Sócrates, o “Dr. Democracia”: mais que futebol, um exemplo

Por Marcelo Guido

Sem dúvida alguma, um dos melhores jogadores brasileiros de todos os tempos. Cerebral, comandava como poucos o meio campo. Desfilou seu talento ostentando as camisas do Botafogo de Ribeirão Preto, Flamengo e Santos, mas entregou seu corpo e sua alma para o Corinthians.

Majestoso que era, o Doutor conseguia ser em campo um verdadeiro cirurgião, rasgando a pele das defesas adversárias com passes que, de tão precisos, só poderiam partir de um médico. A perfeição em campo era sua marca.

Destacou-se pelo seu primordial passe de calcanhar, algo que nem os melhores marcadores poderiam imaginar sair daquele corpo esguio, magro – que em nada lembrava um atleta de ponta. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira era a classe do futebol em estado absoluto, um ser deveras abençoado e tocado pelos deuses da bola para ser o melhor.

Nascido em Belém do Pará no ano de 1954, apareceu para o mundo do futebol trajando as cores do Tricolor de Ribeirão. Sua prioridade, na época, era o curso de medicina – que não foi deixado de lado – e com muita luta e persistência foi um dos primeiros (e raros, até hoje) a adentrar um campo de futebol profissional com diploma de nível superior na parede. Ser diferente era uma de suas características.

Cortejado por vários clubes, foi levado para o Parque São Jorge pelo lendário Vicente Mateus e no dia 20 de agosto de 1978 vestiu-se de alvinegro pela primeira vez para enfrentar o Santos, seu velho e querido clube de infância.

Com a alcunha de ser o jogador mais caro do Brasil na época, mostrou para 120 mil privilegiados torcedores todas as suas credenciais de jogador único, diferenciado. A palavra craque lhe cairia como uma luva.

Levantou sua primeira taça no ano seguinte, fez dupla inesquecível com Palhinha e foi para seleção. Tinha o objetivo pessoal de jogar um mundial. Frustrado por ficar de fora da copa de 1978, abandonou hábitos peculiares como cerveja e cigarro e se fez atleta pelas mãos de Telê Santana.

O ano de 1982 viu um futebol bem jogado, de enriquecer os olhos de quem gosta de ver a bola rolar; era o maestro de um time aguerrido e sem modéstia, o Capitão de uma senhora seleção Brasileira que sucumbiu em pleno Sarriá para a Itália de Paulo Rossi. O futebol industrial e burocrático venceu o futebol espetáculo. Coisas do jogo.

Figura pública, controverso nunca se esquivou a falar o que pensava, comemorou seus 317 tentos muitas das vezes com o punho em riste tal qual um pantera negra. Em tempos sombrios no Brasil, foi pilar da democracia corintiana, movimento que colocava equidade nas decisões tomadas pelo time.

Como brasileiro nato, combateu a ditadura de peito aberto; suas ideologias sempre estiveram do seu lado. Conseguiu como poucos, com seu carisma, chamar atenção para os anos de chumbo viventes na época. Sua promessa de não sair do Brasil caso a emenda Dante de Oliveira (que permitiria ao povo votar) passasse, foi um dos pontos altos no comício das Diretas Já.

Antes de ser um excelente jogador, Sócrates foi símbolo de luta e ativismo político, em um momento conturbado na história do Brasil.

Sócrates virou verso e melodia: “Com destino e elegância dançarino pensador. Sócio da filosofia da cerveja e do suor. Ao tocar de calcanhar o nosso fraco a nossa dor. Viu um lance no vazio herói civilizador, o Doutor!” pelas mãos de José Miguel Wisnik.

Virou livro nas linhas traçadas por Tom Cardoso. Virou campo de Futebol feito pelo Movimento Sem-Terra (MST). Virou sonho e orgulho de toda a nação corintiana e brasileira. Eleito pelo diário Inglês The Gardian, um dos seis esportistas mais inteligentes da história (único brasileiro), levando em conta a sua atuação, que extrapolou os campos.

Sim, teve outros títulos; o Bicampeonato Paulista 82/83 pelo Timão e o Carioca de 86 pelo Flamengo passagem pela Fiorentina e pelo Santos. Voltando em 1989 para o berço e se despedindo pelo Botafogo de Ribeirão.

Um ser que deixou um legado dentro e fora de campo. Um pensador que se fez ideia, viveu seu ideal, sua luta por uma sociedade mais justa, menos desigual; um país sem fome, sem miséria, sem homofobia, foi aquilo que sempre sonhou e propagou.

Hoje enquanto craques são mais celebridades comerciais, fazendo propaganda de relógio ou carros, caras como o Magrão fazem falta. Em um Brasil que aos poucos vai caindo no abismo abissal da ignorância e atraso novamente, sua voz faria diferença.

Sócrates teve tempo de cumprir sua última profecia: só morreria com toda a Fiel corintiana banhada em alegria. Partiu no dia 4 de Dezembro de 2011 – no mesmo dia em que o Corinthians foi campeão Brasileiro.

*Marcelo Guido é Jornalista. Pai da Lanna Guido e do Bento Guido e maridão da Bia.

