Baú de velharias

Alguns insights…

E, me vi vasculhando meu baú de ideias, coisas velhas, sem sentido. Bobagens, ou fugas veladas… Então, achei isso:



Mais que amarga…mais que amante

Desça do pedestal, amada amante!
Faça caras feias e se dispa de seus horrores.
Abstenha-se voluntariamente a fim de evoluir após ter admitido a idéia.

Mulher de tantos desejos e solfejos não a tocam mais.
Honrarias à parte, te fazes de forte…

Oh! Mulher cruel, que olha para o céu e o sol se esconde.
Os teus te vêem tão doce e és mais que amarga…
A acidez se curva diante de ti.

Oh! Mulher cruel, que desconheces a ti mesma.
Que te fazem em duas, e tantas mais.
Todas más. Pois amas o fruto proibido, desde criança.

E, na tua infância fostes moldada para lutar.
Amazonas, recolhes tuas armas.
Teu cavalgar nu não é em vão.

De ti não sabes nada,
Desconheces mais ainda,
Que apesar de não teres escolhido…

Só sabes amar… errado.


Hellen Cortezolli

Poema mal escrito

Por Brunno Pereira de Oliveira

Às vezes penso no amor como uma coisa boa,
Às vezes penso no amor como se ele ainda fosse amor…
É quando lembro das garrafas vazias que tenho em baixo da pia, 
os cigarros no cinzeiro, os copos quebrados na lixeira, das noites mal dormidas e poemas mal escritos…
É… realmente o amor ainda continua sendo amor.


Grifo meu – De nada mal escrito, tão cheio de verdades.
Hellen Cortezolli 

Sem trajes e tarjas (por @Cortezolli)

Não é meu lado negro da força quem fala mais alto que a sensatez, mas há tempos não consigo ver o Batman com os mesmos olhos. 

Nem herói, nem bandido é só mais a personificação da maldade dos homens revestidas de pseudo-virtude. Da tentativa desastrada de fazer o bem a noite, enquanto que durante o dia mantém a fama e fomento de uma imagem fútil de bem sucedido “playboyzinho” que pensa ser mais esperto que os demais. 

Oh, pobre garoto rico! Não ignore sua história genuína de vítima das circunstâncias. Não convém um bem feito, jamais.

Quanto à loucura do Coringa, sinto em admirá-la, porque seus discursos inflamados são apenas para nos despir do que julgamos certo e camuflamos de religião e falso moralismo. Ninguém em sã consciência deixa o “seu” na reta, para amar o próximo. Pois, o próximo parece equidistante de nossas próprias necessidades, esta sempre imediatistas. Não fujo a regra, nem me escondo dela. Não me dê poder e pergunte o que faria aos que me feriaram. Sem mais…

Eis, uma lavagem cerebral que um roteiro foi capaz de fazer com minha frágil interpretação de universos restritos habitantes de uma mente sem nada de novo. 

Quem brinca com o imaginário de quem? 
Será um fetiche aquela roupa preta emborrachada que deixa amostra o contorno de músculos ocultos em um terno bem alinhado? Esbanjando saúde! Quanta maldade!

E, aquela cara pintada seria do caráter corrompido de quem cansou de se esforçar e sem sucesso continuou no mesmo lugar? Rosto pintado com o colorido que reage ao mundo que insiste em debochar com hostilidade? E quem debocha sem maldade? Eu não!
Então, dê-nos poder.

Hellen Cortezolli

Convenções sociais ridículas (por @Cortezolli)

Lembro bem da última vez que isso aconteceu… Essa espera quando termina o jantar para o qual foi convidado, para o qual insistiram que você fosse e finalmente, para o qual você se arrependeu de ter ido. 


Conversas paralelas do tipo de intimidade que você não tem, sobre infância, a respeito de cumplicidade e outras coisas do gênero onde não cabem comentários, inevitavelmente você se torna apenas um ouvinte atento, em um dado momento aquele seu silêncio começa a ser bastante incômodo. 

Então, o jantar termina, você não quer repetir, porque simplismente não é de seu desejo. E a dona da casa abre aquele sorriso “simpático” e diz: 
_”Não é para lavar a louça”! – diz isso com tom de quem espera por uma insistência de sua parte em “querer fazê-lo, mesmo que não lhe tenham “pedido”. 

A essas mensagens subliminares cabe como resposta, apenas o prolongamento do silêncio do jantar, enquanto faço cara de paisagem ou aquela expressão cínica que me é peculiar, minhas entranhas confabulam com os demais órgãos que compõem este saco de células e concluem: “Óbvio que não irei lavar, não sou sua empregada”. 

