Homenagem do artista plástico Dekko Matos a Fernando Canto

O talentoso e renomado artista plástico Manoel Francisco Pessoa de Matos, popularmente conhecido como Dekko Matos, é conhecido por suas pinceladas e desenhos fantásticos, mas também por performances que sempre são acompanhadas de boa trilha sonora, além de suas participações em diversos eventos culturais.

Desta vez, Dekko Matos, homenageou o músico, compositor, poeta, escritor e sociólogo Fernando Canto, com um fantástico retrato. A obra foi pintada ao som da música “Quando o pau quebrar“, composição do homenageado e icônica canção do Grupo Pilão, pioneiro da música amapaense.

Assista aqui a homenagem porreta:

Sobre Fernando Canto

Fernando Pimentel Canto é compositor, cantor, músico, jornalista, sociólogo, professor Doutor, poeta, contador de histórias, causos e estórias, contista e cronista brilhante, apreciador e incentivador de arte, sociólogo, imortal da Academia Amapaense de Letras, ícone da cultura amapaense, escritor “imparável”, boemista, amante do carnaval, embaixador do Laguinho, mocambo, membro fundador do Grupo Pilão e servidor da Universidade Federal do Amapá.

Ilustração de Ronaldo Rony para meu livro“Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, prefaciado por Fernando Canto.

Com 17 livros publicados (de crônicas, poesia e contos) ; composições suas e outras com grandes nomes da música amapaense; ensaios teatrais, entre outras incontáveis contribuições para a cultura e resgate histórico do Amapá, além de cargos importantes ao longo de sua carreira, Canto é um ardoroso partidário da causa cultural tucuju. Nascido na cidade de Óbidos (PA), ele é o “Cidadão Amapaense” mais amapaense que a maioria dos que aqui nasceram. E por tudo isso e muito mais, toda homenagem a ele ainda é pouco. Valeu, Dekko!

Dekko Matos – Foto: arquivo pessoal do artista.

Sobre Dekko Matos

O artista Dekko Matos é amapaense e nasceu no ano de 1966. com apenas 11 (onze) anos de idade iniciou como desenhista serigráfico em uma empresa local. No período entre os anos de 1996 a 2011, lecionou pintura, desenho e escultura na Escola de Artes Cândido Portinari.

No ano de 1999 criou e coordenou a I Bienal de Arte Natural do Amapá. Entre seus trabalhos de maior destaque estão o Painel Cooperação Transfonteiriça Amapá-Guiana Francesa, localizado na parede externa do teatro das Bacabeiras, o I monumento brasileiro na Guiana Francesa, o mosaico no Meio do Mundo Macapá no Centro de Cultura Franco-Amapaense e o Totem das Etnias no Museu Sacaca.

Como ativista cultural, desempenhou suas funções como diretor no Centro Amilar Brenha, foi Conselheiro de Cultura do Estado do Amapá, diretor do Teatro das Bacabeiras e diretor do Museu de Etnologia do Estado do Amapá.

Hoje em dia, Dekko Matos integra o Grupo Urucum, com outros geniais artistas.

Elton Tavares, com informações da Fumcult

Impeachment– Uma piada constitucionalmente prevista – Por Mariana Distéfano Ribeiro

Por Mariana Distéfano Ribeiro

Passeando pelos stories do Facebook eu vejo muitos comentários sobre a atuação do Presidente Bolsonaro no exercício da função. Me espanta a quantidade de pessoas que é conivente com o comportamento e entende que, por exemplo, é direito dele não querer tomar a vacina, não aceitar usar máscara, ser grosseiro e “mitar” com os jornalistas, fazer apologia à tortura, à ditadura, à homofobia, entre tantas outras tosquices que esse ser humano fez (e ainda faz).

Pois eu digo com toda certeza e convicção que Bolsonaro, na qualidade de Presidente da República Federativa do Brasil, não tem o direito de agir como ele age, de falar o que fala e pregar o que ele prega!

Por que não? Porque ele é o Presidente, oras! É dever dele, obrigação intrínseca e necessária da função que exerce possuir o mínimo de bom senso, de cautela, de educação, de prudência na direção de qualquer país em que impere o estado democrático de direito.

A falta de educação recorrente do dirigente de um país, a imprudência no enfrentamento e no trato de questões e situações delicadas, que possuem um potencial significativo de inflamar ânimos e incentivar radicalistas contumazes a sair da esfera das ofensas verbais e virtuais para as ofensas físicas, especialmente aqueles preconceituosos, tende a causar comoções sociais graves e violentas. Foi exatamente isso que aconteceu na invasão ao prédio do Capitólio, sede do Congresso americano, no dia 06/01/2020, quando o ex-presidente Trump resolveu insistir, mais uma vez, na invenção de que as eleições estadunidenses foram fraudulentas e que, na verdade, ele teria vencido. E Bolsonaro ainda disse que se não tiver voto impresso nas próximas eleições (2022), vai acontecer o mesmo com o Brasil.

Os presidentes Trump e Bolsonaro em encontro em março de 2020, na Flórida.TOM BRENNER / REUTERS

Lá, nos Estados Unidos, o ex-presidente Trump já está indo embora. Mas aqui a gente ainda tem mais 2 anos de desgoverno Bolsonaro.

Certo. A gente concorda que o Bolsonaro está fazendo quase tudo como se fosse uma criança da 5ª série (aliás, ele até fala como uma… uma bem malcriada…). Então, deve ter alguma alternativa pra tirar ele da Presidência.

Pois tem. Essa alternativa é o processo de impeachment por crime de responsabilidade e tem previsão no art. 85 da Constituição Federal , com regulamentação pela Lei nº 1.079 de 10/04/1950 , e também por crime comum (como homicídio) como prevê o art. 86 também da CF.

Trata-se de um processo político, administrativo e não-judicial. Até a última atualização do dia 08/01/2021, haviam 53 pedidos de impeachment contra Bolsonaro.

