Eu não ligo…

Geralmente me incomodo se uma roupa aperta, pois sou gordão e o mundo de hoje cobra cada vez mais corpos malhados e gente na moda. Duas coisas que não tenho, a boniteza corporal e nem vontade de acompanhar moda alguma. Mas no fundo, no fundo, não ligo. Mesmo. Se ligasse realmente, tinha emagrecido e andava todo na pinta, como a maioria dos quarentões/cinquntões chatos e “fitinex”.

Outra coisa é papo de música…Eu realmente não ligo para o que toca na rádio e nem se fulano gosta de sertanejo, beltrano gosta de axé, cicrano gosta de pagode ou zé mané curte funk, toada e afins. Eu só não escuto, não frequento locais ondem tocam essas merdas e nem julgo quem gosta. Ah, também não ligo se a pessoa não gosta do meu gostar.

Carrego vários rótulos nas minhas costas largas. Alguns com razão de ser, mas muitos nada a ver. Mas realmente eu não ligo.

Não ligo para o que acham que sou ou que faço. Sei dos meus atos e quem sou. O resto é doidice de quem pira por qualquer motivo. Minha consciência segue tranquila, pois sempre fui literal quanto ao meu comportamento e honestidade para com todos.

Não preciso provar nada para quem sabe quem eu sou. Muito menos para quem não sabe, pois estes não me importam.

Se você liga e não é feliz por conta dos outros, você é uma pessoa totalmente desligada de si mesmo, o que pode custar caro, já que é certo dizer que o caminho da paz interior passa obrigatoriamente pelo autoconhecimento.

Não que eu ligue. Não ligo. Não mais. É isso.

Elton Tavares

Datas curiosas: hoje é o Dia Internacional do Blog

Arte: Ana Beatriz Santana

Este site, que já foi um blog e mantém esse nome, possui uma sessão intitulada “datas curiosas”. E vejam só, hoje é o Dia Internacional do Blog, este espaço virtuais que reúne imagens e relatos pessoais e institucionais, sobre os mais variados assuntos. Essas ferramentas on-line são, em sua maioria, locais criativos no mundo cibernético.

A origem da data se deu por conta de que, na língua portuguesa,  existe uma relação visual (3108), com a palavra “Blog”(português brasileiro) ou Blogue (português europeu). Daí, foi estabelecido de forma informal o dia 31 de agosto como o Dia Internacional do Weblog, Blogue ou simplesmente Blog.

O De Rocha! foi um blog por cinco anos – de 2009 a 2014. Depois virou site, mas mantivemos o nome da antiga plataforma: “Blog De Rocha! – Elton Tavares”.

Manter uma página virtual atualizada, com credibilidade e conteúdo interessante dá um trabalho danado. Me empenhei nisso e acho que consegui ser um blogueiro, à época, e um editor, agora – de razoável a bom. Agradeço a todos que ajudaram nessa trajetória.

A proposta desta página foi segue uma mistureba, mas com foco na cultura. Além de expor meus pontos de vista, críticas leves e pesadas ou elogios amenos e exagerados aos que merecem. Sempre digo que, quanto mais páginas, melhor.

Arte: Marcelo Corrêa.

O problema é a megalomania de sapato alto (desculpem a redundância) de alguns, que possuem uma poquequinha de leitores, mas já boçalizam pensando serem os Escolhidos da Internet Celestial. Bom, deixa eles pra lá.

Por aqui, seguimos na humildade, com muita colaboração, graças à Deus.

Para o sucesso, as parcerias são essenciais. Além de fontes de informação, fortalecem o mercado virtual, ainda fracote nessa terra no meio do mundo. Amo divulgar cinema, teatro, poesia, atrações musicais, arte; enfim, cultura e todas as suas vertentes. Além de informações relevantes para a sociedade onde vivo, no caso minha Macapá e meu Estado. Ou seja, serei um eterno blogueiro.

O importante é que os nós, jornalistas profissionais, editores de sites e blogueiros, agilizam a velocidade da notícia e divulgação da cultura. Claro que é preciso ter responsabilidade e checar sempre a veracidade da fonte, pois não faltam disseminadores de boatos e mentiras, no afã de agradar o chefe ou dar a notícia em primeira mão.

Arte: Ana Beatriz Santana

Ah, um feliz Dia do Blog para todos os favoritos listados no layout desta página. Em especial aos jornalistas Alcinéa Cavalcante; Alcilene Cavalcante;  Mary Paes;  João Lázaro (Porta Retrato); Ivan Carlo (Ideias Jeca Tatu); Chico Terra (página homônima); Jaci Rocha (A Lua não dorme); Flávio Cavalcante (Pedra Clarianã); Cléber Barbosa e todos blogueiros brothers. E, por fim, mas não menos importante, parabéns aos meus colaboradores, companheiros que ajudam esta página com poemas, fotos, causos e etctera. Obrigado!

Elton Tavares – Jornalista, assessor de comunicação, ex-blogueiro, escritor e editor-proprietário do site Blog De Rocha!

Comunicação regional e o direito à informação e à cultura – Por @danalvesjor

Por Daniel Alves

Para haver uma boa comunicação é necessária reciprocidade entre os agentes envolvidos. O falante e o ouvinte devem estar atentos e familiarizados com as mensagens, com o risco da formação de ruídos prejudiciais a interlocução. Entretanto, a informação, no mesmo caminho do entendimento, encontra-se afetada quando olhamos na perspectiva da cultura regional.

O mundo cresceu e com ele as estruturas sociais se globalizaram, estabelecendo homogeneidades das práticas culturais, econômicas, dos padrões de produção e consumo. O local tornou-se também global. A evolução tecnológica elevou a comunicação a outros patamares, quebrando barreiras territoriais da informação.

Com todos esses avanços informacionais, fica difícil conceber as velhas dificuldades para uma comunicação voltada ao regional. Na verdade, é possível perceber que atualmente conhecemos o mundo pelas ondas digitais, no entanto, somos ignorantes na percepção da nossa realidade local. Mas por que isso acontece?

Regionalidade em Segundo Plano

Notamos que os meios de comunicação como o rádio e a televisão, tradicionais elementos de difusão em massa, ainda são os principais obstáculos para o acesso aos conteúdos inerentes de grupos sociais com menor representação na sociedade. É perceptível a dificuldade desses agentes de se comunicar sobre seus fundamentos, mas é ainda pior na esfera global, onde poucos conseguem difundir suas realidades.

