Hoje é o Dia do Professor – Minha homenagem aos nobres educadores

Homenagem do MP-AP – Arte: Ascom MP

Hoje (15) é o Dia do Professor. A origem da data é em razão que, no dia 15 de outubro de 1827, Pedro I, então Imperador do Brasil baixou um Decreto que criou o Ensino Elementar Nacional. De acordo com a resolução, “todas as cidades, vilas e lugarejos teriam que ter escolas de primeiras letras”. Foi assim.

A profissão é talvez a mais nobre de todas, afinal o professor é o norteador dos futuros profissionais em todas as áreas de atuação que existem. Tive dezenas de bons professores, como a saudosa Gorete Monteiro. Excelente educadora, lecionava Português na Escola Polivalente Tiradentes, foi com ela que comecei a escrever melhor.

Falando de nossa língua, também exalto a professora Catarina Moutinho, que me deu aula no Colégio Amapaense e que reencontrei no Seama, onde formei em Comunicação. Não posso deixar de falar do Carlos Magno, profissional brilhante, que abriu minhas idéias.

Ah, também homenageio aqueles que, além de bons professores, se tornaram meus amigos pessoais, caso do Silvio Neto (professor universitário). Paulo e Patrick Bitencourt, meus irmãos da Cúpula do Trovão, Gabriela Dias, Marcelo Guido, Enilton Cardoso, Armando Cavalcante, Alzira Nogueira e Rita Barcessat, ambas da Unifap, entre outros. Pois tenho muitos brothers que lecionam e é impossível enumerá-los neste post.

Sou filho de uma professora e orientadora educacional, Maria Lúcia Vale Cardoso, que muito honrou a profissão. Minha mãe ralou pra caramba em salas de aula nos aos 80. Depois formou-se e seguiu contribuindo com a educação de centenas de pessoas, que hoje trabalham nas mais distintas áreas. A ela, em nome de todos os professores, minhas homenagens!

Feliz Dia do Professor aos trabalhadores da nobre e tão pouco reconhecida profissão. Esse é o profissional dos profissionais, com toda a certeza, a profissão que mãe é de todas as outras.

Maria Lúcia, minha mãe, a professora da minha vida.

Torço para que, um dia, o Brasil faça Justiça e valorizes seus educadores com condições de trabalho e salários dignos. Parabéns, mestres!

Elton Tavares

Notas sobre a Expedição Fluvial para o Jari – Por Clara Vieira – @Claravieira

A expedição fluvial rumo ao Jari foi muito sonhada pelo meu pai.

Eu imaginava a grandeza que ela teria em minha vida e na vidas pessoas que fizeram parte dela, mas eu só imaginava, eu não entendia.

O barco singra as águas, corta correnteza, na leveza e na fúria de quem tem sonhos e muita vontade do que há de vir.

Entre andanças e sorrisos, olhares atentos, passarelas e água, muita água e muito verde, muita verdade e vontade de aprender pra fazer o possível acontecer.

Tanto som, tanto sonhar, tanta história pra ouvir e pra contar.

Artistas, jornalistas, pesquisadores e sonhadores.

Rio Amazonas, rio Preto, rio Maracá, rio Ajuruxi, rio Ariramba, rio Cajari, rio Jari.

A gente passa Pelo Amapá Inteiro e em cada passagem, a gente atravessa diferente, com a bagagem carregada de valores impossíveis de calcular.

A gente nunca volta igual.

Fonte: Repiquete no Meio do Mundo.

Acabou o 7 de Setembro. E com ele, acabou Bolsonaro!

Bolsonaro faz discurso ameçador na Avenida Paulista: patético, degradante, chulo, idiota. O presidente mais inapetente que o Brasil já teve em mais de 500 anos de história.

O 7 de Setembro pariu um rato.
Esperávamos, todos nós, que o 7 de Setembro dos bolsonaristas, convocado pelo próprio Bolsonaro, fosse uma espécie de exibição de um golpismo pintado com as cores – sempre enganosas – do salvacionismo, do resgate de valores patrióticos supostamente solapados por alguma razão.
Que nada!
O 7 de Setembro de Bolsonaro, em vez de exibir o viés salvacionista, para livrar a Nação do comunismo, do esquerdismo e de outros ismos que despertam manias persecutórias nos direitistas atarantados por seus medos e seu fanatismo, pariu a covardia, a baixeza, a idiotice, o desequilíbrio, a maluquice e o desapreço pelo respeito mínimo à etiqueta que deve ser seguida por quem exerce as funções democráticas de presidente da República.
O 7 de Setembro exibiu um Bolsonaro covarde.
Ele não tem coragem de assumir a sua condição de autocrata e põe em marcha seus delírios, buscando culpados nos que tentam frear suas maluquices.
O 7 de Setembro exibiu um Bolsonaro inebriado pela idiotice.
Quando diz, em alto e bom som, que o presidente do Supremo tem de “enquadrar” o ministro Alexandre de Moraes, ele se esquece que Moraes não é empregado de Luiz Fux; ele é um juiz, com independência, no exercício pleno de sua jurisdição. Nessa condição, não se subordina a ninguém, a não ser às leis e à Constituição.
O 7 de Setembro flagrou um Bolsonaro envergonhado de confessar seus temores.
O temor de Bolsonaro é apenas um: o de que ele ou seu filho Carlos, o Carluxo, sejam presos. Por isso, decidiu concentrar todo o seu ódio, todos os seus arroubos autoritários, todo o seu fanatismo em Alexandre de Moraes, sem atentar para o fato de que está, no final da contas, atacando o Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal, e não propriamente o ministro.
Na tentativa de blindar-se, e a um de seus filhos, contra eventuais repressões legítimas do Poder Judiciário, Bolsonaro fulaniza seus ódios e descarrega toda a sua falta de decoro contra um dos integrantes do Supremo. Com isso, acredita que está atacando uma pessoa. Mas não. Está atacando o Poder Judiciário, um dos pilares do Estado Democrático de Direito.
O 7 de Setembro estampou a preocupante ignorância de Bolsonaro. Uma ignorância tamanha (sesquipedal, diria o velho Nelson) que pode voltar-se contra ele mesmo.
Ao dizer que passará a não mais cumprir qualquer decisão que emane da “caneta” de Alexandre de Moraes, Bolsonaro ignora duas coisas: primeiro, que as decisões do ministro não são dele, Moraes, mas do Poder Judiciário; segundo, ignora que descumprimento de decisões judiciais dá ensejo ao cometimento de crime de responsabilidade, conforme previsto expressamente no inciso VIII do artigo 4º da Lei 1.070/1950. E crime de responsabilidade é passível de impeachment.
O 7 de Setembro flagrou Bolsonaro resvalando para o personalismo e para o passionalismo mais deletérios e vergonhosos.
O 7 de Setembro pariu a baixeza de Bolsonaro.
Sua alocução – atropelada, chula, desconectada de qualquer lógica e racionalidade – é pior do que a de um frequentador de boteco que vai embora para casa guiado apenas pelo piloto automático, após ter tomado todas.
Sua postura é, permanentemente, indecorosa, agressiva, destituída das mais rudimentares noções de conveniência.
O 7 de Setembro pariu um personagem desesperado com uma enorme rejeição politica e com sua inapetência para governar.

