O PROBLEMA QUE QUASE TODO MUNDO TEM COM A MÃE – Por Mariana Distéfano Ribeiro

Participar de uma terapia em grupo, do tipo constelação familiar, renascimento, ou qualquer outra coisa dessas terapias holísticas naturais e não convencionais, é uma experiência que muda a vida de uma pessoa. Acho que porque são terapias que não tratam a mente ou o corpo físico, mas sim, o espírito, o corpo etéreo.

Na terapia de constelação familiar, quase todo mundo tem problemas com a mãe. Alguns são mais tranquilos e outros mais graves, mas é quase todo mundo mesmo. A título de exemplificação: geralmente em um grupo de umas vinte pessoas apenas umas duas não têm embaraços profundos com suas mães. Desses dois, um tem um nozinho de boa, que se cura com uma palavra de perdão ou gratidão. O outro, que é raro, não tem qualquer problema com a mãe.

Às vezes é um imbróglio tão profundo que a pessoa precisa de muita terapia para alcançar a cura. As mães têm um poder espantoso sobre os filhos. Acredito que seja alguma coisa mais profunda do que nossas mentes industriadas possam compreender. É algo que somente a consciência e o espírito conseguem dissecar.

As pessoas têm que parar de endeusar o instituto da maternidade. Existem pessoas ruins no mundo, não existem? Psicopatas sociais, gente manipuladora, mentirosa, invejosa, preconceituosa, dissimulada, sugadora de energia do próximo, gente nociva mesmo. Essas pessoas são seres humanos como qualquer outro e, assim sendo, também se reproduzem e se tornam mães e pais.

Aliás, já assistiu Mindhunter? Aquele seriado da Netflix em que dois investigadores e pesquisadores do FBI entrevistam vários assassinos em série na década de 70, sendo a maioria deles psicopatas. Tem um episódio em que o personagem principal, que o investigador pesquisador, fala: “é sempre a mãe”. Enfim, é muito bom, recomendo.

Voltando ao rumo da prosa, eu falo aqui apenas da mãe porque é estatístico, os terapeutas sempre falam: a mãe geralmente é a figura principal no subconsciente do filho, o pai, por consequência, geralmente é secundário. E, sendo assim, nem vou discutir a figura materna sob o aspecto feminista, porque essa discussão pertence a outras searas – a sociológica, a política, a comportamental, etc.

Uma pessoa má, nociva, que engravida e se torna mãe, vai se transformar numa pessoa boa só porque pariu uma criança? Não né, gente. A maternidade não deve e nem pode ser sinônimo de perdão dos pecados, lavagem da alma e transmutação em ser imaculado. Parece que criticar uma mãe é um tabu, e criticar uma criança também parece ser.

Algumas mães escangalham de tal maneira a vida de um filho que muitas vezes é muito difícil para a pessoa recuperar o poder e o controle sobre sua vida. Mas, ainda assim, em alguns casos, com alguma autorreflexão, meditação e, principalmente, comprometimento, é bem possível sim conseguir curar-se sozinho.

Os terapeutas também falam que se você tem algum problema com sua mãe ou seu pai é melhor resolver logo. Porque as coisas da vida acabam sempre ficando meio atropeladas enquanto não nutrirmos gratidão, amor, perdão e respeito pelos nossos genitores. Afinal, foram eles que nos deram a vida, somos cinquenta por cento um e cinquenta por cento o outro. Mas isso também não quer dizer que você tenha que viver grudado no rabo da saia da sua mãe, né… Aliás, os terapeutas também falam que, geralmente, é melhor viver longe mesmo.

A gratidão é um dos sentimentos mais poderosos que existe. Falo da gratidão pura, sem expectativa nem contrapartida. Depois que a gente nutre gratidão o amor vem naturalmente e sempre substitui o ódio, o rancor e dá lugar ao perdão.

Então [email protected], se existe alguma coisa que te incomoda com relação a seus pais, ou seus filhos, ou seus irmãos, ou a qualquer pessoa, é bom parar, refletir, meditar e fazer brotar a gratidão de dentro para fora, naturalmente e sem forçar a barra. Mesmo que demore alguns vários anos, um dia vai acontecer e aquele sentimento ruim que sempre fez parte de você vai sumir e você vai sentir um alívio imenso.

Vai por mim. O que você tem a perder ao desenvolver perdão e gratidão? Orgulho talvez? Ah, mas esse já não vale muita coisa mesmo. Larga mão, se desprenda e deixa fluir.

*Além de feminista com orgulho, Mariana Distéfano Ribeiro é bacharel em Direito, servidora do Ministério Público do Amapá e adora tudo e todos que carreguem consigo o brilho de uma vibe positiva.

Ninguém lê! – Crônica de Lulih Rojanski

Crônica de Lulih Rojanski

O que você está lendo? Qual foi o último livro que leu? Onde está o último livro que comprou? Quando o comprou? Onde está o último livro de cujo lançamento participou? Na estante, intacto, ignorado? Eu sinto muito por tudo isso. Honestamente, sinto muito, porque conheço as verdadeiras respostas a estas perguntas, por mais que nas redes sociais a maioria prefira dizer orgulhosa que está atolada em leituras, que tem dormido com Honoré de Balzac debaixo do travesseiro, que gastou em livros boa parte do décimo terceiro salário, que não vive sem Fernando Pessoa… Livros estão ficando no tempo do era uma vez. Editoras estão fechando as portas. Editores estão negociando selos com distribuidoras de literatura vendável e meia-boca. Escritores estão morrendo de desilusão com a cara enfiada na poeira de velhos livros, em arcaicas bibliotecas.

