Pedidos plausíveis para 2015 (por Felipe Carvalho)

Ned Stark

Esse ano vou fazer pedidos mais plausíveis: Desejo que em 2015 o meu personagem favorito de Game of Thrones não morra. Desejo também que o Latino não lance nenhum hit chiclete ou que um desconhecido bombe um viral conclamando todos os cornos a se unirem(ao invés de dar atenção a mulher deles…).

Se for possível, em 2015 que a gente não descubra nenhum esquema de corrupção, porque a gente ainda tá tentando resolver os esquemas de 2010. Que em 2015 alguém descubra a vacina pra burrice e a cura para a bateria de celular em nível crítico, dois grandes males desta década. Esses sãos os meus votos.

Felipe Carvalho

Os Poetas Azuis (textaço de @rebeccabraga)

PoetasAzuis1

Eu não lembro ao certo como a poesia ganhou lugar na minha vida. Mas uma das lembranças mais antigas que eu tenho é ter encontrado uns livros em casa. Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Castro Alves. Mas confesso que parecia complexo demais pra mim.

Há uns anos, conheci os saraus. Música, poesia, vinil, cerveja gelada e gente bacana. Mas não sei ao certo se entendia a medida dessa poesia feita na mesa de bar. Por vezes eu queria mais, outras, menos.

Lembro da Patrícia Andrade recitando Martha Medeiros mas sobretudo já dizendo seus poemas. Lembro-me do Dinho Araújo e seu ‘O ralho’ certeiro, da Andreia Lopes com Mário Quintana e Adélia Prado. Acho que minha formação de apreciadora da poesia começou com eles.

Depois disso, acompanhei uma geração de poetas. Homens e mulheres tão apaixonados e comprometidos com a poesia que me sentia comovida

De repente a cidade se encheu de declamadores, de grupos de estudo, de grupos de performance. Os bares também se encheram de poesia. E eu gostei disso.

CABEÇALHO AQUI

Mas ainda tinha dúvida sobre a medida. Até que entendi que não há medida na poesia e aconteceu quando vi Os Poetas Azuis pela primeira vez. De cara amei o nome. Azul é minha cor preferida. Azul da cor do céu, do mar, dos olhos do rapaz, até o amor, já diz a canção de Djavan, “o amor é azulzin. “

Pra mim os Poetas Azuis revolucionaram o jeito de fazer poesia. Juntaram com música, mas não de um jeito convencional. É um diálogo entre os poetas, o músico e o público.

É poesia musicalizada? Música poetizada? É alguma coisa assim. Chamaram de stand up poético.

Os artistas dividempoetasazuis2 a performance. Mas no fundo penso que eles somam talentos e multiplicam as sensações na gente.

Atualmente, os Poetas Azuis estão em cartaz todo sábado no Chocolate com tapioca. Nos sábados de Poesia ao vinho, escolhem um poeta e sua poesia e para o nosso deleite derramam na gente. Mas não somente reproduzem o trabalho de outros. Fazem também com o próprio trabalho. Escorregam como peixes nos nossos sentidos e nos provocam prazeres dionísicos. Recomendo.

Rebecca Braga – Acadêmica da Unifap, cantora, musicista, militante da cultura, mãe da Sofia e amiga deste jornalista.

*Pedi pra Bel escrever sobre os Poetas Azuis após ver um show deles na companhia dela. Rebequinha fez melhor do que a encomenda. Valeu!

Ah, assistam a um vídeo de uma apresentação dos Poetas Azuis:

A falta em busca da presença

Crônica de André Mont`Alverne

Na falta de ter o que falar, eu decido tentar escrever sobre tudo o que me vem à cabeça.

Eles dizem que é na falta de idéias ou no excesso de informações e imagens inúteis que juntas não somam um nada, que Diabo dá aquele toque – “aí eu faço a festa”. Mas hoje não cara, hoje não.

Essa platéia silenciosa talvez nem exista e mesmo assim está sedenta pelo desejo de finalmente ver de perto as grandes expectativas tomando formas concretas. Uma exposição onde os aplausos fariam ecos no universo.


As expectativas fazem parte da vida, mas com o tempo podem desgastar os corações esperançosos como a areia fina, que corre rápido por entre os dedos, deixa a mão seca e grossa, capaz de arranhar os rostos mais delicados.