Não consigo mensurar o tempo que as “convenções sociais ridículas” como esta existem. 
Se você se dispõe a convidar alguém à sua casa deve no mínimo conhecer o grau de proximidade, se não tem a intenção de reduzir as distâncias, apenas não convide. Se quer conhecer alguém, torná-lo realmente mais próximo de sua vida, de sua rotina, saiba que fazê-lo de empregado não é um bom começo. 

Se sentei no seu sofá, não espere que antes de partir eu aspire sua casa.
Se usei seu banheiro, não aguarde por uma faxina geral. 

Então, porque devo lavar sua louça? Quem estabeleceu que esse é um comportamento aceitável, que conota educação e de que parte seria? 
Devo pagar pelo jantar para o qual fui convidado lavando a louça? 

Em outras culturas esse seria o castigo por não pagar a conta: 
_Não tem dinheiro? Lave a louça ou chamaremos a polícia.

Caso seja este modo que tenha de receber em sua casa seus convidados, saiba que você não sabe receber. 
Não quer ter trabalho com o aparelho de jantar sujo, contrate um buffet. Não tem grana para tanto, não invente!


Hellen Cortezolli 

Para Emilly

Ver alguém tão de perto, alguém que você pegou no colo e cantou para que durante o sono nada de mal pudesse alcançá-lo… Que aquela canção sobre os dias melhores fosse o real desejo de que a vida te brindasse com o que houvesse de melhor.

E, dez anos depois a vida te oportunizar um reencontro é mais que assustador, é se ver em outros tempos. A mesma rebeldia, a mesma necessidade por atenção, a mesma fome pela vida, as mesmas aflições das descobertas, das primeiras sensações, das crises, das paixões…

Mas, é tão compreensível às vezes de se ouvir os “nãos”. A empatia é inevitável. 

O “não” nesse aspecto é demonstração de limites, de que alguém se importa, de um outro tipo de amor, tão pouco explicado aos 13 anos, porque nossos problemas são sempre maiores que os dos outros. E ao envelhecer apenas pioram.

E, se por hipótese não houvesse os “nãos”? Talvez fôssemos tão “vida louca” que não passaríamos dos 13…

Mais tarde a vida nos possibilita avaliar que amor e dor não se medem, nem nesse tempo, nem depois. Porque se fosse possível, justo ou provável não seríamos diferentes, seríamos apenas clones. Contudo, nos vemos nos outros, como me vi em você.

Hellen Cortezolli

Cachorro quente frio (texto da @Cortezolli)

Saí para buscar um cachorro quente, como havia muitos pedidos na minha frente, foi preciso que eu sentasse e esperasse, uns 15 min o atendente falou. 

Como o tempo é totalmente diferente para quem espera e quem executa o serviço, para mim era como se uma eternidade se passasse e nela eu estava onipresente. Vi quando adolescentes corriam rua abaixo, depois outro grupo e outro. Na praça as famílias não se ativeram aos fatos. Notei quando algumas pessoas especulavam os motivos do corre corre. Observei o horário e a temperatura no relógio digital, passava da meia noite e dos 28ºC, sem brisa.

Foi quando um casal jovem (entre 20 a 25 anos) sentou ao meu lado, ela fez o pedido e receosa disse a ele quanto tempo levaria. Um silêncio voraz… Obviamente que não há como descrever a expressão dele, pois esta só ela conhecia. Cabisbaixa mexia nas unhas, enquanto ele apoiava os braços abertos no banco e olhava pra lugar nenhum.

Em seguida ele puxou assunto, e tentou sem sucesso fazê-la relembrar de uma outra noite em que haviam saído. Ela em tom de reprovação não conseguia recordar a tal sexta-feira, do tal lanche, dos tais amigos. Se ateve à sexta-feira. Ele irritado disse que era melhor esquecerem o assunto. Um segundo o suficiente para que ele tomasse fôlego e usasse qualquer motivo para começar uma discussão e “voilà”:

Ele – Tu tens dinheiro para pagar teu lanche?
Ela – Depois te devolvo o dinheiro.
Ele – Não sei porque ainda me estresso contigo.

O barulho dos carros, das crianças na praça, dos estômagos vazios, não foram o suficiente para esconder aquela nuvenzinha preta sobre os dois. 

Fui acometida por uma sensação de revolta e cadê meu pedido que não chegava nunca. Queria muito sair daquele trágico ambiente. Daquela submissão e estupidez, cujo o ar havia contaminado.