Já em atividade mais recente, foi com o surgimento da internet e, principalmente, das redes sociais, que alguns grupos começaram a mostrar-se, mas o que não garantiu a eles o conhecimento expandido dentro do próprio ambiente regional, já que no meio de tantas informações esses conteúdos acabam ficando sempre em segundo plano. Dessa forma, a liberdade de expressão e informação, como previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU, continua limitada.

Os conflitos de interesse e falta de representação

Esse impasse, encontra motivações no modelo de distribuição de mídias no Brasil, concentradas nas mãos de pequenos grupos econômicos que não atendem o direito à comunicação e à cultura em sua plenitude. A legislação brasileira define os meios de radiodifusão como concessões públicas, pela natureza fundamental à cidadania, ainda assim, não vemos a diversidade brasileira representada nas grades de programação.

Na região norte do Brasil, temos uma tentativa encampada pelas redes nacionais de televisão em produzir conteúdos locais, a partir das emissoras afiliadas. Seria o mais próximo que chegamos de uma comunicação regionalizada, pois dentro desse grupo são produzidos conteúdos direcionados a região. Infelizmente, somente parte da programação atende a questão noticiosa dos Estados, sem amplitude para o desenvolvimento das culturas e histórias das relações sociais locais.

O Monopólio do Rádio

No rádio, veículo de comunicação com vocação natural para a regionalização, ingressei estudo em 2017 sobre as rádios comunitários do Amapá. Naquela época, segundo dados do Ministério das Comunicações, o Estado tinha o registro de 19 entidades autorizadas a exercer o serviço de radiodifusão comunitária nos 16 municípios.

Na programação desses meios havia um predomínio de programas religiosos e musicais, sendo que os de caráter informativo apareciam em poucos casos. Esses instrumentos se mantinham nas mãos de igrejas e grupos políticos, mesmo a lei 9.612/98, que regula o setor, determinando um cunho educativo, artístico, cultural e informativo da região atendida.

Nesse caso, nos pontos onde a comunidade deveria participar no processo de produção do conteúdo, notamos a presença dos interesses individuais dominantes. Esses veículos, que deveriam cumprir um papel fundamental de difusão das existências locais, quase não promovem mudanças onde estão inseridos. No mundo atual, o direito à comunicação é fator primordial para a cidadania, pois garante a todo indivíduo a oportunidade de opinar sobre os contextos sociais.

Globalizar vs Regionalizar

Nesses tempos, é muito difícil o regional resistir ao global, mas ainda observamos alguns casos. Em 1967, o brasileiro Luiz Beltrão propôs a teoria da folk comunicação, que define os elementos folclóricos como o caminho para grupos populares desenvolverem sua comunicação, chegando de alguma forma aos veículos de massa.

A teoria surgiu da impossibilidade do acesso aos instrumentos comunicacionais massificados e de uso exclusivo das elites, assim, fortalecem-se os laços interpessoais dos grupos vulneráveis socialmente. Desta forma, o autor defende outro complexo de procedimentos para o intercâmbio de mensagens dessas classes, mais próximo de suas vivências.

Daí partiria um caminho para a comunicação e o conhecimento das classes que não detêm espaços ampliados na grande mídia para expressarem-se. Os instrumentos da cultura popular serviriam para a intermediação da informação produzida de fora para dentro e vice-versa. Esses meios são aqueles artesanais, elementos que muitas vezes já são considerados primitivos, sem uso por aqueles que controlam os instrumentos de informação pública.

Ao mesmo tempo que a comunicação se ampliou, muito do regional se perdeu. O uso dos elementos locais vem servindo mais para a publicidade e o mercado, que buscam a aproximação com suas audiências. É urgente a necessidade de expandir a cultura e a informação produzida nos bairros, pontes e locais de acesso popular. Talvez, desta forma, conseguiremos manter as identidades coletivas, além de propor um olhar para dentro das realidades que nos cercam.

*Daniel Cordeiro Alves é jornalista por formação, assessor de comunicação e especialista em Estudos Culturais e Políticas Públicas pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).

Entre Alguém e Ninguém, Regina tem razão! – Por @yurgelcaldas

Por Yurgel Caldas

Não. Regina Duarte – a ex-atriz e agora secretária especial de cultura do governo Bolsonaro – não é uma surtada, nem maluca, nem insana, nem doida, nem fora de si ou qualquer ideia que a retire de seu lugar de um ser que goza de perfeita racionalidade.

Regina Duarte não precisa ser interditada ou necessita de qualquer tratamento de cunho psicológico ou algo que o valha. Regina Duarte tem razão, e isso não significa que ela esteja certa, pois que apenas mostrou, como muitos nesse governo, que possui a racionalidade de que os humanos são dotados.

Regina Duarte apenas mostrou seu lado mais lúcido e claro de alguém afinada com a necropolítica do atual presidente: minimizou as mortes na ditadura militar brasileira e justificou o a omissão de sua secretaria em razão das mortes de artistas brasileiros que recentemente se foram – inclusive disse não conhecer Aldir Blanc, o Aldir Blanc, um dos letristas mais geniais da história da Música Popular Brasileira.

Além disso, Regina Duarte (agora, mais do que nunca, sem o filtro da representação teatral que envolve as personagens de sua vasta carreira, consagrada, aliás, como a Namoradinha do Brasil) não sabe conviver com o contraditório quando ficou ainda mais nervosa, na antológica entrevista concedida à CNN Brasil ao ter que discutir com sua colega, a atriz Maitê Proença, que cobrava uma atuação mais próxima da classe artística – afinal, estamos lidando com a Secretaria Especial de Cultura, que não é mais Ministério.

Regina Duarte, de posse de toda a sua racionalidade, teve todo o tempo do mundo para analisar o convite feito pelo próprio presidente para assumir esta dita Secretaria, e resolveu entrar para o Governo porque foi perfeita para o cargo e se alia a todo o planejamento desse grupo que tem assolado a economia do Brasil, tentando apagar a memória artística e cultural de seu povo. Regina Duarte, como ela mesma declarou, depois de um namoro, resolveu “casar” com Bolsonaro assumindo a Secretaria.

