O sapatinho da Alzira e as mulheres pretas – Por Marco Antônio P. Costa (tamo junto, @AlziraNogueira6)

Por Marco Antônio P. Costa

Nessa última sexta-feira (1), aconteceu o lançamento da pré-candidatura da Alzira Nogueira para deputada estadual. Eu não consegui acompanhar muito a plenária, porque fiquei ajudando desde cedo na parte estrutural e logística, mas num breve momento cheguei e quem estava fazendo uma saudação era a Alexsara Maciel. Ela contava, emocionada, que um dia encontrou-se com Alzira em tal ou qual lugar e a nossa assistente social estava com um sapatinho novo, lindo, e que, minutos depois, ela já apareceu com pés descalços.

– Alzira, cadê teus sapatos?
– Eu acabei de dar para uma moça que estava precisando, teria respondido Alzira.

A Alexsara foi minha professora na Unifap quase 20 anos atrás. Mulher preta e de esquerda, marxista e combativa e, mesmo assim, nunca a tinha visto declarar apoio político de forma tão entusiasta para alguém como ela o fez nesta sexta. Fiquei feliz, e de certa forma emocionado com a história que ela contou. Mas, sobretudo, tive naqueles minutos ali um pequeno insight. É que eu percebi – só um pouquinho, um filigrama! – como é espetacular esse encontro. Foi com a Alexsara que eu aprendi, da pior forma, como pode o racismo estrutural ser tão canalha. Ela que é daquela geração de amapaenses que foi para a UFPA, estudou, foi do movimento negro, esforçou-se e se estabeleceu como professora em nossa universidade e, mesmo assim, recebia a alcunha maldosa de “complexsara”. É sinistro, é cruel e provavelmente também devo ter sido dos que falaram ou sorriram do termo. É violência política, de gênero e de raça. É pelo o que passam, também, mulheres pretas.

Eu vejo que no Amapá ainda não se expressou com toda força, eleitoralmente, aquele fenômeno similar ao que levou Marielle e outras mulheres como Renata e Dani, à votações muito grandes e representativas. Me parece que há essa demanda represada e pela força, em número e energia militante que a plenária expressou, a Alzira vai canalizar esse fenômeno. Que bom!

Que bom que o que antes era complexo, hoje é luta, encontro, potência, grito, revolta, amor e esperança!

Por fim, “pés-descalços” é um termo antigo cunhado pela UDN, pela direita brasileira, para tentar desqualificar o povo mais simples e trabalhador que ousa participar da política. Pois se não é irônico e maravilhoso que, nesta eleição, para deputada estadual, eu vou votar em uma legítima pés-descalços! Ontem senzala, hoje favela! Obrigado, pela oportunidade de ter um voto bom desses, Alzira, e obrigado Alexsara, pelas lições nas aulas lá atrás e na posição política do presente!

Vamos juntos!

*Por Marco Antônio P. Costa é cientista social, jornalista e militante político há mais de 20 anos.

Eu? Uma grande emocionada! – Crônica de Telma Miranda – @telmamiranda

Crônica de Telma Miranda

Tem uns dias que ando melancólica, mas acredito ser por não dar a pausa do anticoncepcional e não deixar meus hormônios agirem naturalmente. O acúmulo de repente tá fazendo isso. Ou a ausência. O normal seria eles me deixarem louca, mal humorada, mas aí eu os reprimo, eles se organizam e o ataque é feroz!

Só sei que tenho escutado músicas que me tocam a alma e me permitido chorar de soluçar. Assistido filmes que me emocionam. O choro é livre, literalmente. Livre e leve. E me leva a refletir que pela primeira vez na vida (adulta!) estou vazia de dor de amor, porém não menos emocionada. Assumidamente emocionada.

Ao contrário do que muita gente me imagina, sou sensível demais. Tudo me afeta. Sinto compaixão, empatia, vontade de cuidar e agir e por muitas vezes e quando posso o faço, sem alardes, e sigo. Meu desafio diário é justamente esse: domar esse turbilhão de afeto que me move e deixar todos ao meu redor imaginarem que sou a personificação da plenitude, a calma e elegância que tanto dissemino.

Mas a realidade dentro é outra: sou uma mulher apaixonada, visceral, intensa e cheia de afeto. Meus amigos sabem disso, pois conhecem o vulcão que em mim habita. Eu fervo. Minhas explosões são dentro. Respiro fundo e tenho altos papos comigo mesma avaliando os cenários, comportamentos e definindo o próximo passo. Nem sempre funciona. Tem vezes que não me escuto e mergulho na emoção. E me entrego, afogo, me deixo levar e vivo cada minuto inteira para quando chegar o fim, ter valido a pena nadar em lava.

E sim. Por pior que aparentemente algumas experiências tenham sido, sou grata a cada uma delas por ter-me lapidado e melhorado, afinal de contas sou o resultado de todos os meus erros e acertos. Erros que me fizeram feliz por um tempo, acertos que me despedaçaram em determinados momentos, mas segui e sigo, hoje, um dia de cada vez, em paz. Uma paz quase palpável.

Porém, mesmo em paz, esse sentimento ferve, borbulha, respinga quente vez ou outra e me lembra que tá ali e não vê a hora de transbordar. E ele vai transbordar na hora certa e sem tirar essa paz conquistada com tanta luta, amarrando muitas pontas soltas. Restam ainda poucas por amarrar, mas de uma em uma vou vencendo os dias e quando menos esperar, realizo meu sonho de lembrar do amor que terei toda vez que ouvir Coração Selvagem, e vou chorar de soluçar do mesmo jeito que hoje quando acordei. E vai continuar sendo lindo. Calma, elegante e emocionada.