Acontece que o pedido tem que cumprir alguns requisitos, como indicação de provas e de testemunhas. O que não é muito difícil, dada a ausência de preparo e de discrição do nosso Presidente. A Lei nº 1.079 ainda descreve quais são os casos em que os atos do Presidente serão crime de responsabilidade.

Um dos artigos da Lei diz que é crime de responsabilidade quando Presidente atenta contra o livre exercício dos poderes da União (Legislativo e Judiciário, porque ele mesmo é o Executivo).

Atentar contra é se manifestar contra, injuriar, maldizer, impedir a atuação por meio de algum recurso que é inerente à atuação da Presidência.

Então… lembram daquela manifestação, lá em Brasília, que um monte de gente foi pra frente do Supremo Tribunal Federal (STF) pedir o impeachment (é existe impeachment pra maioria dos cargos políticos e de estado) de um dos Ministros e o fechamento do Poder Judiciário e do Legislativo? Aquela manifestação em que o Bolsonaro foi montado a cavalo?

Lembrou? É, aquilo lá foi crime de responsabilidade.

Esse é um dos exemplos que eu considero mais gritantes e significativos da afronta ao estado democrático de direito que o atual dirigente do Brasil cometeu até hoje.

Muitos outros foram e ainda são cometidos como o incentivo ao uso de armas de fogo, a recusa em cumprir as determinações de medidas sanitárias federais, estaduais e municipais de combate ao coronavírus, as constantes apologias à tortura, à homofobia, à misoginia, à ditadura. Todos esses atos incentivam o extremismo de pessoas preconceituosas e os encorajam a mostrar a cara e manifestar suas opiniões em discursos de ódio.

Ok. Mas então por que o processo não vai pra frente se o Presidente já cometeu tantos crimes de responsabilidade?

Porque é um processo político. O Presidente da Câmara dos Deputados tem que deferir, aceitar e concordar expressamente com o pedido e encaminhar para uma comissão especial de Deputados. Essa comissão é que vai decidir se o processo vai pra frente ou não.

Ainda, depois que o processo passa pela anuência do Presidente da Câmara, o Presidente da República ainda tem prazo para apresentar sua defesa, a Comissão tem um prazo para fazer um parecer que ainda precisa passar pelo crivo de 2/3 dos 514 Deputados Federais, ou seja, 342 Deputados.

Agora, com a popularidade que o Bolsonaro tem até hoje , você acha mesmo que um Deputado vai aceitar um processo de impeachment contra o Presidente? É claro que não vai.

Por isso que o processo de impeachment é um processo tipicamente político. Fosse jurídico, o Presidente da Câmara dos Deputados não teria outra alternativa a não ser a de receber e aceitar todo pedido de impeachment que tivesse todos os requisitos da Lei nº 1.079 comprovadamente elencados no processo.

Fazendo uma analogia bem descompromissada, imagine que chegasse no Poder Judiciário, lá no fórum da sua cidade, numa vara criminal, uma denúncia de alguém que supostamente cometeu um crime qualquer, com todos os requisitos previstos na lei para aceitação da denúncia – inquérito, peça do Ministério Público. Aí o Juiz olha pra denúncia e diz: ah… esse cara aqui é meu amigo, ele é muito conhecido na cidade e todo mundo gosta dele… não vou aceitar essa denúncia não. E simplesmente arquiva o processo ou deixa na gaveta.

Já pensou?! Absurdo, não é?

Pois é… o processo de impeachment é mais ou menos assim. O cara comete o crime previsto em lei, mas é amigo dos reis e todo mundo gosta dele. Mas se ele for impopular, vai cair rapidinho. Seria cômico se não fosse trágico.

É, o processo de impeachment, com o rito previsto na atual legislação, é uma piada constitucionalmente prevista.

Fontes: BBC, El País, Jornal do Brasil, Planalto, Planalto, A Pública e Ibope Inteligência

*Além de feminista com orgulho, Mariana Distéfano Ribeiro é bacharel em Direito, servidora do Ministério Público do Amapá e adora tudo e todos que carreguem consigo o brilho de uma vibe positiva.

DIÁLOGO DOS MUDOS (*) – (Tributo ao poeta Alcy Araújo) – Por Fernando Canto

Pedra do Guindaste – Arquivo de Floriano Lima.

Por Fernando Canto

– Ó Pedra! Ó Pedra do Guindaste. Nunca tive esta sensação tão esquisita. – O que ocorre nestas plagas?
– O que há, bela Fortaleza?
– Exala um perfume nas minhas masmorras.
– Deve ser a preamar do Amazonas…

Foto: Floriano Lima.

– Não, não me sinto molhada. E as águas já começam a baixar.
– Então pergunta ao Rio. Ele poderá te explicar, pois daqui também sinto o delicioso aroma.
– Anda, Amazonas, me conta a razão desta apreensão. Algo toma conta de toda a minha estrutura. Algo permeia em mim cruzando os baluartes. É uma fragrância inusitada que emerge das entranhas.
– Mas o que será?

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

– Não sei, ó Fortaleza, mas ontem vi um anjo viajando no meu dorso..
– Ele cantava rasgando a madrugada.
– E o que dizem suas canções, ó formoso Rio?
– Diziam que as dores de Rosinha se acabaram, que Sheerazade sucumbiu num turbilhão de areia no deserto e que os doces fiordes da Noruega congelaram subitamente.
– E o que quer dizer tal coisa, Rio dos Rios?
– Apenas testemunhei. Não cabe a mim a interpretação das melodias angelicais, Fortaleza da minh’alma.

Foto: Floriano Lima.

– Ah, esse trapiche que te adorna… Saberá ele de algo mais?
– Talvez saiba, ó símbolo telúrico, pois sua vigília vem de um tempo mais recente.
– Diz-me, então, ilustre madeirame, tu que conheces cada passo dos habitantes desta margem. – O que houve, o que está havendo?
– Ouvi o teu chamado, sólido vizinho. Pensei que havia chegado a primavera, pois adere nos meus pés de aquariquara a profusão desse perfume encantador.
– O que sabes, então, ó caminho para o Rio?