Ézio, o Super Herói Tricolor – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

O futebol é mágico! E jogo é fantástico! Transforma seres em mitos e dá a eles a alcunha de herói. Assim foi com Ézio Moraes Leal Filho.

Nos tempos áureos, nos anos 90 (só quem viveu sabe), o futebol era menos técnica e mais vontade; e nisso, o Super Ézio era rei.

Fez do Maracanã seu palco, da torcida tricolor sua corte. Se lhe faltava destreza com a bola, nunca lhe faltou disposição. Revelado pelo Glorioso Bangu de Castor, honrou a camisa da lusa e do Galo, mas foi nas laranjeiras que encontrou sua morada. O coração tricolor bateu forte várias vezes em virtude dele.

Foram quatro anos; de 1991 a 1995, 237 jogos e 119 gols – o que o coloca no décimo lugar na lista de artilheiros tricolor – uma taça Guanabara em 1991 e um Estadual em 1995. Se os números aparentemente são escassos, lembraremos o período.

Ézio foi ídolo de uma torcida carente, sua vontade em campo lhe proporcionava feitos de craque. E isso era ser tricolor naquela época. Esse era o futebol.

Ézio era antes de tudo o rosto do Fluminense. Era dele que a torcida tão sofrida podia esperar algo. Era nele que eram depositadas as fichas. Ézio era o tricolor.

Fazer 12 gols no maior rival, ser o terceiro maior artilheiro do FlaxFlu e a procura incessante pelo gol os faziam acreditar que sim, algo bom era possível. Longe de ser um fenômeno – mas era o que bastava.

Entre contratos assinados em branco e a vontade de permanecer no clube em fase difícil, em um período sem Unimed, onde as melhores lembranças já iam longe com a Máquina Tricolor de Dom Romeo e Branco, ou do Casal 20, Washington e Assis, Ézio se fez tricolor.

Imortalizado pelo mestre Januário de Oliveira, fez suas glórias maiores no Maracanã. Corria para geral ao comemorar seus tentos. Majestoso, o manto verde, branco e grená lhe caia como smoking e cartola para noite de gala.

Tinha garra, sorte às vezes e faro de gol. Goleador nato. Fazia gols porque sabia que era disso que o povo gostava.

Ficam as histórias e o agradecimento de pessoas que aprenderam a amar o Fluminense em um período de nove anos sem títulos. Nove: o número da camisa que tanto honrou. No dia nove de novembro de 2011 perdeu – talvez a partida mais importante. A luta travada contra o câncer havia terminado.

O Super Herói saiu da vida para a cadeira cativa em todo coração tricolor. Mas, eterno que foi em campo e, como nas histórias em quadrinhos, o bem sempre vence o mal, Ézio se fez imortal na história tricolor.

Marcelo Guido é jornalista.

Hoje é o Dia do Leitor

Hoje é o Dia do Leitor. Li que a data surgiu por conta de ser o mesmo dia do aniversário do jornal cearense “O Povo”, fundado em 7 de janeiro de 1928, e foi uma sugestão do poeta e jornalista brasileiro Demócrito Rocha.

Quanto a data, vale a pena celebrar a nobre prática, pois sigo a velha máxima “ler para ser”. Sei da importância da Leitura, de devorar um livro e sorver conhecimento, mas o advento da internet enfraqueceu a prática. Atualmente, a maioria das pessoas lê somente o resumo, a sinopse, a crítica e por aí vai. Isso, quando o faz.

Nunca fui um leitor inveterado, mas aprendi muito com os livros e, sempre que posso, leio. É fundamental na minha profissão. Por meio da leitura, viajamos, aprendemos, voltamos ao passado, imaginamos o futuro, exercitamos o cérebro.

Para os que não gostam ou tem preguiça de ler, digo: já fui como vocês. Cada um com seu tempo e aptidão. Porém, acreditem, não é legal ficar calado numa roda de leitores. Ademais, é muito prazeroso, estimula nosso raciocínio e criatividade. Quando você para de ler livros, você para de pensar.

Detesto os pseudointelectuais medonhos, que pagam de safos e não leem nem bula de remédio. Também não gosto dos que são leitores crônicos, mas por conta disso são “posers” (metidos a besta que se acham mais que os outros). Porém, as pessoas do segundo caso são uma minoria.

Os malucos mais interessantes que conheço são leitores. Já dizia Cícero, “uma casa sem livros é como um corpo sem alma”. Escrever de forma correta, abrir as ideias e convencer pessoas com bons argumentos são frutos da leitura. Ler fertiliza a cachola, assim como música, filmes e viagens.

Se você não se satisfaz com explicações fajutas e sempre vai atrás de conhecimento por meio da leitura, mesmo que não seja somente nos livros, meus parabéns. A mente do leitor pode ir até as estrelas ou além delas, ao lugar onde o livro e a imaginação nos permitirem ir.

Estou em uma fase de aumento das leituras e recomendo a todos o mesmo.

Feliz Dia do Leitor a todo o leitorado que visita este site diariamente. É isso!

Elton Tavares

Poema de agora: A Maiakovski. Poeta Russo – Luiz Jorge Ferreira

A Maiakovski. Poeta Russo

Um dia eles nem chegam!
Já estão escondidos nas sombras que nos acompanham, por todos os lugares.
E nós não vimos, nem sentimos seus cheiros podres, nem sentimos suas mãos nos pescoços.

