Paulinas lança livro de dom Pedro José Conti nesta sexta-feira


A Paulinas Livraria coloca à disposição do público, nesta sexta-feira (28), o livro “A verdade que liberta – Contos e parábolas para compreender melhor o evangelho”, de autoria do bispo de Macapá, dom Pedro José Conti. O lançamento será às 16 horas, na própria livraria, na Rua São José, 1790, Centro. A entrada é franca.
O livro é uma seleta dos artigos publicados semanalmente na mídia local, em blogs e sites nacionais como o da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Adital, Portal Ecclesia, Família Missionária e de arquidioceses e dioceses de todo o País.
Nas 271 páginas, o autor explicita a mensagem evangélica com uma linguagem simples e acessível, utilizando-se de histórias ou de fatos, para possibilitar ao leitor melhor compreensão da Palavra de Deus.
Sobre o autor

Dom Pedro José Conti é italiano, nasceu em Brescia, no dia 10 de outubro de 1949. Desde muito jovem era engajado no trabalho pastoral da sua paróquia. Na diocese de Brescia foi encarregado diocesano da Ação Católica das crianças.
Vocacionado para o sacerdócio, Pedro Conti ingressou no Seminário Diocesano de Brescia, em 1970, e foi ordenado padre no dia 12 de junho de 1976. Em 1983, concluiu o doutorado em engenharia eletrônica, no Politécnico de Milão.
No mesmo ano, veio para o Brasil, precisamente para o Estado do Pará. Trabalhou como missionário na Diocese de Bragança e de setembro de 1984 a dezembro de 1995 exerceu a função de pároco na Paróquia de Paragominas. Em fevereiro de 1996, foi sagrado bispo da Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia.
No dia 20 de fevereiro de 2005, Dom Pedro tomou posse como bispo da Diocese de Macapá. Atualmente, na CNBB, faz parte da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicaito e acompanha, no Regional Norte II, a juventude, o laicato e as Comunidades Eclesiais de Base.
Graça Penafort
Pastoral da Comunicação

Lançamento do livro “A Anfitriã”


Todos nós guardamos certos segredos. Entretanto, quando estamos entre amigos, cedo ou tarde acabamos revelando aqueles que julgamos mais leves e ocultando os que devem permanecer a sete chaves. Mas será que esses fatos que tanto tentamos esconder estão de fato apenas em nossa memória? Em A Anfitriã, um thriller cheio de aventura, romance e mistério, ninguém está a salvo desta onisciente e onipresente figura. Ela tudo sabe e tudo vê. Convidamos você a apreciar essa trama cheia de tensão e suspense narrada na cidade de Macapá, Amapá.

Papo Casal: fui o primeiro a comprar o livro.


Há exatos seis anos e dois dias, 11 de março de 2008, visitei o Ronaldo Rodrigues, que também é Rony. Era noite. Ele morava na casa da Floriano Peixoto (a galera sabe onde) e estava feliz. Tinha chegado os exemplares de seu livro ‘Papo Casal’. 

Tenho orgulho de ter sido o primeiro comprador da obra. Nela, RR ironiza o cotidiano e situações comuns de casais de forma inteligente e divertida. Tenho o livro até hoje, pois a obra é atemporal.    

Elton Tavares

Hoje rola Sarau Literário na Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda


Hoje (13), véspera do Dia Nacional da Poesia, a partir das 16h, vamos fazer um belíssimo sarau literário na sala de Literatura Amapaense da Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda. 

O Sarau contará com a participação dos grupos Tatamirô e Poesia na Boca da Noite. Presença vip de alunos da professora Lúcia Gurjão, do Colégio Amapaense, e o convite está aberto a todos aqueles que curtem poesia. A partir das 16h.

Lulih Rojanski
Diretora da Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda

24 horas de cultura marcam início da Pré-Feira do Livro do Amapá


Acontece em Macapá no dia 13 de março a 1ª Virada Poética que promete levar 24 horas de atividades culturais para o espaço do Museu Sacaca, em alusão ao Dia Nacional da Poesia. O evento marca o início das atividades da Pré-Feira do Livro do Amapá (Pré-Flap) e inicia a partir de 17h com intervenções poéticas, saraus, exposição de filmes e um concurso de fotopoema.