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

– Sei o que os barcos me falaram. Eu também vi o que o Rio testemunhou.
– Fala-me, por favor. Não quero mais esta angústia explodindo no meu peito.- Oh, sublime Marco da Conquista Lusitana, é triste a sina dos homens desta terra. Barcos, velas, velhas vigilengas andam a esmo, como em busca do abstrato. Dizem que quebraram os estaleiros e os portos se fecharam para sempre.
– Oh, não! O que haveria de causar todo esse encanto? Ó Sol, ó Sol, só tu poderás me responder. Diz-me agora Rei dos Astros, não te fecha em nuvens de ameaça.

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

– Fecho-me de tristeza, ó Fortaleza. A rosa que desabrochou pela manhã noticiou-me em prantos.
– Finalmente, Finalmente! Finalmente alguém sabe a causa da fragrância vinda do fundo da terra, do cheiro bom que se prolonga nos estirões do Rio e infesta o ar. – Conta-me, ó Sol, o que aconteceu?

Foto: arquivo do jornalista Edgar Rodrigues

– Ocorreu na madrugada alcoolada o ternural fim do “Homem do Cais”.

(*) Texto escrito em 1989 e publicado no livro Introdução à Literatura do Pará, Volume V – Antologia. Organizado pela Academia Paraense de Letras pelos acadêmicos José Ildone, Clóvis Meira e Acyr Castro. Editora Cejup, Belém, 1995.

Não sejamos nós os vândalos da nossa cultura – Por Jaci Rocha

Foto: PMM

Por Jaci Rocha

Não defendo intolerância. Nem religiosa, nem cultural. Aliás, nenhum de nós. Não é mesmo? (Tsc, tsc). Então por que será o óbvio precisa ser dito?

Não acho certo que a postura agressiva de uma opinião de uma pessoa evangélica seja motivo para hostilizar a religião evangélica (como presenciei em algumas postagens). Assim como não acho certo o modo como uma única pessoa, de religião evangélica, se referiu à uma estátua em praça pública, em homenagem à tia Chiquinha – uma das grandes rainhas de nossa tradição marabaixeira.

Foto: Blog da Alcinéa

Infelizmente, seguimos vândalos de nossa cultura. A lista só aumenta. Na mesma quinzena em que riscaram a estátua em homenagem do professor Munhoz e foi criada uma suposta ‘briga’ por apropriação cultural Pará x Amapá, um ataque à estátua da tia Chiquinha indignou nossos corações.

Onde isso tudo se relaciona?

Na nossa falta de convivência republicada, que nos torna vândalos da já tão sofrida cidadania.

Sobre a ‘dita’ questão do momento: A praça foi nomeada em homenagem a alguém evangélico? No que a presença de uma estátua da da linda tia Chiquinha – certamente um pedaço de Deus na nossa cidade – desrespeitaria a homenagem anterior? Havia algo realmente a ser dito? Claro que não!

Foto: PMM

Assim como Amapá e Pará nunca poderiam ser inimigos e professor Munhoz segue herói para nossa história e literatura.

Isso só reflete como a gente precisa aprender a se amar, não é? A abraçar nossa história. A conviver com afeição, respeito, reconhecimento e memória!

O que assusta é que o óbvio precisa de ser defendido…isso realmente assusta. Por outro lado, reitero: não foram os evangélicos ou a religião evangélica. Foi “uma” pessoa. É preciso discernir.

“O que eu faço na vida ecoa na eternidade”

Sim, nós não toleramos racismo e intolerância. Também não estendemos a ninguém uma (muito infeliz) posição individualmente declarada.Não sejamos nós os vândalos da nossa própria cultura.

Que a gente abrace nosso Amapá, nossos heróis, nossa própria e multidiversificada identidade e beleza.

*Jaci Rocha é poeta e advogada.

2020: Temos o que comemorar? – Crônica de Silvio Neto

Imagem: placevale73.tumblr.com

Crônica de Silvio Neto

O ano de 2020 foi um ano bissexto, quer dizer, a cada quatro anos, temos um dia a mais no calendário, mais precisamente o dia 29 de fevereiro. Mas, calma! Geralmente é só isso que se repete a cada ano bissexto.

Segundo o horóscopo chinês, 2020 foi o ano do Rato, começando a 25 de janeiro. Na mitologia chinesa, o rato representa a criatividade; a solução de problemas; a imaginação; o trabalho hiperativo e respeitado por sua capacidade em resolver situações difíceis; a intuição, com a capacidade de adquirir e preservar coisas e valores… E, curiosamente, nunca precisamos tanto destas qualidades nos últimos cem anos, para conseguirmos superar como pudemos, este ano de 2020.

O sol entrou em Aquário a 20 de janeiro inaugurando, segundo alguns uma Nova Era que vinha sendo esperada desde os anos de 1960, quando, na letra de uma das músicas daquele inesquecível musical da Broadway, Hair, a Lua estaria na Sétima Casa e Júpiter, alinhado com Marte, guiaria os planetas à Paz e o Amor comandaria as estrelas… Tudo muito lindo, mas infelizmente… muito fantasioso.

O fato é que tivemos um ano bem difícil! Em janeiro, chegamos muito perto de uma 3ª Guerra Mundial, com ataques entre bases do Irã e dos Estados Unidos no Oriente Médio. Cerca de 500 milhões de animais completamente indefesos morreram numa série de incêndios na Austrália. O Reino Unido saiu, formalmente, da União Europeia e, em menos de uma semana, um tal de novo coronavírus infectou mais de dez mil pessoas e matou mais de 200. Em 30 de janeiro a Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou um “surto de doença respiratória de novo coronavírus em estado de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional.

Em fevereiro, o novo coronavírus chegou ao Brasil, com um primeiro caso na cidade de São Paulo.

