Fogo pela janela (Crônica ou lamento) – Por Jaci Rocha

Crônica ou lamento de Jaci Rocha

Às 18, o alarme tocou, hora do meu intervalo da lida. Fui dar uma olhadinha lá fora, o mundo ‘pela minha janela’. Havia um fogo intenso, em direção à minha janela direita, mas dessa vez, não me assustei. TODOS OS DIAS, agora são assim. Este mesmo vizinho acende a ‘fogueira’, o que gera um desconforto geral (a primeira vez que vi, achei que devia chamar os bombeiros, tal a proporção).

Não por acaso, também é pessoa que já fez uma ou duas ‘reuniões’, em tempo de plena pandemia, precisando de intervenção policial para ‘dispersar’. Observei com tristeza, que se trata de um eleitor do ‘messias’. Um daqueles eleitores que propagam querer que o Brasil seja um país correto, mas não fazem o certo, sem serem obrigados a isso. Eles querem o ‘certo’, mas ‘fazem o errado’… e justificam que é ‘porque ninguém faz o certo’. Alguém da psicanálise deve explicar.

Eu mal acredito.

O que me recorda sempre o personagem ‘Bêbado’, do livro ‘O Pequeno Príncipe’, que bebe para esquecer… a vergonha de que bebe.

O fogo que vejo aqui, da minha janela, a pandemia, a situação política do País. Tudo tão relacionado e tão ‘desconectado’. É um incêndio mesmo.

E estamos bêbados.

É uma reinvenção triste da máxima popular ‘mais perdidos do que cego em tiroteio’.

Sim, estamos ‘mais perdidos que bêbados em um incêndio’.

Salve-se quem puder.

(Longe de generalizações, é apenas um leve ‘divagar’ sobre nosso baixo senso de coletividade)

Sobre o meu dia Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados é uma data esperada por muitos casais, época de boas vendas para o comércio, (nestes tempos on-line) e, em alguns casos, reconciliações.

Para outros, é uma data infame. Já ouvi de amigas a seguinte lamúria: “Pô, vou passar o Dia dos Namorados sozinha, que merda”. Besteira. Ainda há aqueles que adoram não ter uma namorada (o), pois não gastarão dinheiro com seus pares; mesquinho, não? (risos).

Parabenizo aqueles que namoram. Que conseguem dividir alegrias e tristezas, glórias e fracassos, enfim, aventuras e desventuras da vida a dois. Como disse Cazuza: “só entende quem namora“.

A definição da data é: “Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim, como é conhecido em outros países, é uma data comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais. No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho. Em Portugal também acontecia o mesmo até a poucos anos, mas atualmente é mais comum a data ser celebrada a 14 de fevereiro.

Acho bacana, pois já namorei muita gente legal. Costumo dizer, aos que me cercam que sou melhor como amigo do que como namorado.

Dos 43 anos que tenho, passei 25 namorando. Foram vários momentos muito felizes, com algumas tomadas de cu homéricas, mas isso faz parte.

Volto a dizer, acho legal namorar. Só não quero agora e por pelo menos mais um tempão. Mas só a vida dirá se assim vai ser.

Aproveitando o ensejo, quero mandar lembranças para minhas ex, pessoas com as quais aprendi muita coisa. Valeu meninas, abraço para vocês (tá bom, nem pra todas).

Como gosto de relacionar meus textos a canções, sobre relacionamentos, Renato Russo cantou: “Uma menina me ensinou, quase tudo que eu sei, era quase escravidão, mas ela me tratava como um rei”, este verso tem uma precisão quase cirúrgica, namoros e afins são sempre aprendizados.

Enfim, parabéns a todos os namorados, sejam eles héteros ou homossexuais. Como disse Ângela Rô Rô: “Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça” e “E, quando me encontrar, meu grande amor, me reconheça...”

Elton Tavares

Pela janela azul do manicômio – Crônica porreta de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Um mundo ainda não corrompido se estende pelas ramificações da cidade, em alamedas de flores, que atravessam o grande oceano. É o mundo não corrompido que vejo pela janela azul do manicômio.

Um mundo desprovido de césares e eunucos, de tédio e de policiais. Onde foram abolidas todas as penas, de morte e de vida. Em cujas praças, esquinas e avenidas olhares se atrevem, se atravessam e se comunicam com os segredos da vida, sem colisão de pensamentos. Esse mundo quer existir para todas as pessoas através de mim. Esse mundo me quer como mensageiro de sua paz cotidiana, de respeito mútuo, de fraternidade.

Eu necessito urgentemente de uma caneta para descrever esse mundo, anotar sua fórmula. Corro em direção à escrivaninha em busca de caneta. Quero deixar registrado esse mundo fabuloso, que me acena na noite, pela janela azul do manicômio. Quero dizer que esse mundo existe e pode ser por nós alcançado.

Abro as gavetas, uma por uma. Reviro os papéis na escrivaninha e não encontro caneta, lápis, qualquer coisa com que se possa escrever. Não acredito! Não pode ser! Nunca fiquei sem caneta em toda a minha vida e justo agora que mais preciso…

Começo então uma busca frenética. Remexo pastas. Violo armários. Coloco pelo avesso os bolsos de todas as roupas. Atropelo objetos. Mas tudo é inútil! Não encontro uma caneta sequer e o mundo ainda não corrompido aguarda lá fora, navegando na noite.

Lembro que na esquina da rua do manicômio azul há um boteco onde poderei comprar uma caneta ou quantas eu quiser ou puder ou precisar. Abro a porta do quarto, desço as escadas, pulo a janela do andar térreo e saio correndo pela rua em direção ao boteco. Os enfermeiros de plantão logo são avisados e partem em meu encalço. Não há tempo para explicar a eles que não se trata de uma fuga. Eles não entenderiam a urgência de se comprar uma caneta em plena madrugada.

