Escrotos legais, falsos bacanas e a velha conveniência – Crônica de Elton Tavares (ilustrada por Ronaldo Rony)

Um dia, durante uma conversa com uma amiga, ela disse: “existem pessoas com grandes qualidades, que abafam seus defeitos, mas ninguém está imune de ser escroto”. Concordo plenamente! Não que eu possua conhecimento amplo sobre a natureza humana. É só meu achômetro mesmo.

Não sou santo. Procuro não fazer mal a ninguém. Meu falecido pai sempre dizia: “Não faça mal a ninguém e já estará fazendo o bem”, e tento me nortear por essa filosofia. Mas muitos me acham escroto – ledo engano. Só sou autêntico e sei dizer não. Também não faço média, não me iludo ou me empolgo facilmente.

Sei que é preciso respeitar a liberdade, seja das ideias, artística, comunicação, etc. Até aí, tudo bem. Pois discordar é preciso, afinal, o debate de idéias é que formula teorias e métodos para o desenvolvimento humano. O problema é a minoria impertinente e maldosa. Esses me deixam aporrinhado.

Acredito que existem pessoas más tentando ficar boas e que figuras que foram legais a vida toda se tornam babacas, da noite para o dia, muitas vezes por conta de motivos pífios.

Como eu já citei em outro texto, em um de seus contos, o escritor alemão Franz Kafka disse uma vez: “existem bestas-feras”, que detonam tudo, ferram com a sua vida. Mas mesmo sendo feras, não deixam de ser bestas”. Cirúrgico!

Por exemplo, muitos, que não me conhecem, pensam que sou um boçal. A quantidade de amigos que tenho (e me gabo sempre disso), que são muitos, desmente tal discurso. Tudo bem, às vezes sou insolente, pois nunca fui dado a hipocrisias e acredito que, em dadas ocasiões, uma porrada é mais do que justificável.

É com coração entrecortado de tristeza que vejo pessoas queridas embarcarem na onda desses vermes numa passagem subterrânea escurecida. Um dia esse show de horrores acaba por si só. Pois esse pessoal não consegue fingir pra sempre. Esse texto é um recadinho para os que acham que não sei das coisas. Detesto meias verdades e mentiras sinceras. E isso é coisa séria. Muito séria.

Conheço muitos escrotos legais, que são turrões, geniosos e até mal educados, mas possuem boa índole e falam tudo pela frente. Mas também saco falsos bacanas, que distribuem simpatia, fazem sala, capa e demais artifícios comportamentais para algum tipo de proximidade. Estes são verdadeiros mestres em sua escrotidão.

Enfim, bondade e maldade são trabalhadas de acordo com seus respectivos interesses e conveniências. Mas fica a dica: eu sei!

Quem só tem martelo pensa que tudo é prego.” – MARK TWAIN.

Elton Tavares

Expressão que Identifica – Crônica pai d’égua de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

A frase “Que coisa pai d’égua!” ouvida por algum visitante de outras paragens brasileiras pode ser compreendida imediatamente pelo sentido da empolgação que comunica. Sua pronúncia externando algo maravilhoso é compartilhada pelo receptor, que daquela hora em diante vai entender verdadeiramente um pouco mais desse regionalismo tão arraigado da área leste da Amazônia.

Linguagem, como se sabe, é um bem cultural dos mais importantes. Sem ela não haveria comunicação, logo decodificação de símbolos e valores. E se ela movimenta a sociedade e seus atores, então suas expressões nascidas do povo têm mais é que serem ditas e preservadas, pois são patrimônios de todos.

Quando falo, ás vezes propositadamente, uma expressão ou palavra desusada logo vem a censura: “Égua, mas tu és velho, heim?!” Respondo: “velho nada, sou pesquisador, queria observar tua reação”. E a censura atual tem nome de moda, de substituição ou de imposição de palavras. Palavras oriundas das maravilhas da tecnologia que podemos reconhecer como importantes para o aumento do vocabulário e para o enriquecimento do idioma. Porém, ainda usamos essas expressões consideradas obsoletas, que sem dúvida nos identificam, tal como a velha “pai d’égua”, provavelmente originária do Nordeste, dita como referência irônica, “aquele pai d’égua”, equivalente à “cabra da peste” ou “cabra da moléstia”.

Ser “pai d’égua” na região amazônica é ser bom, legal, bacana, gente fina, etc. Pronunciada a expressão pode detonar admiração, deboche, susto, indignação, raiva e outros significados. No entanto sua redução (“Égua!”) pode complicar um pouco mais na comunicação. Minha amiga paraense H. que o diga: mestranda em Viçosa, casa alugada, empregada mineira, comida diferente, outros hábitos. E o tempo passando. Um dia, um pouco estressada pela exigência dos trabalhos acadêmicos e percebendo que a coisa não ia bem, pois a empregada só vivia aborrecida, perguntou a ela: “Escuta ô Rosa, por que você me chama a toda hora de ‘boba’? ‘Faz isso não, boba… tem pão não, boba… Que história é essa? Me respeita que eu sou sua patroa. ’ E Rosa falou: “Uai, sô! É a senhora que fica me ofendendo, me tratando mal, me chamando de égua. Égua isso, égua aquilo. Não sou égua não. Eu quero é a minha conta”.

– Pai d’égua essa! Era só o que faltava, pensou H. naquela hora, para depois cair na gargalhada.

*Do livro Adoradores do Sol, de 2010.

Hoje é o Dia Nacional do Homem (parabéns aos que são bons)

Hoje é o Dia Nacional do Homem. Data curiosa, pois para mim, todo dia é dia do homem, da mulher, da criança, do amigo, das mães, das avós, etc. Mas já que existe e neste site temos uma sessão chamada “Datas Curiosas” e algumas são justas homenagens a profissionais de determinada área ou de utilidade pública, vamos lá.

A data foi criada com o objetivo maior de reforçar os cuidados com a saúde dos homens (inclusive fazer exame de próstata). O Brasil é o país onde mais se comemora esse dia, porém, ele não tem uma repercussão tão grande e nem é tão comentado quanto o Dia das Mulheres (nem deveria, pois sabemos que para mulheres TUDO é mais difícil).