No dia 11 de março, a OMS declara como “pandemia a doença do surto de novo coronavírus no mundo”. As reações são imediatas no incrível mundo globalizado: Os mercados de ações globais sofrem seu maior declínio em um único dia desde a segunda-feira negra de 1987. Era o primeiro sinal de desespero. Eventos como as Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2022; Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA; Campeonato Europeu de Futebol de 2020 e Copa América de 2020; Festival Eurovisão da Canção 2020 e até os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 são cancelados.

Em abril, no dia 10, o Brasil chegou às primeiras 1.000 (mil) mortes por COVID-19. Mostrando que isso não era só “uma gripezinha”, como insistia em dizer o presidente daqui… Enquanto isso, nos Estados Unidos, os casos confirmados de COVID-19 chegaram a 1 milhão, também mostrando que não era algo “inofensivo e passageiro” como insistia em dizer o presidente de lá…

Em maio, com 330 mil infecções, o Brasil superou a Rússia e se tornou o segundo país com mais casos confirmados de COVID-19 no mundo. E o presidente insistindo em minimizar a situação. Como se não bastasse, mais animais silvestres morrem, desta vez, no Pantanal Matogrossense.

Em junho, com mais de 41 mil mortes, o Brasil superou o Reino Unido e se torna o segundo país com mais mortes de COVID-19 no mundo. Mas o presidente e seu exército de fanáticos continuam negando a gravidade da situação. Já era 1 milhão de casos confirmados de COVID-19.

Em agosto, o número mundial de mortes causadas pela COVID-19 já ultrapassava a marca de 700 000 e o presidente da Rússia declarou que o país já havia aprovado a primeira vacina do mundo contra a doença. Mas até hoje não sabemos se era verdade ou só um porre de vodka do Putin…

Em setembro, o número mundial de mortes causadas pela COVID-19 ultrapassa a marca de 1 milhão.

Em outubro, o Brasil atingiu 5 milhões de casos confirmados de COVID-19 e superou as 150 mil mortes causadas pela doença. Como se não bastasse tanta tragédia ao longo do ano, ataques terroristas voltam a abalar a França pela selvageria – vítimas foram decapitadas na rua, em plena luz do dia.

Em novembro, finalmente, apesar de mais dias terríveis, sem luz, sem água, sem comida e sem dinheiro aqui no Amapá, começam a aparecer as boas notícias. Primeiro, Donald Trump perde as eleições nos Estados Unidos, não conseguindo se reeleger, apesar de até hoje estar esperneando e fazendo beicinho.

Os fascistas apoiados por Bolsonaro levam uma surra nas urnas e quase nenhum dos vermes consegue se eleger para prefeito, vereador ou síndico de condomínio… Até que no dia 2 de dezembro o Reino Unido aprovou a vacina BNT162b2 da Pfizer, sendo o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina contra a COVID-19.

Ainda em dezembro, no dia 21, Júpiter não se alinhou com Marte, como diria a música, mas com Saturno, num evento que só acontece aproximadamente a cada 400 anos. Os astrônomos disseram que se tratava do mesmo fenômeno astronômico descrito na Bíblia como a Estrela de Belém, que teria guiado os Reis Magos até a manjedoura onde acabara de nascer Jesus, o Cristo, cerca de 2020 anos atrás.

Talvez este evento sirva para lembrar – pelo menos aqueles que se importam com a magia da vida neste planeta – que, por mais que o ano tenha sido difícil, sempre há uma esperança. E a luz sempre acaba rompendo a escuridão, por mais assombrosa que ela seja.

Ao longo do ano, muita coisa boa também aconteceu, tanto individualmente como coletivamente. Nos primeiros meses, o isolamento social forçado pela pandemia ajudou a fazer com que a natureza voltasse a respirar um pouco e regenerasse seus recursos. Foram registrados altos índices de melhoria nas condições do ar e de muitos mananciais de água. Muitos gestos de amor ao próximo de anônimos se fizeram perceber por várias partes do mundo. Muitas pessoas reavaliaram suas vidas, seu valores, suas prioridades. Outras encontraram um sentido na vida em ajudar alguém. Pudemos perceber, pela primeira vez em anos – talvez em séculos – o quanto estávamos já isolados de nós mesmos e das coisas e pessoas que realmente importam nas nossas vidas e tivemos a chance de nos reaproximarmos de nós mesmos, de convivermos com nós mesmos, até de perdoarmos a nós mesmos…

(Ilustração: Manuel Granja)

Óbvio que para muitos o egoismo continua prevalecendo. São aqueles que negam tudo o que aconteceu e ainda está acontecendo. São aqueles que se recusam a usar uma simples máscara. São aqueles que se recusam a tomar uma vacina que vai, se não acabar, pelo menos controlar mais um pouco o avanço desse vírus e desse caos. São aqueles que acreditam que o planeta é uma tábula rasa, que só o dinheiro salva e que comunista come criancinhas – quando na verdade, muito padre de reputação ilibada é quem está sendo preso por “comer” criancinhas a redor do mundo…

Ainda assim, acredito piamente que 2020 é um ano que tem muito o que comemorar. E mais! Que jamais deverá ser esquecido!

Perdemos e continuamos a perder muita gente querida. É triste. Mas eu aprendi que as coisas são como são. Simplesmente é assim. E temos que conviver com isso. Vamos sofrer? Vamos. E muito! Mas não tem nada errado em sofrer. As lições mais importantes da vida são aquelas que nos chegam geralmente pelo sofrimento e pela dor. Mas isso não é desculpa para querer deixar de viver. Muito pelo contrário.

O que precisamos fazer é mudar nossa atitude perante a vida e aproveitar e celebrar cada minuto que temos como se fosse o último, seja por causa de pandemia, de guerra, de ataques terroristas, ou simplesmente pelas agruras do nosso cotidiano.

*Silvio Neto é jornalista e pilota o blog “A Vida é Foda” (aliás, recomendo, saquem lá).

O melhor comercial de natal dos anos 80 (do Banco Nacional)

Quando eu era moleque, adorava quando passava o comercial de natal do extinto Banco Nacional na TV. O jingle da propaganda, “Quero Ver Você Não Chorar”, é muito legal e marcou o período natalino da minha geração. Me emocionei muito agora. Esse comercial resgata a minha infância e muita coisa boa que vivi nela…Meu saudoso pai, minha mãe, meu irmãozinho caçula e tanta coisa legal daquela época..