Continuo correndo em direção ao boteco, o último, o único aberto na noite, em todo o planeta. Acelero a marcha porque o sonolento dono do boteco, sem desconfiar da importância daquele ato, fecha va-ga-ro-sa-men-te a porta antes que eu consiga alcançá-la. Inutilmente, fico batendo desesperado na porta do boteco que abriga vários e vários pacotes de caneta.

Os enfermeiros chegam, trazendo uma camisa de força. Eu me rendo e sou conduzido de volta ao quarto. Me aplicam um tranquilizante e eu fico inerte na cama, observando pela janela azul do manicômio um mundo ainda não corrompido se dissipando na noite.

Hoje é o Dia das Mães – Um texto sobre amor e gratidão.

Arte: Ana Beatriz Santana

Minha mãe é trabalhadora, honesta e dedicada. Ela não chameguenta, mas amorosa. Com absoluta certeza, o maior entre meus amores. E nestes tempos tristes e mascarados de pandemia, sou feliz e agradeço por estar junto de Maria Lúcia e pela sua saúde.

Aliás, a força e o amor que tenho em mim, boa parte veio de Maria Lúcia, a professora, orientadora, filha da Cacilda, avó da Maitê. E que eu e Emerson Tavares temos a honra de termos como mãe. Falando em meu irmão, por conta deste período em que vivemos, ele não está aqui, conosco, como em todos os anos anteriores, mas telefona todos dias e nos dá apoio em tudo, mesmo de longe.

Já disse e repito que eu e mano não seríamos caras nos tornamos se não fosse a nossa mãe. Mamãe é nossa amiga. Sim. Porque existem mães inimigas. Até hoje, eu com 43 e o Emerson com 40, ela segue a se preocupar conosco. Coisa de mãe.

Às vezes a gente se chateia um com o outro, noutras nos decepcionamos, mas seguimos sempre juntos, unidos, com muito amor e ajuda mútua na jornada da vida. Somos muito gratos pela mãe que temos. Maria Lúcia é a soma de tudo que somos de melhor (menos a boêmia, carisma e gaiatice, isso aprendemos com nosso velho e saudoso Penha, o pai).

Por tudo que fez e faz, hoje homenageio Maria Lúcia, nossa mais que maravilhosa mãe. E agradeço a Deus por sua presença física, sua saúde e sua felicidade. Nós te amamos, Lucinha.

Ah, também parabenizo aqui outras mães da minha vida: minha avó Perolina Penha Tavares, a “vó Peró” e minha tia Maria Conceição Penha Tavares. A vó Cacilda Neves, mãe de minha mãe e a querida cunhada Andresa Ferreira, mãe da nossa princesa Maitê. Todas importantes e pessoas amadas por nós.

Além de minhas tias, primas, colegas e amigas, tantas mães entre nossos afetos. Vocês são guerreiras!

Essa época difícil passará e logo estaremos juntos de novo. Por ora, reze pela sua mãe. Esteja ela em outro lugar além de dentro do seu coração. E agradeça pela oportunidade de ser seu filho. É este meu sentimento neste segundo domingo de maio: amor e gratidão. Feliz Dia das Mães!

Elton Tavares e Emerson Tavares (escrevo e assino por nós dois mesmo. Coisa de irmão mais velho, rs).

Canção do Filho Agradecido* – Crônica de Fernando Canto para sua mãe

Por Fernando Canto

Minha mãe está ali, do outro lado da rua ao lado de minha irmã, me olhando. Mas eu não posso atravessar porque muitos veículos passam constantemente em alta velocidade. A alegria de reencontrá-las é grande e o coração palpita na possibilidade de abraçá-las, afinal faz tempo que eu não as vejo.

Elas estão lá e esboçam sorrisos de ternura, como que convidando para uma conversa longa ao redor da mesa onde um café fumegante feito em casa, saindo do coador, explode em seu odor. Os carros não param. Não há semáforos nesse cruzamento. Elas percebem meu desespero e espalmam as mãos pedindo calma, porque é perigosa a travessia e eu devo esperar o movimento dos veículos para poder passar. Fico agoniado e não tiro os olhos delas. Mas os carros dão lugar à manadas de animais em estouro, e quando a poeira passa, um trem se segue em seu lugar. É grande o movimento. E agora uma chuva fina molha os caminhões em comboio veloz no meio da rua, ensopando o som de suas buzinas barulhentas. Do outro lado da rua duas figuras diáfanas desaparecem progressivamente, indiferentes ao meu chamado, enquanto os obstáculos móveis pouco a pouco somem da minha vista.

Então eu acordo com os batimentos cardíacos fora do normal e uma imensa saudade rompe abruptamente os globos dos meus olhos embotados, formando milhares de gotículas cristalizadas no chão. É um dia de sol e chuva, mas de luz intensa varando os vapores no céu azul equatorial.

Sobra um espanto materializado na parede do quarto. Fecham-se as cortinas…

Fernando Canto

Restou-me a sensação do nada, um vazio cheio de alguma coisa, o sentido da ausência, não da falta, pois “não há falta na ausência”, diria Drummond inventando exclamações alegres por aí. Ficou ainda a lembrança das criaturas que desafiaram a vida e puseram filhos no mundo, predispostas que estavam a romper círculos enfadonhos e mesmices tentaculares que enredam a normalidade do ciclo vital.