A programação será coordenada pelo Governo do Amapá através do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler). Entre as atrações, na noite do dia 13 haverá um sarau reunindo grupos de poesia de Macapá com a participação dos poetas Eliakim Rufino, de Roraima, e o gaúcho Pedro Jr.

Alunos da rede estadual de ensino serão convidados a participar do Rufar Literário, que reunirá escritores e leitores para troca de ideias e conhecimentos, além disso, as mulheres beneficiárias do programa de assistência social Renda Para Viver Melhor terão um espaço de poesias dedicadas a elas, fazendo referência ao mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher.

Serviço:

Evento: 1ª Virada Poética
Local: Museu Sacaca
Data: 13 a 14 de março de 2014
Hora: A partir de 17h
Entrada: Franca

Escritora amapaense Alcinea Cavalcante (@alcinea) tem obra publicada na Antologia Lindas Lendas Brasileiras


Amanhã (8), na Casa das Rosas, em São Paulo (SP), Rede de Escritoras Brasileiras (Rebra) lança a Antologia Lindas Lendas Brasileiras. O evento celebra os 15 anos de existência da Rebra. 

Entre as 77 escritoras do Brasil está a jornalista amapaense Alcinéa Cavalcante, com o texto “A Pedra Encantada do Guindaste”. 

Felicito a escritora pelo reconhecimento nacional e por representar a literatura do Amapá. Parabéns, Alcinéa!

Elton Tavares

A Pedra Encantada do Guindaste 

Por Alcinéa Cavalcante

Não me pergunte porque aquela pedra, ali no rio Amazonas, bem na frente da cidade de Macapá, é chamada de Pedra do Guindaste. Eu não sei. O que sei é que nela morava uma princesa de olhos claros e cabelos cor de mel. Sei também que em noites de lua nova, a pedra se transformava num imenso navio azul.

Açucena – é este o nome da princesa – foi trazida para Macapá para conhecer seu noivo González, um dos homens mais ricos da região, dono de terras a perder de vista, incontáveis cabeças de gado e minas de ouro. Era culto, elegante e bonito.

Açucena não o amava, mas não se opôs à vontade do rei.

Casaria com González, não tivesse visto certa manhã, um sorriso tão lindo, tão amplo, tão cheio de ternura, que se sentiu abraçada por esse sorriso. E aquele par de olhos? Ah, naqueles olhos brilhava esperança. E em Açucena nasceu a esperança de ser feliz, de amar, de ter um amor para a vida inteira.

Desistiu de González.

O rei e a rainha não aceitaram, afinal tinham prometido a mão da filha ao homem rico e promessa de rei tem que ser cumprida. Além disso, o dono do sorriso que encantou Açucena jamais poderia entrar num palácio, nunca – nem em sonho – poderia fazer parte da família real. Ele era negro, sem estudos e sem posses. Era um escravo que passava o dia inteiro carregando pedras, sob o sol escaldante, para a construção da Fortaleza de São José de Macapá. Trazia no corpo as marcas das chibatas, mas no olhar um brilho diferente, que iluminava a alma e o coração da princesa. Não era proprietário de terras, de gados, de ouro… mas era proprietário de esperanças, versos e ternura. Se descobriram apaixonados um pelo outro. Açucena  todos os dias, antes do sol nascer, postava-se à beira do rio, quase ao lado do local onde estava sendo erguida a Fortaleza, para vê-lo passar e ser abraçada por aquele sorriso tão amplo.
 