O comercial é de 1985 (eu tinha nove anos) e faz parte de minha memória afetiva. É emocionante e nostálgico. Assistam:

“Quero Ver Você Não Chorar”

Quero ver você não chorar
Não olhar pra trás
Nem se arrepender do que faz

Quero ver o amor vencer
Mas se a dor nascer
Você resistir e sorrir

Se você pode ser assim
Tão enorme assim eu vou crer

Que o Natal existe
Que ninguém é triste
Que no mundo é sempre amor

Bom Natal um feliz Natal
Muito amor e paz pra você
Pra você…

Festas, confraternizações e a hipocrisia de fim de ano

Há poucos dias do natal e mais de uma semana do final de 2020, aquela atmosfera começa a tomar conta de tudo. Todos começam a exercitar o melhor que existe dentro de si (pelo menos é o que tentam demonstrar a todo custo), além da nostalgia latente e exagerada. Até aí tudo bem, mas é como se bastasse ser legal somente no final do ano. Não, não deveria ser assim. Pura hipocrisia.

Principalmente entre colegas de trabalho que se odeiam e familiares que não se suportam. Forçam a barra com “confraternizações”, só para dizer que os ventos natalinos causam amnésia de atos cometidos ao longo do ano. Nestes casos é mais fácil respeitar o distanciamento social por conta da pandemia.

Em todos os campos, seja no pessoal ou profissional, cruzamos com fofoqueiros, invejosos e canalhas de todo tipo. O pior para mim é quando essa gente me vem “desejar” feliz Natal ou próspero ano novo. Dá vontade de dizer: “pé-de-pato-urubu-três-vezes” ou “vá-te-retro-satanás”. Cruzes!

Bom, temos ideias novas todos os dias. Já está na hora de dizermos: “seguinte, a afinidade fala mais alto, vamos confraternizar com quem realmente importa”. Desejo um feliz 2021 (que seja realmente melhor que esse 2020 tenebroso) para minha família e meus amigos. Mas não para todo mundo, como a maioria dos “bons samaritanos fabricados” nestes dias de dezembro.

É fundamental que a frase “Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor”, de Hamilton Wright Mabi, seja exercida. Mas de fato, sem falsa fraternidade ou confraternização de ocasião. É isso. No mais, boas festas aos bons!

Elton Tavares

Emerson Tavares gira a roda da vida pela 41ª vez. Feliz aniversário, meu irmão. Te amo!

Eu tinha três anos e alguns meses. O mundo era novo em tudo e era difícil aprender e enfrentar sozinho. Aí o Emerson chegou e tudo foi melhor e mais feliz. Hoje, o meu irmão caçula gira a roda da vida pela 41ª vez e, desde a sua chegada até este décimo dia de dezembro de 2020, ele é o meu melhor amigo. Rendo a ele todas as homenagens.

Todas mesmo. Além de ser um ser humano de sucesso, há tempos, ele é um empresário bem sucedido e profissional competente. Pudera, Merson nunca foi só mais um.  Emerson é um  paizão para a nossa pequena Maitê, princesa da família. E marido apaixonado pela Andresa. O filho mais novo da Lucinha, meu irmão, é um cara e tanto. Mano é um figura alegre, de bem com a vida, a personificação da alegria, bom-humor, sagacidade e atitude. Trata-se de um cara PHO – DA, de quem tenho muita sorte e orgulho de ter o mesmo sangue. Não há quem diga dele coisa diferente.

Emerson Tavares é um cara que respeito, admiro e escuto. Com calma quase hipnótica, ele resolve a turbulência do meu espírito e coloca um pouco de ordem no caos.

A gente aprendeu tudo de bom e de ruim juntos.Tê-lo por perto é certeza de alegria em larga escala e paz no coração. Com o Merson, sou invencível. Juntos, a gente nunca perde, só ganha (Sempre mais vida e momentos memoráveis junto aos nossos amores).

Mano é um otimista de plantão. Ele exala otimismo. Acho que é por conta disso que o Universo conspira a seu favor, graças a Deus.

Acredito que uns 70 ou 80 por cento das coisas lindas e incríveis que fiz na vida foi ao lado do meu irmão. Espirituoso e gente fina, amo tá com ele em qualquer lugar. A gente é companheiro de jornada nessa existência e tenho certeza que de outras antes dessa. É muito amor pra só 41 anos dele e 44 meus.

O cara é um maluco suave e um figura que é uma delícia de conviver. Ao mesmo tempo, é uma força da natureza que produz  muitas vitórias, poucas derrotas,  incontáveis virtudes e alguns pecados. Emerson Tavares leva a vida de acordo com as suas regras, mas com leveza, emoção, tesão, humor e, sobretudo, amor pela família, pelos amigos, pelos seus times do coração.

Já disse e repito: é uma lindeza ver a forma apaixonada como o Emerson vive, o seu amor pela filha, esposa, mamãe, por mim, vó e amigos, é um lance diferente e muito foda. Ele é um cara despudoradamente de bem com a vida e de uma energia positiva que irradia.

Com o mano, venço obstáculos, resolvo problemas,  tomo porres homéricos em bares que nem sonhávamos ir quando mais jovens. Com ele e por ele, vou até o fim de mundo, caso seja necessário. Pois é, entre nós existe uma fortíssima reciprocidade e amor mútuo.

É muito porreta tá com ele. Seja nas longas conversas sérias ou papos galas secas; dividindo cervejas, pirando num show de rock, torcendo pelo flamengo, amando a Maitê, trocando conselhos e pérolas do cotidiano vivido via whatsapp. Vivemos longe, mas sempre juntos, pois para nós, “longe é um lugar que não existe”.