* Telma Miranda é advogada, fã de literatura, música e amiga deste editor.

Em defesa de “Mama Guga” e de vários outros escritos daqui – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Surpreso com a notícia que as obras “Mama Guga” e “O centauro e as Amazonas” teriam sido retirados de prateleiras de uma certa livraria da cidade, com a alegação que eram, pasmem, “não recomendável para leitura de jovens”. Em primeiro lugar eu ri, depois pensei com meus botões:

“Nossa nossos jovens amapaenses tão ricos culturalmente, com extensa e ampla programação cultural voltada para seu deleite e conhecimento, para que os mesmos se tornem cidadãos exemplares e continuem a espalhar conhecimento por gerações e assim mostrar a todos o nosso riquíssimo conhecimento intelectual”, nem preciso dizer que contem sarcasmo.

Mama Guga” é uma obra genial de autoria do grande Fernando Canto, digo grande por que uma figura dessas circulando por aqui é realmente um privilegio, Canto é um ser que inspira e transpira conhecimento, seja como excepcional sociólogo ou como artista que consegue transitar como poucos pela musica, literatura e pintura. O cara é realmente um exemplo que sem mais firulas não posso deixar de dizer que se estivesse no sul ou sudeste deste imenso país já teria seu reconhecimento. Sem exageros o cara pode ser comparado ao João Ubaldo e o imenso Darcy , os dois Ribeiros.

Fernando Canto, o maior escritor vivo do Amapá.

Na já citada obra, na qual eu me refiro neste texto o autor consegue com destreza impar reunir vários textos e contos com temática amazônica e que nada de pornográfico ou chulo que assustaria os nossos mais puros e incautos leitores jovens.

Quando soube do ocorrido, me lembrei dos saudosos “Catecismos” do Zéfiro ou as “Piadas do Costinha”, porra. Até pensei essa alegação sim foi a mais pura sacanagem.

O grande cabedal de obras do autor falam por si só, “O Balsamo”, “Quando o Pau Quebrar”, “Equino Cio” , “Os Tempos Insanos” e “Adoradores do Sol”, cito esses que já li e posso falar, uma leitura franca, que envolve o leitor por ser fácil e prazerosa para quem se aventura em escritos.

Gostaria de saber as graduações literárias de quem do alto de sua expertise ou salto alto conseguiu proferir tal desculpa esfarrapada para que os livros fossem devolvidos, será que apenas J.K. Rowling e George R.R. Martin estão autorizados a chegar nas cabeceiras e mentes dos nossos jovens .

No mais espero mais espaços para que a produção local possa ser apreciada, onde autores como o próprio Fernando Canto assim como o Júlio Miraguaia, Mary Paz e o Elton Tavares dentre os muitos outros possam ser apreciados e respeitados. Onde o conhecimento local chegue a os jovens e a cultura local seja repassada.

Espero que a programação cultural voltada para o publico jovem seja mais que a praça, boate e show do Gustavo Lima e que pessoas mais conceituadas se entreguem ao mercado literário local para que afirmações descabidas, preconceituosas e por que não burras sejam parte do passado.

Em tempo a internet já esta ai para desvirtuar os nossos jovens não joguem a culpa nos livros.

Como diria Paulo Freire “ A leitura é um ato de amor”.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia. Ainda não leu “O centauro e as Amazonas”.

Giovanni : “ O Messias da Vila” – Crônica de Marcelo Guido

Quando os deuses da bola revolvem conceder talento eles geralmente não brincam sem serviço. Talvez estivessem cansados de ver o comum tomando conta do meio campo, ou queriam apenas ver alguém brincar com bola nos campos, como se estivesse no sonho e assim, magistralmente concederam o dom para Giovanni Silva de Oliveira, um dentre muitos Silvas no futebol.

Revelado pela gloriosa Tuna Luso, passou por Remo, Paysandu, São Carlense, Barcelona – ESP, Olympiacos – GRE , dentre outros, mas eternizou-se em três passagens pelo Santos.

Na Vila Belmiro fez sua morada. Inteligente conquistou a torcida com passes precisos e gols, muitos gols.

A facilidade com que deixava os companheiros na cara do gol era algo extraordinário, que deixava boquiaberto os felizardos que o viram vestir o branco da baixada santista.

Elegante, conseguia abrir o peito e matar a bola com uma envergadura ímpar de 1,90 metros. Levou o despretensioso time do Santos de 1995 à final do campeonato nacional ao lado de Robert, Jamely e Marcelo Passos. O título acabou faltando, coisas do futebol.

Inesquecível na semi- final daquele ano contra o Fluminense de Renato e Joel Santana, só não fez chover, aliás fez. Uma chuva de gols, uma atuação de gala que lhe fez render a bola de ouro, e o prêmio de melhor jogador do campeonato.

Partiu para conquistar o velho mundo, foi ídolo da torcida Catalã. No Barcelona fez dupla com Rivaldo, meio campo que fazia tremer os adversários. Em seis anos de clube, seis canecos levantados. Chega na Grécia, e a terra de Zeus conhece um semideus da bola, o penta campeonato nacional atuando cinco anos em solo helenístico.