Obrigada pelo rei a casar com González, Açucena decidiu fugir. Num final de tarde, quando a primeira estrela surgiu, ela jogou-se no rio e foi nadando, nadando, nadando em direção à Pedra do Guindaste e lá se escondeu da família, do mundo, do luxo, de González e de toda riqueza material.
Os mais antigos contam que todos os dias, antes do sol nascer, uma princesa surgia, como que por encanto, naquela pedra. Mas só era vista por pessoas extremamente apaixonadas. Conta-se também que em noites de lua nova a pedra, como num passe de mágica, se transformava num iluminado navio, mas só olhos cheios de ternura poderiam vê-lo.
Passados anos e anos e anos, um artista português esculpiu uma imagem de São José e colocou-a em cima da Pedra do Guindaste. Açucena sabia que São José era o  santo padroeiro de Macapá e começou a rezar e pedir ao santo a graça de viver e ser feliz com seu grande amor.

Não demorou muito, numa noite escura – sem lua e sem estrelas – e de maré alta, uma embarcação chocou-se com a pedra, quebrando-a. Quem passou de manhã cedinho pela frente da cidade, viu uma linda princesa de cabelos cor de mel e um lindo príncipe negro se beijando no convés de um imenso navio que deslizava nas águas do rio Amazonas. Navio, rio e amor dourados por um sol bochechudo. Há quem jure que viu o casal acenando para a cidade, dando adeus para a cidade.
O certo é que depois disso nunca mais ninguém viu a princesa, nem o navio, nem o escravo de sorriso amplo e olhos ternos.
A imagem de São José foi recolhida do rio. O governo mandou colocar um bloco de concreto em cima do que restou da pedra e em cima desse bloco a imagem do santo padroeiro. E como uma lenda puxa outra, hoje conta-se que se um dia a água do rio subir tanto e molhar as sandálias de São José, Macapá irá para o fundo.

Hoje rola de contação de histórias na Fortaleza de São José de Macapá


No próximo domingo, 23, haverá contação de histórias na praça interna da Fortaleza de São José de Macapá, a ação cultural é uma iniciativa do Movimento de Contadores de Histórias no Amapá iniciado a partir de oficinas realizadas no início deste ano com o objetivo de aperfeiçoar e fortalecer ações desse tipo no estado. O encontro iniciará a partir das 16h e é aberto ao público que deseja contar e ouvir as histórias. 

A ideia dos integrantes do Movimento é criar um espaço de experimentações e interações estéticas entre artistas interessados em produzir trabalhos na área da contação de histórias, além disso, a população ganha uma alternativa de cultura e lazer nos espaços públicos da capital. 

Serviço:

Contação de Histórias
Local: Fortaleza de São José de Macapá
Data: 23/02/2014
Realização: Movimento de Contadores de Histórias no Amapá
Apoio: Fortaleza de São José de Macapá
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Paulo Rocha – Ascom Fumcult-PMM
Contato: (96) 8116700 / 91981300

Hoje (14), escritor Cid Benjamin lança livro “Gracias a la vida”, em Macapá

Sobre o escritor Cid Benjamin

Cid de Queiroz Benjamin é um jornalista e político brasileiro natural de Pernambuco.

Nos anos 1960 e 1970, militou na luta armada, na frente da guerrilha urbana, dentro do MR-8. Junto com os também jornalistas Franklin Martins e Fernando Gabeira, entre outros, participou do sequestro do embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick, em 1969. Atribui-se a Cid a ideia original da ação bem-sucedida. Depois preso, foi exilado e morou na Argélia e na Suécia.

Ao retornar, trabalhou nos mais importantes jornais do país, como O Globo e Jornal do Brasil e recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo, com mais quatro colegas, por uma série de reportagens sobre a Guerrilha do Araguaia. Também foi assessor da deputada federal Jandira Feghali.

Atualmente é professor de “Realidade Sócio-Econômica e Política” nas Faculdades Integradas Helio Alonso – no Rio de Janeiro.

O lançamento do livro é hoje, às 18h30, na Faculdade Estácio-Seama. 

Prefeito e família do poeta Alcy Araújo formalizam o nome da primeira biblioteca municipal


O prefeito de Macapá, Clécio Luís, recebeu a família do jornalista, escritor e poeta Alcy Araújo, em seu gabinete, para solicitar formalmente o nome do patriarca para a biblioteca municipal, que será inaugurada em abril deste ano.

