MACAPÁ VERÃO: Festival de camarão no bafo será atração em Fazendinha

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O Macapá Verão começa em duas semanas e os preparativos já estão acontecendo. Um dos eventos mais concorridos da época é o tradicional Festival Gastronômico Melhor Camarão no Bafo, um dos pratos mais apreciados pelos amapaenses que procuram os balneários em julho.

Bares e restaurantes de Macapá podem se inscrever na 4ª edição do festival. “O concurso é uma forma de promover os pratos típicos do Amapá e ao mesmo tempo incentivar os veranistas a degustarem esses pratos”, afirmou o diretor do Instituto Municipal de Turismo (Macapatur), Sergio Lemos.

As inscrições para o concurso acontecem até o dia 30 de junho na Macapatur, localizada na Av. Rio Vila Nova, nº 05, Centro da cidade. O concurso acontecerá no dia 26 de julho no balneário da Fazendinha, onde todos os pratos inscritos passarão pela degustação do público, que vai escolher o melhor prato.

O primeiro colocado vai levar um freezer horizontal. O segundo um fogão industrial com forno e o terceiro lugar um jogo de panelas.

Fonte: Seles.Nafes.Com

Posse do Grupo Gestor do CEU das Artes acontece dia 25

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Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU das Artes)

A posse do Grupo Gestor do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU das Artes) acontece quinta-feira, 25, às 11h, no próprio Centro, Rua Avenida Carlos Lins Cortês, Infraero II. A cerimônia contará com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira. O grupo é formado por profissionais e representantes de diversos setores da sociedade, bem como moradores da zona Norte de Macapá.

Na noite da última quinta-feira, 18, foram alinhadas informações referentes ao evento e a atuação do grupo junto ao CEU das Artes. Os membros atuarão, em conjunto com a municipalidade, no andamento das políticas públicas de âmbito cultural, educacional, esportivo, tecnológico, recreativo, assistência social e saúde, bem como nas demais ações desenvolvidas no CEU.

O CEU das Artes atende pessoas de diversas faixas etárias, com oficinas nas áreas de educação, esporte, cultura e lazer.

Cliver Campos/Asscom Fumcult

Prefeito Clécio Luís entrega 14ª UBS revitalizada à população macapaense

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Localizada às margens do rio Amazonas, a Unidade Básica de Saúde Rubim Aronovitch há mais de dez anos não recebia nenhum tipo de reparo na sua estrutura. Considerada uma das mais antigas e importantes de Macapá pela localização, a UBS foi entregue à comunidade do bairro Santa Inês totalmente reformada. A cerimônia contou com a participação dos vereadores Nelson Souza, Eddy Clay, Adriana Ramos, João Henrique e Alciney Maciel, além dos secretários municipais de Saúde, Silvana Vedovelli, Paulo Dias e Elden Lage.

A reforma contemplou reparos na parte elétrica, hidráulica, climatização das salas, serviço de limpeza, pintura, paisagismo e identificação visual. O presidente da Associação de Moradores do Bairro Santa Inês, Ivaldo Souza, agradeceu o esforço da prefeitura em melhorar o ambiente da unidade de saúde. “A partir dessa reforma, as pessoas passam a ter um atendimento digno, tanto os profissionais que utilizam o local quanto a comunidade, que agora tem uma UBS confortável e bonita”.

O líder do governo na Câmara de Veadores, Nelson Souza, disse quem tem uma identidade com o bairro Santa Inês por morar na zona sul. “Eu caminho todos os dias pela orla e eram visíveis as condições em que a unidade se encontrava, e, mesmo com as dificuldades financeiras, o prefeito Clécio mostrou que tem compromisso com a saúde e com a população. A prova desse compromisso é a Rubim Aronovitch totalmente reformada sendo entregue à comunidade”.

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Há um ano, no dia 21 de junho de 2014, a primeira Unidade Básica de Saúde foi reformada nesse formato, denominado “Mutirão da Secretaria de Saúde”. Desde então, as 14 UBS’s foram totalmente revitalizadas. Essa ação começou quando se percebeu que era possível revitalizá-las com baixo custo. Das 23 existentes em Macapá, mais da metade já foram contempladas.