Ainda durante a campanha para presidência, Regina Duarte, em um encontro privado com o candidato Bolsonaro, declarou que ele “é um doce de pessoa”, e que as atrocidades que ele sempre disse eram “apenas da boca para fora”. Lá atrás, na campanha de 2002, Regina Duarte, durante o segundo turno das eleições, participou de uma peça do candidato José Serra, declarando que ela tinha medo da eleição do Lula, que acabou se concretizando. Aquele medo da Regina Duarte era o temor das elites econômicas e o medo da visão patriarcal e colonialista, que nunca deixou de lado os privilégios escravocratas, como o que pauta, por exemplo, o prefeito de Belém a declarar como “serviço essencial” o das empregadas domésticas.

 

Regina Duarte se arrisca a ser Ninguém quando deixar o governo, e isso será breve– ela será alguém que apaga sua própria biografia ao entrar para este governo, que se elegeu sem qualquer plano para a cultura do país. Regina Duarte sabe muito bem o que faz. E não se enganem: Regina Duarte, aquela dotada de razão, logo será uma Ninguém que terá passado por este governo, mas ainda há milhões de Reginas desfilando sua ignorância por esse Brasil afora.

*Contribuição do amigo Yurgel Caldas, que é professor de Literatura da Unifap e do Programa de Pós-graduação em Letras (PPGLET) da mesma instituição.

Amor nos tempos das “LIVES” – Por @Orlando_Fla_Jr

Por Orlando Júnior

Eu revisitei um clássico de García Marquez pra tentar entender o que vivemos, e agora acho que cheguei a uma conclusão: nós não nascemos pra viver juntos.

O amor que nos une, nos separa. A vida em um confinamento só te ajuda a saber que você não nasceu para estar junto, calma, não estou fazendo propaganda de separação de casais, mas a conclusão é tão óbvia que não vemos porque queremos forçar uma união que não temos.

Nós precisamos de espaço, de um lugar só nosso (nem que seja o banheiro), ninguém precisa que o outro esteja te olhando fazer o almoço, tirar o lixo ou lavar o tênis. E quando chega a noite e você vai ficar pensando no chulé do tênis que ele/ela não sabe lavar ou que não lava igual a você?

Quem necessita saber que ela/ele faz tudo cantando (muito desafinado), acabando com aquela música que você gosta tanto? Porque isso é importante? Nunca foi.

Rápido, pensa, agora, nos tempos de vírus, qual a necessidade de você saber detalhes da pessoa que é tão querida, mas que também tem tantos adjetivos (bons ou ruins) que você, apesar de estar junto há 5, 10, 15, 30 anos, não conhecia, e não é legal? Nenhuma.

O amor vai prevalecer, mas, seja honesto com você: vai ser PH…ficar lembrando essas merdas. Esse vírus é destrutivo; destrói vidas, não só fisicamente, derruba teu emocional e, pior, acaba com o resto do encanto do outro.

Ele separa, não para sempre (ele é o oposto do juramento do casamento), mas te faz querer estar em outro quarto, sala ou cozinha, porque é impossível sentir tesão por uma pessoa na qual tá se esfregando o dia inteiro.

Porque rememorei o clássico da literatura? simples, em “Amor nos tempos do Cólera”, Gabriel Garcia Márquez cria um triângulo amoroso pra mostrar a complexidade das relações. Essa complexidade é que faz o amor interessante; quando o confinamento torna isso simples, quando mostra, nos mostra a olho nu o outro, fica meio, sabe, sei lá.

Ainda bem que somos mais que um romance do Gabo, e a gente continua se amando, com as lives sertanejas, pagodeiras e melosas (nem vou falar do Big Brother).

No próximo vírus, espero que os chineses, mexicanos, americanos, ou quem quer que seja o responsável, avise, quero fazer um bunker e ficar sozinho com as lives; mas de vez em quando voltar pro aconchego do meu quarto, porque quem gosta de solidão é jogador de paciência.

*Orlando Júnior é professor universitário, bacharel em Direito e servidor de carreira da Justiça Eleitoral, além de figura gente fina e amigo deste editor.

Nelson Teich tem atuação patética à frente do Ministério da Saúde

 


Tem sido patética, para dizer o mínimo, a performance de Nelson Teich como ministro da Saúde.

Ele tem sido uma espécie de ministro das platitudes – aquele que todo dia, o dia todo, só diz coisas óbvias, banais, triviais, como se tivesse um repertório fechado de limitadíssimas respostas para mil e uma perguntas que lhe são feitas.

Teich, uma entrevista sim, outra também, repete que faltam informações sobre a Covid-19 para que se possa saber como lidar com ela.

Gente, isso é de uma obviedade solar.

E enquanto não temos as informações, o que ele vai fazer de concreto? Teich não diz.

Há pouco, em entrevista, indagado sobre o aumento recorde de mortes em 24 horas, o ministro disse não saber o motivo.

“Não sabemos se representa um esforço para fechar o diagnóstico ou se é uma linha de tendência de aumento. A gente avalia todo dia”, avaliou, acrescentando que, “se for uma linha de tendência de aumento, os números vão aumentar cada vez mais”.

Hehehe.

Entenderam? Eu não, sinceramente.

Na mesma entrevista, Teich voltou a dizer que “tem que mapear no dia a dia” para definir critérios e estratégias de flexibilização das medidas restritivas. “A gente defende o que é melhor para a sociedade”. Sim, mas e daí?

Teich é patético.

Fonte: Espaço Aberto

OS ZUMBIS E O MENTECAPTO – Por Fernando Canto

PREÂMBULO

Escrevi o texto abaixo na véspera da eleição do segundo turno para presidente da República (28 de outubro de 2018) e por isso mesmo fui muito criticado pelos bolsonaristas de então que festejaram a vitória do seu candidato por dias e noites, até a posse e depois dela.

Por eu ser um democrata que sempre se manifestou contra qualquer governo tirano, seja ele de qualquer viés ideológico, vi que fiz uma análise sobre o quadro eleitoral que se interpunha entre o caminho democrático do país e as possíveis ações políticas de extrema direita propostas pelo então candidato que ela representava. Com sua vitória foram inevitáveis as críticas expressas nos sorrisos irônicos dos meus colegas de trabalho, de bar e até de familiares.

O quadro eleitoral de então não me fez vidente, mas me fez vislumbrar sociologicamente o que seria o país na mão de um homem despreparado como o eleito, que chamavam até de “mito”.

