como se fosse um cipoal de difícil penetração – o mundo a lhe provocar desafios, a sociedade a lhe instigar uma porfia, um duelo constante para que possa realizar seus sonhos e seus projetos sociais pela Amazônia. Creio que sua preocupação serve de fulcro para tal aventura poética, pois sua poesia tem uma relação direta com a deidade, e sua fé pulsa constantemente ao meio dos versos.

Para um poeta-marinheiro como Liveira o jogo da angústia está em chegar. Chegar aos mais recônditos lugares: cidades, vilas, paragens com seus nomes de origem indígena ou não, e cheios de histórias características, onde está sempre presente o sentimento amor por ele experimentado. Além disso, ao sentido da observação cabe o olhar ao alto, lá onde passam as constelações que guiavam os primeiros marinheiros exploradores. Além do sentimento telúrico expresso com nitidez, percebe-se em seus versos o orgulho patriótico e o respeito pelos ícones-criadores/retratadores da cultura regional que ele tanto admira.

Luíz Fernando Liveira, em 2011

Ao poeta cabem muitos olhares, dons e dádivas que lhes permite prever e crer. E neste trabalho o poeta não poderia esquecer-se de notar as mudanças que encontra nos lugares por onde andou e de ser incisivo com seus questionamentos como em “Jari”, quando escreve: “Caminhando teus curvos caminhos/ vejo o progresso a vir, imponente,/ Transportando riquezas e espinhos,/ O progresso vale a pena realmente?”.

Os poemas do marinheiro-poeta têm versos de um poeta-marinheiro experimentado que cumpre sua missão de educar pela poesia. Liveira dá aos seus leitores o bônus de se deleitarem com as viagens feitas por ele, nesse trabalho que considero pedagógico e eivado de amor pelo povo da Amazônia e seus encantos.

Acervo sobre história de Oiapoque é doado à UNIFAP

A jornalista Sonia Zaguetto, autora do livro “A história de Oiapoque” decidiu doar toda a documentação histórica usada na obra. A entrega foi durante uma cerimônia na Presidência do Senador Federal com as presenças do senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), o presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP), e representantes da Universidade Federal do Amapá (Unifap). São aproximadamente seiscentos documentos entre livros, revistas, relatórios, memórias, cartas, recortes de jornais e fotografias.

A obra foi lançada, em Brasília, há uma semana e durante o lançamento a autora relatou ao senador Randolfe Rodrigues o desejo do avô, que é o protagonista do livro.

Segundo Sonia, este era o sonho de Rocque Pennafort: “Ele queria que todo esse material ficasse no Amapá. Meu avô era um entusiasta da preservação da memória amapaense e do Oiapoque. Por isso, eu tinha esse compromisso em doar o acervo assim que o livro fosse lançado”.

Agora, o arquivo documental fará parte do acervo do curso de história da UNIFAP. “A expectativa da nossa família é que o livro e o arquivo sejam amplamente usados pela universidade do Amapá para produção de pesquisas, livros e artigos científicos” comemorou Sonia.

O senador Randolfe, historiador formado pela Unifap, era só alegria: “Esse acervo é de uma riqueza ímpar. Nós merecíamos uma obra tão importante que revela parte da história do Brasil que poucos brasileiros conhecem! ”, comemorou.

O material será enviado à Universidade ainda esta semana.

O LIVRO

Dividido em cinco partes e com mais de 40 fotografias históricas da primeira metade do século XX, além de ilustrações francesas e mapas do século XIX, o livro repassa cinco séculos da história do município de Oiapoque e da fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

O arquivo e as memórias de Rocque Pennafort estão, hoje, entre as raras fontes primárias para se conhecer a história da fronteira. Guardam o relato da única testemunha do primeiro grupo de colonos brasileiros a chegar ao Oiapoque, em 1921, para fundar um núcleo agrícola; além de documentos e fotografias sobre os militares deportados para Clevelândia quando o governo Arthur Bernardes decidiu transformar a região em campo de concentração para abrigar os militares revoltosos dos movimentos tenentistas da década de 20.

Entre as informações mais relevantes do acervo estão o episódio histórico em que a população do Oiapoque idealizou, financiou e construiu sozinha um monumento dedicado ao Brasil que hoje é o símbolo da cidade; e os registros sobre os primeiros indígenas eleitos para cargos políticos do País: o cacique Manoel Primo dos Santos, o Côco, e seu filho, Luís Soares dos Santos, ambos da tribo Caripuna, no rio Curipi, reserva indígena do Uaçá.

Assessoria de comunicação do senador Randolfe Rodrigues

O menino que roubava livros – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Que roubava, não! O menino que rouba livros! E esse menino sou eu! Tá, tudo bem, já estou mais pra velhinho do que menino, mas fiz analogia com o título do filme “A menina que roubava livros” para nomear esta crônica. E por falar em crônica, vamos a ela.

Sou um contumaz ladrão de livros e não me considero criminoso. Pelo contrário, sou um benfeitor da humanidade. Não coloco na condição de crime essa modalidade de roubo. E também não se trata de vício e, sim, de uma virtude. Passemos ao meu ponto de vista sobre o assunto e ao discurso de defesa, caso seja flagrado em algum momento perpetrando o meu “crime”.