O prefeito Clécio Luís visitou as dependências da Rubim Aronovitch, conversou com os profissionais que trabalham no local, assim como ouviu a população que aguardava por atendimento. “Esta é a 14ª entregue totalmente revitalizada. É uma forma simples, de baixo custo e com alto envolvimento da equipe da Secretaria de Saúde. Essa ação, em forma de mutirão, começou timidamente pelo Lélio Silva. Com o passar do tempo foi aprimorada, e hoje vem dando certo”, relatou o prefeito lembrando que a próxima a ser entregue será a UBS Marcelo Cândia.

A Unidade Básica de Saúde Rubim Aronovitch, que foi inaugurada em 1985, atualmente possui 28 salas e funciona de segunda a domingo, das 7h à 0h, com nove médicos que realizam atendimentos nas áreas de pediatria, genecologia, clínica médica, ultrassonografia e dentistas.

Texto: Adryany Magalhães
Fotos: Max Renê
Asscom PMM

4º Festival Gastronômico MELHOR CAMARÃO NO BAFO 2015

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Estão abertas as inscrições para o 4º Festival Gastronômico MELHOR CAMARÃO NO BAFO 2015, para os Bares e Restaurantes do balneário de Fazendinha.

Os interessados deverão realizar suas inscrições no prédio do MACAPATur, no endereço Av. Rio Vila Nova nº 05, Centro – Macapá/AP.

As inscrições são gratuitas e deverão ser realizadas no período de 16/06/2015 a 30/06/2015. A participação no Festival se resume a Pessoa Jurídica.

Não perca essa oportunidade!!

Venha participar e concorrer a grandes prêmios!!

1º lugar 01 (um) freezer horizontal;
2º lugar 01 (um) fogão industrial com forno;
3º lugar 01 (um) jogo de panelão.
O Festival será realizado no dia 26 de julho de 2015, a partir das 11 horas no balneário da Fazendinha.

Boa Sorte a todos!!

Setor de Marketing
DDT/MACAPATur

Hoje rola Reggae no Bar do Nêgo

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Hoje (14), a partir das 18h, vai rolar Reggae no Bar do Nêgo. O DJ Jader Roots tocará no evento. Uma boa pedida para quem gosta de curtir a mensagem de paz do estilo referido musical, às margens do Rio Amazonas, no melhor quiosque do Complexo Beira Rio.

O Bar do Nêgo existe há oito meses e já se diferencia dos outros quiosques do Complexo Beira Rio pelo bom atendimento, comida porreta e som legal.

Serviço:

Reggae no Bar do Nêgo
Local: Bar do Nêgo, localizado no Complexo Beira Rio, orla de Macapá, na Avenida Beira Rio (segundo quiosque de quem vem da Praça do Coco, em frente ao Macapá Hotel).
Data: 14/06/2015
Hora: a partir das 18h.

Elton Tavares

Prêmio vai homenagear poetas e colaboradores da literatura no AP

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O projeto cultural Poesia ao Vinho vai realizar no sábado (13), um prêmio que homenageia os colaboradores da literatura em Macapá. Serão 22 pessoas, entre empresários e poetas, que receberão a premiação. O evento acontece a partir das 20h, em uma tapiocaria localizada no Centro da cidade.

Segundo os organizadores, o prêmio vai encerrar a temporada de seis meses do projeto. De forma criativa, os colaboradores selecionados pela coordenação, serão homenageados. Após a premiação, um sarau será realizado com participação especial das poetas Annie Carvalho, do grupo Liras e Mocambos e Milena Sarges, do grupo Jardim da Poesia.

Formado pelos poetas e músicos Thiago Soeiro, Pedro Stkls, Igor Oliveira, Danilo Barbosa e Barbara Marina, o projeto envolve também o público presente nas apresentações, que vai poder participar apreciando vinhos de diversas nacionalidades e declamando produções de escritores brasileiros ou poesias próprias.

“A ideia surgiu justamente da vontade de homenagear estas pessoas e valorizar o trabalho delas, que muito colaboraram para fazer com que a literatura tivesse sua importância”, ressaltou Pedro Stkls.

O encontro, que antes era informal reunindo poetas e amigos, admiradores da literatura e um bom vinho, se tornou um show poético. O “Poesia ao Vinho” foi criado em fevereiro de 2014 pelo grupo Poetas Azuis que atua há dois anos no cenário literário amapaense.