Bom, sobre o objetivo da data, nunca fui de me cuidar muito. Sobre os homens, conheci muitos de grande valor nessas quase quatro décadas e meia de vida. E alguns que não valem a pena nem lembrar.

Aliás, na minha família, tenho bons exemplos de como ser um bom ser humano. Meu irmão Emerson costuma dizer que nosso pai, que hoje em dia vive em nossos corações e memórias, nos ensinou a ser caras bacanas. É verdade!

Porém, uma mulher me ensinou – mais que qualquer cara – a ser um homem de verdade, a minha mãe. Sou grato aos meus pais pelo que sou. Graças a eles, não sou desonesto, traidor, caguete, vadio, entre outras tantas vertentes de pilantras.

Mesmo não sendo – com o perdão do gerúndio – politicamente correto, faço o que é preciso para tal, dentro das normas, leis e valores que absorvi durante minha educação.

Sou um homem do bem. Ou pelo menos tento, com todas as forças. É verdade que não me dou muito bem com os canalhas, mas acredito ser uma boa pessoa.

Enfim, levo a vida dentro do meu conceito de justiça e coerência, sempre agindo de forma correta. Aliás, conheço muitos homens (assim como mulheres, mas hoje é Dia do Homem…) que não são exatamente “normais”, mas são caras porretas.

Os caras da família Tavares. Meus parentes e amigos. Todos homens bons.

Feliz Dia do Homem aos caras que valorizam a família e os amigos. Que trabalham e batalham sem lesar ninguém, que respeitam seus iguais, sejam figurões ou pessoas menos favorecidas. E aos que não fogem à luta e que são homens de verdade.

Elton Tavares

O discurso discriminador do Marabaixo – Texto/Resgate histórico de Fernando Canto – @fernando__canto

Foto: Márcia do Carmo

Por Fernando Canto

Não é de hoje que o Marabaixo é discriminado. Aliás, as manifestações culturais de origem africana sempre foram vistas como ilegais ao longo da história do Brasil. Do samba à religião, seus promotores foram vítimas de denúncias que os boletins de ocorrências policiais e os processos judiciais relatam como vadiagem, prática de falsa medicina, curandeirismo e charlatanismo, entre outras acusações, muitas vezes com prisões e invasões de terreiros.

Essa discriminação ocorreu – e ainda ocorre – em contextos históricos e sociais diferenciados, e veio produzida por instituições que tinham o objetivo de combater o que lhes fosse ameaçador ou que achassem associadas às práticas diabólicas, ao crime e à contravenção.

Foto: Max Renê

No caso do Marabaixo, há anos venho relatando episódios de confronto entre a igreja católica (e seus prepostos eclesiásticos e seculares), e os agentes populares do sagrado, estes que, por serem afrodescendentes, mestiços e principalmente por serem pobres, foram e são discriminados, visto o ranço estereotipado de que são “gente ignorante” e supersticiosa.

No caso do Marabaixo, há anos venho relatando episódios de confronto entre a igreja católica (e seus prepostos eclesiásticos e seculares), e os agentes populares do sagrado, estes que, por serem afrodescendentes, mestiços e principalmente por serem pobres, foram e são discriminados, visto o ranço estereotipado de que são “gente ignorante” e supersticiosa.

Foto: Gabriel Penha

É do século XIX a influência do evolucionismo que tomava como modelo de religião “superior” o monoteísmo cristão e via as religiões de transe como formas “primitivas“ ou “atrasadas” de culto. Para Vagner Gonçalves da Silva (Revista Grandes Religiões nº 6), nesse tempo “religião” opunha-se a “magia” da mesma forma que as igrejas (instituições organizadas de religião) opunham-se às “seitas” (dissidências não institucionalizadas ou organizadas de culto).

É do século XIX também os primeiros escritos sobre o marabaixo. Em um deles um anônimo articulista o ataca, dizendo-se aliviado porque “afinal desaparece o o infernal folguedo, a dança diabola do Mar-Abaixo”.

Foto: Márcia do Carmo

Ele afirma que “será uma felicidade, uma ventura, uma medida salutar aos órgãos acústicos se tal troamento não soar mais…”. Na sua narrativa preconceituosa vai mais além ao dizer que “Graças ao Divino Espírito-Santo, symbolo de nossa santa religião, que só exige a prática de bôas acções, não ouviremos os silvos das víboras que dansam ao som medonho dos gritos dos maracajás (…), que é suficiente a provocar doudice a qualquer indivíduo”. Assevera adiante “Que o Mar-Abaixo é indecente, é o foco das misérias, o centro da libertinagem, a causa segura da prostituição”. E finaliza conclamando “Que os paes de famílias, não devem consentir as suas filhas e esposas frequentarem tão inconveniente e assustador espetáculo dessa dansa, oriunda dos Cafres”. (Jornal Pinsonia, 25 de junho de 1898).

Foto: Mariléia Maciel

Discursos de difamação do Marabaixo como este e a posição em favor de sua extinção ocorreram seguidamente. O próprio padre Júlio Maria de Lombaerd quebrou a coroa de prata do Espírito Santo que estava na igreja de São José e mandou entregar os pedaços aos festeiros. O povo se revoltou e só não invadiu a casa padre para matá-lo graças à intervenção do intendente Teodoro Mendes.

Com a chegada do PIME – Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras – em Macapá (1948) o Marabaixo sofreu um período de queda, mas suportado com tenacidade por Julião Ramos, que não o deixou morrer. Tiraram-lhe inclusive a fita da irmandade do Sagrado Coração de Jesus, da qual era sócio fiel.

Nesse período os padres diziam que o Marabaixo era macumba, que era coisa ruim, e combatiam seus hábitos e crenças, tidos como hediondos e pecaminosos, do mesmo jeito que seus antecessores o fizeram no tempo da catequização dos índios. Mas o bispo dessa época, D. Aristides Piróvano, considerava Mestre Julião “um amigo” (Ver Canto, Fernando in “A Água Benta e o Diabo”. Fundecap, 1998).