E no interlúdio do sonho e da memória, do nascimento e da morte, do dia e da noite, uma canção renova-se mergulhada na saudade da planta e da flor. Uma canção encarna a melodia magnificamente soprada pelas ruas, onde só a escuta quem tem o ouvido treinado para ouvir sob o barulho dos carros da cidade. Dentro dessa canção se pronuncia o amor, palavra-escritura indecifrável para alguns ou guardada nos bolsos de outros. É uma canção que se inscreve em mosaicos, que venta e fustiga esconderijos de metal e é tecida com agulhas de ouro. Quem assobiá-la será feliz e descansará em macias almofadas de seda do oriente, recheadas de penas de ganso.

Por garantir essa promessa é que me alardeio proprietário de palavras inventadas, de músicas compostas em nome do amor e da memória. Eu narro essa façanha improvisada de fazer-me condutor do lume da saudade, a fim de vê-lo sempre aceso dentro do coração.

Dona Saúde – Mãe de Fernando Canto

Inominada rutilância és tu, Mãe. Anjo astral, iluminadora. Grato eu sou pela concessão da espada nesta onírica epopeia inacabada em que me encontro e venço diariamente. Agradecido fico pelo indisfarçado crescimento das abelhas que colhem o pólen das hortênsias, dos jasmins e das papoulas que ainda florescem em teu jardim. Aqui teu filho lavra a terra, planta e separa o trigo onde lhe salpicam o joio. Aqui teu filho ainda pule a pedra bruta posta ao meio do caminho. Aqui ele canta a canção que lhe ensinaste para limpar os obstáculos e carregar os fardos inevitáveis que surgem nas ruas por onde passa.

Inefável rutilância tu és, Mãe. Fulcro lírico, bálsamo dos dias funestos, porto necessário ao barco sem destino. Grato eu sou pelos rios que atravesso nas pontes que me ensinaste a desenhar e transpor. Agradecido fico pelas metáforas da vida que Deus mandou-me e que eu, por ti, pude interpretar.

*Publicado em 2008, no Jornal do Dia. Macapá-AP.

O valor das artes e os artistas plásticos – Crônica porreta de Fernando Canto

Por Fernando Canto

O Amapá sempre foi muito injusto e ingrato com seus artistas plásticos. Talvez porque não vivem na mídia como os músicos e compositores ou, mais raramente, como os escritores quando premiados.

Há muito acompanho a evolução das artes amapaenses, pois sempre admirei a pintura e busquei incentivá-la, tentando valorizar cada novo artista que surgia e promover aqueles mais considerados, com exposições montadas dentro e fora de Macapá. Por acompanhar esse processo possuo uma razoável coleção de telas e esculturas de diversos artistas, iniciada na década de 70. Algumas figuram em catálogos, capas de livros e outros impressos e já participaram de mostras periódicas de arte.

Raríssimos são os fiéis que vão às missas na igreja mais antiga da cidade que sabem identificar a autoria dos belos painéis iluminados atrás do altar. “Fuga para o Egito” e “São José Carpinteiro”, exemplos clássicos de pintura acadêmica, são do padre Lino Simonelli, aquele padre italiano brincalhão de barba longa e branca, que a todos envolvia com sua simpática e humilde forma de ser. Poucos também deram o devido valor ao padre Fúlvio, um arquiteto italiano que projetou igrejas e outras obras importantes da Diocese de Macapá. Fúlvio também pintou dezenas de obras de arte com seu estilo bizantino, enriquecendo de detalhes o traje dos santos retratados, as cercaduras e coroas, sem contar que o tipo de tinta e as cores que usava davam um significado especial às telas e um valor estético fora do comum.

Uma das maiores expressões do modernismo brasileiro morou no Amapá. Pelo que conheço há apenas uma única obra de Aluísio Carvão em Macapá. Está na residência governamental. É uma pequena pintura da grade de ferro de um calabouço da fortaleza de Macapá em tons vigorosos de vermelho claro-escuro, adquirida provavelmente no primeiro governo do Território do Amapá. Carvão era cunhado de Janary Nunes. Premiadíssimo, ganhou bolsa de estudos para estudar pintura na França e se radicou no Rio de Janeiro, onde suas obras foram valorizadas e seu trabalho reconhecido.

Muitos dos nossos melhores artistas migraram para aperfeiçoar suas técnicas. R. Peixe, que pintava vasos e ladrilhos na antiga Olaria Territorial, estudou no Rio, voltou e se tornou um dos mais importantes artistas locais. Manoel Bispo, o mais fantástico surrealista que conheço, e Olivar Cunha estudaram na escola do Parque Lage, também no Rio. Já Manoel Costa, que misturou estilos de Bianco e Portinari nos seus trabalhos de temática amazônica, consagrou-se com seu talento e ainda hoje realiza exposições no Brasil e no exterior. Vicente Souza, o pintor dos bambus, premiado na Europa, era oriundo do município de Amapá. Infelizmente teve a carreira interrompida pelo seu brutal assassinato no Rio de Janeiro.

O. Cunha, que a todos surpreendeu com a confecção de painéis no programa televisivo “Roda Viva”, apresentado pelo jornalista Carlos Lobato na TV Band, vive em Vitória, no Espírito Santo, onde trabalha como pintor e restaurador de obras de arte e até de igrejas. Considero O. Cunha um dos mais talentosos artistas locais, de quem cultivo a amizade e adquiro telas há mais de trinta anos. São muitos os artistas amapaenses, antigos e novos, todos com brilho próprio que admiro pela criatividade e talento, e torço para que despontem nesse difícil cenário das artes plásticas nacionais. Entre eles estão o Dekko, Tom D.C., Limeira, Homobono, Grimualdo, Ivam Amanajás, Wagner Ribeiro, Irê Peixe, Ernandes, Josaphat e Herivelto. Agora só falta o poder público fazer a sua parte e valorizar esses extraordinários artistas que merecem ser reconhecidos pelo conjunto da sociedade. Porque de uma coisa tenho certeza: todos eles valorizam as coisas de nossa terra.