Serviço

Prêmio Poesia ao Vinho de Literatura
Data: 13 de junho
Hora: 20h
Local: Chocolate com Tapioca (Avenida Almirante Barroso com a Rua Santos Dumont, bairro Santa Rita)
Mesas: R$ 40
Informações: (96) 99154 6812

Fonte: G1 Amapá

QUARTA NÊGA: hoje rola música ao vivo no Bar do Nêgo

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Hoje (10), a partir das 21h, vai rolar música ao vivo no Bar do Nego. Será a segunda edição do Quarta Nega de Trova à Liberdade. Os músicos confirmados no evento são Dylan Rocha, Rebecca Braga, Brenda Fernandes e Aline Coêlho, além das tradicionais “canjas” de outros artistas e intervenções poéticas.

O Bar do Nêgo existe há somente oito meses e já se diferencia dos outros quiosques do Complexo Beira Rio pelo bom atendimento, comida porreta e som legal.

Serviço:

QUARTA NEGA trovando a liberdade no Bar do Nêgo
Local: Bar do Nêgo, localizado no Complexo Beira Rio, orla de Macapá, na Avenida Beira Rio (segundo quiosque de quem vem da Praça do Coco, em frente ao Macapá Hotel).
Data: 10/06/2015
Hora: a partir das 21h.

Elton Tavares

Servidores municipais têm reajuste de 4% aprovado na Câmara de Vereadores de Macapá

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A Câmara de Vereadores de Macapá aprovou na manhã desta terça-feira, 9, o Projeto de Lei nº 003/2015 de autoria do Executivo, que reajusta o vencimento dos servidores municipais ocupantes de cargo efetivo, ativo, inativo e pensionista, e remuneração dos integrantes do quadro de pessoal suplementar. O reajuste proposto pela Prefeitura de Macapá é de 4% linear.

O líder da bancada do governo na Câmara, vereador Nelson Souza, defendeu a proposta de reajuste reafirmando o zelo do Executivo em manter a austeridade da administração e o processo adensa as expectativas do funcionalismo público. “A administração do prefeito Clécio Luís restabeleceu a ordem do trabalhador municipal, reajustando no início do mandato a remuneração de 2.035 servidores que recebiam menos de um salário mínimo, pagando R$ 20 milhões de salários atrasados e restabelecendo a condição previdenciária legal do servidor. Isso demonstra clara preocupação e capacidade de planejamento desta administração”, pontuou o parlamentar.

A proposta dividiu opiniões na câmara, mas o presidente da Casa, Acácio Favacho, pediu aos pares a compreensão e reavaliação sobre o processo levando em consideração a valorização do servidor municipal. “Parabéns ao Executivo e equipe pelo compromisso com que trata o direito do servidor público. Esta Casa continuará atendendo as pautas de interesse do funcionalismo, travando debates e buscando soluções”, destacou Favacho. O Projeto de Lei foi aprovado por 21 votos favoráveis.

Texto: Andreza Sanches
Foto: Max renê
Asscom PMM

Prefeito Clécio Luís discute identidade dos patrimônios históricos com Memorial Amapá

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Resgatar a identidade de patrimônios históricos é uma das principais propostas de um grupo formado por descendentes de pioneiros amapaenses e pessoas interessadas na causa. Denominados “Memorial Amapá”, esse grupo foi criado em meio a especulações sobre a possibilidade de que o Teatro das Bacabeiras, no Centro de Macapá, seria renomeado em homenagem a um humorista, mas acabou não acontecendo.

Na noite de segunda-feira, 8, o prefeito de Macapá, Clécio Luís, reuniu-se com os representantes da entidade para discutir alguns projetos já planejados para Macapá. A reunião contou com a presença do diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Jansen Rafael e do secretário de Governo, Denilson Magalhães. O presidente do “Memorial Amapá”, Walter Júnior, destacou pautas importantes como o nome da Praça Isaac Zagury, que hoje é apenas conhecido como Beira Rio. “Vários gestores já tentaram tirar a verdadeira memória do que é a praça. Queremos que as pessoas lembrem qual a verdadeira identidade do local”.