O grande leitor está morrendo. Ele sabe que só é importante para uma geração que está se extinguindo, vagando espaço para os grandes leitores de palavras abreviadas e emoticons sorridentes. Poesia é uma coisa de que o grande leitor de agora ouviu falar mas não sabe exatamente o que significa, como funciona, em que botão se aperta. Conto e crônica são coisas que um professor mencionou, mas ele não se lembra se foi na aula de geografia ou no último filme que baixou no computador. Ele pensa que romance é apenas uma anacrônica história de amor, mais desusada que um rádio de pilhas.

Estou contrariada. Não pertenço a este tempo em que redes sociais influenciam mentes mais do que os livros…

Eu não me preocupo com quem vai se ofender com o que digo. Os ofendidos estão de carapuça. Os que não estão compartilham da minha dor.

Fonte: Para-raio

A falta que o Projeto Botequim faz nas terças-feiras de Macapá – Republicado por motivos de terça-feira

Foto: Amapá da Minha Terra

Hoje é terça-feira e por mais de 20 anos, nas terças, o macapaense tinha uma opção cultural: o Projeto Botequim. Realizado de 1994 a 2016 pelo Serviço Social do Comercio (SESC – AP), por mais de 20 anos a iniciativa fez a alegria dos amantes da música na capital amapaense.

Dos anos 90 até a primeira metade da década seguinte, o projeto rolou no Sesc Araxá e posteriormente, o Botequim migrou para o Sesc centro. Há uns dois anos, nós, notívagos de Macapá que adoramos boas canções, arte e cultura, ficamos órfãos dessa opção, extinta pela atual administração do Sesc.

Conversei com músicos, frequentadores e servidores do Sesc, eles disseram que o Projeto não dava prejuízo e nem lucro. Então por qual motivo o Serviço “SOCIAL” do Comércio acaba com um bem tão importante para o comerciário e para a sociedade como um todo como o Projeto Botequim? Perguntei a eles e responderam:

“O Sesc promove exposições, festivais, saraus sobre tema populares às nossas múltiplas culturas, realidades e sociedades. Na área musical realiza eventos para levar ao público instrumentos e ritmos que traduzem um universo rico e genuíno. No Estado do Amapá, gerou o Projeto Botequim, que ofertou por mais de 20 anos oportunidades aos artistas locais um palco para expor sua arte e a população à oportunidade gratuita de apreciação da melhor produção cultural musical tucuju.

Em 2017, infelizmente, o Botequim ainda não teve continuidade, visto que aguarda aprovação do Departamento Nacional com o custeio e apoio financeiro para subsidiar o referido projeto. O Regional Sesc Amapá continua com o compromisso na difusão da cultura, principalmente na modalidade de música, através dos demais projetos: Sesc Canta, Sonora Brasil, Sesc Partituras, Aldeia de Artes Sesc, Amazônia das Artes e Saraus para as todas as tribos (Em 2019 idem!).  

O regional Sesc Amapá, principal agente a querer o retorno do projeto, segue trabalhando para voltar a celebrar a cultura amapaense por meio de tão bonito e importante projeto”.

Bom, é verdade que o Sesc segue no trabalho cultural descrito aí em cima, mas será que precisava mesmo extinguir o Projeto Botequim? Será que um espaço tão importante para jovens talentos amapaenses, com uma nova programação realizada semanalmente, precisava deixar de acontecer? Tinha que cortar na carne logo essa iniciativa essencial para a inclusão de novos músicos, que agora não possuem um evento tão necessário. Ali sempre foi sucesso de público e crítica. Sim, pois o Botequim vivia lotado.

Era sempre assim, de 20h à meia-noite das terças-feiras, sabíamos para onde  ir. A gente amava o Projeto!

E assim como o Botequim, as boas práticas de Macapá parecem ter um prazo de validade. Os bares com o modelo violão e voz já são escassos nestes tempos.

Espero realmente que o Sesc volte com o Projeto Botequim nas terças -feiras e que o órgão volte a ser um agente de democratização do acesso à cultura semanal. Não se trata somente de entretenimento e diversão com educação, mas a promoção de cultura com qualidade como sempre foi e não deveria acabado.

Eu sempre divulgava e ia ao Sesc nas noites de terça desde 1994. Fica a nossa crítica e apelo para que o Projeto Botequim seja retomado o quanto antes. E fim de papo.

Elton Tavares

*Texto de 2017. Republicado por hoje ser terça-feira.

Nostalgia e Luz – Crônica de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Hoje de manhã me vi subitamente abatido por um ataque de nostalgia.

No meu caminho para o trabalho observei um homem ateando fogo no lixo. Tinha uma vassoura nas mãos e cuidava com atenção para que as chamas não se espalhassem sobre a calçada. Aquele ato, pensei, era um resquício da herança cultural indígena tão presente em nossa vida cotidiana.

De repente me veio a lembrança do tempo que Macapá caminhava lenta, em sua vivência pacata sob o sol do equador, quando vizinhos se respeitavam e eram amigos; quando cada um sabia das necessidades do outro e ninguém hesitava em pedir uma xícara de óleo, um pouquinho de farinha, um teco de colorau, de pó de café ou de pimenta-do-reino, ou quando trocavam gentilmente deliciosos pratos de comida, feita com abundância para a família.

Lembro que às vezes, pela manhã, minha mãe varria as folhas do cutiteiro que sombreava a frente de nossa casa e fazia a sua fogueira no lixo amontoado. Ele também era o alvo dos moleques da baixada que quebravam nossas telhas com as tentativas de apanharem os frutos jogando pedras e paus na árvore. A pequena fogueira fazia pouca fumaça, mas ia se juntando com a fumaça da vizinha e da outra vizinha e da outra vizinha. E ninguém se incomodava porque a fumaça era fugaz, se dispersava com o vento vindo das marés do Amazonas, lá adiante.