*Republicado por conta do Dia do Artista Plástico, celebrado hoje, 8 de maio.

Entre Alguém e Ninguém, Regina tem razão! – Por @yurgelcaldas

Por Yurgel Caldas

Não. Regina Duarte – a ex-atriz e agora secretária especial de cultura do governo Bolsonaro – não é uma surtada, nem maluca, nem insana, nem doida, nem fora de si ou qualquer ideia que a retire de seu lugar de um ser que goza de perfeita racionalidade.

Regina Duarte não precisa ser interditada ou necessita de qualquer tratamento de cunho psicológico ou algo que o valha. Regina Duarte tem razão, e isso não significa que ela esteja certa, pois que apenas mostrou, como muitos nesse governo, que possui a racionalidade de que os humanos são dotados.

Regina Duarte apenas mostrou seu lado mais lúcido e claro de alguém afinada com a necropolítica do atual presidente: minimizou as mortes na ditadura militar brasileira e justificou o a omissão de sua secretaria em razão das mortes de artistas brasileiros que recentemente se foram – inclusive disse não conhecer Aldir Blanc, o Aldir Blanc, um dos letristas mais geniais da história da Música Popular Brasileira.

Além disso, Regina Duarte (agora, mais do que nunca, sem o filtro da representação teatral que envolve as personagens de sua vasta carreira, consagrada, aliás, como a Namoradinha do Brasil) não sabe conviver com o contraditório quando ficou ainda mais nervosa, na antológica entrevista concedida à CNN Brasil ao ter que discutir com sua colega, a atriz Maitê Proença, que cobrava uma atuação mais próxima da classe artística – afinal, estamos lidando com a Secretaria Especial de Cultura, que não é mais Ministério.

Regina Duarte, de posse de toda a sua racionalidade, teve todo o tempo do mundo para analisar o convite feito pelo próprio presidente para assumir esta dita Secretaria, e resolveu entrar para o Governo porque foi perfeita para o cargo e se alia a todo o planejamento desse grupo que tem assolado a economia do Brasil, tentando apagar a memória artística e cultural de seu povo. Regina Duarte, como ela mesma declarou, depois de um namoro, resolveu “casar” com Bolsonaro assumindo a Secretaria.

Ainda durante a campanha para presidência, Regina Duarte, em um encontro privado com o candidato Bolsonaro, declarou que ele “é um doce de pessoa”, e que as atrocidades que ele sempre disse eram “apenas da boca para fora”. Lá atrás, na campanha de 2002, Regina Duarte, durante o segundo turno das eleições, participou de uma peça do candidato José Serra, declarando que ela tinha medo da eleição do Lula, que acabou se concretizando. Aquele medo da Regina Duarte era o temor das elites econômicas e o medo da visão patriarcal e colonialista, que nunca deixou de lado os privilégios escravocratas, como o que pauta, por exemplo, o prefeito de Belém a declarar como “serviço essencial” o das empregadas domésticas.

 

Regina Duarte se arrisca a ser Ninguém quando deixar o governo, e isso será breve– ela será alguém que apaga sua própria biografia ao entrar para este governo, que se elegeu sem qualquer plano para a cultura do país. Regina Duarte sabe muito bem o que faz. E não se enganem: Regina Duarte, aquela dotada de razão, logo será uma Ninguém que terá passado por este governo, mas ainda há milhões de Reginas desfilando sua ignorância por esse Brasil afora.

*Contribuição do amigo Yurgel Caldas, que é professor de Literatura da Unifap e do Programa de Pós-graduação em Letras (PPGLET) da mesma instituição.

Campanha “Macapá 100% de Máscara” – Bora entrar e se engajar!

Bora entrar e se engajar na campanha Macapá 100% de máscara❓😷

1 – Cada usando a sua; não sair à rua sem máscara.
2 – Ações individuais solidárias: comprar máscaras das costureiras 🧵e artesãos que as estão produzindo e doar para quem precisa. Trabalhadores informais, aquele amigo ou conhecido que está em situação mais difícil. Quem estiver precisando. Se cada um doar pelo menos uma, já teremos grandes avanços.🤝🤝🤝
3 – Podemos ajudar a divulgar os que fazem para vender. Malharias, ateliês, costureiras e artesãos, que podem gerar novas atividades econômicas, e novos postos de trabalho. Oportunidades na crise. 💲💲💰
4 – Viralize esta campanha, copie, edite, adeque, divulgue em suas redes; dê autonomia à campanha de cada um; usemos as mesmas armas do vírus para detê-lo: a viralização. É criação comunitária; não há direitos autorais privados.

Também podemos estimular ou nos juntar em redes de solidariedade, para produzir e doar. 👩‍❤️

De minha parte, encomendei para os meus e para doar.

Lembrando que as máscaras não são uma “bala de prata” contra o coronavírus; são um equipamento adicional de proteção individual e do nosso próximo, os bem próximos. Fique em casa, o máximo que puder.

O Ministério Público apoia a campanha Macapá Símbolo de cem pontos% de máscara! Viralize esta campanha, copie, edite, adeque, divulgue em suas redes; dê autonomia à campanha de cada um. É criação comunitária; não há direitos autorais.

