Sonora Brasil

Por Juliana Coutinho – Ascom/Sesc/AP
O Projeto Sonora Brasil, formação de ouvintes musicais, através da obra de Cláudio Santoro e Guerra Peixe, traz a Macapá nesta terça-feira, 03/08, o “Quarteto de Brasília”, com música erudita contemporânea. A apresentação será no auditório da Escola SESC, às 20h. Entrada Franca.
Sonora Brasil
Cumprindo a missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra de fundamentação artística não-comercial, o Sonora Brasil consolida-se como o maior projeto de circulação musical no Brasil. Em 2010 são 340 concertos, com ação que possibilita às populações o contato com a qualidade e a diversidade da música brasileira, e contribui, de forma significativa, para o conjunto de ações desenvolvidas pelo SESC com vistas à formação de platéia. Para os músicos, é uma experiência única, pois difunde nacionalmente seus trabalhos, além de possibilitar a troca de experiência com a população.
Música Brasileira no Século XX – Obra de Claudio Santoro e Guerra Peixe
Dois compositores que cumpriram importante papel na estruturação das bases da música erudita contemporânea no Brasil a partir da relação que mantiveram com o Movimento Música Viva, com o objetivo de estudar e difundir o dodecafonismo, técnica de composição que em 1939 representava a vanguarda musical na Europa.
Quarteto de Brasília
Criado em 1986, o grupo é considerado um dos mais importantes do Brasil nesta formação, e tem como característica a ênfase no repertório de compositores brasileiros. Em sua trajetória de quase 25 anos já se apresentou em vários estados no Brasil e em países das Américas, Europa e Ásia. Seus quatro integrantes participam ativamente do movimento musical de Brasília, tanto como músicos, quanto como professores dos principais centros de formação musical, e todos, em maior ou menor grau, conviveram profissionalmente com Santoro e Guerra Peixe.
Composto por:
– Claudio Cohen (violino)
– Ludmila Vinecka (viola)
– Guerra Vicente (violoncelo)
– Glêsse Collet (violino)

Ecléticos e pseudo ecléticos

Por Elton Tavares
Todo mundo gosta de música. Eu sou movido a som, escrevo, tomo banho, acordo e durmo ouvindo música. Pode ser um som nostálgico como o Legião, politizado como Chico Buarque, besteirol como Júpiter Maçã, romântico como Kid Abelha, non sense como Velhas Virgens, enfim, eu gosto de música legal (o que EU acho legal, claro). Será que sou “eclético”? Talvez. Odeio quando as pessoas me dizem: “Eu sou eclético”, gosto de tudo. Como assim?

Eles usam o termo para mascarar a falta de direcionamento de suas preferências. Para mim, música tem que ter mensagem, tem que ter letra. Salvo os ótimos instrumentais e músicas clássicas , que são exceções dessa regra particular. Resumindo, eu não entendo os “pseudoecléticos”, que se escondem atrás das palavras “sou eclético”, para escutarem qualquer coisa.

Eu não culpo quem não gosta de música boa, que se diz “eclético”, só para ouvir todo o tipo de porcaria que a indústria de massa os empurra goela abaixo. Afinal, a maioria dessas pessoas não tiveram acesso aos livros, filmes, viagens ou qualquer outro canal cultural que refine suas percepções sonoras.

Eu tenho pena dos que são “ecléticos” por opção, que tem a oportunidade de escutar, Rock, Jazz, Blues, Samba, Reggae ou Música Popular Brasileira (MPB). Mas preferem pular na doideira do Brega, Pagode, Zouk, Axé ou Sertanejo (esse último deve ser a trilha sonora do inferno). Acho incrível alguém inteligente, viajada e estudada gostar dessas coisas, mas é o que mais tem por aí.

Para os que acharem que sou uma espécie de xiita musical, não, não sou. Eu era antes, mas hoje em dia, até prestigio eventos com trilha sonora de gosto duvidoso. A contra gosto, é verdade, mas aprendi que amizade está acima das minhas antipatias.