O preconceito dos padres italianos com o Marabaixo tem apoio num lastimável “achismo”. Os participantes são católicos e creem nos santos do catolicismo, tanto que a festa é dedicada ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade e não a entidades e voduns como pensam. Nem ao menos há sincretismo nele.

Colheita da Murta Foto: Fernando Canto: Arquivo pessoal

E se assim fosse? Qual o problema? Antes de emitirem um julgamento subjetivo sobre um fato cultural é preciso conhecê-lo. É preciso ter ética. Ora, sabe-se que todos os sistemas religiosos baseiam-se em categorias do pensamento mágico. Uma missa ”comporta uma série de atos simbólicos ou operações mágicas” (Vagner Silva op. cit.). Observem-se as bênçãos, a transubstanciação da hóstia em corpo de Cristo, por exemplo. Um ritual de umbanda comporta a mesma coisa. O Marabaixo tem rituais próprios, ainda que um tanto diferentes. Por isso e apesar do preconceito ainda sobrevive. Valei-nos, Santo Negro Benedito!

(*) Do livro “Adoradores do Sol – Novo Textuário do Meio do Mundo”. Scortecci, São Paulo, 2010.

O dia em que esquentei a cerveja do Arnaldo Antunes na B*****ta – Por Jack Carvalho – @JackeCarvalho_

Por Jack Carvalho

2013 foi um ano incrível para todo macapaense fã de música. O Festival Quebramar, maior evento de música do norte do país totalmente free, trazia nada menos que Arnaldo Antunes, Emicida, Curumin e muitos outros artistas massa. E nesta edição, eu fiquei responsável por coordenar o funcionamento dos camarins.

Aos poucos, cada produtor foi mandando a lista de exigência que tínhamos que providenciar para atender aos pedidos dos artistas. Emicida, por exemplo, pediu chá verde. Outros pediram Red Bull. O Edgar Scandurra pediu whisky. E o Arnaldo pediu cerveja. Muitas packs de cerveja. O problema era adequar esses pedidos ao orçamento disponível para o camarim. Em alguns casos, eu mesma preparei em casa diversos itens das listas, como suco, bolo e o chá.

Público da primeira noite do Festival Quebramar – Foto: Cobertura Colaborativa

Assim consegui equilibrar os gastos e garantir todos os itens. Faltando 1 dia pro início do festival, peguei as listas e fui ao supermercado comprar o que não dava pra fazer, pra no dia seguinte já ter tudo pronto pra quando o festival começasse. Tudo certo na sexta e sábado. Todos os pedidos foram e atendidos e os artistas ficaram satisfeitos.

No domingo era o dia de tocar Curumin e Arnaldo Antunes. Cheguei cedo no palco no pé do muro da Fortaleza de São José e comecei a limpar e arrumar as mesas dos camarins. Coloquei todas as bebidas no gelo, arrumei as pedras pras doses de whisky, petiscos, entre outros detalhes. As primeiras bandas começaram a tocar logo cedo, umas 19h40. Em seguida começaram a chegar os integrantes da banda do Arnaldo. Recepcionei o grupo me apresentando como responsável pelo camarim e que caso precisassem de algo era só chamar. E chamaram!

Foto: blog Galera do Rock (http://glrdorock.blogspot.com/2013/12/resenha-festival-quebramar-2013.html)

Minutos depois que a banda se instalou na sala reservada pra eles, a produtora do Arnaldo Antunes perguntou: – Cadê as Heinekens naturais? Eu dei uma de João sem braço e disse que não tinha sido especificado. Ela puxou a lista do bolso e mostrou: – Olha aqui, são 6 long necks naturais. Ele não pode beber nada gelado antes e durante o show. Ou seja: FUDEU!

Foto: blog Galera do Rock (http://glrdorock.blogspot.com/2013/12/resenha-festival-quebramar-2013.html)

Minha primeira reação foi de sair e ir comprar nos bares da Beira Rio. Mas eu estava muito distante pra deixar tudo e ir comprar cerveja. O jeito foi tirar as 6 long necks da cuba e tentar “amornar” as cervejas. Olha o trampo da porra. Nisso, eu e mais duas pessoas que auxiliavam no camarim, cada uma pegou uma long e começou a esfregar na mão. Essa porra não vai esquentar.

Então tive a ideia de botar a cerveja entre as pernas. Isso mesmo: na B****ta pra ajudar a esquentar mais rápido. E aja esfregar a garrafa igual o Aladdin. E eu pensava: esse porra vai ter que tocar O Pulso. E aí dele que não faça um show bacana. Bicho, essa porra tá queimando feio aí embaixo. Foram longos minutos gelados aonde se costuma a ser bastante quente, diga-se de passagem. Ainda ligamos ventilador do carro no modo quente pra ajudar o processo. Da feita que a cerveja ia amornando, alguém levava no camarim e ele bebia.

Foto: blog Galera do Rock (http://glrdorock.blogspot.com/2013/12/resenha-festival-quebramar-2013.html)

Conseguimos esquentar as 6 heinekens antes dele entrar no palco. Confesso que algo ficou dormente por alguns minutos, mas depois que ele começou a tocar A Casa é Sua, o corpo esquentou e tudo voltou ao normal. E lá estava o Arnaldo Antunes tomando cerveja quente, no copo on the rock que meu pai tinha ganhado de brinde da Monte Casa e Construção um zilhão de anos atrás. E tudo pra dizer que: missão dada é missão cumprida!

*Jack Carvalho é jornalista e Mestre em Ciências da Comunicação.

Sobre malandragem, doenças e a autossugestão – Por Fernando Canto

Norman Cousins e Albert Schweitzer – Fotos: Wikipédia

Por Fernando Canto

Nesta pandemia tem muito malandro e espertalhão querendo se dar bem, passando fórmulas e orações a pessoas incautas. Por isso resolvi que a informação abaixo deva chegar até vocês. É uma velha anotação que colhida por mim, para uma pequena reflexão.