O meio campo era uma salão de baile, onde os craques disputavam a dama “bola” para lhe ser concedida uma dança, e o Messias estava sempre de terno. A pelota sua amiga corria em seu lugar. Ela tinha que correr.

Os críticos de seu futebol o diziam ser “lento”, mas a inteligência e a sapiência em saber os caminhos do campo o faziam diferenciado. Defendia a tese sagrada que o futebol não podia ser comum, não pode ser feijão com arroz, futebol e ousado tem ser tentado mesmo que se perca o lance.

Chegava na hora certa, decisivo, enganava adversários que não acreditavam que ganharia o lance, era craque que além de dar o espetáculo sabia fazer gol, e foram muitos.

Pelo Santos, 3 passagens, 3 faixas no peito. Os Paulistas de 2006 e 2010 e a Copa do Brasil de 2010 e a idolatria eterna de uma torcida que não via sua 10 vestida tão bem desde Pelé.

Solto, tendo o gol como objetivo, ereto, com a cabeça erguida sabedor dos caminhos, aproveitava tal abençoada técnica e tamanho para destituir sem culpa adversários. E vestindo seus pavilhões, como um messias sabia levar seus times a o caminho das vitórias.

Felizes foram aqueles que foram Testemunhas de Giovanni, que jogou em um tempo que bom jogador e futebol brasileiro eram pleonasmos.

*Marcelo Guido é Jornalista. Pai do Bento Guido e da Lanna Guido. Maridão da Bia.

Como escrever um texto polêmico – Crônica de Elton Tavares – (do livro “Crônicas De Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”)

Ilustração de Ronaldo Rony

Faz tempo que aprendi como escrever um texto polêmico e “cool”. Você contextualiza e detona o objeto que já está na pauta do momento. Sim, pega carona com a merda que já está na palheta (implantação da pena de morte no país, diminuição da maioridade penal, legalização do aborto e maconha, enfim, atualidade, política, religião, pessoas, música, etc…). Sim, textos de revolta, sangue nos olhos e tals. Ou crônicas dúbias, mas inteligentes (o problema é que nem todo mundo entende a segunda opção).

Desenvolvimento: durante o artigo ou crônica, esmiúça um “porém” e descreve alguma hipocrisia de ordem genérica, absolvendo o objeto. Com falsidade, claro. Ah, use frases de impacto. Tipo => como disse Bill Gates : “O sucesso é um professor perverso. Ele seduz as pessoas inteligentes e as faz pensar que jamais vão cair” ou Oscar Wilde, quando disse que ”o descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou uma nação”. Isso sempre funciona.

Ah, faça perguntas? O sistema é falho, portanto deixa brechas para críticas no bandão. Aliás, falar mal é sucesso garantido!

Já na conclusão, você moraliza no formato bunda-mole tipo: “um tapa na cara da sociedade”. Todo mundo, aliás, é bunda-mole, em algum aspecto, claro. Só não aqueles que concordarem com este texto (Rá!).

Por fim, você pega o embasamento de alguma pessoa consideradona no meio de comunicação para o epílogo e afirma que aquele é o melhor texto produzido sobre o tema.

Claro que, brincadeiras à parte, devemos criticar, discernir e entender as coisas como elas são, de fato. Ver o mundo de outra ótica, a dos que não querem que a verdade venha à tona. Então, textos polêmicos são mais que necessários. O importante é seguir questionando os fatos e acontecimentos ao nosso redor. Seguimos discordando, sempre. E fim de papo!

“A desobediência é uma virtude necessária à criatividade” – Raul Seixas

Elton Tavares

*Texto do livro “Crônicas De Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, de minha autoria, lançado em setembro de 2020.

Verdade seja dita – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Sim, eu não sou o dono da verdade, pois a pessoa que me vendeu a verdade, em suaves prestações, mentiu pra mim. A verdade, na verdade, pertence a todo mundo que quiser ostentar o título de dono da verdade. A verdade tá pouco se lixando pra quem ainda a leva a sério, pra quem ainda dá importância a esse conceito volátil e volúvel.

No fim da negociação, antes que a pessoa que me vendeu a verdade partisse para suas férias num paraíso fiscal qualquer (deve ter vendido a mesma verdade pra muita gente e enriqueceu), compreendi que as prestações, que eu achava tão suaves, de suaves nada tinham. Eram massacrantes. Fui eu, euzinho, que fiquei inebriado pela ideia de ser o detentor da verdade, e agora tenho que pagar por isso infinitamente. Fui eu que me iludi achando o preço razoável. Eu me machuquei de verdade com aquela miragem que se dizia verdade. Depois, apareceu outro sujeito querendo me vender uma verdade de segunda mão, arranhada, meia-boca, mas ainda ostentando fumaças de grandeza, restos de um esplendor do fim do século XIX, quando ainda tinha algum valor no mercado, nem precisava de tantos documentos para que fosse comprovada. Aí eu disse não! Eu não precisava de ninguém para ter a verdade, eu mesmo invento a minha verdade, que, para existir, basta apenas que eu acredite.

O conceito atual da verdade foi caindo tanto que agora cada um tem a sua, é dono da sua verdade, como se fosse um pet, e dane-se se essa verdade tem a ver com qualquer resquício de coerência. Pode ser contrária a qualquer lógica, mas, se o sujeito quer acreditar mesmo, é capaz de criar todo um contexto em que sua verdade se encaixe e ganhe ares oficiais.