Mas ainda prefiro barzinhos à boates, bandas à djs e gente doida à gente eclética (risos). Claro que isso é a MINHA opinião e cada doido tem suas próprias viagens. Abraços ao meus amigos “ecléticos”, continuo achando que eles não gostam de música e sim de qualquer som que embale uma bagaça.
Em Macapá, tem metaleiro que dança sertanejo, dance e axé, tem cantor que era rock e virou brega, entre outros absurdos. Noite dessas, os amigos me fizeram ir a uma “quinta sertaneja” e na semana seguite a um “pagode”, cruzes! Estou perdendo o controle (risos). Parei por aqui, prefiro ser o bom e velho Godão, o chato musical. Esse “admirável mundo novo” não faz a minha cabeça (risos).

SENTINELA NORTENTE

Osmar Junior e Amadeu Cavalcanti, renomados artistas do Amapá.
Amadeu Cavalcante e Osmar Jr. Inauguram, nesta quarta (28), o “Projeto Palco da Esquina”, na Casa COPACABANA, com o show SENTINELA NORTENTE. Este show foi apresentado no Teatro das Bacabeiras, em dezembr de 2009, com grande sucesso. Prestigie!

SERVIÇO:
Local: COPACABANA, Av. Mendonça Furtado, esquina com Odilardo Silva.
Data: 28/07/10 
Hora 22:30h.
Valor da Mesa: 80,00 / Ingressos na portaria a 20,00.
Venda de Mesas: Casa Copacabana ou pelos telefones 8111-0695 e 9149-9536.

Lançamento do DVD Gente da Mesma Floresta

Uma reunião de seis grandes nomes que cantam e encantam o Norte do Brasil, em um trabalho em que o fio condutor é a música local, rica em influências de ritmos indígenas, caribenhos, com canções que remetem às lendas e à exuberância dos rios e da Floresta Amazônica. O resultado é um DVD cheio do tempero musical que só a musica da Amazônia tem.
O Teatro das Bacabeiras receberá, nos dias 31 de julho e 01 de agosto, ás 21h, Zé Miguel (AP), Bado (RO), Célio Cruz (AM), Eliakin Rufino (RR), Graça Gomes (AC) e Nilson Chaves (PA) para o lançamento do DVD Gente da Mesma Floresta. O DVD foi gravado em são Paulo, iniciativa que partiu de Nilson Chaves, reconhecido nacionalmente como um dos maiores representantes da música do Norte.
Além de mostrar o belo trabalho desses grandes cantores o DVD é também um passaporte para a abertura de mercado na nossa região e mostra que, antes de partir para grandes centros, a musica amazônica precisa de reconhecimento dentro da sua própria região.
Com objetivo de expandir esse projeto pouco explorado na região Norte, o Gente da Mesma Floresta já foi lançado em algumas capitais do Norte do Brasil. Agora é a vez do Estado do Amapá. Uma grande produção assinada por dois grandes nomes da produção local, Araciara Macedo e Sonia Canto.
Serviço:
Show Lançamento do DVD Gente da Mesma Floresta
Data: 31 de julho e 01 de agosto
Hora: 21h (nas duas noites).
Local: Teatro das Bacabeiras.
Ingressos e informações pelos fones 8129 7343,9142 2664 e 8111 0695.
Realização: Sônia Canto Produções.

Um ano sem o Rei do Pop

                                                            Por Elton Tavares
Amanhã (25) fará um ano que o rei da música pop mundial, Michael Jackson, foi para Caiena (expressão local para morte, como subir no telhado, abotoar o paletó, bater as botas e etc). O artista começou sua carreira nos anos 60, empresariado pelo pai, formou com os irmãos a banda “Jackson 5”, nos anos 70 começou uma carreira solo de muito sucesso que chegou ao seu ápice nos anos 80, quando bateu todos os recordes de venda com os hits “Billie Jean” e “Thriller”.

Jackson foi ídolo de milhões de pessoas, o cara foi cantor, compositor, dançarino, coreógrafo, produtor e empresário, enfim, foi foda! Mas Michael era um cara estranho, figura pública e ao mesmo tempo intrigante. Aquele sujeito casou com a filha do Elvis Presley (vê se pode?), Lisa Presley, gravou com Paul MacCartney, deixou de ser negro (fato atribuído a doença vitiligo) e mudou sua cara, ele era realmente notável, pelas atitudes e ações.

