Contículos Alados (rápidos lampejos geniais de Fernando Canto)

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Para Herbert Emanuel e Joãozinho Gomes

Eu via o mundo invertido quando passava na rua do poeta. Ele acenava do fundo da terra me pedindo um dracma de ouro.

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INSÔNIA

Para Carla Nobre

Sem dormir à noite toda fui cedo à padaria comprar um sonho.

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TRAVESSIA

Para Elton Tavares

Ao atravessar a faixa de pedestre só levantou a mão na hora do impacto.

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RUA DO POETA

Para Paulo Tarso

Cruzava a rua do poeta plantando bananeira para não pisar nem na lembrança.

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O CHOQUE

Para Jorge e Edelwais

Quando as pedras finalmente se encontraram viraram pó.

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PARTO

Para Luli Rojanski e Manoel Bispo

A torneira do jardim pariu seis gatos pingados. Acabara de chover.

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OVERLOOPING

Para Osvaldo Simões e Isnard Lima

O “encosto”, reclinado, frustrou a acrobacia de Mayra no monomotor. O voo foi tiro e queda.

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IMPÉRIO DOS SENTIDOS

Quando assisti “O Império dos Sentidos” a teu lado no Cine Orange, acreditei em definitivo que o ovo cozido é um alimento saudável. Que saudade de tua panela quente!

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ANSIEDADE

O cara é um paciente apressado.

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Foto: Gê Paula

BAIXA TESÃO

A lua iluminava tanto o céu de Macapá que os enamorados da Beira-Rio torciam por um eclipse.

Reverência ao poeta Alcy Araújo (que faria 96 anos hoje) – Por Fernando Canto

Alcy Araújo – Foto: Blog da Alcinéa

O Amapá precisa preservar, reconhecer e homenagear seus grandes nomes em todas as áreas de atuação. Sou fã de escritores, compositores, músicos, poetas e artistas. Por conta disso, republico aqui o texto do escritor Fernando Canto, em homenagem ao poeta Alcy Araújo, que faria 96 anos hoje, 7 de janeiro. (Elton Tavares).

Reverência ao poeta Alcy Araújo – Por Fernando Canto

Por Fernando Canto

Alcy Araújo foi um dos nossos mais importantes poetas, e intelectual militante da cultura. Ele foi pioneiro do Território Federal do Amapá e aqui trabalhou como jornalista e servidor público, exercendo altos cargos no decorrer de sua vida profissional. Como escritor incursionou pelo campo da poesia, do conto e da crônica, entre outros.

Alcy Araújo – Foto: Blog da Alcinéa

Era compositor e chegou a ganhar festivais de música por aqui. Mas foi a poesia que lhe marcou definitivamente e de forma gloriosa a sua carreira. Boêmio e amigo de todos, Alcy influenciou dezenas de poetas em suas criações, desafiando-os a produzirem e se aprimorarem. Era conhecido nas rodas boêmias como “Tio” Alcy. Deixou uma quantidade incontável de textos e poemas que precisam ser publicados e divulgados, pois sua poesia não perde a atualidade.

Alcy Araújo – Foto: Blog da Alcinéa

O livro “Autogeografia” merece urgentemente uma reedição, bem como os outros livros que o poeta chegou a publicar como “Poemas do Homem do Cais” e “Jardim Clonal”. Seus contos e crônicas e contos precisam ser reunidos e estudados, entretanto nem a Academia (Universidades), nem os setores culturais oficiais mexem sequer um dedo para reacender essa memória escrita, preferindo a cultura de massa em detrimento da nossa formação intelectual.

Alcy Araújo foi nossa maior referência poética e que precisa ser reconhecido cada vez mais pelo que fez e pelo legado intelectual e artístico que deixou.

Alcy Araújo – Foto: Blog Porta Retrato

O Amapá tem o dever de preservar a memória criativa e cultural dos seus escritores, a fim de que eles possam ser conhecidos pelas novas gerações e pelas vindouras

É preciso reverenciar seu legado, pois o “Tio Alcy” influenciou várias gerações de artistas e colaborou decisivamente para a formação cultural e intelectual de vários deles.

A você, poeta Alcy Araújo, a nossa gratidão!

* Alcy Araújo faleceu em 22 de abril de 1989.

Hoje é o Dia do Leitor

Hoje é o Dia do Leitor. Li que a data surgiu por conta de ser o mesmo dia do aniversário do jornal cearense “O Povo”, fundado em 7 de janeiro de 1928, e foi uma sugestão do poeta e jornalista brasileiro Demócrito Rocha.

Quanto a data, vale a pena celebrar a nobre prática, pois sigo a velha máxima “ler para ser”. Sei da importância da Leitura, de devorar um livro e sorver conhecimento, mas o advento da internet enfraqueceu a prática. Atualmente, a maioria das pessoas lê somente o resumo, a sinopse, a crítica e por aí vai. Isso, quando o faz.