Um livro não manuseado perde totalmente sua função. Por isso, não hesito em levar pra casa os que encontro largados, em total abandono e esquecimento. Não me sinto bem ao ver um livro na estante de alguém que o mantém ali apenas para ostentar uma possível erudição ou, pior ainda, para dar ao livro a simples função de ornamento, um objeto de decoração. Aí eu liberto o livro daquela situação vexatória, contrária à sua natureza, que é abrir horizontes, ser o portal de viagens interplanetárias, cruzar oceanos, desbravar novas terras. Ou simplesmente vasculhar o universo que há dentro de cada pessoa.

Na verdade, o Código Penal pode classificar como roubo, mas eu chamo de adoção. Pego o livro que estava destinado a alimentar traças e acumular poeira e o levo pra casa, onde receberá a devida atenção. Eu limpo o livro com todo o carinho e faço uma restauração básica, tipo colar páginas soltas e reforçar a lombada, caso seja necessário. E, depois de lê-lo, guardo-o em um lugar especial, todo pensado para abrigar livros, onde será respeitado e colocado à disposição de quem queira se aventurar por essa viagem fantástica que é a leitura de um livro.

Portanto, meus caros amigos, cuidem bem dos seus livros ou, caso eu tenha uma oportunidade, vou incorporá-los ao meu humilde patrimônio bibliotecário. Mas não tenham medo de me emprestar algum livro, porque faço questão de devolvê-los. E minha pequena biblioteca não é feita somente de livros roubados. Também os compro nas livrarias e sebos e faço girar o mercado editorial. É, pessoal! Esse negócio de roubar livros tem seus critérios muito bem definidos.

“Tropeçavas nos astros desastrada / Quase não tínhamos livros em casa / E a cidade não tinha livraria / Mas os livros que em nossa vida entraram / São como a radiação de um corpo negro / Apontando pra expansão do universo / Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso / E, sem dúvida, sobretudo o verso / É o que pode lançar mundos no mundo” (trecho de Livros, música de Caetano Veloso)

MAMA GUGA – Conto de Fernando Canto que deu nome ao livro (republicado por conta dos 55 anos do GOLPE MILITAR)

Desde sua primeira prisão por contrabando, meu pai estampava na cara que era um bandido, um contraventor, um fora da lei que ameaçava a economia da região por não pagar impostos. Era convicto dessas coisas, até cínico. Propinava gente grande da Alfândega e fiscais estaduais dissimulados. Para ele, tudo era normal numa época de carestia e desencanto. Ele sabia dos perigos que o rondavam e que a qualquer momento poderiam enquadrá-lo por outros crimes. Por muito tempo fora um ajudante de importadores de mercadorias com uma impetuosa vontade de vencer na vida. Queria dar algo melhor para a família de quatro filhos que moravam com os avós em uma casa na Cidade Velha, em Belém, assim que enviuvou ainda jovem.

Depois que aprendeu a rota marítima e um pouco de patois para se comunicar e comercializar com os contatos de Paramaribo e Caiena, produziu sua independência e se tornou patrão, mesmo à revelia da vontade do seu antigo chefe. Viajou muito. Chegou a ir até a Venezuela comprar objetos de cozinha feitos de prata da Bolívia para revender aos comerciantes de varejo na Cidade das Mangueiras e em São Luís do Maranhão. Trazia famosos perfumes franceses, cortes finos de cetim e seda do oriente, que vendia para uma seleta freguesia de fazendeiros do Marajó e para clientes do society que ainda se julgavam aristocratas. Fazia tudo de uma forma meio escamoteada na loja que montou para o meu avô Salim. Meu avô era um libanês corcunda, um sábio, um conhecedor profundo das coisas do Cosmo Infindo, iniciado há tempos em uma Ordem Mística do Oriente, onde também iniciou meu pai.

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Nossa família foi ficando rica, mas muito visada pela polícia. Meu pai sabia disso e contornava as investigações com boas “gratificações” a policiais corruptos. Não demorou muito ele comprou outra embarcação com um sonar moderno que permitia viajar à noite com maior segurança pela costa, inclusive no tempo das pororocas mais fortes que rebentavam no litoral próximo à boca do rio Araguari, no oceano.

Os federais eram mais bandidos que os próprios bandidos. Espalharam que queriam pegar o terceiro chefão na linha direta do tráfico de mercadorias e não perdoavam quem ao menos ousasse imaginar que estavam torturando pessoas em busca de informações mais precisas. Tudo valia naquele tempo de ditadura militar. Não havia grupos de direitos humanos, e, mesmo se houvesse, ninguém jamais pensaria que essas práticas medievais ainda ocorressem por aqui.

O barco do velho certa vez foi metralhado por um bando de piratas que agiam próximo ao Cabo Orange, quando vinha de Paramaribo com um carregamento de uísque, vinho e máquinas de costura. Morreram quatro tripulantes, e dois deles se jogaram feridos ao mar. Meu pai nunca usou arma e viu, baleado, levarem a carga toda.