Hoje, após seus pronunciamentos infelizes nos meios de comunicação, vejo que eu estava certo ao escrever o texto abaixo, sendo que sua fala, ontem, em rede nacional, me fez considerá-lo mais que um mentecapto e ter a certeza que sua imbecilidade diante da grave condição epidêmica do corona vírus que grassa no país, é o top da irresponsabilidade política contra os cidadãos brasileiros. Sobre os seus seguidores zumbis arrependidos, que engulam o seco de seus interesses políticos e econômicos.

Para terminar este prólogo, informo que por todos estes meses aceitei o novo presidente, mesmo sabendo que ele não é o ideal para o Brasil, pois sempre fui a favor da alternância dos poderes, desde que eles não se tornem formas espúrias de governar nosso país, como me parece agora, se transformando de forma negativa nas mãos de um maluco e seus apaniguados políticos. Isso nunca mais, ainda que o vírus da ignorância continue grassando nos pulmões dos brasileiros pela contramão da História (F.C.).

Darth Sidious – Filme Star Wars

OS ZUMBIS E O MENTECAPTO

Por Fernando Canto

A palavra opinião tem a ver com conceito, ideia, doutrina, crença, capricho, juízo, reputação, parecer e até modo de pensar. Filosoficamente é uma atribuição de verdade ou falsidade, mas não é certeza. É uma asserção não-objetiva nem subjetiva. Entretanto, também é um ponto de vista que pode se tornar ideologia a partir de sua frequente manifestação entre grupos que se ligam sem a presença física e que se sustentam mais pela propaganda que lhes é incutida do que pela certeza ou pela objetividade dos seus valores implícitos.

Filme Guerra Mundial Z

Na minha opinião, grupos de opinião que estão à direita da História, que cultuam valores odientos do passado, estão fadados a cair como as pedras de dominó enfileiradas após a queda da primeira ou como as balizas de madeiras em feitio de garrafas, do jogo de boliche ao primeiro toque sutil da bola. E é exatamente nesses grupos que me detenho para falar das eleições que amanhã vão mover o país, já crucificado por um governo espúrio, que se move sub-repticiamente em suas últimas ações de conchavos políticos no palácio do Planalto e entre os que saem e os que entram no Congresso Nacional. É a espera de um novo palimpsesto histórico que se repetirá mais uma vez como farsa, se por acaso venha a ganhar o pleito.

Filme Guerra Mundial Z

Porém, a ordem hoje é superar dialeticamente o que pode vir de ruim daqui para a frente, pois Lord Vader e os outros prepostos do Imperador estão na linha de frente, no front de uma saga indubitavelmente cruel para o nosso país, onde os influenciáveis soldados vão a loucura com as “propostas” emanadas por um pretenso líder de um exército de zumbis. E de um mentecapto tudo pode se esperar, principalmente se no seu grupo disseminador de ideias estão presentes outros paranoicos que em tudo veem a possibilidade de destruir para tentar construir novamente a seu modo.

Darth Vader – Filme Star Wars

Entretanto e por outro lado, o contágio pode ser do vírus da esperança, do vislumbre de novos avanços e de uma democracia onde as aporias fiquem apenas no campo filosófico e do diálogo e não no estouro de um disparo que poderá ferir o sonho conquistado e transformá-lo em pesadelo permanente.

Filme Star Wars

A tensão visceral provocada pelas falsas notícias não poderá abalar as mentes lúcidas, a não ser que penetrem a fundo naquelas predispostas a terem vertigens provocadas pelo impacto esterilizador da vontade. E isso o mentecapto e seu grupo de lobos faz bem, diga-se assim.

Filme Star Wars

Mas não será por isso que serei impedido de sempre sonhar com a evolução da nossa democracia à brasileira, impermeável que estou às agruras políticas, e reflexivo diante do “espelho da fraternidade cósmica, que é a sociedade humana”, ou de um poema, no dizer de Octávio Paz.

Photo Illustration by Elizabeth Brockway/The Daily Beast

Dos discursos de resistência dos difíceis tempos em que fui guardião, com meu canto solitário e quase anônimo, hoje também estou diante do nascimento de um poder ameaçador com suas engrenagens reificadoras que deterioram a natureza humana e as potencialidades dos homens. Entretanto, tenho a ESPERANÇA de milhões de homens e mulheres e crianças que acreditam que ela seja fundante, construtiva e alicerçante, e que é capaz de ser partilhada com os eleitores sensatos, meus semelhantes brasileiros, amanhã, ainda que o barulho das armas de fogo ensurdeça os zumbis do mentecapto.

Filme Star Wars

Pela liberdade, que a Força esteja conosco!

Hoje é o Dia do Leitor

Hoje é o Dia do Leitor. Li que a data surgiu por conta de ser o mesmo dia do aniversário do jornal cearense “O Povo”, fundado em 7 de janeiro de 1928, e foi uma sugestão do poeta e jornalista brasileiro Demócrito Rocha.

Quanto a data, vale a pena celebrar a nobre prática, pois sigo a velha máxima “ler para ser”. Sei da importância da Leitura, de devorar um livro e sorver conhecimento, mas o advento da internet enfraqueceu a prática. Atualmente, a maioria das pessoas lê somente o resumo, a sinopse, a crítica e por aí vai. Isso, quando o faz.

Nunca fui um leitor inveterado, mas aprendi muito com os livros e, sempre que posso, leio. É fundamental na minha profissão. Por meio da leitura, viajamos, aprendemos, voltamos ao passado, imaginamos o futuro, exercitamos o cérebro.

Para os que não gostam ou tem preguiça de ler, digo: já fui como vocês. Cada um com seu tempo e aptidão. Porém, acreditem, não é legal ficar calado numa roda de leitores. Ademais, é muito prazeroso, estimula nosso raciocínio e criatividade. Quando você para de ler livros, você para de pensar.

Detesto os pseudointelectuais medonhos, que pagam de safos e não leem nem bula de remédio. Também não gosto dos que são leitores crônicos, mas por conta disso são “posers” (metidos a besta que se acham mais que os outros). Porém, as pessoas do segundo caso são uma minoria.

Os malucos mais interessantes que conheço são leitores. Já dizia Cícero, “uma casa sem livros é como um corpo sem alma”. Escrever de forma correta, abrir as ideias e convencer pessoas com bons argumentos são frutos da leitura. Ler fertiliza a cachola, assim como música, filmes e viagens.

Se você não se satisfaz com explicações fajutas e sempre vai atrás de conhecimento por meio da leitura, mesmo que não seja somente nos livros, meus parabéns. A mente do leitor pode ir até as estrelas ou além delas, ao lugar onde o livro e a imaginação nos permitirem ir.