As coisas belas, que foram construídas em tempos que há muito sumiram da memória daqueles que não tem nada de bom para lembrar, reaparecem no além do que se pode imaginar.

Correr atrás do sol para manter o dia claro ou enfrentar a escuridão da noite para ver o amanhecer?

Quando óbvio pula de trás da moita de uma forma assustadora, a verdade passa a ser uma passageira diária que desceu de um ônibus lotado no centro da cidade. Pronta para iniciar mais uma longa e árdua semana.

Boa semana para todos os leitores do BLOG DE ROCHA

André Mont`Alverne

Quando Albert não era um Einstein


Albert não era nenhum Einstein. Os professores não iam com a cara dele. Nunca suportou a sala de aula. E só conseguiu se formar porque um amigo emprestava cadernos para ele estudar antes das provas. O diploma até veio, mas não adiantou grande coisa: o rapaz ficou dois anos sem arranjar um emprego decente. “Não sabia de onde viria minha próxima refeição”, lamentava. Albert tinha 21 anos.

Formado em física e matemática pela Escola Politécnica de Zurique, na Suíça, o alemão não conseguia uma vaga de professor de jeito nenhum – a fama de aluno relapso não ajudava. Suas tentativas de fazer doutorado também só davam na água. Desencantado da vida, passou a viver dos trocados que levantava dando aulas particulares. “Abandonei completamente a ambição de algum dia trabalhar numa universidade”.

Uma pena. Só que ele não era mais moleque: precisava arranjar alguma coisa estável logo. Do jeito que as coisas iam qualquer trabalho com salário fixo já estava ótimo. E foi aí que o mesmo amigo que emprestava cadernos para ele, Marcel Grossmann, o indicou para um emprego numa repartição pública suíça, o Escritório de Patentes, em Berna. O trabalho teria pouco a ver com ciência. Mas e daí? O fato é que “esse negócio chato de passar fome”, como ele mesmo disse numa carta emocionada para Grossman, iria acabar: “Estou realmente tocado por você não ter esquecido seu amigo azarado. Vou fazer tudo o que puder para não desonrar sua indicação”.

Não desonrou. Assumiu a vaga de “Expert de Terceira Classe” em 1902, aos 22 anos e, se a moda já existisse, teria ganho vários títulos de Funcionário do Mês. O trabalho dele era analisar calhamaços de especificações técnicas, comparando os projetos de quem requeria patentes com invenções que já estavam patenteadas. Chato.

E Albert passaria sete anos na repartição. Oito horas por dia, seis dias por semana. Mas foi de lá, da mesinha dele, que ele produziu boa parte de sua obra. Albert provou a existência dos átomos (com a Teoria do Movimento Browniano), fundou um pilar da física quântica (com a Teoria do Efeito Fotoelétrico, que lhe renderia um Nobel aos 42 anos). E ainda viria o Sgt. Pepper’s dele: a Teoria Especial da Relatividade, que apresentava o tempo e o espaço como uma coisa só; e a matéria e a energia como duas faces da mesma moeda. Era a maior revolução da história do pensamento. Agora sim: Albert virava um Einstein. Tudo nos intervalos de um trabalho massacrante. Escondido do chefe.

Quando for reclamar da sua vida, vale lembrar do que esse cara fez com a dele.   

Seja feliz com quem você é e não com os que os outros gostariam que você fosse


Ao lembrar um papo que bati ontem, resolvi devanear sobre a imposição social a respeito de quem somos e quem “deveríamos” ser. Estereótipos comuns, coisas do tipo: seja inteligente, se vista bem, saiba dançar, vá à igreja, dirija, compre um carrão, seja atlético e, é claro, seja politicamente correto. 

A existência de um tipo “comum” e de uma “padronização de modos”, e a falta de percepção dos que pensam que pensam faz deles cópias de outros, sem identidade. É um tal de seguir um modelo de felicidade empurrado goela adentro e sem cerveja pra ajudar a descer. 

O problema é que, esta forma de encarceramento ideológico, torna tudo uma grande hipocrisia. A maioria dos politicamente corretos são farsas.

 Sempre deixo claro aos leitores desse blog que continuo nada politicamente correto, muito embora finja bom senso para o convívio social/profissional. Meu lado religioso é pelo caminho da espiritualização, ou pelo menos da tentativa dela. 