Nunca fui um leitor inveterado, mas aprendi muito com os livros e, sempre que posso, leio. É fundamental na minha profissão. Por meio da leitura, viajamos, aprendemos, voltamos ao passado, imaginamos o futuro, exercitamos o cérebro.

Para os que não gostam ou tem preguiça de ler, digo: já fui como vocês. Cada um com seu tempo e aptidão. Porém, acreditem, não é legal ficar calado numa roda de leitores. Ademais, é muito prazeroso, estimula nosso raciocínio e criatividade. Quando você para de ler livros, você para de pensar.

Detesto os pseudointelectuais medonhos, que pagam de safos e não leem nem bula de remédio. Também não gosto dos que são leitores crônicos, mas por conta disso são “posers” (metidos a besta que se acham mais que os outros). Porém, as pessoas do segundo caso são uma minoria.

Os malucos mais interessantes que conheço são leitores. Já dizia Cícero, “uma casa sem livros é como um corpo sem alma”. Escrever de forma correta, abrir as ideias e convencer pessoas com bons argumentos são frutos da leitura. Ler fertiliza a cachola, assim como música, filmes e viagens.

Se você não se satisfaz com explicações fajutas e sempre vai atrás de conhecimento por meio da leitura, mesmo que não seja somente nos livros, meus parabéns. A mente do leitor pode ir até as estrelas ou além delas, ao lugar onde o livro e a imaginação nos permitirem ir.

Estou em uma fase de aumento das leituras e recomendo a todos o mesmo.

Feliz Dia do Leitor a todo o leitorado que visita este site diariamente. É isso!

Elton Tavares

CORNUCÓPIA DE DESEJOS – Conto muito porreta de Fernando Canto

Conto de Fernando Canto

Por querer expressar meu pensamento sobre as coisas em meu idioma, às vezes arrebato o próprio coração em sofridas angustiosidades e dissentimentos infaláveis. Por isso monologo no granito e lavo em água este contraste, esta antagonia de imprescindível falação que ponho em tua trompa de eustáquio para te martelar suavemente a dentro.

É o caso do amor ensolarado que sinto agora, neste mirífico momento. Um assunto ressoante, uma prosa-cornucópia (onde a abundância reina) a refratar-se sem a culpa do inexpressável parlar.

Não vejo como não ensopar-me de enluação neste conto de candura quase irrevelável, posto que o meu amor possa entender-me ou espumar-se para sempre para o inevitável espanto que a declaração enseja. Paresque um salto com vara numa olimpíada de abismos.

Assim eu declaro: a cobra norato, o boitatá e as luzes do fogo-fátuo se expiram na noite cadente. Oh, teus olhos não! Teus olhos ternuram a medida do dia, solfejam histórias e cantam paisagens inescrutáveis para os sonostortos dos mortais. Eu sou o arauto deste cenário-testamento a castigar retumbantemente o couro dos tambores; eu anuncio a sublime compreensão do “amooor” que ecoa em gargalhadas sobre as ondas do Amazonas, aqui na Beira-rio, sob um céu azul intensificado de lilás quando anoitece. Eu declaro ainda: a pedra em sua bruta forma tem dentro de si os elementos primordiais que suprem tua sede de amar. Ora, Balance a pedra e sinta o gutigúti da sua oferenda. Lapide-a, pois ela provém da terra, e então perceberá o calor do fogo da paixão libertadora e o ar morno que movimentará o sangue pelas entranhas.

Num átimo, um áugure qualquer (que são muitos e banais) lerá tua sorte: dirá augúrios, claro. Um áuspice (que estão cada vez mais raros) dirá tua sina no raro voo dos louva-deuses. E te auspiciará de boas-novas e de valores inequívocos.

Ora, dizendo isso afirmo que sou aquele que nem sabe discursar suas dores, inda que saiba do futuro, pois habito o limiar do tempo. Eu sou a timidez em prosa e verso, aluno de poesia, mas prenhe de pecados, porque ingiro virtudes nos bares da noite e não sei segredar projetos inexequíveis. Não sei, juro pueril e ludicamente (mas com toda a sinceridade de uma parlenda) pela fé da mucura, torno a jurar pela fé do guará, torno a repetir pela fé do jabuti, que não sei mentir ao sabor do vento dos ventiladores que me sopram fumaça de charutos cubanos.

Descobri que sei de ti mais do sabes da pedra em teu caminho. Sou teu (adi)vinho incontestável, ad-mirador de tua trajetória. Por isso do alto da minha velada arrogância sei que tu também me amas.

Mas é de ti que quero o conteúdo dessa bilha onde Ianejar – aquele heroi dos índios waiãpi – e seus pareceiros se abrigaram do fogo ardente e do dilúvio. É por ti que generalizo a farsa da criação sem pesadelos cosmogônicos. Eu me agonizo em mistérios. Eu eternizo o meu olhar nessa paixão. E me enleio como as borboletas que viajam ao paraíso pelo buraco sem-fundo do fim da terra.