O nome do jornalista foi escolhido pela importância, biografia e pela contribuição que ele deu ao Amapá, se tornando uma lenda na literatura local e de importância nacional. “É uma referência da cultura amapaense para o país, respeitado por outros especialistas da área literária”, ressaltou a diretora-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Márcia Corrêa.

Clécio destacou que Macapá é a única capital do Brasil que não possui uma biblioteca municipal, e a importância deste espaço e da valorização da história e literatura local é fundamental para a memória de um povo e para a pesquisa científica.

“Queremos não só proporcionar um espaço para a leitura, mas fazer com que o amapaense tenha um local onde possa conhecer a história e a cultura local, que possa através disso se orgulhar e valorizar o que temos. Nossa política cultural é ir além de uma simples placa nomeando alguém, é valorizar essa personalidade pelo que fez por nossa cidade, pelo nosso povo, pela nossa educação e cultura”, ressaltou o prefeito.

Alcilene Cavalcante, filha do poeta, agradeceu em nome da família pela homenagem e, principalmente, pelo conceito, memória e pela valorização. “Não é por causa de um prédio, mas pelo conceito que estamos vendo no projeto que a prefeitura quer dar para ele. Por essa forma de contar a história da cidade, pelo seu povo, por quem fez parte da construção dela. Estamos contentes e dispostos a ajudar a fazer parte disso. Podem contar com a nossa família”.

A Biblioteca Municipal Alcy Araújo, localizada na zona Norte da cidade, tem previsão para ser inaugurada em 22 de abril (data do falecimento do poeta). “Será um presente para Macapá, principalmente para a zona Norte da cidade, que agora terá um espaço para o conhecimento e para a diversão por meio da literatura”, informa Márcia Corrêa.

Alcy Araújo Cavalcante, paraense da Vila de Peixe-Boi, nasceu no dia 7 de janeiro de 1924. Foi marceneiro, profissão que exerceu durante algum tempo. Mas sua vocação era as letras. Trabalhou nos jornais Folha do Norte, O Liberal, Imparcial e o Estado do Pará. Chegou a Macapá em 1953 e ingressou no serviço público como redator do gabinete do governador Janary Nunes. Foi chefe de Gabinete do Governador, diretor da Imprensa Oficial, diretor da Rádio Difusora de Macapá (RDM), entre outras funções no território do Amapá.

No jornalismo, adotou vários pseudônimos para publicar artigos na imprensa visando driblar a vigilância dos governantes militares. Tem várias obras publicadas e poemas e crônicas em enciclopédias do Brasil e de outros países.

“Nas palavras do jornalista Hélio Pennafort, Alcy foi um dos mais macapaenses de todos os paraenses que ajudaram a desenvolver e animar a cidade”. (fonte: Paulo de Tarso Barros)

Texto: Pérola Pedrosa
Foto: Nayana Magalhães
Asscom PMM

E-book “O Mosaico de Raros” disponível gratuitamente na internet (via blog Olhar Alternativo)


Já está disponível na internet mais um grande projeto da literatura amapaense. A coletânea “O Mosaico de Raros”, idealizada pelo jovem Marvin Cross, que pode ser baixada gratuitamente no site 4shared, reúne nove contos de de jovens escritores amapaenses, cada um seguindo um estilo particular de focar sua arte de escrever.

Valorize a cultura local e conheça esta obra maravilhosa, que reúne ótimos trabalhos de Tiago Quingosta, Marvin Cross, Prsni Nascimento, MK Santos, Rodrigo Mergulhão, Genniffer Moreira, Samila Lages, Lara Utzig e Rodrigo Ferreira. Vale a pena conferir.

Para baixar o livro, acesse o link:

É ler e se apaixonar pela nossa literatura, que a cada dia ganha novos e brilhantes talentos.

Jéssica Alves

O homem curvo

Fernando Canto

Meus olhos infantis ainda enxergam o homem sentado na ponta do trapiche; a trouxa ao lado e a calça escura balançando ao vento. Sua silhueta lembra um soldado descansando da campanha e o jeito magro e curvo parece mostrar mais lassidão, assim como um cavalo magro e velho pastando em campo infértil.