Durante o encontro, foi feita uma apresentação de locais em Macapá que acabaram esquecidos pelo poder público, entre eles o prédio do Colégio Amapaense e o Antigo Ginásio Masculino, que hoje se chama Escola Estadual Antônio Cordeiro Ponte. Outra pauta levantada é a realização do 1º Encontro do Memorial Amapá, que acontecerá nos dia 12 e 13 de setembro, onde será feita uma caminhada por várias ruas da cidade. Serão colocadas placas para que as pessoas saibam quem são os homenageados nessas vias da cidade. Outro ponto discutido foi o tombamento da igreja São José, na esfera municipal.

O prefeito Clécio Luís convidou o grupo para participar das discussões a respeito do projeto da área que fica localizada em frente à residência governamental, já que existe verba para a revitalização do local. “Eu gostaria muito de contar com o Memorial Amapá na construção desse projeto, pois sei que vamos poder resgatar a memória daquele local. Eu poderia construir esse projeto no gabinete, mas é melhor construir em conjunto com quem conhece a história dessa cidade. Eu assumo o compromisso em agilizar a posse do Conselho Municipal de Políticas Culturais para viabilizar o tombamento da igreja, já que esse é o primeiro passo”.

Clécio ainda lembrou que dia 6 de setembro é o dia da criação do município de Macapá e uma programação em conjunto será montada para esta data não passar em branco.

Texto: Adryany Magalhães
Foto: Max renê
Asscom PMM

Abertas as inscrições de propostas culturais para o Macapá Verão 2015

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Iniciaram nesta segunda-feira, 8, as inscrições de propostas culturais para o Macapá Verão 2015, evento promovido pela Prefeitura de Macapá. Elas acontecem das 8h às 12h e das 14h às 18h, na sede da Fundação Municipal de Cultura (Fumcult), localizada na Rua Eliezer Levy, nº 1.610, Centro. No ato da inscrição, que encerra dia 26 de junho, é necessária a apresentação de portfólio com release, recortes de jornais, revistas, fotos, CD e DVD.

Podem inscrever-se atores, músicos, dançarinos, poetas, entre outros que tiverem interesse em se apresentar nos palcos do Macapá Verão, além de locutores e donos de sons para evento de pequeno porte. As propostas serão analisadas por uma equipe formada por conhecedores das manifestações culturais e nomeados pela Fumcult. As propostas que melhor se enquadrarem na programação serão aceitas.

Para fazer o cadastro, os interessados deverão encaminhar à Fumcult o Requerimento de Cadastro Macapá Verão 2015, no qual deverão ser anexados: portfólio e cópias da Carteira de Identidade, CPF e comprovante de residência. Poderão se cadastrar Pessoas Físicas e Jurídicas dos segmentos culturais com sede no município de Macapá.

O evento, que ocorrerá no período de 4 de julho a 2 de agosto, acontecerá nos balneários do Curiaú e nos complexos turísticos do Jandiá, Araxá, Fazendinha, além de outros distritos de Macapá.

A ficha de inscrição está disponível no link:

http://www.macapa.ap.gov.br/arquivos/ficha_inscricao_2015.pdf

Cliver Campos/Asscom Fumcult

O DISCURSO DISCRIMINADOR DO MARABAIXO – Por Fernando Canto

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Foto: Elton Tavares

Diante de mais um fato etnocêntrico de um delegado que ameaçou parar as festas do Marabaixo, publico este texto conclamando todos os amapaenses a defender nossa cultura ancestral (F.C.)

O DISCURSO DISCRIMINADOR DO MARABAIXO (*)

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Foto: Gabriel Penha

Texto de Fernando Canto Para o amigo Herialdo Monteiro

Não é de hoje que o Marabaixo é discriminado. Aliás, as manifestações culturais de origem africana sempre foram vistas como ilegais ao longo da história do Brasil. Do samba à religião, seus promotores foram vítimas de denúncias que os boletins de ocorrências policiais e os processos judiciais relatam como vadiagem, prática de falsa medicina, curandeirismo e charlatanismo, entre outras acusações, muitas vezes com prisões e invasões de terreiros.

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Foto: Márcia do Carmo

Essa discriminação ocorreu – e ainda ocorre – em contextos históricos e sociais diferenciados, e veio produzida por instituições que tinham o objetivo de combater o que lhes fosse ameaçador ou que achassem associadas às práticas diabólicas, ao crime e à contravenção.