Por isso eu sei que te amo.

Por isso vago ainda em fluidos imemoriais sempre presentes, antes do esquecimento das vitórias que juntos comemoramos.

Por isso a ternura há de ser o mais farto elemento da imensa cornucópia de desejos que realizamos juntos.

O Bode expiatório

Bode expiatório. Designação de uma pessoa sobre quem recaem todas as culpas. Uma vez estabelecido como bode passa a viver a síndrome’ de “Um cão danado, todos a ele”.

A explicação está no Levítico: no Dia da Reconciliação o sacerdote lançava a sorte sobre dois bodes, um “para Jeová”, outro “para Azazel’. O bode de Jeová era sacrificado e seu sangue borrifado sobre os fiéis, como mercê. Sobre o outro bode o sacerdote lançava todos os pecados do povo. Logo uma pessoa especialmente escolhida levava o bode pro deserto e o soltava ali.

Por isso mesmo em algumas línguas, como o inglês, ele é chamado de Bode escapatório (*). O que poucos sabem é que existe também a expressão “Bode exultório”, pessoa acima do bem e do mal, de quem se perdoa tudo e a quem se permite qualquer coisa. Como por exemplo… ah, deixa pra lá.

(*) Palavra puxa palavra: escapar, sair do perigo, vem mesmo de “deixar a capa” (quando a pessoa era agarrada pelo inimigo). A cadeia etimológica, até chegar ao português. É extremamente complexa, mas comprovada.

Millor Fernandes, no livro “A Bíblia do Caos”.

Cai dentro, 2020. Feliz ano novo! (meus votos para todos nós, pois o futuro está ali, dobrando a esquina)

2020 está ali, dobrando a esquina. Que todos nós, eu, você e demais pessoas que estão lendo este texto, assim como nossos amores, sigamos saudáveis e sejamos felizes no ano que chegará logo. A vida boa e lôca. Só é feliz quem arrisca. Vamo com toda a força no novo ciclo.

Mesmo com todos os desafios, injustiças de toda ordem, homens e mulheres que xingam em nome de Deus e são obscuros adoradores de armas, sobrevivemos ao difícil 2019.

Sou grato aos meus companheiros de jornada, tanto os familiares, amigos e colegas de trabalho, quanto aos que me ajudaram e não estão inclusos em nenhum destes grupos citados. Fomos felizes em 2019, apesar de TUDO. A vida que construí e os momentos que compartilhei com pessoas que amo são tudo para mim. Agradeço de coração aos meus e, como diz o jornalista Luiz Melo: “obrigado por gostar de mim, apesar de mim”.

Que tenhamos luz e sabedoria para encarar as adversidades e os desalmados que certamente aparecerão no novo ciclo. E que nos esforcemos para sermos pessoas melhores que em 2020. Esse “vinte, vinte”, como disse uma amiga, será desafiador.

Que em 2020 tenhamos muito boa vontade, forças positivas, disposição e autoconfiança para corrermos atrás de tudo o que desejamos alcançar. Tenho certeza de que muita alegria nos espera no ano vindouro. Pelo menos a esperança nisso não é pouca.

Viverei 2020 como se fosse o último ano de minha vida, podem apostar (sempre faço isso). O ano novo promete. Que ele se cumpra então, que seja mágico/fabuloso e sem muitas aporrinhações. E quando fraquejarmos, que ainda haja amor e força para recomeçar.

Tomara que eu e você sigamos lutando por uma vida digna, menos ordinária, no combate a dias e noites tediosas, e cheia de amor. Ou paixões. Afinal, tudo depende de você. E se possível, sem “muitas fingidades”, como dizia Guimarães Rosa. E isso sempre contou pra caralho. E continuará contando sempre!

A todos os que fazem parte da minha vida e aos leitores do De Rocha, desejo um ano novo transbordante de amor e paz. Na hora em que os fogos explodirem no céu e o Ano Novo chegar, desejo que vocês estejam felizes, com boa comida, boa bebida e pessoas que amam.

O escritor Rubem Alves, no livro de crônicas intitulado “Pimentas”, disse: “a gente fala as palavras sem pensar em seu sentido. ‘Benção vem de bendição’. Que vem de ‘dizer o bem ou bem dizer’. De bem dizer nasce ‘Benzer’. Quem bem diz é feiticeiro ou mágico. Vive no mundo do encantamento, onde as palavras são poderosas. Lá, basta dizer a palavra para que ela aconteça”. Então, que Deus continue nos abençoando!

Boas energias, muita saúde e prosperidade. “Difícil de ver. Sempre em movimento está o futuro”, disse uma vez o mestre Yoda. 2020, vem com tudo, cai dentro! Feliz ano novo!