Também foi um grande filantropo e humanitário, pois doou milhões de dólares, durante toda sua carreira, a causas beneficentes. Mas também foi processado várias vezes por abuso sexual (pedofilia). Afinal, Michael Jackson era mocinho ou bandido, excêntrico ou doido varrido? Até fundou uma “terra do nunca” (Neverland, nome em alusão ao conto de Peter Pan), uma fazenda que era um verdadeiro parque de diversões, cheia de garotinhos para “brincar” com o cara que não queria envelhecer.

Suas jaquetas vermelhas, luva brilhosa e complexas técnicas de dança marcaram minha geração. Já adulto, mesmo não gostando da musicalidade de Jackson, reconheço sua importância para a música e evolução dos videoclipes. Entretanto, acho que ele era muito perturbado e queria mesmo era dar o fora de sua vida. Tudo, quando o assunto era o Rei do Pop, foi grandioso, até o seu funeral, realizado somente no dia 7 de julho de 2009.

Michael Jackson foi uma controvérsia ambulante, ele prejudicou muito sua imagem pública. Na época de sua morte, eu não liguei muito, estava mais preocupado com o meu TCC, só sei que os programas de TV e rádio se tornaram um saco. Michael Jackson foi grande, o melhor no seu ramo, mas seu passado foi negro, literalmente negro (risos).

SHOW SÃO BATUQUES

                                              Por Mariléia Maciel
Os ritmos e ritos das comunidades tradicionais quilombolas do Amapá são a base do show São Batuques, uma produção que exalta a riqueza poética e melódica das manifestações folclóricas e está sendo preparado pelos músicos Beto Oscar e Helder Brandão. Com músicas de autoria própria influenciados pelos sons dos tambores de batuque, marabaixo, zimba, sairé, tambor de mina e por compositores populares, o show vem mostrar a essência musical deixada pelos antepassados afro-descendentes que continuam sendo preservados dentro das comunidades, mas que, de acordo com os músicos, correm o risco de se estilizarem totalmente e perderem a identidade cultural.
“Neste show iremos resgatar e valorizar a cultura tradicional com releituras que não descaracterizem a raiz cultural das músicas”, fala Beto Oscar. Os dois artistas falam com propriedade sobre o assunto. Eles já estiveram juntos em formações musicais como o grupo Raízes Aéreas, que foi um dos primeiros a introduzir tambores de marabaixo em shows feitos por um grupo de jovens no final da década de 80. Junto com outros talentos como Naldo Maranhão, pesquisaram e trouxeram para grandes palcos os sons produzidos nas comunidades quilombolas.
Além de talento e experiência adquirida em shows e festivais, eles têm no currículo formação que complementa e enriquece seus trabalhos. Beto é cantor e compositor com estudo iniciado no antigo Conservatório de Música e diploma como técnico em violão erudito da Escola de Música da UFPA e graduação plena em música pela UEPA. Também integrou o Senzalas e com ele viajou pelo Brasil e chegou até a Alemanha. Helder Brandão, também compositor e cantor é formado em licenciatura plena em letras na UNIFAP e atualmente é 2º sargento músico da banda da Polícia Militar. Já se apresentou com diversos artistas amapaenses e com eles gravou Cd’s.
O show São Batuques é uma produção de Sônia Canto Produções, tem como produtor musical o maestro Manoel Cordeiro e acompanham os músicos Luiz Papa, na guitarra; Helder Melo no contrabaixo; João Batera na bateria e Fábio Rato na percussão. Estão confirmadas as participações de Zé Miguel e Osmar Júnior.

SERVIÇO:
Data: 02 de julho
Local: Carinhoso Drink’s
Hora: 22:00
Mesa: R$ 60,00
Individual: R$ 15,00 (na portaria)
Mariléia Maciel- Assessora de Comunicação
Mais informações: 8116-6687
Realização: Sônia Canto Produções

Projeto Intervenções Sonoras

Para aqueles, como eu, que estão de saco cheio do modelo atual de noite rock local. Será uma verdadeira “festa estranha com gente esquisita”, para os padrões convencionais, claro (risos). O repertório, que inclui sons 80 e 90, foi escolhido a dedo. Não terá aquele papo de “Balão Mágico” e afins, o papo é rock and roll. Bora?