Ao subir os degraus, um a um, lembrei que tive relacionamentos ruins, em que eu mais recebia do que retribuía e outros em que apenas perdi. Contudo, aqueles dois tinham a resposta do porquê da minha solidão ser tão bem aceita por mim atualmente, ou da minha preguiça em me relacionar verdadeiramente outra vez, não quero qualquer porcaria que foi criado pra ser escroto, não vou me submeter apenas porque quero o que ele dispõe entre suas pernas. Já não tenho tanto tempo assim para desperdiçar. 

Imaginei primeiramente que aquela garota era uma coitada, que não lhe falta beleza, poderia quem sabe ter optado por coisa melhor. Aquilo nem de longe é homem e ela, que mulher é ela? 

Um parente não muito próximo, se surpreendeu por eu não ter me casado e disparou contra mim, questionando minha sexualidade. Disse a ele apenas que não pego qualquer homem e não dei mais assunto. Obviamente que observei como ele tratava a esposa, a filha, como o filho tratava a namorada e aquilo não era universo para mim. Não conhecia aquela falta de modos em casa e não me preocupei com o que o matuto pensava a meu respeito. Havia somente formado opinião sobre ele.

Quando se tem irmãos é fácil aprender a se defender cedo, e sei ser grossa com sucesso quando necessário. Não quer dizer que não me magoe, que não tenha me apaixonado pelo cara errado, mas como digo, não estou em promoção, nem me achei no lixo e os tempos são outros.

Só acho muito triste as pessoas serem pisoteadas e continuarem assim, vítimas de suas escolhas mal sucedidas. Tudo bem que tem quem goste, mas educação é o mínimo que se espera nas relações sociais, isso nos difere dos animais, ou ao menos deveria. 

Depois disso perdi a fome. 

Hellen Cortezolli

PARTida

Participei recentemente de uma Oficina de Montagem Prática para Cinema, apesar de ser curiosa quando o quesito é audiovisual, nunca tinha feito uma edição a partir de ideias de outras pessoas, mas com liberdade para contar do meu jeito. Aliás, esse é o desafio do montador, criar uma narrativa com o material bruto que tenha lógica e ritmo, pra sintetizar o ministrante Lufe Bollini disse que fiz com que as meninas, ambas com 13 anos, parecessem mais maduras e o final ficou bem poético.Então, confira aí:

PARTida

Participei recentemente de uma Oficina de Montagem Prática para Cinema, apesar de ser curiosa quando o quesito é audiovisual, nunca tinha feito uma edição a partir de ideias de outras pessoas, mas com liberdade para contar do meu jeito. Aliás, esse é o desafio do montador, criar uma narrativa com o material bruto que tenha lógica e ritmo, pra sintetizar o ministrante Lufe Bollini disse que fiz com que as meninas, ambas com 13 anos, parecessem mais maduras e o final ficou bem poético.Então, confira aí:

Piada do dia, totalmente verídica


Hoje minha mãe veio me dar um papo e expor sua preocupação com minha vida social.  Putz!!! Eu tenho vida social… Na rede, oras.


Mais de mil amigos no Facebook, mais de 500 seguidores no Twitter, mais de 60 em meu blog, sendo que levo décadas para postar alguma coisa e supero a marca de 200 pessoas no Google +. Jesus Cristo levou 30 anos para fazer a mente de apenas 12 discípulos, sendo que um o traiu na cara dura e só conquistou followers depois de morto. Não sei o que dizer a ela para provar que eu tô bem na foto, pô! Para que mais?

Meu sonho mais íntimo é ficar rica, e você deve se perguntar: Pra comprar tudo que quer? Ou coisa do gênero.

Bem, não está de todo errado, mas seria pra comprar tudo online, receber pelo correio. Ah, a comida viria por delivery… Uau! Um sonho não ter que sair mais a rua ficar suada, pegar chuva ou sentir frio. Encarar um monte de gente mal educada ou com raiva do mundo (não gosto de concorrência).

Voltando ao lance da minha mãe, ela insistiu reclamando que hoje eu mal saí do meu quarto, não peguei sol.

Na hora não respondia nada, sabe como é sermão da mãe da gente nem sempre dá pra contra argumentar senão vira bate-boca. Não sei vocês, mas chamo a minha de amiga, e isso porque ela realmente é. Contudo, às vezes ela lembra que é mãe também e tece aqueles sermões quilométricos.

O que não vem ao caso agora, mas enquanto ela falava sobre o sol eu divagava perdida no som de sua voz:

1 – Primeiro que na verdade eu peguei o “Soll”.
2 – Fica difícil repetir a dose agora, porque ele está morando em Porto Alegre o que significa mais de 400km de distância daqui.
3 – Outro impedimento também é o seu investimento pesado para dar o golpe do baú na filha do médico especialista em homeopatia, que ele jura que vai ajudar a interromper o avanço de sua calvície.
4 – Já mencionei que o peguei váááááárias vezes? Pois é, váááááárias.
E finalmente:
5 – Não sou obrigada!