Elton Tavares

Poetas na chuva – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Ontem, 30 de dezembro de 2019, próximo das 9 horas, eis que, ao atravessar a rua para chegar ao trabalho, deparo com esta visão: o poeta Joãozinho Gomes também atravessando a rua, ainda sob os últimos respingos da chuva intensa que caiu por toda a madrugada.

A chuva (que para mim é uma bênção e para muitos é um castigo) chegou e eu a recepciono com esta crônica, que me serve também para saudar os poetas que andam na chuva e o ano de 2020 que vai raiar daqui a algumas horas, o que faz meu otimismo pensar que será um bom ano, de chuva e de sol, e nos fará reafirmar a aliança que temos com a vida e nossa capacidade de ser feliz, mesmo com tantas coisas, que não a chuva ou o sol, a confrontar nossos ânimos.

Meu otimismo se confirma porque tenho a História ao meu lado. Ela me diz que, em tempo algum, mesmo com o quadro político e social mais adverso, NUNCA conseguiram nos derrubar.

Assim como a força da chuva faz brotar flores e alimentar poetas e emanar poemas, atravessaremos as águas turvas com a lança e o escudo da poesia, porque “faz escuro mas eu canto”, como bem disse o poeta também amazônico Thiago de Mello.

Vamos, poetas, conclamar a alegria que há no mundo, a poesia que nos ampara nos momentos sombrios e nos delicia nos momentos de festa! E, com o espírito de poesia dos homens e das mulheres deste país, vamos tirar da terra, nossa mãe, o sustento e a glória!

Feliz Ano Novo!

FAZ ESCURO MAS EU CANTO

Faz escuro mas eu canto,
porque a manhã vai chegar.
Vem ver comigo, companheiro,
a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar
a cor do mundo mudar.
Já é madrugada,
vem o sol, quero alegria,
que é para esquecer o que eu sofria.
Quem sofre fica acordado
defendendo o coração.
Vamos juntos, multidão,
trabalhar pela alegria,
amanhã é um novo dia.

Thiago de Mello

Carta ao Editor – por Angela de Carvalho

Querido editor José Xavier Cortez, escrevo esta carta para lhe contar a minha história de dois anos de Pescador de Sonhos.

Saí da gráfica em 17 de novembro de 2017 e hoje, 19 de dezembro de 2019, me dou conta que já tenho dois anos de “vida própria”, circulando pelas mãos de gente de vários cantos, principalmente mãos de crianças.

Minha primeira edição foi de 3.000 exemplares e por ser uma edição especial de “Venda Proibida”, tive o privilégio de esgotar rapidinho, pois todos me queriam e me recebiam com alegria.

Nas margens do Amazonas, foi onde tive meu primeiro contato com “O público”, na Guarderias da Amazônia, lugar de encontro de velejadores. Sentir aquele vento do rio em minhas páginas, foi um verdadeiro “batismo”. Assim foi que segui, sendo distribuído em praças, rodas de contação de histórias e diversos eventos literários. Estive no encontro do Selo Unicef-AP, e por isso ainda em dezembro/2017 embarquei em viagens por todos os municípios do Estado do Amapá. Foi também em 2017, meu primeiro Natal Encantado pelo Projeto Cangapé, para crianças do bairro Aturiá no Araxá.

Cheguei em muitos lares através das mãos de trabalhadores de várias profissões: embaladores de supermercados, garis, domésticas, bibliotecários, e principalmente professores. Em uma Jornada Pedagógica, do município de Macapá, eu era exemplar presente em cada uma das pastas distribuídas aos mil participantes. A roda de leitura em janeiro de 2018, no Raízes do Bolão – Curiaú com os meninos e meninas que festejaram o aniversário da dona Esmeraldina, também foi um dia inesquecível para mim

Emocionante foi o dia em que embarquei nos barcos ancoradas no Canal do Jandiá, ali no antigo Igarapé das Mulheres. E o coração bateu forte, nas ilhas do Arquipélago do Bailique. Delícia maior desse mundo, me sentir abraçado pelas crianças sentadinhas nas montarias – igual a canoa dos meus pequenos pescadores. Eram todo cuidados, para eu não me molhar.. Sim! É de barco que vou para Santarém, em deliciosa viagem, na sacola de presentes @debubuianaleitura, nas festas de final de ano.

Acredite! Em outros municípios do Pará estou no acervo das bibliotecas e de alguns outros estados do Brasil, também. No FNPETI fui distribuído para vários representantes de outros Fóruns , levado pelas mãos de uma representante do Fórum do Estado do Amapá. E na Pan Amazônica de 2018, estive dialogando com outros livros em uma Oficina: “Diálogos de Pescadores de Sonhos com obras literárias para infância”. Minha vaidade lembra que até pelas terras de Andersen – na Dinamarca, circulo nas mão de crianças que lêem minhas ilustrações. Gosto muito disso, pois a ilustração é uma linguagem que dá asas à imaginação das crianças.