Não se sabe bem o porquê, mas deixaram com ele uma negrinha guianesa depois de a terem usado como escrava nas suas rotas criminosas pelo Caribe. Tempos depois, ele viria a se apaixonar, pois com muita paciência e carinho ela conseguiu curá-lo dos ferimentos de bala que o deixaram para sempre com o braço torto. Três dias depois do assalto, uma vigilenga os recolheu bastante debilitados e os conduziu até a cidade de Vigia.

Já recuperado, levou a mulher para casa, em Belém. E por ser viúvo todos aceitaram a estrangeira, mas havia um certo preconceito entre os membros da família, algo velado, que se dissipava com a autoridade do velho. Mais tarde, ele conseguiu financiamento com os chefes do contrabando, comprou um novo barco, juntou tripulação e voltou à ativa.

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Mama Guga parecia rejuvenescer com a viagem. Virou taifeira da embarcação e principal ajudante do meu pai nas operações comerciais com os habitantes das guianas. Falava bem o patois crioulo e o tak taki das fronteiras do território francês e de Suriname. Passavam longe da então Guiana Inglesa, pois lá as lutas pela independência da Inglaterra fizeram o comércio internacional ser impraticável. Muitos grupos de guerrilheiros almejavam o poder e se dividiam em ideologias, estratégias e objetivos, e se matavam uns aos outros. A nova embarcação, agora com o nome de Mama Guga, uma homenagem óbvia, singrava o Atlântico, as Antilhas e o mar do Caribe. Meu pai era só felicidade com a nova mulher. Ele a levava para dançar beguine no hotel Montabô, em Caiena, e bebiam os melhores conhaques franceses.

Certa noite, ela pulou do camarote como saindo de um pesadelo. Chamou meu pai, e se armaram. Estavam fundeados no Porto de Sucre, próximo de Caiena, esperando um carregamento de vinho para o dia seguinte, quando partiriam para o Brasil. Aguardaram e viram os vultos de quatro ratos d’água subirem pelo convés, armados de revólveres e facões. Vinham sorrateiros, com propósito assassino, pois para roubarem as mercadorias tinham que matar os tripulantes e fugir com a embarcação. Havia só a luz de um farolete a querosene a iluminar minimamente a área da proa, onde o marinheiro Zé Raimundo tirava o seu plantão. Iam surpreendê-lo quando Mama Guga acertou com um tiro no pescoço o negro magrinho que parecia liderar o grupo.

Zé Raimundo pulou para o lado e cortou em duas partes a cabeça do outro bandido com seu terçado afiado, enquanto meu pai disparava mais dois tiros para liquidar os outros ratos. Seguiu-se um silêncio… Esconderam os quatro cadáveres no porão e lavaram o sangue do convés. Ao carregarem a carga de vinho, já no dia seguinte, ainda foram cumprimentados pelos tripulantes de outros barcos que ouviram os tiros e calcularam o que ocorrera. Depois jogaram os corpos dos bandidos no mar e navegaram até Belém, não sem antes se esconderem das patrulhas das marinhas francesa e brasileira em pelo menos duas áreas de fiscalização, na foz do Oiapoque e no cabo Norte.

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Meu avô sabia que as viagens estavam ficando cada vez mais perigosas. Chamou meu pai e o avisou. Não era só a marinha e a polícia paraense que ficavam no pé do velho. Surgiam boatos que a polícia federal estava atenta a tudo e que faria operações na costa do Amapá até a fronteira com a Guiana Francesa. Para tanto, já estava equipada com barcos rápidos e radares poderosos. Era imperiosa a fiscalização das 200 milhas marítimas decretada pelos militares, e até corvetas da Marinha de Guerra transitavam na região. Não estavam ali só para prender contrabandistas ou pescadores internacionais nas nossas águas. Algo acontecia, além disso. Meu pai precisava pagar o empréstimo aos seus chefes patrocinadores e tinha que viajar mais vezes. Seu lucro era grande, mas os juros eram muito altos. O perigo era maior ainda.

Esse quadro todo era previsto pelo meu avô Salim. Platonista atento que era às vicissitudes dos seus parentes mais próximos, repetia sempre a máxima do seu mestre: “assim como em cima é embaixo”. E enfatizava que há tempo para semear, tempo para plantar e tempo para colher. Meu pai estava no tempo de colher, ele dizia. Desde a morte de minha mãe, ele esquecera o sentido da reflexão, da meditação, como técnica a ser utilizada em tudo o que desejamos ou temos obrigação de realizar. Perdera a sabedoria e ganhara a esperteza ao meio da ganância e das práticas ilegais e resolvera agir, assim, pelo livre arbítrio, fora da Lei Cósmica. Meu pai estava involuindo da sua divindade, de sua essência. Sabia disso e não ligava. Meu avô pronunciava palavras ao vento…

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— Você está nesse mundo pra viver! – disse o chefe dos federais. Colabora, porra!
— Se tu não falar por bem tu vai pegar muita porrada lá no “Purgatório”! – dizia rindo sarcasticamente o policial, referindo-se a uma tenebrosa câmara de tortura existente nos porões do prédio colonial que abrigava a delegacia.
— Diz logo, porra. Onde é que tá a Mama Guga, aquela salope duma figa? Cadê os terroristas assaltantes de banco? Hem, caralho. Onde vocês deixaram eles.