Há três dias aquele homem está sentado no mesmo lugar como se estivesse pescando sem linha, sem caniço ou anzol na maré seca de ondas ralas. Isso é motivo de preocupação. Mas a minha preocupação infantil é jogar meu futebol na praia lamacenta da frente da cidade. Não consigo, porém, me concentrar. A bola é chutada para dentro do rio que já vem enchendo. É lateral. Vou pegá-la adiante e vejo o homem mais perto. Ele está lá. Impassível. É uma estátua viva. “Joga a bola G.”, meus amigos gritam. Eu deixo a pelada de praia, me visto, apanho os jornais que me restam para vender e resolvo ir onde o homem está.

Um sol de equinócio racha meus cabelos escorridos e o solado dos meus pés acostumados que são a andar descalços sobre a enorme ponte de madeira. Ando quase 500 metros, encontrando pessoas e vou vendendo jornais. Ainda bem que o vento espanta esse sol abrasador. Barco chega, barco parte, ancora, aporta e descarrega. E o homem lá. Seu modo esquisito de se comportar dá a impressão que compartilha um segredo com as águas ondeantes do rio, pois elas chegam e varam os pilares do ancorandouro associando uma música estranha aos meus ouvidos.

Aproximo hesitante do homem curvo e ele não dá a mínima. Nem diz, como os outros adultos “Sai daí menino, é perigoso ficar na beira do trapiche”. Ofereço-lhe o último exemplar do jornal e ele fala “Não sei ler”. Mas eu respondo “Eu leio pro senhor”. “Não precisa, ele diz, eu sei de tudo o que se passou aí atrás, por isso estou aqui olhando as águas.”

Sento ao lado dele e fico horas jogando conversa fora. Parece que agora sei tudo sobre ele e entendo porque ele está ali há tanto tempo sem dormir, sem se alimentar e sem fazer as necessidades fisiológicas. Compreendo sua sede de olhar o rio que vem e que vai, assim como se apresenta o destino no meu entendimento de menino trabalhador. No calor da empatia lhe pergunto tudo. Ele me diz que só não pode dizer o que traz na sua trouxa. Fico aflito, mas ele me conforta, passando as mãos nos meus cabelos.

A manhã passa e um dia inteiro fica no passado. Eu ainda estou ao lado do homem contemplando o rio e os pássaros que flecham com seus voos o céu do poente e da nascente. Não sei quantos dias já se passaram. Sei apenas que num certo momento, na hora em que nascem os raios de sol, ele me fita e diz: “Vou embora. Mas vou deixar minha trouxa aqui neste trapiche. Por favor não abra. Adeus”.

Como se suas pernas fossem de pau, compridas, iguais às dos palhaços do Circo Garcia, ele levanta e segue para dentro do rio até desaparecer no canal.

Lembro que chorei muito. Ao chegar em casa a febre inevitável do encantamento me fez delirar por tantos dias que quase fui internado no Hospital Geral. Mas nada como um chá de ervas e outros esforços familiares para eu ficar bom. Até benzeção e banho de cheiro me ajudaram na retirada do quebranto.

Ao olhar, hoje, o rio e as ondas se quebrarem no trapiche, na emoção de pisar no baluarte de Nossa Senhora da Conceição, sobre a Fortaleza de São José de Macapá, não vejo mais a silhueta do homem curvo. Mas tenho a ligeira impressão que ele ainda está lá. Não sumiu no canal. Todavia, creio que se ele não estiver, está a sua trouxa de sarrapilha encostada num pau de amarração dos barcos. E nela, intuo, reside algo bom, tão bom quanto a esperança que precisa ser guardada numa trouxa qualquer, sob pena de homens e crianças perderem o encantamento que mora no barro e emerge sempre do fundo do rio.

Publicado no livro “Trapiche – Ancoradouro de Sonhos”. Edição comemorativa à reconstrução do Trapiche Eliezer Levy. Org. Márcia Corrêa. Desenho de Manoel Bispo.