No meu primeiro ano de vida – 2018, fui o livro escolhido como tema da Sala de leitura da EEEF Modelo Guanabara, e acabei virando com muito orgulho, nome de Biblioteca!

Neste final de 2019, fui inspiração para os alunos da escola Sesc que, orientados pelas professoras, realizaram uma exposição maravilhosa: vi muitos “Assis” e Jonielsons”, com chapéu de palha e calça de pescador. PorDemaisLindo! De chorar de emoção.

E é com alegria que encerro esta carta relato de meus dois anos de existência, com a notícia de que um grupo de Acadêmicas do Curso de Pedagogia do IESAP, Intituto de Ensino Superior do Amapá, realizaram um trabalho com o título: “A Mulher Amazônica: Do Lugar de Fala a Fala da Obra “Pescadores de sonhos” de Angela de Carvalho(2017): Representações e Contribuições à Educação.

Sinto-me cada dia mais pertencente aos meus leitores e quero cumprir a minha vocação de formar muitos outros mais. Esta é a missão desta que me me escreveu e me deu asas, Ops! Me deu páginas para circular nesse país de crianças que trabalham, quando poderiam estar lendo, brincando, pintando e Fazendo ARTE!

Minha gratidão maior é fazer parte do selo Cortez Editora, por isso escrevi esta carta, que agora envio com um forte abraço ao senhor, querido José Cortez. Agradecido sou também, a todos os que me fazem chegar as mãos de meus queridos leitores.

Assinado: Livro Pescadores de Sonhos, dezembro de 2019

A ALMA BAILARINA DE JOSYANNE FRANCO (*) – Texto de Fernando Canto

 

Texto de Fernando Canto

Escritora e poeta Josyanne Rita de Arruda Franco

Há tempos eu queria escrever sobre a arte poética de Josyanne Rita de Arruda Franco. Infelizmente perdi seus livros, a mim enviados em 2017, numa dessas mudanças de estante que periodicamente a gente precisa fazer. Porém a Musa da Poesia não falha. Dia desses lá estava um deles olhando para mim. Justamente o “Assoalho de Plumas” (Rumo Editorial, São Paulo, 2013).

A partir desse saboroso título a autora se revela em versos de natureza intimista, nos quais segredos e paixões são mostrados de um jeito bem peculiar de poetizar sentimentos, pois os desejos e as vontades estão abertos, e sua sabedoria lhe permite dizer “Eu sei que não existe amor sem causar danos”. E faz pergunta às estrelas, que lhes respondem: “Amores passarão!” (Natureza viva). E é nessa linha criativa que Josyanne esbanja sua experiência transformada em versos, em um porto que poucas mulheres teriam coragem de ancorar, posta a lânguida língua do erotismo que faz os corpos gemerem de paixão e a realidade crua do amor e das metáforas que o envolvem. Reforça-se, então, a autenticidade de uma poesia robusta, bela e cheia de personalidade. Personalidade madura e sem escapes que nos mostra em “Desejo e Fúria”:

Desejo e Fúria

Gana de outra vez ter a ti.,
De desmanchar-me em ti feito doida dançarina
Que se embriaga na boêmia arte de fazer-minha sina…
Destino incerto que em mim caminha.

Derreter o viço da eloquente e densa bruma
Que se espalha pelo céu da minha boca nua
E se entrega, enfim, rendido… corpo inerte, estendido.
De insanidade ativo… de amor vencido.

Desejo-te nas manhãs…espero-te à tardinha.
Nas noites, feito cães, o cio nos desalinha.
Ébrios de amor faminto, nós somos tão errantes…
Na voz da poesia dois seres inconstantes…

Arranho tua carne… te beijo, arrependida.
Sou tua… tresloucada, esgoto tua vida.
Entregue à paixão, em ti vou… viajante.
Aranha presa inteira na teia de brilhantes…

Me perco nos teus olhos… me acho em teu sorriso.
Sorver de tua alma é tudo que preciso.
Na paz do meu caminho tu segues adiante
E eu sigo teus passos serena e confiante.

Em outros dos 127 poemas deste livro as palavras caem como estrelas no assoalho (construído) de plumas (naturais) da autora. Ela que sabe o que quer neste belo livro, e se posiciona advertindo, em seu erudito poema “Mitológica”: “Não pede pelo inferno se queres paraíso”. E sem precisar dizer a Édipo que é Esfinge, decifra-se “terna e lírica” com sua alma bailarina, aventureira nos penhascos das palavras e numa poesia verdadeira plantada por ela no asfalto das cidades grandes e na sua tênue e inconsciente memória erótica de uma índia da Amazônia.