À noite trafegava em sua beleza estelar na escuridão. Crianças brincavam de roda à boca da noite e adolescentes gastavam suas energias na brincadeira de “pira” ou de “bandeirinha”, sob a luz da lua ou das lâmpadas pálidas dos postes da CEA. E, quando a luz se apagava, íamos até mesmo ouvir dos mais velhos as histórias de assombração, pregar peças de visagens aos poucos passantes da noite ou observar os satélites que cruzavam os céus do equador entre as estrelas.

Naquele tempo meu pai deixava aberta a porta de casa para que eu e meus irmãos não incomodássemos seu sono, certo de que ninguém ousaria abri-la para roubar. Era um tempo em que bastava a presença de um cãozinho para o possível gatuno se escafeder. E até as criações de galinhas e patos não eram protegidas da ousadia das “mucuras velhas” de plantão, que roubavam os animais para fazer tira-gosto de suas bebedeiras noturnas. Ah! E como eles sabiam fazer isso. Há casos em que roubavam a própria casa.

Os quintais não tinham cerca, tinham caminhos de atalhos, tinham campinhos, leiras de verduras e árvores frutíferas. As ruas eram tão nossas que ao fim da tarde viravam campos de futebol, em jogos que só terminavam ao anoitecer. Cada um respeitava seu cada qual: o dono da bola podia ser ruim no jogo, mas era o dono, e pronto. Ninguém furtava a merenda do colega nem caderno nem brinquedo.

Ainda que eu não queira culpá-la, mas depois que a televisão chegou nada mais foi igual. A molecada ia assistir a programação na casa do seu João de Deus onde havia o único aparelho de TV no bairro. Seu João colocava um vidro azul no vídeo para que as cenas das novelas “Meu Pedacinho de Chão” e “Vejo a Lua no Céu” parecessem mais coloridas. Doce ilusão! E dava o exemplo de patriotismo acompanhando em pé com a mão no peito o Hino Nacional, no fechamento da programação, por volta de meia-noite. O sagrado jantar familiar ficou mais apressado porque a novela ia começar e todos iam para a sala assistir aos folhetins de Janete Clair.

Mas ainda que brote da minha memória, eu não vejo com saudade essas lembranças. A saudade é mais profunda, é mais poética e mais densa que a nostalgia, que é uma palavra originária do grego e significa “regressar”, “voltar para casa”. E nesse regresso emocional, observo que as pessoas quase já não varrem as folhas que caem das árvores na frente de suas casas, nem fazem mais fogueira com medo de denúncias de vizinhos aos órgãos ambientais e por acharem que é um trabalho exclusivo dos garis da Prefeitura. E assim, as fumaças que eram como bandeiras ou cantos de galos se espalhando, já não enfeitam mais as manhãs ensolaradas da minha cidade. A solidariedade dos vizinhos foi substituída pela individualidade de cada morador aprisionado em suas portas e muros gradeados, pelo medo tácito da violência urbana.

As pedras jogadas nas mangueiras e cutiteiros se transformaram em duras palavras atiradas até em quem não tem telhado de vidro. A energia vital dos adolescentes é gasta nas baladas, quando longe dos pais, muitos enveredam pelos caminhos das drogas. As antigas histórias de assombração agora são contadas pelo Rádio e pela TV nos noticiários da violência no trânsito, brigas de gangues e mortes cruéis por motivos fúteis. O olhar real da juventude que acompanhava o curso dos satélites no céu escuro da noite tornou-se um virtual olhar, onde o romantismo de outrora foi trocado pela racionalidade dos programas dos computadores e celulares on line na Internet e pela comunicação ingênua das redes sociais.

Ah, os ladrões… Desde que mundo é mundo temos ladrões, prostitutas e assassinos e os seus trabalhos diferenciados sob a Lei, porque não há sociedade sem crime, ainda que teimemos em construir nossa utopia. Os ladrões de um passado (nem tão longe assim) eram de patos e galinhas, que ao menos não sujavam o nome de nossa terra e nem nos envergonhavam nacionalmente com negociatas políticas e atos de corrupção explícita.

Nem se comparam com muitos da atualidade que usam a pele de cordeiro para, como lobos ferozes, roubar o dinheiro público, enriquecer às custas do povo e trair cinicamente os que neles confiaram pelo voto. Naquele tempo as cercas inexistentes nos quintais davam a todos a liberdade de fazer seus próprios caminhos, de realizar seus atalhos e se apressar para a vida que viçava lá fora, principalmente pelo caminho da educação, pulsante nas escolas públicas, onde os professores eram mais que isso: eram educadores e amigos. Ensinavam também, como no ato do seu João de Deus em frente à TV ouvindo o hino nacional, a respeitar os valores da Pátria, apesar da era de obscurantismo da ditadura militar.

Hoje olhamos para os costumes sociais e familiares em mudança e nos molhamos de nostalgia. Tudo mudou com os avanços tecnológicos, que tanto facilitam a nossa vida. E tudo começou com a televisão, essa invenção incrível, pois quando a luz apagava na hora de um programa ninguém mais conversava. A família ia para o pátio da casa olhar a rua espelhada de chuva, e uns se perguntavam aos outros: será que foi geral? Será que ela vai voltar? Já pensou? Ficar sem TV o resto da noite… Afirmo, pois, com certa tristeza que foi aí que começou a morte do diálogo familiar.

E as ruas? Ora as ruas. Ruas de tempos abençoados que não testemunharam atropelamentos fatídicos, apenas quedas de bicicleta ou boladas na cara de algum passante desatento. Ruas da minha cidade transformada, ruas que hoje absorvem o sangue dos mortos diariamente em cada esquina, ruas não mais tangidas pelos protestos do povo inconformado, ruas esburacadas pela angústia no rosto da juventude sem emprego, ruas que se tornam rios de chuva e trazem doenças inevitáveis, ruas que lêem os passos cansados dos que tem pouca mobilidade física, ruas escuras, ruas das violências noturnas, ruas dos loucos, dos bêbados, das putas, dos travestis e dos moralistas de plantão.