@amarildocharges

Bolsonaro é a inflação em disparada.
Bolsonaro é a gasolina nos píncaros.
Bolsonaro é o desemprego. São mais de 14 milhões de brasileiros que se veem na desditosa situação de não ter uma fonte de renda formal.
Bolsonaro é a mortandade (são mais de 580 mil mortos, vítimas de seu desgoverno genocida).
Bolsonaro é a crueldade. Em mais de um ano e meio de pandemia, jamais pisou num hospital para apertar a mão de um doente. Ao contrário, debocha da doença.
Bolsonaro é a corrupção – as revelações de que ele e os filhos cevaram-se, durante anos e anos, nas rachadinhas alimentadas por uma azeitada equipe criminosa que tinha de tudo, inclusive milicianos, essas revelações, portanto, são de estarrecer.
Acabou o 7 de Setembro.
E com ele, acabou Bolsonaro.

Fonte: Espaço Aberto.

Roger Waters, um dos maiores astros do Rock, completa 78 anos hoje #HappyBirthdayRogerWaters

Roger Waters – Foto: Scott Stewart~Sun-Times

Roger Waters, o lendário contrabaixista, letrista e gênio criativo da música (a voz, baixo e letras do Pink Floyd), completa 78 anos hoje (6). É até redundante dizer/escrever que o fundador do Pink Floyd (ao lado de Syd Barrett) é um cara PHoda, pois além de tudo que ele fez pelo Rock and Roll, uma das características mais marcantes de sua obra sempre foi a crítica contundente contra o autoritarismo.

Ele sempre lutou por cumprir o que estava destinado a ser, um artista ativista. Desde os tempos de Pink Floyd,  banda formada em 1965, originalmente composta por ele e pelos então  estudantes Nick Mason, Richard Wright e Syd Barrett.

Formação original do Pink Floyd – Foto: site oficial da banda

O guitarrista e vocalista David Gilmour juntou-se à banda em 1968, meses antes da saída de Barrett do grupo, devido ao seu estado de deterioração mental, agravado pelo uso de drogas.

Com a entrada de David Gilmour, a banda dá mais uma volta e Roger assume a criação artística, a letra e a música, quase que inteiramente, compartilhando as vozes que ele alterna com o então novato guitarrista.

A banda de rock inglesa, de música psicodélica e progressiva. Seu trabalho foi marcado pelo uso de letras filosóficas, experimentações musicais, capas de álbuns inovadoras e shows elaborados. Trata-se de um dos grupos de rock mais influentes e comercialmente bem-sucedidos da história, tendo vendido mais de 200 milhões de álbuns ao redor do mundo.

Em um período muito conturbado para o Pink Floyd, Waters tomou as rédeas do grupo para si e centralizou as composições em uma espécie de ópera rock conceitual e autobiográfica que deu origem a um filme dirigido por Alan Parker, o “The Wall”, em 1982.

Posteriormente, os membros da banda se digladiaram numa batalha judicial que se arrastou por toda a década de 80 e Roger Walters acabou ficando fora do Pink Floyd.

Roger  se separou da banda em 1983.  No ano seguinte se lançou como solista.  E Eric Clapton colaborou com ele gravando e tocando ao vivo, assim como o grande guitarrista Jeff Beck. Ele seguiu com uma carreira de muito sucesso. Waters foi considerado o 22º melhor baixista do milênio, numa lista divulgada pela revista Guitar, há alguns anos.

Foto: site oficial de Roger Waters

Em 1989, a queda do Muro de Berlim deu motivos para relançar a obra O Muro. Em algo como um jogo de palavras com a mensagem do álbum e com o que acabou de acontecer, o que algum outro charlatão erroneamente chamaria de “o fim da história”. Mas Roger fez história porque deu um show para 300 mil pessoas em Berlim, e gravou um álbum e um vídeo ao vivo. E ele derrubou aquela parede novamente.

Foi apenas em 2005, no show do Live 8, que a banda original se reuniu novamente para tocar ao vivo. A expectativa de um possível reencontro cresceu, mas era tudo uma ilusão.

Mas muito mais do que um astro de rock, o “Rogério das Águas” sempre foi um lutador por causas nobres. Com o relançamento da obra The Wall, em 2010, uma nova turnê mundial começou e a versão mais política do artista também cresceu. O passar dos anos deu-lhe novos significados antimilitaristas ao álbum.

A gente segue na resistência.

Entre canções durante suas apresentações ou em entrevistas, Roger disparava muitos posicionamentos políticos invejáveis. Entre elas, a nosso favor. Em 2018, Roger Waters tocou no Brasil com a turnê “Us + Them” e se posicionou contra o fascismo e a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência. Eu e meu irmão tentamos ir ver esse show em São Paulo, mas não rolou.

Waters, que tem a carreira marcada por manifestações políticas de forma correta, fez os shows como lançamento de seu novo álbum, ” Is This the Life We Really Want?” (“Essa é realmente a vida que queremos?”).

Expressão #EleNao e nome do genocida, em 2018, exibidos durante show de Roger Waters em São Paulo — Foto: TV Globo

Sim, o cara que fez uma turnê no Brasil e tentou nos salvar da tragédia que vivemos com Bolsonaro. Pena que a maioria dos cidadãos de bem não deram ouvidos, mas nós seguimos na resistência.

Por tudo que fez, faz e representa, parabenizo George Roger Waters. Quem dera todos os artistas do mundo fossem como ele.

Agradeço ao velho Roger. Vida longa ao Waters!