Meu pai, literalmente de mãos atadas pelas algemas, levantou a cabeça, pediu água. O policial, num gesto rápido, pôs-lhe o cigarro na boca e acendeu um isqueiro de aço, daqueles que têm uma chama alta e são acesos com faíscas de pedra no chumaço molhado de querosene.

— Diz logo, caralho! – e foi levantando devagar o queixo do velho, lhe queimando a barba, e ele pulou para trás urrando de dor e se estatelou sobre a cadeira que caíra com ele.
— Fala logo, turco filho da puta! – gritou outro policial, chutando-lhe a cara sem piedade. – Fala, “Braço de Eletrola”! – gritou o policial se referindo ao defeito no braço do velho, e continuou: Onde escondeste os filhos da puta dos comunistas? Cadê a negra?
— Eu não sou turco, sou libanês… – balbuciava meu pai, sangrando pelos buracos da cabeça.
— Mas tu és bandido, seu contrabandista de uma figa. Onde é que está a Mama, seu macoumê da Guiana?

“Turco não, libanês…”

Aplicaram-lhe tantos golpes covardes que ele desfaleceu.

Acordou amarrado do mesmo jeito. Da testa e do nariz escorria um sangue escuro, quase coagulado. Perguntaram de novo pela Mama Guga. Ele disse:

— Eu vou dizer, mas ela vai rogar uma praga pra vocês que vão ficar vinte anos babando saliva com vontade de consumir o que não podem, seus otários. Eu sou bandido, sim. Sou contrabandista, mas não sou como vocês que acreditam nessa tal revolução de merda. Sai um ladrão do poder, entram centenas. Essa é a regra desde o início dos tempos.

Depois de apanhar mais e de “dar o serviço”, meu pai dizia que só se lembrava das coisas depois de ter sido encontrado por um barco transportador de açaí perto do Ver-o-Peso. Não fosse sua prática de marinheiro-embarcadiço na juventude, jamais teria sobrevivido àquela condição extrema de tortura em que lhe deixaram os policiais, após o terem depositado n’água, na madrugada. Nunca havia posto um cigarro na boca e tinha uma força imensa.

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Anos depois, já com a decretação da Lei da Anistia, meu pai saiu pela primeira vez de casa para tomar sol e andar pelo Porto do Sal à procura de notícias de Mama Guga, pois até então a polícia não deixava de vigiá-lo em sua porta. Inquiriu seus antigos camaradas, marinheiros e ex-tripulantes durante meses, do Porto da Palha ao Ver-o-Peso. Um dia, encontrou com o seu velho amigo Zé Raimundo e descobriu onde sua amada estava. Vibrou de alegria. Ele sabia que ela vivia, mas não podia vir até ele. E nem ele até ela.

Na sua última viagem, foi obrigado pelos chefes do contrabando a levar como passageiros cinco terroristas que fugiram do presídio São José, após terem sido presos por assalto à mão armada em um banco estatal, em Belém. Era o pagamento final de sua dívida. Era pegar ou largar. E ainda tinha um pagamento em ouro a ser acertado no final da viagem. Essa promessa o fez investir num plano ousado. Alugou um pequeno barco de pesca e o mandou na frente com alguns tripulantes e os esquerdistas barbudos, sob o comando de Mama Guga. Viajariam apenas à noite, bem próximo à costa. Uma semana depois, meu pai zarpou de Vigia para as águas do Atlântico rumo à Caiena.

No canal do Maracá, foi avistado por uma corveta da Marinha. Prenderam o barco e a tripulação, mas só ele foi torturado até relatar o plano de viagem.

Ele sabia que sua amada Mama Guga havia deixado os comunistas no Porto de Sucre com êxito, portanto nada mais devia aos mafiosos chefes do contrabando – a essa altura todos mortos. E ela não era mais considerada persona non grata no Brasil.

A sortida loja de tecidos do meu avô se transformou em um ponto comercial alugado. Vivíamos de renda e do salário dos meus irmãos mais velhos. Mas eu fui o escolhido para procurar e trazer Mama Guga até ele. Protestei de início e argumentei que era muito franzino para enfrentar uma aventura e nunca tinha viajado de embarcação, ainda mais pelo mar, inclusive era conhecido no bairro por “filé de Borboleta”. Porém, não convenci o velho. Fui convencido, porque “arranhava” um pouco de francês. Então parti pelo mar.

Na cidade de Oiapoque, me informaram que Mama Guga tinha um pequeno comércio na vila de Tampac, abaixo de Saint-Georges, no rio Oiapoque, uma comunidade habitada por descendentes de africanos chamados saramacás. Aluguei uma catraia e fui até lá. O catraieiro que me serviria de intérprete.