Doutor Estranho, o médico e feiticeiro dos Quadrinhos e Cinema.

“O jornalista Norman Cousins, do Saturday Review perguntou a Albert Schweitzer como alguém poderia melhorar após uma consulta com um feiticeiro. Schweitzer respondeu:

– O feiticeiro tem sucesso pela mesma razão que nós (médicos) temos sucesso. Cada paciente traz um médico dentro de si. Ele vem até nós sem saber desse fato. E o melhor que podemos fazer é dar condições para que esse médico interno possa trabalhar”.


Possivelmente vem daí o Efeito Placebo, que é autossugestão. Placebo é, também, todo remédio receitado mais para agradar o paciente do que por sua eficácia terapêutica. É mal visto pela medicina moderna. Vem do latim. Significa agradarei.

Hoje é o Dia Nacional da Imprensa

Hoje é o Dia Nacional da Imprensa no Brasil. Até 1999, essa data era comemorada no dia 10 de setembro, quando começou a circular no país o primeiro jornal publicado em terras brasileiras, “A Gazeta” – do Rio de Janeiro, no ano de 1808. Sob a proteção do governo de D. João VI, a publicação se caracterizava pelo forte viés oficial. Embora a imprensa já tivesse nascido oficialmente no Brasil em 13 de maio, com a criação da Imprensa Régia, seu início foi marcado pela primeira edição do periódico.

Tal celebração foi alterada com a lei 9831/99, criada pelo deputado Nelson Marchezan e sancionada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, que definiu a data oficial da Imprensa Brasileira no dia 1º de junho.

A data escolhida marca a primeira publicação do Correio Brasiliense, jornal de caráter ideológico editado pelo brasileiro Hipólito José da Costa em Londres, também em 1808. Esse periódico foi lançado três meses antes do jornal A Gazeta, com o intuito de informar a população brasileira sobre os eventos da Europa, sem a censura da Coroa Portuguesa.

A mudança no calendário oficial de duas datas, em função de duas publicações lançadas no mesmo ano, mas com linhas editoriais totalmente diferenciadas, mostra a síntese da Imprensa Brasileira: ora defensora dos interesses da população e das liberdades políticas e individuais, ora porta-voz do poder sem relação com esta mesma população.

Até o século XV não existia o que hoje chamamos de imprensa. Um alemão, João Gutemberg, foi o inventor do processo de impressão com tipos móveis, e dessa evolução nasceu a verdadeira imprensa, que tem sido mais e mais aperfeiçoada até os nossos dias.

A imprensa é um dos esteios da Ordem, da Democracia e do Progresso. Por seu intermédio – ou através dela – se propagam as boas e generosas causas, se difundem conhecimentos e advogam e pregam princípios e ideias.

Sou fã de muitos bons jornalistas do Amapá e do resto do Brasil, que investigam, apuram e publicam informações de forma livre e sem censura.

Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultos. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. E crítica, às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado”, disse o jornalista Paulo Francis.

Ou como frisou Eça de Queirós: “O jornalismo não sabe que há o abatimento moral, o cansaço, a fadiga, o repouso. Se ele repousasse, quem velaria pelos que dormem?” . É isso!

O ofício de informar e fiscalizar não é fácil. Para tal, é preciso que muitos entendam: a liberdade de imprensa é essencial. O jornalismo somente de aplausos ocorre só na China, onde não existe oposição ou divergência de ideias. E fim de papo!

Elton Tavares

Frases, contos e histórias do Cleomar (primeira Edição de 2021)

Tenho dito aqui – desde fevereiro de 2018 – que meu amigo Cleomar Almeida é cômico no Facebook (e na vida). Ele, que é um competente engenheiro, é também a pavulagem, gentebonisse, presepada e boçalidade em pessoa, como poucos que conheço. Um maluco divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade, além de inventor do “PRI” (Plano de Recuperação da Imagem), quando você tá queimado. Quem conhece, sabe.

Assim como as anteriores, segue a primeira Edição de 2021, cheia de disparos virtuais do nosso pávulo e hilário amigo sobre situações vividas em tempos pelo ilustre amigo. Boa leitura (e risos):

Hulk Pão

“Capinar um quintal pra arranjar dinheiro pra casar tu não quer né HP, rezar pra tu não emprenhar essa pequena, capaz de tu querer que a gente crie também”.

Futebol

“Hoje eu torci pra o Vasco e definitivamente, isso não é vida”.

Carnaval

“Uma hora dessas eu já tava muito a toa na vida”.
“Eu já tava muito gambá uma hora dessas no ano passado”.
“Ano que vem, só pra descontar, vou dar duas voltas no percurso da Banda”.
“Uma hora dessas no ano passado, eu já tinha prometido parar de beber dez vezes”.

Defeitos

Um brinde aos nossos defeitos, já que as qualidades, nós tem pouquinho mesmo.

Bolsonaro & Bolsonetes

“Não vejo problema em bolsominion querer se vacinar, só acho que deveriam ser os fonas”.
“Biroliro acha que comprou o Centrão, problema é que o Centrão vai “afubitar” ele. Espera pra ver”.
“Enche tanto o saco defendendo Bolsonaro que esqueci te perguntar, já arrumastes um emprego?”
“Complicado esse negócio de acreditar em Deus e no Bolsonaro numa mesma vida, queria saber como conseguem”.
“Impressionante, todo Bolsominion tem um parente ou conhecido que quase morreu após tomar a vacina”.
“Época terrível pra se ter um presidente filho de puta”.
“A felicidade de destruir um Bolsominion no argumento não tem preço”.
“Aquele papo de “se fizer merda a gente tira” ainda tá de pé, ou tá pouca merda?”