Elton Tavares, com informações das revistas Rolling Stone, Wikipédia e centenas de Bizz’s que li na vida, Wikipédia e porrada de rockadas da vida regadas a cerveja e o som de Roger e seus companheiros lisérgicos.

Os 165 anos que a vila de Macapá foi elevada à categoria de cidade de Macapá – Por Fernando Canto

Eis o decreto publicado no Jornal Treze de Maio.

Por Fernando Canto

Hoje Macapá completa 165 anos de elevação de vila à categoria de cidade. Decretada pela Assembleia Legislativa Provincial e sancionada pelo presidente da Província do Grão-Pará, Henrique de Beaurepaire Rohan, a Lei nº 281 de 6 de setembro de 1856 foi selada e publicada no mesmo dia e registrada no livro 3.º de Leis e Resoluções Provinciais no dia 9 de setembro. Esses dados se encontram na “Collecção das Leis da Província do Gram-Pará”, Tomo XVIII, Parte 1ª.

Fortaleza de São José de Macapá – Foto: blog Amapá, minha terra amada.

Mesmo passando despercebida pelos estudiosos, a data é importante para a História de Macapá porque é uma espécie de segunda certidão de nascimento (a primeira foi o Decreto que elevou a localidade à vila, em 04.02.1758) de um lugar muito marcado pelas doenças e pelo esquecimento das autoridades. A cópia da Lei nº 281 foi conseguida em Belém por amizade, visto que o volume citado na qual ela se encontra já é uma cópia doada pela Biblioteca Nacional ao Arquivo Público do Pará. A cópia envidraçada decorava a parede do gabinete do prefeito, com registro de sua autenticidade em cartório.

Fortaleza de São José de Macapá – Foto: blog Amapá, minha terra amada.

Infelizmente muitos dos documentos e fotografias que poderiam ajudar a compor partes da nossa história foram extraviados no tempo ou simplesmente roubados por pessoas inescrupulosas, segundo se comenta no mundo acadêmico. É possível que um Arquivo Público atuante pudesse reunir e catalogar essas fontes primárias para facilitar a pesquisa dos interessados na área. Assim, talvez, os setores responsáveis pela cultura realizassem projetos voltados para a recuperação da nossa memória, por meio de ações de intercâmbio com outros estados e países que possuam documentos importantes para nós.

Fortaleza de São José de Macapá – Foto: blog Amapá, minha terra amada.

Sabe-se que até mesmo documentos recentes, da época em que Macapá foi decretada capital do Território Federal do Amapá, são difíceis de conseguir. A não ser com grande esforço pessoal, dedicação e tino profissional, como faz o professor Fernando Rodrigues ao publicar trabalhos de relevância para a História local.

Desde o ano de 2001, eu já alertava o poder público e quem de direito para montar comissão para os festejos de 250 anos de fundação da antiga vila de Macapá em 2008, visando promover nossa cidade no mundo inteiro. Esse preparo deveria envolver escolas municipais e estaduais, clubes de serviço e associações de moradores, prefeitura e governo e, inclusive, grupos e organizações de migrantes de todo o Brasil que escolheram nossa terra para viver e criar seus filhos.

Antiga Vila de Macapá – Foto encontradas no blog “Amapá, minha terra amada”.

Contatos com as ilhas de Funchal e Açores (territórios portugueses) deveriam ser feitos naquela época, dada a necessidade de lembrar que foram os açorianos os primeiros colonos enviados para cá em 1751. Eles que nos povoaram e trouxeram, entre outras coisas, suas festas religiosas como a do Divino Espírito Santo, que depois se incorporaria ao marabaixo dos negros escravos. Lembro também que seria preciso criar monumentos, concursos artísticos, históricos e literários para despertar mais no seio da juventude o amor e o poder de crítica em relação à cidade. Quem sabe não surgiriam sinfonias que pudessem enriquecer a música brasileira um pouco mais, ou obra literária de grande valor. E paralelo a isso viessem a se discutidos grandes problemas urbanos como o trânsito, os transportes coletivos, a aplicação do código de posturas, impostos, migração e outros temas que representem possibilidades de melhoramento da vida social.

(*) O artigo original data de 08 de setembro de 2006. Publicado no Jornal do Dia.

Eu me inventei (crônica de Elton Tavares – Ilustrações de Ronaldo Rony)

Ilustração de Ronaldo Rony

“Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir”, disse Winston Churchill. Quando criança e adolescente, alardeei qualidades que não tinha. Mas as minhas invenções passaram de ficcional para real. Sim, uma coisa espantosa sobre mim (sim, este texto é sobre este jornalista, portanto, se não quer saber, pare agora e vá fazer algo útil) é que inventei um personagem e virei ele.

Não me acho e nunca me achei superior a ninguém, muito menos especial. Mas não quis ser um tipinho anônimo e insignificante que era na infância. Por isso, me inventei. É tipo fazer figa ou morder o beiço pra caba não lhe ferrar, se você acreditar, acontece!

Cansado de piadinhas idiotas, inventei que perdi a virgindade aos 13 anos, mas aconteceu aos 14, em 1990. O motivo da mentira? Detestava ser o único moleque virgem da sétima série. Aí comecei a ter mesmo sucesso com as meninas. Hoje, acredito que a maioria mentiu naquela época.

Ilustração de Ronaldo Rony

Depois inventei que era bom de briga, até ter que brigar. Se tivesse me acovardado, ia ficar esquisito. Depois da terceira ou quarta surra que peguei, me tornei, de fato, bom de porrada. E depois disso ganhei muitas lutas de rua.

Mas o papo aqui é sobre o jornalista. Demorei muito pra ser um profissional mediano em algo. Fui vadio, office boy, auxiliar de escritório, auxiliar contábil, vendedor de seguros, porteiro de escola e, enfim, jornalista.

Ilustração de Ronaldo Rony

Não dá pra se inventar jogador de futebol ou músico (quem dera), mas jornalista, deu! Vou explicar. Basta ler, estudar, apurar um fato e ser ético, além de possuir discernimento crítico sobre temas diversos. Não, não é fácil. O tal de pensar fora da caixa. Pois bem, eu me inventei jornalista.

Claro que aprendi com muita gente, desde os professores da faculdade aos colegas de trampo. Errei muito, ainda erro e sempre errarei. Aliás, todos nós, sempre.

Creio que a vida, o cosmos, Deus ou seja lá qual o nome da força que rege tudo isso conspira a favor de quem trabalha e acredita em si mesmo. Por isso, resolvi ser esforçado e focado quando quero algo. Como disse um sábio que conheci: “Quem me escolheu fui eu mesmo!”.