No caso do Marabaixo, há anos venho relatando episódios de confronto entre a igreja católica (e seus prepostos eclesiásticos e seculares), e os agentes populares do sagrado, estes que, por serem afrodescendentes, mestiços e principalmente por serem pobres, foram e são discriminados, visto o ranço estereotipado de que são “gente ignorante” e supersticiosa.

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Foto: Márcia do Carmo

É do século XIX a influência do evolucionismo que tomava como modelo de religião “superior” o monoteísmo cristão e via as religiões de transe como formas “primitivas“ ou “atrasadas” de culto. Para Vagner Gonçalves da Silva (Revista Grandes Religiões nº 6), nesse tempo “religião” opunha-se a “magia” da mesma forma que as igrejas (instituições organizadas de religião) opunham-se às “seitas” (dissidências não institucionalizadas ou organizadas de culto).

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Foto: Márcia do Carmo

É do século XIX também os primeiros escritos sobre o marabaixo. Em um deles um anônimo articulista o ataca, dizendo-se aliviado porque “afinal desaparece o o infernal folguedo, a dança diabola do Mar-Abaixo”.

Ele afirma que “será uma felicidade, uma ventura, uma medida salutar aos órgãos acústicos se tal troamento não soar mais…”. Na sua narrativa preconceituosa vai mais além ao dizer que “Graças ao Divino Espírito-Santo, symbolo de nossa santa religião, que só exige a prática de bôas acções, não ouviremos os silvos das víboras que dansam ao som medonho dos gritos dos maracajás (…), que é suficiente a provocar doudice a qualquer indivíduo”. Assevera adiante “Que o Mar-Abaixo é indecente, é o foco das misérias, o centro da libertinagem, a causa segura da prostituição”. E finaliza conclamando “Que os paes de famílias, não devem consentir as suas filhas e esposas frequentarem tão inconveniente e assustador espetáculo dessa dansa, oriunda dos Cafres”. (Jornal Pinsonia, 25 de junho de 1898)

Discursos de difamação do Marabaixo como este e a posição em favor de sua extinção ocorreram seguidamente. O próprio padre Júlio Maria de Lombaerd quebrou a coroa de prata do Espírito Santo que estava na igreja de São José e mandou entregar os pedaços aos festeiros. O povo se revoltou e só não invadiu a casa padre para matá-lo graças à intervenção do intendente Teodoro Mendes.

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Foto: Márcia do Carmo

Com a chegada do PIME – Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras – em Macapá (1948) o Marabaixo sofreu um período de queda, mas suportado com tenacidade por Julião Ramos, que não o deixou morrer. Tiraram-lhe inclusive a fita da irmandade do Sagrado Coração de Jesus, da qual era sócio fiel.

Nesse período os padres diziam que o Marabaixo era macumba, que era coisa ruim, e combatiam seus hábitos e crenças, tidos como hediondos e pecaminosos, do mesmo jeito que seus antecessores o fizeram no tempo da catequização dos índios. Mas o bispo dessa época, D. Aristides Piróvano, considerava Mestre Julião “um amigo” (Ver Canto, Fernando in “A Água Benta e o Diabo”. Fundecap, 1998)

O preconceito dos padres italianos com o Marabaixo tem apoio num lastimável “achismo”. Os participantes são católicos e creem nos santos do catolicismo, tanto que a festa é dedicada ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade e não a entidades e voduns como pensam. Nem ao menos há sincretismo nele.

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Colheita da Murta Foto: Fernando Canto: Arquivo pessoal

E se assim fosse? Qual o problema? Antes de emitirem um julgamento subjetivo sobre um fato cultural é preciso conhecê-lo. É preciso ter ética. Ora, sabe-se que todos os sistemas religiosos baseiam-se em categorias do pensamento mágico. Uma missa ”comporta uma série de atos simbólicos ou operações mágicas” (Vagner Silva op. cit.). Observem-se as bênçãos, a transubstanciação da hóstia em corpo de Cristo, por exemplo. Um ritual de umbanda comporta a mesma coisa. O Marabaixo tem rituais próprios, ainda que um tanto diferentes. Por isso e apesar do preconceito ainda sobrevive. Valei-nos, Santo Negro Benedito!

(*) Do livro “Adoradores do Sol – Novo Textuário do Meio do Mundo”. Scortecci, São Paulo, 2010

Fonte: O Canto da Amazônia