BBB 2021

“Uma vez fiquei com uma “pequena” numa festa de São João lá no Pacoval, no outro dia não quiz mais ficar com e ela e ela mandou os malandros da rua dela me darem uma surra. Acho que eu era o Arcrebiano”.
“Sou parece a Sarah, fraco velho pra quebrar uma promessa”.
“Koncá podia passar lá no São Paulo Saldos e comprar uma beca pq tá difícil, se veste parece eu na Banda. Demais jegue”.
“Se a Carla Diaz que é morta de gata tá nesse nível de carência, faço uma ideia tu, com essa feiúra toda!!”.
“Esse papo de tirar o cara pq é homofóbico, machista e racista só serve pra o Rodolfo? Bolsonaro tá cagado por acaso!?”
“E eu, que meu apelido era Urso do Cabelo Duro”.
“Quando tu pensas que és otário, me vem o Gil”.
“Fiuk poderia ter sido garoto propaganda do cigarro Hollywood na década de 80. “Hollywood, O Sucesso”.
“Se ta ruim pra o Fiuk, que é filho do Fábio Jr, imagina pra nós !!!”

Profético

“Quando mais novo tu olhas pra uns caras e pensa, esse aí quando crescer vai ser babaca. 30 anos depois tu encontra os caras e eles não te decepcionam, são muito babacas mesmo”.

Amapalidade

“Energia voltando: a
Macapaense: liga a bomba misééééria!!”

Páscoa passada

“Quero só ver minha cara de surpresa amanhã, quando eu ganhar o ovo de Páscoa que eu comprei pra mim mesmo”.

“Sábado de Aleluia: Uma hora dessas eu já tinha rodado na porrada”.

Nostalgia

“Fui ao supermercado mais cedo, me bateu uma saudade do tempo que eu era filho”.

Depois da pandemia

“Quando isso tudo passar, vai ter tanto churrasco e cerveja aqui em casa que vcs vão dizer: Galera, na casa do Cleomar hoje não, já enjoei de lá!”

Família

“Aqui em casa temos uma tradição, a gente compra um jogo de copos, na outra semana quebra os que já tínhamos”.

Realeza

“Toda família tem um membro metido a príncipe Harry, que arruma uma mulher e sai da casa onde vivia escorado, falando mal até da avó”.

Há 41 anos, morreu Ian Curtis, da banda Joy Division – Uma corda no pescoço do Rock – #IanCurtis #JoyDivision #LoveWillTearUsApart

No dia 18 de maio de 1980, há exatos 41 anos, com uma corda no pescoço do Rock and Rol, cometia suicídio Ian Curtis, compositor inglês, vocalista e líder da banda Joy Division, formada em 1976. Ele tinha 23 anos e se preparava para excursionar com seu grupo musical pelos EUA.

O jovem e atormentado músico, que era epilético, sofria de problemas conjugais, além da pressão pelo estrondoso sucesso de sua banda. Estes teriam sido os motivos do suicídio de Ian. Sei lá. Existem muitas lendas e teorias sobre a morte do cara.

Com somente um disco lançado, ‘Unknown Pleasures’, em 1979, o Joy Division havia concluído a gravação de ‘Closer’, que estava com o lançamento agendado para julho de 1980. A trágica morte de Ian Curtis não impediu que a banda se consagrasse como um dos melhores e mais importantes grupos de rock da década de 80, aliás, o principal do pós-punk.

Após seu falecimento, suas músicas foram distribuídas em mais quatro discos ao vivo, doze compilações, dois EP’s e cinco singles.

Existem duas versões para o nome da banda. Uma diz que era uma casa de prostituição de uma série chamada ‘The House Of Dolls’ (1965). Este nome teve origem nos campos de concentração nazistas e servia justamente para designar a área reservada às prostitutas.

Outros dizem que Joy Division era o nome dado à área onde prisioneiras judias eram abusadas sexualmente por soldados nazistas durante a WWII. Daí a tradução, “divisão da alegria”. Seja um ou outro motivo, a alcunha é provocativa e irônica.

Li em algum lugar em que não me recordo agora, que o fantástico compositor escrevia músicas autobiográficas, também da vida das pessoas de seu ciclo e de outros.

Li também que “Love will tear us apart”, a música mais foda do Joy Division, foi escrita como um bilhete de despedida à quase-futura-ex-esposa-e-súbita-viúva de Ian, Deborah. A minha antiga turma de amigos gritou muito nas festas de rock: “toca Joy Division”, pedindo para a The Malk e a Sterereovitrola que executassem a clássica canção.

Após a dissolução do Joy Division, os três integrantes remanescentes, Bernard Sumner (guitarra), Peter Hook (contrabaixo) e Stephen Morris (bateria), formaram o New Order, que também arrebentou e embalou muitas festinhas pelo mundo, inclusive em Macapá. No início, o som do NO era uma continuação do JD. Com o passar do tempo, a banda fortaleceu sua própria identidade, com produções de música eletrônica, pop e dançante.

Ian foi realmente genial. Com vocal grave (barítono), dança desajeitada e bacana pra caramba (dizem que lembra os movimentos dos seus ataques epiléticos), estranha performance de palco, letras obscuras e poéticas, Curtis veio a este mundo, deu o seu recado e partiu para as estrelas. Sua vida foi retratada no cinema no filme Control (recomendo).

São Paulo 2014 – Foto: Elton Tavares

Não à toa, Ian Curtis é/foi ídolo de Bono Vox (U2), Kurt Cobain (Nirvana), Robert Smith (The Cure), Jim Kerr (Simple Minds), Ian McCulloch (Echo & the Bunnymen) e Renato Russo, que copiou dele a famosa dança epilética, entre tantos outros que vieram depois dele.

Em 2014, acompanhado do meu mais que maravilhoso irmão, Emerson Tavares, assisti ao show do New Order, em São Paulo. A banda inglesa tocou, além de seus próprios sucessos, quase todos os seus clássicos do Joy Division como Transmission, Atmosphere e Love Will Tear Us Apart. Simplesmente inesquecível!