Ler e compreender, portanto, a poesia de Josyanne Franco é absorver de sua experiência lírica e literária o sentido do seu devir poético que trará sempre o multiculturalismo universal da alma.

Como também encontrei me olhando da estante o seu “Desvãos do Pensamento” (Coleção Letra de Médico, Volume 6, Rumo Editorial, 1ª Edição, São Paulo, 2016), no qual ela publica contos, poesia e prosa poética, diria que ela segue com mais vigor os poemas iniciados no boletim literário Caju e depois com o “Assoalho de Plumas”. No “Desvãos do Pensamento” ela se assenhora de sábias frases e de um estilo muito peculiar de prosa que será objeto de novo comentário que farei futuramente.

(*) Josyanne Rita de Arruda Franco é médica pediatra e psicanalista nascida em Macapá-AP. É escritora, membro da Academia Brasileira de Médicos Escritores (ABRAMES), da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES) e da Academia Jundiaiense de Letras (AJL), entre outras instituições literárias nacionais e internacionais. Reside em Jundiaí – SP há cerca de 30 anos, onde exerce suas atividades profissionais. Costuma dizer, sobre suas composições poéticas, que tem “o pensamento no sublime, a vida na realidade e o coração na selva” (Texto extraído da contracapa do livro “Desvãos do Pensamento”).

Leitor aos dezoito! – Por Angela de Carvalho – Angelita

Por Angela de Carvalho – Angelita

Bartolomeu, escrevo para te contar das maravilhas desta última semana, o nosso Salão do livro foi fantástico! Imagina só, vieram embaixadores de todos os municípios, duas crianças de cada, meninos e meninas de 8 anos, que em 2030 serão: Leitores aos 18 anos! Sacou?

Já na abertura do Salão, houve a assinatura do Programa “ Dez Anos de Leitura! Leitor, aos 18”. Todas as crianças na faixa etária de 8 a 12 anos, receberão 10 livros ao longo de cada ano, deste período. Serão os protagonistas desse programa.

Temo atropelar esta escrita, querendo contar tudo de uma só vez. Mas, deixa eu contar logo essa parte: os livros de vários escritores amapaenses que já estão aí neste outro plano com você, foram reeditados – e mais, eles foram au-to-gra-fa-dos, por dois “sósias” deles, um aos 8 anos e outro já adulto. Com isso, as crianças passaram a conhecer as histórias desses escritores, pois houve seleção e preparação para quem os representaria. Na seção de autógrafos, conversavam e davam entrevistas como se fossem mesmo aquele escritor. Estavam tão bem caracterizados, que os familiares destes se emocionaram. Entrei em cada uma das filas: amei abraçar a Aracy de Mont’Alverne e o Isnar Lima estava um charme com o terno de linho branco. A fila de autógrafos do Alcy Araújo, foi a mais concorrida.

Bomba! Os prefeitos, assinaram “Termo de Compromisso” onde está escrito que as Bibliotecas Municipais terão que funcionar que nem museu, com folga somente nas segundas feiras, para que as pessoas possam ir as bibliotecas nos finais de semana. Nos discursos, foi dito que “será este um equipamento tão importante quanto hospital e escola”. Deveriam ter dito: “tão importante quanto gabinete do prefeito”. Sabe-se que faltam coisas em todo lugar, mas em gabinete de prefeito: a central funciona, tem café, a secretária está sempre presente…mas deixa a minha ironia de lado, alguns serviços de prefeituras aqui do Estado do Amapá estão melhorando, reconheço! Vamos voltar para as coisas importantes que aconteceram no Salão. No tal Termo, está escrito ainda que cada Biblioteca Municipal vai ter um profissional bibliotecário(a); acervo renovado; boas programações literárias com mediadores de leitura e edital para publicação de livros, anualmente! É o Direito à Leitura amigo, que se faça JUSTIÇA! Não é? E não, que a Justiça ocupe o espaço que é de bibliotecas…lá vem a ironia outra vez. É que dói, sabe? Ainda não engoli aquela história da Biblioteca da Justiça Federal, dinheiro de emenda parlamentar designado para este fim…e quando o prédio estava lá prontinho, só faltando o acervo mobiliário e plugar os computadores… virou Juizado, doeu demais! Ainda bem que não cultivo amargura, faço minhas criticas porque penso. Mas estou aqui toda animada.