Simplesmente porque ainda fazem isto só com os outros.

Certo dia em que estamos comprando ovos da Páscoa.
Eles entregam armas aos moleques sem cor dos aglomerados.
Mas com medo neste momento levantamos do sofá, e desligamos a Televisão para não saber mais disto.

Uma noite eleito por nós mesmos, eles se reúnem, e criam facilidades para o domínio.
Empilham placas na rua,
para que indefesos andemos a mercê dos sádicos.

Criam leis para retirar nossas armas, e facilitam a liberdade dos ladrões, e assassinos.

Mas como o domínio ainda nos permite ir a praia – Não protestamos.

Certo dia acordamos com eles em nossas casas, em nossas mesas, em nossas camas, em nossas almas.

Nesse dia, sentiremos seus cheiros podres, seus dentes podres, seus gestos bruscos, e seus torniquetes no pescoços.

Seremos proibidos de ir a praia, caminhar sob o sol, e inocentemente tomar sorvete.

Ansiosos vamos procurar reunir todos para criar uma saída.

Mas então! – Todos serão ninguém, e eternamente!
Será muito tarde.

Luiz Jorge Ferreira

* Do livro Tybum.

É, eu gosto!

Eu gosto de fotografar, de beber com os amigos e de ser jornalista (talvez, um dia, um bom). Gosto de estar com minha família, do meu trabalho e de Rock And Roll. Eu gosto de café, mas só durante o trabalho, enquanto escrevo. Gosto de sorvete de tapioca, de cerveja gelada e da comida que minha mãe faz. Também gosto de comer besteira (o que me engorda e depois dá um arrependimentozinho).

Gosto de sorrisos e de gente educada. Eu gosto de gente engraçada. Gosto de bater papo com os amigos sobre música, política e rir das loucuras que a religião (todas elas) promove. Eu gosto de chuva e de frio. Gosto de futebol. Gosto dos golaços e da vibração da torcida.

Gosto de ir ao cinema, de ler livros e de jogar videogame. Gosto de rever amigos, mas somente os de verdade e de gente maluca. E gosto de Macapá, minha cidade.

Eu gosto de ser estranho, desconfiado, briguento e muitas vezes intransigente.

Sim, confesso que gosto.

Gosto de viajar, de pirar e alegrar. Gosto de dizer o que sinto. Às vezes, também gosto de provocar. Mesmo que tudo isso seja um estranho gostar.

Gosto de encontros casuais, de trilhas sonoras e de dar parabéns. Gosto de ver o Flamengo ganhar, meu irmão chegar e ver quem amo sorrir. Também gosto de Samba e do Carnaval. Gosto de ouvir o velho Chico Buarque cantar – ah, como eu gosto!

Eu gosto de explicar, empolgar, apostar, sonhar, amar, de fazer valer e de botar pra quebrar. Ah, eu gosto de tanta coisa legal e outras nem tão legais. Difícil de enumerar.

Eu gosto de ler textos bem escritos, de gols de fora da área, de riffs de guitarra bem tocados, de humor negro e do respeito dos que me cercam.

Gosto de me trancar no quarto e pensar sobre a vida. Gosto quando escrevo algo que alguém gosta. Gosto mais ainda quando dizem que gostaram.

Eu gosto também de escrever algo meio sem sentido para a maioria como este texto. Eu gosto mesmo é de ser feliz de verdade, não somente pensar em ser assim. Gosto de acreditar. Como aqui exemplifico, gosto de devanear, de exprimir, de demonstrar e extravasar.

Sangue e amor.

Pois é, são coisas que gosto de gostar. É isso.

Elton Tavares

Hoje é o Dia Mundial da Paz

Hoje é Dia Mundial da Paz e como temos uma sessão chamada “datas curiosas”, é claro que não deixamos passar batido. A data foi instituída oficialmente pelo papa Paulo VI em 1967, que escreveu uma mensagem propondo a criação da data, a ser festejado no dia 1 de janeiro de cada ano por apontar o caminho da vida humana para o futuro, com o mesmo fim em mãos: a paz(1.relação entre pessoas que não estão em conflito; acordo, concórdia; 2. relação tranquila entre cidadãos; ausência de problemas, de violência).

A paz é um sentimento de harmonia com outras pessoas e a relação entre os seres humanos e o tempo sempre foi de admiração e agradecimento. Há mais de 2000 mil anos, os povos babilônicos comemoravam o início do ano apenas em março, devido à chegada da primavera no hemisfério norte.

Era nessa época que eles voltavam a praticar a agricultura e esse momento ficou conhecido como o reinício da vida. Os romanos definiram posteriormente o dia 1º de janeiro como a data símbolo dessa renovação de vida, o Ano Novo. Em 1582, ela foi inserida no calendário gregoriano, promulgado pelo Papa Gregório XIII.

Ente ano, o tema é: “A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica”.

Papa Francisco na Audiência Geral. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Na mensagem, o Papa Francisco disse: “a fratura entre os membros de uma sociedade, o aumento das desigualdades sociais e a recusa de empregar os meios para um desenvolvimento humano integral colocam em perigo a prossecução do bem comum. Inversamente, o trabalho paciente, baseado na força da palavra e da verdade, pode despertar nas pessoas a capacidade de compaixão e solidariedade criativa”.