Uma leitura da Divina Commedia (Inferno) de Dante Alighieri – Por @yurgelcaldas

Por Yurgel Caldas

Talvez seja Dante Alighieri (1265-1321) quem inaugure uma grande tradição na história da literatura ocidental, que tem como foco o Inferno e suas imagens por demais sedutoras. Daí teríamos como derivadas obras como a conhecida trilogia das Barcas, de Gil Vicente, donde se destaca o auto da Barca do Inferno (1517); o poema épico Lost Paradise (1667), de John Milton, e a tragédia Faust, de Goethe (versão completa da primeira parte em 1808; versão completa da segunda parte em 1832). Nesses exemplos, temos a figuração do inferno como elemento que chama atenção do leitor e, mais do que isso, provoca uma leitura atrativa justamente pela descrição que os escritores fazem desse espaço de danação que sempre causou indagações, curiosidades e toda sorte de fantasias no mundo cristão.

Esse é o caso da Divina Commedia, de Dante, longo poema épico escrito em versos decassílabos (a chamada medida nova italiana) durante a primeira vintena do século XIV, que tem como título original apenas a palavra Commedia, mas que, como aponta Anna Maria Chiavacci Leonardi, durante o século XVI, ganha o atributo de “divina” de seus próprios leitores e, a partir de então, as edições subsequentes adotam o atributo como parte do título do poema, tal qual o conhecemos hoje.

A narrativa da Divina Commedia atravessa todo o Universo ptolomaico (em vigor nos tempos de Dante), desde sua fundação arquitetônica (o centro mesmo da Terra), até o limite conhecido àquele momento: o Empíreo. Trata-se, portanto, de um Universo circular perfeita e harmoniosamente desenhado, tal como o concebia o mundo grego (LEONARDI, Anna Maria Chiavacci, “Introduzione” a La Divina Commedia: Inferno, 2005, p. XV).

São nove céus (ou círculos, como aparecem descritos na própria obra) perfeitamente concêntricos onde não há corrupção; mas o problema é que no seu interior existe o homem – mortal, falível e, ao contrário do mundo que o abriga, corruptível. De fato, o homem é um problema exposto na narrativa dantesca, mas também é a solução para que haja a narrativa em si. Sem o homem, a Divina Commedia não teria nenhum sentido. Afinal, o livro narra a viagem de redenção do próprio Dante (personagem falível e mortal), que se encontra no Inferno e busca ascender ao Paraiso tendo como guia o poeta Virgilio (também falível e também mortal), sem o qual seria impossível sequer a esperança de reencontrar a amada Beatrice (metáfora do amor medieval como veículo ao Paraiso – tal como mostraram as tradições trovadorescas provençais e galego-portuguesas, entre os séculos XII e XIII na Europa).

Dante, o personagem do Inferno – espaço por excelência da obscuridade (como se encontra no início do Canto I: “Nel mezzo del cammin di nostra vita/ mi ritrovai per una selva oscura”) – procura sempre a luz, seja a da razão e da poesia (Virgilio), seja a luz da libertação e do amor (Beatrice). E Dante procura a luz porque quer salvar a si próprio em um mundo ainda maniqueísta, tal como o trovador das cantigas de amor na tradição galego-portuguesa. Esse trovador não louva a beleza da mulher amada (a dona, a dama, a mulher cuja beleza é sem par no mundo) pelo mero fato da beleza ímpar em si; mas sim porque o trovador é consciente de sua falibilidade, e encontra no ato de amar uma dama perfeita – não só em termos físicos, mas também morais e espirituais – a forma excelente de acessar a possibilidade de se salvar. O amante excelente e humilde poderia salvar sua alma se amasse fielmente sua dama – único meio estético de não ir para o Inferno.

Dante é assim: busca na visão iluminada e iluminadora de Beatrice (como a Terra Prometida por Deus a Abraão e seus seguidores hebreus) a única possibilidade de sair de um espaço infernal e encontrar a luz. A Commedia dantesca pode ser lida também como a narrativa de uma viagem, um percurso, um destino – tanto de seu personagem Dante, que vaga num espaço sem tempo que é o próprio Inferno, quanto de seu leitor que assume a condição de viajante e peregrina pelo quadro medieval e terrivelmente cristão pintado pelo poeta fiorentino. A viagem, aliás, que é tema central nas narrativas homéricas ena Eneida de Virgilio, o guia de Dante através do Inferno, não deixa de ser uma metáfora da condição de todo leitor de textos literários.

*Contribuição do amigo Yurgel Caldas, que é professor de Literatura da Unifap e do Programa de Pós-graduação em Letras (PPGLET) da mesma instituição.

Escritos sonâmbulos – Alguns textos avulsos de Ronaldo Rodrigues

Alguns textos avulsos de Ronaldo Rodrigues

· Pronto. Já montei o álibi. Agora é só cometer o crime perfeito.

· Ficar sem conexão por dez segundos já deixa a criançada furiosa ou triste. E a minha geração, que passou a infância toda sem internet?

· O tempo vai mudando a gente. A gente vai mudando de tempo.

· Tomara que ele não venha tomar satisfações comigo, mas acho o Super-Homem um personagem superchato.

· Quando a gente vai ao médico e paga pra ele detectar nossas doenças não é um tipo de delação premiada?

· Fico aqui pensando coisas do tipo: se Noé colocou na arca todas as espécies de animais, colocou também o cupim. Olha o risco que ele correu de a arca ter afundado…

· Não, eu não sou velho. Sou um jovem de muuuuuuito tempo.

· Sou um vaidoso ao contrário. Fico horas na frente do espelho, conferindo cabelo, sapato e roupa. E só saio de casa após me certificar de que tudo está devidamente esculhambado.