Recadinho

Blues da Piedade – Cazuza, Frejat



Agora eu vou cantar pros miseráveis


Que vagam pelo mundo, derrotados


Dessas sementes mal plantadas


Que já nascem com caras de abortadas


Pras pessoas de alma bem pequena


Remoendo pequenos problemas


Querendo sempre aquilo


Que não têm


Pra quem vê a luz


Mas não ilumina suas mini-certezas


Vive contando dinheiro


E não muda quando é lua cheia


Pra quem não sabe amar, fica esperando


Alguém que caiba no seu sonho


Como varizes que vão aumentando


Como insetos em volta da lâmpada


Vamos pedir piedade


Senhor, piedade


Pra essa gente careta e covarde


Vamos pedir piedade


Senhor, piedade


Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.


Quero cantar só para as pessoas fracas


Que tão no mundo e perderam a viagem


Quero cantar os blues


Com o pastor e o bumbo na praça.


Vamos pedir piedade


Pois há um incêndio sob a chuva rala


Somos iguais em desgraça


Vamos cantar o blues da piedade

Quarteto Amazon Music

O Quarteto Amazon Music, pilotado pelo multiinstrumentista Finéias Reis, se apresentará amanhã (12), ás 22h na casa de shows “Prato de Barro”. A banda, de música Instrumental, é formada por músicos consagrados do Amapá.O repertório do Quarteto Amazon Music é repleto de canções, em estilos diversificados como MPB, Jazz, Blues e MPA. A apresentação promete. Nós recomendamos.
O quarteto Amazon Music é formado por músicos e professores da Escola de Música Walkíria Lima, localizada no centro de Macapá. A Proposta da banda é suprir a carência de música instrumental no Amapá, desenvolvendo um trabalho de qualidade.
Horário: 22: hs.
Rua: General Rondon, Próximo a sede do Trem
Informações: 9138-3248/9115-1774

O emo-core e a Cultura de Massa

                                                 Por Adnoel Pinheiro
 
Todo mundo já deve ter visto pelas ruas, praças e principalmente infestado nos meios de comunicação, como a TV e escutado nas rádios, uma série de bandas intituladas de emo-core. Entre elas podemos citar: o NX Zero, Cine e Fresno. São as mais populares atualmente no cenário nacional. Pois bem, o emo-core é um subgênero do rock e uma variante do Hard-core. É, por incrível que pareça, são significados totalmente distintos, apesar de o primeiro ser considerado fruto do segundo.

O emo-core em uma tradução simples para o português significa algo emocional, pois o termo core no sentido aplicado na palavra não tem uma tradução, ao contrario de Hard-core que na sua tradução nos indica algo como duro, difícil, árduo, estilo esse que nasceu na década de 80 nos EUA, sendo posteriormente propagado para o mundo inteiro.

A Cultura de Massa (cultura do povão) que não atinge somente o povão, pois qualquer forma de manifestação cultural se dá socialmente entre indivíduos constituintes de um povo e sociedade, é uma realidade pós revolução industrial. Também é um equívoco dizer que o “povão” não possui cultura, pois esse determinado grupo social tem determinados hábitos e jeito de viver, pensar e de ser, por mais que sejam considerados medíocres pelas classes intelectualizadas da sociedade.

Chegando ao principal ponto de discussão neste texto; o emo-core é objeto da cultura de massa, uma cultura voltada para o consumismo, a um povo-objeto. Após a revolução industrial e os avanços tecnológicos cada vez mais presentes em nosso cotidiano a sociedade se tornou “atomizada” (individualista), marcada pelo isolamento dos indivíduos, onde os mesmo ficam à deriva e decide por si só no mundo e age como convém, pois são manipulados pelos grupos que detêm o poder.

A massa converte-se a uma falsa-moral (que modela gostos, visando a obtenção de lucros) e a função da cultura de massa é divulgar essa falsa-moral e para isso usa os meios de comunicação de massa, onde os clipes das bandas emo são apresentados incansavelmente nas rádios e principalmente na grande modeladora de gostos. A MTV.

Em suma, essa indústria cultural que tem como propagador os meios de comunicação de massa é a grande modeladora de gostos, pois através das bandas de emo-core vende atitude, comportamento e uma modinha. E para quem vende? Para um grupo social amorfo, complacente com a comodidade da fantasia e escapismo, acéfalo e incapaz de pensar, de refletir, que tende a simplificar o mundo real e encobre seus problemas com soluções fáceis e falsas.