O texto completo traz como referências principais dois eventos que marcaram o Vaticano este ano: o Sínodo dos Bispos para a Amazônia, realizado em outubro, e a viagem do Santo Padre ao Japão, no fim de novembro.

A esperança é a virtude que nos coloca a caminho, dá asas para continuar, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis”, escreve o Pontífice. Entre esses obstáculos, o Papa cita as guerras e os conflitos que continuam ocorrendo, que marcam a humanidade na alma. Toda guerra, reforça, é um fratricídio.

Hoje, o pontífice celebrou missa no Vaticano para celebrar a data. Assistam aqui:

Entro neste novo ano totalmente desarmado de sentimentos ruins. Espero que assim eu permaneça. Portanto, queridos leitores, que em 2020 tenhamos muita paz em nossos trabalhos, família e demais relações. Que a Força esteja conosco!

Elton Tavares

Fontes: CNBB, Calendarr Brasil e Acidigital.

Carta Aberta ao Papai Noel – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Fala Noel, beleza? Muito trampo nessa época do ano?? Espero que sim. Muito bem amigo, a gente já se conhece há um tempão; exatamente 39 anos, né, Camarada? E eu te admiro muito, muito mesmo.

Sei que você não ia abandonar suas vestes vermelhas, com o risco de ser confundido com petista e colocar em risco até sua integridade física, porque pela mental meu velho, não coloco a mão no fogo. Tá difícil por aqui, mas nada que uma revigorante pausa na politica não dê jeito. Ah, não vai entrar nessas de sacanear os direitos dos duendes; isso entrou na moda no nosso mundo, onde a lenda do patrão legal voltou com força total. Por favor, não caia nessa.

Fiz de tudo para me comportar bem; dei umas escorregadas aqui, outras acolá, mas parei de brigar com muitas pessoas. Ou seja, deixei elas serem o que são e tento conviver do jeito que dá.

Mas como já disse, tá difícil. Cara, tão andando até com suástica no braço, vê se pode. Tu sabes que o diálogo com essa turma é soco na cara. O menino ou menina que bater em um nazista ou fascista merece dois presentes, tá bom?? E pra essa turma descarada, que tal uma longa internação em Auschwitz? Aí, talvez esses canalhas aprendessem. Fica minha sugestão.

Ah, aproveita a deixa e conversa com Jesus, o primeiro bom menino, e fala que o exército dele anda meio desfocado, um papo de “arminha” com a mão, na marcha em nome dele, quebrando uns terreiros de umas senhoras aí, sabe? Uma coisa muito feia. O foco da mensagem que me lembro era amor. Mas acredito que um “pito”, do filho do homem, seria um ótimo presente. Fica aí minha outra sugestão.

Ei Noel, na boa, passa reto da turma que anda pedindo AI5 e a volta da Ditadura. Por favor não me decepciona. De presente a eles, dá só o perdão, eles não sabem o que falam.

Agradeça ao presidente por ter melhorado o Zorra Total e o Punk Rock. Isso estava meio caído, e as ações do novo governo fizeram este lado melhorar.

No mais te peço saúde. Pra mim, meus filhos, familiares e muitos amigos que eu ainda tenho. Eu sei que abusamos, mas não custa nada.

Sem ser chato, já sendo (risos) peço a ti que conceda alegria nesta noite na casa de todos, que nenhuma casa falte sorriso, renove as esperanças de quem anda meio para baixo, e dê a eles o dom de acreditar em si mesmos.

No mais, meu querido velho Batuta, te peço um ano melhor. E que as preces boas de todos sejam realizadas.

Eu desejo um feliz Natal a todos e que a felicidade seja uma constante na vida de cada um.

Beijão no coração de todos.

*Marcelo Guido é Jornalista. Pai da Lanna e do Bento e Maridão da Bia.

P.R.I (Programa de Recuperação de Imagem) – Por Cleomar Almeida

Cleomar, o contador de histórias (e estórias).

Por Cleomar Almeida

Depois de alguns eventos recorrentes de mau comportamento por mim cometidos acabei sendo impelido a participar do P.R.I – Programa de Recuperação de Imagem. Este Programa essencialmente é voltado aos maridos que, por vez ou outra acabam, sem querer é claro, cometendo faltas consideradas quase imperdoáveis por suas “Conjes”, faltas essas que de forma nenhuma serão aqui listadas. Na verdade o motivo dessa postagem é dar conhecimento aos caros colegas do Programa e de suas implicações.

O programa basicamente é um misto de punições e restrições, dentre elas a obrigatoriedade de acompanhamento de novelas, no mínimo as três que passam a noite, de preferência sem muitas perguntas no sentido de entender o enredo. Ainda no item entretenimento, futebol e modalidades esportivas nem pensar, aliás, esqueça o controle remoto durante esse período.