O chefe da vila, conhecido por Capitão Gody, me recebeu com um grande sorriso, como se eu fosse esperado há tempos, e apertou minha mão com força. Ele falava um português tão correto que eu nem precisei mais do intérprete. Sabia que eu procurava Mama Guga e que era enteado dela. Foi um recebimento protocolar. Pediu aos membros de sua corte que dançassem o cacicó em minha homenagem, e eles dançaram e cantaram ao som dos tambores o “Mô kalê lá / Mô kalê lá”, entre goles do tafiá Damme Jeanne, uma cachaça de garrafão feita de milho, típica da Guiana. Ofereceu-me um cálice do genuíno vinho francês Quinquina du Prince e me contou que Mama Guga tivera uma vida trágica. Seus pais foram assassinados, e ela, raptada ainda adolescente por um garimpeiro nas cabeceiras do rio Maropi. Depois foi vendida como escrava a um barco de piratas. Tinha o dom dos xamãs e teria explodido com a força do pensamento os escrotos de um pirata quando ele tentou estuprá-la. Tiveram medo de matá-la e a jogaram no peito do meu pai ferido por tiros, quando roubaram seu barco e a carga.

A notícia que ele me daria em seguida seria mais surpreendente. Ela morrera há três dias. Tinha vivido por anos na vila, onde fora bem recebida porque seus pais eram saramacás. Mas ela sofria de melancolia, com saudade do seu amor do Brasil, o único homem que a valorizara em toda a sua vida, costumava dizer.

Eu nada perguntava ao Capitão Gody. Ele mandou parar o cacicó e me levou a um lugar afastado, sempre com o séquito atrás dele. O ar era perfumado por um cheiro estranho. Havia uma cabana coberta no quintal à beira do rio. O cadáver de Mama Guga jazia sobre um assoalho de paus. Ele disse solenemente:

— Meu filho, quando morre um membro da nossa tribo, construímos um girau da palmeira jussara para colocar o corpo do morto. Embaixo do corpo, pomos uma gamela de madeira bem calafetada do tamanho do corpo e ateamos fogo ao redor. Do cadáver vai escorrendo o suco que era sua vida. Depois que ele fica bem seco, fazemos o enterramento e dançamos ao seu redor, esfregando aquele suco em nossos corpos. Isso nos dá mais vida e melhor bem-estar. Nós herdamos esse costume dos nossos ancestrais africanos – completou o chefe Gody.

Eu assisti ao ritual e me besuntei do óleo de minha madrasta. O Capitão Gody me presenteou com um belo artesanato de madeira feito a canivete e me entregou dois quilos de ouro em pó que Mama Guga havia deixado para o meu pai. Ela tinha certeza de que alguém viria vê-la nem que já fosse morta. O chefe era um homem justo e foi o guardião da fortuna até entregar o que agora pertencia a meu velho. Voltei com medo, mas me senti protegido, porque, além do ouro, trazia um frasco com um pouco de suco de Mama Guga para dar nas mãos dele.

*******

Quando cheguei a Belém, reuni a família, contei minha aventura floreando detalhes e entreguei a meu pai seus pertences. Depois, ficamos apenas ele, o pai dele, eu e meus irmãos homens na sala. Meu avô me disse compassadamente que meu pai voltara ao misticismo depois de perder tudo e ser torturado pelos policiais da ditadura.

Tinha estudado muito e já meditava e experimentava em laboratório caseiro os símbolos alquímicos, os quatro elementos da natureza, os sete metais, o opus alquímico e suas operações, a busca da Prima-Matéria e outros conteúdos dessa arte e ciência milenar, cujos segredos ainda eram guardados pelos Rosa Cruzes. Nesse momento, ele purgava suas falhas com o Cósmico no seu processo evolutivo, pois havia sucumbido diante da ambição e da ganância, que o tiraram do eixo da harmonia com o Universo.

Enquanto o meu avô explicava, meu pai ajoelhou-se em nossa frente, invocou palavras desconhecidas para nós, seus filhos. Besuntou-se do suco de Mama Guga e salpicou sobre sua cabeça uma pequena quantidade de ouro em pó.

O rosto dele iluminou-se de felicidade quando um fogo fez seu corpo entrar em combustão e o ouro transmutar-se em uma diáfana camada de névoa amarelada. Tentamos correr para salvá-lo, chorando em desespero, mas meu avô nos impediu.

— É só uma ilusão, meus filhos… – disse o velho avô.

Sim, seria uma ilusão, não fosse o fato de Mama Guga estar presente todos os dias em nossas vidas dançando beguine com meu pai, ali na nossa sala. Meu avô Salim fica sentado na poltrona, coça a barba branca e abre um sorriso enfatuado por ter realizado seu trabalho redentor em nossa família.

Eu, Fernando Bedran ( primeiro à esquerda, que inspirou este conto sensacional) e Fernando Canto (o maior escritor vivo do Amapá).

Meu comentário: este genial conto de Fernando Canto foi escrito por conta de várias histórias do amigo Fernando Bedran (tenho a honra de ser amigo dos dois fernandos), que nas mesas de bar. Claro que o autor, além de contextualizar, escreveu o conto com carradas de realismo fantástico e brilhantismo, da mente genial de Fernando Canto. Aí deu nesse escrito sensacional. Porreta!