Otimismo, sorte, coragem e batalho, muito batalho. De tantas experiências vividas, trampo pra caramba e lições tiradas, aprendi esse ofício. Nesse âmbito, tento ser correto, original, sincero e justo. Nem sempre consigo, mas, quando não ajo dessa maneira, é porque não deu.

Ilustração de Ronaldo Rony

No final das contas, me dei melhor que muitos dos sabichões da época do colégio, que me parecem infelizes em seus ofícios. Tomei gosto por estar sempre bem informado e escrever virou algo prazeroso. Dá até pra viver disso (risos).

A verdade é que, com o tempo, todo mundo saberá quem é você realmente. Me tornei o que decidi ser: às vezes, sou contista; noutras, cronista, contador de histórias e sempre jornalista. Eu inventei essa porra e muita gente acredita nisso. Até eu. É isso!

Elton Tavares

*Do livro “Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, de minha autoria, lançado em setembro de 2020.

Eu, meu emocional e o Covid – Por Lica Contente

Por Lica Contente

Hoje vim aqui falar de sentimentos, sensações, experiências, na verdade minha experiência. Quando tudo isso começou, covid 19, não sabíamos o que era ao certo, e o que iríamos viver, sentir ao longo de meses de extrema intensidade,

Sou fonoaudióloga e já atuo a muitos anos em hospitais públicos de minha cidade, me considerava até bastante experiente no que fazia, sempre quis dar o melhor de mim, na esperança de minimizar a dor e o sofrimento das pessoas que se encontram internados em hospitais.

E aí chegou o furacão COVID 19, foi um misto de medo, ansiedade, queria correr, fugir, me esconder, mas sabia que, dentro da fonoaudiologia hospitalar iríamos ”com toda a certeza” atuar com esses pacientes, mas não queria muito acreditar, preferia a dúvida do desconhecido. Minha família à essas alturas, por outro lado, já faziam pressão e diziam: “ te sai, não te mete nisso, você sabe o risco que tem para você e para todos nós”, então fui me esquivando o quanto pude, e deu certo por apenas um tempo, foi chegando um, dois, três pacientes em meu hospital com síndrome respiratória aguda grave que suspeitavam ser covid, e fui é claro, atendendo. Me cobria de muitos cuidados, me afastei por um longo tempo da minha mãezinha, morria de medo dela pegar, desenvolvi umas manias de limpeza, obsessões por álcool em gel, luvas e máscaras.

Medo, tudo isso se resumia nessa palavra, medo. A pandemia avançou, acompanhávamos atentos os noticiários, os números, os fatos, os relatos, “a ciência”, só ela nos salvaria desse pesadelo. Na contramão ainda passávamos raiva com um governo negacionista, que afirmava que tudo não passava de uma gripezinha…tivemos apagão de um mês nos deixando na escuridão total, no caos…e logo em seguida a pandemia chegou a mim, um grande e querido amigo meu agravou e entubou, está na uti, e eu fui junto, assim também entrava na uti também meu emocional. Mas o que tinha por vir ainda era bem maior.

Dezembro chegou e o meu estado decidiu concentrar todos os pacientes de covid em um só hospital, o Hospital Universitário, e logo fui chamada para compor a equipe de fonoaudiologia, daí então começaram os meses mais intensos de minha vida. Todos os dias antes de ir tentava me preparar de alguma forma, arrumava de véspera minhas coisas, fazia minhas orações, vestia minha capa e ia.

E assim os dias avançaram dentro daquele hospital, tudo novo, aprendizado, experiências a todo vapor. Aprendi com a dor de cada olhar que pude presenciar, seja de um paciente, seja de profissionais que lá caminhavam junto comigo.

E paralelo a isso aguardava sempre a melhor notícia do meu amigo, tirou o tubo, saiu da UTI, teve alta… faleceu, quando tudo parecia caminhar bem, senti a primeira perda que essa pandemia me trouxe.

Sigo atendendo, em frangalhos, mas atendendo. Os casos só aumentavam, o hospital começou a encher de uma maneira muito rápida, antes só UTI 1 agora 2, 3 e 4 meus pés doíam de tanto andar de lá para cá, para dar conta de atender a demanda cada vez maior.

A mãe de meu amigo mais próximo que trabalhamos juntos o tempo todo, internou, agravou, entubou, ele não conseguindo ficar por lá vendo tudo isso teve que parar os plantões e eu assumi os dele, o que acarretou mais tempo dedicado àquele lugar, e acabei por acompanhar toda a partida dela…

Os atendimentos aumentando, as mensagens em meu celular também, pessoas querendo notícias de familiares que estavam internadas, aflitos por alguma esperança um acalanto.

Antes víamos vovós e vovós tão queridos padecendo a esse vírus, agora o quadro era totalmente diferente, eram jovens, pessoas que estudavam comigo, que frequentavam os mesmos espaços, as mesmas festas, em idade laboral, curtindo ainda filhos pequenos, fazendo planos, com dificuldades para aceitar o momento da intubação.

A mãe de meu amigo se foi; Foi também a mãezinha de uma grande amiga que de longe morria de aflição e chorava sem parar; Foram também duas irmãs gêmeas, famílias inteiras, pais, mães, avós, tios, filhos e agora até crianças… nesse momento colapsei pela segunda vez.

Meus pulsos estavam a todo vapor, a adrenalina da minha vida alcançara o pico máximo.

O cantinho da UTI onde colocavam as pessoas que iam a óbito agora sempre estava cheio, cheio de histórias, de lembranças e dor. E todos os dias que chegava, passava por lá e reverenciava cada uma daquelas pessoas que perderam a batalha para aquela doença. Enquanto isso lá fora só se ouvia as lamúrias, os choros, a dor das famílias inconformadas por não terem tido pelo menos a oportunidade do adeus.

Morreu mais um amigo, e mais outro e mais outro; Morreu uma jovem de vinte anos com Síndrome de Donw, cheia de doçura, que era tão amada por seus pais que imploraram para direção dar o adeus à ela da porta da uti, onde caíram abraçados no chão, sem chão pela tamanha dor.

Morreu uma grávida!!! Mas conseguiram salvar seu bebe. Outra não teve a mesma sorte e morreu com o bebezinho ainda em seu ventre.