Quanto à alimentação, no P.R.I. você come o que lhe for oferecido, se for oferecido, o que quase nunca ocorre, então prepare-se para cozinhar. Shakes e comida japonesa são praticamente obrigatórios em uma saída pra comer fora. O Shopping será seu habitat nessa fase difícil. Igrejas também serão usadas pra exorcizar este capeta que se apossa de você vez em quando. Perceba aí um ponto essencial no P.R.I. , se você estiver liso nem pense em participar do Programa, o gasto com comida, passeios, com coisas que inevitavelmente irão quebrar, esbandalhar ou misteriosamente sumir da sua casa lhe darão uma despesa extra.

Comportar-se bem na frente dos parentes da madame também faz parte do pacote, mas pode ter certeza que quando você for elogiado por alguém pela boa educação e prestatividade ela revelará os verdadeiros motivos de sua boa vontade com um belo “Tá assim porque fez merda, ta tentando se limpar comigo!”, nem pense em discordar dela nessa hora ou ela conta até o que não aconteceu, vai por mim.

Família do Cleomar.

Os filhos são sua responsabilidade absoluta, nem parece que saíram dela, você fez, você que se vire, reze pra eles já não usarem mais fraudas.

Sexo, esqueça, ninguém participa de um P.R.I e transa, é o alicerce fundamental do Programa e pode acreditar, esposas são excelentes em seguir protocolos. Concentre-se e siga na fé, talvez ao fim de tudo você seja compensado de alguma forma, não conte com isso mas milagres as vezes acontecem.

Enfim, como dito no começo, P.R.I é punição, restrição e um pouco de constrangimento pra te fazer ver o tamanho das burradas que andas fazendo. Sem tempo definido, pode ser rápido, demorado mas nunca indolor. Eu mesmo já passei por umas três experiências e lhes digo, evitem amigos, O P.R.I é terrível!!!!

20 de Novembro Dia da Consciência Negra – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Por que precisamos desse dia?

Criada em 2003, a data nos remete ao passado e tem o intuito de fazer uma reflexão da inserção do negro na sociedade brasileira, escolhido o dia 20 de novembro não à toa , já que é a data atribuída à morte de Zumbí dos Palmares, um dos maiores e históricos lideres negros que já habitou nossa pátria.

Mas por que ainda hoje precisamos refletir se somos no papel um país multirracial, se nosso sangue miscigenado encantou o pai da seleção natural Charles Darwin, se nossa sociedade é tropical, abençoada por Deus e bonita por natureza ?

É amigos, quem nos dera não precisar! Vivemos um verdadeiro “apartheid” não oficial. Isso porque a política nefasta, que por muitos anos foi responsável pela segregação na África do Sul, é aplicada em nosso país na pior forma, a forma oculta.

A necessidade de uma data oficial como essa é para lembrarmos que a cada 100 vítimas de assassinatos no Brasil , 71 são negras, que a extrema maioria de nossa massa carcerária nos presídios é negra, que a maioria das famílias que vivem na miséria no Brasil é negra. Por isso a reflexão.

A dívida que se tem com o povo afrodescendente é mil vezes maior , foram 400 anos de escravidão, marca essa que para poder tirar de nossa história, precisaríamos ser redescobertos.

O Brasil foi um dos últimos países a deixar de ser escravista. Por isso a reflexão. Para mostrar para muitos que politica de cotas raciais, instituída no Brasil apenas em 2014, não trata-se de uma esmola, e sim de uma reparação histórica para com o povo negro. Por isso a reflexão.

Pra lembrar a todos que foi só a partir de 2003, mais exatamente no dia 09 de janeiro, com o advento da lei 10.939, que o currículo escolar brasileiro teve que colocar a temática “Historia da Cultura Afro –Brasileira” para que os alunos pudessem entender o por que do respeito com a cultura Afro.

Só por esses aspectos, o dia da consciência negra já se faz necessário.

Refletir sobre os erros para que nunca mais eles sejam repetidos, para que o jovem negro possa ter orgulho de sua raça, origem e cor. Por mais cabelos naturais e menos alisamentos nas meninas . Que o orgulho negro seja realmente reconhecido.

Precisamos deste dia para saber que ascensão social do negro não é um favor, e sim um direito. Para que as escolas, repartições e universidades sejam sim um espaço de ampla inclusão.

Zumbi vive em cada jovem médico negro, em cada advogado negro em cada ministro negro, em cada professor negro.

Para que intelectuais históricos, como Machado de Assis e Castro Alves possam ser referenciados como realmente foram.

Para que o elevador social que é quase um templo- já diria Jorge Aragão – seja esquecido e realmente fique no passado. Para que Wilson Simonal saia do limbo cultural o qual foi colocado.

Para que máximas como a do grande educador Paulo Freire , reconhecido mundialmente pelos serviços prestados à educação, sejam enterradas de vez: “os negros nascem proibidos de serem inteligentes” .

Para que nossa sociedade seja mais justa e menos hipócrita.

Viva Zumbi, Cartola, Ivone, Jovelina, Mano Brow , Ben Jor, Leci, Serginho Chulapa , D2, Tony Tornado, Tim Maia, Mussum e todos aqueles que um dia lutaram por igualdade, meu máximo respeito.

Um Salve para todos os negros.

*Marcelo Guido é Jornalista, Pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia.