LENDAS À TONA – Resenha de Fernando Canto sobre o livro UMA AVENTURA NO BAILIQUE (da escritora Decleoma Lobato Pereira)

Por Fernando Canto

Sobre o livro Entre mãe-do-mato, cobra grande, botos e “mocós”: UMA AVENTURA NO BAILIQUE, de Decleoma Lobato Pereira. Macapá, Confraria Tucuju, 2005 (1ª edição esgotada).

A forma que Decleoma Lobato usou para transmitir os conhecimentos de suas pesquisas às crianças e adolescentes neste seu primeiro livro me parece um instrumento pedagógico de extraordinária eficácia. A personagem narradora, na sua curiosidade infantil, tateia um mundo sempre novo, cava descobrimento e se vislumbra com os acontecimentos e fazeres da região do Bailique (que aqui representa todo um arcabouço cultural amazônico), ouvindo narrativas, observando fatos e aprendendo coisas, que só estando lá, no meio daquelas longínquas comunidades, é possível.

Os conselhos dos mais velhos sobre as brincadeiras dentro d’água procedem, embora uma vez nela as crianças não queiram mais sair. Falam dos perigos dos afogamentos, dos animais ferozes e das atrações dos encantados que porventura habitam aquelas águas.

O trabalho das mulheres e homens da região é valorizado em seus menores detalhes, bem como a transformação sistemática destes fazeres, visto a introdução de novos tecnologias e novas ferramentas que facilitam seus trabalhos.

Coisas pessoais, jeitos de aproveitar a natureza, informações sobre escolas e uma expectativa em relação ao sistema de educação…, tudo perpassa pelos olhos da personagem, que também narra os conhecimentos atávicos dos habitantes locais sobre sua medicina, sobre lendas que vêm à superfície para enriquecer mais ainda a nossa cultura popular.

Tudo neste belo livro tem a leveza de um balé, balé líquido, diria, das ondas que levam e trazem os encantos sob a música do vento e o aplauso dos açaizais iluminados pelo sol oceânico do Amapá.

Instituição de Ensino cria prática de sustentabilidade

A Faculdade Estácio de Macapá criou o Projeto Sustentabilidade em Foco, que tem como objetivo envolver alunos e colaboradores nas discussões sobre a importância da adequação de práticas e adoção de estilo de vida sustentável. Neste mês, o tema abordado foi a Importância da Água, em que o Gestor Ambiental do Senai Amapá, Lucivan Fernandes, falou sobre ‘Gerenciamento de recursos hídricos no Brasil’, na ocasião foi explicado que os recursos hídricos se referem às águas superficiais e subterrâneas disponíveis para uso. Em seguida uma roda de conversa sobre alternativas para o uso racional da água fez com que alunos e colaboradores da Estácio Macapá pensassem em projetos e soluções para diminuir o desperdício de água.

A Coordenadora do Projeto, Maysa Brito, fala o porquê de criar este projeto. “Precisamos cuidar do planeta terra com urgência, se não cuidarmos, vai acabar! E que tal começar pela nossa casa? Pelo nosso trabalho? E por onde passamos? Com essa conscientização já conseguimos fazer com que acadêmicos e colaboradores não usem copos descartáveis, a maioria já traz seu copo ou garrafinha de casa”. Maysa ainda completa dizendo que precisamos economizar água e mantê-la limpa, simplesmente jogando lixo no lixo“, ressalta a Coordenadora.

A Instituição distribuiu copos para uso diário e escolheu os Fiscais verdes, que tem a missão de fiscalizar o desperdício de água, uso indevido de copo descartáveis e o descarte correto do lixo. No mês de abril a Estácio irá abordar o tema ‘LIXO’, em que discutirão maneiras corretas do descarte e reciclagem.

Serviço:

Diani Corrêa
Comunicação Estácio Macapá – Assessoria de Imprensa
Presidente da CIPA – Estácio Macapá
(96) 2101-5262 |98802-0396 /99129-0844

CIDADE DAS ÁGUAS. De Voice of Spring ao Profeta do Ver-O Peso – Por Fernando Canto

Foto encontrada no blog “O Canto da Amazônia”

Por Fernando Canto

Tenho o hábito de reler livros que apreciei um dia, mas que à época não sorvi direito a totalidade de seus escritos. Hoje, ao imergir nas profundezas de um livro publicado pelas editoras Paka-Tatu e RGB, em 2004, o “Cidade das Águas”, louvo os textos dos autores Ronaldo Franco e Alfredo Garcia, ambos paraenses.