Morreram todos, se não quase todos, alguns conseguiram sair, para iniciar uma nova etapa, em busca da saúde que tinha ficado frágil demais por conta daqueles dias tão difíceis. Amigo esposo de uma amiga que estava preste a dar a luz saiu ainda a tempo de ver seu filho nascer, minha cunhada guerreira lutou, e conseguiu voltar para os braços de sua aflita família, minha querida e amada D. Selma, o xodó da UTI 1, foi alcançada pelo milagre da vida, e tantos outros que conseguimos devolver as suas famílias. Os cartazes de agradecimento pelos corredores só aumentavam.

Alguns dias lá, tinham tantas paradas ao mesmo tempo que parecia estar de fato em uma guerra. Eram dias de correria, equipes para lá e para cá, tentando de tudo, a qualquer custo salvar essas pessoas, e digo, nunca duvide disso, todos ali estavam dando tudo que tinham para ver a vida vencer. Em um fatídico dia como esse, compartilhei uma cena em que me levaria a colapsar pela terceira vez, acompanhei a reanimação de um pai de uma enfermeira que estava lá no momento em seu horário de trabalho, quando ela correu e se deu conta que a ocorrência era no leito de seu pai, caiu no chão em desalento. Médicos, residentes, enfermeiros, fisioterapeutas, todos em cima dele, tentando traze-lo de volta e eu fui ao chão abraça-la, mas confesso que tremia mais que ela de tão nervosa. Tentaram, tentaram, mas não deu ele não voltou, o médico saiu do leito encharcado de suor, ofegante de cansado, mais principalmente acabado com a derrota, abaixou, abraçou ela pediu desculpas e choraram juntos. Eu ….sai correndo, fui ao banheiro e tive uma crise de choro de pelo menos uns 40 minutos, mais ou menos igual ao que estou tendo escrevendo e relembrando tudo isso agora. Liguei para meu marido e pedi para ele ir me pegar que tinha chegado ao meu limite naquele dia.

Já em casa, escuto a vinheta do plantão extraordinário da rede globo e sai a notícia: Anvisa acaba de autorizar a primeira vacina contra covid 19, e tive mais uma crise de choro, mais agora de felicidade, meu coração acelerado não cabia dentro do peito.

Lica Contente – Arquivo pessoal

Fui a quarta pessoa a vacinar em meu Estado, só para vocês terem uma ideia do grau da minha ansiedade. Um mês depois minha mãezinha vacinou, depois minhas irmãs, esposo, amigos, e pouco a pouco acompanhamos a diminuição das ocupações de leitos, a esperança se renovou, e a alegria aos poucos está voltando em minha vida.

Hoje, setembro de 2021, estou me despedindo desse lugar, estou parando de fazer plantão pois o hospital irá fechar por falta de quantitativo de ocupações de leitos. Em minha memória sempre esses dias estarão. Mas escrevi tudo isso porque queria muito contar a vocês que hoje sou outra pessoa, amadureci no mínimo 10 anos, revi conceitos, desfiz amarras, refleti sobre a vida, o que vivi, o que senti, e tudo isso só podia me transformar muito. Espero um dia olhar para trás e sentir que fiz tudo que podia, que estava ao meu alcance. Esse é o sentimento de todos os profissionais que ali estavam, o sentimento de dever cumprido. Mas não se engane, sempre iremos pensar, que devíamos ter ido mais e mais além, e que poderíamos de alguma forma ter contribuído mais com aqueles pacientes.

E para aquelas pessoas, familiares, amigos, que pude ser uma ponte, uma fonte de notícia de calor, de amor espero sinceramente poder ter ajudado. Dia desses recebi um abraço inesperado, repentino, de um familiar. Essa energia que me encheu de forças para continuar. Meu muito obrigado.

A pandemia ainda não acabou, ainda seguimos na luta, cuidados ainda redobrados. Mas meu coração segue cheio de esperança que o sol voltará a brilhar em nossos corações.

Estou viva, sobrevivi!! Apesar de tantos colapsos…

Lica Contente – Arquivo pessoal

Dedico esse texto a todos os profissionais da saúde que assim como eu travaram e ainda travam a batalha pela luta em busca da vida. Meu muito obrigado.

A equipe de fonoaudiólogos que lá estiveram, mando um abraço especial, nós, juntos, fomos quase imbatíveis.

E em memória a todos os guerreiros que bravamente lutaram e padeceram. O meu respeito…

Macapá, setembro de 2021.
Lica Contente, fonoaudióloga.

Hoje é o Dia Internacional do Gamer

Como os leitores deste site sabem, temos uma seção “Datas Curiosas”. Portanto, vamos ao inusitado do calendário deste vigésimo nono dia do mês oito. Hoje, 29 de agosto, é o Dia Internacional do Gamer. Em 29 de agosto de 2008, um grupo de revistas espanholas especializadas em games criou a data para parabenizar todos os aficionados por jogos eletrônicos. E olha que tem gente à beça que curte os diversos tipos de videogames.

A data é bastante democrática, pois independentemente do console, plataforma ou qualquer tipo, amamos games. Seja como pilotos de prova, corridas, aviões ou espaçonaves; lutadores, soldados, jogadores de futebol; no combate hordas à de aliens, indo de castelo em castelo em busca de uma princesa, atirando nos barris vermelhos para explodir tudo, assassinando todo o panteão do Olimpo ou pulando de estruturas extremamente altas esperando que um monte de palha amorteça a queda.

Para ser um gamer basta curtir jogos eletrônicos; esse passatempo fantástico. Tanto faz se em frente à televisão, monitor do PC ou celular, a gente ama jogar. Uns mais que os outros, é verdade. Alguns defendem a tese de que os jogos estimulam habilidades intelectuais. Será? Pode ser, se aliada a leitura e demais formas da construção cultural do ser humano.

De jogo em jogo, desde os tempos das fichas de fliperama, Atari, Mega-Drive, Super-Nitendo, Playstation 1,2,3, etc…aprendi muito. Aliado a um tufão de sentimentos que vão desde a satisfação da vitória ou de zerar o jogo, até a frustração da derrota ou perda de várias vidas em uma única fase.

Hoje em dia, sou um gamer casual, apesar de todos os dias jogar pelo menos meia hora no celular. Mas tenho muitos amigos viciadíssimos, como o Fausto Suzuki e o Cid Nascimento.

Portanto, este é um dia de celebração para essa sensacional cultura midiática do entretenimento.