· Continente é uma ilha muito grande. Tão grande que cabem nela vários países.

· Julgamento no tribunal divino? Sei não… E se no dia do juízo final a sua ida ao inferno ou ao paraíso for decidida no cara ou coroa?

· Fome é uma palavra que devora.

· Um dia a gente vai virar a mesa nessa porra se essa porra não virar.

· Conheço muita gente que pra ser podre de rica só falta ser rica.

· Avanço da tecnologia: os filósofos de botequim foram substituídos pelos analistas de redes sociais.

· Estou com uma estranha vontade de fazer as pazes com quem nunca briguei.

· “Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho / Eles que se fodam!”. Eu bem sei que Mario Quintana não aprovaria essa paródia de seu Poeminho do Contra, mas deu uma vontade de desabafar um pouco…

Junior: O Maestro – Por Marcelo Guido

 


Por Marcelo Guido

Ele aprendeu a jogar bola na praia, conquistou os gramados do Brasil e foi mostrar na Europa a classe do nosso futebol.

Com talento transcendental, quase impossível para um ser vivo, a bola era sua companheira dentro de campo. Defendeu as cores do Torino e Pescara na Itália, mas escreveu com sangue, suor e talento uma brilhante história no Flamengo. Falo nada mais nada menos de Leovegildo Lins da Gama Junior, o Maestro.

Junior era a magnitude soberba do futebol – talento em estado bruto. Em um time de feras, conseguia se destacar pela seriedade com que entrava em campo; para ele não existia bola perdida.

Ambidestro, começou na lateral esquerda, onde abria caminho nas encostas verdes do gramado para servir atacantes. Sua visão cirúrgica do jogo o fez logo evoluir para meio campo, onde – como um verdadeiro Cristo – fazia-se onipresente em toda área de talento dentro das quatro linhas. Dos seus abençoados pés saíam jogadas que os Deuses do futebol em seus melhores dias haviam planejado.

Fez o mundo se render ao Flamengo, trazendo junto de Zico o campeonato mundial para Gávea. Participou de uma das melhores seleções de todos os tempos 1982, um time que realmente jogava por música, “Voa Canarinho” de sua autoria, embalava aquele selecionado recheado de craques do mais puro quilate, o caneco não veio, mas o reconhecimento ficou, Junior honrou como poucos a camisa amarela.

Na Itália, contratado a peso de ouro pelo Torino, conduziu o time grená ao vice-campeonato logo no ano de estreia; atuando mais avançado, marcou sete gols e foi eleito o melhor jogador do “cálcio”, deixando para trás gente da estirpe de Maradona, Platini, Zico e Falcão. Ídolo máximo da torcida em Turim, sofreu com racismo em um derby contra a Juventus, conotações racistas sobre a cor de sua pele e seu vistoso “Black Power” vindos da torcida juventina fizeram com que os grenás gritassem em coro, mas antes “negro que juventino”.

Primeiro estrangeiro a defender o pavilhão do Pescara – de quebra, carregou a faixa de capitão – foi o segundo melhor jogador estrangeiro do campeonato.

Em 1989, volta para sua casa. Um pedido do filho que nunca o tinha visto atuar com o manto rubro negro, fez Junior voltar para os braços da nação. De 1989 a 1993 foram dois títulos nacionais e um estadual pelo Mengão.

Um caso de amor do gênio com clube – recíproco, com certeza absoluta. A magnética sabia que em campo não existiria ninguém melhor para trajar vermelho e preto. Foram 847 vezes que o Maestro utilizou o manto para dar espetáculo, o atleta que mais vestiu a camisa rubro negra em partidas oficiais.

Em 1992, o destaque. Junior era a lembrança dos tempos áureos do Flamengo em campo. Redesenhou o paradigma de que o jogador com mais de 35 anos já deveria se aposentar. Ganhou alcunha de “Vovô Garoto” e capitaneou um time de novos talentos ao título nacional. E no melhor palco possível: o Maracanã, contra um grande rival carioca. Naqueles dois jogos, Junior transpirou talento, gols nas duas batalhas. E na segunda partida, um gol de falta que, de tão perfeito, deveria estar exposto na principal parede do Louvre em Paris. Aquilo sim, foi uma obra de arte.

Tal perfeição em suas atuações o fizeram ser eleito o melhor jogador brasileiro do ano – isso aos 38 anos de idade. Realmente, Junior era como vinho: quanto mais velho, melhor.

Sem dúvida alguma, um dos seres rubro-negros mais importantes de todos os tempos; um craque de primeira linha que foi, laureou apenas uma camisa no Brasil, respeitou sua gente e criou a mística em cima do vermelho e preto.

O “Capacete” parecia ser predestinado a conquistas; seu rico repertório de inesquecíveis jogadas jamais o deixaria como coadjuvante, aonde quer que jogasse, mas seu coração o fez ser o Flamengo.

A história de Junior, o Maestro e do Flamengo se unem em uma só. Consagrada por títulos, futebol arte e alegria.

*Marcelo Guido é jornalista, amante do futebol, pai da Lanna Guido e do Bento Guido e maridão da Bia.

O Pastelão – Por Marcelo Guido

Foto: Elton Tavares

Por Marcelo Guido

Se estiver andando na rua, ou em um pátio de escola ele vai estar lá, acomodado em estufas, nem sempre ligadas, esperando por você.

Formato triangular, com dobras de massa e possivelmente um presente escondido no meio, onde até saborear com dentadas vorazes pela massa com sabor de sonho, encontrarás um naco de queijo, apresuntado e, acreditem, já fui agraciado até com uma linda e formosa rodela de calabresa.