Numa soberba homenagem à Belém e sua chuva, os poetas realizam uma espécie de libação memorial à Cidade das Mangueiras, despindo-a de máscaras e conduzindo a observação imprescindível nos detalhes, a matéria-prima que os poetas transformam em literatura. Em “Cantos sobre a Cidade das Águas” há a estrofe: “Não é o som do rio que ouço/ mas o caminhar do vento/ Pelas sombras/ Mapeando as entranhas/ Do verso/ Indo ao mais longe/ Da memória”. São poemas sobre poemas como o 15º, onde se evocam fantasmas num tempo suspenso no arranha-céu da lembrança, pois: “Os sopros da memória/ Rascunham versos/ Nos caminhos do vento/ E este abre a janela/ Dos casarões/ Onde ainda valsam/ Pelos corredores/ senhores de pincenê/ Senhoras farfalhando/ Alegres/ e se pode ouvir/ Risos às escâncaras/ E volteios delicados/ Ao som/ De Voice of Spring.” Ronaldo Franco ainda nos brinda com poemas como “Esse Ruy é minha rua” e com a crônica “Procura-se”, quando vivifica e tange o desejo [do] brasileiro em tradução livre do poeta: “Nádegas brasileiras. A nossa pátria abunda. Nádegas japonesas, nunca! Nádegas comunistas convocam posseiros. Viva as nádegas de Raimundas!”

Depois vem Alfredo Garcia, poeta respeitável e prosador aguçado com seu “Barca Barroca: Contos do Ver-O-Peso”, onde “O Profeta em Delírio no Ver-O-Peso” explicou: “Porque será só como uma só noite infinda. Assim será, oh sim, quando vier o que está escrito. Porque não haverá este rio, esta calmaria de cidade dormitando pelas ruas da tarde, assim como ora veem. Muitos e muitos rios, um grande desassossego brotará de todos os lados.”

“Cidade das Águas” antes de ser apenas um livro plural, é uma reunião de textos de qualidade. Cada verso, cada frase aborda o habitat desses poetas que absorvem, espremem e põem ao coarador literário um pano memorial eivado de crítica e de ternura pela cidade de Belém.

1984 – O ódio como forma de controle social – Via @giandanton

 


Assim como Farenheith 451, de Ray Bradbury, e Admirável Mundo Novo, de Adous Huxley, 1984 é leitura obrigatória para nossos tempos. Se Robison Crusoe e Gulliver são livros fundamentais para entender o humano, esses três livros são essenciais para entender regimes que tiram dos indivíduos sua humanidade e individualidade.

Não é por acaso que os três foram escritos no século XX, período em que surgiram regimes autoritários de esquerda e de direita.

Embora erre ao imaginar que esses regimes seriam impostos às pessoas (é cada vez mais óbvio que são as próprias pessoas que optam por esses regimes pois eles são mais confortáveis, algo muito bem explorado no livro de Bradbury), Orwell acerta em muitas características desses regimes. Algumas delas:

– A crença em um salvador da pátria, em que alguém que irá salvar a todos, levando-os ao paraíso na terra.
– O grupo se sobrepondo ao indivíduo.
– E o principal deles: o ódio. Não é por acaso que um dos momentos mais importantes do livro são os cinco minutos de ódio. Regimes autoritários são construídos a partir do ódio. O ódio a quem é diferente, o ódio a quem pensa diferente. Um medo que se transforma em ódio, pois as pessoas são convencidas de que há um eterno perigo e a única salvação é o ódio, é a eliminação de quem pensa diferente do líder.

Fonte: Ideias Jeca Tatu

Livro inédito sobre história de Oiapoque será lançado em Macapá

Nesta sexta-feira (22), às 19h, será lançado o livro “História de Oiapoque”, na livraria Leitura, em Macapá. A publicação, de autoria da jornalista Sonia Zaghetto, é inteiramente baseada nas memórias e no arquivo documental e fotográfico de seu avô, Rocque Pennafort. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) teve contato com o livro e solicitou a impressão da história inédita do Amapá pela gráfica do Senado Federal. O livro será distribuído gratuitamente.

Dividido em cinco partes e com mais de 40 fotografias históricas da primeira metade do século XX, além de ilustrações francesas e mapas do século XIX, o livro repassa cinco séculos da história do município de Oiapoque e da fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

Quando conheceu o livro, o senador Randolfe Rodrigues, professor de história, ficou encantado com a riqueza de informações inéditas e tratou encontrar uma forma de dividir com todos. “São relatos extraordinários que o Amapá e o mundo precisam conhecer”, afirmou o parlamentar que garantiu a impressão dos livros pela editora do Senado.

O arquivo e as memórias de Rocque Pennafort estão, hoje, entre as raras fontes primárias para se conhecer a história da fronteira. Guardam o relato da única testemunha do primeiro grupo de colonos brasileiros a chegar ao Oiapoque, em 1921, para fundar um núcleo agrícola; além de documentos e fotografias sobre os militares deportados para Clevelândia quando o governo Arthur Bernardes decidiu transformar a região em campo de concentração para abrigar os militares revoltosos dos movimentos tenentistas da década de 20.

Entre as informações mais relevantes do acervo estão o episódio histórico em que a população do Oiapoque idealizou, financiou e construiu sozinha um monumento dedicado ao Brasil que hoje é o símbolo da cidade; e os registros sobre os primeiros indígenas eleitos para cargos políticos do País: o cacique Manoel Primo dos Santos, o Côco, e seu filho, Luís Soares dos Santos, ambos da tribo Caripuna, no rio Curipi, reserva indígena do Uaçá.