Agora, convenhamos, o mundo dos videogames é mesmo fascinante. Sabe lá Deus quantos livros e filmes legais deixei de ler ou assistir por conta deste vício.

Certa vez, em 2010, escrevi a crônica “Até quando jogaremos videogame?”. Tenho certeza que a resposta é “forever”.

Parabéns aos mais de 1,2 bilhões de gamers de todo mundo. Vocês transformam esta indústria na mais lucrativa do ramo de entretenimento. Em segundo lugar vem o cinema.

Fontes: EuroGamer, PlayStationBlog e History.

Elton Tavares

O pobre soberbo – Crônica/reflexão de Elton Tavares

Sabem, não que eu seja um estudioso da natureza humana, nada disso, escrevo sem propriedade alguma, somente baseado nos meus “achismos” e pontos de vista.

Bom, hoje falarei do “pobre soberbo”. Não, não sou elitista, na verdade, nunca liguei para quem tem grana ou sobrenome. Sempre andei com lisos bacanas e agradáveis desconhecidos, assim como eu. Acredito que gente legal atrai gente legal. Mas enfim, voltemos ao pobre soberbo.

Este tipo de cidadão possui uma renda mensal que está sempre abaixo do orçamento que gostaria de ter, até aí, tudo normal. O pobre soberbo costuma ter bom gosto com roupas, culinária e etecétera e tal. Mas é do tipo que gosta de manter a aparência de bacana, usar vestimentas de marcas famosas, mesmo que isso comprometa suas prioridades (como supermercado, prestações ou algo assim).

O importante para este tipo peculiar de pessoa é manter a capa. Elas costumam frequentar locais “chiques”, sempre conversando sobre futilidades e afins. Ah, os assuntos preferidos do pobre soberbo são carros e pessoas que ocupam cargos públicos. Sim, eles são afiados nessa ladainha sobre coisas e pessoas que nomeiam “importantes”.

O pobre soberbo conhece todo figurão ou seus filhos, por estudar anos a fio suas fisionomias, nas inúteis colunas sociais. Aí ele espera só uma oportunidade para “puxasaquear” o tal fulano e aplicar o seu marketing pessoal, pleiteando algum tipo de status.

Ah, quando um pobre soberbo consegue alcançar algum lugar dentro da sociedade, de acordo com sua percepção, fica pior do que os verdadeiros ricos, nojentão total. Conheci várias pessoas assim. Lembro de um figura, nos anos 90, que disse para mãe que iria se matar, se ela não comprasse um carro para ele. Lembro das meninas da faculdade dizendo: “É um Fulano do carro tal” ou “é o Cicrano, filho do Beltrano”.

Outra característica dos pobres soberbos é dizer o preço das coisas que usa: “Saca este sapato, dei R$ 500 nele”. Essas pessoas são de uma superficialidade incrível.

Estes figuras são cheios de falsas certezas. Basta o mínimo de percepção para arrancar suas máscaras. A maioria só faz figuração na vida. Parafraseando Arnaldo Jabor: “eles assumem a verdade das suas mentiras”.

Dos pobres soberbos, que não são pobres só de posses, mas de espírito, eu só sinto pena e desprezo. Deles, só quero distância.

Elton Tavares

Hoje é Sexta-Feira 13 (saiba mais sobre as lendas deste dia, que mexem com o nosso imaginário)

Hoje é sexta-feira 13. Rolam muitas lendas e superstições sobre a data. Não é fácil explicar o motivo pelo qual muitos temem as sextas-feiras 13. Mas alguns supostos eventos, de acordo com algumas crenças e história, amaldiçoaram a o dia.

As histórias mais conhecidas envolvem a crucificação de Jesus Cristo, que teria ocorrido numa sexta-feira, já que a páscoa judaica é comemorada no dia 14 do mês de Nissan, segundo o calendário Hebraico, além do fato que após uma ceia com 13 pessoas (os 12 apóstolos e o próprio Jesus).

Também existe um conto da mitologia nórdica, em que um jantar para 12 deuses foi invadido por Loki, o espírito da discórdia, e resultou na morte de Balder, divindade da Justiça, o favorito dos deuses. Por isso é considerado mal agouro convidar treze pessoas para um jantar, mas tem pessoas que também consideram mal agouro porque os conjuntos de mesa são constituídos por 12 copos, 12 pratos e 12 talheres.

Outra lenda diz que a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem a sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, Friga foi transformada em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio, os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.

De volta ao cristianismo, historiadores apontam o 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, como o dia em que o Rei francês Filipe IV declarou ilegal a Ordem dos Templários, cujos membros foram torturados e mortos por heresia.

Além das crenças antigas, a propagação do 12 como número completo, utilizado para medir os meses, signos do Zodíaco e tribos de Israel, desvalorizou o 13, cujo medo irracional causado nas pessoas ganhou o pomposo nome de triscaidecafobia – e, no caso do temor da própria sexta-feira 13.

Seja qual for a versão oficial, o que importa é que seu efeito assusta e seduz a nossa imaginação. Seu mau agouro serve como inspiração para a produção de filmes e músicas no intuito de entreter e assustar.

O mais famoso representante dessa leva é a série de filmes “Sexta-Feira 13”, que conta a história do assassino Jason Voorhees, que após morrer afogado ainda jovem, volta para assombrar aqueles que se aventuram pela colônia de férias Crystal Lake.

Apesar das dezenas de tiros, facadas e machadadas, o deformado psicopata, que esconde seu rosto por trás de uma máscara de hockey, sempre sobrevive para mais uma sessão de assassinatos. A lenda ainda afirma que Jason, não por acaso, nasceu em 13 de junho de 1946, uma sexta-feira.

Pois é, gente. Jason já deve estar assombrando por aí, com o seu terçado em punho, no imaginário de alguns malucos. E hoje é uma sexta-feira 13 em 2021, esse ano atípico, assim como 2020.

Mas que hoje não tenhamos nada de azar e sim muita sorte. Vamos todos assombrar, confraternizar, beber cerveja, papear, rir e tudo o que nos fizer felizes, dentro do possível e com os devidos cuidados. É isso!

Elton Tavares, com informações do site “Último Segundo”. 

A Santa Inquisição do Fofão – Crônica de Elton Tavares (ilustrada por Ronaldo Rony)

Lembro-me bem, no início dos anos 90, do pânico em Macapá causado por um boato “satânico”. Espalhou-se que teria uma adaga ou punhal dentro do boneco do personagem Fofão, por conta de um suposto pacto demoníaco com o “Coisa Ruim”, feito pelo criador do personagem.