Foto: Elton Tavares

É amigos, falo do pastelão. Como não se apaixonar por tal iguaria, um ícone que não sai de moda, talvez por que nunca tenha entrado. Inesquecível como “Pirocóptero” e as formosas damas desnudas que estampavam os velhos calendários de bolso, que nos eram dados como brinde, geralmente no fim de ano.

Umas das primeiras regras que aprendemos na escola – não nas aulas – no recreio é: coxinha é bom, é gostosa e cheira bem. Mas o Pastelão é tudo isso e enche.

Por isso se destaca sobre aquela formosa bolinha de massa suculenta com recheio de frango, que alguns infelizes insistem em dar a primeira mordida no bico, quando sabem que o correto é sempre na bundinha. Coxinha com recheio de outra coisa é Rissole.

Pastelão com coca KS, coisa rara em minha cidade (infelizmente) é a combinação perfeita. Quem nunca se viu sentado em uma cadeira de ferro, apoiado em uma mesa bamba, com os cotovelos mordendo o pastelão e sugando através de canudos coloridos o saboroso liquido preto do capitalismo.

Existem seus primos, feitos da mesma linhagem de massa, com recheios aparentes e outro formatos esses são os enrolados, mas eles não têm o charme do nosso herói. Herói sim, pois sacia fome, te deixa satisfeito e te recoloca na caminhada da vida.

Foto: Alê Moutinho

O segredo de como fazer deve ser aqueles bem incautos, fico imaginando uma ordem emblemática que se reúne todas as quintas-feiras em templos onde poucos cidadãos escolhidos a dedo podem compartilhar tal informação, devem ser os Grãos Mestres Pasteleiros, da ordem cristã “SALVE PASTELÃO”.

Falo isso por que quem sabe fazer não passa a receita e quero que fique assim, não quero ninguém metido a besta inventando algo como “Pastelão Gourmet”, isso seria um verdadeiro desastre.

Em minhas andanças, certa vez o encontrei em outra cidade e lá o batizaram como folheado. Triste para algo tão bem nomeado, paulista não sabe nem comer pizza, vai lá saber nomear salgado. Perdoe, eles não sabem o que falam.

Pastelão é isso, quanto mais gorduroso melhor. Mata a fome, tem gosto de infância, te faz refletir sobre situações diárias. Com coca cola, combinação perfeita, um free depois para arrematar.

Foto: Marcelo Guido

Faça a experiência, chegue cedo, mas cedo mesmo às sete da manhã, vá na padaria do bairro – não naquela coisa sem graça do supermercado – peça um da primeira linhagem do dia, primeira edição. Quentinho, acompanhe com uma bela coca gelada, se não tiver KS peça em lata. Irás sentir, sem sombra de dúvidas, a melhor sensação do dia. Como o beijo da pessoa amada.

Felicidade, teu nome é Pastelão.

*Marcelo Guido é jornalista, pai da Lanna Guido e do Bento Guido e maridão da Bia, além de fã de pastelão.

Coquetelaria ao alcance de todos: Caipirinha, o drink genuinamente nacional – Por @mendigato_ – Via @CafeComNoticia_

Foto: Rafael Salman

Por João Ícaro*

Oi, sou João Ícaro, sou bartender há 5 anos se contarmos as caipirinhas que eu fazia no antigo bar Mestre Cervejeiro no início da minha carreira de bar em 2015, todo atrapalhado tentando ser um bom garçom, lá aprendi a como fazer e do jeito tradicional, depois tive a chance de entrar realmente no mundo da coquetelaria trabalhando como barback no Lótus Bar e Restaurante, por pouco tempo, logo depois tive a chance de atuar como bartender e chefe de bar no King’s Pub, por quase 2 anos.

João Ícaro em ação, no 313. Moleque bom! – Foto: Insta dele.

Atualmente, sou chefe de bar no 313 Restaurante, onde tive a oportunidade de ser treinado pelo Kennedy Nascimento, ganhador do World Class em 2015 e campeão mundial no Legends of London em 2017, hoje já com muitos anos de estudos atuo também como consultor de bar, criando cartas e treinando bartenders, assinei cartas em alguns bares de Macapá como King’s Pub, Saint Tropez, Detroit Lounge Bar, Rústic Burger Beer e Bar do Vila.

Hoje vamos falar sobre um dos coquetéis mais apreciados no mundo a Caipirinha! Se temos algo genuinamente brasileiro do qual devemos nos orgulhar, é nosso drink nacional.

Há várias histórias relacionadas a origem do coquetel, a mais interessante é a que se deduz que sua origem data da época da escravatura, os escravos que tinham sua dura rotina de trabalho aliviada por uma dose da “branquinha”.

O que a história da coquetelaria nacional supõe é que provavelmente foi com o intuito de recuperar a saúde de algum escravo, o curandeiro deve ter dado cachaça misturada ao açúcar e a vitamina C do limão e transformou esse “ELIXIR” num dos drinks mais apreciados do mundo!

Agora uma receita minha para você testarem em casa, ela leva:

60 ml de uma boa Cachaça
2 colheres de chá de Açúcar Demerara, ele é menos processado e o sabor da cana fica muito mais evidente
1 Limão Taiti
Bastante gelo
E o seu copo de 300 ml favorito
Prepare assim: Primeiro o limão, corte ele tirando as pontas e o núcleo (aquela parte branca, ela deixa nossa caipirinha amarga), ponha no seu copo, adicione o açúcar e amasse com um amassador ou o cabo de uma colher, improvise! Coloque a cachaça, complete com o gelo e mexa bem e beba sem canudinho, o sabor é completamente diferente, saúde e até a próxima semana!