Então deixa eu contar algo super bacana: muitas pessoas passaram a conhecer o que eu chamo de “uma nascente do arco iris” é a “Casa Traço!” Um ateliê lindo, um lugar onde as tintas e cores se misturaram. Os artistas da casa irão Coordenar uma coleção de livros: “Municípios: do Oiapoque ao Jarí”. Isso mesmo, o Mário Baratta e a Bárbara Damas, ficarão à frete desse projeto, que fará parte do Programa “Leitor aos 18!”, e no Salão de 2021, haverá o lançamento desta coleção, quando os embaixadores passarão o relato do seu ano de mandato e os novos embaixadores empossados levarão aos municípios um exemplar do livro para cada criança, sempre de 8 a 12 anos. E ainda uma boa quantidade destes, para as bibliotecas das escolas e para a Biblioteca Pública Municipal. Haverá a cada ano a escolha de um município que será a Capital da leitura, nesse município também será realizado um Salão, seguido do que que acontecerá em Macapá, assim os municípios serão prestigiados também. Política Pública De Leitura acontecendo em todo o Estado do Amapá, parece sonho amigo!

Ainda falando em cores e tintas, advinha quem veio para este primeiro Salão: Roger Mello, Marilda Castanha, Odilon Morais, e muitos artistas que ilustram livros para crianças, vieram até ilustradores de outros países – aqueles que enviaram Obras para o AMAZÔNIA CHAMA ou Amazon Shouts. As crianças ficaram embevecidas em ver formas diferentes e belas de expressar as maravilhas da nossa floresta e sua biodiversidade, ainda que com a dor que sentimos com tanta destruição. A exposição da arte destes ilustradores vai circular em todos os municípios. É uma carreta/container, com a exposição já montada.

Ai, Bartô! A semana foi curtinha demais para degustar tanta maravilha. Essa turma nova que anda a colorir Macapá em projetos do segmento de Arquitetura e Artes da UNIFAP, vai junto com a carreta. A interação dos artistas de lá com os de cá, foi fantástica! Muitas trocas criativas. Os de lá se sentiram fortalecidos, vendo tanto potencial nessa juventude.

Eu, fui circulando por tudo isso, meio que transparente e silenciosa, como aprendi com você. Respirando fundo e me encantando com tudo e agora transbordo toda minha alegria nesta carta.

Membro do MP-AP lança livro no Luau na Samaúma

Um dos pontos fortes do Luau na Samaúma é o incentivo e difusão da cultura. Nesta edição, o membro do Ministério Público do Amapá (MP-AP), promotor de Justiça Mauro Guilherme, lança seu livro “Poesia de Rio”. O evento ocorrerá nesta sexta-feira (13), na Praça da Samaúma, em frente a Procuradoria-Geral do MP-AP, prédio Promotor Haroldo Franco.

O Luau na Samaúma é promovido pelo MP-AP, em parceria com a Prefeitura Municipal de Macapá (PMM), Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AP), e pelo Governo do Estado do Amapá, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult).

Esse é o décimo livro lançado promotor, que também é escritor. Dessa vez, com o diferencial de estar às margens do rio amazonas, e sob a sombra da Samaúma. Com o primeiro livro lançado em 1998, o escritor soma 21 anos de carreira escrevendo romances, crônicas e poesias.

Mauro Guilherme é autor de Reflexões poéticas (1988), Humanidade Incendiada (2003), Destino (2007), O Trem de Maria (2009), As Histórias de João Pescador (2010), Histórias de Desamor (2012), História de Pássaros (2017) e contos Estranhos (2017).

As poesias do livro retratam a natureza, os pássaros, a floresta, o ribeirinho e um pouco sobre a cultura da Amazônia, fazendo jus ao título: “Poesias de Rio”.

“Escolhi fazer uma noite de autógrafos no Luau na Samaúma porque o evento tem se tornado, a cada ano, uma marca cultural da cidade, atraindo gente de todas as idades”, concluiu o autor.

SERVIÇO:

Elton Tavares – direto de comunicação
Texto: Nelson Carlos
Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: asscom@mpap.mp.br

Dia 13 de dezembro tem edição especial de Natal do Luau na Samaúma

O clima das festas de fim de ano não poderia ficar de fora da programação do Luau na Samaúma. Neste mês de dezembro, a Prefeitura de Macapá, Ministério Público do Estado, Secult e Sebrae preparam uma edição especial de Natal com coral, exposições, feiras, muita gastronomia e música.

A edição ocorrerá no dia 13 de dezembro, na Praça da Samaúma, no Araxá. A programação inclui Feira de Artesanato do Projeto Mulheres que Fazem, do Instituto Municipal de Política de Promoção da Igualdade Racial (Improir) e Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (CMPPM).

O Luau contará com uma programação diferenciada, que incluirá exposições diversas, venda de comidas típicas e foodtrucks, exposição e comercialização discos de vinil, exposição de objetos antigos e tenda literária com exposição e comercialização de livros e declamações poéticas com a Associação Literária do Estado do Amapá (Alieap) e Movimento Poesia Boca da Noite, além de exposição de artes visuais.

Para quem gosta de sair para ir às compras pode aproveitar no Luau a feira de produtos do campo do Sebrae ou experimentar o simulador de impacto da CTMac. Para os amantes das artes visuais haverá exposição dos artistas Claudete Machado e Max Gabriel.