Meu céu – Crônica bem humorada sobre o paraíso de cada um (o deste jornalista, no caso)

Há meses escrevi uma crônica sobre como seria o meu “Inferno”. Hoje vou falar/escrever um pouco de como seria o meu céu. Não sei baterei na porta do céu como Bob Dylan. Nem se vou achar o lugar igualzinho ao paraíso, como sugeriu o The Cure, mas estou atrás da “Stairway To Heaven” do Led Zeppelin. Só não vale ter “Tears In Heaven”, do Eric Clapton. Mas vamos lá:

Meu céu é em algum lugar além do arco-íris, bem lá no alto. Bom, lá, ao chegar ao meu recanto celestial, eu falaria logo com ELE, sim, Deus ou seja lá qual for o nome dele (God; Dieu; Gott; Adat; Godt; Alah; Dova; Dios; Toos; Shin; Hakk; Amon; Morgan Freeman ou simplesmente “papai do céu”) e minha hora já estaria marcada.

Ah, não seria qualquer deusinho caça-níquéis (ou dízimos) não. Seria o Deus de Spinoza, que como disse Einstein: “se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

Após este importante papo com o manda chuva do paraíso (tá, quem manda chuva mesmo é o seu assessor, São Pedro, mas eu quis dizer mesmo é do chefão celestial), daria um rolé e encontraria todos os meus amores que já viraram saudade. Ah, como seria sensacional esse reencontro!

Bom, meu céu é todo refrigerado e chove. Chove muito, mas nunca inunda as vielas do paraíso e nem desabriga ninguém por lá. Ah, abaixo dele chove canivetes nos filhos da puta (que não são poucos) que encontrei durante a jornada pré-celestial. Óquei, pode soar meio lunático, mas é o meu céu, porra!

No meu céu não tem papo furado, como no capítulo 22, versículo 15, do livro de Apocalipse. Lá entrarão impuros sim ou seria uma baita hipocrisia EU estar neste céu. No meu céu não toca brega, pagode e sertanejo sem parar, afinal, isso é coisa do inferno. Ah, no meu céu não entra corrupto, pastor explorador, padre pedófilo ou escroques de toda ordem, esses tão lá no meu inferno e eu ainda teria o direito de cobri-los de porrada!

Heaven – Foto: Elton Tavares

No meu céu as pessoas se respeitam, não tentam a todo o momento tirar vantagens do outro. No meu céu, serviços prestados são pagos na hora, chefes são justos e não rola fofoca. Lá não tem puxa-sacos, apadrinhados ou seres infetéticos desse naipe que a gente, infernalmente, convive na terra diariamente.

No meu céu tem churrasco, pizza, sanduba, entre outras comidas deliciosas e que nunca, nunca mesmo, nos engordam (pois é infernal o preconceito fitness). Lá também não sentimos ressaca. No meu céu tem show de rock o tempo todo, com todos os monstros sagrados que já embarcaram no rabo do foguete e a gente curte pela eternidade.

Lá no meu plano celestial não existe a patrulha do politicamente correto, nem gente falsa, invejosa, amarga, e, muito menos, incompetentes. Se tá no céu, se garante, pô!

Não imagino o céu como um grande gramado onde todo mundo usa branco, ou um local anuviado onde anjos tocam trombetas e harpas. Não, o céu, se é que ele existe (pois já que o inferno é aqui, o céu também é) trata-se de um local aprazível para cada visão ímpar de paraíso, de acordo com nossas percepções e escolhas. Bom, chega de ficar com a cabeça nas nuvens. Um excelente final de semana para todos nós!

Foto: Elton Tavares

Eu acho que há muitos céus, um céu para cada um. O meu céu não é igual ao seu. Porque céu é o lugar de reencontro com as coisas que a gente ama e o tempo nos roubou. No céu está guardado tudo aquilo que a memória amou…” – escritor Rubem Alves (que já foi para o céu).

Elton Tavares (que graças à Deus, tem uma sorte dos diabos).

Meu inferno – Crônica infernal, mas bem humorada

Acho que se existir inferno, coisa que duvido muito, cada alma pecadora tem um desses locais de pagamento de dívidas de acordo com suas ojerizas. Nada como no clássico da literatura “A Divina Comédia”, o inferno do escritor italiano Dante Alighieri, que escreveu sobre os nove andares até a casa do “Coisa Ruim”.

Quem nunca imaginou como seria o Inferno? Como seríamos castigados por nossos pecados? Volto a dizer, pra mim o inferno é aqui mesmo. Mas vou pontuar algumas coisas que teriam no meu, se ele está mesmo a minha espera.

Bom, meu inferno deve ser quente. Não tô falando das labaredas eternas com o Coisa Ruim me açoitando pela eternidade. Não. Esse é o inferno mitológico e ampliado da imaginação religiosa. Falo de calor mesmo, tipo Macapá de agosto a dezembro, com quase 40° de temperatura (a sensação térmica sempre ultrapassa isso no couro da gente) e sem ar-condicionado.

Neste inferno, todo mundo é fitness, come coisas saudáveis e é politicamente correto. Meu inferno tem gente falsa, invejosa, amarga, que destila veneno por trás de sorrisos. Ah, meu inferno tem incompetentes, puxa-sacos, gente de costa quente que conta do padrinho que o indicou. E pior, neste inferno sou obrigado a conviver com elas diariamente.