Outro dia vi um leilão online em que várias verdades estavam expostas. Nestes tempos em que a eleições se aproximam, como um círculo de tubarões cercando o náufrago à deriva no oceano, milhares de verdades estão à venda. Pode-se até alugar uma verdade pra usar em alguns momentos. Uma verdade – quase – absoluta é ótima para algumas situações.

Encontrei uma verdade perdida na rua e levei pra casa. Estou alimentando essa verdade com muitas mentiras e adestrando na base do ódio. Quando estiver bem grande e robusta, vou soltar a minha verdade em cima de qualquer um que venha com uma verdade que se pretenda mais verdadeira que a minha. Quando estiver cansado e insatisfeito, vou passar a verdade adiante ou sacrificá-la. Já estou de olho em outra verdade, uma bem tecnológica, o lançamento mais recente do mercado. Vou comprar pela internet direto da China. Os fabricantes me garantiram que nessa verdade eu posso acreditar, mas é bom ter um estoque de verdades de menor calibre para usar no dia a dia.

Vejo autoridades corruptas reivindicando sua verdade. Vejo pastores vendendo sua verdade. Vejo grupos armados defendendo sua verdade. Vejo marqueteiros maquiando sua verdade. Vejo candidatos espalhando sua verdade. Até sou capaz de ver a verdade, sim, a própria, a legítima, a única. Ela está deitada, dormindo tranquila, ao lado da minha cama.

O Fernando de todos nós – Crônica porreta de Carlos Bezerra (*) sobre Fernando Canto

Fernando Canto, com o título de Cidadão Amapaense – Foto: Sônia Canto

Por Carlos Bezerra (**)

Sou um homem de sorte, para a tristeza dos meus inimigos, que eu os tenho e muitos., pois não aceito compactuar com a lassidão moral que devasto o mundo no geral e o Brasil no particular, recusei-me a morrer há uns anos atrás, de modo que continuo vivo, lépido e lampeiro.

Graças a isso tive o privilégio de participar do lançamento do livro “O Bálsamo e Outros Contos Insanos”, do escritor amapaense (o Pará das nossas origens que me perdoe) Fernando Canto.

Fernando Canto – Caricatura do artista plástico e ilustrador J. Márcio. Colorida pelo designer Adauto Brito.

Foi uma noite de gala para a nossa incipiente, mas nem por isso, menos viçosa Cultura. Presentes, amigos de todos os naipes. Escritores, compositores, poetas e cantadores, alguns já de renome, outros nem tanto, mas todos, ímpares nos seus campos de atuação. Uma noite de alegria, de confraternização, de fé e de esperança nos destinos da nossa tão maltratada terra. Noite de música. O Grupo Pilão, impecável como sempre, nos remete para a beleza e a angústia das nossas florestas ancestrais. A presença de Manoel Sobral, Zaide, Obdias, Jamil, Luiz Guedes, Hélio Pennafort, Bomfim Salgado, Isnard Lima, Graça Vianna, Manoel Bispo, Vitória, Hernani Guedes, Zé Miguel, entre tantos outros, nos dá ideia dos que compareceram para levar o abraço, o carinho e o incentivo ao nosso escritor do qual o Brasil ainda ouvirá falar. É possível que esteja possuído do puxa-saquismo mais deslavado mas, um dos meus credos é o de que os meus amigos não têm defeitos. Quanto aos inimigos, se não os tiverem, eu arranjo um.

Fernando Canto é uma das mais belas páginas do livro extraordinário chamado Amapá. O Amapá das ruas poeirentas, do motor de luz na praça da igreja, do Trapiche Eliezer Levy, da Doca, do Merengue, da Piscina Territorial, da nossa juventude perdida que não voltará jamais, nem ela nem as ruas seguras e casas idem, pela ausência de maldade dos macapaenses de então. Fernando torna mais verdadeira a afirmação do nosso poeta maior, Álvaro da Cunha, quase esquecido mas nem por isso menor: “A lua minguante do Amapá, brilha mais do que a lua cheia de qualquer outro lugar”.

Jornalista Carlos Bezerra – Foto: Tribuna Amapaense.

O Brasil e o mundo tiveram muitos Fernando: o Noronha, o Católico, O Lopes, o Dias, o de Magalhães, o de Melo e atualmente o Cardoso. Nós, amapaenses, tivemos mais sorte. O nosso Fernando é Bálsamo, é literalmente Canto.

(*) Crônica publicada no jornal Diário do Amapá. Macapá, sexta-feira e sábado, 18 e 19 de agosto de 1995.
(**) Jornalista e cronista amapaense, in memoriam.

Contador e advogado Paulo Tavares gira a roda da vida. Feliz aniversário, tio! – @paulorptavares

Sempre digo aqui que gosto de parabenizar neste site as pessoas por quem nutro amor ou amizade. Afinal, sou melhor com letras do que com declarações faladas. Acredito que manifestações públicas de afeto são importantes. Quem gira a roda da vida neste vigésimo sexto dia de maio é o meu tio, Paulo Tavares. Dou muito valor nesse cara, pois além de irmão caçula do meu saudoso pai, é um cara Phoda e um amigo querido da vida toda. E por isso, lhe rendo homenagens.

Filho mais novo da Peró e Juca, Paulo Roberto Penha Tavares é um profissional de sucesso em todas as áreas que ele atua ou atuou. Inteligentão, centrado, organizado e safo. O cara possui uma carreira profissional multifacetada. Sim, o tio possui curso superior em Administração, Contabilidade e Direito, além de uma porrada de pós-graduações e especializações. É um empresário reconhecido dentro e fora do Amapá.