Outro fator importante é que se eu não pegar sol de verdade, diminuo consideravelmente as probabilidades de contrair câncer de pele. Viu? De todos os lados eu tô no lucro.

(Eu tive um lance com um  carinha por vários anos, cujo sobrenome é Soll, então não é duvidar da sua capacidade de interpretação, é só pra deixar tudo muito claro). ^^
Hellen Cortezolli

Coisas que ninguém mais sabe


Parafraseando Danni Carlos em “Coisas que eu sei”, cuja música em questão retrata mais da minha personalidade do que aquele embalar no fim de tarde depois do cansaço do dia a dia: 

Eu quero e fico sempre perto de tudo que acho certo, caso contrário descarto, isso obviamente até o dia que eu mudar de opinião e virar masoquista. Porque mesmo que o que eu julgue ser certo para mim seja errado para os outros digo logo um dane-se e sigo até onde o caminho possa me levar.

A minha experiência, mesmo sendo sempre pouca em consideração a tudo que almejo ser ideal, meu pacto com a ciência, meu conhecimento é sem dúvida a minha distração, quero sempre mais e sim canso disso também. 

Coisas que eu sei, eu adivinho, jogo verde, sem ninguém ter me contado ou arranco em doses homeopáticas. O meu rádio relógio mostra o tempo errado, porque o tempo não me acompanha, quero tudo para ontem. 

Eu gosto do meu quarto, do meu desarrumado, ninguém sabe, nem tem que mexer na minha confusão. É o meu ponto de vista entende? Não aceito turistas e hoje mais do que nunca meu mundo tá fechado para visitação…

Eu vejo o filme em pausas, os seriados também, volto várias vezes e decoro falas. Mas, a vida real não tem as teclas retroceder ou avançar e o que está feito não dá pra mudar.

Hellen Cortezolli

Quando os fins não importam mais que os meios ( texto bacana da @Cortezolli)

Criatividade é quase uma ordem constante na etimologia. Quanto ouço a palavra vem junto a pressão: “Que seja criativa a atividade”!

Aquela ênfase na palavra “criativa” ecoa… criativa, cria, seja ativa.

Lá vou quebrar a cuca, mas o pior mesmo é a autocobrança, nunca está bom e, assim eu caminho no meio da desumanidade, cabisbaixa pensando que no chão podem estar novos insigths. Contudo, nem sempre é algo brilhante, mas não nego sua existência.

Apesar dos reclames o mais prazeroso é o processo até a finalização, nem tanto os resultados porque cada olhar traz consigo uma carga intelectual e emocional diferente. Mas, saber como começou é como pisar em nuvens, tomar banho de chuva ou pisar descalço pela primeira vez.

E, assim os criadores vêem suas criaturas.
Uma sementinha que germinou…

Hellen Cortezolli

Para um short film clichê


As histórias breves de amores efêmeros não dão errado, não ficaram mal resolvidas. Apenas levam mais tempo para serem assimiladas.

Também não foram escritas para durar para sempre, mas para serem lembradas por quem as contemplou até o ascender das luzes, por quem as escreveu até a próxima ideia e por quem as vivenciou até os próximos erros.

O roteiro segue a linha de filmes com baixo orçamento e de apenas uma locação.
Inventadas para serem apreciadas num domingo à tarde, quando não há nada melhor a fazer. E, essa ideia tem me acompanhado essa semana.

Hellen Cortezolli

Quando ninguém mais interessa

Quero falar sobre o assunto que mais importa aqui, eu.

Eu, queria apenas ter você por perto, pra conversar ou ficar em silêncio juntos. Porém, você, tinha outras prioridades e desejos.

Eu, precisava entender que cada um tem seu próprio tempo e, não era desamor ou descaso por parte de você, era apenas outra sintonia.

Você, queria mais espaço e eu não soube entender.
Eu, acreditava estar certo na maior parte das brigas e você, sempre achava que discutir era exagero.

Você, falava pouco e eu, exigia que tudo ficasse claro.
Eu, criava expectativas sobre você, que você, nem sonhava ser capaz de realizar…
E, nessa história assim como em todas as outras, o “eu” também cansou de falar sozinho e o “você” passou a sentir falta daqueles murmurinhos.

Nós todos conhecemos histórias parecidas e igualmente confusas. 😉

Hellen Cortezolli