É como disse Guimarães Rosa: “ viver é muito perigoso”. Mas, porque o Emerson existe, é mais fácil de caminhar pela louca e longa estrada de tijolos amarelos, que chamamos de vida. O cara deixa a jornada muito mais porreta. A gente tá nessa junto. Às vezes loucaços, mas juntos sempre. Emerson é meu orgulho, um dos meus maiores amores e meu herói vivo, que torna possível uma vida realmente feliz.

Merson, tu sabes que eu faço qualquer coisa por ti e sou muito grato por tudo que já fizestes e fazes por mim. Sou muito sortudo pela tua existência  orbitar a minha e vice-versa. Que tua vida, meu irmão, seja longa, com mais sucesso.  Que tu sigas com essa luz própria, que ilumina qualquer ambiente onde estás, e esse jeito engraçado e porreta que contagia todos que te cercam. Tu és o cara mais PHODA do meu mundo. Te amo demais.

Parabéns pelo teu dia. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Mais vida, menos grana – Crônica de Elton Tavares

Noite dessas, ao conversar com amigos e dizer que não guardo um vintém do que ganho com o meu suado trabalho, eles ficaram assombrados. Disseram que é loucura, que ‘issos’ e ‘aquilos’, especialmente sobre reservas econômicas para possíveis emergências. Eu disse que prefiro mais vida e menos grana.

Não, não é que eu não goste de dinheiro. Claro que gosto, mas tudo que ganho, no batalho e sempre honestamente, é repassado para custos operacionais e caseiros. O restante é gasto e muito bem gasto em vida. E não sobra nadica de nada para acumular.

Além da minha incorrigível falta de perspicácia financeira, nunca ganhei somas consideráveis com meus trampos, seja este site, na assessoria ou escritos (sim, vivo literalmente de palavras). Mas o que entrou no meu bolso, apesar de eu não conhecer essa tal de economia, jamais foi desperdiçado.

Eu bebo e não é pouco. Como da mesma forma. Gosto de viagens e dos momentos em que fiz um monte de merdas legais com os meus brothers. Isso tudo custa caro. Em nem todo o dinheiro do mundo poderia comprar aqueles dias de volta. Ou seja, mais vida, menos grana.

Quando não usei minha grana pra curtir a vida com amigos, ajudei pessoas. E essa é a melhor forma de torrar os trocados. Como disparou outro gordo louco no passado: “não quero dinheiro, eu só quero amar”. Grande Tim!

Falando em citações (amo usar frases de ídolos), uma vez o Belchior disse: “e no escritório em que eu trabalho e fico rico, quanto mais eu multiplico, diminui o meu amor“, na canção “Paralelas”. Boto fé nisso.

Algumas pessoas que conheci no passado, amigos e até familiares, após se estribarem, ficaram um tanto pavulagem demais e com suas vidas muito menos divertidas.

E isso me recorda o bom e velho Johnny Cash, que certa vez pontuou: “às vezes eu sou duas pessoas. Johnny é o legal. O dinheiro causa todos os problemas. Eles lutam”.

Ou os Paralamas do Sucesso, na canção “Busca a vida”: “…Ele ganhou dinheiro, ele assinou contratos, e comprou um terno e trocou o carro. E desaprendeu a caminhar no céu …e foi o princípio do fim!“.

Aos que desaprenderam o caminho, deixo a canção-poema : “Desejo que você ganhe dinheiro, pois é preciso viver também. E que você diga a ele pelo menos uma vez quem é mesmo o dono de quem“.

No meu caso, sigo dando mais valor em viver do que em poupar para um futuro incerto. Menos grana, mais vida, meus amigos.

É isso!

Elton Tavares

O Bar é uma Antena Social – crônica porreta de Fernando Canto

Caricatura do artista plástico Wagner Ribeiro

Crônica porreta de Fernando Canto

Cansados estamos de saber que o bar é um espaço democrático, principalmente se é popular, aberto. No entanto é o lugar onde as ideologias emergem até com fundamentalismo. É um mundo em que os fatos ali ocorridos e as histórias contadas também são objetos de exposição de valores, de ocultação de defeitos e de promoção e marketing pessoal, demandados pelas incertezas do futuro, pelo processo político e pelas contingências da história.

Bar Xodó – bebi muito aí.

Logicamente também é um espaço de festa e de lazer; local onde as emoções se eriçam e se cruzam, onde notícias quentinhas esclarecem novos conhecimentos; amores secretos são aprofundados ou descobertos e por isso geram descontroles emocionais e físicos entre pessoas que até então nunca podíamos pensar tão valentes ou covardes. No bar as emoções se revelam em paradoxos inusitados.

Antigo Bar do Abreu da Avenida Fab – Foto: O Canto da Amazônia

Talvez por isso, e nesta crônica despretensiosa, eu possa entrar no mundo do bar para dizer o quanto ele é, também, um gueto disfarçado, às vezes uma roda violenta de preconceitos, que envolve quase todos os integrantes dessas assembleias ocasionais. O bar, antes de ser um balcão onde as pessoas ficam em pé ou sentadas em bancos altos consumindo bebidas alcoólicas, é também uma unidade de medida de pressão, segundo o Aurélio. O interesse pelo bar tem um condicionamento sociológico que vai além da mera vontade de tomar uma cerveja gelada, ou de querer ficar só por alguns momentos, ou mesmo se envolver em assuntos antagônicos aos problemas sentidos para não ter que cair na real.

Cada qual sabe a casca que tem para aguentar o que ronda cada cabeça pensante e a sua sentença sarcástica, pois inúmeros são os que ali vão para somente consumir o inconsumível, ou seja, a paz que o outro carrega. Os chatos, de certa forma dão vida ao bar.