Eu e tio Paulo, na antiga casa dos pais dele, meus avós – Primeira metade dos anos 80.

Ele também desempenha com maestria os papéis de pai da Paula, Jamila e Ana e marido da Dacivone. Além disso, é maratonista e já correu provas aqui no meio do mundo e pelo mundo afora. E, ainda, é um estudioso da doutrina espírita e praticante do espiritismo. Tio Paulo é um vencedor em todos os aspectos e admiro sua paciência e empenho em tudo que se propõe.

Já disse em outro texto sobre o Paulo: quando eu era moleque, uma das coisas legais das férias é que tio Paulo, então universitário em Belém (PA), vinha passar o mês de julho ou janeiro em Macapá. O cara sempre foi divertido, brincava comigo e com o meu irmão. Como sempre gostamos (ele e eu) de boa música, outra boa lembrança, é dele gravar o vinil do A-HA (banda de rock australiana dos anos 80) em um fita cassete TDK 90 minutos, dos dois lados, pra gente escutar, “charlando” na brasília amarela da tia Maria. Bons tempos. Também já falei que eu e Paulo discordamos sobre muita coisa. Mas o amo e sei que é recíproco.

Trocando em miúdos, Paulo Tavares é um cara do bem, muito culto, trabalhador, honesto e que lutou muito pra chegar onde chegou, no topo. Trata-se de um cavalheiro. Um homem culto, com visão estratégica e sempre um plano B na manga. E, ainda, um apaixonado por seus afetos e fiel aos seus ideais.

Tio, tu sabes, te amo. Tenho sorte de tua existência orbitar a minha e de ter o mesmo sangue que você. Que tu tenhas sempre saúde pra trabalhar, viajar, amar os seus e que ainda partilhemos vários momentos lindos com nossa família. Todo o amor dessa vida pra ti. Meus parabéns pelo teu dia. Feliz aniversário!

Paulo (de branco), eu, tia Maria e tio Pedro. Família!

“Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar” – Machado de Assis.

Elton Tavares

Hoje é Sexta-Feira 13 (saiba mais sobre as lendas deste dia, que mexem com o nosso imaginário)

Hoje é sexta-feira 13. Rolam muitas lendas e superstições sobre a data. Não é fácil explicar o motivo pelo qual muitos temem as sextas-feiras 13. Mas alguns supostos eventos, de acordo com algumas crenças e história, amaldiçoaram a o dia.

As histórias mais conhecidas envolvem a crucificação de Jesus Cristo, que teria ocorrido numa sexta-feira, já que a páscoa judaica é comemorada no dia 14 do mês de Nissan, segundo o calendário Hebraico, além do fato que após uma ceia com 13 pessoas (os 12 apóstolos e o próprio Jesus).

Também existe um conto da mitologia nórdica, em que um jantar para 12 deuses foi invadido por Loki, o espírito da discórdia, e resultou na morte de Balder, divindade da Justiça, o favorito dos deuses. Por isso é considerado mal agouro convidar treze pessoas para um jantar, mas tem pessoas que também consideram mal agouro porque os conjuntos de mesa são constituídos por 12 copos, 12 pratos e 12 talheres.

Outra lenda diz que a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem a sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, Friga foi transformada em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio, os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.

De volta ao cristianismo, historiadores apontam o 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, como o dia em que o Rei francês Filipe IV declarou ilegal a Ordem dos Templários, cujos membros foram torturados e mortos por heresia.

Além das crenças antigas, a propagação do 12 como número completo, utilizado para medir os meses, signos do Zodíaco e tribos de Israel, desvalorizou o 13, cujo medo irracional causado nas pessoas ganhou o pomposo nome de triscaidecafobia – e, no caso do temor da própria sexta-feira 13.

Seja qual for a versão oficial, o que importa é que seu efeito assusta e seduz a nossa imaginação. Seu mau agouro serve como inspiração para a produção de filmes e músicas no intuito de entreter e assustar.

O mais famoso representante dessa leva é a série de filmes “Sexta-Feira 13”, que conta a história do assassino Jason Voorhees, que após morrer afogado ainda jovem, volta para assombrar aqueles que se aventuram pela colônia de férias Crystal Lake.

Apesar das dezenas de tiros, facadas e machadadas, o deformado psicopata, que esconde seu rosto por trás de uma máscara de hockey, sempre sobrevive para mais uma sessão de assassinatos. A lenda ainda afirma que Jason, não por acaso, nasceu em 13 de junho de 1946, uma sexta-feira.

Pois é, gente. Jason já deve estar assombrando por aí, com o seu terçado em punho, no imaginário de alguns malucos. Mas que hoje não tenhamos nada de azar e sim muita sorte. Vamos todos assombrar, confraternizar, beber cerveja, papear, rir e tudo o que nos fizer felizes, dentro do possível e com os devidos cuidados. É isso!

Elton Tavares, com informações do site “Último Segundo”. 

Hoje é o Dia Nacional do Guia de Turismo – Por Marcelo Sá

Esta data é uma homenagem aos profissionais que se dedicam a auxiliar, entreter e apresentar seus atrativos naturais e culturais aos turistas e visitantes durante as viagens, apresentando os pontos turísticos e os melhores aspectos de determinada região. No Brasil, a profissão de Guia de Turismo está regulamentada através da lei nº 8.623, de 28 de janeiro de 1993.