Curitiba 2018 – Foto: Elton Tavares

Em 2018, repetimos a experiência, em Curitiba (PR). Desta vez, o show do New Order foi ainda melhor. Mesmo com a ausência do carismático baixista Peter Hook, o New Order (com Phil Cunningham, Gillian Gilbert, Stephen Morris, Tom Chapman e Bernard Sumner) fez uma apresentação fantástica e emocionante. Sensacional mesmo! Ficamos felizes por ter vivido mais esse momento marcante em nossas vidas, pois são experiências como essa que fazem tudo valer à pena.

“Ian foi tudo isso e muito mais. As mentes atormentadas são capazes de fazer coisas fascinantes. Joy foi, é e sempre será uma das maiores bandas de todos os tempos. É bom demais ver que as pessoas ainda lembram dele e da banda. Vida longa ao Ian e seu legado!”, comentou o meu amigo e amante de Rock and Roll, Anderson Miranda.

O rock é minha expressão artística favorita e Ian Curtis faz parte do Olimpo do Rock And Roll. A ele, minhas homenagens e gratidão pela obra. Valeu!

“A vida sem a música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio.” – Friedrich Nietzsche, em “Cartas a Peter Gast”, Nice, 15.1. 1888.

Elton Tavares

18 de Maio: Dia Nacional da Luta Antimanicomial – Por Janisse Carvalho

Por Janisse Carvalho

Quando uma luta se torna um cotidiano de práxis e libertação!

O dia 18 de maio é o dia em que comemoramos o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, a luta contra os manicômios, uma luta em que queremos destruir, descontruir, colocar a baixo todo e qualquer modelo de asilamento, exclusão e isolamento. É uma luta em que acredita-se na pratica da liberdade, do cuidar em liberdade, do respeito às diferenças pela premissa da igualdade: que a loucura é condição humana e portanto todos nós estamos sujeitos a uma vivencia intensa ou aproximada com ela.

A loucura é tudo aquilo que não conseguimos definir (uns até tentam, mas sinceramente, não convencem!). Por isso ela ora faz sofrer, ora faz libertar. A fronteira entre um e outro é tênue, eu diria quase que imperceptível. Daí a necessidade de aprendermos a lidar com ela.

Em nossa sociedade aprendemos a nos distanciar de tudo o que desconhecemos. Nos distanciamos nos afastando fisicamente, negando, isolando, racionalizando. A mente esquece mas o corpo lembra! Nos acomodamos em padrões, em relações sem sentido, em trabalhos adoecedores, em diversões que viciam. Nos isolamos. Temos medo de expressar sentimentos, nos fechamos, não nos permitimos. Mantemos coisas e ideias pois mudar é sempre mais difícil! Mudar com fundamento digo. Por isso, nos tornamos conservadores.

Por não entrar em contato com o que desconhecemos, nos distanciamos de nós mesmos!

Nesse movimento de estranhamento, rotulamos, estigmatizamos, preconceituamos. Reduzimos pessoas, sentimentos e pensamentos a termos, palavras, nomes, siglas, partidos. Partimos!

Produzimos soluções “deus ex machina”, imediatistas, reacionárias do tipo “vamos liberar as armas pois os bandidos nos matam” (mesmo pregando o amor de Cristo e pedindo perdão aos domingos!), “vamos pagar menos às mulheres pois elas engravidam” (já que trabalho em casa não é trabalho!), “bandido bom é bandido morto” (já que sou o exemplo de retidão e cidadão de bem!) e por ai vai…

Nos comportamos como seres sem intelecto. Automaticamente, mecanicamente, reacionariamente!

A função do intelecto nos dá a noção de tempo e espaço que, em tese, é o que nos faz mais evoluídos do que os outros animais… não sei não! Ela deveria nos colocar em posição de atores e não de reagentes. Foi assim que a luta antimanicomial começou a fazer parte do meu cotidiano: me provocando a pensar.

Estou longe de ser a pessoa mais consciente no mundo. Nem sei se isso um dia acontecerá. Só sei dizer que não sou mais aquela Janisse de 1993, quando comecei a estagiar num hospital psiquiátrico de Belém (PA).

Nesses anos em que o lema da sociedade sem manicômios penetrou na minha alma, por meio do meu intelecto, me fez construir uma prática espiritual cotidiana da reflexão (quase chata!) e isso mexeu com meus preconceitos, feriu meu ego, tornou o inconsciente em mim tão presente quanto o consciente. Minha vista mais límpida, meus alerta interior gritante como um choro de bebe. Comecei numa reflexão de fora para dentro. Hoje a grande mudança que vejo, é um olhar de dentro pra fora.

Quando temos algo pelo qual lutar, algo que nos faz transcender a nós mesmo, algo que amplia nossos horizontes, somos capazes de olhar pra nós mesmo! (Ou pelo menos deveria ser assim!)

Quando lutamos por algo, nos indignamos ao ponto de explodir. Nem sempre é a melhor saída eu sei… meu amigos conhecem as minhas explosões! (Perdão por isso!)

Mas quando lutamos por esse algo maior, compreendemos que a vida é muito mais do que só adquirir bens, muito mais do seguir preceitos religiosos, muito mais do que competir, muito mais do que ser fiel a uma teoria acadêmica. Transpomos as fronteiras sem relativiza-las: entre o bem e mal, moral e imoral, entre teoria e prática, material e espiritual. Entendemos as conexões, pois as vemos, as sentimos, as vivemos dentro de nós!

A luta antimanicomial foi uma luta que me transformou. Ou melhor, iniciou algo dentro de mim o qual eu vivo intensamente hoje.

A luta antimanicomial não diz respeito só às reformas no campo da saúde mental, na política ou nos serviços e práticas clinicas. A luta antimanicomial diz respeito a uma revolução silenciosa que acontece dentro de nós, isto é, quando nos permitimos a isso, quando usufruímos inteiramente do dispositivo do intelecto, quando percebemos, mesmo sem como saber dizer, que a unidade do universo habita em nós!

A luta antimanicomial é a luta dos negros, das mulheres, das crianças e adolescentes, dos índios, a luta dos oprimidos. Mas é também a luta dos que se sentem vazios, solitários, infelizes. É a luta dos que, mesmo vivendo e reproduzindo o que a sociedade prega, desconfiam, se incomodam, percebem que há algo de podre no reino. Cuja a miséria humana, não só a material, fede.