Estou em uma fase de aumento das leituras e recomendo a todos o mesmo.

Feliz Dia do Leitor a todo o leitorado que visita este site diariamente. É isso!

Elton Tavares

Carta Aberta ao Papai Noel – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Fala Noel, beleza? Muito trampo nessa época do ano?? Espero que sim. Muito bem amigo, a gente já se conhece há um tempão; exatamente 39 anos, né, Camarada? E eu te admiro muito, muito mesmo.

Sei que você não ia abandonar suas vestes vermelhas, com o risco de ser confundido com petista e colocar em risco até sua integridade física, porque pela mental meu velho, não coloco a mão no fogo. Tá difícil por aqui, mas nada que uma revigorante pausa na politica não dê jeito. Ah, não vai entrar nessas de sacanear os direitos dos duendes; isso entrou na moda no nosso mundo, onde a lenda do patrão legal voltou com força total. Por favor, não caia nessa.

Fiz de tudo para me comportar bem; dei umas escorregadas aqui, outras acolá, mas parei de brigar com muitas pessoas. Ou seja, deixei elas serem o que são e tento conviver do jeito que dá.

Mas como já disse, tá difícil. Cara, tão andando até com suástica no braço, vê se pode. Tu sabes que o diálogo com essa turma é soco na cara. O menino ou menina que bater em um nazista ou fascista merece dois presentes, tá bom?? E pra essa turma descarada, que tal uma longa internação em Auschwitz? Aí, talvez esses canalhas aprendessem. Fica minha sugestão.

Ah, aproveita a deixa e conversa com Jesus, o primeiro bom menino, e fala que o exército dele anda meio desfocado, um papo de “arminha” com a mão, na marcha em nome dele, quebrando uns terreiros de umas senhoras aí, sabe? Uma coisa muito feia. O foco da mensagem que me lembro era amor. Mas acredito que um “pito”, do filho do homem, seria um ótimo presente. Fica aí minha outra sugestão.

Ei Noel, na boa, passa reto da turma que anda pedindo AI5 e a volta da Ditadura. Por favor não me decepciona. De presente a eles, dá só o perdão, eles não sabem o que falam.

Agradeça ao presidente por ter melhorado o Zorra Total e o Punk Rock. Isso estava meio caído, e as ações do novo governo fizeram este lado melhorar.

No mais te peço saúde. Pra mim, meus filhos, familiares e muitos amigos que eu ainda tenho. Eu sei que abusamos, mas não custa nada.

Sem ser chato, já sendo (risos) peço a ti que conceda alegria nesta noite na casa de todos, que nenhuma casa falte sorriso, renove as esperanças de quem anda meio para baixo, e dê a eles o dom de acreditar em si mesmos.

No mais, meu querido velho Batuta, te peço um ano melhor. E que as preces boas de todos sejam realizadas.

Eu desejo um feliz Natal a todos e que a felicidade seja uma constante na vida de cada um.

Beijão no coração de todos.

*Marcelo Guido é Jornalista. Pai da Lanna e do Bento e Maridão da Bia.

Nostalgia e Luz – Crônica de Natal de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Hoje de manhã me vi subitamente abatido por um ataque de nostalgia.

No meu caminho para o trabalho observei um homem ateando fogo no lixo. Tinha uma vassoura nas mãos e cuidava com atenção para que as chamas não se espalhassem sobre a calçada. Aquele ato, pensei, era um resquício da herança cultural indígena tão presente em nossa vida cotidiana.

De repente me veio a lembrança do tempo que Macapá caminhava lenta, em sua vivência pacata sob o sol do equador, quando vizinhos se respeitavam e eram amigos; quando cada um sabia das necessidades do outro e ninguém hesitava em pedir uma xícara de óleo, um pouquinho de farinha, um teco de colorau, de pó de café ou de pimenta-do-reino, ou quando trocavam gentilmente deliciosos pratos de comida, feita com abundância para a família.

Lembro que às vezes, pela manhã, minha mãe varria as folhas do cutiteiro que sombreava a frente de nossa casa e fazia a sua fogueira no lixo amontoado. Ele também era o alvo dos moleques da baixada que quebravam nossas telhas com as tentativas de apanharem os frutos jogando pedras e paus na árvore. A pequena fogueira fazia pouca fumaça, mas ia se juntando com a fumaça da vizinha e da outra vizinha e da outra vizinha. E ninguém se incomodava porque a fumaça era fugaz, se dispersava com o vento vindo das marés do Amazonas, lá adiante.

À noite trafegava em sua beleza estelar na escuridão. Crianças brincavam de roda à boca da noite e adolescentes gastavam suas energias na brincadeira de “pira” ou de “bandeirinha”, sob a luz da lua ou das lâmpadas pálidas dos postes da CEA. E, quando a luz se apagava, íamos até mesmo ouvir dos mais velhos as histórias de assombração, pregar peças de visagens aos poucos passantes da noite ou observar os satélites que cruzavam os céus do equador entre as estrelas.

Naquele tempo meu pai deixava aberta a porta de casa para que eu e meus irmãos não incomodássemos seu sono, certo de que ninguém ousaria abri-la para roubar. Era um tempo em que bastava a presença de um cãozinho para o possível gatuno se escafeder. E até as criações de galinhas e patos não eram protegidas da ousadia das “mucuras velhas” de plantão, que roubavam os animais para fazer tira-gosto de suas bebedeiras noturnas. Ah! E como eles sabiam fazer isso. Há casos em que roubavam a própria casa.

Os quintais não tinham cerca, tinham caminhos de atalhos, tinham campinhos, leiras de verduras e árvores frutíferas. As ruas eram tão nossas que ao fim da tarde viravam campos de futebol, em jogos que só terminavam ao anoitecer. Cada um respeitava seu cada qual: o dono da bola podia ser ruim no jogo, mas era o dono, e pronto. Ninguém furtava a merenda do colega nem caderno nem brinquedo.

Ainda que eu não queira culpá-la, mas depois que a televisão chegou nada mais foi igual. A molecada ia assistir a programação na casa do seu João de Deus onde havia o único aparelho de TV no bairro. Seu João colocava um vidro azul no vídeo para que as cenas das novelas “Meu Pedacinho de Chão” e “Vejo a Lua no Céu” parecessem mais coloridas. Doce ilusão! E dava o exemplo de patriotismo acompanhando em pé com a mão no peito o Hino Nacional, no fechamento da programação, por volta de meia-noite. O sagrado jantar familiar ficou mais apressado porque a novela ia começar e todos iam para a sala assistir aos folhetins de Janete Clair.