Foto: Eduardo Porpino

Beba com moderação e nada de dirigir por aí!

Quando fizerem em casa não esqueçam de me marcar no Instagram @_joaoicaro

*João Ícaro, pai do Armênio, bartender, consultor de bar de coquetelaria, viajante, motoqueiro, microempresário (Loja do Urso e Bar do Urso), grande apreciador de coquetéis, cerveja e lanches.

Fonte: Café com Notícias

Sócrates, o “Dr. Democracia”: mais que futebol, um exemplo

Por Marcelo Guido

Sem dúvida alguma, um dos melhores jogadores brasileiros de todos os tempos. Cerebral, comandava como poucos o meio campo. Desfilou seu talento ostentando as camisas do Botafogo de Ribeirão Preto, Flamengo e Santos, mas entregou seu corpo e sua alma para o Corinthians.

Majestoso que era, o Doutor conseguia ser em campo um verdadeiro cirurgião, rasgando a pele das defesas adversárias com passes que, de tão precisos, só poderiam partir de um médico. A perfeição em campo era sua marca.

Destacou-se pelo seu primordial passe de calcanhar, algo que nem os melhores marcadores poderiam imaginar sair daquele corpo esguio, magro – que em nada lembrava um atleta de ponta. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira era a classe do futebol em estado absoluto, um ser deveras abençoado e tocado pelos deuses da bola para ser o melhor.

Nascido em Belém do Pará no ano de 1954, apareceu para o mundo do futebol trajando as cores do Tricolor de Ribeirão. Sua prioridade, na época, era o curso de medicina – que não foi deixado de lado – e com muita luta e persistência foi um dos primeiros (e raros, até hoje) a adentrar um campo de futebol profissional com diploma de nível superior na parede. Ser diferente era uma de suas características.

Cortejado por vários clubes, foi levado para o Parque São Jorge pelo lendário Vicente Mateus e no dia 20 de agosto de 1978 vestiu-se de alvinegro pela primeira vez para enfrentar o Santos, seu velho e querido clube de infância.

Com a alcunha de ser o jogador mais caro do Brasil na época, mostrou para 120 mil privilegiados torcedores todas as suas credenciais de jogador único, diferenciado. A palavra craque lhe cairia como uma luva.

Levantou sua primeira taça no ano seguinte, fez dupla inesquecível com Palhinha e foi para seleção. Tinha o objetivo pessoal de jogar um mundial. Frustrado por ficar de fora da copa de 1978, abandonou hábitos peculiares como cerveja e cigarro e se fez atleta pelas mãos de Telê Santana.

O ano de 1982 viu um futebol bem jogado, de enriquecer os olhos de quem gosta de ver a bola rolar; era o maestro de um time aguerrido e sem modéstia, o Capitão de uma senhora seleção Brasileira que sucumbiu em pleno Sarriá para a Itália de Paulo Rossi. O futebol industrial e burocrático venceu o futebol espetáculo. Coisas do jogo.

Figura pública, controverso nunca se esquivou a falar o que pensava, comemorou seus 317 tentos muitas das vezes com o punho em riste tal qual um pantera negra. Em tempos sombrios no Brasil, foi pilar da democracia corintiana, movimento que colocava equidade nas decisões tomadas pelo time.

Como brasileiro nato, combateu a ditadura de peito aberto; suas ideologias sempre estiveram do seu lado. Conseguiu como poucos, com seu carisma, chamar atenção para os anos de chumbo viventes na época. Sua promessa de não sair do Brasil caso a emenda Dante de Oliveira (que permitiria ao povo votar) passasse, foi um dos pontos altos no comício das Diretas Já.

Antes de ser um excelente jogador, Sócrates foi símbolo de luta e ativismo político, em um momento conturbado na história do Brasil.

Sócrates virou verso e melodia: “Com destino e elegância dançarino pensador. Sócio da filosofia da cerveja e do suor. Ao tocar de calcanhar o nosso fraco a nossa dor. Viu um lance no vazio herói civilizador, o Doutor!” pelas mãos de José Miguel Wisnik.

Virou livro nas linhas traçadas por Tom Cardoso. Virou campo de Futebol feito pelo Movimento Sem-Terra (MST). Virou sonho e orgulho de toda a nação corintiana e brasileira. Eleito pelo diário Inglês The Gardian, um dos seis esportistas mais inteligentes da história (único brasileiro), levando em conta a sua atuação, que extrapolou os campos.

Sim, teve outros títulos; o Bicampeonato Paulista 82/83 pelo Timão e o Carioca de 86 pelo Flamengo passagem pela Fiorentina e pelo Santos. Voltando em 1989 para o berço e se despedindo pelo Botafogo de Ribeirão.

Um ser que deixou um legado dentro e fora de campo. Um pensador que se fez ideia, viveu seu ideal, sua luta por uma sociedade mais justa, menos desigual; um país sem fome, sem miséria, sem homofobia, foi aquilo que sempre sonhou e propagou.

Hoje enquanto craques são mais celebridades comerciais, fazendo propaganda de relógio ou carros, caras como o Magrão fazem falta. Em um Brasil que aos poucos vai caindo no abismo abissal da ignorância e atraso novamente, sua voz faria diferença.

Sócrates teve tempo de cumprir sua última profecia: só morreria com toda a Fiel corintiana banhada em alegria. Partiu no dia 4 de Dezembro de 2011 – no mesmo dia em que o Corinthians foi campeão Brasileiro.

*Marcelo Guido é Jornalista. Pai da Lanna Guido e do Bento Guido e maridão da Bia.