A cultura de massa visa a manutenção de capital e está atrelada ao consumo imediatista, pois quem lembrará de NX zero daqui há 10 anos? Ninguém. Pois não sobrevive ao tempo, não possui conteúdo, é descartável! É considerado porcaria e representa um produto industrializado, mercantil e compreendido como medidor de um valor estético. Então é bom refletir no que se está consumindo para não ter uma indigestão. Para quem considera a música como arte como eu ainda resta uma afirmativa; a arte ainda existe na era contemporânea.

Referência bibliográfica: para o alto e avante; iuri Andreas reblin; editora asterisco.

O show do Biquini Cavadão foi o melhor no Amapá

Tomado por frustração, critiquei ontem mais um show de axé em Macapá. A falta de boas atrações (de fora do Estado) na capital amapaense, para o público pensante, é latente. Eu fui a vários showzaços em Macapá, Titãs na Chopperia da Lagoa, Lô Borges (também na Chopperia), Nando Reis (na Fazendinha e no Ceta Eco hotel), Lobão e Capital Inicial (em edições distintas da Feira Agropecuária), Autoramas (nas três vezes que eles vieram aqui), etc. Mas nenhum show no Amapá se compara ao do Biquini Cavadão, em dezembro de 2006, em Santana.
A apresentação da banda, que foi contratada pela Prefeitura daquele município para a festa de aniversário da cidade, foi emocionante. Fui de buzão, uma verdadeira missão, mas valeu à pena. O Biquini tocou todos os seus sucessos e alguns covers clássicos do rock nacional e internacional. Meu amigo Ewerton até subiu ao palco e cantou com os caras. O ápice da apresentação foi a execução da música “Timidez”, grande hit da banda.
É disso que sinto falta, shows de rock (de qualidade). Tudo bem, volta e meia vem os “Zumbidos do lado B”, alguma “ascendente banda” do circuito underground (risos). Mas eu sou da antiga, eu gosto de som novo e também das velhas. Bandas que ainda são muito boas e que poderiam tocar em Macapá ou Santana.
Fica a dica para o empresariado amapaense, já temos público para isso, basta ser showzão. Sobre a apresentação do Biquini Cavadão, leiam o que o Bruno (vocalista da banda) disse sobre o show de Santana.
Um Show Na Linha do Equador (depoimento do Bruno, vocalista do Biquíni Cavadão)
O Amapá sempre me fascinou. Primeiramente pela sua característica geográfica, na foz do Amazonas, o tal Oiapoque que a gente aprendia quando criança como sendo o extremo Norte do país (estudos hoje dizem que Roraima é que detém este marco) e o fato de ser a capital que ficava na linha do equador.Em 1992, estivemos em Macapá. Lembro-me como se fosse hoje. Um bandeirante bimotor fez o trajeto Belém Macapá por duas vezes para que nossa equipe toda chegasse. Eu, Coelho, e mais alguns da banda fomos antes.
Ao chegarmos à cidade, tivemos tempo de visitar a fortaleza que estampa a bandeira do estado e que vale a pena conhecer. Também fomos ao Marco Zero. Onde um imenso monumento indica a passagem da Linha do Equador, separando o estado nos hemisférios Norte e Sul.Aproveitando-se desta característica ímpar, O Zerão, estádio de futebol da cidade, também divide o campo entre Norte e Sul!
Pois bem, lá estávamos nós quando ouvimos no parque o barulho de um aeroplano, destes que são controlados por controle remoto. Olhamos pro céu e vimos um aeromodelo rasgando o céu a poucos metros de nós. Coelho, distraído e míope como é, nos perguntou se já era o pessoal chegando. “Será que são eles?” Só o técnico de som havia ouvido e ele começou a rir. Diante do vexame, ele pediu: “não conta pra ninguém…”, mas nosso técnico na época não fez por menos e abriu a boca pra todos rirem muito!
Quatorze anos depois, lá estávamos nós a caminho do Amapá novamente. Uma viagem demorada, saindo de São Paulo com escalas em Brasília e Belém. Uma noite virada e eu totalmente sem voz. O show no ginásio em Poços de Caldas havia me criado um cansaço vocal imenso, aliado a duas noites sem dormir (dormir bem é fundamental para ter boa voz). Para piorar, meu assento não reclinava. Foi uma viagem do cão! Quando chegamos a Macapá, o que restou de mim mal conseguia falar o básico. Havia ainda um almoço gentilmente oferecido pelo prefeito de Santana, onde faríamos a festa pelo aniversário da cidade.
Foi preciso declinar no convite. Todos foram menos eu, que entrei no quarto e só não apaguei direto por que encontrei uma baixela de frutas como boas vindas e achei melhor comer algo, especialmente as acerolas. Nunca havia provado assim, somente em polpa e estavam saborosas. Não por menos que elas são chamadas de ‘cerejas do Suriname’. Ao acordar, já havia melhorado sensivelmente minha voz. Com um pouco de exercícios fonoterápicos, consegui me preparar para o show desta noite.
A praça estava lotada e nós todos muito animados. O show encontrou um público muito receptivo, ainda que tenhamos sido avisados que rock não é a música principal que se toca na região. De todo modo, todos dançaram e participaram. Mais uma vez, uma criança marcou o show. O menino estava no ombro do pai e eu o chamei para conhecer o palco conosco. Ele olhava todos tocando e se agitava muito, ainda que não soubesse cantar conosco. Fez a maior festa e levantou a galera.
Ao final do show, agradecemos a todos pelo carinho. Sabíamos que a temperatura é mais elevada na Linha do Equador; hoje tivemos a confirmação do fato e sua principal causa: o calor é humano!