Mas ainda que brote da minha memória, eu não vejo com saudade essas lembranças. A saudade é mais profunda, é mais poética e mais densa que a nostalgia, que é uma palavra originária do grego e significa “regressar”, “voltar para casa”. E nesse regresso emocional, observo que as pessoas quase já não varrem as folhas que caem das árvores na frente de suas casas, nem fazem mais fogueira com medo de denúncias de vizinhos aos órgãos ambientais e por acharem que é um trabalho exclusivo dos garis da Prefeitura. E assim, as fumaças que eram como bandeiras ou cantos de galos se espalhando, já não enfeitam mais as manhãs ensolaradas da minha cidade. A solidariedade dos vizinhos foi substituída pela individualidade de cada morador aprisionado em suas portas e muros gradeados, pelo medo tácito da violência urbana.

As pedras jogadas nas mangueiras e cutiteiros se transformaram em duras palavras atiradas até em quem não tem telhado de vidro. A energia vital dos adolescentes é gasta nas baladas, quando longe dos pais, muitos enveredam pelos caminhos das drogas. As antigas histórias de assombração agora são contadas pelo Rádio e pela TV nos noticiários da violência no trânsito, brigas de gangues e mortes cruéis por motivos fúteis. O olhar real da juventude que acompanhava o curso dos satélites no céu escuro da noite tornou-se um virtual olhar, onde o romantismo de outrora foi trocado pela racionalidade dos programas dos computadores e celulares on line na Internet e pela comunicação ingênua das redes sociais.

Ah, os ladrões… Desde que mundo é mundo temos ladrões, prostitutas e assassinos e os seus trabalhos diferenciados sob a Lei, porque não há sociedade sem crime, ainda que teimemos em construir nossa utopia. Os ladrões de um passado (nem tão longe assim) eram de patos e galinhas, que ao menos não sujavam o nome de nossa terra e nem nos envergonhavam nacionalmente com negociatas políticas e atos de corrupção explícita.

Nem se comparam com muitos da atualidade que usam a pele de cordeiro para, como lobos ferozes, roubar o dinheiro público, enriquecer às custas do povo e trair cinicamente os que neles confiaram pelo voto. Naquele tempo as cercas inexistentes nos quintais davam a todos a liberdade de fazer seus próprios caminhos, de realizar seus atalhos e se apressar para a vida que viçava lá fora, principalmente pelo caminho da educação, pulsante nas escolas públicas, onde os professores eram mais que isso: eram educadores e amigos. Ensinavam também, como no ato do seu João de Deus em frente à TV ouvindo o hino nacional, a respeitar os valores da Pátria, apesar da era de obscurantismo da ditadura militar.

Hoje olhamos para os costumes sociais e familiares em mudança e nos molhamos de nostalgia. Tudo mudou com os avanços tecnológicos, que tanto facilitam a nossa vida. E tudo começou com a televisão, essa invenção incrível, pois quando a luz apagava na hora de um programa ninguém mais conversava. A família ia para o pátio da casa olhar a rua espelhada de chuva, e uns se perguntavam aos outros: será que foi geral? Será que ela vai voltar? Já pensou? Ficar sem TV o resto da noite… Afirmo, pois, com certa tristeza que foi aí que começou a morte do diálogo familiar.

E as ruas? Ora as ruas. Ruas de tempos abençoados que não testemunharam atropelamentos fatídicos, apenas quedas de bicicleta ou boladas na cara de algum passante desatento. Ruas da minha cidade transformada, ruas que hoje absorvem o sangue dos mortos diariamente em cada esquina, ruas não mais tangidas pelos protestos do povo inconformado, ruas esburacadas pela angústia no rosto da juventude sem emprego, ruas que se tornam rios de chuva e trazem doenças inevitáveis, ruas que lêem os passos cansados dos que tem pouca mobilidade física, ruas escuras, ruas das violências noturnas, ruas dos loucos, dos bêbados, das putas, dos travestis e dos moralistas de plantão.

Mas elas são também as ruas dos sonhadores como nós, que tentamos enfeitar a madrugada e trazer a música e o sol no cavalo alado da nostalgia, para iluminar um mundo futuro ausente de dor e de vergonha, mas cheio de luz e de perdão.

Não deixemos, pois, por isso mesmo, a luz ir embora dos nossos corações.

38 anos do soco de Anselmo Vingador – Um texto para flamenguistas

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Como bom flamenguista, sempre leio, assisto e ouço tudo sobre o Flamengo. Entre os títulos conquistados pela máquina rubro-negra dos anos 80, comandada por Zico, um fato marcou a Libertadores de 1981, conquistada no dia 23 de novembro daquele ano: um soco. Sim, uma porrada desferida por Anselmo, atacante do Flamengo no zagueiro Mario Soto, do clube chileno Cobreloa.

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Vamos por partes. Depois de passar invicto até a final, o Mengão, campeão brasileiro de 1980, decidiu com o torneio com o Cobreloa. No primeiro jogo das finais, realizada no Maraca, o time da casa venceu por 2×1, com dois gols de Zico. Na partida de volta, no Chile, o time do Flamengo apanhou muito dos donos da casa (agressões mesmo), liderados pelo zagueiro Mario Soto (o brabão) e acabaram ganhando o jogo por 1×0.

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Nessa partida, o Mengo ficou desfalcado dos jogadores Lico, com um corte na orelha e Adílio, ferido no olho. Ambos abatidos pelo defensor chileno. Li em algum lugar que ele agredia os jogadores brasileiros com uma pedra no punho fechado, se é fato, não sei dizer. Relatam jornais da época que o próprio Pinochet (um dos enviados de Satanás à Terra), nas tribunas, virou-se para um adepto e disse chocado: “Não está exagerando, o nosso Mario Soto?” Imagine como o cara estava “virado no cavalo do cão”…

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Então rolou a “negra”, uma terceira partida, em campo neutro, realizado há exatos 38 anos, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. O Mengão, que tinha infinitamente mais bola, venceu pelo placar de 2×0, com dois gols do Galinho.

Mario Soto, do Cobreloa do Chile, após levar um soco de Anselmo, do Flamengo, na finalíssima da Taça Libertadores da América de futebol. Montevidéu, Uruguai. Publicada na revista Placar, edição 1206, em 1223/11/2001, página 37.

Mas ainda faltava a forra contra Soto, foi aí que, no finalzinho do jogo, o técnico do Mengo, Paulo César Carpeggiani, chamou Anselmo, um jovem atacante de 22 anos, e disse: “ vai lá e dá um soco na cara do Mario Soto”. Anselmo entrou na partida, se aproximou do zagueiro chileno e, na primeira jogada, deu um pau na cara do chileno, que foi a nocaute. O lance causou um porradal, o jogador do Flamengo foi expulso junto com Mario Soto. A decisão logo acabou e o Flamengo virou campeão da América.

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Depois foi só festa. No desembarque do time no Galeão, a delegação se deparou com uma imensa faixa escrito: “Anselmo vingador!” Pronto, Anselmo era tão herói quanto Zico. Mesmo suspenso, o “Vingador” viajou com o time para o Japão, onde o Mengão derrotou o Liverpool e sagrou-se Campeão Mundial Interclube, em 1981.

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Li várias reportagens sobre este fato, mas as duas melhores declarações foram:

Este episódio exprime uma contradição insolúvel do futebol e da vida. Todos nós temos discursos humanistas e politicamente corretos em favor do espírito esportivo e do sentimento cristão. Mas quem sofre uma agressão covarde não esquece. Futebol é arte, balé, xadrez, mas é um jogo viril e abrutalhado em que façanhas como a de Anselmo refletem o alto grau de testosterona e de agressividade primitiva que nos leva a correr atrás da bola. Nosso lado civilizado homenageia aqueles que descartam a vingança física e se contentam com dar o troco na bola e no placar. Mas dentro de cada fã do futebol existe um brutamontes-mirim que não resiste à poesia de um murro bem dado” – Jornalista Braulio Tavares – Jornal da Paraíba.

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Tenho sobre essa porrada uma tese irrefutável – ali, graças a Anselmo, as ditaduras latino-americanas que assombraram o continente durante a Guerra Fria começaram a desabar. O destino do próprio Pinochet foi selado naquele momento. Não é a toa que, em recente pesquisa publicada na Inglaterra, acadêmicos de renome consideraram que as três quedas mais impactantes da história foram a do Império Romano, a do Muro de Berlim e a de Mario Soto na final da Libertadores.” – Luiz Antonio Simas, professor carioca.

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Anselmo Vingador!

Bom, acredito que em certos momentos, extremos claro, um murro vale mais do que mil palavras (risos). Aquele soco lavou o peito de milhões de rubro-negros. Viva o Mengão e o Anselmo Vingador! Há 38 anos, direto do túnel do tempo…E hoje seremos novamente campeões da América. Mengão sempre!!

Elton Tavares – Jornalista e flamenguista em tempo integral (e bom de porrada, rs).  

O PROBLEMA QUE QUASE TODO MUNDO TEM COM A MÃE – Por Mariana Distéfano Ribeiro

Participar de uma terapia em grupo, do tipo constelação familiar, renascimento, ou qualquer outra coisa dessas terapias holísticas naturais e não convencionais, é uma experiência que muda a vida de uma pessoa. Acho que porque são terapias que não tratam a mente ou o corpo físico, mas sim, o espírito, o corpo etéreo.

Na terapia de constelação familiar, quase todo mundo tem problemas com a mãe. Alguns são mais tranquilos e outros mais graves, mas é quase todo mundo mesmo. A título de exemplificação: geralmente em um grupo de umas vinte pessoas apenas umas duas não têm embaraços profundos com suas mães. Desses dois, um tem um nozinho de boa, que se cura com uma palavra de perdão ou gratidão. O outro, que é raro, não tem qualquer problema com a mãe.

Às vezes é um imbróglio tão profundo que a pessoa precisa de muita terapia para alcançar a cura. As mães têm um poder espantoso sobre os filhos. Acredito que seja alguma coisa mais profunda do que nossas mentes industriadas possam compreender. É algo que somente a consciência e o espírito conseguem dissecar.

As pessoas têm que parar de endeusar o instituto da maternidade. Existem pessoas ruins no mundo, não existem? Psicopatas sociais, gente manipuladora, mentirosa, invejosa, preconceituosa, dissimulada, sugadora de energia do próximo, gente nociva mesmo. Essas pessoas são seres humanos como qualquer outro e, assim sendo, também se reproduzem e se tornam mães e pais.

Aliás, já assistiu Mindhunter? Aquele seriado da Netflix em que dois investigadores e pesquisadores do FBI entrevistam vários assassinos em série na década de 70, sendo a maioria deles psicopatas. Tem um episódio em que o personagem principal, que o investigador pesquisador, fala: “é sempre a mãe”. Enfim, é muito bom, recomendo.

Voltando ao rumo da prosa, eu falo aqui apenas da mãe porque é estatístico, os terapeutas sempre falam: a mãe geralmente é a figura principal no subconsciente do filho, o pai, por consequência, geralmente é secundário. E, sendo assim, nem vou discutir a figura materna sob o aspecto feminista, porque essa discussão pertence a outras searas – a sociológica, a política, a comportamental, etc.

Uma pessoa má, nociva, que engravida e se torna mãe, vai se transformar numa pessoa boa só porque pariu uma criança? Não né, gente. A maternidade não deve e nem pode ser sinônimo de perdão dos pecados, lavagem da alma e transmutação em ser imaculado. Parece que criticar uma mãe é um tabu, e criticar uma criança também parece ser.

Algumas mães escangalham de tal maneira a vida de um filho que muitas vezes é muito difícil para a pessoa recuperar o poder e o controle sobre sua vida. Mas, ainda assim, em alguns casos, com alguma autorreflexão, meditação e, principalmente, comprometimento, é bem possível sim conseguir curar-se sozinho.

Os terapeutas também falam que se você tem algum problema com sua mãe ou seu pai é melhor resolver logo. Porque as coisas da vida acabam sempre ficando meio atropeladas enquanto não nutrirmos gratidão, amor, perdão e respeito pelos nossos genitores. Afinal, foram eles que nos deram a vida, somos cinquenta por cento um e cinquenta por cento o outro. Mas isso também não quer dizer que você tenha que viver grudado no rabo da saia da sua mãe, né… Aliás, os terapeutas também falam que, geralmente, é melhor viver longe mesmo.