Mas elas são também as ruas dos sonhadores como nós, que tentamos enfeitar a madrugada e trazer a música e o sol no cavalo alado da nostalgia, para iluminar um mundo futuro ausente de dor e de vergonha, mas cheio de luz e de perdão.

Não deixemos, pois, por isso mesmo, a luz ir embora dos nossos corações.

37 anos do soco de Anselmo Vingador – Um texto para flamenguistas

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Como bom flamenguista, sempre leio, assisto e ouço tudo sobre o Flamengo. Entre os títulos conquistados pela máquina rubro-negra dos anos 80, comandada por Zico, um fato marcou a Libertadores de 1981, conquistada no dia 23 de novembro daquele ano: um soco. Sim, uma porrada desferida por Anselmo, atacante do Flamengo no zagueiro Mario Soto, do clube chileno Cobreloa.

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Vamos por partes. Depois de passar invicto até a final, o Mengão, campeão brasileiro de 1980, decidiu com o torneio com o Cobreloa. No primeiro jogo das finais, realizada no Maraca, o time da casa venceu por 2×1, com dois gols de Zico. Na partida de volta, no Chile, o time do Flamengo apanhou muito dos donos da casa (agressões mesmo), liderados pelo zagueiro Mario Soto (o brabão) e acabaram ganhando o jogo por 1×0.

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Nessa partida, o Mengo ficou desfalcado dos jogadores Lico, com um corte na orelha e Adílio, ferido no olho. Ambos abatidos pelo defensor chileno. Li em algum lugar que ele agredia os jogadores brasileiros com uma pedra no punho fechado, se é fato, não sei dizer. Relatam jornais da época que o próprio Pinochet (um dos enviados de Satanás à Terra), nas tribunas, virou-se para um adepto e disse chocado: “Não está exagerando, o nosso Mario Soto?” Imagine como o cara estava “virado no cavalo do cão”…

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Então rolou a “negra”, uma terceira partida, em campo neutro, realizado há exatos 34 anos, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. O Mengão, que tinha infinitamente mais bola, venceu pelo placar de 2×0, com dois gols do Galinho.

Mario Soto, do Cobreloa do Chile, após levar um soco de Anselmo, do Flamengo, na finalíssima da Taça Libertadores da América de futebol. Montevidéu, Uruguai. Publicada na revista Placar, edição 1206, em 1223/11/2001, página 37.

Mas ainda faltava a forra contra Soto, foi aí que, no finalzinho do jogo, o técnico do Mengo, Paulo César Carpeggiani, chamou Anselmo, um jovem atacante de 22 anos, e disse: “ vai lá e dá um soco na cara do Mario Soto”. Anselmo entrou na partida, se aproximou do zagueiro chileno e, na primeira jogada, deu um pau na cara do chileno, que foi a nocaute. O lance causou um porradal, o jogador do Flamengo foi expulso junto com Mario Soto. A decisão logo acabou e o Flamengo virou campeão da América.

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Depois foi só festa. No desembarque do time no Galeão, a delegação se deparou com uma imensa faixa escrito: “Anselmo vingador!” Pronto, Anselmo era tão herói quanto Zico. Mesmo suspenso, o “Vingador” viajou com o time para o Japão, onde o Mengão derrotou o Liverpool e sagrou-se Campeão Mundial Interclube, em 1981.

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Li várias reportagens sobre este fato, mas as duas melhores declarações foram:

Este episódio exprime uma contradição insolúvel do futebol e da vida. Todos nós temos discursos humanistas e politicamente corretos em favor do espírito esportivo e do sentimento cristão. Mas quem sofre uma agressão covarde não esquece. Futebol é arte, balé, xadrez, mas é um jogo viril e abrutalhado em que façanhas como a de Anselmo refletem o alto grau de testosterona e de agressividade primitiva que nos leva a correr atrás da bola. Nosso lado civilizado homenageia aqueles que descartam a vingança física e se contentam com dar o troco na bola e no placar. Mas dentro de cada fã do futebol existe um brutamontes-mirim que não resiste à poesia de um murro bem dado” – Jornalista Braulio Tavares – Jornal da Paraíba.

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Tenho sobre essa porrada uma tese irrefutável – ali, graças a Anselmo, as ditaduras latino-americanas que assombraram o continente durante a Guerra Fria começaram a desabar. O destino do próprio Pinochet foi selado naquele momento. Não é a toa que, em recente pesquisa publicada na Inglaterra, acadêmicos de renome consideraram que as três quedas mais impactantes da história foram a do Império Romano, a do Muro de Berlim e a de Mario Soto na final da Libertadores.” – Luiz Antonio Simas, professor carioca.

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Anselmo Vingador!

Bom, acredito que em certos momentos, extremos claro, um murro vale mais do que mil palavras (risos). Aquele soco dado que lavou o peito de milhões de rubro-negros. Viva o Mengão e o Anselmo Vingador! Há 37 anos, direto do túnel do tempo…

Elton Tavares – Jornalista, flamenguista em tempo integral e bom de porrada. 

EU TENHO TANTO PRA LHE FALAR – Por Orlando Júnior (@Orlando_Fla_Jr)

Fiquei, em princípio, pensando qual linguagem usar: culta ou coloquial (sendo que coloquial já é culta). Resolvi escrever o que me inspirasse (ou que me viesse à cabeça, para quem é culto ou para quem gosta da linguagem coloquial).