Canto, Emerson, eu, Sal e Sônia – Bar da Maria – 2018

A família dos chatos é grande, tradicional, seus membros estão em todas as partes; muitos são perdulários e só demonstram humildade quando perdem tudo no jogo ou quando têm suas contas confiscadas por ordem judicial. Mas esses são os que conseguiram se ascender na escala social à custa do dinheiro público. Mesmo depois que são soltos da cadeia continuam chatos e arrogantes. Existem os chatos desmemoriados: aqueles que contam as mesmas piadas, mas sempre se esquecem dos finais, assim mesmo só eles riem da sua própria graça. Os chatos pedintes são os mais comuns. Revelam-se humílimos, franciscanos ao extremo e matam a mãe para acertar em cheio no alvo da comiseração alheia. Ao contrário desses existem os chatos barulhentos, que no jogo de futebol, na televisão, gritam tanto que cospem no copo de todo mundo num raio de três metros. E haja perdigoto na cerveja dos torcedores contrários. É claro que se podem identificar muitos desses elementos e até classificá-los, o que para tanto peço ajuda dos companheiros que não se autorrotulam nesse metier. Quem sabe não façamos um tratado sobre esse bloco afamado e muito peculiar, cujos elementos também são conhecidos cientificamente como insetos anopluros da família dos pediculídeos, os famosos Phthirius pubis (L.), que vivem no mundo inteiro sugando as pessoas.

Carnaval do Abreu da Fab, em 2016. Foto: arquivo pessoal de Elton Tavares

Desde muito tempo frequento bares e neles tenho encontrado pessoas de todos os tipos: políticos, beberrões inveterados, jogadores de futebol, profissionais liberais, padres, estudantes, gente de preferências sexuais diversificadas, funcionários públicos, poetas, jornalistas então… No bar há excelentes contadores de piadas e cantadores da noite com suas alegres vaidades. Mas também há os professores de Deus, que do alto de suas sapiências enojam, mas recebem os olhares irônicos dos mais humildes que acham que eles “só querem ser o que a folhinha não marca”.

Eu, Fernando Bedran e Fernando Canto – Mestres em boemia produtiva (papo bom demais)

O bar pode dar condições para o diagnóstico de uma sociedade. É uma antena extremamente poderosa e propícia para captar preferências individuais e coletivas. Pode ver! Pelo meu lado, faço minhas observações e bebo. E vice-versa. Malograda alguma companhia, só penso no ditado do Paulinho Piloto: “passarinho que acompanha morcego dorme de cabeça pra baixo”.

(Do livro “Adoradores do Sol”, de Fernando Canto. Scortecci, S. Paulo, 2010).

Hoje é o Dia da Criatividade – Meus parabéns aos criativos!

Hoje é o Dia da Criatividade. Pesquisei por horas, mas não encontrei o porque da data no dia 17 de novembro. Será que o motivo é porque todo dia é dia da criatividade? Não sei, pode ser. O conceito diz: “A criatividade é a faculdade/habilidade de criar ou o potencial criativo. Consiste em encontrar métodos ou objetos para executar tarefas de uma maneira nova ou diferente do habitual, com a intenção de satisfazer um propósito”. A criatividade permite cumprir os desejos de forma mais rápida, fácil, eficiente ou econômica.

A criatividade é responsável, entre outras coisas, pelas invenções. Uma pessoa nasce criativa ou trabalha e desenvolve sua criatividade ao longo do tempo? Para mim, as duas coisas são possíveis. Os inventores praticam, aperfeiçoam e criam. No meu caso, já inventei histórias (contos) e termos (neologismo). É o meu jeito de tentar ser criativo.

Dizem que “a necessidade é a mãe da criatividade”. Admiro pessoas criativas. Elas possuem auto-confiança; alta capacidade de associação; percepção; capacidade intuitiva; muita imaginação; capacidade crítica; curiosidade; foco; entusiasmo; e tenacidade.

A história está repleta de mentes fecundas que mudaram nossas vidas, sejam com teorias, ideias, músicas, pinturas, arquitetura, design, invenção de novos produtos, na literatura, fotografia, artes plásticas e tecnologia.

Aqui no Amapá, alguns grupos merecem reconhecimento e aplausos. Gente que movimenta Macapá e outras cidades do nosso Estado. Parabenizo os meus amigos criativos que fazem as coisas acontecerem neste estado distante de tudo. Às vezes, somente com muita criatividade mesmo!

Enfim, congratulações a todos que produzem arte, cultura, pesquisa, desenvolvimento e humor com muita criatividade. Este site sempre se propôs a divulgar toda essa gente paid’égua. Portanto, parabéns aos criativos, que fazem deste mundo muito melhor!

Elton Tavares

Site De Rocha completa 11 anos no ar

Parece que foi ontem, mas já faz 11 anos. O ano de 2009 foi bem legal, mas as duas coisas que mais gostei nele foram o show do Radiohead e a criação do blog De Rocha.

Incentivado por uma ex-namorada, comecei escrever na página virtual. Foi no dia 15 de novembro, há exatos 11 verões e um dia.

A gíria “De Rocha” nomeia este site porque nós, grande parte dos nortistas amapaenses e paraenses, a usamos quando queremos passar credibilidade sobre determinado assunto.

Na página, sempre publiquei fotografias, notícias, músicas, poesias, futebol, crônicas, contos, gifs, informes sobre fatos, eventos, pessoas públicas, bandas, arte, muita arte, e assuntos de interesse da população.

A promoção da cultura, em todas as suas vertentes, sempre foi o principal objetivo do De Rocha, além de expor meus pontos de vista, críticas leves e pesadas ou elogios amenos e exagerados aos que merecem. Foram tantos artistas, músicos, bandas, incontáveis eventos. Também publiquei textos do trampo por onde passei como assessor de comunicação. Além disso, falei muito da minha amada e preciosíssima família. E isso tudo misturando blá-blá-blá abobrístico, pois a vida sem humor é horrível.

Apesar da “internet soviética”, como diz o amigo jornalista Régis Sanches (ex-colaborador deste site), dos acusadores, fiscais e críticos, o De Rocha virou sucesso. Confesso que, quando comecei a escrever, nem imaginava que minha página virtual seria tão bem aceita. Isso aqui abriu portais, portas, janelas, gavetas e até alçapões em minha vida (risos).