Iniciou-se uma caça, sem precedentes, aos brinquedos.

Uma espécie de “Santa Inquisição”.

De certa forma, parte da população embarcou na nova lenda “modinha” e os fofões foram trucidados por conta de um mero boato.

Meu irmão e eu vitimamos alguns fofões que pertenciam às nossas primas (prima sempre tinha Fofão, boneca da Xuxa ou Barbie). Na época, muitos diziam que ouviram do vizinho do “fulano”, que uma pessoa tinha sido assassinada por um dos então apavorantes bochechudos de brinquedo.

O Fofão tinha uma cara enrugada, era tosco, usava uma roupa parecida com a do Chucky (o Brinquedo Assassino), e dentro ainda tinha uma haste (punhal) de plástico, que era usado para manter o seu pescoço em pé.

Realmente os fatos estavam contra ele.

Houve até queima dos portadores do mal, em praça pública. Sim! Naquela praça que ficava em frente ao cemitério São José, que hoje abriga a Catedral, homônima ao espaço reservado aos que já passaram desta para melhor.

Na verdade, comprovou-se que o fato não passou de um golpe de marketing, pois muita gente comprou só para conferir e, em seguida, destruir o brinquedo. Coisas como o lance das músicas da Xuxa que, como se falou na mesma época, se tocadas ao contrário, continham mensagens do diabo.

Hilário!

Foi muito divertido, confesso. Ateei fogo em vários fofões, e foi muito melhor do que a época junina. A maioria dos moleques adorou e grande parte das meninas chorou a partida daquele tão querido brinquedo.

Concordo com o dramaturgo inglês, William Shakespeare, quando disse: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que explica a nossa vã filosofia”, mas não neste caso. Porém, o episódio do Fofão foi uma histeria generalizada entre a molecada e virou mais uma piada verídica da nossa linda juventude, uma espécie de Santa Inquisição dos brinquedos.

Elton Tavares

Olimpíada despertando o que há na memória de uma quase atleta de voleibol – Crônica porreta de Gilvana Santos

A então jogadora de vôlei Gilvana Santos, de camiseta branca, do lado esquerdo da foto – Imagem: arquivo familiar.

Crônica de Gilvana Santos

As Olimpíadas de Tóquio chegaram ao final neste domingo (8), e para nós brasileiros a participação do país podia ter sido fechada com chave de ouro, mas não foi possível. A nossa última chance de ganhar a medalha mais cobiçada tinha que ser em um esporte que caiu no gosto popular, o voleibol. Não deu ouro para a seleção feminina de vôlei, ficou na prata, mas valeu para reavivar nas memórias as minhas incursões e tentativas vãs de me tornar uma atleta de vôlei.

O gosto pela modalidade começou na minha adolescência, nos anos 80, por influência dos meus irmãos Clemerson e Girlane, jogavam vólei. Eu sonhava em ser da Seleção Amapaense de Vôlei para disputar os Jogos Escolares Brasileiros (JEBs).

À época, pensar em viajar para outro Estado era quase impossível, devido às dificuldades financeiras. Meu pai Marçal Batista trabalhava no INCRA e minha mãe Maria Juracy era costureira, para ajudar no sustento dos cinco filhos, porque a grana nunca sobrava, pelo contrário. Nossa vida só melhorou depois que mamãe passou no concurso público da Justiça Federal, de onde é aposentada.

Então, passei a enxergar no vôlei um meio de conhecer outras cidades, com pessoas e culturas diferentes. A prática era incentivada nas aulas de educação física do extinto Território Federal do Amapá.  Clemerson e Girlane estudavam no CA, enquanto que eu e Girlei estudávamos no GM, onde por sorte, tinha uma das melhores treinadoras de vôlei do Amapá, a professora Marli Gibson. Com ela aprendi as técnicas do esporte, o difícil era colocar em prática (risos), mas ainda consegui participar de alguns jogos (foto).

A então dançaria Gilvana Santos, de preto, no centro da foto – Imagem: arquivo familiar.

Nesse período, também houve um grande impulso com a inauguração das quadras de voleibol e basquete na Praça do Barão, no Centro. Era perto de casa, no Laguinho, e todo final de tarde eu ia com minhas irmãs Girlane e Girlei, sempre acompanhadas do Clemerson para tentar uma vaga em um dos times formados para as disputas que se formavam naquele espaço. Meu irmão era da elite, junto com o Bianor, Alcinão e Negrão, só pra citar os que eram mais próximos da família. Era uma festa, juntava os melhores jogadores de todos os bairros. Na “grade” iam formando os times para disputar com os vencedores, e eu, claro, nunca era escolhida porque não tinha domínio da bola (ô coisa difícil essa tal recepção do saque).

Gente, já deu para perceber que eu fui uma péssima jogadora de vôlei, mas tentei, tentei muito. Entrei na escolinha da Marli, que treinava seu time no Ginásio Avertino Ramos. Os treinos eram um sobe e desce interminável das arquibancadas e muita repetição, mas apesar de ser uma levantadora mediana, eu era péssima na recepção, daí não tinha jogo. E o saque? Meu Deus, o meu saque era horrível, dando soquinho embaixo da bola kkkkkkkkkkkk Era tão ruim que a Marli, que também era professora e organizadora das apresentações de dança, na qual eu era beeemmmm melhor, chegou ao ponto de pedir, quase implorando, que eu permanecesse somente no grupo de dança.

Mesmo com esse desempenho sofrível, eu insisti, e ainda consegui ganhar uma medalha, foi no Torneio de Calouros do Cesep – atual Unama, em Belém-PA. Eu organizei o time das alunas do Curso de Economia e também era a capitã. Fizemos a final contra as meninas de Arquitetura, um monte de patricinha, e nós éramos meras mortais, que com humildade levamos o torneio. Claro que para ganhar eu tive que me colocar na reserva e fiquei só administrando de fora do campo.  Não tenho fotos, mas tenho uma testemunha de Macapá, a querida Jacira Gomes, uma das atacantes que fez a diferença nessa conquista.

É meus amigos, vida de atleta não é fácil, ainda mais quando não se tem o talento para a coisa. Então, que esse artigo ajude na reflexão que a Olimpíada de Tóquio deixa, não julgue aqueles que não tiveram êxito, pois só de chegar na disputa já é uma grande conquista. Parabéns aos nossos representantes, e especialmente parabéns às meninas do vôlei, que mesmo desacreditadas, subiram no pódio e ganharam a medalha de prata. Eu? Bem, vou continuar me aventurando, sempre que possível, a bater uma bolinha.