Hoje o termo da moda é “tanto faz”, porque poucos notaram que no segundo parênteses utilizei a ordem de ideias ao contrário (mania de ser culto).

Tanto faz se você paga mais ou menos impostos.

Tanto faz se você foi ludibriado com a ideia de que tirando a “sapatão” o BRAZIL ia mudar.

Tanto faz se foi um golpe orquestrado por uma mídia que se vale da miséria diária de milhões.

A segunda expressão modinha é “tem que ser”, como se depois nada mais estaria errado.

Tanto faz quem tá levando o país pro lixo agora que o barbudo (ou sem dedo para os sádicos) tem que ser preso.

Tanto faz se quem tá no poder está respondendo processo por crime, sem a estrela vermelha (dos comunistas) o BRAZIL vai “pogredir”.

O que move você, e eu, é a vontade de mudar, e nisso o Brasil do Lula mudou, apesar de você não lembrar, pois o seu ódio lhe cegou.

Não sou PT (ralha, para os haters), não apoio movimentos “populares” infestados de aproveitadores como são os MS’s da vida e a maioria das igrejas (de qualquer culto).

Sou um “NEO-CAPITAL-LIBERAL-SOCIALISTA”, para você que gosta de rotular.

O que isso significa?

Significa que você, e o resto do mundo, está certo em reclamar.

Reclamar contra os governos.

Reclamar contra os parlamentares.

Reclamar contra grande parcela dos servidores públicos (geralmente esquecendo que você é um).

Mas, sem reclamar dos grandes empresários, das grandes mídias que te iludem com novelas, realityes shows e afins.

Sem ter coragem de dizer que quer reclamar.

Você esqueceu o que é ditadura.

É só um mito do século passado, aliás, de qual século? Afinal você pouco sabe de história, matéria decorativa e fácil de passar, diferente de matemática que até hoje você, também, não sabe para que serve.

Você é filho da ignorância.

Não sua. Minha.

Pois eu não fui capaz de lhe mostrar que os poetas relataram e cantaram que há “sujeira pra todo lado” e “ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”.

Foi difícil eu te ensinar que Chico, Caetano e Gil saíram daqui porque iam morrer, afinal, você não sabe uma música deles.

Você conhece Roberto, o rei, mas não consegui lhe mostrar que ele também teve medo de morrer e se rendeu a músicas românticas para poder viver em seu país, ainda assim, cantou “Debaixo dos Caracóis” para Caetano.

Sofri quando vi, não você, mas a maioria de vocês, indo pra rua seguir um pato e bater panelas, sendo que até hoje você não sabe sequer usá-las.

Hoje você diz que não tem político de estimação, pra se eximir da culpa inconsciente que lhe perturba.

Hoje você grita veementemente que o barbudo já foi e os outros não vão demorar a ser presos também, se iludindo sabendo que o golpe dado foi consumado e que você novamente foi a “classe média” de manobra.

Você detesta a elite que se encastela no poder e acha que dando meia dúzia de roupas velhas por ano vai garantir seu lugar no céu.

Você se acha diferente por ter filho em escola particular e fica horrorizado com a violência nas escolas públicas, sendo que você estudou em uma. Na sua vã ilusão seu filho vai ser melhor que o do vizinho, mas esquece que as melhores universidades são públicas.

Ainda assim, você acha um absurdo professor fazer greve, isso é “coisa de vagabundo”, esquecendo que você só está lendo esse texto por causa do grevista.

Eu queria poder te pegar e dar uma surra de cinto, pois você acha que isso é uma forma de correção válida.

Eu queria poder fazer tanta coisa, e escrever, para fazer você acreditar no que eu acredito.

Eu queria apenas que você escutasse e não odiasse.

E quando você escutasse, parasse e pensasse, e assim, libertar-se.

Eu e Orlando Júnior – 2016.

*Dr. Orlando Ribeiro Júnior é professor universitário, bacharel em Direito e titular da Secretaria Judiciária do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (Sejud/TRE-AP). 

Considerações sobre a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro.

Morei no Rio de Janeiro minha vida toda antes de escolher o Amapá. Como verdadeiro Carioca, vivi as praias, os morros, o subúrbio (que é diferente dos morros) e participei ativamente do samba e de tudo que implica existir no Rio. Saí de lá, a mais de 11 anos, por achar que havia muita violência. De lá para cá, só piorou.

Observamos hoje a intervenção federal na área de segurança no Rio de Janeiro como medida necessária. Alguns alertam que não é o Estado mais violento, que outros também deveriam ter esse “privilégio”; uns informam que a intervenção é de aspecto puramente oportunista e eleitoreiro; outros esclarecem que o Rio contribui demasiadamente para a economia nacional; mas estes pontos, todos eles relevantes, pouco importam para as considerações a seguir.

Sem ser profeta do caos, algumas notícias dessa semana preocuparam demasiadamente. O Interventor anunciou parte de seu planejamento, mas não indicou seus assessores – novos Secretários Estaduais, inclusive. Está agindo cautelosamente, diferente de vacilante, aparentemente está se baseando em serviços de inteligência. Se somarem a inteligência das Forças Armadas com as das Polícia Civil e Militar do Rio de Janeiro, acredito que pode ter jeito a situação.

Essa cautela se verifica na ação dos comandados pela intervenção, que apreenderam muitas armas nessa semana (e drogas também), seja por terra, por ar ou por mar. Essas apreensões evidenciam que as inteligências estão agindo em conjunto e que vão “sufocar” o crime no Rio. Esse crime está com menos dinheiro e drogas, pois pagou para elas chegarem e foram interceptadas.