A autora explica que não se propôs a contar a história do Oiapoque em detalhes. Optou por um resumo histórico, narrado de forma despojada, no qual pôs o foco em alguns episódios que considerou mais atraentes, mas que permanecem relativamente desconhecidos por grande parcela da população brasileira.

“A história da fronteira Brasil-França é muito rica. Ela foi sufocada pelas mazelas que hoje atingem a Amazônia: miséria, garimpo, poluição, abandono, danos ambientais. Minha esperança é que este livro remova a poeira do tempo e traga de volta as histórias de um passado aventureiro e fascinante. Os oiapoquenses devem se orgulhar de viver em um lugar extraordinário e de enorme importância histórica”, observa.

Nas próximas semanas, Sonia Zaghetto deixará novamente o Brasil. Na Califórnia, onde vai morar, pretende trabalhar em um novo projeto relacionado ao Oiapoque: um romance ambientado na fronteira França-Brasil.

O QUÊ: Lançamento do livro HISTÓRIA DE OIAPOQUE, da jornalista Sonia Zaghetto
QUANDO: 22 de março de 2018 (SEXTA-FEIRA), às 19 horas.
LOCAL: Livraria Leitura, no Amapá Garden Shopping, Rodovia JK.

Serviço:

Jornalista/Assessora de Comunicação
Carla Ferreira
Contato: (96) 98110-1234 (Whatsapp)
Twitter: @Carlinha_F
e-mail: [email protected]

CORNUCÓPIA DE DESEJOS – Conto muito porreta de Fernando Canto

Conto de Fernando Canto

Por querer expressar meu pensamento sobre as coisas em meu idioma, às vezes arrebato o próprio coração em sofridas angustiosidades e dissentimentos infaláveis. Por isso monologo no granito e lavo em água este contraste, esta antagonia de imprescindível falação que ponho em tua trompa de eustáquio para te martelar suavemente a dentro.

É o caso do amor ensolarado que sinto agora, neste mirífico momento. Um assunto ressoante, uma prosa-cornucópia (onde a abundância reina) a refratar-se sem a culpa do inexpressável parlar.

Não vejo como não ensopar-me de enluação neste conto de candura quase irrevelável, posto que o meu amor possa entender-me ou espumar-se para sempre para o inevitável espanto que a declaração enseja. Paresque um salto com vara numa olimpíada de abismos.

Assim eu declaro: a cobra norato, o boitatá e as luzes do fogo-fátuo se expiram na noite cadente. Oh, teus olhos não! Teus olhos ternuram a medida do dia, solfejam histórias e cantam paisagens inescrutáveis para os sonostortos dos mortais. Eu sou o arauto deste cenário-testamento a castigar retumbantemente o couro dos tambores; eu anuncio a sublime compreensão do “amooor” que ecoa em gargalhadas sobre as ondas do Amazonas, aqui na Beira-rio, sob um céu azul intensificado de lilás quando anoitece. Eu declaro ainda: a pedra em sua bruta forma tem dentro de si os elementos primordiais que suprem tua sede de amar. Ora, Balance a pedra e sinta o gutigúti da sua oferenda. Lapide-a, pois ela provém da terra, e então perceberá o calor do fogo da paixão libertadora e o ar morno que movimentará o sangue pelas entranhas.

Num átimo, um áugure qualquer (que são muitos e banais) lerá tua sorte: dirá augúrios, claro. Um áuspice (que estão cada vez mais raros) dirá tua sina no raro voo dos louva-deuses. E te auspiciará de boas-novas e de valores inequívocos.

Ora, dizendo isso afirmo que sou aquele que nem sabe discursar suas dores, inda que saiba do futuro, pois habito o limiar do tempo. Eu sou a timidez em prosa e verso, aluno de poesia, mas prenhe de pecados, porque ingiro virtudes nos bares da noite e não sei segredar projetos inexequíveis. Não sei, juro pueril e ludicamente (mas com toda a sinceridade de uma parlenda) pela fé da mucura, torno a jurar pela fé do guará, torno a repetir pela fé do jabuti, que não sei mentir ao sabor do vento dos ventiladores que me sopram fumaça de charutos cubanos.

Descobri que sei de ti mais do sabes da pedra em teu caminho. Sou teu (adi)vinho incontestável, ad-mirador de tua trajetória. Por isso do alto da minha velada arrogância sei que tu também me amas.

Mas é de ti que quero o conteúdo dessa bilha onde Ianejar – aquele heroi dos índios waiãpi – e seus pareceiros se abrigaram do fogo ardente e do dilúvio. É por ti que generalizo a farsa da criação sem pesadelos cosmogônicos. Eu me agonizo em mistérios. Eu eternizo o meu olhar nessa paixão. E me enleio como as borboletas que viajam ao paraíso pelo buraco sem-fundo do fim da terra.

Por isso eu sei que te amo.

Por isso vago ainda em fluidos imemoriais sempre presentes, antes do esquecimento das vitórias que juntos comemoramos.

Por isso a ternura há de ser o mais farto elemento da imensa cornucópia de desejos que realizamos juntos.