Para a criançada tem intervenção artística com os arte-educadores da CTMac, oficinas de minichefes do Sebrae, contação de histórias e espetáculo teatral infantil.

Confira a programação completa:

17h – Contação de história com o Proler (Semed);

17h30 – Espetáculo “Buiando na Antranet”;

19h – Coral do projeto Anjos da Guarda Civil Municipal de Macapá;

19h30 – Nonato Santos;

20h – João Amorim;

21h – Amadeu Cavalcante;

22h – Sambarte.

Cássia Lima
Assessora de comunicação/Fumcult

Ueap promove VI Ciclo de Palestras de Escritores da Literatura do Amapá

A Universidade Estadual do Amapá (UEAP) realizará, nesta terça-feira (3), o VI Ciclo de Palestras de Escritores da Literatura do Amapá. O evento, organizado pela turma de Letras da instituição de ensino, tem como finalidade a valorização e disseminação da literatura amapaense como expressão da cultura regional.

O tema central desta sexta edição será “A Crítica Literária no Amapá”. O evento contará com palestras dos escritores e poetas poeta Paulo Tarso Barros e Alcinéa Cavalcante. E também da professora Mestra Ana Paula Arruda.

Serviço:

Ueap promove VI Ciclo de Palestras de Escritores da Literatura do Amapá
Data: 02 de dezembro de 2019
Local: Auditório Central da Ueap (Campus I Avenida Presidente Vargas, Centro de Macapá)
Hora: de 14h às 18h
Entrada Franca

Elton Tavares

Mama Guga, de Fernando Canto – Por @giandanton

Por Ivan Carlo

Fernando Canto é um dos grandes nomes da literatura amapaense. Mais conhecido por suas letras de música – ele foi um dos fundadores do grupo Pilão, que marcou época na MPA, ele também é um contista inspirado, como mostra o livro recém-lançado pela Paka-Tatu, Mama Guga.

O livro traz contos intimistas e emocionantes, como O retrato azul, narrado como um filho falando ao pai: “Agora estou aqui, engolindo este silêncio, sem saber o que dizer para você (…) Agora estamos nós dois sem saber o que fazer… Você aí sentando nesta rede com os olhos brilhosos de lágrimas, olhando fixo o quadro que lhe demos de presente de aniversário”. Além de criativa, a abordagem permite um aprofamento no personagem que talvez não fosse possível de outra maneira.

Há contos que oscilam entre o causo urbano, o humor e o drama, como em “A seringa contaminada de Bambo, o zagueiro do futlama”, no qual um homem com HIV ameaça picar pessoas com uma seringa.

Mas os melhores contos são aqueles em que Fernando Canto se utiliza da mitologia local, entremeando-a muitas vezes de fatos históricos e narrativas cotidianas. Exemplo disso é “As mulheres-peixe do meu garimpo”, sobre um garimpeiro que se enamora de sereias encontradas em uma gruta. Mas são sereais amazônicas, com cor local e sexualidade aflorada: “Tinham a cor dourada e eram largas. Suas barbatanas eram vermelhas, umas gracinhas. Nem de longe pareciam com as sereias que eu tinha visto em revistas. Brincavam com as águas e sorriram quando me viram. Me chamaram pra bem perto delas, e aí pude conhecer o verdadeiro sabor do prazer sexual”.

Desses, o melhor é “A cidade encantada sob a pedra”.

A história se passa em uma cidade fictícia (meio que uma mistura de Macapá e Mazagão), mas mágica, em que seres encantados saem do fundo do rio para defender os negros entre eles o pretinho Chibante, que distribui para a criança bombons trazidos em seu chapéu de casco de tartaruga.

Na história, dois irmãos descem à cidade encantada em busca de um suposto tesouro. O interessante do conto é a forma como o autor mescla fatos históricos, personagens mitológicos e ladrões de marabaixo para construir sua narrativa.

Para quem não é da região, os ladrões são músicas cantadas nas rodas de marabaixo, geralmente sobre fatos ocorridos na comunidade.

Há duas versões sobre o nome. Na primeira delas, os versos são chamados ladrões porque um “rouba” a música do outro, continuando o verso. Na outra, porque a letra “rouba” fatos das vida pessoal das pessoas, tornando-as públicas através da música. Fernando Canto adota essa última explicação e constrói todo o conto a partir de ladrões, entremeando-os à narrativa em prosa. A narrativa é fluída, quase como um causo narrado a um visitante e fantasia, história e ladrões vão se misturando naturalmente.

O conto é um delicioso causo e, ao mesmo tempo, uma curiosa experiência estética.

É de se destacar o ótimo trabalho editorial da Pakatatu no livro, a começar pela bela capa com ilustração de Maciste Costa. O papel polém e a difamação simples, limpa, mas eficiente fazem com que a leitura do livro se torne leve e agradável.

Fonte: Ideias Jeca Tatu