Sei que rolou muito atrevimento, ironia, polêmicas, sarcasmo, verdades doloridas de se ler, alfinetadas, acidez e até bobagens de minha parte. Mas também rolou tanta homenagem, tanto amor real, tanta coisa legal. Claro que cometi alguns erros, não poderia ser de outro jeito. Mas tudo é aprendizado. Me arrependo de ter magoado algumas pessoas. De verdade!

Por aqui passaram vários colaboradores. Alguns deles nem são mais meus amigos, mas sou grato pelas contribuições. Cada um teve papel importante na formação deste espaço. Também agradeço aos parceiros que continuam por aqui. Em especial aos amigos Fernando Canto, Ronaldo Rodrigues, Jaci Rocha, Patrícia Andrade, Alcinéa Cavalcante, Luiz Jorge, Marcelo Guido e Marcelle Nunes, além do velho e saudoso Tãgaha Luz (In memoriam). Ah, os caras que fazem a manutenção do boteco: Rômulo Ramos e Laerte Diniz. Obrigado, meninas e caras.

O blog morreu há seis anos, quando foi criada esta página eletrônica (dados do antigo endereço foram migrados para cá). Passado todo esse tempo, mantenho-me como comecei: jornalista, assessor de comunicação, compulsivo por atualizações da página, cronista, crítico, ex-blogueiro e editor de um site ético sem rabo preso com ninguém (apesar de muita gente confundir o espaço dado a amigos assessores com favorecimento).

Tenho a ousadia de usar as palavras do escritor Caio Fernando Abreu: “acho que fiz tudo do jeito melhor, meio torto, talvez, mas tenho tentado da maneira mais bonita que sei”. Uma eterna luta do bem contra o mal dentro de mim, mas com 99% de vitórias da luz.

Ah, desculpem os palavrões em alguns textos, mas isso também é liberdade de expressão.

Muitas das crônicas de minha autoria foram reunidas em um livro, o “Crônicas De Rocha – Sobre Bençãos e Canalhices Diárias”, lançado em setembro passado (à venda na Public Livraria ao preço de R$ 30,00 ou comigo. Contato: 96-99147-4038).

Aqui a bola sempre foi minha. Você pode discordar, mas é isso o que penso e ponto. Com essa frase, agradei a maioria. Meu muito obrigado a vocês, senhores e senhoras que compõem o leitorado do De Rocha, sejam admiradores, críticos e detonadores (que de certa forma também são admiradores). Sigamos aplaudindo, criticando, discordando e incentivando as boas práticas. Valeu!

Elton Tavares

O naufrágio eleitoral de Joice Hasselmann

Mas que situação, hein, gente?

Que situação!

Vejam a situação de Joice Hasselmann.

O PSL já teme que ela tenha menos votos pra prefeita de São Paulo do que os votos obtidos quando se elegeu deputada federal.

E pensar que essa mulher já foi uma pitbull de Bolsonaro.

E pensar que, Bolsonaro eleito, ela previa o Brasil como uma espécie de Suíça da direita.

E pensar que posava como a parlamentar que tinha maior intimidade com o poder.

E pensar que proclamava Bolsonaro como o novo farol da humanidade.

Ate que Bolsonaro a chutou pra longe.

E hoje ela sente ne pela os efeitos de ter virado traidora do bolsonarismo.

Joice está arrependida das escolhas que fez em passado recente?

Se estiver, que nunca se esqueça dessa lição e aponte suas bússolas para posições mais moderadas e comedidas.

Se não, que tenha apenas um voto: o dela mesma.

Fonte: Espaço Aberto

A vitória de Biden é a vitória da democracia. Trump vira um fantasma eleitoral. Mas o trumpismo, não duvidem, está vivo

Vejam essas manchetes históricas, disponíveis nos sites dos principais jornais americanos.
Não é preciso que você saiba inglês para entendê-las.
Basta que você entenda o seguinte: Acabou. Acabou para Trump.
Pronto.
Joe Biden, do Partido Democrata, acaba de ter sua eleição para presidente dos Estados Unidos confirmada, neste sábado (07), depois de projeções que apontam sua vitória no estado da Pensilvânia.
Esse feito conquistado por Biden tem um significado histórico e determinante: o de elevar-se como um freio de contenção – e esperamos que seja assim – na guinada extremista, à direita, pela qual várias democracias, inclusive a nossa, no Brasil, têm enveredado.
Esse extremismo já ensejou a criação de um termo recente – e da moda -, déficit democrático ou recesso democrático, um e outro querendo dizer, em português de Portugal, apenas isto: a utilização, por autocratas declarados ou meio enrustidos, de mecanismos legítimos oferecidos pela democracia para miná-la, fragilizá-la, desfigurá-la, estuprá-la sem parar, até que a transformem numa ditadura. Com todos os requintes de uma ditadura.
Joe Biden era o melhor dos candidatos para derrotar Trump?
Não.
Mas, nas circunstâncias – em que era preciso alguém com um discurso mais moderado para derrotar um lunático -, Biden era, sim, o melhor candidato.
Esperemos para ver como se conduz.
Até porque, como sabemos, Trump é agora um fantasma eleitoral.
Mas o trumpismo está aí, vivíssimo.
Estão aí os 74.478.345 de votos atribuídos a Biden até o momento.
Mas também estão aí os 70.329.970 atribuídos a Trump.
Para mim, já é assustador que dez pessoas votem num elemento como Donald Trump.
Vocês imaginem então o que é ver mais de 70 milhões pessoas terem votado nele, comungando de suas ideias malucas, mentirosas, racistas, xenófobas, misóginas, homofóbicas, supremacistas, excludentes, desconectadas da realidade.
Mas enfrentar o trumpismo é pra depois.
No momento, é celebrar essa vitória, literalmente, como uma vitória da democracia.
E Trump?
No momento, diz-se, está jogando golfe.
Tomara que resista em sair da Casa Branca, em janeiro do próximo.
Se recusar-se, será tirado à força, escoltado pelo Exército, como previsto nas leis americanas.
E se for retirado sob escolta, e além disse metido numa camisa de força, muito melhor.

Fonte: Espaço Aberto.