Recanto da Aldeia, praia que fica na Ilha de Santana, no Amapá — Foto: Marcelo Sá/Arquivo Pessoal

De acordo com esta lei, o profissional pode ser classificado em 04 diferentes áreas: Guia turismo regional, nacional, internacional e especializado em atrativos naturais e Culturais. Para cada uma das classificações, existem exigências e competências específicas que o Guia de turismo deverá ter.

Vila de Mazagão Velho guarda muito da história do Amapá — Foto: Gabriel Penha/Arquivo G1

O Guia de Turismo além de informar o turista sobre os atrativos, e mediador o contato deste com os mesmo, detém ainda outras funções voltadas para sustentabilidade das comunidades urbanas e rurais, sendo agente responsável pela valorização da cultura, respeitador da identidade e preservador do meio ambiente. Desse modo a profissionalização da atividade de Guia de turismo é uma necessidade, tendo também reflexo natural de um contexto mais global de mudanças nos desejos e demandas dos turistas e visitantes.

O Brasil possui centenas de destinos turísticos que podem encantar a diferentes perfis de visitantes: florestas, praias de rio e mar, serras, cachoeiras, cidades históricas e sítios arqueológicos, natureza exuberante e grandes centros culturais. O país contempla também uma biodiversidade e temáticas que atendam aos anseios daqueles que buscam o turismo de negócios, de gastronomia, de aventura, de arquitetura e até de arqueologia, turismo comunitário. E, em meio a toda essa diversidade de opções, há um personagem que pode dar um toque especial á experiência do viajante e visitante – o Guia de turismo.

O Amapá vem surpreendendo por sua potencialidade para o turismo ecológico com sua localização privilegiada, Com uma área de 143.453,7km² o Amapá também é a porta de entrada do país mais próxima da Europa pelo município de Oiapoque que faz fronteira com Suriname e Guiana Francesa, onde fica localizada a ponte binacional sobre Rio Oiapoque. O Estado é margeado pelo Rio o Amazonas, o maior do mundo. Protegem diversas unidades de conservação abrigando vários ecossistemas, os que se destacam cerrado, mata de várzea, mata de terra firme, campos alagados e manguezais. A rica cultura indígena, quilombola e de outros povos que aqui chegaram.

Segundo os dados do Anuário Estatístico do Turismo do Ministério do Turismo de 2019, que apresenta dados de todas as regiões do país registraram estados em que a entrada de turistas estrangeiros cresceu. Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo demonstraram alta no número de viajantes internacionais em 2018. Com base em informações da Polícia Federal.

No cenário nacional, também houve crescimento de 0,5% em relação a 2017, com 32.606 turistas internacionais a mais em destinos brasileiros. O Amapá com (31,2%) corresponde um dos estados que mais registraram crescimento na chegada de turistas internacionais no ano 2018, se comparado com 2017. Estados Unidos aparecem como um dos principais países emissores de turistas para os estados do Amapá, Amazonas, Distrito Federal e Minas Gerais. Já na América do Sul, Argentina ocupa a primeira posição na Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio Grande do Norte. Outro destaque do Estado do Amapá No segmento marítimo, Amapá aparece como o estado que mais contabiliza chegadas internacionais pelos meios fluviais e marítimos.

Turistas durante viagem à Floresta Nacional do Amapá — Foto: Marcelo Sá/Arquivo Pessoal

Pelo cenário apresentado o trabalho de Guia de Turismo junto ao trade turísticos amapaense, Brasileiro e internacional é de suma importância para o desenvolvimento do turismo sustentável do Amapá, gerando divisas, empregos e renda para as comunidades urbanas e rurais, o profissional Guia de Turismo é o parceiro das comunidades visitadas (pilotos, Guarda-parques e condutores em áreas naturais (mateiros), dos agentes de viagens e turismo, Turismólogo, hoteleiros, das empresas de transportes turísticos fluviais, marítimos e rodoviários, parceiro dos artesões e artistas da música, das artes visuais, teatro é da cultura popular, também atua como parceiro das instituições governamentais e não governamentais colaborando nas formulações de politicas para o turismo.

Participando de fóruns, conselhos diversos, influenciando nas boas práticas do processo turístico. Respeitando o meio ambiente, as comunidades envolvidas. Lutamos pelo reconhecimento do trabalho do Guia de Turismo no Estado do Amapá e no Brasil. Feliz Dia do Guia de Turismo!

*Marcelo Sá Gomes é guia de Turismo Regional Amapá; Estudante: Curso do Técnico em Guia de Turismo Regional Pará, Brasil e América do Sul no SENAC-Serviço de Aprendizagem Comercial- Belém-PA. E estudante: Curso do Técnico em Pesca e Aquicultura no CIFPA – Centro Integrado de Formação Profissional em Pesca e Aquicultura do Amapá. Santana-AP

Hoje é o Dia das Mães – Uma declaração de amor para Maria Lúcia #DiadasMaes

Sabem, eu nunca fui de economizar declarações de amor. Na verdade, as acho fundamentais. Hoje, no Dia das Mães, vou falar um pouco da minha mãe, que também é mãe do Emerson Tavares. Quem conhece a mim e ao meu irmão há muito tempo, sabe: a gente “só é gente” por causa dela, nossa mais que maravilhosa genitora, a Maria Lúcia.