No meu inferno tem gente que atrasa, que me deixa esperando por horas. Ah, lá tem caloteiros e enrolões, daqueles que demoram a pagar serviço prestado por várias razões inventadas.

Neste inferno moldado a mim tem parente pedinchão, “amigo” aproveitador, filas e mais filas para tudo. Tem também muita etiqueta e formalidades hipócritas. E também todo tipo de “ajuda” com segundas intenções. De “boas intenções” o inferno tá cheio.

Neste lugar horrendo só vivo para trabalhar, estou sempre sem dinheiro, sem sexo, sem internet e sem cerveja. Nó máximo Kaiser, aquela cerva infernal de ruim. No meu inferno toca brega, pagode e sertanejo sem parar.

Eu sei, leitor, que devo agora estar lhe aborrecendo. Mas perdoe-me, esta alma é chata e sentimental. Às vezes vivemos infernos mesmo no cotidiano, pois vira e mexe essas coisas aí rolam. Por isso dizem que o inferno é aqui. Ou como explicou o filósofo francês Jean-Paul Sartre, na obra “O Ser e o nada”: o inferno são os outros. É por aí mesmo.

Ainda bem que tenho uma sorte dos diabos e Deus é meu brother, pois consegue me livrar dos perigos destes possíveis infernos cotidianos e nunca fará com que tudo isso descrito acima ocorra por toda a eternidade. No máximo, de vez em quando, para que eu pague meus pecadinhos neste plano (risos).

Esse devaneio deve ser por conta do “inferno astral”, vivido sempre próximo de meu aniversário. Mas volto a dizer, este seria mais ou menos o MEU inferno. Como seria o seu?

Elton Tavares

A Generosidade musical de Nonato Leal – Por Fernando Canto (em homenagem aos 92 anos do mestre das cordas)

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Foto: Portal Amazônia

O Amapá precisa preservar, reconhecer e homenagear seus grandes nomes em todas as áreas de atuação. Como sou fã de escritores, compositores, músicos, poetas e artistas, deixo aqui meus parabéns ao mestre das cordas Nonato Leal na crônica lindona do amigo Fernando Canto. O reconhecimento é justo, diante do legado artístico do lendário violonista. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Hoje Nonato Leal faz 92 anos. Repito aqui minha pequena homenagem a esse grande músico que por décadas ensinou, influenciou e participou ativamente das atividades musicais do Amapá. Este texto foi publicado no Jornal do Dia, em 12 de julho de 2007″ – Fernando Canto

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Foto: Márcia do Carmo

A Generosidade musical de Nonato Leal
Por Fernando Canto

Nonato Leal vai fazer 80 anos daqui a dez dias. Vai comemorar 70 de música, pois aprendeu a tocar aos dez anos instrumentos de corda com seu pai, que também ensinou seu irmão Oleno Leal, como ele exímio violonista.

Lembro do primeiro contato que tive com esse incrível e generoso músico no final dos anos 70, quando iniciava por conta própria a aprender violão. E foi num dia de Festival Amapaense da Canção, sob a frondosa mutambeira do grupo escolar Barão do Rio Branco que Nonato me viu e me deu a dica de uma passagem de tom na música que eu executava. Depois ele adentrou o ex-cine Territorial para ensaiar sua composição que seria a vencedora do festival, em parceria com o inesquecível poeta Alcy Araújo.

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Foto: SelesNafes.Com

A modéstia do violonista é conhecida por todo mundo junto ao seu inominável talento que atravessou décadas encantando os mais diversificados públicos que tiveram a oportunidade de ouvir seu trabalho. Requisitadíssimo, Nonato Leal jamais se furtou a um bom convite para tocar, pois sempre soube se valorizar, embora nas rodas boêmias fosse um integrante como qualquer outro bom bebedor, um companheiro divertido que nem ao menos se zangava com as piadas que faziam sobre sua terra natal e lhe insinuavam ser o protagonista principal. Vigiense de boa cepa, até hoje adora um bom caldo de cabeça de gurijuba, ao qual atribui ser afrodisíaco, e a fruta do cedro, parecida com o taperebá, que considera o melhor tira-gosto para a cachaça.

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Foto: Márcia do Carmo

Sua participação no crescimento da nossa música foi determinante. Nonato tocou em diversos grupos musicais, ao lado de instrumentistas famosos como Sebastião Mont’Alverne e Amilar Brenha, Hernani Guedes, Chico Cara de Cachorro e Zé Crioulo, Aimorezinho, Manoel Cordeiro e tantos outros. Tocava qualquer instrumento de corda: foi o primeiro artista do Amapá que vi tocando guitarra havaiana. Participou da gravação do LP “Marabaixo” do conjunto “Os Mocambos”, em 1973. Seu programa de rádio “Recital de Nonato Leal” por anos teve audiência assegurada nas rádios de Macapá. Mas foi como professor que disseminou o amor pela música a dezenas de discípulos que hoje ganharam o rumo da profissionalização musical, incluindo aí seus filhos Venilton e Vanildo Leal. Seu primeiro CD “Lamento Beduíno”, editado em 1997, com arranjos de Manoel Cordeiro, esgotou-se rapidamente. Nesse trabalho tive a honra de escrever um texto a pedido dele, do qual reproduzo o primeiro parágrafo:

Cultura Amapá - Nonato Leal e Zé Miguel no programa Amazônia Musical da Rádio Difusora
Foto: Chico Terra

“A saudade de Macapá me fez sintonizar ao acaso a Rádio Neederland em uma noite fria e triste em Belo Horizonte no ano de 1974. De repente um solo de violão me chamou a atenção. Tratava-se de uma música com temática oriental, muito bonita e bem executada, chamada “Lamento Beduíno”, do professor Nonato Leal, de Macapá, Território Federal do Amapá, Brasil, dizia o locutor daquela rádio holandesa. Vibrei! Coincidência ou não a história mudou meu astral e motivou um porre de pavulagem bairrista. Pena que ninguém que eu conhecia tivesse ouvido o programa. Tempos depois soube que fora o radialista Edvar Motta que enviara uma fita com músicas do Nonato para lá”.

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Parabéns, mestre das cordas!

No dia 23 Vigia e Macapá estarão radiantes, não só pelas 80 “risonhas primaveras” do Nonato, mas pela generosidade musical que irradia desse artista excepcional, que merece mais do que uma comemoração. Merece o reconhecimento e a gratidão de todos que gostam da boa música.

*Republicado em homenagem aos mestre das cordas. 

Sou uma anamorfose ambulante!

Certa noite de 2010, por sinal muito divertida, eu e alguns amigos conversávamos no Bar Norte das Águas, sobre sermos as “ovelhas negras” de nossas respectivas famílias. Em um momento brilhante, minha amiga e mestra em Psicologia, Janisse Carvalho, disse: “Nós somos anamorfoses”. Claro que nenhum de nós entendeu o significado do termo. Leiam o texto:

Sou uma anamorfose ambulante!

Por Janisse Carvalho (*)

Uma anamorfose (do grego anamorphosis) é uma imagem deformada que aparece em sua verdadeira forma quando visto em alguns “não convencionais” caminhos. É a representação de uma figura (objeto, cena, etc.) de maneira que observada frontalmente parece distorcida ou mesmo irreconhecível, tornando-se legível quando vista de um determinado ângulo, a certa distância, ou ainda com o uso de lentes especiais ou de um espelho curvo.

As anamorfoses sociais têm sido estudadas pela psicologia social, o professor Antonio da Costa Ciampa, da Universidade de São Paulo (USP), compara o conceito que vem das artes visuais com as chamadas personas non gratas de nossa sociedade, os marginais. Aqueles que burlam as regras!

Uma anamorfose se diferencia do comportamento corrupto, pois este é carregado de mau-caratismo e se caracteriza em querer se dar bem em cima dos outros. As anamorfoses são almas transgressoras que, segundo o rabino Nilton Bonder, líder espiritual da Congregação Judaica do Brasil e autor do livro “Alma Imoral”, são necessárias para a evolução do mundo.

Em sua obra, Bonder compara o sujeito que deu o primeiro passo diante do Mar Vermelho como um transgressor. Ou seja, uma anamorfose é o sujeito que, por não concordar, consciente ou inconscientemente, com o que lhe é imposto, com aquilo que o oprime de alguma maneira, transgride!

Eu diria que pessoas consideradas “loucas” por muitos, em suas respectivas épocas, eram anamorfoses. Ícones como Van Gogh, Pablo Picasso, Raul Seixas, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Freud, Chico Xavier, Nietzsche, Jesus, etc. O problema não está em cometer erros, está em não compreender os sentidos que estes mesmos erros podem alcançar e significar para a sociedade o que está por trás deles. Anamorfose é, no final das contas, outra forma de dizer a verdade! Por isso são, na sua grande maioria, incompreendidas.

Diante da explicação de Janis (como chamamos nossa ilustre e inteligente amiga), brindamos a nossa saúde, as ovelhas negras, ou melhor, anamorfoses. Daí, o resto da noite foi regado a dezenas de boêmias bem geladas e muitos outros assuntos interessantes, como sempre. É por essas e outras que adoro essa galera. “Mas louco é quem me diz que não é feliz…”

(*) Janisse Carvalho é psicóloga, militante da Cultura, professora universitária, atriz e professora de Teatro

Randolfe diz que MP 871 é direcionada contra os mais pobres

Em vídeo publicado em suas redes sociais, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) explica o motivo de ter votado contra a Medida Provisória 871 votada no Congresso Nacional. Ele diz, entre outras coisas, que a MP limita o direito que os cidadãos têm à pensão por morte.

Segundo o parlamentar pelo Amapá, o direito à pensão por morte fica limitado a ser solicitado só por 180 dias. Randolfe diz também que a MP prejudica os pescadores, entre eles os da Amazônia, uma vez que esses trabalhadores não vão mais poder convalidar aposentadorias.

O senador ainda diz que a Medida Provisória 871 é direcionada a atingir principalmente os mais pobres. “Se o governo quer mesmo combater fraudes na Previdência por que não começou cobrando as dívidas milionárias dos mais ricos, entre eles alguns dos seus apoiadores na campanha presidente?”, conclui Randolfe Rodrigues.

Fonte: Diário do Amapá