De outro lado, vê-se que a quantidade de armamento apreendida somente nessa semana (25.2 a 4.3) foi altíssima. Essa apreensões não servem para demonstrar um histórico de “importações” de armas e munições para o Rio. Em verdade, ela comprova que tão logo o crime organizado soube da intervenção, tratou de negociar a compra de suas armas e munições.

Já temos anúncio oficial de colaboração interestadual para fechamento das fronteiras do Rio de Janeiro. Agora temos o anúncio não oficial de que o crime busca se equipar “até os dentes”.

A guerra está anunciada. Se eu não tivesse saído antes, estaria saindo agora. Peço desculpa a esse desserviço ao Rio, que pode ser entendido como propaganda contra o turismo e os negócios de lá, mas me importa mais as vidas que se perderam em meio a esse combate. O crime sem dinheiro e drogas para vender vai buscar esses recursos aonde?

De um lado há os que vivem do crime, estes não vão se render só pela presença das Forças Armadas, vão lutar pelo seu “trabalho”. Se do outro lado temos militares que não vão aceitar resolver pela metade o problema – são sérios, fui militar por 5 anos –, é porque haverá combate.. Se realmente eu fosse ficar no Rio, sairia por um tempo, até as coisas se acalmarem.

Por Vladimir Belmino de Almeida, membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, membro da Academia de Letras Jurídicas do Amapá e membro da Academia Amapaense Maçônica de Letras.

O “Superior Tribunal de Fofocas” (texto de Vladimir Belmino)

Desde que as sessões dos Tribunais Superiores começaram a ser transmitidas, houve um incremento na qualidade da percepção do que ocorre neles. Mais por culpa das vaidades postas a público do que pelas discussões jurídicas.

Nunca houve nesse país uma transparência tão alta das cortes supremas, nunca os encastelados se desnudaram tanto.

O povo, tido por ignóbil perto daquelas majestosas celebridades mentais, pode observar bate-bocas lindos e elegantes, com eufemismos que tentam manter a áurea do local, mas que revelam as conturbadas e indizíveis relações internas e externas das Cortes.

Cada qual tem uma tese e/ou doutrina para chamar de sua, conforme a conveniência do momento. A coerência se perde “ao vivo e em cores”, as desmesuras vem em sinal digital, as (des)virtudes só não se mostram maiores do que os egos, as interpretações dignas de Oscar estão despidas de ensaios, são reais e incomuns, é a novela mexicana do Direito.

Ouso dizer que o Estado Democrático de Direito virou o Estado Democrático Jurídico. Onde Estado continua sendo Estado; o Democrático agora é todo mundo, sem a noção de igualdade quanto aos direitos, mas com sentido das opiniões serem verdades indiscutíveis; o Jurídico é porque todo mundo é jurista. E quanto mais poder tem o emissor da opinião, mais esta se impõe, independente do Direito ou da Constituição.

Vale a crítica ácida do jurista – de verdade – e meu colega na ABRADEP, Dr Luiz Felipe da Silva Andrade, de que “doravante o Mark Zuckerberg está fornecendo diploma de bacharel em direito a todos aqueles que estejam cadastrados nas suas redes sociais”.

Talvez por isso não estejamos tão bem no futebol, não somos mais um país onde cada cidadão é um técnico, mas em breve, certamente, saberemos reconhecer e saborear bem melhor a justiça.

Por Vladimir Belmino de Almeida, membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, membro da Academia Amapaense Maçônica de Letras e da Academia Amapaense de Letras Jurídicas.

 

Lição do saudoso jornalista Corrêa Neto

CorreaNeto

Certa vez, lá em 2012, li no site do lendário jornalista Corrêa Neto:

“Faz muita falta uma oposição inteligente em qualquer sociedade. A oposição inteligente constrói, a burra nem consegue destruir, a menos que o poder seja ocupado por gente tão burra quanto ela. A oposição inteligente enlouquece quem não está preparado para o exercício do poder, porque sua preocupação não é a mesquinharia, nem a insignificância. Seu alvo está mais adiante: é a qualidade de vida de todos. A partir daí sua argumentação passa ser irrefutável, e só aceita ações positivas como resposta“.

Atemporal, não acham?

Cansaço – Por @Cortezolli


Pois é cansada que digito devagar…

Minha fadiga mental se dá em virtude das tempestades de tutoriais de “como viver melhor”, das “dicas infalíveis” e dos incansáveis “métodos revolucionários de como fazer isso ou aquilo”, sem mencionar os livros que chovem com textos publicitários miseráveis, escritos por pessoas de índole execrável, que crêem incitar o consumo, com o que julgam ser irresistíveis interjeições: “Hein?!”, “só vem”, “me convida?”. Não, não são todos os profissionais que têm caráter duvidoso. Contudo a parcela que poluiu se diz “famosinha”.

O dilúvio de inópia lava os mais diversos meios. Fechemos os olhos ao sairmos de nossas casas, tampemos os ouvidos aos menores ruídos de soluções imediatas.

A vida apenas se arrasta. Quando a solução parecer fácil demais, desconfie.

O imediatismo está na avalanche de informação. Abandonar o bombardeio ao qual somos submetidos por metro quadrado, ou a cada segundo, é morrer de fome. Alimentemos-nos das mais diversas fontes, que quase não nos saciam. E queremos mais. E, nos intoxicamos.

Cansei dos textos escritos por gente como eu… Carregados do que trazemos conosco.

Decepciono-me facilmente, porque minhas expectativas são sempre altas. As baixezas… Deixo-as para os rasteiros, que citam até trechos do que houver de mais sagrado, para as mais pulhas afirmações. E, não se trata de ficção? Quem escreveu?

Enfadei.

E de agora em diante, meu silêncio.

Tchau.