Difícil contabilizar tudo que ela já fez por mim e pelo meu irmão. Aliás, muito mais por mim, seu filho mais velho. A nossa “Lucinha” é uma mulher espetacular e admirável. Ela personifica os amores que tem e realmente faz valer seus dias por cada um de nós. Mamãe é trabalhadora, honesta e dedicada. Ela não chameguenta, mas amorosa. Com absoluta certeza, o maior entre meus amores.

Apesar de eu ter 45 anos, minha mãe vive preocupada por eu ser gordão, por eu beber demais, entre outras milhares de coisas que ela esquenta a cachola por conta deste jornalista e de meu irmão. A gente puxou a amorosidade e loucura porreta do papai. Mas da Lucinha, com certeza herdamos a força e a coragem.

Aliás, a força e o amor que tenho em mim, boa parte veio de Maria Lúcia, a professora, orientadora, filha da Cacilda, avó da Maitê. Nem sei o que eu e mano seríamos ou onde estaríamos hoje em dia sem a nossa mãe amiga. Sim. Porque existem sim mães inimigas.

Às vezes a gente se chateia um com o outro, noutras nos decepcionamos, mas seguimos sempre juntos, unidos, com muito amor e ajuda mútua na jornada da vida. Somos muito gratos pela mãe que temos. Maria Lúcia é a soma de tudo que somos de melhor (menos a boêmia, carisma e gaiatice, isso aprendemos com nosso velho e saudoso Penha, o pai). Se minha infância é uma série de memórias felizes, igualmente a adolescência, boa parte do mérito é dos meus pais.

Falando em mãe, tenho a sorte de outros dos meus afetos, como a minha vó Peró, que virou saudade há um ano e dois meses, mas já faz uma imensa falta, e minhas tias Maria e Tatá, também foram meio que minhas mães ao longo da vida. Cada uma tem uma participação importante na minha existência. Sou sempre grato por isso.

Também congratulo minha avó Cacilda, mãe de minha mãe. Além de minhas tias, primas, colegas de trampo e amigas queridas, tantas mães entre meus afetos. Vocês são guerreiras!

Os anos passam e o amor da mamãe segue em abundância sem fim e sem pedir nada em troca. Mas a gente retribui, pois aprendemos com ela. Por tudo que fez, faz e é, hoje agradeço publicamente a minha mãe. Afinal, todos os dias eu faço isso, mas não textualmente para todos lerem aqui. Nós te amamos, Lucinha.

Portanto, reconheça todo o amor recebido, congratule, ore/reze pela sua mãe, mesmo que ela esteja ela em outro lugar além de dentro do seu coração. E agradeça pela oportunidade de ser seu filho. É este meu sentimento neste segundo domingo de maio: amor e gratidão.

Elton Tavares e Emerson Tavares (escrevo e assino por nós dois mesmo. Coisa de irmão mais velho, rs).

Hoje é o Dia Nacional da Matemática – minha crônica de calendário de hoje

Hoje, 6 de maio, é o Dia Nacional da Matemática e dos matemáticos. Lei aprovada pelo Congresso Brasileiro em 2004, a data é celebrada por conta do nascimento de Malba Tahan, pseudônimo do professor de matemática Júlio César de Mello, em 1895.

Ele é o autor de um dos maiores sucessos literários do assunto no nosso país, inclusive o romance “O Homem que Calculava”, já traduzido para 12 idiomas.

Segundo o conceito: “A matemática é a ciência do raciocínio lógico e abstrato. A matemática estuda quantidades, medidas, espaços, estruturas e variações. Um trabalho matemático consiste em procurar por padrões, formular conjecturas e, por meio de deduções rigorosas a partir de axiomas e definições, estabelecer novos resultados.

A matemática vem sendo construída ao longo de muitos anos. Resultados e teorias milenares se mantêm válidos e úteis e, ainda assim, a matemática continua a desenvolver-se permanentemente”. Enfim, ninguém vive sem a Matemática, os números e tals.

Mas, além de encher linguiça para a sessão “datas curiosas” deste site, este post é pra contar uma coisa: odeio matemática. Sempre odiei. Aliás, fui reprovado algumas vezes e nas outras passei raspando – isso na recuperação.

É. Foi um longo Ensino Médio – que, na época, chamávamos de Segundo Grau. Sem falar nas dificuldades de molequinho. Me achava o burro dos burros. Nem as aulas particulares com o professor Edésio (gostava muito daquele coroa) e Gurjão (outro amigo que não vejo há tempos) fizeram com que este jornalista aprendesse a fazer contas direitinho.

Além de gostar de escrever, a Matemática Financeira foi um incentivo e tanto para eu largar o curso de Administração e Marketing. Graças a Deus, tudo deu certo. Afinal, a vida não é, como a Matemática, uma ciência exata. Nós é que sabemos o que soma e o que nos subtrai.

Portanto, querido leitorado, que deixemos de estar divididos e subtraídos de solidariedade, respeito, entre outros sentimentos em falta nestes dias sombrios no Brasil. Que somemos uns com os outros a empatia e derrotemos o Bolsonarismo. Que se multiplique o amor e a esperança, para que possamos logo voltar a dividir alegrias.

Elton Tavares

Amor que nunca morre – Parte 1: Rejane – Crônica de Telma Miranda – @telmamiranda

Crônica de Telma Miranda

Tenho amigos de uma vida toda. Pessoas que conheço desde sempre. Alguns falo todos os dias. Outros o contato é mais espaçado, mas eu me sinto uma privilegiada de ter os amigos que eu tenho.