*Gilvana Santos é jornalista, assessora de comunicação e querida amiga medalhista de ouro nas olimpíadas dos corações de seus amigos como eu. (Elton Tavares). 

Parabéns, Marcelo Morgado. Feliz aniversário, velho amigo!

Eu, Alzira e Morgado – outubro de 2020

Tenho a sorte de ter amigos longevos. Daqueles que tu lembras nas antigas memórias dos melhores e piores piseiros. Gente que faz parte da história de uma vida. Ou de como diz o escritor e também brother Fernando Canto: “de um tempo que fomos para sermos o que somos”. Assim é com o Marcelo Morgado, que gira a roda da vida neste terceiro dia de agosto e lhe rendo homenagens, pois o figura é muito paid’égua!

Marcelo é um maluco das antigas por quem tenho apreço, respeito e admiração. Ele fez o seu corre bem direitinho e hoje colhe frutos do batalho. Não lembro o ano, mas conheci o Morgado nos anos 90. Estudamos juntos. Aliás, eu, ele e o saudoso Jork. Ao longo daquela década, nos encontrávamos na “trasheira” do Rock and Roll e ficamos mais próximos.

A única foto velha que tenho com o Morgado. Eu tô com cara de mordido e parece que ele tá tirando um catota, mas tá valendo (quem me deu esse registro foi o Bruno Jerônimo).

Marcelo sempre foi um cara tranquilo, gente fina, inteligentão. Depois a gente se encontrava pra dar uns rolês pelo lado negro da força, com as piores (e melhores) companhias da época. Ainda bem que aquela galera se separou, pois andamos juntos pelo lado escuro da lua.

Morgado formou, virou mestre jedi em Geografia, começou a dar aula. Professor foda, foi pra Belém (PA) e de lá para o Rio de Janeiro (RJ). Hoje tá na viração do Doutorado e boto muita fé que logo ele tira isso de letra.

Há alguns meses, ele sofreu um duro golpe. Como a maioria de nós, por conta da praga que levou muitos nos nossos amores e afetos. O Morgado retomou sua vida (porque precisamos seguir, ainda que saudosos) e ainda é fonte de apoio para seus familiares. Em uma breve conversa, há poucos dias, ele disse em um grupo (de What’s, que temos com outros irmãos de vida): “a gente precisava viajar” e assim o fez. Afinal, é preciso respirar sempre pra não pirar de vez.

Eu e Morgado – Julho de 2019

Morgado é um figura trabalhador, honesto, gente boa e, sobretudo, um cara do bem. Juntos, aprontamos muito na Macapá dos anos 90. Sim, vivemos no underground, no submundo da juventude da capital amapaense daquela década. Graças a Deus, sobrevivemos e conseguimos “virar gente”. O que não quer dizer que nós sejamos coroas sérios (risos). Ah, a gente também curtiu muito na casa da Val, a “lindinha”, outra queridona, com companheiros da época.

Encontrei o cara ano passado, tomei umas cervejas com ele, Rapha e Alzira. Foi uma noite tão legal que somente a lembrança já aquece o coração. Pois a gente é maluco doido do coração mole e damos muito valor uns nos outros. Esse “consideramento mútuo” é o que nos une após anos de pouco contato.

Eu, Alzira e Morgado – outubro de 2020

Marcelo, mano velho, que teu novo ciclo seja ainda mais paid’égua. Que sigas com essa garra, sabedoria, coragem e talento em tudo que te propões a fazer. Que a Força sempre esteja contigo. Saúde e sucesso sempre, Morgado. Parabéns pelo teu dia. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Continuo em frente e com a força de sempre! – Crônica de Elton Tavares (com ilustrações de Ronaldo Rony)

Eu continuo trabalhando muito, pois adoro minha profissão. Continuo sincero, contudo áspero. Eu continuo diferenciando puxa-sacos de profissionais, apesar de muitos não terem tal discernimento. Eu continuo honesto, apesar das propostas indecorosas. Continuo pobre, contudo sem telhado de vidro ou rabo de palha. Como sempre, não acompanho a moda convencional, mas fico ligado na underground.

Vivo a celebrar minha existência com a família e os amigos. Permaneço bebendo mais que o permitido, mas nunca fui ou sou um bêbado enjoado. Sigo boêmio inveterado, só que muito menos que antigamente. Continuo apaixonado pela boa música, mas extremista com alguns gêneros musicais. Sigo com meu amor pelo Rock and Roll, MPB e Samba. Continuo apaixonado pelo Carnaval, mas só na época mesmo.

Eu continuo exigente, mas sempre à procura da facilidade. Continuo antipático para alguns e paid’égua para a maioria. Continuo assumindo meus erros e brigando pelos meus direitos, custe o que custar. Continuo sem intenção de agradar a todos, mas acertando mais que errando. Ainda sou Flamengo, mas não brigo mais quando o time perde, até dou risada da encheção de saco dos adversários.

Eu continuo tirando barato de erros grotescos, mas aguento as consequências quando falho. Continuo escrevendo, mas com a consciência de nem sempre agradar. Continuo a me irritar com a necessidade de tanta gente de aparecer ou ser admirada, mas não sou totalmente desprovido dessa soberba.

Continuo convivendo com figurões e anônimos, sem deslumbre ou desdém, pois é assim que deve ser. Ainda faço mais amigos que inimigos, apesar dessa segunda lista aumentar consideravelmente a cada ano. Permaneço gordo, feio e arrogante, entretanto, respeitoso, justo, bom de papo e sortudo. Sigo “Eu Futebol Clube”, sem falso altruísmo e sempre aviso: se resolver encarar, é bom se garantir.

Continuo insuportavelmente ranzinza, mas incrivelmente querido pelos meus familiares e verdadeiros amigos. Prossigo acreditando nas pessoas, apesar de elas me decepcionarem sistematicamente. Continuo amando, odiando, ignorando, provocando, aplaudindo e vaiando. E sempre fazendo o que precisa ser feito pra manutenção da minha felicidade e do bem das pessoas que amo, mesmo que seja algo egoísta. Resumindo, continuo correndo atrás e com cada vez mais motivos pra permanecer sorrindo.

Elton Tavares

*Do livro “Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, de minha autoria, lançado em setembro de 2020.