Hellen Cortezolli

Sempre levo comigo a Frase que meu professor de Sociologia fala: “Um povo educado é muito perigoso”

Por Nádia Launé

Quando um país entra em crise, tudo tende a ficar mais caro para suprir o que tá faltando, o governo AQUI no Brasil passa a cobrar mais em impostos e é cortar as verbas destinadas a população

Em países desenvolvidos, a crise é o momento perfeito pra inovar, buscar soluções e alternativas e assim surgem boas ideias. Um exemplo disso é uma professora que ministra a matéria de Gestão e empreendimento nos ensina como ousar… Ela nos ensina como usar vários objetos para vender.

Países de primeiro mundo tem como uma das características, criarem soluções criativas e inovadoras pra fugir da crise. Porém O Brasil não, os governantes cortam gastos públicos e aumentam impostos, ai começa uma espécie de bola de neve pois essas supostas “soluções” não ajudam a parar a crise, e sim a aumenta como se fosse secando os bolsos de todo mundo aos poucos .

Aumentar a passagem de ônibus não é uma solução para nada, aumentar a passagem de ônibus não vai pagar dívida pública ou tirar o país da crise. O que vai acontecer é que vai fazer crianças, adolescentes, jovens a não conseguirem ir pra escola e pessoas a terem que comer menos para se locomover para determinados lugares.

Os trabalhadores que vivem em situações desfavoráveis a passar por mais dificuldades por conta de tirar do bolso um dinheiro a mais para a passagem de ônibus sendo que pode ser usado em várias outras coisas…

Eu gostaria de saber de coração, como vocês governantes querem fazer esse aumento, sendo que são os primeiros a falar sobre a crise que o Brasil sofre?

Porque não cortar gastos com determinados cargos, viagens, motoristas etc. Que são usados por vossas excelências, quer dizer que o certo é logo aumentar os impostos para as pessoas que vivem em situações difíceis?

É bom pensar em nós eleitores que colocamos vocês para nos representar em todas essas questões…Somos nós que vivenciamos essas situações precárias do dia-dia com o serviço público. E eu falo com convicção, como estudante da rede pública federal, como a que usa o transporte público de segunda a sexta. A super lotação nos ônibus, também alguns micro-ônibus que usam de motorista como contador. Estamos sujeitos a acidentes, pois duas coisas para uma pessoa só? Sendo que tem horários de “pico”…

As condições precárias dos ônibus também, estamos sujeitos a assaltos, eu saio de casa e ao pegar ônibus creio que Deus me proteja, meu pai deixa eu ir de ônibus porém tem uma preocupação, Macapá está ficando perigosa. Isso é complicado, pois ficamos com traumas e isso resulta em medo de sair de casa, andar de ônibus…

Outra realidade que vivenciamos, No instituto federal do Amapá- IFAP, não temos parada de ônibus, sendo que descemos em uma BR onde o fluxo de carro é alta e com uma velocidade mais alta. Estamos correndo risco, mesmo que tenha faixa de pedestre, tem motoristas imprudentes que acabam não respeitando as sinalizações de transito.

Será que tudo isto só será providenciado quando acontecer uma tragédia? Não podemos prevenir tudo isto?

Sempre levo comigo a Frase que meu professor de Sociologia fala: “ Um povo educado é muito perigoso”

Gente vamos lutar a favor nossos direitos, não podemos ficar calados com situações que piora a vida da nossa população.

* Nádia Launé cursa o no Instituto Federal do Amapá (IFAP).

O princípio da continuidade no serviço público e o umbigo – Por @maiarapires

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Por Maiara Pires

Em época de transição de mandato, o que não faltam são orientações dos órgãos de controle como o Tribunal de Contas, sobre os procedimentos administrativos de um gestor público. Os conselheiros dos TCEs tentam de várias formas colocar na cabeça dos novos mandatários os princípios constitucionais da administração pública, entre eles, o da Continuidade do Serviço Público. Tudo para não prejudicar o atendimento à população.

Mas, tá pra nascer um indivíduo que não seja do mesmo partido ou aliado, ‘pegar o bonde andando’ e continuar o percurso do roteiro inicial… Nunca no Brasil que ele faz isso. Quando este um não para o serviço, ele ‘reformula’ a ação e só muda de nome pra ficar com a ‘cara dele’. E haja auditoria nas licitações e contratos com fornecedores até conseguir romper com todos eles pra colocar os “seus”.

Agora, quando o cidadão é do mesmo partido ou da mesma base aliada, o que não deve faltar na mesa de trabalho e em casa é óleo de peroba pra passar na senhora sua cara de pau, pra dizer pra deus e o mundo que tudo está legal e que “vamos continuar com o que está dando certo”.

Onde é que está o problema em continuar com um serviço que está dando resultado para a população? Já sei. O problema está em reconhecer o bom trabalho realizado em alguma área. Perguntar não ofende: qual foi a parte que Vossa Excelência não entendeu que SERVIÇO PÚBLICO significa SERVIR O PÚBLICO ou SERVIR A POPULAÇÃO e, que, o (a) senhor (a) foi eleito (a) pra prestar um bom serviço para o contribuinte? Hein?!

Mandato eletivo não é disputa de ego não. A função de Vossa Excelência é executar ações que melhorem a qualidade de vida em sociedade, não é deixar um legado para o (a) senhor (a) deixar o seu nome escrito nos anais da vida pública. Porque, infelizmente, é isso que o que a maioria dos mandatários faz. Eles querem ser ovacionados. Ao invés de servir, eles querem ser servidos. E o jogo de vaidade vai ganhando corpo no “eu fiz isso”, “eu fiz aquilo”. Deixa só eu lhe lembrar de uma coisinha: não faz mais do que obrigação.

Não faça nada buscando reconhecimento de ninguém. Trabalhe com a sua consciência tranquila e em paz, que é mais negócio. Faça o que tem que ser feito sem se importar com o adversário porque é ao povo que o (a) senhor (a) deve satisfação. E se o povo não reconhecer o seu trabalho, fica triste não. É melhor estar em paz do que estar certo. Não se bata.

Mendigos emocionais – Por @Cortezolli

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Há tempos não escrevia nada, sequer uma linha. Cogitei a possibilidade de fazê-lo à moda antiga, papel e caneta, mas a memória remota das pontas dos meus dedos tocando o teclado nevrálgicamente, me foi mais sedutora.

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Submergi num daqueles mergulhos em mim mesma, quase suicida, não esperava por salvação, mas também não acreditava num retorno, apenas me afundava no que considerei ser uma síndrome de autoconhecimento inadiável.

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Perdi aquela certeza na hora de concatenar as ideias, porque por mais que minhas opiniões se transformem de acordo com minhas experiências mais recentes, é necessária aquela cegueira provisória na construção dos argumentos, mesmo que frágeis. Mas, isso mudou…

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Lembrei do quanto me cobro e por isso não espero menos das outras pessoas, contudo, em algum instante me veio à mente, que as pessoas não são responsáveis por nossas expectativas, mesmo que eu me recuse a baixar as minhas. Se você não abandonou o meu raciocínio até aqui, é porque se identifica com essas questões.

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Então, se torna uma sensação lancinante, análises sobre todos os tipos de relacionamentos interpessoais, e vai desde a amizade longa, amores efêmeros, paixões doentias, até o atendimento ao cliente numa farmácia ou padaria. Você ou eu, nem sempre sabemos o que queremos, mas criamos ilusões em torno do que não sabemos, criamos muralhas de medo ou, por vezes, preferimos chamar de cautela. Entretanto, surge uma vivacidade, não se sabe de onde e meio que sai pelos poros, onde cremos que somos capazes de nos jogarmos cegamente em queda livre, pelo simples prazer de sentir o vento, a velocidade, sem nos preocuparmos com a queda.

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Porém, se formos pensar friamente sobre as expectativas, devemos nos ater ao fato dessa onda comportamental, de sei lá, uns vinte anos que antecedem o agora. Essa geração da qual, fazemos parte, independentemente da idade fisiológica, onde todos estão carentes, de chapéu nas mãos.

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Façamos um exercício de fechar os olhos e nos imaginarmos como espantalhos, preenchidos com espuma ou palha, no aguardo de um coração bater no peito, pode ser remendado, não tem problema, parece patético não é? Mas, não é muito diferente de como nos comportamos.

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Talvez porque as paixões sejam elas pelo que fazemos ou por pessoas nas quais depositamos nossas esperanças ou sonhos. A verdade rasa, curta e grossa é que queremos a sensação de quando estamos apaixonados, não necessariamente por alguém real ou pelo que fazemos. Construímos isso em nossas mentes… Deveríamos pensar em nos apaixonarmos por nós mesmos, sem esperarmos por migalhas de aplausos, curtidas e comentários, todavia, esperamos. Lembre-se de que fazemos parte desse contexto imediatista, a era do mimimi e que estamos carentes de crenças, de amores, de qualquer coisa.

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Queremos sempre mais… Só não sabemos exatamente, do quê. Acredite até a dor é desejada, apenas para sabermos como é não senti-la mais.

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Com Hellen Cortezolli – 2010 – Saudades

Hellen Cortezolli – Jornalista, fotógrafa, cronista e minha amiga querida que mora no Sul, após nossa conversa sobre amores e dores. 

Há exatamente um ano: Interpol e Smashing Pumpkins arrebentaram no Lollapalooza Brasil 2015

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Interpol – Foto: Elton Tavares

Há exatamente um ano, as bandas Interpol e Smashing Pumpkins arrebentaram no Lollapalooza Brasil 2015. Assim como outras quatro vezes, fui à Sampa para assistir shows de Rock and Roll, segunda no Festival Lollapalooza Brasil.

Na verdade, o festival do ano passado contou com atrações mais dançantes do que pesadas, mas atingi meu objetivo: ver as apresentações das bandas Interpol e Smashing Pumpkins. Ambas com performances perfeitas.

Era um domingo frio e cinzento. Quando o Interpol subiu ao palco Skol. O grupo tocou de 15h30 às 17h debaixo da garoa dos paulistas, o nosso “chuvisco”. Logo a banda nova-iorquina aqueceu o coração e alma dos fãs que estavam no autódromo de Interlagos.

Eu não sabia se pulava, fotografava ou cantava (com meu pobre inglês) as canções da banda indie. A força do Rock and Roll fez aqueles caras levantarem a multidão de fãs. Foi lindo!

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Smashing – Foto: Elton Tavares

O Smashing Pumpkins fechou o festival no palco Onix do Lollapalooza Brasil 2015. Billy Corgan, compositor, líder, único membro da formação original do grupo e dono da bola mandou muito bem. Ele veio acompanhado do guitarrista Jeff Schroeder (na banda desde 2007), pelo baixista Mark Stoermer (The Killers) e baterista Brad Wilk (Rage Against the Machine).

Eu aguardava um show do Smashing Pumpkins desde os anos 90. Eles levaram sons como “Tonight, Tonight”, “Ava Adore, Bullet With Butterfly Wings”, “Disarm”, “Cherub Rock”, Today, 1979, a nova “Being Beige”.

O público estava hipnotizado com a apresentação, muita gente, como eu foi às lágrimas. Como não chorar? O careca antipático do rock cantou com o coração e a banda tocou de forma perfeita.

Essa foi mais uma aventura rocker sensacional e emocionante. Já faz um ano, mas parece que foi ontem. Entrou para a história Rock and Roll da minha vida. É isso!

Elton Tavares