Claro que a maioria das pessoas já virá com as dez pedras do cancelamento nas mãos afirmando que o que se tem são conhecidos, que amigos se contam nos dedos de uma só mão e todo aquele enredo conhecido de que “nem todo mundo que está ao seu lado é seu amigo”, etc.

Para diminuir a polêmica, vou agora falar de uma em especial que conheço desde os nove anos de idade, quando voltei pra Macapá e caí na turma dela no segundo semestre, terceira série da professora Gil na escola O Pequeno Polegar, minha médica favorita Rejane.

Rejane era uma das melhores alunas DA ESCOLA, sempre atenta e aplicada, com uma letra linda que até hoje não mudou, e com quem, eu, CDF como sempre fui, me identifiquei de pronto. Branca, dos cabelos bem negros, eu sempre soube que ela seria enorme e acertei em cheio em minhas previsões.

Sempre passávamos de ano antes do quarto bimestre. Junto com o Ricardo (sobre ele escreverei em breve, meu amigo irmão que amo tanto e me faz chorar cada vez que ouço a música Não Vou Sair do Nilson Chaves, pois está nos EUA há mais de duas décadas) e tantos outros queridos e queridas, aprontamos muito! Quebramos ovos na cabeça uns dos outros nos aniversários, apresentamos os melhores trabalhos de grupo, organizamos levantes para tirar professor que a gente não gostava da aula, esperávamos ansiosas a festa junina, nos apaixonamos na mesma época pelo mesmo garoto e ainda riamos disso, fizemos primeira comunhão juntas na igreja Jesus de Nazaré e temos tantas memórias afetivas juntas que tem gente que acha que a gente é irmã, como acontece com a Priscylla, sobre quem também escreverei.

Estudamos desde então até quando chegou a hora de optar, já no Colégio Objetivo, qual seria a nossa área no terceiro ano: eu, SEMPRE de humanas, ela, brilhantemente biológicas. Ela foi pra Belém estudar medicina, eu virei mãe da Laís aos 18 anos, formando mais tarde. Ficamos uns tempos sem contato, mas TODAS as vezes que nos encontrávamos, era como se ainda estudássemos juntas: afeto, respeito, admiração mútuas e MUITAS gargalhadas.

Rejane sempre me considerou alguém à frente de meu tempo, mesmo sendo CARETA, por ter sido criada pela minha mãe, Dona Dalva, mulher ativista, extremamente politizada, feminista e motoqueira. É, mamãe andava de moto quando eu era criança é isso não era muito normal na época para mulheres. Claro que só descobri que a Rejane era fã da mamãe depois de adulta, a gente batendo papo e tal. É engraçado como geralmente a gente nem pensa que o que pode ser normal pra gente é super admirado pelo outro. Eu, em contrapartida, acompanhava de longe as conquistas da Rejane, e comemorava todas (e não foram poucas!) vitórias dela.

A vida adulta nos pegou, com boletos, filhos, casamentos, separações, conquistas, fracassos, e de uma forma misteriosa, pois nossa convivência era pouca, sempre estivemos ligadas e nos apoiamos. Ela me entende e conhece e vice versa, sem julgamentos. Tenho um orgulho tão grande dessa mulher que se ela soubesse me daria o título de presidente do fã clube dela, pois ela consegue ser mãe, filha, irmã, amiga, médica e tudo o que ela precisar ser, de forma visceral, apaixonada, intensa e bem feita. Nisso somos BEM parecidas. Carregamos a bandeira da liberdade, intensidade e felicidade. Somos subversão e revolução, sem pudores, reservas ou medos. Expressamos uma à outra nossos medos, fraquezas, frustrações. E sempre nos reinventamos.

E por isso que sempre que falo com ela, eu digo que a amo e escuto que ela me ama, e isso me alimenta a alma, juntamente com tantos outros amores que carrego e tenho. Minha amiga Rejane salva vidas, é uma profissional invejável, com treinamento e capacidade que a fazem única e mesmo assim ela continua ela: simples, enorme e pura força e amor, como uma tempestade que arrasta e não se explica, apenas se admira e respeita. Essa foi outra forma de te dizer que te amo e o quanto você é importante em minha vida e história.

Que a gente consiga ficar velhinhas do jeito que já conversamos e gargalhamos tantas vezes: próximas e cúmplices.

* Telma Miranda é advogada, fã de literatura, música e amiga deste editor.

Dicas do Fernando Bedran para o Feriado

bedran1234
Fernando Bedran

Dica para o feriado?
Desligue a TV.
Use o mínimo de celular e net.
Faça e coma o rango de sua preferência.
Curta sua família e amigos com muita alegria.
Escute boa música.
Seja você mesmo e reflita se não está viajando demais na barca “da Maria vai com as outras”, pense por você, decida por você.
Não recrute para sua cabeça mágoas, rancores, pessoas sórdidas, hipócritas e nefastas.
Saia um pouco da mesmice viciante do dia a dia e sorria muito, inclusive de você mesmo.
Abrace forte quem estiver por perto.
Reze ao DEUS de seu coração pelos menos favorecidos e os que estão em desencanto.
Aprenda algo e ensine algo.
Se beber ,beba uma por mim.
Se não, sorria mesmo assim.
Bom feriado em harmonia com o todo!

Fernando Bedran