Tento viver um dia de cada vez da melhor forma possível. Apesar de não me iludir, ainda sonho, mas sem criar uma realidade inexistente e pouco provável. Isso fica para os filmes e livros. Todos sabem: não sou dado à submissão e não gosto só de calmaria. A depender da circunstancia, às vezes sou sutil e, às vezes estúpido. Acho brigas e rivais algo normal. 

Todo esse devaneio é somente pra frisar, amigos leitores, que o grande lance da felicidade é não ter fórmulas.  Seja quem você é, faça o que ama, encontre-se, independente de julgamentos, nem que pra isso seja preciso escamotear (disfarçar, miguelar, dar um passo pra trás para dar dois pra frente) de vez em quando. 

Enfim, para mim, importante é amar a família, não todos, somente os que valham à pena, ser justo consigo e com os outros, e ser feliz com quem você é e não com os que os outros gostariam que você fosse. 

Molde-se somente às coisas que lhe aprazem e foda-se o resto! 

Não tenha medo, não preste atenção. Não dê conselhos, não peça permissão. É só você quem deve decidir o que fazer pra tentar ser feliz” – Teorema (Renato Russo).

Elton Tavares

Jazz e jornalismo


Você tem que respeitar o seu público, e você é grato para o seu público, mas você tem que jogar os seus próprios sentimentos e sua própria verdade. Jogar para si mesmo, porque isso é basicamente o que o público quer ouvir. Eles querem ouvir o que você está sentindo, essa é a música. Isso é jazz.

É o Sonny Rollins falando sobre música, mas resume perfeitamente o que eu penso sobre jornalismo.

Comentário legal do amigo @tagahasoares

“Minha primeira noite em 2013 foi maravilhosa. Calma, explico: eu, Eltão e Paparazzo no Bar da Euda. E Erica também estava lá… Cerveja estúpida, bom papo. Depois fomos dar uma volta pela cidade, parada básica no Lamaru, camarão no bafo, farofa, tucupi apimentado e suco de limão. Ter amigos é melhor do que ganhar o prêmio acumulado da Mega-Sena da virada… Sou um homem feliz… As coisas simples da vida fazem toda a diferença.”

Tãgaha Soares – Jornalista

Comentário engraçado sobre a falta de combustível em Macapá


Essa confusão no sistema de distribuição de combustível vem mais uma vez reforçar a minha tese de que nós, os pobres, temos vantagens de sobrevivência diante da decadência em um futuro caótico iminente. Pedestres não deixaram de funcionar regularmente e levar uma vida normal e feliz, pois já estamos acostumados a caminhar longas distâncias contando apenas com comida e havaianas, os ciclistas estão inclusive mais aliviados com a baixa de transito, e os skatistas continuam “skeitando”, enquanto a maioria de vocês, motorizados, está cada vez mais aflita e confinada em suas casas, das quais não saem andando nem pra comprar pão” – 

Camila Ramos, jornalista bem humorada e inteligente. 

Meu comentário: minha amiga Camila, a “Raminhos”, é genial! Sempre com uma boa sacada sobre tudo. Eu ri! 

Juiz flamenguista faz piada com Vasco em sentença


Um torcedor do Vasco entrou na Justiça contra uma empresa de TV por assinatura que interrompeu os serviços de transmissão do Campeonato Brasileiro alegando falta de documentação. Elizeu Passos Caldas, que garante ter cumprido todas as exigências, pediu indenização por danos morais por não ter conseguido assistir aos jogos do seu time na televisão.

O juiz André Luiz Nicolitt deferiu o pedido – mas “em termos”. Segundo o magistrado, o dano é menor porque o Vasco já foi rebaixado. “Não é possível comparar a frustração de não poder ver um jogo de times que já frequentaram a segunda ou terceira divisão com aqueles que nunca estiveram nestes submundos”, diz a sentença.

Ainda de acordo com Nicolitt, o valor de indenização poderia ser maior se o torcedor autor da ação fosse flamenguista. “Exemplificando, se fosse o Fluminense, por ter jogado a terceira (divisão), valor ínfimo, o Vasco e Botafogo, por terem jogado a segundona, um pouco maior, já o glorioso Clube Regatas do Flamengo, que jamais frequentou ou frequentará tais submundos, o dano seria expressivo”.

A empresa de TV por assinatura foi indenizada a pagar 2.000 reais – quantia considerada “razoável” pelo magistrado.