Mas que ao mesmo tempo conseguem ver que também há algo de belo no reino e contraditoriamente, acreditam no ser humano!

Janisse Carvalho

Entender que a luta antimanicomial, ou qualquer outra luta pela dignidade e solidariedade entre humanos e não humanos, se dá no cotidiano e nos faz ficar sempre alerta para os manicômios que construímos, ou deixamos construírem, dentro de nós! Só com essa ciência, digo com-ciência, caminharemos para a congruência da teoria posta em prática!

Viva a luta antimanicomial!

Viva a luta pela liberdade de ser quem somos!

*Janisse Carvalho, psicóloga, professora universitária e militante antimanicomial.

Hoje é o Dia das Mães –  texto/declaração de amor para Maria Lúcia

Sabem, eu nunca fui de  economizar declarações de amor. Na verdade, as acho fundamentais. Hoje, no Dia das Mães, vou falar um pouco da minha mãe, que também é mãe do Emerson Tavares. Quem conhece a mim e ao meu irmão há muito tempo, sabe: a gente “só é gente” por causa dela, nossa mais que maravilhosa genitora, a Maria Lúcia.

Mamãe é trabalhadora, honesta e dedicada. Ela não chameguenta, mas amorosa. Com absoluta certeza, o maior entre meus amores. E nestes tempos tristes e mascarados de pandemia, sou feliz e agradeço por estar junto de Maria Lúcia e pela sua saúde.

Apesar de eu ter 44 anos, minha mãe vive preocupada por eu ser gordão, por eu beber demais, entre outras milhares de coisas que ela esquenta a cachola por conta deste jornalista e de meu irmão. A gente puxou a amorosidade e loucura porreta do papai. Mas da Lucinha, com certeza herdamos a força e a coragem.

Aliás, a força e o amor que tenho em mim, boa parte veio de Maria Lúcia, a professora, orientadora, filha da Cacilda, avó da Maitê. E que eu e Emerson Tavares temos a honra de termos como mãe. Falando em meu irmão, por conta deste período em que vivemos, ele não está aqui, conosco, como em todos os anos anteriores a 2020, mas telefona todos dias e nos dá apoio em tudo, mesmo de longe. Nem sei o que eu e mano seríamos ou onde estaríamos hoje em dia sem a nossa mãe amiga. Sim. Porque existem sim mães inimigas.

Às vezes a gente se chateia um com o outro, noutras nos decepcionamos, mas seguimos sempre juntos, unidos, com muito amor e ajuda mútua na jornada da vida. Somos muito gratos pela mãe que temos. Maria Lúcia é a soma de tudo que somos de melhor (menos a boêmia, carisma e gaiatice, isso aprendemos com nosso velho e saudoso Penha, o pai). Se minha infância é uma série de memórias felizes, igualmente a adolescência,  boa parte do mérito é dos meus pais.

Falando em mãe, tenho a sorte de outros dos meus afetos, como a minha vó Peró, que virou saudade há quase dois meses, mas já faz uma imensa falta, e minhas tias Maria e Tatá, também foram meio que minhas mães ao longo da vida.  Cada uma tem uma participação importante na minha existência. Sou sempre grato por isso.

Também congratulo minha avó Cacilda, mãe de minha mãe. Além de minhas tias, primas, colegas de trampo e amigas queridas, tantas mães entre meus afetos. Vocês são guerreiras!

Os anos passam e o amor da mamãe segue em abundância sem fim e sem pedir nada em troca. Mas a gente retribui, pois aprendemos com ela.  Por tudo que fez, faz e é, hoje agradeço publicamente a minha mãe. Afinal, todos os dias eu faço isso, mas não textualmente para todos lerem aqui. Nós te amamos, Lucinha.

Essa época difícil passará e logo estaremos juntos de novo. Por ora, reze pela sua mãe. Esteja ela em outro lugar além de dentro do seu coração. E agradeça pela oportunidade de ser seu filho. É este meu sentimento neste segundo domingo de maio: amor e gratidão.

Elton Tavares e Emerson Tavares (escrevo e assino por nós dois mesmo. Coisa de irmão mais velho, rs).

Os 76 anos da Biblioteca Pública Elcy Lacerda e a importância dela para o Amapá – Por Paulo Tarso Barros – @paulotbarros

Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda – Foto: Maksuel Martins

Por Paulo Tarso Barros

Uma das instituições educacionais e culturais mais tradicionais do Amapá completa 76 anos de existência. Afinal, são mais de sete décadas de funcionamento contínuo. Nela já atuaram, como gestores, nomes importantes da educação e da cultura do nosso Estado (Lauro Chaves, Aracy de Mont’Alverne, Ângela Nunes, dentre outros), pessoas que deixaram sua marca e que hoje são relembradas pelo muito que contribuíram com várias gerações de alunos que passaram pela Biblioteca, seja fazendo pesquisa ou lendo obras literárias, biográficas, ensaios, manuseando jornais, revistas e outras publicações.

Fundada em 20 de abril de 1945, desde então a Biblioteca vem cumprindo seu papel como entidade que abriga um valioso acervo responsável pela formação educacional de milhares de pessoas e de suporte à pesquisa. Aberta das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira, sempre recebeu os estudantes e a comunidade com muita atenção. Seus funcionários, a maioria oriundos da SEED, têm experiência e treinamento para orientar, apoiar e encaminhar todos os usuários aos locais mais adequados a cada tipo de pesquisa que se faz necessário, da mais simples à mais complexa.

Fachada principal da Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda vista do alto do Teatro das Bacabeiras – Foto encontrada no site Literatura do Amapá

Atualmente, em pleno século XXI, a Biblioteca está cada vez mais sintonizada com as demandas da modernidade, sendo um dos points mais frequentados por escolas, entidades culturais e educacionais, associações, Academia de Letras, professores em busca de mestrado e doutorado e alunos de todos os níveis que encontram o espaço adequado para suprir as suas necessidades num mundo em que o conhecimento e a pesquisa ocupam cada vez mais um lugar relevante.