A gratidão é um dos sentimentos mais poderosos que existe. Falo da gratidão pura, sem expectativa nem contrapartida. Depois que a gente nutre gratidão o amor vem naturalmente e sempre substitui o ódio, o rancor e dá lugar ao perdão.

Então [email protected], se existe alguma coisa que te incomoda com relação a seus pais, ou seus filhos, ou seus irmãos, ou a qualquer pessoa, é bom parar, refletir, meditar e fazer brotar a gratidão de dentro para fora, naturalmente e sem forçar a barra. Mesmo que demore alguns vários anos, um dia vai acontecer e aquele sentimento ruim que sempre fez parte de você vai sumir e você vai sentir um alívio imenso.

Vai por mim. O que você tem a perder ao desenvolver perdão e gratidão? Orgulho talvez? Ah, mas esse já não vale muita coisa mesmo. Larga mão, se desprenda e deixa fluir.

*Além de feminista com orgulho, Mariana Distéfano Ribeiro é bacharel em Direito, servidora do Ministério Público do Amapá e adora tudo e todos que carreguem consigo o brilho de uma vibe positiva.

Ninguém lê! – Crônica de Lulih Rojanski

Crônica de Lulih Rojanski

O que você está lendo? Qual foi o último livro que leu? Onde está o último livro que comprou? Quando o comprou? Onde está o último livro de cujo lançamento participou? Na estante, intacto, ignorado? Eu sinto muito por tudo isso. Honestamente, sinto muito, porque conheço as verdadeiras respostas a estas perguntas, por mais que nas redes sociais a maioria prefira dizer orgulhosa que está atolada em leituras, que tem dormido com Honoré de Balzac debaixo do travesseiro, que gastou em livros boa parte do décimo terceiro salário, que não vive sem Fernando Pessoa… Livros estão ficando no tempo do era uma vez. Editoras estão fechando as portas. Editores estão negociando selos com distribuidoras de literatura vendável e meia-boca. Escritores estão morrendo de desilusão com a cara enfiada na poeira de velhos livros, em arcaicas bibliotecas.

O grande leitor está morrendo. Ele sabe que só é importante para uma geração que está se extinguindo, vagando espaço para os grandes leitores de palavras abreviadas e emoticons sorridentes. Poesia é uma coisa de que o grande leitor de agora ouviu falar mas não sabe exatamente o que significa, como funciona, em que botão se aperta. Conto e crônica são coisas que um professor mencionou, mas ele não se lembra se foi na aula de geografia ou no último filme que baixou no computador. Ele pensa que romance é apenas uma anacrônica história de amor, mais desusada que um rádio de pilhas.

Estou contrariada. Não pertenço a este tempo em que redes sociais influenciam mentes mais do que os livros…

Eu não me preocupo com quem vai se ofender com o que digo. Os ofendidos estão de carapuça. Os que não estão compartilham da minha dor.

Fonte: Para-raio

A falta que o Projeto Botequim faz nas terças-feiras de Macapá – Republicado por motivos de terça-feira

Foto: Amapá da Minha Terra

Hoje é terça-feira e por mais de 20 anos, nas terças, o macapaense tinha uma opção cultural: o Projeto Botequim. Realizado de 1994 a 2016 pelo Serviço Social do Comercio (SESC – AP), por mais de 20 anos a iniciativa fez a alegria dos amantes da música na capital amapaense.

Dos anos 90 até a primeira metade da década seguinte, o projeto rolou no Sesc Araxá e posteriormente, o Botequim migrou para o Sesc centro. Há uns dois anos, nós, notívagos de Macapá que adoramos boas canções, arte e cultura, ficamos órfãos dessa opção, extinta pela atual administração do Sesc.

Conversei com músicos, frequentadores e servidores do Sesc, eles disseram que o Projeto não dava prejuízo e nem lucro. Então por qual motivo o Serviço “SOCIAL” do Comércio acaba com um bem tão importante para o comerciário e para a sociedade como um todo como o Projeto Botequim? Perguntei a eles e responderam:

“O Sesc promove exposições, festivais, saraus sobre tema populares às nossas múltiplas culturas, realidades e sociedades. Na área musical realiza eventos para levar ao público instrumentos e ritmos que traduzem um universo rico e genuíno. No Estado do Amapá, gerou o Projeto Botequim, que ofertou por mais de 20 anos oportunidades aos artistas locais um palco para expor sua arte e a população à oportunidade gratuita de apreciação da melhor produção cultural musical tucuju.

Em 2017, infelizmente, o Botequim ainda não teve continuidade, visto que aguarda aprovação do Departamento Nacional com o custeio e apoio financeiro para subsidiar o referido projeto. O Regional Sesc Amapá continua com o compromisso na difusão da cultura, principalmente na modalidade de música, através dos demais projetos: Sesc Canta, Sonora Brasil, Sesc Partituras, Aldeia de Artes Sesc, Amazônia das Artes e Saraus para as todas as tribos (Em 2019 idem!).  

O regional Sesc Amapá, principal agente a querer o retorno do projeto, segue trabalhando para voltar a celebrar a cultura amapaense por meio de tão bonito e importante projeto”.

Bom, é verdade que o Sesc segue no trabalho cultural descrito aí em cima, mas será que precisava mesmo extinguir o Projeto Botequim? Será que um espaço tão importante para jovens talentos amapaenses, com uma nova programação realizada semanalmente, precisava deixar de acontecer? Tinha que cortar na carne logo essa iniciativa essencial para a inclusão de novos músicos, que agora não possuem um evento tão necessário. Ali sempre foi sucesso de público e crítica. Sim, pois o Botequim vivia lotado.

Era sempre assim, de 20h à meia-noite das terças-feiras, sabíamos para onde  ir. A gente amava o Projeto!

E assim como o Botequim, as boas práticas de Macapá parecem ter um prazo de validade. Os bares com o modelo violão e voz já são escassos nestes tempos.

Espero realmente que o Sesc volte com o Projeto Botequim nas terças -feiras e que o órgão volte a ser um agente de democratização do acesso à cultura semanal. Não se trata somente de entretenimento e diversão com educação, mas a promoção de cultura com qualidade como sempre foi e não deveria acabado.

Eu sempre divulgava e ia ao Sesc nas noites de terça desde 1994. Fica a nossa crítica e apelo para que o Projeto Botequim seja retomado o quanto antes. E fim de papo.

Elton Tavares

*Texto de 2017. Republicado por hoje ser terça-feira.