Show do Ara ketu em Macapá, eu passo

                                                         Por Elton Tavares
Hoje vai rolar show da banda baiana Ara Ketu em Macapá, certamente será um sucesso de público, já que o mau gosto é majoritário em todo o Brasil e aqui não foge à regra.

Apesar da morenaça (ela é firme mesmo) Larissa Luz nos vocais, o grupo é mais um daqueles que sobreviveram a explosão da infame “axé music”, no final dos anos 80.

Época de pecados adolescentes, pois eu também fui a algumas micaretas, coisas da juventude errônea (risos). Enquanto clamamos por bons shows de rock na capital amapaense, este tipo de banda, que por sinal está no ostracismo, ainda se apresenta por aqui.

A cidade está em polvorosa, o abada, vestimenta ridícula que muitos usam como roupa no cotidiano, é a moeda corrente hoje. O Ara Ketu agrada os programadores das rádios FMs de nossa cidade, afinal, eles sempre tocam porcaria mesmo, com motivo então, é sucesso!

Palmas para o ecletismo musical, que permite todas as tribos pulando como macacos amestrados ao som do axé music, estilo originário da Bahia, Estado conhecido como caldeirão ritmos sem conteúdo.

Se os milhares de amapaenses (patetas) que forem ao show tiverem um pouquinho de sorte, até rola versões ou covers da banda “É o tchan” (risos).

Definitivamente, deste tipo de show, eu passo.

Show Voz

A cantora amapaense, Rebecca Braga é dona de uma linda voz, presença de palco e carisma. Possui repertório qualificado e está no circuito amapaense há quase duas décadas. Além de ser uma grande amiga minha, na verdade, somos compadres, pois tenho a honra de ser padrinho da Sofis.

Mas meus elogios não são por causa de nossa velha amizade e sim por seu talento. Ah, a Bel (como a chamo carinhosamente) comandou a Drop’s Heroína nos anos 90. A banda tinha uma proposta diferente, com uma agressividade teenage.

A Drops lutou contra o preconceito, já que era uma banda formada apenas por mulheres, nada convencional no Amapá. Fizeram música e história, inspiraram outras meninas e escreveram uma página do nosso rock.

Rebecca flertou com a Música Popular Amapaense (MPA), compôs com Naldo Maranhão, trabalhou com muitos músicos consagrados do Amapá. Tornou-se uma incentivadora de movimentos artísticos de Macapá.

Volta e meia, ela dar o ar da graça em barzinhos da capital amapaense, sempre com talento e profissionalismo. Tenho certeza que o show será muito legal. Eu vou, vumbora?