A Biblioteca conta com um acervo de aproximadamente 60 mil itens, entre livros, CDs, DVDs, revistas, panfletos, jornais (inclusive os primeiros jornais que circularam no Amapá, desde 1895 – no caso o Pinsônia) e os seguintes espaços: Sala Amapaense (livros e documentos com assuntos e temáticas do Amapá e da Amazônia); Sala Afro-indígena; Sala do Ensino Médio e Superior (que serve também como local de estudos e pesquisas); Sala Circulante (com obras literárias nacionais e estrangeiras disponíveis para leitura e empréstimo domiciliar); Sala de Artes; Sala Infanto-juvenil (que conta com o Grupo de Contadores de Histórias) e duas Salas com Jornais e Periódicos (com destaque para a Sala de Obras Raras); uma Sala de Braille e a Reserva Técnica (onde os livros são recebidos e distribuídos às salas).

A Biblioteca Estadual Elcy Lacerda é um espaço aberto, dinâmico, efervescente, muito democrático e o mais representativo das ações educacionais e culturais do Amapá. Seu atual gerente é o professor e escritor José Queiroz Pastana, que pela segunda vez ocupa o cargo.

*Paulo Tarso Barros é escritor, editor e professor e funcionário da Biblioteca há 17 anos.

A esperança não morre sem ar (pequena crônica sobre eu ter sido vacinado hoje)

 

Foto: Alvani Melo

Sem nenhuma pretensão ou gabolice, digo-vos: graças a Deus, tenho uma sorte dos diabos. E como nada é de todo ruim, por ser gordo, hoje, 19 de abril, recebi a primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca. Fui vacinado na cota dos obesos. Nem senti a agulha, de tão feliz que estava.

2020 não foi fácil pra ninguém. 2021 não está diferente. Cada um de nós perdeu um amigo, parente ou conhecido que gostava. Estamos há mais de um ano travando uma guerra desleal contra esse vírus. E com baixas demais, além da conta. O que a vida reservou pra gente, hein?

O escritor Rubem Alves disse: “a gente fala as palavras sem pensar em seu sentido. ‘Bênção’ vem de ‘bendição’. Que vem de ‘dizer o bem ou bem dizer’. De bem dizer nasce ‘Benzer’. Quem ‘bem diz’ é feiticeiro ou mágico. Vive no mundo do encantamento, onde as palavras são poderosas. Lá, basta dizer a palavra para que ela aconteça”. Pois é, essa vacina é uma benção nestes tempos difíceis.

Nossos planos e sonhos estão todos guardados para depois da pandemia e seguimos obstinadamente lutando por nossas vidas. Talvez, depois que tudo isso passar – e VAI PASSAR -, eu escreva sobre esse período sofrido. O título será: “Depois do Fim do Mundo – Uma crônica para sobreviventes”.

Resumindo, continuo em frente e com a força de sempre. Sempre correndo atrás e com cada vez mais motivos pra permanecer sorrindo. Ser imunizado renovou minhas esperanças. Aquele sentimento de nem tudo está perdido. Apesar do nosso presidente genocida (quem não entendeu isso até agora, nunca entenderá).

Continuo grato a Deus. Pois a esperança, queridos leitores, não morre sem ar. É isso!

Valeu, God!

Elton Tavares

 

 

 

Marcelo Guido gira a roda da vida. Feliz aniversário, irmão!

É 10 de abril e Marcelo Guido gira a roda da vida pela 41ª vez. Trata-se de um brother muito presente, fiel aos seus ideais e suas pessoas. Admiro o figura por isso. O cara é pai da Lanna e Bento, marido da Bia, jornalista e assessor de comunicação, ateu (daqueles chatos) ex-blogueiro, vascaíno calejado (com muito amor por esse time e resignado pelo sofrimento), remista, colaborador deste site (onde assina a sessão “Discos que Formaram o meu caráter” e escreve crônicas sobre futebol), amante de rock and roll e futebol, fã Nº 1 dos Ramones.

Com o Guido. Tempos de violência!!

Marcelo vive como quer, nos seus próprios termos. Quando vou na casa dele e da Bia, a gente fala sobre tudo. É papo sobre família, nossos brothers, séries, filmes, bandas, shows, discos, quadrinhos e muita merda. Fazemos piada de tudo, de todos e até da gente mesmo.

Marcelo é um baita cara porreta. Um irmão de vida e parceiro de doidices. Apesar de ele não acreditar em Deus, se não fosse ELE, nem eu e nem Guido estaríamos vivos, de tanto que a gente aprontou nessa vida.

O papel mais Phoda desempenhado pelo Guido é o de pai. É lindo ver como ele fala e age com seus filhos. O Marcelo se tornou um homem de família, quem diria. Admiro ele por isso também.  A gente era nó-cego, mas nos tornamos caras legais. Faz tempo que não quebramos ninguém na porrada – e nem estamos com saudades disso (risos).

Volto a dizer: o Guido é uma força da natureza. Se gostar de você, é um puta dum amigo. Um cara Phoda mesmo! Se não der valor em ti, é encrenca certa. Com os parceiros, é um malandro engraçado e 100%. Além de forte defensor de suas opiniões. A gente segue a jornada da vida pirando junto (aliás, saudades), se ajudando mutuamente e com muito humor negro, paixão e brodagem. E sem perder a ternura.

Com o Guido e Bia, na noite de autógrafos do meu livro, em outubro de 2020. Saudades, amigos do coração! Foto: Sal Lima.

Guido, obrigado por aturar minhas “eltontavarisses” (termo inventado por ele para minhas frescuras e etecéteras). Tu és um cara que posso contar para qualquer coisa. Aqui é na reciprocidade sempre, tu saaaabes.  Que teu novo ciclo seja ainda mais porreta. Que tu tenhas sempre saúde e sucesso junto aos seus amores. Te amo, manão! Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares