A vida é feita de ciclos e hoje começa mais um na minha vida profissional

Com a jornalista Tanha Silva, nova gerente de comunicação do MP-A

Onde trabalhei e trabalho, cheguei a convite. Foi assim nas duas gestões no Governo do Amapá (GEA), Prefeitura de Macapá (PMM) e duas administrações do Tribunal Regional do Amapá (TRE/AP), na assessoria de comunicação do senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) e desde 2017, no Ministério Público do Amapá. Ao todo, são quase 14 anos de jornalismo e 10 de assessoramento de imprensa.

Hoje (13), começa uma nova etapa na minha trajetória profissional, pois deixei a gerência de comunicação do MP-AP, cargo agora assumido pela renomada jornalista Tanha Silva. Como a vida é feita de ciclos, é necessário compreender que eles são diferentes, podem nos agregar experiências novas e também transformadoras. Aliás, sobre existência, existem muitas pessoas que vivem várias vidas. Me enquadro neste grupo. Sinto muito pelos que não vivem nenhuma, somente existem.

Equipe da Assessoria de Comunicação do MP, na confra 2019

Estou feliz, pois seguirei na equipe da Assessoria do MP-AP como assessor de comunicação. Nessa nova etapa da carreira, serei como sempre fui, verdadeiro. Trabalharei com o afinco e a seriedade de sempre. Sim, darei tudo de mim.

Durante estes dois anos e meio à frente da Ascom MP-AP, tive a ajuda de muitos queridos da imprensa e de outras assessorias, apoio este que recebi por onde passei e sou grato.

Agradeço também aos colegas de trampo (da equipe e que já deixaram a Ascom): Gilvana Santos, Mariléia Maciel, Ana Girlene, Camila Karina, Julyane Costa, Luanderson Guimarães, Sávio Leite, Rafaela Bittencourt, Yasmin Salomão, Anitta Flexa, Ana Beatriz Santana, Vanessa Albino e Nelson Carlos. Estes jornalistas e designers tramparam muito comigo neste período.

Sou grato, ainda, ao apoio da Alcilene Cavalcante, Bernadeth Farias, Marcelle Nunes, Patrícia Andrade, Jaci Rocha, Mary Rocha, Márcia do Carmo, Sal Lima (essas sete últimas pessoas pela ajuda fora do local de trampo, mas para com o trabalho) e a confiança da procuradora-Geral do MP-AP, Ivana Cei. Além da minha família, claro. Maria Lúcia (mãe) e Emerson Tavares, vocês são os melhores amigos da vida toda.

Maria Lúcia (mãe) e Emerson Tavares (irmão). Apoio sempre!

Se errei algumas vezes, peço desculpas, mas foi com o objetivo de acertar, sempre com boa vontade, respeito, honestidade, franqueza, seriedade, ética e sinceridade. Desejo sucesso para a Tanha Silva. Ela pode contar comigo e com essa equipe maravilhosa. Vamos juntos! É isso!

Elton Tavares

Botequeiros de Macapá felizes, pois o Bar do Abreu está de volta à Avenida FAB

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Bar do Abreu em festa, de volta a Avenida FAB
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Com Fernando Canto e Tica Lemos

Com 34 anos de existência, o tradicional Bar do Abreu está de volta à Avenida FAB. Tá logo ali no Centro, na antiga Galeria Comercial. O bar inspirou lindas crônicas escritas por ilustres frequentadores, como os poetas, jornalistas e escritores Alcy Araújo, Isnard Lima, Obdias Araújo, Hélio Pennafort, Fernando Canto e Renivaldo Costa. Este último lançou até um livro, em 2010, intitulado “Papo de Boteco”, sobre personagens e causos ocorridos no sagrado reduto boêmio abreulista.

O Bar do Abreu sempre foi ponto de encontro de adoráveis doidos varridos, geniais figuras e anônimos queridos dentro do local. Até políticos frequentam o estabelecimento, pois não existe lugar mais que perfeito (risos).

Fui à reinauguração do Bar em seu antigo/novo endereço a convite do amigo Fernando Canto. Aliás, estava me paramentado de Rei Momo, pois, na sequência, tinha compromisso na Batalha de Confetes. No Abreu, bebi e conversei com os jornalistas Oswaldo Simões, Tica Lemos, entre outros ilustres membros da “Família Abreulista”.

Fui pouco ao velho Bar do Abreu, mas lembro bem de tomar umas lá com meu saudoso pai, o Zé Penha. Aliás, bebi lá, no Xodó, no Lennon, no Celeiro e em outros botecos legais das antigas. É, comecei cedo na boemia.

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Zé Ronaldo Abreu e Liete Silva

Entre os bares famosos de Macapá, há de estar em primeiro escalão, o Bar do Abreu. O poeta Alcy Araújo, me avisava – esse bar vai ficar na história dos boêmios da cidade, Isnard. E ficou, mesmo. Isso foi em 1982. É o mais antigo, até agora. Naturalmente não se pode afirmar quanto tempo pode durar um bar” – Isnard Lima (Poeta e escritor amapaense).

Enfim, vou voltar ao lendário boteco em breve. Desejo sucesso ao Zé Ronaldo Abreu e Liete Silva no comando do tradicional Bar do Abreu.

Elton Tavares

O SUPERMERCADO E O TRASEIRO – Crônica de Marcelo Pereira

Crônica de Marcelo Pereira

Seção de perfumaria: Desodorantes, sabonetes, cremes e óleos, doze, dois, vinte reais. Tédio…lista incompleta, sempre falta algum item importante (pelo menos para a esposa), mentalizo uma música da infância para disfarçar a escrotice do momento. Luz branca, seguranças a postos, funcionários sonolentos. Desejo ser um mujahedin em um país destroçado do Oriente Médio para fugir do olhar bovino dos clientes.

Um maldito adolescente cruza, ou melhor, tromba o meu caminho com seu andar trôpego,565c7c63c4618810488b4582 como um zumbi, e seu onipresente celular de última (ou penúltima) geração, digitando algo e falando sozinho, quase derrubo minha caixa de leite e o pequeno bastardo nem se desculpa. Allah akbar! Matei um infiel! Com uma pequena faca rasgo sua garganta e ainda o consigo escutar implorando pela sua miserável vida…Pelo menos em minha mente o matei, com requintes de crueldade. Ele vai ouvir essa música medonha no inferno – se houver um – por toda a eternidade!

Malditas senhoras com suas crianças desobedientes.criança-desobediente

– Meu filho, pega o sabão em pó na prateleira de cima?
– Claro, minha senhora! Aqui está!
– Obrigado meu filho!

“Sinto a cruz que carrego, bastante pesada, já não existe esperança…” Anuncia o sistema de som interno. Verdade, terrível verdade. Só queria inexistir, isso, inexistir, voltar ao úimages (4)tero materno, não! Antes disso! Antes de meu pai conhecer minha mãe!

– Oi menina, tudo bem? (meu pai)
– Se toca, idiota! (minha mãe)

E aí eu simplesmente inexistiria! Que pensamento reconfortante.

Um maldito fanático religioso com um terno que um dia foi usável, me aborda:

12592682_1114918815185078_4479952606546273959_n– Meu filho, você tem um minuto para a palavra de Deus?
-É que estou com pressa, fica pra outra vez…(nunca de preferência).
Se eu quisesse ouvir a palavra de Deus, estaria em um templo, uma sinagoga, uma igreja, uma capela que fosse, não na droga de um supermercado.
– Muitos serão chamados, poucos serão escolhidos!

Se você estiver na lista dos chamados, então, por Deus, que eu não esteja junto, seu fedido.

Me livro do fanático, não sem antes ele me gritar algumas passagens bíblicas, esses tipos teriam mais sucesso se abordassem as pessoas em lugares mais propícios, como uma…um…cara, não tem lugar propício para você ser abordado, todos estamos sempre ocupados, com nossos afazeres. Se você quer ouvir a palavra de alguma divindade você vai atrás, não espera que ela vá até você. E o que é mais estranho é que essas figuras, quando não conseguem sucesso em sua abordagem sempre te jogam de forma implícita, uma praga!Y2baR1

– Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, que um rico entrar no reino dos céus! Lembre-se disso rapaz!
Eu? Rico? Quem dera! Não estaria nesse supermercado e nem seria obrigado a ouvir esse mala me encher.
-Tortuoso é o caminho do homem carregado de culpa, mas reto, o proceder do honesto.
– É meu amigo, vá tomar no reto!

mini-saia-no-mercadoAtravesso o corredor, quando de repente…Que se faça a luz!

Eu tive uma visão! Eu vi a bunda! Não qualquer bunda, por favor me entendam, mas a Bunda! Com B maiúsculo, com todas as letras maiúsculas! Não existe mais tempo ou espaço, existe apenas aquela adorável bunda em minha vida agora. Eu queria colocar aquela bunda no colo e cantar músicas de ninar para ela, dar banho nela, dar de comer para ela, queria ser o pai daquela bunda!

desesperadoPoderia morrer por causa dela…um bundicídio? Ou um traseirídio? Essas palavras existem? Não, mas a vontade sim.
A bunda segue pelo corredor, e eu vou atrás, hipnotizado, sou uma pobre vítima das circunstâncias, não existe mais passado, presente ou futuro, existe apenas a bunda.

Seção de cama, mesa e banho: toalhas macias, toucas, carpetes para o banheiro, e a bunda move-se.

Não voltarei mais para casa, serei escravo dessa bunda enquanto viver, vou ter filhos com essa bunda. A mesma se deslo-cheiro-do-ralooca para o caixa, desnecessário dizer que a sigo, acho que sempre a seguirei, espero pacientemente ela esvaziar o carrinho e me posiciono atrás dela…hum…atrás dela…

Bom dia senhor! Diz a caixa, e a bunda vai embora.
Deixo tudo aqui ou a sigo? Vou atrás de um traseiro dos sonhos ou fico com as compras da semana? Dúvida cruel.
-Senhor, posso ajudá-lo?
– Pode sim, pode sumir da minha frente! E agora? Devo ir ou devo ficar?
-415 reais sebundanhor! Dinheiro ou cartão?
– Dinheiro, e fique com o troco.

Afobado, pego as compras e corro pelo supermercado até o estacionamento, não posso, não posso perder aquela bunda de vista. A essa hora ela já pegou um carro, uma moto, uma nave e já saiu do planeta.
Thanks God! Lá vai ela!

-Ei! (como a chamo agora? Ei bunda!? Óbvio demais)il_fullxfull-367752790_sm07
-Ei moça, você esqueceu algo aqui!
-Hein? O que?

O que eu digo agora? Esqueceu o que?

– A sua notinha da compra, aqui no chão, é a sua não é?
– Não sei, será?
– É a sua sim, vi cair da sua mão, agora mesmo.
– Obrigado.
-De nada. Qual seu nome?
– Beatriz.

Opa, o sinal dos deuses! B de Beatriz e B de bunda!download

Mais uma vez, obrigado! Bom dia.
Rapidamente eu a viro de costas e falo diretamente com a sua bunda.
-Eu sei que você pode me ouvir! Fomos feitos um para outro! Eu vivo para servi-la!
E aí meus amigos, algo sobrenatural aconteceu. A bunda falou comigo!
medium_315776_4231840994– Não tenha medo, ainda hoje nos encontraremos no paraíso! Só eu e você, tenha paciência meu filho.
– Que conversa é essa? Paciência? Eu quero você agora, nem que tenha que correr contigo daqui agora mesmo.
Letargia total, voltando à realidade em 3,2,1…
– Meu senhor, algum problema?
– Hã…não, bom dia.12351248_10208823078200645_2127138840_n

Falhei miseravelmente, falhei como não deveria ter falhado, poderia ser feliz ao lado daquela bunda e mesmo assim não tive coragem. Que mediocridade, pobre homem, pobre alma, está fadado à ser um eterno nada sem a sua bunda-estrela-guia.

Telefone vibra… -Amor, você ainda está no supermercado?

– Sim.
madeira– Não se esqueça do atum.

Atum dos infernos, eu quase a troco por uma bunda e a preocupação dela é com o atum. Três filhos adolescentes e eu estava disposto a jogar tudo fora por um traseiro.

Bem…Deus, obrigado pelo atum!